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ST02 - Sobre gênero e preconceitos: estudos em análise crítica do discurso

Coordenadoras:     Viviane M. Heberle (UFSC)
                               Débora de Carvalho Figueiredo (Unisul)
                               Aleksandra Piasecka-Til (FURB)

Resumo

Neste simpósio propomos discutir a temática Gênero e Preconceitos, a partir de estudos em análise crítica do discurso (ACD), uma área interdisciplinar dos estudos linguísticos e sociais que considera o discurso como um momento das práticas sociais (Fairclough 2003; Wodak e Meyer 2003, etc). Sob a perspectiva da ACD, a investigação oscila entre uma análise detalhada dos textos, interações ou outras manifestações semióticas e uma análise social. Um dos objetivos principais da ACD é averiguar o papel da linguagem em relação a outros elementos de processos sociais, tais como relações de poder e identidades.  As versões mais atuais dessa abordagem teórica (Chouliaraki e Fairclough, 1999; Fairclough 2003a, 2003b) baseiam-se numa perspectiva da semiose como parte intrínseca dos processos sociais materiais. O foco de interesse da ACD são as mudanças radicais que ocorrem na vida social contemporânea, no papel que a semiose desempenha nos processos de mudança, e nas alterações na relação entre a semiose e outros elementos não semióticos das redes de práticas sociais. Assim, esse simpósio pretende reunir trabalhos cujo foco de interesse sejam a criação, manutenção e modificação de preconceitos de gênero via práticas discursivas em ambientes diversos, com o objetivo de investigar como diferentes formas de semiose (verbais e não verbais) encontradas em discursos públicos (e.g. midiático, educacional, jurídico, policial) se relacionam com práticas sociais contemporâneas.


Trabalhos

Adriana de Carvalho Kuerten Dellagnelo
Mídia e segregação de gênero humano: relações implicacionais entre práticas discursivas e práticas sociais
Este estudo focaliza implicações entre práticas discursivas e práticas sociais; para tanto, parte de concepções de Fairclough (1992) e Halliday (1994), para os quais a linguagem reflete, reforça e até mesmo constrói o que toda uma sociedade percebe por realidade. Esse aporte teórico sustenta uma análise de propaganda, cujo propósito é focalizar a linguagem utilizada no que respeita a valores e ideologias veiculados e legitimados quanto à segregação de gênero humano. Os resultados da análise apontam para concepções de prevalência machista, nas quais mulheres estão identificadas com ambientações domésticas, sendo tomadas sob um foco de sensualidade a serviço do universo masculino. Essas evidências lingüísticas parecem elicitar implicações entre poder da linguagem midiática e sedimentação de segregações sociais.
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Alessandra Olivato - USP
Sexualidade e ciência na mídia: gênero na revista Veja
A partir de uma análise de conteúdo da revista Veja como estudo de caso, buscou-se analisar a presença e a forma de apropriação de saberes científicos pela mídia impressa, na abordagem do tema da sexualidade. A análise de conteúdo compõe o método de análises de discurso, de uma perspectiva pós-estruturalista, que concebe a sociedade e os sujeitos como (re)produzidos, em parte, por mecanismos discursivos, bem representados na sociedade contemporânea pelas ciências e pela mídia (entre outros). A partir de referências científicas variadas – com destaque para as médicas e biológicas - Veja constrói tanto uma definição de sexualidade normal quanto ideal, a ser atingida, baseada principalmente em parâmetros “quantitativos” (freqüência de relações sexuais e prolongamento da “idade sexual”) e “qualitativos” (capacidade de atingir o orgasmo e nível de desejo), melhor compreendido a partir de uma apologia à jovialidade. E é pela problematização da sexualidade enquanto estratégia discursiva que emergem representações marcadas de gênero.
