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ST04 B - Práticas e Representações

Coordenadoras:     Susana Bornéo Funck (UCPel)
                               Izabel Brandão (UFAL)

Resumo

Partindo do pressuposto de que o corpo é um lugar privilegiado de representações culturais e históricas, e considerando que a representação de gênero é também sua construção (Lauretis), buscamos reunir neste Simpósio Temático trabalhos que abordem discursos sobre o corpo na literatura e na mídia. A premissa teórica básica é a idéia formulada por Foucault de que o discurso é uma prática que sistematicamente forma os objetos de que fala. Nesse sentido, os corpos seriam também construídos culturalmente através de suas representações, que podem tanto naturalizar contingências históricas em "verdades" universais quanto historicizar tais “verdades” em contingências e questionar, assim, os modelos existentes de relações de gênero. O modo como nos imaginamos e nos re(a)presentamos tem fortes implicações políticas. Mesmo que as representações sejam vistas apenas como mediações, elas afetam nossas filiações e identificações ideológicas. Conforme Ella Shohat, "O imaginário é muito real e o real é imaginado. Precisamos constantemente negociar a relação entre o material e sua narrativação" (REF, v. 9, n. 1, p.156, 2001). Como um dos lugares privilegiados das inscrições culturais, o corpo passa a ser visto não mais como o substrato biológico sobre o qual se apoiariam as formulações de gênero, ou seja, a natureza sobre a qual se constrói a cultura, e sim como "o próprio aparato de produção através do qual os sexos são estabelecidos" (Butler). Torna-se assim uma variável e não mais uma constante na fundamentação da distinção entre feminino e masculino, remetendo-nos para a necessidade de pensar diferentemente a própria materialidade dos corpos, as formas de corporificação possibilitadas ou impossibilitadas pelo(s) sistema(s) de gênero que informa(m) nossas práticas cognitivas. Pensar os corpos diferentemente, conforme Butler, é parte importante da luta conceitual e filosófica do feminismo, sendo também uma forma de fazer política, uma política bem mais abrangente em seu intuito de desmantelar códigos de inteligibilidade, ou "habitar modelos conceituais de forma a produzir dissonância".

Trabalhos

Alcione Cunha da Silveira - UFMG
O tecido infinito de Margaret Atwood: ressonâncias e entrelaces entre os romances O assassino cego e Vulgo Grace
Exímia contadora de histórias, a escritora canadense Margaret Atwood pode ser definida como uma emblemática Scherazade dos tempos modernos, sempre imersa na criação de narrativas que seduzem o leitor. Este ensaio analisa os dois romances de Atwood, O assassino cego e Vulgo Grace, focalizando, especialmente, os elementos intertextuais e metaficcionais utilizados nas narrativas revisionistas, que exploram a estrutura de construção dos discursos históricos e literários, subvertendo o conceito essencialista de verdade universal e apontando para as várias possibilidades de criação presentes no processo. O estudo é centrado nas personagens principais dos romances, Iris Chase Griffen e Grace Marks, cujas características remetem a questões de gênero e, principalmente, à problematização da mulher enquanto narradora de sua própria história. Ao dar voz a figuras tradicionalmente silenciadas, as narrativas de Atwood apresentam releituras que desafiam mitos e construções patriarcais.
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Ana Beatriz Matte Braun - UFPR
A desmistificação da figura materna em “o menino” de Lygia Fagundes Telles
Este trabalho tem por objetivo discutir a representação da mulher, mãe e burguesa, no conto “O menino”, de Lygia Fagundes Telles, de 1970. Concentrando o foco narrativo no menino e sua ida ao cinema com sua mãe, a narrativa desenvolve-se de modo a questionar, desconstruir e subverter papéis sociais até então hegemônicos e rigidamente determinados. A imagem de mulher/mãe que nos é apresentada constrói-se pelo ponto de vista já masculinamente marcado do menino; entretanto, tal visão ainda é imprecisa na medida em que o menino, ainda no limiar da infância, ainda não está totalmente integrado à esfera social masculina. Desta forma, ao abordar questões como a crise da família burguesa e seu ideal de amor, sexualidade desvinculada do casamento e a dessacralização da maternidade, a narrativa faz uso de estratégias subversivas para desmistificar a figura estereotipada da mãe, revelando a ambigüidade e duplicidade da condição feminina contemporânea.  
