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ST01 - Gênero e Juventude

Coordenadoras:     Wivian Weller (UnB)
                               Viviane Melo de Mendonça

Resumo

Nos últimos anos constatamos um crescimento das pesquisas sobre Juventudes no campo das Ciências Humanas, tema este que na década de setenta até meados da década de oitenta do século passado havia caído praticamente no esquecimento. No entanto, estudos e pesquisas sobre juventudes e relações de gênero ainda são pouco visíveis no contexto das publicações sobre o tema. Apesar da discussão atual sobre a necessidade de políticas públicas de/para/com juventudes e do aumento significativo de dissertações e teses sobre questões relativas às juventudes contemporâneas, a dificuldade de articulação e organização de grupos de trabalho articulando Estudos Feministas e Estudos sobre Juventude ainda é visível. Ao mesmo tempo, constata-se uma diversidade de enfoques teóricos nas pesquisas sobre juventudes, nas quais a perspectiva de gênero e a compreensão da juventude como uma categoria que possui dois sexos, bem como distintas origens étnico-raciais, regionais e de classe, permanecem muitas vezes ausentes ou não são desenvolvidas com o devido rigor teórico-metodológico. Nesse sentido, o simpósio temático visa a articular os estudos sobre Gênero e Juventude desenvolvidos por pesquisadoras e pesquisadores que trabalham de forma isolada em diversas universidades e centros de pesquisa, contribuindo assim para a desconstrução de algumas concepções vigentes sobre juventudes e para uma melhor compreensão dos contextos sociais/relacionais a partir dos quais as/os jovens elaboram suas visões de mundo e constroem suas identidades. As sessões do ST serão organizadas de acordo com os trabalhos encaminhados pelos/as participantes inscritos no Fazendo Gênero 7. A princípio pretende-se organizar o debate em torno dos seguintes eixos:

  • Juventudes, sexualidades e preconceitos

  • Juventudes, relações de gênero, étnico-raciais e geracionais

  • A presença feminina nas culturas juvenis e na esfera pública

  • Juventudes e Feminismos


Trabalhos

Adriano Beiras, Grazielle Tagliamento, Juliana Perucchi, Karla G. Adrião, Maria Juracy F. Toneli - UFSC
Normas que produzem e conduzem: a heterossexualidade enquanto norma que rege as vivências de jovens de camadas populares de Florianópolis
O sujeito sexual se coloca em uma rede de complexas relações de poder que o inscreve em uma estrutura discursiva e material de normatividade, produtora de corpos, sexualidades e subjetividades. Dentre estas discursividades normativas tem-se a heterossexual que adequa sujeitos a padrões sócio-culturais estabelecidos, limitando as ossibilidades de sexualidades não hetero. Esta discussão pôde ser vista e analisada nas vivências afetivo-sexuais de jovens de 15 a 24 anos, que participaram de pesquisa recente encomendada pelo Ministério da Saúde e realizada em parceria com outros quatro sites sediados em capitais brasileiras, com o objetivo de aprofundar o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos de jovens de ambos os sexos de camadas populares e urbanas. Neste trabalho espera-se discutir e apresentar dados da referida pesquisa.
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Aldo Victorio Filho, Aristóteles de Paula Berino - UERJ/UFRRJ
Meninas do Rio: o que cantam e contam nas paradas do Proibidão
Neste trabalho buscamos discutir a figuração da adolescência feminina nas canções do funk chamadas de proibidão.  São letras e vozes que nos permitem  visualizar o protagonismo feminino e juvenil na teia das relações sociais que fazem da cidade lugar de carências, desencontros, lutas e aspirações. Nas canções, o enredo lúdico, estético, coletivo e político propicia uma admiração privilegiada da emoção e razões da contrução de uma nova condição de gênero, refazendo práticas e subjetividades. Através dos proibidões, estacamos esta emergência e suas criações a partir da periferia e margens da cidade do Rio de Janeiro.
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Angélica Silvana Pereira - UFRGS
Gurias punks em Porto Alegre: pistas para pensar questões de gênero em culturas juvenis
Esta comunicação constitui-se em um  recorte  sobre questões de gênero, a partir do estudo que desenvolvo sobre jovens que adotam a cultura punk como um estilo de vida, em Porto Alegre. Tais jovens se encontram em vários espaços públicos da cidade, partilhando e atribuindo significados às suas práticas culturais, através de vestimentas, músicas, bandas e materiais que produzem por e para jovens punks.  Esses materiais, bem como as histórias contadas por alguns desses jovens, evidenciam saberes concernentes à cultura punk que os constituem. Os caminhos investigativos desse estudo são calcados na etnografia pós-moderna e têm nos diários de campo, sua base para a construção de dados. Nas incursões no campo de pesquisa, pude observar uma significativa participação das‘gurias’em grupos punks, as quais assumiam papéis de destaque entre seus pares na formação de bandas, em ocupações [okupas] e na produção de fanzines. A partir disso, pretendo mostrar algumas possíveis subversões do gênero feminino presentes em diversas culturas juvenis.