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Ana Cristina Ostermann, Caroline Comunello da Costa - UNISINOS
Polidez, impolidez e identidade de gênero
Seguindo a discussão proposta por Sara Mills (2005), o presente trabalho visa a questionar a relação entre polidez e identidade de gênero, ao discutir as correlações estabelecidas em pesquisas anteriores entre feminilidade e masculinidade e polidez e impolidez. Para isso, são analisadas interações em: uma Delegacia da Mulher, um Centro Feminista de Intervenção na Violência contra a Mulher e uma unidade de atuação de Promotoras Legais Populares. A investigação de estratégias de polidez, através da análise dos pares adjacentes avaliação-avaliação, e a própria definição de polidez e impolidez nessas diferentes instituições nos fornecem subsídios para melhor compreensão de como a fala em interação molda e é moldada pelos tipos de serviços institucionais oferecidos bem como pelos posicionamentos das profissionais em relação às mulheres com quem lidam. Conforme Mills (2005), são as comunidades de práticas (ECKERT & MC-CONNEL-GINET, 1992; OSTERMANN, 2006), ao invés dos indivíduos, que arbitram sobre o que é considerado polido ou não em um determinado grupo.
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Ana Queli Tormes Machado
Sugestão de atividades escolares que priorizam a diversidade sociocultural
A linguagem, vista como prática social tem motivado muitos estudiosos a buscarem novas estratégias para as práticas de leitura e produção de textos em sala de aula. Tais práticas estão ancoradas nas teorias dos gêneros textuais e de gêneros discursivos. Baseamo-nos, igualmente, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Assim, desenvolvemos oficinas, em escolas públicas de Santa Maria, com turmas do ensino fundamental, que priorizam o estudo, na disciplina de Língua Portuguesa, dos gêneros textuais: fábula, tira de humor e propaganda, os quais abordam as diferenças sociais de sexo, de classe e de raça. Na análise dos textos, procurou-se relacionar os elementos icônicos da linguagem não verbal aos processos discursivos da linguagem verbal, induzindo o sujeito a formar sua opinião, uma vez que ele está à procura de sua identidade. Através desse método de aprendizagem, o aluno busca melhorar suas técnicas de leitura e produção textual e desenvolve a habilidade de investigar como as diferenças sociais se manifestam nos textos.
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Andréa Mazurok Schactae - PMPR
Policial feminina: representação do feminino na legislação da PMPR
Os discursos das leis são construídos e construtores de relações sociais. A diretriz forjada pela Polícia Militar do Estado do Paraná (PMPR), no final da década de 1970, que consistia em definir a Finalidade e Emprego da Organização de Polícia Feminina na instituição, traz em seu texto uma representação do feminino. A partir da análise do texto da diretriz, tendo como base teórica às relações de gênero, é possível identificar como deveriam ser as mulheres policias. As descrições das características exigidas às mulheres para ingressar na instituição revelam representações do que é ser polícia e ser mulher. O ingresso das mulheres na instituição policial rompeu com a tradição da exclusividade masculina em um espaço símbolo da masculinidade, os quartéis. Estudar o discurso da legislação também é uma forma de observar como foi expressa uma representação do feminino na policia militar e na sociedade da qual a instituição fora construída e construtora.
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Astrid Nilsson Sgarbieri
A mulher profissional brasileira: preconceitos
Esta pesquisa analisa artigos publicados em revistas de circulação nacional que enfocam a mulher profissional e na vida política na sociedade brasileira. O arcabouço teórico utilizado foi o da análise do discurso crítica (Chouliaraki e Fairclough, 1999) e a cognição social (Van Dijk 2001). Enfoque foi dado aos processos de referenciação e marcas lingüísticas utilizados. A análise dos dados aponta para mudanças, num processo on line, na representação da mulher. Tal fato está relacionado ao preconceito e ao aumento dos níveis de escolaridade da profissional brasileira do sec. XXI.
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Augusto César Francisco - UFRN
Os destinos do falo: presença da ideologia no discurso freudiano sobre o amor
Fazendo parte de uma pesquisa maior, nossa proposta tem como objetivo identificar a presença da ideologia no discurso freudiano sobre o amor quando da elaboração teórica do conceito de falo. A ideologia, fenômeno antropológico, naturaliza e eterniza a dominação sem que esta seja percebida como tal. O discurso sobre o amor – predominantemente ideológico – atravessa o conceito de falo (imaginário e simbólico), arraigando-se numa operação fantasística, qual seja, a que pretende que o falo seja o pênis. À mulher estariam destinados os caminhos ditatoriais do falo ideológico. Partindo de Bourdieu, Butler, Silverman, Fairclough e de uma leitura crítica de Freud, discute-se os limites da interpretação freudiana sobre o amor cruzando a equação ideológica falo igual a pênis.
