COMUNICAÇÕES LIVRES

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Imagens e representações
Coord:Helder Garmes
Local:Sala de reuniões 6 - térreo do CCE B
Data:9/10/2002



Angela Maria Rubel Fanini
- afanini@bol.com.br
O trabalho e o elemento feminino nos romances de Aluísio Azevedo
Nesta comunicação, atendo-nos aos romances Condessa Vésper, Girândola de amores, Filomena Borges, Mattos, Malta ou Matta?, A mortalha de Alzira, O coruja e Livro de uma sogra, produzidos por Aluísio Azevedo, no período das duas últimas décadas do século XIX, descrevemos como as personagens femininas de estrato social baixo, médio e alto, transitam no universo do trabalho. A esfera do trabalho na sociedade oitocentista brasileira para homens e mulheres livres é bastante reduzida em virtude do modo de produção majoritariamente agro-exportador e escravista vigente. Esse quadro se arrefece para o elemento feminino em virtude também das matrizes patriarcais preponderantes e inibidoras da ação feminina na sociedade. Aluísio Azevedo esteve atento a esse quadro, ficcionalizando o universo feminino, a partir de personagens oriundas de estratos sócio-econômico variados, em sua luta pela sobrevivência e manutenção de seu status quo dentro de campos de trabalho restritos.


Daniel de Oliveira Gomes - setepratas@hotmail.com
Sem título
Em "Ensaio Sobre a Cegueira", somente uma personagem possui o poder possível para atravessar as "trevas brancas". Contextualizando uma visão antropológica-política de suas impotências e transgressões no espaço do manicômio, notamos que ela joga com os dados de um discurso "simulado". De certo modo, isso aponta para o personagem médico, "Rieux", de Camus. Instaura-se o problema da relação contratual e o de uma vigilância imanente. Toda a estrutura espacial do manicômio aponta para uma desmoralização do ambiente familiar patriarcal. E a mulher, liderando os demais personagens de Saramago, opera uma desordem entre o lugar e o discurso. Qual seria a verdadeira lucidez, a responsabilidade basilar, da mulher do médico?


Lussandra Drummond de Alvarenga - lussandra@ig.com.br
José Saramago e a construção de uma nova identidade feminina: uma leitura de
Memorial do convento e O evangelho segundo Jesus Cristo
Entendendo o texto literário como objeto de análise das formas culturais e políticas construídas para vigorar em nossa sociedade, pretende-se refletir, através dos romances Memorial do convento e O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago, sobre a construção de dualismos hierárquicos que remetem à dominação e exclusão, no que se refere às condições masculina e feminina. Para isso, parte-se do princípio de que o autor português cria figuras femininas, não para ratificar a ordem imposta pelo poder patriarcal, mas, ao contrário, para desconstruí-la, para inverter os papéis que a cultura falocêntrica atribui às mulheres, fazendo nascer, dessa forma, uma nova identidade feminina.


Mariléia Gärtner - gartner@femanet.com.br
Os Rios Turvos: o novo romance histórico de autoria femi
na
Reler Os Rios Turvos (1993), da escritora pernambucana Luzilá Gonçalves Ferreira, numa tentativa de classificá-lo como Novo romance Histórico, não deixa de ser um novo olhar para a ficção brasileira de autoria feminina, produzida no final do século XX, uma vez que "compete aos escritores descobrir uma versão mais justa da história americana, para dar voz aos esquecidos, aos excluídos, aos oprimidos, aos vencidos"(Esteves, 1998:126).E o romance de Ferreira oportuniza ao leitor uma destas novas versões, quando possibilita repensar a história das mulheres nos primeiros tempos da colonização brasileira. Partindo das proposições do mexicano Seymor Menton, o Novo Romance Histórico apresenta algumas singularidades se comparado ao Romance Histórico Tradicional; e desta forma, o tórico apresenta seis características como as marcas deste subgênero. Este estudo identifica e analisa como essas características se manifestam na obra.


Petra Ramalho Souto - petrasouto@bol.com.br
As gatinhas de Nélson: representações sociais acerca do gênero feminino em "os sete gatinhos" de Nelson Rodrigues
Fundamentada na Teoria das Representações Sociais, em estudos sobre Literatura e Gênero, realizo uma análise das representações sociais acerca das mulheres encontradas na peça Os Sete Gatinhos de Nelson Rodrigues. Para análise realizei leituras nas quais localizei e selecionei os eixos da análise das representações. Relacionei esses eixos com os demais elementos textuais que pudessem contribuir para a análise dos dados. Até o momento as representações encontradas, são: a mulher como reprodutora, a virgindade é garantia de um bom casamento para a mulher.


Helder Garmes - helder@usp.br
A representação da mulata no romance caboverdiano "O escravo" (1856)
"O escravo" (1856) fundou o gênero romance em Cabo Verde. Foi escrito por José Evaristo de Almeida, um português, branco, que passou grande parte de sua vida nas colônias da África. A heroína do romance é uma mulata de classe média, Maria, idealizada nos moldes românticos. Lembrando que a população caboverdiana é fundamentalmente mestiça, temos uma intenção clara do autor de valorizar na figura da jovem um nativismo caboverdiano. No entanto, quando o narrador exalta as qualidades de Maria, acaba por reproduzir no mestiço aquilo que é entendido como qualidade para o branco europeu. Se tal procedimento não é novidade no contexto literário romântico, o é o fato dessa mulata se apaixonar por um escravo negro e não por um branco europeu. O que move a presente comunicação são as possíveis interpretações desse episódio.