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Breitner Luiz Tavares - UnB    
Atitude nos versos, mulheres da real: representações femininas no contexto Hip Hop Distrito Federal e entorno
O objetivo deste trabalho é contribuir no contexto do debate acadêmico sobre a questão de gênero. Para isso, propõe-se realizar um estudo empírico sobre algumas orientações coletivas e da importância de estilos culturais para os grupos jovens e adolescentes, em especial aquelas“vítimas” da marginalização social, do masculinismo e discriminação racial. Nesse caso, faz-se uma abordagem do que se conhece por Hip Hop, manifestação da juventude contemporânea que traz no seu interior a problematização de questões geracionais, bem como, aspectos vinculados às relações de gênero. Neste trabalho é enfocada a manifestação no que se refere ao Distrito Federal, por ser significativa nos termos dessa representação jovem no cenário Hip Hop em especial, pelo pioneiro trabalho desenvolvido pela cantora de rap Vera Verônika.
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Camila do Carmo Said - UFMG
Os grupos musicais juvenis e a participação das jovens mulheres
Este trabalho situa-se no campo de estudos acerca das relações entre juventude e educação. Pretende-se discutir e analisar o(s) significado(s) que os grupos culturais assumem para as jovens mulheres e quais seriam as suas possíveis implicações na construção de identidades femininas. Para compreender essas questões, toma-se como foco um determinado segmento da juventude: as jovens que são integrantes de grupos musicais juvenis da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesse caminho investigativo, visa-se à compreensão da importância que esses grupos adquirem na elaboração de referenciais de gênero para essas jovens na contemporaneidade, no intento de fornecer novos elementos, parâmetros e olhares na discussão das práticas culturais juvenis.
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Cecília Costa - Universidad Salamanca e Universidade do Minho, Conceição Nogueira - Universidade do Minho, Felix Lopez - Universidad Salamanca
Significados e subjectividades na construção da sexualidade de mulheres jovens
Através deste estudo pretendemos conhecer a sexualidade feminina escutando as suas próprias vozes de forma a  tentar perceber se o discurso de libertação sexual da mulher, da (hetero) sexualidade e da sexualidade fálica/masculina dominantes  se encontram reflectidos nos seus discursos e nas suas práticas. Em contexto de grupo analisam-se as diversas formas como as jovens constróem significados e narram as suas experiências sexuais e relacionais. Também é explorada a forma como as mensagens em torno da sexualidade recebidas ao longo do ciclo vital, pelos diferentes agentes de socialização foram integradas, tentando compreender em que medida essas mensagens impregnam as narrativas afectivo-sexuais das jovens e condicionam a  sua satisfação nas relações afectivas e vivência da sexualidade. Nesta análise tentam-se identificar os discursos em torno da igualdade sexual, relação entre amor e sexo, a manutenção ou não do padrão duplo e perceber como se configura o ideal o romântico nas suas vozes. Com esta abordagem tentamos perceber em que medida esses discursos podem potenciar o envolvimento em comportamentos de risco. Ao abordar as suas subjectividades pretendemos identificar vozes de resistência individuais ou colectivas face às perspectivas tradicionais sobre a sexualidade feminina. Foram realizadas discussões de focus grupo com jovens portuguesas de classe média, com idades compreendidas entre os 20 -28 anos. Nestas sessões de grupo foram colocadas questões abertas em torno da descoberta e vivência da sua sexualidade, das suas experiências e expectativas em torno das relações afectivas e dos processos envolvidos no estabelecimento e ruptura de relações afectivas.
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Celecina de Maria Veras Sales - UFC
Gênero e juventude rural: permanência de traços da herança cultural camponesa e a produção de novos valores na construção do presente
Os jovens rurais das áreas de assentamento convivem, ao mesmo tempo, com a tradição de valores das famílias camponesas e com os hábitos adquiridos na sua mobilidade campo-cidade-campo. O fato dos assentamentos congregarem grupos familiares de diversas regiões e municípios estabelece uma nova sociabilidade. Essa nova configuração do campo é retratada principalmente pelos jovens, nas suas relações. O que nos instiga a pensar como os jovens interagem nas relações de gênero. Como no cotidiano coexiste mudança e permanência? O que os jovens e as jovens aceitam passivamente como condição predeterminada e o que emerge como produção de novos valores? É importante ressaltar que a juventude rural não é una, existe uma multiplicidade de formas de viver e, portanto, diversidade de culturas, valores, desejos e expectativas sociais.