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Carla Costa Ramos - COOPERFIL
O olhar de Quíron frente à realidade da AIDS
A identidade feminina, revelada através dos fragmentos do discurso de uma portadora de HIV e doente de AIDS. Vivências frente a preconceitos e estereótipos em sua trajetória de vida. Sistematizados por sua terapeuta, à luz da psicologia analítica,os depoimentos autorizados foram coletados no decorrer do atendimento psicológico, em hospital público. A força e a vulnerabilidade da mulher na busca de ver-se não estigmatizada pela sociedade está presente no conteúdo do discurso e mobiliza sua ação voluntária junto a jovens,em caráter preventivo e promotor de qualidade de vida. No simbolismo da linguagem na relação psique-corpo, um pressuposto assumido, que poderá ser hipótese para outras investigações, é de que todo o preconceito em relação à AIDS traz os sentimentos de medo, inveja e identificação, considerando-se o lado sombrio existente nos indivíduos.
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Cristiane dall’ Cortivo
Ensino de leitura e gênero em revistas para adolescentes
O objetivo deste trabalho é analisar as relações de gênero através da leitura de textos veiculados em revistas para adolescentes. No ensino de Língua Portuguesa, a leitura, na maioria das vezes, é utilizada apenas como pretexto para trabalhar os conteúdos gramaticais, o que acaba fazendo com que o aluno não se interesse por essa atividade. Tendo isso em vista, foram escolhidos textos da Revista Capricho, por fazerem parte do universo do adolescente, sendo que o referencial teórico utilizado para a análise dos textos é a Análise Crítica do Discurso. Busca-se, assim, uma alternativa para a prática de leitura, levando os alunos a perceberem os não-ditos, o que é silenciado, o discurso persuasivo que os envolve sem que possam perceber o quanto a idéia de masculino e feminino hegemonicos é reforçada pela mídia.
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Danielle Barbosa Lins de Almeida - UFPB/UFSC, Viviane Heberle
As bonecas da contemporaneidade: representações midiáticas da identidade feminina
O trabalho em questão tem como foco uma análise comparativa de anúncios extraídos das webpages da boneca brasileira Susi e das bonecas norte-americanas The Bratz, a fim de observar como as práticas sociais dos dois países estão refletidas e como reforçam o status quo de estruturas sociais referentes a questões de gênero. A análise compreende os aspectos visuais, contextuais e lexicogramaticais de transitividade dos anúncios apoiados na gramática sistêmico-funcional de Halliday (1994), no trabalho de Kress & van Leeuwen (2001) em semiótica visual bem como em estudos anteriores sobre a inter-relação entre brinquedos e gênero. Os resultados apontam para a representação da figura feminina como objeto de atribuições estéticas em posições predominantemente passivas que reforçam práticas sociais de distinções de gênero.
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Eduardo Gentile - UNIFEBE
Representações dos direitos humanos da mulher brasileira no relatório de 1997 da OEA
A descriminação de gênero e a violência doméstica contra a mulher, em muitos países do mundo, são fatos comumente denunciados por inúmeras organizações internacionais de direitos humanos. As mulheres não possuem igualdade nos direitos humanos que lhes garantam uma participação idêntica às dos homens nas vidas pública e social, além de sofrerem de violência doméstica impune. Na perspectiva lingüística de análise do discurso de Fairclough e de Halliday, na qual as identidades e hierarquias sociais são criadas e mantidas através do discurso entre os membros da sociedade, e utilizando a teoria e modelo de análise de Halliday, este trabalho, resultado de minha tese de Mestrado, investiga um dos capítulos do ‘Relatório da Situação dos Direitos Humanos no Brasil’, elaborado em 1997 pela Organização de Estados Americanos, no qual as mulheres são representadas como vítimas e ao mesmo tempo responsáveis por algumas dessas violações, ocupando uma posição de submissão na sociedade.
