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ST06 - Sujeitos do feminismo: políticas e teorias

Coordenadoras:     Sônia Weidner Maluf  (UFSC)
                               Telma Gurgel da Silva  (UERN)

Resumo

O objetivo do ST é proporcionar um espaço de reflexão sobre a questão do sujeito do e no campo feminista, compreendido amplamente como reunindo tanto os espaços do movimento feminista, da militância e do ativismo, quanto os da reflexão e das práticas acadêmicas dos estudos feministas e de gênero. A retomada da discussão sobre centralidade do sujeito e a questão de quem é, ou quem são, o(s) sujeito(s) político(s) do feminismo têm se apresentado tanto nos movimentos quanto nos estudos acadêmicos a partir de reflexões e embates teóricos e políticos entre a permanência de um sujeito político único como discurso aglutinador e legitimador de uma política feminista e a multiplicidade, a fragmentação e a pluralidade dos sujeitos e das subjetividades. Questões como relação entre identidade e alteridade; políticas da diferença sexual; políticas da igualdade; dialética instabilidade/fixação do sujeito; performatividade de gênero e processos de subjetivação; subjetividade, corporalidades e agência; afirmação estratégica de identidades, entre outras, são desdobramentos dessa discussão. A reflexão proposta no ST pretende confrontar e colocar em diálogo as abordagens teóricas e as dimensões políticas dessa questão. A  proposta é reunir trabalhos sobre a teoria e a política dos feminismos na academia, nos movimentos, nas políticas públicas, na relação com o Estado, na formação de redes nacionais e transnacionais, nas organizações não-governamentais, na relação com as agências de financiamento, entre outras, tendo como foco as questões de como o sujeito, as subjetividades e os processos de subjetivação têm sido pensados no interior do que denominamos mais amplamente aqui de campo feminista.


Trabalhos

Ana Adelaide Peixoto Tavares - UFPE/UFPB
A casa como confinamento e Geometria dos ecos em As Horas
No seu livro Poética do Pós-Modernismo, a teórica canadense Linda Hutcheon, disserta sobre uma Poética do pós-modernismo. Este trabalho pretende discutir o romance/filme As Horas de Michael Cunningham/Steven Daldry, enquanto ficção pós-moderna, ou seja, texto que compartilha de uma nova sensibilidade cultural, e que levou autores/as a representar um mundo diferente através dessas novas estratégias narrativas, como é o caso da intertextualidade, da apropriação e da re-escritura. Em As Horas, quase todas as personagens, perfazem o sujeito Hutcheano de “ forasteiro de dentro”, onde a representação de uma mulher fragmentada através de três personagens e três décadas distintas, vão tecendo as teias, que se entrelaçam pela história, e pela intertextualidade dos textos escritos e vividos.
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Ana Cláudia Félix Gualberto - UFSC
Processos de subjetivação na escrita de Hilda Hilst e Nélida Piñon
A artista plástica, Clódia, personagem da narrativa Contos d’escárnio: textos grotescos (1990), de Hilda Hilst, após retratar, em um espaço público, a genitália de um mendigo é tida como louca e conduzida até um hospício. Neste ambiente hostil, ela irá se valer da escrita como um dos possíveis processos de subjetivação. Em Vozes do deserto (2005), de Nélida Piñon, a protagonista Scherezade atravessa mil e uma noites contando histórias ao Califa, poupando, assim, a própria vida e a de mil e uma donzelas. A palavra narrada por Scherezade é, neste contexto, uma maneira de enfrentar a opressão e a morte. Desta forma, estabelecer uma relação entre estas duas narrativas de autoria feminina observando, sob uma perspectiva de gênero, os processos de subjetivação ocorridos a partir da escrita e do ato de narrar é o objetivo desta comunicação.     