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Eliseu Riscarolli
Sexualidade e gênero nas escolas do Bico do Papagaio
É sabido que desde a oficialização da LDB 9394/96 e dos PCN as questões ligadas a diversos temas foram cunhadas como “temas transversais”, entre eles a sexualidade. Discutir ou trabalhar este tema ou as questões relacionadas à sexualidade na escola, tem se constituído num grande desafio, primeiro porque a formação recebida pelos professores esta muito aquém dos anseios da geração que freqüenta a escola; segundo porque a escola, em seu currículo, quando se propõe a realizar alguma atividade cujo objetivo é ampliar a reflexão sobre a sexualidade, cai no tradicional impasse de relacionar este tema com as questões pequenas de macho/fêmea sob a ótima do cristianismo e com isso desconsidera quase que completamente as interfaces ligadas ao gênero e a complexa teia que envolve a sexualidade que vão alem da heterosexualidade. Estas observações têm sido percebidas nas escolas do Bico do Papagaio e os dados são frutos de uma coleta realizada com estudantes de escolas publicas – 8ª serie e 2º ano do ensino médio – da cidade de Tocantinópolis, sendo, portanto, seus resultados uma primeira aproximação acerca de como a escola e seus professores tem se ocupado com esta temática e quais os recursos e estratégias que ela utiliza ao abordar a questão da sexualidade e às vezes a de gênero nas suas atividades curriculares anuais. Também tem por objetivo descobrir o que os jovens e adolescentes pensam sobre sua sexualidade.
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Érica Isabel de Melo  Riot
Grrrl: feminismo na cultura juvenil punk
Ao tratarmos das mulheres jovens, este trabalho se insere nos debates que questionam a categoria “mulher” como homogênea, dotada de um valor próprio e fixando a oposição homem/mulher, passível de ser definida a partir das “diferenças sexuais”. Mais especificamente, buscaremos discutir a concepção feminista do movimento Riot Grrrl, um movimento de feministas jovens e punks. Afirmamos, dessa forma, não só a existência de “mulheres” como também de “feminismos” questionando assim, não só a “unidade” da categoria “mulher”, como também a “representação” proposta pelo feminismo. Pensando o movimento Riot Grrrl como uma experiência geracional em que identidades são construídas e reconstruídas, a idéia aqui é discutir como essas jovens mulheres punks e engajadas se apropriam do feminismo pautado nas experiências da juventude.
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Euda Kaliani Gomes Teixeira Rocha
“Entre a queixa feminina e o desabafo masculino: gênero enquanto categoria que transversaliza o desemprego de jovens”
O “não trabalho” para jovens entre  18 a 24 anos, também expressa as características da divisão sexual do trabalho, marcando o espaço reprodutivo como da mulher e o produtivo como o do homem. O que indica  o princípio da separação entre trabalho de homens e trabalho de mulheres. Percebe-se lugares opostos em que se encontram homens e mulheres, como as dificuldades das jovens para inserir-se no mercado de trabalho, e uma maior facilidade dos jovens para encontrar um emprego (formal ou informal) ou um “bico”. Apesar da hierarquização que existe nas relações gênero, a situação do desemprego é perversa para homens e mulheres, seja em termos das queixas das jovens, relacionadas a uma imobilidade forçada; ou dos desabafos dos jovens relacionados à pressão social que sentem.
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Fernanda Gomes Rodrigues - UnB
O grito das garotas
O artigo pretende discutir especialmente aspectos das construções de gênero, identidade e representação abordadas a partir de uma leitura das colocações de garotas que integram bandas de hardcore em Brasília-DF. Estas bandas estão inseridas em um movimento mundial de afirmação da potência feminina chamado Riot Grrl. O trabalho intentará apreender quais são as motivações das garotas que se unem pra formar estas bandas, que tipo de transformação esta experiência traz ou deveria trazer, de acordo com as expectativas/experiências das garotas.