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Elaine Nogueira da Silva
Gênero e análise crítica do discurso: alternativa para o ensino de leitura
A linguagem é uma das mais importantes instâncias para tratar das relações de desigualdade, pois, além de expressar as relações de gênero, também as institui, produzindo e fixando diferenças. Por esse motivo, o projeto Gênero e Leitura de Textos Midiáticos tem por objetivo trazer para a discussão com os educandos do Curso de Letras, através da leitura de textos midiáticos, questões referentes às diferenças entre meninos e meninas e suas implicações na escola, na família e na sociedade. A perspectiva adotada para a análise dos textos é a da Análise Crítica do Discurso, que tem como um dos objetivos recorrer à linguagem para ajudar os estudantes a tornarem-se mais conscientes da prática em que estão envolvidos como produtores e consumidores de textos. Busca-se, assim, fazer uma reflexão sobre as questões de gênero e leitura, e sua aplicabilidade no ensino de língua materna.
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Elisangela da Silva Machieski
Consequências do abraço sexual fora do matrimônio: seduções e defloramentos na região carbonífera na década de 1950
Essa pesquisa procurou identificar e problematizar as imagens femininas construídas por meio de processos criminais, tendo como sujeitos mulheres defloradas. As fontes desse estudo são os vinte e três processos-crimes, encontrados em Criciúma na década de 1950, que violam o artigo 217 do código penal de 1940 “Seduzir mulher virgem, menor de 18(dezoito) anos e maior de 14(catorze), e ter com ela conjunção carnal aproveitando-se de sua inexperiência ou justificável confiança. Pena – reclusão: dois a quatro anos.” Procuramos ainda, apontar em meio aos processos os discursos masculinos que visavam disciplinar as condutas femininas através dos valores morais vigentes na época. Criando assim os estereótipos.
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Flávio Caetano da Silva
Discurso, reversibilidade e ironia, o espelhamento de mulheres-professoras, como forma de superação de preconceitos
No presente trabalho, renovo esforços e olhares já realizados (Silva, 2002 e Silva, 1999/2002) sobre a educação, o gênero e o discurso no intuito de compreender a constituição de sujeitos generificados a partir das interfaces geradas no âmbito de enunciações parafrásticas do campo educacional, sobretudo nas séries iniciais de ensino. Tais enunciações fazem emergir os ecos dissonantes de discursos transversos responsáveis pelas novas configurações de gênero feminino revestidas de mudança, ao mesmo tempo que revelam permanências discursivas falo-narcísicas.
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Gisele de Cássia Galvão Ruaro, Guillermo Alfredo Johnson - UNIVALI
Relação de gênero e poder no primeiro escalão da prefeitura de Blumenau - SC
O artigo tem como objetivo analisar a participação da mulher em duas gestões públicas no município de Blumenau (SC). A intenção da pesquisa tem como foco formular um conjunto de indicadores analisando a participação da mulher no primeiro escalão na gestão pública municipal através de um estudo comparativo entre as duas gestões do período de 2000 a 2006, envolvendo partidos políticos distintos (PT e PFL). Para tanto apresentamos dados quantitativos do número de mulheres que ocuparam o primeiro escalão como Secretárias, relativo ao número de Secretarias da administração, bem como dados qualitativos comparativos entre as duas gestões abordando-se as questões de gênero, poder e ideologia na participação política da mulher no 1o escalão de governo.
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Graziela Frainer Knoll - UFSM
A representação dos gêneros na publicidade
A categoria gênero, construção simbólica e cultural, compreende comportamentos, valores, modos de vida e imagens. Dessa forma, as representações de gêneros são culturalmente constituídas, historicamente firmadas e reproduzidas nas práticas sociais cotidianas. Os discursos midiáticos e, sobretudo, o discurso publicitário ajudam a criar e manter não só identidades de gênero, mas também estereótipos e preconceitos. O objetivo desta pesquisa é analisar as representações discursiva e imagética femininas e masculinas em anúncios publicitários publicados em revistas. Tal representação do ser humano em anúncios é estratégia de comunicação e persuasão, pois homens e mulheres passam a buscar no produto anunciado a realização da identidade almejada.
