Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 


Dia 28 de agosto de 2006

8h. Credenciamento

10h. Sessão de Abertura - Auditório Garapuvu, Centro de Eventos
Ministra Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres)
Lúcio José Botelho (Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina)
Anselmo Fábio de Morais (Reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina)
Albertina Costa (Conselho Nacional de Direitos da Mulher/ Fundação Carlos Chagas)

12h Inicio da apresentação dos pôsteres - Hall Superior do Centro de Eventos

14h - 17:30h – Simpósios Temáticos

17:30 - 19h – Coffee Break e Lançamento de Livros - Hall Superior do Centro de Eventos

17:30 - 19h -  Encontro Juventude, Gênero e Redução de Danos - sala 309 - CFH

19h. Mesa de Abertura – Auditório Garapuvu, Centro de Eventos

Combatendo o preconceito no dia a dia
Coordenação: Profa. Dra. Tânia Regina de Oliveira Ramos – UFSC
Vera Fermiano - Representante da Casa da Mulher Catarina
Dra. Rubia Abs Cruz- Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero/RS
Escritora Conceição Evaristo – Universidade Federal Fluminense 

 

Dia 29 de agosto de 2006

9h. Mesas Redondas

1. Preconceito e mídia - Auditório do Convivência
Coordenadora: Profa. Dra. Carmem Suzana Tornquist – Universidade do Estado de Santa Catarina 
Profa. Dra. Suzana Funck – Universidade Federal de Santa Catarina/ Universidade Católica de Pelotas/RS
Profa. Dra. Heloísa Buarque de Almeida – Universidade Estadual de Campinas/SP
Profa. Dra. Carmen Rial – Universidade Federal de Santa Catarina

2. Discriminações Geracionais - Auditório da Reitoria
Coordenadora: Profa. Dra. Mara Coelho Lago - Universidade Federal de Santa Catarina Profa. Dra. Zahidé Muzart – Universidade Federal de Santa Catarina/Editora Mulheres
Profa. Dra. Flávia de Mattos Motta – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Alda Motta – Universidade Federal da Bahia

3. Gênero e Ditadura na América Latina - Auditório do CFH
Coordenadora: Profa. Dra.Cristina Scheibe Wolff – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Fernanda Gil Lozano - Universidad de Buenos Aires - Argentina
Prof. Ms. Graciela Sapriza – Universidad de la Republica del Uruguay

4. Gênero e Ciência - Auditório do CCE
Coordenadora:  Profa. Dra. Roselane Neckel – Universidade Federal de Santa Catarina Profa. Dra. Marília Gomes de Carvalho – Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Profa. Dra. Lúcia de La Roque – Fundação Oswaldo Cruz/RJ
Profa. Dra. Maria Margaret Lopes – Universidade Estadual de Campinas/SP

14 - 17:30h – Simpósios Temáticos

17:45hs - Reunião para a Constituição da Rede Brasileira de Antropologia Feminista - na sala 309 do CFH

18-19hs - Programação cultural - Hall Superior do Centro de Eventos

19h Mesas Redondas

5. Racismo e ações afirmativas - Auditório da Reitoria
Coordenador: Prof. Dr. Pedro de Souza – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Vânia Beatriz Monteiro da Silva – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Dione Moura – Universidade de Brasília
Profa. Dra. Fúlvia Rosemberg – Fundação Carlos Chagas

6. Erotismo, sexualidade e preconceito - Auditório do Convivência
Coordenadora: Profa. Dra. Sônia Weidner Maluf – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Izabel Brandão – Universidade Federal de Alagoas
Profa. Dra. Berenice Bento – Universidade de Brasília
Profa. Dra. Maria Juracy Filgueiras Tonelli – Universidade Federal de Santa Catarina

7. Preconceitos, representações e linguagens - Auditório do CFH
Coordenadora:  Profa. Dra.Tânia Regina Ramos – Universidade Federal de Santa Catarina Profa. Dra. Carmen Rosa Caldas Couthard – Birmingham University – Inglaterra
Profa. Dra. Rachel Soihet – Universidade Federal Fluminense
Profa. Dra. Iara Belleli – Cadernos Pagu/ Universidade Estadual de Campinas/SP
Profa. Dra. Aglika Stefanova – New Europe College, Romênia

 