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Janice Tirelli Ponte de Souza
Gênero, movimentos juvenis e contestação política
Estudos e pesquisas sobre as novas gerações têm enfocado o fenômeno a participação política onde a distinção de gênero é pouco reconhecida na sua importância socializadora e influente nos coletivos juvenis.  A militância feminina, porém, é um elemento que caracteriza  os grupos coletivos de jovens voltados para a contestação social  e somente a observação mais sistemática pode identificar o grau de sua influência no ideário de grupos onde estão impressas características próprias na sua  prática de saber/fazer. Apesar da constatada invisibilidade da análise da presença feminina  nas culturas e movimentos juvenis mais contemporâneas, um olhar para a história  localiza-a como referência cultural em alguns movimentos da história  nos quais a juventude  teve destacada influência na revisão de valores  sociais e culturais através do questionamento e político e participação em movimentos. Seriam as referências de gênero importantes para analisarmos como as jovens imprimem o significado da participação política? Até que ponto os motivos, as concepções e as práticas das mulheres  no campo das lutas sociais e políticas se assemelha e distancia daqueles do gênero masculino?  Faz sentido pensarmos em questões de gênero significando as lutas coletivas?  Até que ponto a capacidade organizativa das mulheres contribui para a unidade e diferenciação do grupo do ponto de vista coletivo? Estas são algumas das questões que estão problematizadas nesta comunicação a respeito da relação entre as jovens e a política hoje.
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Juliana Brandão Machado, Mary Jane Soares de Carvalho - UFRGS
Temporalidades juvenis na perspectiva de gênero
Esta pesquisa procura analisar o cotidiano de jovens do Ensino Médio de uma escola pública de Porto Alegre, através do mapeamento dos usos do tempo destes jovens. A análise será realizada enfocando o conceito de gênero, considerado uma relação que organiza as experiências sociais em função da diferenciação cultural entre os sexos. O mapeamento dos usos do tempo de cerca de 500 jovens ocorreu através do “diário de usos do tempo”. Neste, os jovens registraram todas as atividades que realizaram durante um dia inteiro, no dia da semana e no fim de semana. A tabulação dos diários foi feita no SPSS, através de planilhas com os eventos e suas durações. As categorias analisadas foram: cuidados pessoais, trabalho doméstico, trabalho formal, estudo e lazer, relacionadas aos aspectos de gênero. Jovens de ambos os sexos envolvem-se em atividades de trabalho doméstico, caracterizando o princípio de reciprocidade. O investimento de  tempo das moças em relação aos rapazes é significativamente maior: para cada rapaz que se ocupa com mais de duas horas de atividades domésticas, há quatro moças. Há mais casos de moças do que rapazes envolvidos em trabalho formal. Quanto ao estudo, o tempo dos jovens é ocupado com atividades em casa e cursos fora do horário escolar. Cerca de 70% das moças e 60% dos rapazes realizam estas atividades. O envolvimento maior das moças com atividades de trabalho doméstico e formal reflete no menor tempo disponível ao lazer: mais de 60% das moças possuem até 4 horas de tempo livre, enquanto 47,3% dos rapazes têm mais de 4 horas de lazer. A análise dos usos do tempo de jovens permite perceber os estilos de vida deste grupo, marcado principalmente pela lógica de gênero na relação entre estudo, trabalho e lazer.(Apoio Financeiro: PROEDU – FAPERGS; CNPq)
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Leonardo Turchi Pacheco - UFMG
“Som de macho”: uma reflexão sobre identidade, masculinidade e alteridade entre os "headbangers"
“Os Headbangers”, “os metaleiros”, “os camisas pretas” são designações para um esmo grupo urbano que é formado na sua maioria por jovens do sexo masculino e que se caracteriza por compartilhar a mesma estética musical – o Heavy Metal – e os mesmos códigos culturais relativos a essa forma de expressão. Partindo da análise das entrevistas, das reportagens e cartas de leitores contidas nas três maiores publicações nacionais do estilo – as revistas Rock Brigade, Road Crew e Valhalla –, esse trabalho tem como proposta fazer uma reflexão sobre os códigos culturais dos “Headbangers” enfocando as relações existentes entre a construção de identidade, a masculinidade e a percepção da alteridade.
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Lila Cristina Xavier Luz - PUC/SP
Gênero no Hip Hop: as jovens no movimento Hip Hop
É fato sobejamente conhecido e discutido, a ausência de pesquisas que tratem das jovens nas culturas juvenis. Com uma preocupação de contribuir para o avanço desse debate, o presente estudo tem como objetivo resgatar as experiências de jovens do gênero feminino no movimento hip hop, num contexto específico, a cidade de Teresina/PI, visando apreender que espaços estão destinados para as meninas no movimento. Para tanto, vali-me da história de vida de três jovens rappers. A idéia de resgatar, tal dinâmica, a partir das histórias de vida, surgiu após, alguns encontros com jovens de grupos de raps, momentos em que aparecia como recorrente, nos discursos dos meninos, uma igualdade de espaços para ambos os sexos e, associado a isto, a idéia de que as meninas não assumiam o movimento porque assim não desejavam.