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Iracema Ribeiro Roza Polli, Mônica Zatta Tonial, Ceres Braga Arejano
A angústia da procriação e as influências ocasionadas pela infertilidade na mulher
A infertilidade altera os sonhos da mulher, as fantasias e projeções de um relacionamento harmonioso. No passado as mulheres tinham como único campo de ação o lar sendo seu papel social ter filhos e educá-los, vivendo na dependência econômico-social, primeiramente dos pais e depois dos maridos. Na modernidade as mulheres preferem firmar-se na profissão e no casamento antes de assumir a responsabilidade de criar um filho. No entanto a infertilidade pode ser uma das mais difíceis experiências da vida da mulher. Os sujeitos da pesquisa foram casais que possuíam um tempo mínimo de convivência de 1 (um) ano; que apresentaram algum conhecimento em relação ao tema e que tinham obtido o diagnóstico de infertilidade. A análise dos dados constatou que a experiência da infertilidade é vivida pela mulher como uma estagnação, um isolamento e uma alienação do social. Elas sentem como se tivessem rompido com uma regra sócio-cultural e se classificam como “outras”. As mulheres inférteis referem-se as férteis como “normais” e colocam-se, portanto, em outra categoria.
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Ivandilson Costa - UFPB
Gênero e preconceito: a mulher na/pela publicidade
Propomos investigar aspectos da estrutura, funcionalidade e condicionantes situacionais/contextuais do gênero (genre) publicitário impresso, veiculado em revistas de público-alvo feminino. Levamos em conta uma concepção de gênero como forma de ação social (MARCUSCHI, 2002; 2003), a par de uma abordagem de sua implicação com a linguagem e as relações sociais de poder, segundo a Análise Crítica do Discurso (van DIJK, 2000; FAIRCLOUGH, 1990; 2001a; 2001b; WODAK, 2004; MEURER, 2005). A pesquisa revelou que, apesar de ser urgente uma concepção de gênero (gender) como uma categoria socialmente construída, que interage com outras variáveis sociais e contextuais (CAMERON, 1995; HEBERLE, 1999; 2001a; 2001b; 2004), foi revelador o fato de a mulher ainda ser enquadrada em grupo e papéis tradicionais e estereotipados.
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João Alves da Silva Neto, Marlene Neves Strey - PUC/RS
A representação social da conjugalidade e gênero: mudanças percebidas e as expectativas na conjugalidade
Propomos investigar aspectos da estrutura, funcionalidade e condicionantes situacionais/contextuais do gênero (genre) publicitário impresso, veiculado em revistas de público-alvo feminino. Levamos em conta uma concepção de gênero como forma de ação social (MARCUSCHI, 2002; 2003), a par de uma abordagem de sua implicação com a linguagem e as relações sociais de poder, segundo a Análise Crítica do Discurso (van DIJK, 2000; FAIRCLOUGH, 1990; 2001a; 2001b; WODAK, 2004; MEURER, 2005). A pesquisa revelou que, apesar de ser urgente uma concepção de gênero (gender) como uma categoria socialmente construída, que interage com outras variáveis sociais e contextuais (CAMERON, 1995; HEBERLE, 1999; 2001a; 2001b; 2004), foi revelador o fato de a mulher ainda ser enquadrada em grupo e papéis tradicionais e estereotipados.
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Jória Motta Scolforo - Universidade Federal de Viçosa
Hierarquias de gênero no discurso sobre a morte
Este trabalho analisa as notícias de falecimentos publicadas no jornal de viçosa, no interior de minas gerais, na década de 1920. O que se percebe é a diferença na forma como a morte feminina e masculina são representadas. Nas notícias sobre o falecimento de mulheres não se falava sobre suas vidas, o principal a dizer era a importância que elas tinham na educação de homens patrióticos e honrados. Sendo assim, ao ocultarem a vida das mulheres dando-lhes como principais funções o casamento e a maternidade, as notícias de óbito reproduzem e produzem, simultaneamente, os estereótipos femininos e os tracidionais papéis de gênero.
