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Gênero e trabalho agrícola
Coord: Maria Ignez Silveira Paulilo
Local:Sala 201 - CCE A
Data:11/10/2002



Auri Donato da Costa Cunha - auri_donato@uol.com.br
Relações de poder na organização do trabalho na agricultura familiar
O presente trabalho objetiva contribuir, para uma reflexão sobre a temática relações de gênero na organização do trabalho na agricultura familiar . A pesquisa foi realizada no Perímetro Irrigado de São Gonçalo, localizado na Microrregião de Sousa, alto sertão paraibano, cuja área é de 4.100 ha , sendo a superfície irrigável de 2.257 ha. Procurou-se detectar como ocorrem as relações de poder no interior das famílias assentadas no projeto. Utilizou-se como instrumento de pesquisa a entrevista aberta, por possibilitar aos entrevistados (as) desenvolverem com maior liberdade a sua fala sobre o tema. Os dados obtidos foram submetidos a uma análise de discurso temática. Durante a pesquisa de campo procurou-se observar como a questão da morada na agrovila, distante do lugar do trabalho, o lote, a socialização dos filhos (as), emprego de mão-de-obra qualificada na agricultura irrigada, masculina e feminina o nível de escolaridade e o acesso a terra e ao credito agrícola influenciam nas relações de poder entre homens e mulheres nos espaços da casa, da produção agrícola e da comercialização.


Izaura R. Fischer - fischer@hotlink.com.br
A posse do salário: um dilema vivenciado pela trabalhadora rural
O texto versa sobre a assalariada rural do Nordeste, e, tem o objetivo de discutir mudanças ocorridas nas relações familiares com a participação feminina no orçamento doméstico. A pesquisa indica que, a maior parte da renda das famílias entrevistadas é gerada do trabalho feminino. Tal fato tem provocado redefinição nas relações familiares, possibilitando à trabalhadora, inclusive, lutar pela decisão de como gastar o seu salário. Nesse processo, a mulher paga um preço que se reflete no plano afetivo e financeiro, pois pode resultar numa separação dolorosa e conseqüentemente na redução da renda para manter a família. Apesar dos transtornos, a situação vivenciada pela família, possibilita o ganho de aprender a construir uma relação transparente, mesclada por liberdade e igualdade.


Jaqueline Soares Barbosa - jaquesb@mailcity.com
Trabalho feminino: atividades complementares à agricultura familiar
A agricultura familiar brasileira caracteriza uma forma de organização da produção onde as decisões relativas à exploração não são vistas unicamente pelo ângulo da produção/rentabilidade econômica, mas abrangem as necessidades e objetivos da família. Grande parte das unidades familiares apresenta renda insuficiente para propiciar condições de reprodutividade, o que as direciona para a degradação, através da migração ou da pulverização fundiária e aumento da pobreza. O objetivo deste estudo é explorar atividades alternativas que as mulheres têm buscado realizar no contexto da agricultura familiar, mas que não inviabilizam a atividade principal, que caracterizam o estilo de vida, e contribuem no orçamento, evitando a opção de deixar o campo.


Jó Klanovicz - klanov@hotmail.com
Representações sobre as mulheres, pomares de macieira e Identidade municipal em Fraiburgo/SC
A produção de maçãs em larga escala comercial, na cidade de Fraiburgo, meio-oeste de Santa Catarina proporcionou, além da afirmação econômica da região, mais um elemento para a elaboração de representações sobre a imagem da mulher, vinculada aos pomares. O objetivo dessa comunicação é discutir como e quais são as imagens que representam essa mulher, bem como situar essas representações no âmbito da afirmação identitária da cidade como um pólo de fruticultura no Estado de Santa Catarina.


Lígia Albuquerque de Melo - lcampos@elogica.com.br
Injustiça contra a mulher: o não reconhecimento do trabalho agrícola familiar
Atividades realizadas pela mulher, nem sempre são considerados trabalho. Notável exemplo dessa injustiça, se confirma no modelo de agricultura familiar do tipo de subsistência, pequena produção, agricultura camponesa ou de sobrevivência, como preferem alguns estudiosos. O objetivo desse estudo é o de mostrar que o não reconhecimento do trabalho da mulher na agricultura familiar deixa essa produtora à margem dos programas oficiais destinados aos agricultores familiares. A referência empírica do trabalho é o Programa nacional de Agricultura Familiar – Pronaf, implantado no município de Afogados da Ingazeira, localizado na região do sertão de Pernambuco.


Maria Ignez Silveira Paulilo - paulilo@cfh.ufsc.br
Feminismo, marxismo e mulheres rurais
A influência do marxismo no feminismo é inegável. Como este encarou o futuro da pequena agricultura como sendo o desaparecimento, os que estudam as mulheres rurais sentem duplamente o peso desta tradição teórica, mesmo sendo difícil pensar, dentro de seus parâmetros, outras formas de trabalho que não o assalariamento individual que, no feminismo marxista, é requisito para as mulheres questionarem a condição subordinada. Os movimentos de mulheres rurais reivindicam mudanças sem romper com o trabalho familiar. Assim, nosso objetivo é desvelar o evolucionismo de viés urbano que perpassa as análises sobre o rural, no sentido de comparar seus movimentos reivindicatórios com os urbanos, tendo como pano de fundo o marxismo e a tradição sociológica que se inicia com a oposição entre comunidade e sociedade.