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Lucilene Felipe Gomes (SOS Adolescente – Campinas)
Políticas de juventude e gênero
Esta pesquisa buscou conhecer as Políticas Públicas de Gênero e Juventude, implementadas para a população juvenil. As políticas existentes para os jovens, se configuram como um dos maiores problemas para os governantes, pois apesar da inquestionável importância e necessidade de políticas de atendimento ao jovem, o mundo “adulto” apresenta dificuldades para lidar com as demandas e manifestações da juventude. Políticas Públicas são formas do Estado concretizar ações de mudança social. Objetivos: Estudar as políticas públicas de juventude e gênero, especialmente as voltadas para as mulheres, verificando as opiniões de jovens pesquisados sobre as políticas públicas existentes para esse segmento. Metodologia: Procedimentos metodológicos utilizados foram a pesquisa bibliográfica, documental e a pesquisa quanti-qualitativa junto a grupos de jovens. Desenvolvimento: As Políticas Públicas são políticas de caráter focalizado e fragmentadas, centradas nos papéis tradicionais da juventude. Programas desenvolvidos para jovens, tem como objetivo a contenção do “risco” que a juventude representa para a sociedade, visando tirá-los das ruas ou ocupar sua ociosidade. Conseguimos identificar políticas existentes para a população juvenil, na área da saúde - voltadas para a prevenção da gravidez na adolescência, contenção das doenças sexualmente transmissíveis e uso abusivo de drogas e na área do trabalho - voltadas ao primeiro emprego e inclusão digital. Conclusão: Pudemos verificar que não existem políticas eficazes para os jovens. Esta situação é ainda mais preocupante quando essas políticas públicas são destinadas para a população juvenil do sexo feminino. Os enfoques das políticas públicas existentes são insuficientes para as mulheres. Os que existem, são focados em problemas ligados ao cotidiano familiar, a questões de segurança pública ou educação, assim, procuram resolver imediatamente o problema da jovem de rua, da jovem grávida, do uso indevido de drogas, ou da violência nas escolas ou ainda prevenir a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis e Aids, sem contemplar o conjunto das questões dos jovens.
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Malvina L. Silba - Universidad de Buenos Aires
Mujeres, jóvenes y bailanteras: son las de la “bombachita floja”?
Muchas letras de canciones del sub-género  musical denominado cumbia villera  representan a las jóvenes y adolescentes consumidoras de dicha música cómo chicas ligeras o fáciles. Partiendo de aquí, algunas de las preguntas que motivan este trabajo son: ¿qué tipo de relación establecen estas jóvenes con los varones en el espacio de las bailantas, en función de dicha representación?, ¿cómo se relacionan ellas con los enunciados de esas canciones, particularmente en los momentos en que las mencionadas bandas hacen sus presentaciones en vivo?. El objetivo principal es indagar, por un lado, el significado que estas jóvenes le otorgan a las letras de las canciones, y por otro, el lugar que ellas creen ocupar en el espacio de las bailantas, espacio que posee una dinámica fuertemente masculinizada, sobre todo por la actividad corporal intensa (baile, pogo , enfrentamientos entre diferentes grupos, etc.).  Los resultados aquí presentados son el producto de observaciones participantes en locales bailables de música tropical del Conurbano bonaerense, complementados con entrevistas etnográficas a mujeres menores de 25 años asistentes a dichos eventos.
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Márcio Alessandro Neman do Nascimento - UNESP/Assis
Adolescentes em conflito com a lei e privados de liberdade e suas práticas homofóbicas: relato de experiência de atuação em um centro de sócio-educação modelo do Estado do Paraná
Os estudos sobre a adolescência despontam como uma das grandes áreas de pesquisa, principalmente no âmbito das políticas públicas que atuam junto a esta população. No entanto, as pesquisas intervencionistas com a população masculina, ainda são escassas, resumindo-se na busca da prevenção de DST/HIV/AIDS, não privilegiando a construção social da masculinidade na contemporaneidade. A compreensão das práticas da construção da masculinidade são fundamentais para melhorar os resultados sobre os trabalhos intervencionistas de prevenção de DST’s, planejamento familiar e violência de gênero. Este trabalho visa analisar as práticas de intolerância em relação às diversidades sexuais e em relação às práticas homofóbicas. Estas práticas homofóbicas presentes neste sistema de internação são mais coercitivas e intensas do que as encontradas em outros sistemas, como por exemplo, a escola. As mesmas contribuem para a tortura psicológica, restrição de convívio e para o risco de morte dos adolescentes “ditos” homossexuais. Ainda, este relato de experiência pretende apontar as principais dificuldades e possibilidades de se trabalhar com estas questões de gênero em uma instituição onde o “matar” ainda cabe ao perdão de Deus e onde a intolerância das diferentes expressões das sexualidades são colocadas no patamar do pecado, do crime e da doença e, muitas vezes, do desejo interditado.