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Ana Maria Bueno Accorsi - PUCRS
Sex and the City e Desperate Housewives – mulheres modernas e bem resolvidas?
O trabalho analisa dois dos principais seriados norte-americanos, Sex and the City e Desperate Housewives como representantes de um modo de abordar os problemas e as representações femininas no período pós-liberação, principalmente com as chamadas “mulheres modernas e bem resolvidas”. Desperate Housewives e Sex and the City tratam, ambos, da vida de quatro mulheres, discutindo, entre outras questões, seus problemas pessoais, de relacionamentos com família, filhos e amigos, e sexo. Seguindo a tradição estabelecida por Thornton Wilder em Our Town (1934), a localização das histórias são também personagens do enredo e a trama tematiza, de modo geral, o ciclo da vida. Devido ao grande sucesso televisivo, a questão que se impõe é o de poder-se verificar a preferência da audiência para com o relato realista e o reforço da temática tradicional que preenche até hoje os espaços de preocupação feminina em nível sexual, doméstico e profissional.
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Ana Sílvia Laurindo da Cruz, Nicole Soares Pinto - UFPR
Males que vêm para bem? A essência feminina na publicidade de 1930 e nos dias de hoje
O artigo analisa dois discursos publicitários, um veiculado em 1930, no jornal curitibano Diário da Tarde, que “vendia” um remédio indicado para tratar os “males do útero” e, portanto, capaz de acabar com todos os problemas da vida da mulher, que “sofre muito mais que o homem”. O outro, uma propaganda da Gillette®, veiculada em 2005, na revista Nova, que fala das vantagens de ser mulher. Ambas têm como pano de fundo o apelo a uma essência feminina, relacionando corpos e comportamentos. Nesta abordagem, busca-se entender porque e de que forma essa essência, que é negativa a princípio, recebe uma conotação positiva na construção do discurso publicitário contemporâneo, levando-se em consideração o fato de argumentos parecidos são utilizados nos dois casos para estabelecer o que é “ser mulher”.
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Andréa Costa da Silva, Vera Helena Ferraz de Siqueira, Nilma Gonçalves Lacerda - UFRJ
Gravidez na adolescência nas obras de ficção destinadas ao público jovem: apropriações por docentes
A pesquisa tem por objetivo analisar as apropriações docentes da literatura juvenil sobre gravidez na adolescência em sua prática pedagógica. Diante da expressiva produção de livros de ficção sobre gravidez na adolescência, bastante utilizados no contexto escolar, fazemos um deslocamento da emissão para o contexto das práticas educativas, questionando sobre como estas obras estão implicadas na produção de significados a respeito de sexualidade, gênero e gravidez. Conforme mostrado por Foucault, a sexualidade deve ser observada em toda sua complexidade, como constructo histórico e cultural, produto e efeito de relações de poder. Colocando em cena as produções discursivas dos docentes através de observações de aulas em duas escolas, buscamos esclarecer processos de mediação da cultura, assim como identificar sentidos habitualmente não-contemplados pelo senso comum, que permitam o tratamento do tema com a devida complexidade.         
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Cleide Antonia Rapucci - UNESP/Assis
A ferida na face: o olhar de Angela Carter sobre as representações de gênero em revistas
A escritora inglesa Angela Carter (1940-1992), produziu também importante obra não-ficcional, reunida nos livros Nothing Sacred: Selected Writings (1982), Expletives Deleted: Selected Writings (1992) e Shaking a Leg: Collected Journalism and Writings (1997). O propósito deste trabalho é a abordagem de textos em que se pode observar a escritora Angela Carter como leitora do papel do corpo feminino e masculino em revistas inglesas da década de 70. Nos textos “The Wound in the Face” (1975) e “A Well-hung Hang-up”, Carter analisa as representações de gênero nessas revistas, observando o pastiche na representação do corpo feminino, bem como a diferente convenção estética que existe entre o nu feminino e o masculino. Já o artigo “Food in Vogue” (1977) dialoga de forma interessante com os anteriores, trabalhando a equação mulher e comida.
