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ST05 A - Violência de gênero

Coordenadoras:     Marlene Neves Strey (PUC-RGS)
                               Graziela Cuchiareli Werba (Universidade Luterana do Brasil – Torres/RS)

Resumo

Neste simpósio, a idéia é debater as pesquisas e intervenções sobre a temática da violência de gênero em seus diversos âmbitos. A violência de gênero, apesar de ser, na atualidade, muito pesquisada, por influência dos grupos de pesquisa de orientação feminista, ainda é um fenômeno parcialmente invisível, em função de se apresentar de maneiras tão diversas, confundindo-se com práticas culturais largamente acatadas como normais ou naturais. Além disso, tem na sua origem aquilo que se costuma chamar de Pedagogia da Violência, prática de educação infantil que utiliza a violência física e psicológica para disciplinar as crianças que não se submetem às imposições familiares. Sendo uma prática que acompanha os seres humanos desde muito cedo, a pedagogia da violência aplaina o caminho para a violência de gênero, tornando a sua erradicação muito difícil. Assim, neste Simpósio, o foco na violência de gênero é central, para a discussão, desde a violência cometida contra as mulheres por seus maridos/companheiros, até as diferentes discriminações, entendidas como tipos diferenciados de violência, cometidas no trabalho, no esporte, na vida política, nos processos migratórios e outras atividades humanas contemporâneas.  Como gênero é relacional, abrange trabalhos que envolvam violência, mulheres, homens, transsexuais, em conjunção com classe, idade ou geração, nível educacional, raça/etnia.


Trabalhos

Camila de Sousa Menezes, Patrícia Monteiro e Silva
Desejo e política no grupo de mulheres: desenvolvimento de uma técnica de atendimento na delegacia
Discutiremos a construção de uma metodologia de atendimento em grupo a mulheres em situação de violência na Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte. Esta,que vem se configurando desde 2001, apóia-se na metodologia do grupo opemtivo de Pichón-Riviere e prioriza uma escuta das relações de gênero como um campo de relações de poder que aparecem no discurso dessas mulheres. Um conceito básico é o de transversalidade, que gradua a distinção entre grupo sujeito -que tenta assumir o sentido de sua práxis e enuncia alguma coisa -e grupo sujeitado -cuja causa é apenas ouvida e "sofre hierarquização por ocasião de seu acomodamento aos outros grupos" (Guattari, 1987: 82). O objetivo é acionar a espiral reflexiva considemndo o atmvessamento do político nas subjetividades e no "sujeito inconsciente do grupo" em direção à constituição de um grupo sujeito.           
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Carla Aparecida Lourdes dos Santos de Azevedo
Mulher gosta de apanhar? Violência contra a mulher e condicionantes jurídicos
O presente trabalho é resultado de pesquisa desenvolvida no 11° Curso Regionalizado de Metodologia de Pesquisa em Gênero, Sexualidade e Saúde Reprodutiva, que ocon'eU no Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), com o patrocínio da Fundação Ford. A metodologia consistiu na etnografia das audiências preliminares realizadas num Juizado Especial Criminal do estado do Rio de Janeiro1, no período de junho a agosto do ano de dois mil e cinco, referente aos procedimentos cujo artigo fosse o 129 do Código Penal e as partes, mulher vítima de agressão fisica cometida por seu companheiro ou marido. A importância da presente pesquisa consistiu no fato de que se vítima optasse por renunciar na audiência preliminar, essa opção implicaria em não vê -10 ser punido penalmente. Por motivos éticos, optei por não declarar o Juizado estudado.     
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Carla Regina Nascimento de Paula, Sandra Maria da Mata Azeredo
Pacto silenciador – rediscutindo as funções da queixa
Em pesquisa recente realizada junto ao IML-MG1 surpreendeu-nos a constatação de que grande parte das mulheres agredidas que ali passam silenciavam com referência à autoria da agressão. Surpreendeu-nos também o fato de não ser praxe dos profissionais do IML-MG questionarem tal identidade. O foco de nossa pesquisa tem sido obter dados que respondam às perguntas: o que ocorre aí com essa mulher que, tendo sofrido uma mutilação no corpo (seja qual for a extensão da lesão) e estando em presença daquele que supostamente seria a testemunha da prova material de seu sofrimento, se cala em lugar de queixar-se? Se o papel da queixa é apenas colocar-se como vítima ante um infortúnio e esperando-se que uma mulher em sofrimento, inevitavelmente, queixe-se, qual o imperativo silenciador ao qual essa mulher e esses profissionais estão submetidos? O presente trabalho tem por objetivo levantar a discussão sobre o papel da queixa na dicotomia falar X calar.  