30 de agosto de 2006

9hs. Mesas Redondas

8. Gênero e Identidades pós-coloniais - Auditório do Convivência
Coordenadora:  Profa. Dra.Simone Schmidt – Universidade Federal de Santa Catarina Profa. Dra. Cláudia Lima Costa – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Meryl Adelman – Universidade Federal do Paraná
Profa. Dra. Rita Schmidt – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Profa. Dra. Liane Schneider – Universidade Federal da Paraíba

9. Violência e preconceito - Auditório da Reitoria
Coordenadora: Profa. Dra.Miriam Pilar Grossi – Universidade Federal de Santa Catarina 
Profa. Dra. Dominique Fougeyrollas – Univesité Paris VII/ CEDREF – França
Profa. Dra. Rita Segatto – Universidade de Brasília
Profa. Dra. Guita Debert – Universidade Estadual de Campinas/SP
Profa. Dra. Cláudia Fonseca – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

10. Pobreza e cidadania - Auditório do CFH
Coordenadora: Profa. Dra.Luzinete Minella Universidade Federal de Santa Catarina
Prof. Dr. José Alcides Figueiredo Santos- Universidade Federal de Juiz de Fora/MG
Prof. Dr. Marcelo Nicoll – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Profa. Dra. Jurema Brites - Universidade Federal de Juiz de Fora/MG
Profa. Dra. Sylvia Leser de Mello – Universidade de São Paulo

14 - 17:30h – Simpósios Temáticos

17:30 - 19h - Reunião preparatória da AUGM - Sala Pitangueira - Centro de Eventos

18 - 19h – Programação Cultural - Hall Superior do Centro de Eventos

19h – Painel de Encerramento: Feminismos e preconceitos no mundo - Auditório da Reitoria
Coordenação: Profa. Dra. Joana Maria Pedro – Universidade Federal de Santa Catarina
Profa. Dra. Monica Raisa Schpun – École des Hautes Études en Sciences Sociales - França 
Profa. Dra. Ellen Judd - University of Manitoba - Canadá
Profa.
Ms. Sônia Malheiros Miguel – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

 

Resumos das mesas redondas:
Mesa Redonda: Discrimina ções Geracionais
Título: Idade e Preconceito
Alda Britto da Motta
Professora do Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais e Pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher—NEIM. Universidade Federal da Bahia.

            O preconceito em relação a idade situa-se em um espaço analítico bem definido das relações sociais.Embora, permeia todas as instâncias da vida social.À maneira das ideologias, que exercem sua eficácia pela naturalização da vida social, o preconceito remete a pretensas fraquezas, insuficiências ou impossibilidades do corpo ou da mente. Neste sentido, as mulheres ainda hoje são “fracas”, os negros, por longo tempo foram considerados “inferiores”, as crianças e os adolescentes “ainda não estão formados”, e os velhos, desgastados, “já deram o que tinham que dar”. O que demonstra que o sexo/ gênero, a idade /geração e a raça/ etnia ainda são critérios classificatórios dos indivíduos no espaço social. Preconceitos e discriminações são parte da dinâmica social que se expressa como luta pelo poder e dominação. No caso dos velhos, talvez o espaço relacional mais intenso de atuação das discriminações geracionais, o fim ultimo é o alijamento definitivo e assunção de bens e posições. Neste campo a pesquisa é urgente.
Palavras-chaves: Preconceito, Idade, Gerações, Gênero.

Mesa redonda: Erotismo, sexualidade e preconceito
Título: Vagina, Pêlos, Pênis: sexualidade e erotismo na transexualidade
Berenice Bento
Pesquisadora Associada do Departamento de Sociologia/UnB

            O dispositivo da transexualidade produziu um transexual que se define pela ausência de sexualidade. As cirurgias de transgenitalização seriam para possibilitar as pessoas transexuais conquistarem a sexualidade. Essa concepção está ancorada na tese de que os/as transexuais odeiam seus corpos. O objetivo dessa comunicação é problematizar essa interpretação. Sugiro que as pessoas transexuais não vêem seus corpos como abjetos, tampouco são assexuadas. O discurso médico toma a parte (as genitálias) como o todo, daí não verem que o erotismo e a sexualidade estão presentes nos sujeitos que vivem a experiência. As cirurgias de transgenitalização está para além da sexualidade. Significam a possibilidade de ascensão à categoria humanidade. A construção da vagina ou a retirada dos seios/ovários/útero pode ser interpretada como uma “moeda” para o ingresso no campo binário da inteligibilidade social.
Palavras-chave: transexualidade, sexualidade, erotismo.