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Aparecida Fonseca Moraes - UFRJ
Políticas de atendimento a vítimas de violência: novas problemáticas nos estudos de gênero
Os estudos de gênero chamam atenção para a importância do tema violência na agenda dos direitos sexuais, nas mobilizações feministas e na produção de políticas destinadas a atender mulheres vitimadas em várias partes do mundo. As experiências de instituições criadas sob a inspiração de valores que defendem os ‘direitos das mulheres’ têm mostrado, no entanto, que são tensas as articulações entre o plano racional, no qual são introduzidas as noções de ‘direitos’, e o horizonte moral da sociedade brasileira. O estudo aborda a complexidade da recepção local da agenda dos direitos humanos e dos valores universalizantes do feminismo ao comparar os resultados de investigações realizadas em duas instituições do Rio de Janeiro que atendem vítimas de “violência de gênero”.
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Carolina Branco de Castro Ferreira - Universidade de Londrina
Mulheres e política: trajetórias de mulheres HIV+ no movimento político de HIV/AIDS no Estado do Paraná
Este trabalho tem como objetivo apreender, a partir da análise da experiência da doença e da trajetória de vida, as mudanças ocorridas na vida de mulheres HIV+ do Estado do Paraná depois de sua inserção no movimento político de HIV/Aids desse estado. Visa, ainda, entender as motivações que as levaram a se mobilizar e a forma como a perspectiva de gênero na experiência da doença interfere nessas motivações e na sua forma de atuação política. Tendo-se como pressuposto teórico-metodológico a abordagem antropológica da narrativa como forma de interpretação da experiência individual e coletiva, foram realizadas entrevistas em profundidade com 13 mulheres HIV+. Nas narrativas desponta, como categoria privilegiada de análise, a noção de pessoa, a qual é constituída por três aspectos diferenciados e, ao mesmo tempo, imbricados: a preeminência do todo, e não do indivíduo; a corporalidade; e a participação política. Esses aspectos estão articulados ao gênero, e este, por sua vez, à dimensão política, o que dá contornos específicos ao ativismo dessas mulheres.
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Constantina Ana Guerreiro Lacerda - UFSC
Identidade feminina e participação no legislativo em Goiânia- Goiás
Trata-se da participação das mulheres na política partidária, tendo como objetivo, contribuir para o debate nos partidos e na sociedade civil brasileira. O universo estudado compreende as candidatas eleitas para o Legislativo em Goiânia, Goiás, em 2004. A pesquisa trabalha com análise do discurso de apresentação das candidatas e com material de propaganda política impressa.Discute a questão da identidade, da paridade política e empoderamento das mulheres, à luz da perspectiva feminista. Desse modo investiga a relação de poder entre “novos atores políticos e os atores já estabelecidos”.    
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Emma Cademartori Siliprandi - UnB
Mulheres e ambiente nos eventos internacionais
Este artigo trata de como o sujeito político “mulheres” aparece na cena ambiental, procurando entender como se deu a construção dos seus discursos em períodos específicos no Brasil. Será feito um mapeamento de como apareceram as questões das mulheres na discussão política da ecologia, a partir dos discursos tanto de ecologistas como de feministas. Serão utilizados, para isso, dois marcos históricos, a Conferência Mundial Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio, 1992) e a IV Conferência Mundial da Mulher (Beijing, 1995). Serão discutidos mais detidamente a concepção teórica dos movimentos acerca do papel de homens e mulheres na construção de um novo paradigma de interação da humanidade com a natureza; e o debate sobre a questão populacional e o meio ambiente, enfocando a forma como o feminismo vem reagindo às políticas de controle populacional.          
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Jailma dos Santos Pedreira - UNEB
O retorno do sujeito: entre a critica literária, cultural e feminista
Trata-se de uma discussão sobre os modos de percepção e encenação do sujeito (crítico) feminino no campo da crítica literária cultural feminista. Se o retorno em diferença do sujeito, devemos, em certo sentido, ao questionamento de uma crítica feminista junto à identidade estável e racional fincada numa neutralidade-universalidade científica, como essa própria crítica feminista, então literária, tem lidado com as representações, (des)construções de sujeitos femininos? Como tem lidado com uma interseção entre texto e vida apontando para a construção cultural. ? É possível afirmar a vontade de fixação de um lugar para o sujeito, para a linguagem e representação? Que perspectivas visualizamos nesse processo e como são encenados os sujeitos e suas demandas?