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Fábio Lopes Alves, Hilda Pívaro Stadniky - UEM
Prostituição feminina na imprensa periódica de Cascavel: entre práticas e representações
Buscando discutir os modos como a imprensa periódica se apropria de uma prática – a prostituição feminina – e a representa, reorganizando-a de acordo com seus interesses, na perspectiva de Roger Chartier, buscamos analisar como foi construída a imagem acerca da prostituta e da prostituição em Cascavel e de que maneira os jornais operam a mensagem para seus leitores. Para tal, num primeiro momento discutimos a relevância de se produzir um estudo historiográfico onde a protagonista de nossa trama é a meretriz, sem perder de vista as justificativas das delimitações, bem como da fonte escolhida para o presente estudo, para em seguida, num diálogo estabelecido com Chartier compreender as noções de práticas, representações e apropriações, tendo em vista que, segundo esse autor a história cultural pode ser examinada no âmbito desses eixos. Enquanto ao final, apresentamos a maneira como os periódicos cascavelenses têm representado a prostituição feminina. PDF

Gustavo Espíndola Winck - PUC/RS
Entrar na mídia para sair da média: considerações sobre gênero, mídia e ideologia
O trabalho visa abordar o papel reservado à mulher na mídia brasileira, propondo uma reflexão pautada tanto nos estudos clássicos das relações de gênero quanto no referencial de Thompson sobre ideologia. Para isso, serão considerados objetos de análise e de reflexão exemplos veiculados não somente na mídia televisiva, mas também através do rádio, de jornais e de revistas. Concomitantemente, será ainda discutida a questão das concessões aos meios de comunicação, em especial à TV aberta, enquanto revelam-se instrumentos de uso monopolizado e a serviço de interesses particulares. Sob uma perspectiva sócio-histórico-cultural, a representação social da mulher e o papel da mídia como legitimadora na manutenção de relações de gênero não-eqüitativas serão refletidos sob a ótica do estabelecimento de relações ideológicas de poder e dominação.
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Marcelo Franz - PUC/PR
Novas cartas portuguesas e cartas de um sedutor: comparações
O estudo que apresentaremos tem por objetivo comparar duas obras ficcionais, uma portuguesa e outra brasileira, aparentadas pelo que têm de polêmico: as Novas Cartas Portuguesas (1971) das “três Marias” (Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa) e as Cartas de um Sedutor (1991) de Hilda Hilst. A indagação básica da pesquisa diz respeito à opção das autoras pelo discurso epistolar estilizado, com uma dicção densamente erotizada. Cogitaremos sobre a relação existente entre a estruturação própria do discurso epistolar e a intenção de manifestar uma revolta dirigida, nos dois casos, a alvos diversos da conjuntura cultural e política de Portugal e do Brasil. Por meio dessa revolta se revelam estratégias composicionais sofisticadas que, no limite, propõem um debate metalingüístico que acaba por se voltar para a expressão de uma cosmovisão feminina em seus embates com a opressão e o silenciamento. A reivindicação de um discurso de mulher, amplificado pela contundência com que acontece nas obras analisadas, é a marca de uma resistência.
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Márcia Rejane Messa - PUC/RS
Mulher solteira procura: uma crítica diagnóstica de Sex and the City
Este trabalho faz uma leitura do sitcom americano Sex and the City seguindo os pressupostos de Douglas Kellner sobre a Crítica Diagnóstica. Este tipo de abordagem propõe-se multicultural e multiperspectívica, tendo como objetivo entender o modo como a produção, a natureza e os efeitos da cultura veiculada pela mídia se inserem na sociedade contemporânea e por ela são afetados. Em nosso caso específico, falamos de uma cultura que tem como proposta mostrar a mulher solteira acima de 30 anos com suas virtudes, expectativas e necessidades, longe daquele papel pejorativo anteriormente a ela destinado de “titia” ou de “solteirona”. Apesar de se configurar como um programa que mostra a mulher moderna do século XXI e inovar no debate sobre o feminino, Sex and the City traz traços marcantes do conservadorismo patriarcal. No artigo, mostramos isso através da análise das personagens (masculinas e femininas), da contextualização do período em que o programa foi produzido e de sua inserção e repercussão na mídia.
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Margarete Trigueiro de Lima Albuquerque - UCPel/FURG
Mulher maravilha: figura mítica ou reflexo de um ideal contemporâneo?
O trabalho proposto busca verificar a representação da figura feminina adulta nas histórias em quadrinhos, através da análise da Mulher Maravilha na versão de série de TV Liga da Justiça, mais especificamente no episódio Paraíso Perdido. A Mulher Maravilha foi inicialmente criada com um intuito de abordar e de explorar os aspectos do binarismo mulheres/homens, mas com a morte de seu criador, as produções seguintes foram deturpadas para atender a ideologias da época. Por um tempo, ela desapareceu do contexto público por razões convenientes aos propósitos de re-domesticação da mulher após a 2ª guerra mundial. E só depois de cerca de 40 anos voltou a aparecer, mas não como protagonista de suas histórias (pelo menos no Brasil) e sim como participante de uma liga de justiça ao meio de homens e mulheres.          