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Cherlen Aidano Monteiro
Desconstrução e caminhos mulheres em situação de violência
As mulheres agredi das apresentam dificuldades de se posicionarem frente a sua situação de violência, estas questões vão muito além do medo de repressão provenientes de seus agressores. Mas sim da dependência emocional que estas mulheres têm de seus companheiros. Elas idealizaram toda uma vida ao lado deles e não "admitem" que este planejamento seja rompido uma vez que elas ainda investem neste relacionamento, tem a esperança da mudança do outro e não estão dispostas a re-construir a sua própria história. O estigma que é imposto a uma mulher separada, por mais que neguemos ainda é uma marca muito forte em nossa sociedade patriarcal. Mudar construções sociais é algo dificil e duradouro este estudo demonstra alguns caminhos para estas mulheres estarem se posicionando frente a sua situação e gerindo a sua própria vida.  
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Cláudia de Magalhães Bezerra
O atendimento psicológico à mulher vítima de violência doméstica em uma comunidade do Rio de Janeiro (Bairro da Maré)
No Centro de Referência de Mulheres da Maré(cfch/ufrj), o atendimento psicológico tem como objetivo acolher, orientar, escutar, ajudar a procurar alternativas para sair da situação de violência doméstica. A partir da identificação do desejo de transformação e mudança, fortalecer a usuária “empoderando-a”, reforçando sua autonomia e auto estima; respeitar o tempo de cada uma e entender a vontade de mudar como um processo. Oferecemos um espaço onde possa construir e experimentar um projeto de mudança, com o cuidado para não julgar, classificar ou excluir, não reproduzindo a violência. Não vitimizamos ou culpabilizamos a mulher apontando como causa da violência suas características pessoais, ou atrelando-a ao álcool, à pobreza ou à falta de instrução mascarando assim a violência social e estrutural. Reforçamos ainda a necessidade de utilizar outras formas de expressão das emoções além da fala.
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Conceição Nogueira, Carlos Barbosa - Universidade do Minho
As masculinidades e os discursos de violência em meio escolar
Esta comunicação pretende explorar as fonI1as como as diversas masculinidades são definidas e redefinidas nas intemcções sociais em meio escolar, particularmente nas relações de violência e poder entre jovens adolescentes, mpazes e mparigas.Neste estudo, as diferentes fonI1as de masculinidade são compreendidas, quer como uma construção social e cultuml(Kimrnel e Messner, 1989) -quer como discursos de poder (Connell, 1995). A partir de entrevistas realizadas a jovens adolescentes, de três escolas do distrito do Porto e adoptando a Análise do Discurso, quer como quadro teórico, quer como metodologia, este estudo tem como objectivos, explorar os discursos dos adolescentes que legitimam, justificam e desculpam as práticas agressivas e as fonI1as como são socialmente construídas as diferentes concepções de masculinidade em contexto escolar.           
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Concepción Gandara Pazo
Violência conjugal: quanto pesa o gênero?
Como pensar a identidade de gênero existente em cada homem e em cada mulher que estaria construído posições, relativamentes fixas para cada um, dentro da dinâmica da relação conflituosa conjugal? Poderíamos pensar numa identidade predominantemente orientada por seus aspectos coletivos - de gênero - como motivo principal dos posicionamentos como sujeito ou objeto da violência? Em que medida aspectos mais individuais estão envolvidos no engendramento da interpessoalidade violenta? Estas perguntas são o fulcro de uma discussão acerca das causas da violência de gênero e que tem em autores que interseccionam antropologia e psicologia, sua base bibliográfica.       