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Karla Galvão Adrião - UFSC
Feminismos e feministas: olhares e reflexões sobre o campo no Brasil pós 10º encontro feminista Latino-Americano e do Caribe 
Este trabalho coloca-se na área de estudos sobre Feminismo no Brasil, numa perspectiva interdisciplinar em Ciências Humanas. O foco da reflexão é o Décimo Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em outubro de 2005, em Serra Negra - SP, tomado como momento paradigmático do campo feminista no Brasil. Através da realização de uma etnografia deste encontro procura-se analisar o estado da arte no feminismo, visto que o décimo encontro apresenta-se como espaço emblemático das tensões atuais que ocorrem no espaço feminista Brasileiro.A análise será direcionada a partir das reflexões sobre quem é o sujeito político do feminismo, tomando a discussão através de dois espaços: o do movimento e o do campo dos estudos feministas.
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Katiusce Faccin Perufo
UFSM: corpo docente feminino, representatividade masculina?
A partir da categoria gênero encontraram-se respostas para a compreensão do resultado eleitoral nas Eleições para Reitor/2005 da Universidade Federal de Santa Maria. Em 45 anos, pela primeira vez, uma mulher candidata-se à Reitoria. O objetivo principal foi desentranhar como agiu a questão de gênero no processo e nos resultados eleitorais. Analisando especificamente a chapa da candidata feminina, verificou-se que a questão de gênero foi revogada por parte da candidatura. Foi possível avançar a hipótese de que uma exploração mais a fundo e eficiente da questão de gênero, tanto no programa quanto na campanha da candidata favoreceria seu desempenho eleitoral. Os dados permitem afirmar que na UFSM, as mulheres encontram-se no lento caminho do poder, fazendo-se necessário socializar estas informações e reflexões referentes à temática mulher e poder.          
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Letícia Rios Garcia
A participação das mulheres no Legislativo Federal
O trabalho é um estudo sobre a participação política da mulher, na esfera legislativa brasileira. Faz-se uma análise do movimento sufragista, que eclodiu na Revolução Francesa, e teve repercussão no Brasil; e dos movimentos feministas na luta pela conquistas dos direitos das mulheres, visando eliminar as desigualdades, removendo os obstáculos à efetiva participação das mulheres em todas as esferas de decisão principalmente no campo político-eleitoral. Aborda-se a importância da lei de cotas por sexo, implantada como medida para incentivar as candidaturas femininas e reduzir as desigualdades de gênero na esfera política. Por específico, analisa-se a trajetória política das mulheres no Senado Federal e na Câmara Federal demonstrando a contribuição das parlamentares que apresentaram ao longo dos tempos diversos projetos pautados nas questões femininas e de bem estar-social.       
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Ligia Ribeiro e Silva Gomes - UFSC
Sujeito e constituição de subjetividades: possibilidades nas práticas corporais
Toma-se a corporeidade como eixo principal das reflexões deste trabalho, interconectando-a às questões da produção de subjetividades, visto que as manifestações corporais estão impregnadas de significados dependentes das possibilidades de expressão de um sujeito. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar práticas corporais nas aulas de Educação Física em uma escola pública na cidade de Florianópolis com alunos de segundo grau do ensino fundamental, através de entrevistas e observações. Com isto, busca-se compreender como essa disciplina participa do processo de constituição de corpos e subjetividades, tendo como eixo de análise a categoria gênero. Dessa forma, pretende-se analisar as possíveis mudanças das concepções sobre o corpo desde uma perspectiva de gênero, de forma a contribuir para o debate intelectual sobre a constituição de sujeitos sociais.
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Maira Luisa Gonçalves de Abreu
Feminismo no exílio: o círculo de mulheres brasileiras em Paris
Este trabalho procura reconstruir a trajetória de uma organização feminista formada por mulheres brasileiras exiladas na França durante a ditadura militar brasileira, o Círculo de Mulheres Brasileiras em Paris (1976-1979). Esse grupo estava entre as mais bem estruturadas organizações de brasileiros exilados na França e constituiu-se na mais importante experiência feminista de exiladas brasileiras. Contribuiu para introduzir reflexões colocadas pelo movimento feminista na comunidade exilada brasileira e nas organizações políticas nela representadas. O trabalho aborda, dentre outras questões, o modo de funcionamento do grupo, o perfil político e ideológico de suas militantes, a concepção de feminismo e os principais temas de debate do grupo. Foram entrevistadas nove mulheres exiladas (oito delas militantes do grupo) e utilizados os documentos do grupo arquivados no Centro Informação Mulher (CIM).