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Maria Cristina Martins - UFU
“Vinho novo em odres velhos”: a entrada no quarto secreto do Barba azul, relida por Angela Carter em The Bloody Chamber (1979)
“The Bloody Chamber”, de Angela Carter é uma deliciosa releitura do conto "O Barba Azul", de Charles Perrault, considerado a versão escrita mais antiga da história. Apesar de haver vários pontos de contato entre a história original e a releitura proposta por Carter, a autora, na verdade, nos conta uma outra história, que subverte frontalmente noções distorcidas de gêneros sexuais. Nela, a heroína é quem narra o ocorrido retrospectivamente e o vilão é um perito colecionador de material pornográfico. No presente trabalho discuto como a entrada no quarto secreto e a confrontação da realidade material dos crimes do marido são fundamentais para que a protagonista de Carter tome consciência de sua própria objetificação em sua união matrimonial com o Marquês. Na ótica de Carter, a curiosidade e a desobediência feminina ganham conotações positivas que transformam o gesto transgressor em mola propulsora de libertação.
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Maria do Rosário da Silva
Histórias ambulantes: a representação das mulheres na literatura de cordel
Historiamos a representação das mulheres na prática discursiva da literatura de cordel na década de 1970 em Caruaru, PE. Buscamos compreender como esse tema foi tratado pela prática discursiva apresentada nos folhetos de cordel e como as identidades femininas foram se constituindo, articuladas as narrativas presente nesses escritos. Entendemos que esses registros são de maneira geral, subjetivos, fragmentários e descontínuos. Nesse sentido, os folhetos são fontes tratadas como marcas, traços, fragmentos, vestígios do passado na construção da história das mulheres. As identidades mulher/homem aparecem aqui atravessadas por termos como diferença e relação de reciprocidade na costruçao das identidades.
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Najara Ferrari Pinheiro, José Luís Reckziegel - UCS
“Mais você”: você se vê na TV
O artigo tem como objeto de estudo o corpo feminino na televisão, analisando as estratégias verbais e não-verbais de construção de identidades e representações no discurso dos magazines femininos televisivos. O foco da investigação concentra-se no magazine feminino televisivo “Mais Você”, da Rede Globo discutindo que a marquetização do discurso dos magazines femininos televisivos e a publicização do corpo são formas de refletir a influência do discurso publicitário em outros gêneros discursivos/textuais, evidenciando a colonização de todas as ordens do discurso pela ordem do discurso publicitário (Fairclough, 1992, 2001). A TV, através de seus produtos, auxilia a legitimar e construir padrões de comportamento, tanto em relação a gêneros quanto em relação à etnia, à estética e à sexualidade, estimulando determinados comportamentos, através das relações instituídas entre os sujeitos sociais e os meios. Mulheres, portanto, têm um espelho no qual mirar-se para construir-se como sujeito e para representar-se.
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Nara Rejane da Silva Widholzer - UFRGS
Publicidade e modelo de família patriarcal: unidos até que a morte os separe
O modelo de família, assim como as funções de seus membros, varia no espaço e no tempo, relacionando-se a muitos fatores. A despeito de o termo “família patriarcal” ter se difundido quase como sinônimo de família brasileira, o modelo a ele correspondente nunca preponderou em todo o País. Trata-se, logo, de uma construção histórica naturalizada para o conjunto da sociedade, conveniente a formas de atuação política e a um sistema fundiário arcaico. Assim, permanece sólido o ideário da divisão entre as esferas pública e privada, nas quais se situam os sexos de acordo com atribuições de gênero. A publicidade brasileira incorporou tal representação ampla de família, ignorando a multiplicidade de arranjos de co-habitação e de organização econômica, assumindo contornos muitas vezes preconceituosos. Neste trabalho, analisam-se peças publicitárias que ilustram essa prática.
