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Adolescencência e Direitos Reprodutivos
Coord: Silvana Maria Pereira
Local: Auditório do Colégio de Aplicação
Data: 09/10/2002



Ana Lídia Nauar Pantoja -
anauar@zipmail.com.br
"Ser alguém na vida": gravidez na adolescência e dinâmica da vida escolar
Nas últimas décadas, estatísticas apresentadas por demógrafos e especialistas da área da saúde pública têm enfatizado um significativo aumento do número de adolescentes grávidas no Brasil, o que em muito tem contribuído para uma maior visibilidade social do fenômeno. Tal visibilidade, no entanto, tem se pautado em um discurso vitimizador, homogeneizador e alarmista da questão, no qual atribui-se ao evento um caráter negativo, um reforço à pobreza e marginalidade. Os defensores dessa idéia estabelecem uma correlação entre baixo nível de escolaridade e maior fecundidade, defendendo a tese da desvantagem social da maternidade adolescente, tendo por base o pressuposto equivocado de que a mesma interfere na vida escolar e impõe dificuldades de inserção das adolescentes no mercado de trabalho. Uma vez excluídas do universo da escola e do trabalho, o futuro das mesmas estaria predestinado ao fracasso. Ao valorizar a singularidade que assume o fenômeno entre um grupo de estudantes de uma escola pública em Belém, que não abandonaram os estudos durante a gravidez/maternidade, neste estudo busca-se oferecer uma alternativa à essa visão. A compreensão da lógica do fenômeno entre os estudantes implica o reconhecimento da importância de uma abordagem em que o evento possa ser visto/analisado como parte importante das experiências que definem o processo de transição juvenil - dentre estas as de gênero - para além portanto, da noção de "risco", "queda" ou "ruptura" freqüentemente associada ao mesmo.


Aujôr de Souza Júnior - aujor2000@yahoo.com.br
A pílula em debate
A experiencia dos anticoncepcionais orais comercializados no Brasil, a partir de 1962, foi programada para o corpo feminino e o conhecimento dos riscos desta experiencia, ficaram reservados ao saber médico. Em muitas ocasiões o corpo das mulheres tornou-se um campo de experimentação dos novos medicamentos. Em entrevistas realizadas com médicos catarinenses percebemos a falta de unanimidade entre o perigo e a eficácia dos novos contraceptivos orais. Na mídia impressa nacional e em revistas médicas é possível observar este debate. Focalizar o debate médico acerca da contracepção, e contribuir para os estudos de genero na história social em Santa Catarina é o objetivo desta comunicação.


Eunice Renostro - eunicedinha@yahoo.com.br
Vivendo e adolescendo/prevenção às DSTs/HIV/AIDS
Nossa proposta de Educação Sexual(desenvolvida na Escola) considera todas as dimensões da sexualidade: biológica, psíquica e sociocultural e interage com os jovens a partir da linguagem e de interesses que marcam essa etapa de suas vidas, entendendo que assim se constrói sua identidade.A forma de trabalho escolhida foi através de oficinas, com técnicas de convivência (abordagem social/relações de gênero), produções artísticas, preparação de multiplicadores e Clube da Camisinha.Objetivamos uma maior preocupação e intervenções mais eficazes na prevenção às DSTs/HIV/AIDS, contribuindo com o bem estar dos adolescentes e jovens na vivência de sua sexualidade.


Gisele Rocha Côrtes - girocortes@ig.com.br
Aborto e maternidade: o discurso médico na cidade de Araraquara
A prática do aborto é um dos temas mais polêmicos no âmbito da saúde reprodutiva, figurando como um grave problema de saúde pública e de desigualdade sexual em muitos países. Abordamos a problemática tendo como foco a categoria médica, que interage diretamente com as mulheres, e são agentes sociais importantes em possíveis modificações legislativas. Analisamos o discurso de médicos de um hospital da cidade de Araraquara, que atendem mulheres com seqüelas de aborto provocado. Tendo em vista, que os/as médicos/as não se direcionam unicamente por parâmetros técnico-científicos, uma vez que a prática médica envolve um feixe de relações sociais vigentes na sociedade de atuação desses/as profissionais, utilizamos a categoria sociológica gênero como referencial teórico-metodológico principal da investigação, buscando apreender como as relações de gênero e de poder se manifestam no discurso dos profissionais.