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Maria Celia Orlato Selem - UnB
Quem é essa mulher? Lugares e sujeitos do feminismo
A presente comunicação tem como objetivo pensar o sujeito mulheres a partir da problematização dos discursos sobre o humano que fundam a dicotomia masculino e feminino como categorias estanques. As identidades seriam máscaras e as certezas sobre os sujeitos seriam fragilizadas pelo pensamento da diferença, que não aceitaria nada naturalizante. As atuações e teorizações das mulheres em diferentes contextos sugere diversidade de significações da opressão. As reivindicações dos movimentos de lésbicas e o lugar das produções acadêmicas sobre lesbianidade, por exemplo, traduzem novas perspectivas de desestabilização do sujeito hegemônico. Trazer os movimentos de lésbicas para o status de objeto seria mais uma estratégica política na explicitação de outros sujeitos em outras subjetividades.
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Maria Lúcia Lopes de Oliveira
Feminismo e gênero: no cotidiano das mulheres trabalhadoras rurais do semi-árido paraibano
O presente trabalho se propõe a refletir sobre a proposta de intervenção político-pedagógica da Cunhã - Coletivo Feminista no cotidiano das mulheres trabalhadoras rurais do semi-árido paraibano, no enfoque de gênero e desenvolvimento humano sustentável. Esse objetiva identificar os elementos teórico-metodológicos e epistemológicos que fundamentam a ação política da Cunhã tomando como referencia os princípios que embasam a prática feminista; refletir sobre o enfoque de gênero e a abordagem feminista adotadas por este sujeito social e identificar se esse tem contribuído para mudanças nas relações de gênero expressas no cotidiano do trabalho produtivo e reprodutivo das mulheres, bem como para o empoderamento pessoal e coletivo das mesmas. Essa reflexão faz parte da pesquisa de mestrado em educação da UFPB, em andamento e tomarei como marco teórico estudiosas(os) do campo do feminismo e do marxismo.
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Marlise Matos - UFMG
Mecanismos de inclusão de mulheres no poder: a “corrida de obstáculos ” e a experiências das cotas partidárias para mulheres no Brasil
O presente trabalho tematiza o recrutamento político, as carreiras e o comportamento legislativo de mulheres, numa comparação entre a ALMG e a Câmara de Deputados. Nesta parte do trabalho pretende-se apresentar resultados preliminares de análise realizada através da construção de dois modelos de regressão logística (o primeiro incluindo candidatos homens e mulheres; o segundo de candidaturas femininas), de alguns determinantes da elegibilidade à Câmara de Deputados: o sexo (feminino – ser uma candidata), a filiação a partidos de esquerda, centro e de direita; para os pleitos de 1990, 1994, 1998 e 2002. Também pretende-se mensurar a existência (ou não) de efeito estatisticamente significativo da adoção das cotas partidárias, a partir do ano de 1995, numa comparação entre os dois pleitos anteriores (1990 e 1994) com os subsequentes à adoção das cotas (1998 e 2002).
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Myriam Aldana Vargas
Aborto legal: embate político entre igreja católica e movimento feminista
Historicamente,quem coloca em cena a problemática do aborto é o movimento feminista que encontra sempre como maior opositor a igreja católica. O enfrentamento entre atores sociais que lutam pela atribuição dos significados aos direitos sexuais e direitos reprodutivos no cenário político nacional, construindo nessas disputas as próprias noções sobre tais direitos. Quando um assunto polemico, como o aborto, chega ao congresso nacional  e é colocado na pauta das comissões em que este é debatido, entram em ação alternativas políticas nas quais o voto não é o mais significativo. O que pesa mais são os jogos de interesses dos atores envolvidos, cuja força perpassa pelos ‘corredores’ do congresso nacional, pelas influencias junto aos presidentes das comissões e pelo lobby da sociedade civil organizada que se mobiliza para respaldar ou rejeitar esses projetos. Neste sentido, será apresentado o advocacy desenvolvido pelo movimento feminista que representa um aprendizagem e um processo de empoderamento das mulheres.         