Mesa Redonda: Preconceito e mídia
Título: Dez anos depois, re-visitando Japonês está para TV assim como Mulatos para cerveja: Estereótipos Raciais e Étnicos na Publicidade Brasileira
Carmen Rial
NAVI/GAUM/IEG/UFSC

            Em 1995, quando o debate sobre cotas raciais inexistia na sociedade brasileira, realizei uma pesquisa sobre as representações étnicas e raciais presentes na publicidade televisiva no Brasil, apresentado na Anpocs e na IUAES na China. O estudo teve seu foco voltado para as Copas de Mundo de 1994 e posteriormente com a Copa de 1998, por terem sido momentos em que a publicidade trabalhou com a idéia de nação e o apelo a sentimentos nacionalistas acabou refletindo os estereótipos culturais disseminados no Brasil. Re-visito a pesquisa hoje em um momento de intenso debate sobre cotas "raciais" no país, buscando mostrar que a distribuição menos estereotipada da representação "racial" na TV teria grande eficácia simbólica, pois se textos publicitários são expressões de valores sociais, onde o imaginário social é refletido, também são lugares de uma fértil produção desses imaginários.
Palavras-chave: publicidade, estereótipos, "raça", imaginário.

Mesa redonda: Racismo e Ações Afirmativas
Título: O Discurso da Imprensa Brasileira sobre as Políticas de Ações Afirmativas
Dione Oliveira Moura
Faculdade de Comunicação, Universidade de Brasília

            A imprensa brasileira tem adotado um comportamento padrão sobre as políticas da ações afirmativas. Embora o discurso não seja uníssono, é possível identificar uma predominância discursiva na abordagem do tema ‘ações afirmativas’ na imprensa escrita. O núcleo mais freqüente deste discurso está relacionado com a descrição das ações afirmativas como medida carregada permanentemente pela de ‘controvérsia’ e pela ‘polêmica’. Tal apresentação discursiva, de certa forma, reflete a própria dificuldade da opinião pública brasileira assumir que, no Brasil, a desigualdade social está associada à desigualdade originada na discriminação racial, por sua vez relacionada com o passado colonial em nosso País.
Palavras-chave: imprensa, ações afirmativas, discurso.

Mesa redonda: Feminismos e preconceitos no mundo
Título: Discourses of Women’s Liberation and Feminism in Contemporary China
Ellen R. Judd
University of Manitoba

            The women’s movement in China has challenged women’s movements elsewhere in the world to consider alternative paths to Western-style feminism, both in the form of women’s liberation in the revolutionary period and in the form of a drive toward the competitive marketplace in the post-socialist period. This paper outlines two major instances of these forms of women’s movement and the cross-cultural questions they pose to international feminist discourse. The first instance is that of the Marriage Law of 1950 which directly challenged patriarchy viewed from the perspective of evidence from the field regarding how women used this opening to change their lives. The second instance is that of a set of initiatives termed the “two studies, two competitions” which sought to position women more favourably in China’s market-driven society at the end of twentieth and beginning of the twenty-first century. Critical attention is given to the discourses of Western feminism seeking to address and interpret these initiatives.
Keywords: feminism, China, cross-cultural.

Mesa Redonda: Discriminações Geracionais
Título: Envelhecimento: novas e velhas discriminações
Flávia de Mattos Motta
UFSC
            As últimas décadas foram um periodo de grandes mudanças no tocante às representações sobre envelhecimento no Brasil. A descoberta de um novo campo de conhecimento resultou em novos discursos, novos sujeitos, novas tecnologias de rejuvenecimento, programas de exercícios físicos – estética, sexual e recondicionamntos cardio-vascular -, descoberta de exercícios mentais (como “palavras-cruzadas”), a descoberta e medicalizaçnao de uma sexualidade especifica d/a idoso/a são exemplos de estratégias em prol da melhora na qualidade de vida na chamada terceira idade. Resta-nos, porém, refletir sobre velhas e novas discriminações que elas reproduzem, significando a tecitura de novas redes de poder sobre o envelhecimento, inclusive no que diz respeito a gênero.
Palavras-chave: envelhecimento, gênero, preconceito, discriminações.

