COMUNICAÇÕES LIVRES

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Imagens e Textualidade
Coord: Alyson E. R. Steele G. Weickert
Local: Sala de vídeo - Colégio de Aplicação
Data: 09/10/2002

 

Adriana Werner - adriana_werner@yahoo.com.br
Janaina Salvador - janaesp@hotmail.com
O desejo de liberdade de Marcela: um estudo de
"Quijote"
Marcela é um dos personagens femininos que compõem a obra de "Don Quijote de la Mancha", de Miguel de Cervantes. Ela tem como princípio de ação a defesa de sua honra e liberdade, confrontando-se desta maneira com os valores vigentes da época. Marcela possui um desejo ardente de ser livre, distanciando-se dos amores e da conduta social esperada. Para que sua liberdade se confirme em toda sua plenitude, ela renuncia a vida social, afastando-se. Com isso ela procura a companhia de pastores, e da natureza. Porém Marcela desperta o desejo dos jovens que a conhecem. Ela não os corresponde, essa postura faz com que seja vista pelo povo como uma mulher cruel, desdenhosa e homicida. Este trabalho pretende fazer uma análise sobre esse desejo de liberdade que envolve o personagem Marcela, e que a coloca em choque com os padrões sociais vigentes, ou seja, de uma sociedade patriarcal.


Luciana Eleonora F. Calado - lucianaeleonora@yahoo.com.br
A voz feminina nas Cantigas de Amigo de Chico Buarque
Caracterizada como um período de intensa repressão feminina, a Idade Média representa também, uma época de contestações em particular na vida literária, seja com uma produção importante de mulheres, as chamadas trobairitz, seja com a expansão do gênero poético conhecido como Cantiga de Amigo, (Chanson de femme, Frauenlied), que consiste na expressão dos sentimentos em um eu-lírico feminino.Essa forma lírica é cultivada até hoje por alguns poetas da nossa música popular brasileira, em particular, pelo compositor Francisco Buarque de Hollanda, como traço notável da sua obra. Pretende-se, nesta comunicação, traçar um paralelo entre alguns temas e variantes poéticas das cantigas de amigo medievais e das cantigas de voz feminina de Chico Buarque.


Maria Josele C. Gurski - mariajosele.gurski@bol.com.br
Meu tio Atahualpa - Representação do feminino na neopicaresca
O presente estudo procura desvelar a representação do feminino no romance Meu Tio Atahualpa de Paulo de Carvalho Neto, que foi publicado pela primeira vez no Brasil em 1978,levando-se em consideração a classificação do mesmo comoneopicaresco.Busca-se a verificação do espaço ocupado pelo feminino,elucidando o erotismo como manifestação diabólica.


Regina Helena Urias Cabreira
Sexualidade e Poder - um jogo de forças entre Indivíduo e Sociedade em
A Letra Escarlate e A História da Aia
Este trabalho tem como objetivo aplicar uma abordagem antropológica e histórica no estudo de como a questão da sexualidade e do poder manifesta-se nos romances The Scarlet Letter (A Letra Escarlate) (1850) de Nathaniel Hawthorne e The Handmaid's Tale (A História da Aia) (1985) de Margaret Atwood. Tal estudo será desenvolvido a partir dos textos: "Gênese I. Do indivíduo-fora-do-mundo", de Louis Dumont; "As concepções cristã e moderna da pessoa, os paradoxos de uma continuidade", de L.F.D. Duarte e E. A. Giumbelli; "The Rise and Fall of the Human Subject", de Brian Morris; "Romeu e Julieta e a origem do estado", de Viveiros de Castro et al.; Hermeneutica del Sujeto, História da Sexualidade - Cap. II, de Michel Foucault e A Invenção do Cotidiano. Artes de Fazer - Cap. II e III, de Michel de Certau.


Silvia Karla A. dos Santos - sissikal@bol.com.br
Ler e aprender: normatização do comportamento feminino na literatura de José de Alencar

O presente trabalho pretente demonstrar atrvés de Lucíola, romance de José de Alencar, a utilização dos livros, destinado às mulheres de elite, como um dos mecanismos de disciplinarização do comportamento feminino no século XIX.A história contada no romance se passa no Rio de Janeiro entre os anos de 1850 e 1856, sendo que os protagonistas, Lúcia/Maria da Glória e Paulo, se conhecem em 15 de Agosto de 1855 e permanecem juntos cerca de seis meses. Lúcia por uma fatalidade se torna uma jovem prostituta de luxo e Paulo é um advogado recém-formado e embora apaixonados se vêem impedidos de viverem juntos, uma vez que o romance entre um homem da sociedade e cortesã, violaria todas as normas da boa moral. Através de diálogo entre os personagens e de como a história vai sendo conduzida é possivél perceber os códigos de sociabilidade que determinava a elite carioca oitocentista,além de permitir identificar a maneira sutil que o autor constrói um manual de conduta a ser adotado pelas mulheres. A partir da nefasta trajetória de vida de Lúcia o autor vai demonstrando como a mulher deve comportar-se para não sofrer o mesmo destino da personagem: a perda da família, do homem amado e finalmente a morte, mesmo depois de arrepender-se de tudo que fez. nem mesmo o amor era capaz de purificar tamanho erro. Em contra partida a negaçao do comportamento de Lúcia traz exatamente o perfil ideal da mulher da elite burguesa, aquela fiel, obediente, ou seja, que atenda um padrão estabelecido de moralidade baseado nos moldes europeus de civilização. Enfim, a obra nos permite resgatar uma mentalidade que até hoje é parte do nosso cotidiano.


Sônia Maria Zanetti Thomaz - thomaz@irati.com.br
Desvelando a angústia em:
A mulher do tenente francês
Trata-se de um estudo sobre a personagem Sarah Woodruff, da obra de John Fowles, "A Mulher do enente Francês", transformada em filme com o mesmo título, dirigido por Karel Reisz, à luz da teoria semiótica de Pierce. Para este, a semiótica investiga todas as "linguagens possíveis" e examina como se constituemos fenômenos sob forma de "produção de significação e de sentido." O campo é tão amplo que cobre o que definimos por vida. Esta encontra-se tão atrelada à linguagem, sendo que não somente a vida é uma espécie de linguagem, bem como todos os "sistemas e formas de linguagem tendem a se comportar como sistemas vivos", pois eles se "reproduzem, se readaptam, se transformam e se regeneram como as coisas vivas."


Alyson E. R. Steele G. Weickert - alysonsgw@hotmail.com
Reverenciadas - mas reprimidas: a construção da mulher muçulmana
Esta pesquisa em encaminhamento analisa como os textos jornalísticos escolhidos da revista em inglês, Newsweek, abordam o assunto de mulheres muçulmanas antes e depois da queda do Taliban. Também observa como relações de poder se manifestam. O trabalho baseia-se nas perspectivas teóricas de linguagem e gênero (Heberle, 1995); análise crítica de discurso (Fairclough, 1992, 1998); coesão (Halliday, 1998); estruturas textuais escritas (White, 1998 e Meurer, 2000) e visuais (van Leeuwen, 1997). Argumenta que a estrutura textual influencia nós, leitores, na re-interpretação (re-construção) de tais reportagens. Os resultados parciais mostram que o conjunto de intertextualidade, escolhas lexicogramaticais e montagem (layout) dos textos, reforça a construção das mudanças nas vidas dessas mulheres, refletindo a questão de poder sobre elas.