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ST07 A - Gênero e sexualidade nas práticas escolares

Coordenadoras:     Paula Regina Costa Ribeiro (FURG)
                               Cristiani Bereta da Silva (UDESC)
                               Guiomar Freitas Soares (FURG)

Resumo

Este Simpósio pretende oportunizar espaços de discussões e reflexões relativas as questões de gênero e sexualidade nas práticas escolares na Educação Básica pensadas, aqui, como construções culturais, sociais e políticas. Nossos estudos estão fundamentados em posicionamentos que utilizam o conceito de gênero como uma construção sócio-histórica das distinções/diferenciações baseadas no sexo. O que vale dizer que a masculinidade e a feminilidade, ao contrário do que algumas correntes defendem, não são constituídas propriamente pelas características biológicas, mas são o produto de tudo o que se diz ou se representa dessas características. Isso não significa uma negação da biologia dos corpos, mas tomar em consideração as construções culturais historicamente produzidas a partir das características de natureza biológica dos corpos, neste caso em relação às características dos sexos. Portanto, o nosso agir, como homens e mulheres, encontra-se implicado no processo de socialização em que fomos e estamos inseridos. Os gêneros se fazem e se refazem, continuamente, ao longo da existência. A escola, enquanto espaço de práticas pedagógicas constituidoras de mecanismos que criam e recriam formas diversas de relações de poder, precisa debater sobre relações de gênero e sexualidade. Acreditamos que é urgente a necessidade de estudos e reflexões sobre estes temas, sobretudo  calcados no princípio de que os corpos são significados na e pela cultura, e por ela continuamente ressignificados e que a escola constitui-se com uma dimensão importante dessas produções.


Trabalhos

Adriana Dora da Fonseca, Maria de Lourdes de Souza
A concepção e a vivência de sexualidade e gênero entre jovens do ensino médio de uma escola
pública