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Maria Inês Caetano Ferreira - FAPESP
Uma pitada de liberdade, outra de subalternidade: a organização de novas formas de relação homem e mulher na favela
O trabalho discute as relações de gênero entre jovens pobres nos tempos atuais a partir de resultados de pesquisa efetuada numa grande favela em São Paulo. As configurações sociais e políticas do local promovem situações contraditórias, a saber: a reprodução do padrão tradicional de relação dos sexos, marcado pela desigualdade hierárquica, concomitante à penetração de valores modernos, disseminando ideais de igualdade. As contradições devem-se, por um lado, à influência de valores tradicionais na organização das relações sociais locais, devido à origem rural das famílias que ali exercem o poder; por outro, pelos impactos provocados pela vizinhança com as classes médias e altas do bairro, que dissemina valores urbanos e modernos e ainda promove boas oportunidades de trabalho para as jovens da favela, abalando as concepções de subalternidade feminina.
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Marivete Gesser - UFSC/UNIPLAC
A contribuição da educação formal para a ressignificação do “lugar” subalterno das mulheres jovens no meio rural
O presente trabalho faz parte de um dos eixos temáticos da dissertação de mestrado realizada na PUCSP junto ao NEXIN – Núcleo de Estudos da Dialética Exclusão/Inclusão – e teve como objetivo analisar as contribuições do acesso à educação formal para a ampliação do desenvolvimento psicossocial e ressignificação da discriminação de gênero das jovens que moram no meio rural. Para obtenção dos dados, foi realizado um estudo de caso no município de Lontras/SC. Os dados foram analisados a partir da psicologia ético-política proposta por Bader Sawaia e das teorias De gênero. Os resultados mostraram que a ampliação do acesso da educação formal para as mulheres jovens foi um fator que contribuiu de forma significativa para o entendimento das contradições presentes no meio rural, tanto as que se referem à opressão do agricultor familiar frente à globalização, como também, as que naturalizam o papel de opressão da mulher agricultora familiar. Além disso, a partir das interações na escola, elas puderam perceber que o “lugar” de opressão experienciado pelas mães é construído socialmente e que, portanto, este pode ser transformado, podendo a mulher também ter o status de “agricultora”. Destarte, a partir dos dados apresentados pela pesquisa, pode-se concluir que o acesso à educação formal contribuiu de forma significativa para a ampliação do desenvolvimento psicossocial das mulheres jovens, possibilitando a problematização da realidade e busca de pequenas transformações na vida cotidiana.
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Nilda Stecanela - UFRGS
Entre o “pegar e o largar a cria”: os projetos e os trajetos das meninas nas identidades juvenis
Este texto tem por objetivo fazer uma reflexão sobre o “lugar” das meninas nas identidades juvenis. Toma como objeto de análise as narrativas de duas jovens-mães, moradoras da periferia urbana de Caxias do Sul.  As representações em torno do “pegar a cria” são produzidas a partir de um espaço de lazer da comunidade estudada que ganhou fama porque as meninas que o freqüentavam apareciam grávidas ou, na linguagem popular, “pegavam crias”. O “largar a cria” associa-se aos comportamentos  masculinos que abandonaram as meninas com suas “crias” e seguiram protagonizando as cenas nas culturas juvenis. Os depoimentos apontam que os trajetos de vida dessas jovens é marcado por uma inclusão precária e um afastamento precoce das vivências em torno das culturas juvenis. Seus projetos, a partir da maternidade, são “emprestados” às suas “crias”, como uma espécie de latência nos seus sonhos de juventude.