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Natália Conceição Silva Barros - UFPE
Melindrosas e almofadinhas: imprensa e construções de gênero nos anos 1920 no Recife
“Mundo Feminino”, “Gabinete Feminino”, “Vida Frívola”, “Matronas e Melindrosas”, “Página Feminina”, “Mulheres...Futilidades” são títulos das colunas dedicadas às mulheres na imprensa da década de vinte no Recife. A Análise dos títulos e conteúdos nos demonstra como o feminino é representado e ao mesmo tempo construído, pois, a imprensa pode ser entendida como mais uma daquelas fábricas construtoras de subjetividade, que permeiam nosso cotidiano. Não há a preocupação em investigar se estas imagens correspondem ou não a “realidade”, mas em tomá-las como redes discursivas que emergiram, que se entrecruzaram tornando-se hegemônicas, instituindo materialidade e criando efeitos nos sujeitos. Por que aquelas imagens e discursos e não outros? O que combatiam? Que lugar instituíam para o feminino e, conseqüentemente, para o masculino? 
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Paulo César García - UNEB/UFSC
Entre raptos, rastros de vidas; pelo avesso, murmúrios eróticos
Em Rapto, Carlos Drummond de Andrade cristaliza, nesta poesia, outra forma de amar. Em Avesso, Jorge Vercilo produz, neste gênero musical, o modo como trata as relações amorosas entre homens. Em se tratando de textualidades que enfocam a subjetividade homoerótica, percebe-se aí a experiência de uma voz que fala. Em sua potência de enunciação, o lirismo erótico constitui-se. Proponho, assim, refletir como essas inserções do eu são gerenciadas e demarcadas; como sentido de escuta, enquanto dinâmica e movimento, esses textos proporcionam instigar também o modo como determinados discursos são silenciados, selecionados ou direcionados no que e como diz. Trata-se de ver nesta poesia de Drummond e nesta música de Vercilo, em seus gestos identitários, como incorporam códigos reveladores para problematizar a performantização do sujeito homoerótico.
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Paulo Roberto Pereira Câmara, Renato Kerly Marques Silva - UFMA
Além do binarismo: o dândi e as identidades de gênero n’A confissão de Lúcio
Neste trabalho, pretendemos discutir sobre as formas como algumas personagens são descritas na narrativa A Confissão de Lúcio (1914), do escritor Português, o Modernista, Mário de Sá Carneiro (1890-1916). As personagens que destacamos na obra são as que, por algumas passagens podem ser identificadas com a figura do Dândi, homem que circula na fronteira entre o masculino e o feminino. A partir da observação sobre o Dândi, descrito por Sá Carneiro, tentamos discutir como essas personagens concorrem para a exibição de performances ou identidades de gênero que não encaixam no sistema binário masculino/feminino (Butler, 2003), que observava apenas as características biológicas para encaixar os indivíduos machos na categoria do masculino e fêmeas na categoria do feminino.
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Richard Miskolci - UFSCar
O vértice do triângulo: relações de gênero e sexualidade em Dom Casmurro
Este texto parte de uma perspectiva de gênero aliada aos Estudos Culturais e à Teoria Queer para desenvolver uma análise do romance Dom Casmurro centrada no triângulo amoroso Bento-Capitu-Escobar. A ênfase é na homossociabilidade masculina, pois o elo entre Bento e Escobar permite compreender melhor as relações nas quais se assentava o patriarcalismo brasileiro da segunda metade do século XIX. A relação triangular servirá de meio privilegiado para explorar as formas e limites que marcavam a compreensão das identidades de gênero e, sobretudo, o temor e a recusa violenta da transgressão da ordem patriarcal da época, quer por uma mulher supostamente adúltera quer por um homem enamorado do provável amante de sua esposa. Portanto, o vértice do triângulo é sempre um/a Outro/a e por mais que o identifiquemos com uma personagem ela é apenas o simulacro do que sua época e sociedade rejeitava como desestabilizador da ordem das relações de poder (e de gênero) então vigentes.
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Sandra Raquew dos Santos Azevedo - UFPB
Direitos sexuais e reprodutivos e violência contra mulher em pauta na mídia impressa paraibana: constituindo uma agenda cidadã
O artigo discute a constituição da agenda-setting na mídia impressa paraibana na construção do noticiário sobre a mulher, particularmente dentro de pautas sobre direitos sexuais e reprodutivos e combate à violência. A pesquisa analisa a ação comunicativa das organizações não governamentais Cunha – Coletivo Feminista e Centro da Mulher 8 de Março por sua atuação na mídia impressa local ter trazido novos enfoques e configurações para as representações da mulher na mídia.
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