Mesa Redonda Preconceito e mídia
Título: A mídia só oferece o que agrada a seu público? Padrões comerciais que orientam a conduta dos produtores
Heloisa Buarque de Almeida
Pagu, Núcleo de Estudos de Gênero – UNICAMP

            Este texto reflete a partir de uma afirmação muito usada por profissionais da mídia e da publicidade: a de que não querem incomodar ninguém, e que só podem oferecer ao público aquilo que lhe agrada – referem-se assim à noção de que precisam se adequar à “realidade” para manter seu mercado consumidor. Discute-se aqui como determinados padrões de “beleza” (leia-se raça e classe social) e comportamento, que tais produtores supõem serem socialmente consensuais, determinam e restringem a produção de bens culturais, que se tornam assim reprodutores de preconceitos de diversos tipos. Este texto busca apontar as questões de gênero, classe social, raça e sexualidade imbricadas nesse processo, a partir de pesquisas sobre a produção de TV, publicidade, e revistas e os usos perversos e parciais dos dados de audiência do Ibope e da pesquisa de mercado.
Palavras-chave: produção de mídia, imagens da audiência, diferença social.

Mesa redonda: Preconceitos, representações e linguagens
Título: Risos convencionais: gênero e sexualidade atravessados pelo humor
Iara Beleli
Núcleo de Estudos de Gênero - Pagu/ UNICAMP
            Tentando driblar os anacronismos, neste ensaio refaço a questão de Natalie Zemon-Davis, para a Europa oitocentista, sobre como as formas jocosas de tratar os “desvios” podem reforçar uma convenção, mas também colocam um cenário de possibilidades que pode minar essa mesma convenção. A profusão de humor e ambigüidade na propaganda, recorrente no meio publicitário, aponta para formas da linguagem que jogam com o sentido do não sentido e, como aponta Lipovetski, “aí está sua força”.
Palavras-chave: Gênero, Sexualidade, Humor.

Mesa Redonda: Gênero e Ciência
Título: Gênero, Ciência e Preconceito: a perspectiva das Letras e da Lingüística
Ildney Cavalcanti
Universidade Federal de Alagoas

            Buscando na etimologia do termo (oriundo do latim scientia, derivado do verbo scire, conhecer) uma concepção mais ampla de ciência como construção do conhecimento, em contraposição ao seu uso mais específico para definir uma determinada área de investigação, e entendendo por cientificidade o “debruçar-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente pelos outros” (ECO 2001, p. 21), esta reflexão busca construir olhares e questionamentos possíveis sobre as convergências unindo as temáticas de gênero, ciência e preconceito, observando: 1) a crítica feminista da cultura contida na produção dos “inventários de visibilidade”; 2) a construção literária do/a cientista; e 3) a (falta de?) interação entre os modos de conhecimento reconhecidos e institucionalizados na área de Letras e Lingüística, em âmbito nacional, e uma forma gendrada de nos posicionarmos em relação aos nossos fazeres científicos.
Palavras-chave: Gênero, Ciência, Letras e Lingüística.

Mesa redonda: erotismo, sexualidade e preconceito
Título: O corpo como fronteira do contemporâneo em Pérolas Absolutas, de Heloisa Seixas
Izabel Brandão
Universidade Federal de Alagoas

            Considerando o tema da mesa – erotismo, sexualidade e preconceito –, a apresentação tem como objetivo mostrar a leitura de uma cena do romance Pérolas Absolutas, da escritora carioca contemporânea Heloísa Seixas. Essa leitura é feita a partir da noção de corpo como lugar de-fronteira, o que leva à percepção do corpo como lugar de resistência (no sentido foucaultiano do termo), de confronto e, sobretudo, sobrevivência num mundo onde existir exige das pessoas – homens e mulheres – a abertura para o trânsito num espaço onde sexualidade, cultura e sociedade apresentam-se em constante conflito. Essa reflexão apresenta uma leitura teórica interdisciplinar, a partir da ecocrítica (Buell 2005) associada ao ecofeminismo (Alaimo 2000 e Hernsey: 2002) e a leituras feministas do corpo (Sawicki 1994, Grosz 2000, entre outras).
Palavras-chave: autoria feminina; lugar do corpo; crítica literária feminista.

Mesa redonda: Pobreza e Cidadania
Título: Desigualdade e Capacidades dos Cidadãos
José Alcides Figueiredo Santos
Departamento de Ciências Sociais de UFJF
Doutor em Sociologia pela IUPERJ, Pós Doutor pela Universidade de Wisconsin-Madison

            A desigualdade e a pobreza existem em um espaço relacional multidimensional em que os desequilíbrios de dotações de recursos sociais valiosos e de capacidades de realizar transformam-se em desigualdades de resultados. Destaca-se nesta intervenção o papel das divisões de classe social, raça e gênero e das “configurações de desigual-dade” que surgem das suas interseções e interações. A abordagem de capacidades da desigualdade permite articular a questão das desvantagens materiais e simbólicas que se associam com a desigualdade e a pobreza ao problema da democracia e da cidada-nia. A análise da desigualdade em termos de capacidades de realizar relaciona-se com a investigação sociológica dos fatores estruturais e culturais que condicionam a atividade social e as capacidades dos cidadãos.
Palavras-chave: desigualdade, divisões sociais e cidadania.