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Leila Bijos - Universidade Católica de Brasília
Pobreza, exclusão social e discriminação étnico-racial na América Latina
O presente trabalho traz reflexões sobre as transformações econômicas, a ausência de políticas públicas e sociais para uma população de mulheres negras brasileiras, do Estado da Bahia, descendentes de escravos africanos. É realizada uma análise comparativa com as mulheres indígenas bolivianas, quéchuas, aymara, moxeñas, antigas habitantes dos ayllús incáicos, culturalmente ameaçados por profundos desequilíbrios demográficos, ou pelas políticas cunhadas de “desenvolvimentistas”. Existem aspectos comuns e divergentes, mesclados a uma compatibilidade e incompatibilidade entre estas mulheres migrantes, membros do setor informal da economia. Neste sistema de exclusão étnica, tanto no Brasil como na Bolívia, percebe-se claramente uma reciprocidade negativa de insultos e estereótipos culturais onde se encontra implícito o prolongamento da discriminação e do racismo.
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Luciana Patrícia Zucco - UFRJ
Como vender uma mulher? Uma análise dos discursos sobre gênero nas revistas femininas
O presente trabalho tem como objeto a análise de discurso sobre gênero a partir das capas de revistas femininas. A discussão de gênero aponta para a necessidade de se compreender como as representações do feminino são veiculadas pela mass média (McLuhan, 1969). A coleta de dados é segundo a análise crítica do discurso (Fairclough, 2001) e o corpus da pesquisa compreende cinco capas da revista Claudia (R$ 8,60) e cinco capas da revista Mulher (R$ 4,90); ambas mensais e referentes ao ano de 2005. As capas trazem discursos conservadores que revelam e reproduzem relações hierárquicas na sociedade, ainda que com um discurso inovador, de liberdade e autonomia. Nestes, a mulher é colocada como produto a ser consumido por homens e mulheres, sendo tais discursos catalizadores de sentidos, produzindo um tipo próprio de sociabilidade midiática, de estética e de retórica.
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Márcia Cristiane Nunes Scardueli - UNISUL
A análise crítica do discurso de policiais civis sobre a representação da delegacia da mulher
Diante do grave problema social da violência de gênero, a criação da Delegacia da Mulher pela Polícia Civil representou um avanço na repressão e no enfrentamento desse fenômeno. Porém, devido a pouca compreensão das questões e políticas de gênero por parte dos policiais, a Delegacia da Mulher (DM) muitas vezes é limitada quanto ao tipo de serviços que oferece. Para entender esse descompasso, o presente estudo objetivou investigar as representações que os policiais civis da 19ª região policial catarinense têm da DM. A pesquisa foi realizada a partir da perspectiva da Análise Crítica do Discurso. O corpus foi composto de questionários aplicados a policiais da 19ª região acerca de suas representações sobre a DM. A análise lingüística indica que os policiais da região investigada não atribuem à Delegacia da Mulher a importância social que referido órgão policial possui, e que percebem a DM como uma Delegacia de Polícia a mais na região, se diferindo apenas pelo público que atende, o que provavelmente interfere na forma como esses agentes compreendem as situações de violência contra a mulher, e na forma como se relacionam com seu público-alvo. Os resultados da pesquisa também fornecem subsídios para a Polícia Civil no que diz respeito à formação policial, em especial para programas de capacitação para os serviço oferecidos pelas DMs, que pretendem ser atividades especializadas.
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Marcia Regina Carneiro
A prática do ensino da língua portuguesa x discurso pedagógico atual frente à construção da identidade de gênero
O trabalho em questão é um ensaio teórico, que objetiva incentivar os futuros professores da língua materna a desenvolver práticas pedagógicas evitanto a exclusão social e o preconceito lingüístico a fim de respeitar a construção da identidade de gênero em seus educandos. Para tanto foi realizada uma pesquisa bibliográfica, trabalhando com a visão de mudanças de paradigmas e pesquisas atuais sobre o tema. Os discursos dos assuntos relacionados ao ensino da língua- materna de acordo com a teoria estão politicamente corretos, porém, a prática nos remete a situações diferenciadas dos elementos sócio-economicos-culturais atuais. Assim visando mudanças no âmbito das práticas pedagógicas por parte dos futuros e atuais educadores realizou-se o presente trabalho de pesquisa.