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Cristiane Rossbach, Ricardo Bortoli, Maria Cecília C. Pereira, Glauco Anderson Espíndola
A experiência das ações sócio-educativas com mulheres e com homens no programa de prevenção e combate à violência doméstica e intrafamiliar – PPCVDIF – Blumenau
A Secretaria Municipal de Assistência Social, da Criança e do Adolescente vem executando desde setembro de 2001 no município de Blumenau, o PPCVDIF -Lei n° 5.825 de 27/12/01. Criou o serviço de Abrigamento e o Centro de Apoio à Família em Situação de Violência Doméstica. Dentre as atividades desenvolvidas pelo programa destacamos as ações sócio-educativas com mulheres e com homens. Estas ações são de suma importância como possibilidade de rompimento do ciclo de violência, na perspectiva de construir uma relação saudável, pautada no diálogo e no respeito mútuo. O trabalho é desenvolvido por uma equipe interdisciplinar (Serviço Social e Psicologia), através de dinâmicas, palestras, vivências e atividades de expressão corporal. É neste espaço que os usuários exercitam o seu direito de fala e extravasam seus sentimentos configurando-se como o passo inicial na construção de alternativas no rompimento da situação.      
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Fernanda Loureiro Prietsch, Marlene Neves Strey
A percepção da violência através do brincar
A presente pesquisa busca compreender como crianças percebem a violência e, especificamente, a violência de gênero existente ao seu redor e quais suas reações diante da mesma, utilizando os estudos de gênero como embasamento teórico. A pesquisa foi realizada em uma escola municipal de ensino fundamental e os dados foram coletados por meio de encontros lúdicos filmados, transcritos e analisados qualitativamente. A pesquisa foi autorizada por pais/mães, escola e crianças. Foram encontrados muitos dados sobre a violência em geral e a de gênero em particular, assim como algumas estratégias para o enfrentamento disso. Os vínculos estabelecidos são fundamentais, tanto com a escola quanto com a família para o enfrentamento da violência.   
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Florência Faccio
Violencia doméstica y dominación masculina  
EI trabajo pretende reflexionar acerca de la violencia que muchas mujieres montevideanas sufren por parte de los hombres, específicamente la violencia que podría ser denominada doméstica (la causada puertas adentro de la casa, la que nadie ve o no quiere ver, la que "pasa desapercibida", la "naturalizada"). También pretende reflexionar acerca de las mujeres que la sufren, acerca el patriarcado, las instituciones sociaies y el síndrome de la mujer golpeada, y las causas y las consecuencias de esa violencia en su vida y en su persona. 
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Gabriela Alves de Carvalho Souza, Cherlen Aidano Monteiro, Karla Deysiane Machado Alvarenga
Mulher em situação de violência doméstica, qual o seu lugar?
Neste estudo sobre violência de gênero daremos ênfase à mulher em situação de violência doméstica. A realização desse estudo teve como instrumento a prática clínica em Psicologia, tendo como objetivo principal a implicação da mulher que se queixa sobre o sofrimento que vivência, a violência doméstica. O serviço de Psicologia tem como função propor um trabalho que auxilie a mulher num melhor entendimento das questões subjetivas envolvidas nessa situação. A mulher ao visualizar outras possibilidades, questiona-se sobre sua contribuição na manutenção do seu sofrimento. Esse é o primeiro passo para sair da posição de vítima e passar a ser autora da sua própria história.  
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Ivna Borges da Costa
Mulheres encarceradas: trajetórias de vida
As pesquisas têm apontado uma crescente presença das mulheres nas estatísticas criminais. As presas são submetidas a um nível de exclusão social. maior devido à submissão aos valores dominantes machistas, fazendo com que a aplicação da pena apresentem um impacto mais agressivo. Desenvolvemos este trabalho junto às presas na Colônia Penal Feminina de Recife, PE. A metodologia foi o estudo de caso; 53,3% são mães solteiras; com idade média de 32 anos e baixa escolaridade- 40% sem instrução. Cerca de um terço dessas mulheres nunca trabalhou, com ocupação no tráfico de drogas (60%), seguida da prática de roubos e furtos (40%). Este trabalho possibilitou uma maior compreensão de quem são essas mulheres e a necessidade de se repensar o papel do Estado e de estabelecer ações articuladas com os diversos segmentos da sociedade.      