Mesa redonda: Pobreza e Cidadania
Serviço Doméstico, desigualdade, gênero e cidadania
Profa. Dra. Jurema Brites
Mestrado de Ciências Sociais/UFJF

            A reflexão acerca das diferenças e desigualdades entre homens e mulheres é uma das contribuições mais importantes e evidentes dos estudos no campo do gênero. Abordagens sobre desigualdades entre mulheres, no entanto, são mais raras e não menos importantes. As pesquisas sobre serviço doméstico têm sido férteis para pensar tais assimetrias intra-gênero. Minha proposta nesta mesa é revistar autoras importantes sobre trabalho doméstico que têm apontado dimensões dessas desigualdades, envol-vendo não apenas gênero, mas geração e classe. De outra parte, pretendo lançar mão de minha própria experiência etnográfica sobre os modos de organização social e sim-bólica de empregadas domésticas e patroas no Brasil, procurando indicar que, se em nossa sociedade temos avançado em termos de diretos individuais e coletivos – das mulheres, crianças e minorias-, temos permanecido perversamente presos à desigual-dades de classe.
Palavras chaves: Mulher, Classe, Reprodução Estratificada.

Mesa-redonda: 6. Erotismo, sexualidade e preconceito.
Título: Diversidade Sexual humana e preconceito: entre os saberes “psicológicos”, os saberes “sociais” e os saberes “médicos”.
Maria Juracy Filgueiras Toneli
Departamento de Psicologia/CFH/UFSC

            Esse trabalho aborda a questão da diversidade sexual humana, iniciando por alguns aspectos históricos que se mostram importantes para que se possa entender esse enunciado. Busca desenvolver uma reflexão acerca da interface Biomedicina/Psicologia e sua produção desde o final do século XIX, analisando suas continuidades e supostas rupturas. As diferenciações entre sexo e gênero, guardadas suas comple-xidade e dificuldades, também são assinaladas como presentes nesses jogos de força marcados pela heteronormatividade. Igualmente, as aproximações e distanciamentos entre os movimentos sociais e a produção acadêmica merecem destaque no que se refere, por um lado, à luta pelos direitos, e, por outro, à desconstrução da lógica identitária. Finalmente, algumas questões são formuladas visando à continuidade do debate.
Palavras-chave: sexualidade, poder-saber.

Mesa Redonda: Gênero e identidades pós-coloniais
Título: Feminismo e pós-colonialidade: algumas reflexões a partir da sociologia e da literatura
Miriam Adelman
Professora do Programa de Pós-graduação em Sociologia
Universidade Federal do Paraná

            Dos encontros criativos entre a teoria feminista e teoria pós-colonial, surgem avanços na tarefa de produzir conhecimento sobre a vida das mulheres e sobre as relações de gênero em diversas partes do mundo, gerando sofisticadas análises da sua complexa imbricação com as relações de poder entre etnias, nações e classes. Por outro lado, traz à tona certos debates dentro da própria teoria feminista e a necessidade de considerar os problemas de olhar do “feminismo ocidental”, com seu possível viés ou insuficiência perante o desafio de pensar sujeitos femininos no plural. A partir de uma breve discussão destes debates dentro do campo da teoria social, voltaremos nosso olhar para o campo da literatura, que nos fornece alguns exemplos de processos de construção de identidades femininas, feministas e pós-coloniais.
Palavras chaves: teoria feminista, teoria pós-colonial, identidades pós-coloniais.

Mesa Redonda: Violência e Preconceitos
Título: Trinta anos de pesquisas brasileiras sobre violências contra mulheres: um balanço
Miriam Pillar Grossi
NIGS/UFSC

            Apresentarei nesta comunicação resultados de pesquisa realizada em 2004/2005 por equipe de 15 pesquisadoras do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades, com o apoio da Fundação Ford, sobre a produção acadêmica brasileira de 1975 a 2005 sobre o tema das violências contra mulheres. O trabalho consistiu em detalhado levantamento de teses, dissertações e monografias inéditas em todas as regiões do Brasil e entrevistas com algumas das principais teóricas feministas brasileiras sobre o tema.
Palavras Chaves: Feminismo, Violência contra Mulheres, Depoimentos.