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Mariléia Sell, Aline Jaeger - UNISINOS
Desempenhando gênero em propagandas
O presente estudo, situado teoricamente no campo da análise crítica do discurso, analisa uma propaganda da companhia telefônica Claro, que mostra alguns estereótipos sobre os gêneros feminino e masculino. Os diferentes gêneros textuais contribuem para a produção, reprodução e naturalização de concepções de gênero e construções identitárias, o que justifica a importância de se estudar e incorporar questões de identidade(s) de gênero na perspectiva do feminismo em um estudo de propaganda. Práticas discursivas institucionalizadas, através de relações de poder, podem reforçar papéis e identidades sociais. A linguagem da propaganda em questão é formadora de identidades e realidade, produzindo, portanto, homens e mulheres, uma vez que identidade de gênero é também aprendida, construída histórica e socialmente (LOURO, 2001, p. 21). Essa análise nos faz refletir sobre concepções naturalizadas que circulam perigosamente desapercebidas.
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Marlene de Fáveri, Felipe Côrte Real de Camargo
O divórcio nos discursos em processos judiciários
A partir da amostra de três processos de divórcio da Vara da Família da Capital (Florianópolis), percebe-se como os discursos dos casais que se divorciavam refletem e produzem antigas e novas relações de gênero, regulamentando e controlando a ordem social, em fins da década de 1970. Através da análise crítica destes discursos, observa-se redes e práticas sócias na utilização de estratégias discursivas utilizadas por homens e mulheres que ora queriam afirmar seus papéis de gênero, ora refutá-los, produzindo percepções de si e do mundo. Os preconceitos de gênero aparecem nestes discursos, evidenciando imagens reverberadas na época sobre condutas e comportamentos.
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Nilceia Bueno de Oliveira - UNISUL
Questões de gênero, poder e identidade na propaganda da DuLoren: uma análise crítica do discurso
A presente pesquisa foi realizada de acordo com os princípios da Análise Crítica do discurso, segundo as perspectivas teóricas de Fairclough (Discurso como prática social) e de Kress (Teoria da Multimodalidade), com o objetivo de investigar questões de gênero, poder e identidade na propaganda da Duloren, principalmente aquelas relacionadas com mudanças de papéis sociais de gênero feminino. Foram analisadas cinco propagandas que circulam na página virtual da marca de lingerie Duloren. A análise dos dados revelou que a propaganda desta marca indica questionamentos, transformação e ruptura de comportamentos naturalizados nas relações de gênero.
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Paulo Sergio Rodrigues de Paula
A representação da homossexualidade nos periódicos Babado e Folha de São Paulo
Os discursos produzidos pelos meios de comunicação contribuem significativamente para uma representação da homossexualidade. Partindo deste pré-suposto, este trabalho teve como objetivo a Análise do Discurso produzido pelos periódicos Babado e Folha de São Paulo, buscando verificar como os mesmo atuam na construção e representação da homossexualidade. Tais periódicos foram escolhidos por serem meios equivalentes e distintos entre si, ou seja, um jornal de grande circulação que possui uma coluna com abordagem direcionada ao publico homossexual e outro um jornal feito por e para homossexuais. Concluímos que os discurso produzidos pelo Babado representa o homossexual de forma estenotipada e fútil enquanto a Folha de São Paulo faz uma representação mais próxima do real contribuindo para a inibição de preconceitos, uma vez que seu discurso GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) permite que as pessoas sejam tratadas como normais e iguais, apesar das diferenças.
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Renato Beluche - UFSCar
A sexualidade “desviante” no discurso médico do século XIX
Nossa proposta é analisar as táticas e mecanismos que possibilitaram a construção das identidades “desviantes” através da sexualidade no final do século XIX no Brasil. Até praticamente o terceiro quarto do século XIX o discurso médico sobre a sexualidade se apresentava mais como uma campanha médica do que propriamente um discurso científico. Não era mais o antigo discurso cristão da carne, mas ainda não teria se configurado enquanto o discurso da psicopatologia sexual. Desse modo, o discurso sexual esteve presente como indicativo de práticas que revelavam sintomas, causas ou ambas as coisas, mas não funcionava ainda como definidor strictu senso das identidades. A partir de 1872, com Dr Macedo em Da Prostituição em Geral(...) inaugura-se uma nova era em que a elaboração das identidades “desviantes” se fariam cada vez mais através da sexualidade.