Lysianne M. da Frota
Maria Lúcia Rocha-Coutinho
A gravidez em adolescentes de classe mádia do Rio de Janeiro
As taxas de fecundidade totais vêm decrescendo no Brasil nas últimas décadas. No grupo de mulheres entre os 15 e os 19 anos, contudo, ocorreu o inverso. Estudos têm apontado para o fato de que, nas classes populares, a maternidade parece ser positiva-mente valorizada por conferir às jovens um lugar na sociedade, o de mulher-mãe. Acreditamos, contudo, que, na classe média, outros determinantes sociais se tornam importantes, como o in-vestimento em uma carreira profissional, com o adiamento da maternidade. Neste estudo investigamos mães adolescentes de classe média da cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de melhor entender o significado da maternidade para elas, porque levaram a gravidez a termo e como estão lidando com as mudanças acarretadas pela chegada de um/a filho/a, entre outros aspectos.


Walfrido Menezes - dacontit@hotlink.com.br
Gravidez na adolescência e exclusão de gênero
A Gravidez na Adolescência, inserida no campo da exclusão de gênero, no Brasil é uma questão bastante ampla e de pouco estudo, tanto na teoria como na prática. Hoje, no país, 1.000.000 (um milhão) de jovens na faixa etária de 12 a 18 anos ficam grávidas de acordo com os dados do IBGE (1998). O nosso foco de atenção não é o número de adolescentes grávidas, mas sim a preocupação com uma situação que afasta as mesmas da escola, de um trabalho melhor, ampliando assim o processo de exclusão de gênero. Diante de tal quadro, é muito fácil a jovem não pensar em contraceptivos, escola e/ou trabalho, entregando-se ao discurso machista da função materna, que uma vez internalizado passa a fazer parte de seu cotidiano.A utilização de métodos contraceptivos é bastante precária. Das quinze adolescentes que conheciam algum tipo (ou mais) de contraceptivo apenas quatro usavam a camisinha, sempre de forma esporádica. Na verdade, a camisinha não é usada pela maioria dos rapazes, pelo menos nos depoimentos das vinte adolescentes que participaram desta pesquisa. Vejamos o seguinte depoimento:"Tinha acesso à camisinha e usava, fiquei grávida num vacilo, não usei no dia, não tinha na hora do ato, se acomodou e o namorado não comprou" (Madalena, 18 anos).Os rapazes eximem-se de toda e qualquer responsabilidade porque a sociedade machista prega que eles têm todos os direitos (e não deveres) perante a vida. Os próprios meninos têm vergonha de comprar o preservativo e não olham com bons olhos a menina que os têm na bolsa. Ela é considerada como prostituta fácil desagradando os rapazes que não vêem com bons olhos tais atitudes.Assim, insistimos na necessidade de buscar o olhar do próprio adolescente (grifo nosso) diante do namoro, contracepção e reprodução. Para viabilizar a ação mais integrada em torno da saúde reprodutiva na adolescência. Repensar a Gravidez na Adolescência do ponto de vista adolescente diante da vivência de sua sexualidade, é fundamental, pois só elas podem falar o que pensam, sentem e entendem, e, com isso se pode desenvolver ações públicas que tenham eficácia junto as adolescentes. Por outro lado, o único caminho para atingir tal proposta é desenvolver projetos, pesquisas e programas junto às mesmas.


Silvana Maria Pereira - silvana@hu.ufsc.br
Ações para promoção da saúde sexual e reprodutiva
Os profissionais de saúde precisam refletir sobre os aspectos do comportamento sexual influenciados pelas relações de gênero, desde a construção da subjetividade feminina e masculina, suas influências no conhecimento e relação com o próprio corpo, expressão dos sentimentos e comportamentos que podem gerar relações de poder desiguais, favorecer situações de discriminação e/ou violência e afetar a saúde sexual e reprodutiva de mulheres e homens. O direito ao exercício da sexualidade é um direito humano inalienável e deve ser considerado como uma questão de saúde e incorporado através de ações concretas nos serviços de saúde, visando promover uma conduta sexual responsável, livre de riscos e prazerosa.