Mesa-redonda: Preconceito racial e gênero
Título: O seu cabelo não nega: do que se afirma no preconceito racial
Pedro de Souza
UFSC-CCE

            Nesta exposição, quero refletir sobre a cor da pele como atributo racial contraditoriamente afirmativo e negativo produzindo uma forma de preconceito racial. O brasileiro tem vergonha de ser racista, ou antes, teme mostrar em seu racismo - constitutivo da herança colonial - a falta de um ponto homogêneo de identificação no hibridismo de sua composição racial e cultural?
Proponho que a cor negra metaforiza um lugar de subjetivação que reverbera me tonicamente em outros indicadores corporais da raça: o formato do nariz, o contorno dos lábios, a textura dos cabelos. Dentre esses, tomo como foco o cabelo para assim partir analiticamente de títulos de canções populares tais como Nega do cabelo duro(David Nasser e Rubens Soares), O seu cabelo não nega((Lamartine Babo e Irmãos Valença)), Sarará miolo(Gilberto Gil) e mostrar como a referência obsessiva ao cabelo é o sintoma de um retorno à cor da pele como ponto incontornável de sentidos híbridos de negação e de perturbadora afirmação da diferença.
Palavras-chave: Preconceito, racismo, subjetividade.

Mesa redonda: Preconceitos, representações e linguagens
Título: Defrontando-se com os preconceitos: mulheres e a luta pelo controle do corpo
Rachel Soihet
Profª do Programa de Pós-Graduação em História da UFF

            Em crônica recente, o jornalista Fausto Wolff, focalizando um infanticídio, atribui as mazelas das mulheres pobres ao descaso das feministas, para ele “as verdadeiras campeãs do neoliberalismo”. Utilizo tal demonstração de misoginia como um mote para reconstrução das lutas empreendidas por feministas nos anos 1970/1980 em busca da cidadania plena, na qual se inclui o reconhecimento de seus direitos ao controle do corpo. Nesse particular, destaco os preconceitos enfrentados, inclusive no seio dos próprios feminismos, num momento em que se priorizava a conscientização das mulheres pobres no que tange à exploração de classe e a luta pela redemocratização do país então imerso na ditadura. Com a abertura política e o empenho de mulheres em demonstrar a negação imposta a sua sexualidade consolida-se a consciência da relevância dessa questão, em meio a uma forte carga de pressões, que através da zombaria visavam o descrédito dessas iniciativas.
Palavras-chave: antifeminismo – feminismos - controle do corpo.

Mesa redonda: Gênero e Identidades Pós-Coloniais
Título: Refutações ao/no feminismo: (des)compassos da cultura letrada brasileira
Rita Terezinha Schmidt
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

            Diante da proliferação de discursos cujo intento é de menosprezar, domesticar e/ou subtrair o alcance do feminismo como força de transformação social/cultural/política, faz-se necessário que os situemos no quadro dos temas nevrálgicos da cultura brasileira: poder patriarcal, desigualdade, autoritarismo e que reflitamos sobre a situação da crítica feminista, seu estatuto no campo dos estudos literários do país. Pretendo tratar de questões tais como, a despolitização do feminismo a partir da cisão impertinente entre o material e o cultural, os limites da ênfase na chamada “política de inclusão” num quadro restritivo de identidade de mulheres enquanto mulheres, da necessidade de restaurar o sentido do poder político dos significados culturais e estabelecer um diálogo oposicional com o pensamento nacional e suas heranças coloniais.
Palavras chaves: crítica feminista -o cultural - o político - poder patriarcal – descolonização.

Mesa:Violências e Preconceitos
Titulo: O que é um feminicidio: Notas para um debate emergente.
Rita Segato
Depto de Antropologia/Universidade de Brasília

            Minha apresentação examinará o debate emergente, dentro das fileiras do feminismo, a respeito da categoria Feminicídio, avaliando os prós e os contras de estender a categoria para todos os crimes do patriarcado.
Palavras chaves: Femicidio, Patriarcado, Feminismo. 