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Jimena Luz Silva Segovia
La mato porque es mia. Complicidades y violencias. El femicidio en Chile
Entre 1999 y 2001, se produce gran conmocián nacional por la noticia de una paulatina desaparicián de mujeres jávenes, estudiantes de enseflanza intermedia y media de una comuna empobrecida de la periferia de la Ciudad de Iquique: Alto Hospicio. Las jávenes, residentes, en su mayoría, en la toma " La Negra" y elo:' barrio "Autoconstruccián. Todas pertenecían a familias migrantes dei sur dei país, que en décadas pasadas se trasladaron al norte en busca de trabajo y mejores condiciones de vida. La investigacián realizada sobre este caso, cuyos resultados parciales, se presentan en esta ponencia, tuvo por objetivo develar las tensiones existentes entre los contratos sociales/sexuales y el ejercicio de ciudadanía, de las mujeres a partir de los femicidios ocurridos en Alto Hospicio, Iquique. Se analizá la produccián discursiva oficial, (Mass medias, Estado) y de Ias familias, en la época de la desaparicián y en el momento dei descubrimiento de sus cuerpos.      
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Juliana Palavezzini, Danúbia Rocha Vieira
Um novo olhar sobre a violência contra a mulher
Este trabalho apresenta os resultados do Projeto de Pesquisa e Extensão: "Um novo olhar sobre a violência contra a mulher/identificando políticas públicas". Tal estudo diferencia-se por não restringir sua análise a leitura de dados e estatísticas, mas por investigar o universo dviolência a partir das próprias mulheres, por meio de entrevistas e visitas domiciliares. A relevância desta investigação se apresenta, portanto, pelo caráter inovador de ouvir, dar voz e vez as mulheres invisibilizadas no espaço doméstico. As mulheres não constituem grupos de pressão e, permanecem marcadas pela tensão e pelo medo de novas agressões no universo privado do lar .Pretende-se, assim, provocar discussões e ações, com o intuito de tornar o problema da violência visível diante da agenda pública, deixando notável sua gravidade enquanto violação dos direitos da mulher.         
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Marielda Ferreira Pryjma
A contribuição da administração no estudo de gênero: as relações de trabalho das mulheres com baixa escolarização
A proposta desta investigação partiu do pressuposto que a mulher com baixa escolarização sofre diferentes situações que envolvem constrangimentos no ambiente de trabalho. A metodologia utilizou abordagem qualitativa, por possibilitar uma aproximação do pesquisador em relação a seu objeto de pesquisa. Como instrumento foi utilizada a entrevista, buscando entender o significado do objeto investigado para o sujeito. A pesquisa bibliográfica abordou a origem das desigualdades e a história da mulher no mercado de trabalho brasileiro. Contudo, os pressupostos iniciais não foram confirmados porque os resultados apontaram para uma diferença de atitudes, pessoais e profissionais em outra instância, elas próprias geram preconceitos, desigualdades, constrangimento entre si. Com essa análise preliminar, optou-se por aumentar o número de sujeitos, analisando o que ocorre com o grupo ampla e adequadamente.
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Rebeca Rolfs Barbosa Gaetani, Carolina Marra Simões Coelho
Metodologias de trabalho em grupos no enfrentamento à violência contra a mulher
Discutiremos a experiência de dois grupos de mulheres em situação de gênero realizados a partir de parceria entre um programa municipal de atendimento a mulheres, o judiciário e uma ONG. Durante os encontros, foram trabalhadas dimensões como identidade, auto-estima, projeto de vida, empoderamento e, de uma forma transversal, gênero e violência. No processo grupal observamos que as participantes estabeleceram vínculo e se propuseram a refletir sobre as experiências vividas. Embora algumas dificuldades tenham sido notadas, percebemos que elas começaram a questionar os papéis cristalizados de gênero e seu posicionamento frente à violência. A análise dos grupos possibilitará refletir sobre metodologias de atendimento a mulheres em situação de violência que proporcionem a construção de uma vida sem violência.     
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Rita Petrarca, Ana Maria Zuwick
Perícias médicas como relações de violência de gênero          
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