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Rosa Maria Rodrigues de Oliveira - UFSC
Homoerotismo e discursos públicos sobre a conjugalidade
Proposta de investigação de discursos públicos sobre a pluralidade em torno das noções de homoerotismo e conjugalidade emergentes inicialmente em acórdãos judiciais, desde 1980. Partiu-se de uma análise documental de 89 acórdãos judiciais identificados em busca pela internet em todo país, para delimitar o campo nos Estados onde a demanda é mais importante, pela ordem, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, num total de 66 acórdãos até novembro/2005. Este estudo é também acompanhado de observações de audiências, sessões de julgamento no TJ, leitura de notas taquigráficas e atas, bem como entrevistas com magistrados, advogados e representantes do Ministério Público, além de observações em encontros e reuniões onde foram coletadas entrevistas com integrantes do movimento homossexual.
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Rossana de Felippe Böhlke - UFSC
O regime ditado pela propaganda no controle do corpo feminino
A influência da propaganda na sociedade deve-se à utilização de linguagem repleta de estratégias discursivas capazes de transformar o público geral em consumidores de produtos, opiniões e valores. A propaganda reflete e condiciona comportamentos sociais, comumente atrelados a questões de gênero, de acordo com os interesses de quem a produz. Através da Análise Crítica do Discurso, proponho um estudo de parte de uma campanha publicitária responsável pela promoção de um medicamento para perda de peso, direcionado ao público brasileiro, onde mensagens de cuidado ao corpo feminino se interpolam com relações de gênero e identidade. Com base na fundamentação teórica mencionada, proponho uma análise das estratégias discursivas as quais giram em torno de inseguranças ditas femininas para, assim, movimentarem negócios mundialmente rentáveis.
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Vanessa Gandra Dutra Martins
A condessa e o imperador
Este trabalho pretende abordar algumas narrativas que enfocam a figura da Condessa de Barral bem como a correspondência que manteve com D. Pedro II no período de 1869 a 1885. Promovendo um diálogo com a correspondência entre a condessa e o imperador a partir de um olhar sintonizado com as teorias contemporâneas de sexualidade, história e literatura é possível demonstrar que a escrita de si, no espaço privado, constrói sujeitos e consequentemente sexualidade, mas sofre uma transfor-mação radical quando é reinterpretada por narrativas veiculadas no espaço público dos jornais, sendo utilizada, portanto também como mecanismo social de normatização da conduta feminina.
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Vera Lúcia Pires - UFSM
Relações dialéticas entre feminilidades e masculinidades
São as práticas cotidianas vivenciadas por mulheres e homens comuns, com suas diversas maneiras de fazer, seus variados modos de proceder que, organizando micro-subversões, promovem transformações, inclusive, no senso comum. A proposta deste trabalho passa por essas questões: a possibilidade de leitura e interpretação das desigualdades de gênero nas relações sociais, respaldadas pelos discursos da mídia impressa, os quais, se por um lado, apontam para um imaginário coletivo medíocre que aprisiona mulheres e homens a papéis tradicionais; por outro, discutem a condição masculina (de paternidade, por exemplo) como uma condição específica e efeito das relações dialéticas entre os seres humanos. O avanço dos estudos de gênero tem colocado em pauta a contradição, inerente ao ser humano, bem como sua pluralidade e ambivalência. Os sujeitos femininos e masculinos têm suportado tal ambivalência e vêm, dialeticamente, tecendo em conjunto as dimensões sócio-culturais de suas identidades e diferenças.
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Vitor Hugo Chaves Costa - UFSM
A construção discursiva da masculinidade de homens gaúchos no site Almas Gêmeas
A construção da masculinidade tem sido investigada em diversos estudos nas áreas das ciências sociais e das ciências da linguagem (Assis-Lima, 2002; Connell, 1995; Herdt, 1997 e Moita Lopes, 2002). No presente trabalho, pretendemos discutir a construção discursiva da masculinidade de homens gaúchos em anúncios pessoais veiculados no site Almas Gêmeas. Dentre os assuntos que abordaremos, temos: a) como as identidades dos homossexuais e dos heterossexuais gaúchos são construídas discursivamente e suas relações com a construção de uma masculinidade hegemônica; b) como as mulheres gaúchas contribuem para a formação da masculinidade dos homens gaúchos e c) as variações na construção da masculinidade dos homens gaúchos nas diferentes faixas etárias.
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