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Núbia Regina Moreira - UNICAMP/UESB
Representação e identidade no feminismo negro brasileiro
Localizado nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo o feminismo negro brasileiro aqui definido tem a sua emergência no fim da década de 80, e o seu desenrolar ao longo das décadas subseqüentes. Proveniente do feminismo histórico - de mulher brancas, intelectualizadas e de classe média - as ativistas negras vão segundo nossa pesquisa, percorrer dois caminhos que estão intimamente imbricados, a saber: 1) ao romper com o discurso da universalidade do sujeito abstrato - mulher - como identidade única para o feminino constroem para si, uma identidade singular que incorre na 2) construção de uma universalidade abstrata do ser mulher negra, repetindo assim, a lógica discursiva do ser feminino universal, antes criticada.
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Sheila Priscila Makoski-Lombardi, Jefferson A. R. Staduto, Yonissa M. Wadi
Mulheres que plantam, mulheres que colhem: o núcleo de mulheres da CRABI
Este trabalho narra a trajetória de um grupo de mulheres que se organizou a fim de obterem visibilidade nas lutas encampadas pela Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu – Crabi/PR. A Crabi surgiu como comissão, tendo como principal bandeira, a luta pela permanência nas terras que seriam atingidas com a construção da Barragem de Salto Caxias. Desta forma, a Crabi se constitui num movimento social e, a formação do núcleo de mulheres, um movimento social inserido na Crabi. O trabalho tem como objetivo compreender em que medida a participação das mulheres na organização e direção de um movimento social, contribui para a alteração das relações de gênero, tradicionalmente existentes no campo, bem como na divisão sexual do trabalho, na estrutura familiar e na definição das atividades principais de produção.
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Siomara Aparecida Marques
Teorias da igualdade e a análise de práticas políticas de ONGs no campo jurídico
O presente trabalho consiste numa análise do ativismo feminista que compreende a prática de organizações não-governamentais que militam pelo reconhecimento da igualdade no campo jurídico, tais como a Themis (Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero) e a ABMCJ (Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica). Busca-se nessa análise enfatizar as estratégias políticas das organizações para realizarem na prática a isonomia constitucional – “todos são iguais perante a lei”. O conceito de igualdade aqui trabalhado não remete apenas a pensar a dicotomia igualdade x diferença, tema central do pensamento feminista que exprime uma de suas utopias, mas a pensar a relação identidade x diferença.
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Sônia Weidner Maluf
Políticas e teorias do sujeito no feminismo contemporâneo
As temáticas do sujeito e da subjetividade têm marcado as discussões no campo feminista nos últimos anos – incluindo aí o debate teórico nos estudos feministas e as discussões sobre o(s) lugar(es) político(s) do sujeito no ativismo feminista. O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre esse tema a partir de algumas questões específicas trazidas tanto pela discussão teórica quanto pelos debates no interior de diferentes fóruns feministas (priorizando neste trabalho o 10º. Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe): as novas identidades políticas no interior do feminismo e o questionamento da categoria “mulher” como o lugar político qualificado do discurso feminista; a diferença como o lugar da legitimidade política, e a “etnicização” do feminismo (“jovens feministas”, “transgêneros”); a relação entre experiência e conhecimento e ativismo e academia, entre outras.
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Telma Gurgel da Silva
Questões de autonomia para a práxis feminista
O feminismo na América Latina tem se confrontado com um conjunto de desafios que transitam no interior de um trinômio: autonomia, financiamento e representatividade. No enfrentamento a esses desafios o movimento enfrenta dilemas e questionamentos históricos que o impulsiona a uma permanente reflexão, crítica sobre seu agir, principalmente, com relação ao Estado. Este texto procura refletir o dilema da autonomia. Procuramos com a análise das noções de autonomia elaboradas e refletidas pelos diversos campos do feminismo nos Encontros Feminista Latino-Americano,na última década, identificarmos os tensionamentos ao processo de acercamento ao Estado e a conseqüente representatividade política do movimento e os pontos de interesses comuns que possibilitem espaços de construção coletiva da proposta do feminismo como um sujeito coletivo total.
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