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Nilson Weisheimer
Jovens agricultores: intersecções entre relações sociais de gênero e projetos profissionais
Através de um estudo de caso no Sul do Brasil analisa-se como a socialização dos jovens no processo de trabalho familiar agrícola demarca a especificidade da categoria social dos jovens agricultores e influencia os projetos profissionais destes. Primeiramente a organização do trabalho familiar é analisada em articulação com as posições ocupadas por eles na hierarquia familiar, verificando-se que as filhas ocupam as posições mais subalternas na família. Segue-se comparando os padrões temporais das ocupações de rapazes e moças e sua relação com papéis sociais diferenciados atribuídos aos jovens. Deste cotidiano marcado pela inserção no trabalho familiar agrícola emergem as representações dos jovens sobre o próprio trabalho e suas disposições de permanecerem ou não na agricultura familiar. Constata-se que predomina no universo estudado projetos profissionais não agrícolas e de modo mais freqüente entre as moças. Percebe-se que os mecanismos de socialização reproduzem não apenas o processo de trabalho familiar mais também às relações sociais de gênero e geração sob as quais este se estrutura. O estudo demonstra que as relações de gênero assumem por isto importância central à compreensão das disposições das moças em saírem da agricultura de tal modo que os impasses sucessórios e as dificuldades de reprodução social da agricultura familiar não podem ser explicadas exclusivamente pela diferenciação econômica, mas, além disto, derivam do caráter das relações sociais de gênero que se estabelecem neste espaço social.
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Patricia Píriz, Pablo López Gómez, Valeria Ramos Brum - ONG Espacio Salud
Género y juventudes: construyendo ciudadanía
El camino hacia la construcción de sociedades democráticas, donde tanto mujeres como varones tengamos acceso a las mismas oportunidades y derechos, nos presenta desafíos. Consideramos de vital importancia vincular el trabajo en género con la construcción de ciudadanía, subrayando el valor de involucrar a las/os adolescentes y jóvenes en este proceso. Trabajar en pos de la igualdad de derechos y oportunidades para varones y mujeres implica la redistribución del poder en favor de aquellas/os que tienen en la actualidad menos posibilidades de ejercerlo. La actitud proactiva de las personas en la construcción de su propia ciudadanía y en la redefinición de las sociedades donde se integran, resulta indispensable para la concreción de la igualdad de derechos, responsabilidades y oportunidades. Cuando analizamos esta necesidad desde una perspectiva de género nos encontramos ante una estrategia de trabajo posible: trabajar en pos de una ciudadanía libre de estereotipos de género. Lograr que las/os jóvenes se tornen protagonistas de estos procesos podría transformarse en una conquista estratégica hacia la construcción de sociedades más democráticas, en tanto pueden constituirse como una poderosa fuerza instituyente que impulsen prácticas sociales mas equitativas. Sobre estas premisas se construyó a iniciativa de la Intendencia Municipal de Montevideo, una experiencia de participación juvenil llamada “Cabildo Género Joven” en el marco del proyecto “Hacia nuevas formas de Inclusión. Jóvenes, equidad de género y desarrollo de oportunidades”. Esta experiencia implicó la construcción de una metodología de trabajo, que en su desarrollo se fue enriqueciendo y reconstruyendo, arrojando conclusiones y resultados muchas veces no
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Paula Graciele Rodrigues
Gênero entre ruas, becos e viadutos: um estudo sobre a sexualidade das jovens em situação de rua em São Paulo/SP
O fenômeno dos jovens em situação de risco social, que têm a rua como seu espaço de sociabilidade, é verificado há muito tempo dentro da sociedade brasileira. Acompanhada do progressivo adensamento urbano e da pobreza endêmica no país, a questão é alvo de discussões por parte de muitos setores da sociedade. Esse universo das ruas é, pois, constituído por sujeitos de subjetividades femininas e masculinas. Diante disso, admitindo que a sociedade ainda padece do patriarcalismo, empreendemos um estudo sobre a situação que as jovens vivenciam enquanto mulheres na realidade das ruas. A proposta pauta-se na apreensão da construção da sexualidade das adolescentes, uma vez que estão imersas em um contexto de inclusão marginal e adverso ao desenvolvimento de suas potencialidades. Entendemos que, através da discussão da construção da sexualidade das jovens, poderemos perceber como se constituem as identidades dos sujeitos em questão e suas concepções do papel que têm enquanto mulheres na sociedade que estão inseridas.
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Pedro Moura Ferreira
Género, juventude e espaço público na Europa
O objectivo da comunicação é o de analisar as diferenças de género que se observam na intervenção pública dos jovens europeus a partir do European Social Survey. As dimensões de espaço público que serão exploradas envolvem três planos. O primeiro plano envolve a participação associada que se refere a todo o tipo de actividade juvenil organizada, desde as formas de associativismo recreativo até as actividades partidárias. O segundo diz respeito à automobilização cívica e política que abrange a participação em acções de natureza colectiva (ex. assinar uma petição ou realizar uma greve, mas também a participação eleitoral). E, por último, a mobilização cognitiva, que permite compreender as  disposições dos jovens para a acção colectiva, explora e analisa as diferenças de género no exercício dos direitos políticos e na discussão de temas centrais da agenda política actual no quadro dos desafios da integração europeia e da globalização.