Mesa Redonda: Gênero e Ciência
Título: A "ciência sexual moderna" e a "verdade" sobre o sexo
Roselane Neckel
Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina

            Na década de 1970, os saberes da "sexologia moderna" foram visibilizados pelos diferentes meios de comunicação e instituições qe legitimaram as investigações e intervenções no corpo e na sexualidade dos indivíduos de acordo com as mais recentes descobertas e procedimentos científicos. Nas revistas femininas, por exemplo, os "erros" e "contradições" do passado são confrontados com conhecimentos e informações advindas das pesquisas científicas em torno da sexualidade, legitimadas"cientificamente" como a "verdade" do sexo. No entanto, simultanemante os aspectos sexuais da vida íntima, antes restritos aos livros médicos ou manuais sexuais, foram expostos pela imprensa e tornou-se um dos tópicos favoritos de discussão pública. Dessa forma, a verdade sobre o sexo foi se constituindo tanto pelas autoridades "científicas" como pela opinião pública.

Mesa Redonda: Combatendo o preconceito do dia-a-dia.
Título: Acesso à Justiça
Rúbia Abs da Cruz
Filiação Institucional
Coordenadora Geral da Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero.

            A Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero é uma organização não-governamental feminista, fundada e sediada há treze anos em Porto Alegre - RS, que atua na ampliação das condições de acesso das mulheres à justiça. Na busca de sua missão, a ONG realiza a capacitação legal de mulheres líderes comunitárias, formando Promotoras Legais Populares (PLPs) e atualmente formando também, Jovens Multiplicadoras de Cidadania (JMC´s). Estas mulheres atuam voluntariamente em suas comunidades, como agentes de transformação social, orientando e encaminhando mulheres em situação de violência ou violação de direitos, contando com o apoio e assessoria das técnicas da ONG, e em alguns casos, considerados exemplares, a Advocacia Feminista passa a atuar com vistas a formar jurisprudências favoráveis às mulheres. A Themis também desenvolve esta capacitação legal para organizações não governamentais que passam a aplicar a metodologia em suas comunidades. É a chamada Metodologia Themis de Acesso à Justiça que foi recentemente premiada pelo Governo Federal em relação à igualdade entre sexos e valorização da mulher nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM.
Palavras-chave: Acesso à justiça, Capacitação legal, Transformação social.

Mesa redonda: Gênero e Pobreza
Título: Cooperar como uma experiência especialmente feminina
Sylvia Leser de Mello
Universidade de São Paulo

            É muito expressivo o número de mulheres das camadas populares que assumem papéis de liderança no conjunto de práticas que vêm sendo denominadas de Economia Solidária ou Economia Popular Solidária não sendo esse um fenômeno apenas brasileiro. Para analisar e compreender a grande presença feminina nos empreendimentos de economia solidária e na disseminação de práticas associativas e cooperativas acredito que seja preciso trabalhar com conceitos que transcendem muito o campo da economia e que marcam esse campo como sendo inter ou multidisciplinar, muito próximo da transversalidade disciplinar que caracteriza os estudos de gênero. Pretende-se apresentar o problema a partir da experiência da autora com a pesquisa no universo do trabalho feminino e da pobreza, assim como a experiência com a incubação de empreendimentos do associativismo popular, discutindo-se, especialmente, a autonomia e a autogestão que se propõem como metas pessoais e coletivas para os participantes daqueles empreendimentos.
Palavras Chaves: Trabalho, Autonomia, Cooperação.

Mesa redonda: Gênero e Identidades Pós-Coloniais
Título: Sujeitos de/em exílio na experiência pós-colonial
Simone Pereira Schmidt
UFSC

            Se há uma palavra que traduz bem o sentimento daqueles que vivenciam os deslocamentos, as idas e vindas, que a condição pós-colonial muitas vezes impõe, esta palavra é o exílio. Em minha leitura da produção literária recente, percebo que se esboça uma espécie de tipologia do exílio na experiência pós-colonial, e pretendo desenvolvê-la, dando ênfase às intersecções entre as categorias de gênero e raça na configuração dos sujeitos de/em exílio. Neste momento, o foco da análise incidirá sobre as mulheres como protagonistas da ação e personagens alegóricas dos processos históricos investigados.
Palavras-Chave: literaturas africanas de expressão portuguesa – pós-colonial – gênero.

Mesa redonda: Feminismos e preconceitos no mundo
Título: Práticas e estratégias do feminismo: um feminismo institucional?
Sônia Malheiros Miguel
Secretaria Especial de Política para as Mulheres.

            Partindo do pressuposto de que o feminismo tem como utopia um mundo de iguais direitos, e de que o enfrentamento às desigualdades existentes entre homens e mulheres é fundamental para que se caminhe na direção dessa utopia. Partindo do pressuposto, e da compreensão, de que essas desigualdades são geradas por um preconceito secular, o preconceito baseado em gênero, procuro pensar uma das trilhas seguidas pelo feminismo para intervir nessa realidade: a criação dos mecanismos nacionais de promoção dos direitos das mulheres – incrustados (ou infiltradas?) no centro do poder, e responsáveis por elaborarem e transversalizarem as chamadas políticas de gênero. E me pergunto: poderíamos, hoje, falar de um “feminismo institucional”? (A fala é acompanhada da projeção de imagens digitalizadas de folhetos, cartazes e publicações desses mecanismos, em atuação na América Latina).
Palavras chaves: feminismo - institucionalidade – gênero.

Mesa redonda: Preconceitos, representações e linguagens
Título: Gatas pingadas: a leitura paralela
Tânia Regina Oliveira Ramos
UFSC

            Uma breve leitura sobre a representação feminina a partir de um conto contemporâneo e a interface com algumas outras vozes femininas em linguagens como telenovela, revista semanal, comunidades virtuais. Neste contexto, como as mulheres escritoras se representam? Eis um prefácio/posfácio para um outro texto: Se elas não falam, esbarram.

Mesa redonda: Racismo e ações afirmativas
Título: Ações afirmativas na educação: lutas(s) pela democratização da sociedade
Vânia Beatriz Monteiro da Silva
Centro de Ciências da Educação – UFSC

            Ainda que a historia brasileira apresente um numero significativo de iniciativas como projetos, programas e políticas publicas relacionados às condições da inserção dos/as negros/as sob a perspectiva do enfrentamento das experiências históricas de exclusão educacional – em suas distintas formas -, encontramos nos mais diversos espaços, onde inclui-se a universidade, o que podemos interpretar como sua negação. Importa situar, de um lado, seu desconhecimento ou a sua sub-valorização, muitas vezes combinados com argumentos que recusam a apreensão das bases de sustentação de tais iniciativas. Ações afirmativas no campo da educação refletem com muita força esta realidade, merecendo pois, espaço para divulgação e o levantamento de questões que enfoquem especialmente os objetos de interesse, processos, protagonistas e interlocutores que mobilizam a sociedade com sua disposição para inscrever a perspectiva anti-racista nas relações sociais.
Palavras-chave: educação; negros/as; anti-racismo.

Mesa redonda: Discriminações Geracionais
Título: Estratégias de enfrentamento das discriminações geracionais através do hip hop
Wivian Weller
UnB, Programa de Pós-Graduação em Educação

O conceito de gerações vem recuperando seu espaço nas análises sociológicas, que, apontam não somente para as diferenças de classe, mas também para as desigualdades de gênero, étnico-raciais, culturais e geracionais. De acordo com Mannheim, o que caracteriza uma posição comum daqueles nascidos em um mesmo tempo cronológico é a potencialidade ou possibilidade de presenciar os mesmos acontecimentos, de vivenciar experiências semelhantes, mas, sobretudo, de processar esses acontecimentos ou experiências de forma semelhante. No entanto, essa possibilidade não está ao alcance de muitos jovens, sobretudo nos grandes centros metropolitanos. Como negros, filhos de migrantes nordestinos em São Paulo ou como descendentes de imigrantes turcos da segunda ou terceira geração em Berlim, vivem situações semelhantes de discriminação e de marginalização. Mas como essas experiências são vividas e trabalhadas? Como enfrentam essas situações no cotidiano?
Palavras-chave: juventude, gerações, experiências discriminatórias.

Mesa redonda: Discriminações Geracionais na sociedade.
Título: Confissões de uma velha enamorada: leitura de um manuscrito
Zahidé Lupinacci Muzart
UFSC

            Na história da literatura escrita por mulheres no século XIX, em Santa Catarina, salienta-se o nome de Delminda Silveira, escritora e professora, nascida na cidade de Nossa Senhora do Desterro, em 1854. Visitando a Academia Catarinense de Letras, tive a oportunidade rara de examinar e organizar seu acervo. Nele encontrei algumas folhas de papel escritas a lápis trazendo um texto que é a revelação de uma alma e de seus sofrimentos devido ao preconceito contra o amor em idade avançada. É um texto muito bonito, percorrido por uma espécie de febre, a febre do amor, nunca antes vislumbrado. E traz, ao mesmo tempo, a luta travada com os preconceitos e o medo da sociedade.
Palavras-chave: literatura e mulher; velhice; século XIX.