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Rossana Cassanta Rossi - UFRGS
‘Consumindo’ gênero: aprendendo sobre gênero e sobre o que consumir
Na perspectiva dos Estudos Culturais, analiso como o suplemento jornalístico Patrola, do jornal Zero hora, ensina o que as jovens ‘devem’,‘precisam’ consumir, associando certos objetos de consumo ao gênero feminino. Assim, enquanto as jovens se preocupam em comprar coisas para si, de uso pessoal, os jovens pensam em usar o seu dinheiro para se divertirem com amigos. As jovens são, pois, representadas como sujeitos que pertencem e se movimentam num espaço íntimo (como a cultura do quarto, o Bedroom culture) e os jovens, num espaço público. Contudo, no suplemento jornalístico também há narrativas e discursos que contestam alguns preconceitos, como, por exemplo, o fato de as jovens também gostarem de jogar futebol.
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Sarai Patrícia Schmidt - UFRGS
Lições de gênero e juventude nas revistas
Este estudo busca problematizar o universo jovem a partir da análise de representações de gênero e sexualidade colocadas em circulação em reportagens e propagandas publicadas em revistas brasileiras voltadas para o público jovem.  As análises são desenvolvidas com orientação teórica nos Estudos Culturais, numa perspectiva pós-estruturalista. Trazer como tema de pesquisa a relação da cultura com os ensinamentos da mídia neste alvorecer de século pode oportunizar novos olhares, oferecer outras possibilidades para ampliar este debate inesgotável em torno de gênero, sexualidade e mídia. Vivemos um tempo em que a mídia torna-se um terreno fecundo para problematizar as políticas de identidade, sobretudo da identidade jovem, na qual o jovem é apontado tanto como a fonte de inúmeros problemas sociais — sexualidades fora de controle, drogadição, desemprego, violência — como a solução para as dificuldades que o País enfrenta.
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Shirlei Rezende Sales do Espírito Santo - UFMG
Juventude e gênero: as brigas entre alunas e seus significados
Este trabalho faz parte de minha dissertação de mestrado que tem por título: “Oposição, diversão e violência na escola: os significados produzidos para práticas culturais de transgressão”. Ele descreve e analisa um episódio de briga entre alunas do Ensino Médio de uma escola pública de Minas Gerais. Nele discuto os conflitos entre duas alunas jovens de uma turma do 3º ano, que há tempos conviviam com disputas e injúrias, as quais culminaram em uma briga entre elas. Neste episódio também é possível analisar como se dá a produção do feminino no interior da escola, por meio da censura e do controle dos comportamentos, em que o ato de cruzar fronteiras – que tentam fixar e opor masculino e feminino – consiste na mais suprema transgressão. A análise do acontecimento mostra como a formação da identidade de gênero vai se constituindo por meio das relações estabelecidas na escola. O trabalho discute os significados produzidos para a briga, bem como as ações que se decorreram, mostrando como esses significados vinculam-se aos desdobramentos das práticas. Esta discussão é especialmente importante, porque traz o tipo de prática definido pelos/as alunos/as da escola pesquisada como violência na escola, evidenciando seu caráter negativo e ameaçador. A argumentação é desenvolvida confrontando os significados produzidos pelos/as participantes da pesquisa com a discussão teórica do campo dos Estudos Culturais e dos estudos sobre violência nas escolas. PDF

Suzana Barros Corrêa Saraiva, Rosangela da Silva Moreno - UFRJ/UERJ
As Meninas do Brasil: um olhar sobre gênero, estigma e políticas públicas de atendimento as ‘Evas’ Brasileiras
Tomando por base as categorias emergentes da pesquisa: “Conselhos Tutelares e Escolas Públicas: uma relação de cooperação ou de confronto?”  o presente texto analisa as políticas públicas voltadas para o atendimento de crianças e adolescentes, advindas da implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e suas relações com a questão de gênero. A referência conceitual fundamenta-se nos estudos de Fiorenza (1992), Badinter (1998) e Moraes (2002), elaborada através de multifaceta-da visão da construção de identidade feminina. Concluem o trabalho reflexões sobre momentos distintos no atendimento as meninas ao longo do tempo, constatando-se que embora o ECA tenha investido legalmente esta população como ‘sujeito de direitos’, tal não ocorre de fato na prática cotidiana, destacando a urgência da construção da eqüidade de gênero para a formação de autênticos cidadãos.
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