Trata-se de um estudo qualitativo com objetivo de compreender a concepção de sexualidade e o modo de vivê-la de jovens de uma escola pública de ensino médio, do Rio Grande/RS. Como referencial teórico integram pressupostos de Simone de Beauvoir. Aplicou-se entrevistas gravadas a 58 jovens. Apreendeu-se que para a maioria sexualidade é a relação entre pessoas, do mesmo sexo ou não, pode envolver sentimento, pode estar associada às praticas sexuais. O modo de viver a sexualidade revelou que a educação sexual foi praticamente ausente, com omissão da família e da escola. Desvelou-se ainda que os valores patriarcais alicerçaram o processo de viver desses jovens, @s quais reproduzem desigualdades, tabus, preconceitos, estereótipos e restrições, sendo as mulheres as mais prejudicadas.
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Alejandro Marcelo Villa - GCBA
Intersecciones y articulaciones entre sexualidad, relaciones de género y de generación en las concepciones y prácticas de adultos en la educación media
Se presentan resultados de un estudio realizado con metodología cualitativa, con profesores y profesionales de salud y educación del GCBA. Los objetivos fueron conocer las concepciones de los profesionales de salud y educación para abordar las problemáticas de salud reproductiva y sexualidad de las/os adolescentes, así como explorar y describir los abordajes institucionales sobre la temática que realizan los mismos. Se proponen dos discusiones: 1) Existe una heterogeneidad de concepciones y prácticas sobre adolescencia, sexualidad y reproducción en profesores/as y profesionales del sector educación y salud que trabaja en las Escuelas Medias. 2) El impacto de la sexualidades y la reproducción de los/as adolescentes en profesionales y docentes está vinculado a varias dimensiones diferentes.
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Ana de Medeiros Arnt, Nádia Geisa Silveira de Souza - FACED/UFRGS
Encenando mulheres e homens nas práticas escolares
Neste artigo, busco problematizar a naturalização dos posicionamentos de homens e mulheres e da família tradicional em nossa sociedade, tendo como ponto de partida uma aula observada, durante meu projeto de Mestrado, numa turma de Ensino Médio de uma escola estadual da cidade de Porto Alegre. Nessa aula, os estudantes realizaram uma encenação de um julgamento, em que a mãe pedia autorização na justiça para a interrupção da sua gravidez. Na trama, os alunos deveriam “montar” as histórias dos personagens (ré, testemunhas de acusação e de defesa), justificando, defendendo ou não a concessão do aborto. Nessa encenação, os homens e as mulhers foram posicionados como pais, mães, trabalhadores, experts, entre outros, ocupando papéis naturalizados como femininos e masculinos em nossa sociedade, sem que essas questões fossem discutidas posteriormente. 
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Anita Leocádia Pereira dos Santos - UFPB
Questões de gênero e ludicidade na escola
Este trabalho faz parte da pesquisa intitulada O cotidiano da escola: desvelando sutilezas e implicações nas relações de gênero, realizada junto à escola Pública Municipal e incluída no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPB. Compreendemos as questões de gênero como construções culturais, e a escola, como espaço de reflexão e ação político-pedagógica, que deve estar comprometida com a transformação da sociedade delineada culturalmente, uma vez que as representações sociais assim são construídas. Sendo assim, como recorte dessa discussão, nosso objetivo é analisar as relações de gênero no universo infantil ocorridas durante os momentos do recreio escolar, apoiadas na teoria da dominação simbólica de Bourdieu (1989,1988) e nos estudos de Rodrigues (2003).
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Anna Cláudia Eutrópio Batista - PUC/MG
Repensando o papel da escola na educação para a equidade de gênero 
A escola é uma instituição social de reprodução de sentidos e de construção de sujeitos. Nesse contexto tão específico, pergunta-se o que é possível ser feito para a revisão de valores e posturas que reforçam a desigualdade de gênero. O presente trabalho pretende lançar luz a experiência realizada com 350 adolescentes em uma escola particular de Belo Horizonte em que os jovens discutiram suas concepções e atitudes em relação a vários temas, entre eles, gênero. Percebeu-se que os discursos dos jovens apresentaram um caráter a-histórico, reforçando estereótipos nas relações entre homens e mulheres, reforçando explicações naturalizantes de relações desiguais e entrecortadas pelo poder. Diante disso, faz-se necessário problematizar a questão e repensar o papel da escola na formação dos jovens.
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Ari José Sartori - UFSC
Gênero na educação – é um espaço para a diversidade?
Com esta indagação pretendo socializar, debater, problematizar e refletir como as questões que envolvem gênero, educação, sexualidade e violência estão sendo trabalhadas no Projeto “Gênero na Educação”, desenvolvido pela ONG GENUS. O objetivo principal do projeto é contribuir na formação continuada dos/as professores/as que atuam na educação infantil e nas séries iniciais. Utilizou-se a metodologia de oficinas como atividade central. O objetivo das oficinas foi possibilitar aos participantes a oportunidade de problematizar situações referentes às questões de gênero inseridas no cotidiano escolar. Procurou-se assim valorizar o conhecimento e a experiência de vida dos/as participantes, a partir de técnicas e recursos pedagógicos envolvendo arte e diferentes linguagens corporais. Para subsidiar as atividades utilizou-se materiais de apoio especialmente produzidos para as oficinas – um vídeo e um livro pedagógico-, como facilitadores para trabalhar estas questões relacionadas à educação e a infância. 
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Branca Esler de Souza Soares, Paula Regina Costa Ribeiro - FURG
Gênero: uma questão de reprodução cultural, no espaço escolar
Este trabalho vem possibilitar o relato de algumas questões relacionadas a construção da identidade de gênero das crianças de uma turma de Primeira Série dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e, portanto, tem por objetivo problematizar, discutir e refletir sobre as formas como são normatizados os comportamentos das crianças, identificando atitudes femininas e masculinas, diferenciando-as e promovendo a padronização esperada culturalmente. Tendo como ponto de partida, que as crianças da turma observada tinham a média de idade de sete anos, é possível notar que a necessidade de se estipular regras de comportamentos distintas acontece para que se possa operar na construção da identidade de gênero destas crianças, assim repassando as práticas educacionais que nos foram ensinadas e reafirmando as diferenças entre o masculino e o feminino.  
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Cristiani Bereta da Silva - UDESC
Relações de gênero e sexualidade nos livros didáticos de história
O exercício proposto neste trabalho é parte da pesquisa - “O ensino de História e a escolarização de diferenças e desigualdades de gênero no espaço escolar” – desenvolvida no grupo de pesquisa: Relações de Gênero e Família, Centro de Ciências da Educação, UDESC. Esta pesquisa, ainda em andamento, busca investigar o “como em escolarização”, ou seja, como a escolarização produz desigualdades, diferenças de classe, etnia, gênero, entre outras. As disciplinas escolares fazem parte dos processos de criações e recriações de formas de funcionamento desses mecanismos, a partir de textos e imagens veiculados em livros didáticos, procedimentos teóricos e metodológicos, organização e escolha de conteúdos e atividades, critérios de avaliação, etc. Partindo desse pressuposto, este trabalho busca investigar, a partir de textos e imagens presentes nos livros didáticos de História, os discursos sobre as relações de gênero e sexualidade numa tentativa de perceber de que forma os livros didáticos de História contribuem para a escolarização de diferenças e desigualdades sexuais e de gênero no espaço escolar.
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Eduardo Quintana - UERJ
Vulnerabilidades negativas e visibilidades positivas: a gravidez na adolescência e sua relação com a escola pública
No Brasil, aumento da gravidez na adolescência ou fecundidade precoce vem preocupando os profissionais da educação, pois uma vez grávida, a aluna adolescente terá pela frente problemas de solução nem sempre satisfatórios, sendo o abandono da escola um dos seus efeitos mais perversos. Este fenômeno, que não é recente, atinge jovens de todas as classes sociais, porém repercute mais intensamente nos grupos de menor renda - as estatísticas oficiais revelam que as taxas de fecundidade em adolescentes residentes em bairros com baixos índices de IDH são maiores. O que no entendimento da pesquisa se configura na perpetuação do ciclo da pobreza (vulnerabilidades sociais e educacionais) desses jovens. Nesta perspectiva, o artigo em questão tem por objetivo fornecer subsídios para o campo de estudos sobre tema, bem como para elaboração de estratégias de intervenções mais qualificadas no cotidiano escolar. 
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Eliza Henriques Martins - UFF
Homossexualidade e educação: antigos olhares, novas visões
A evasão escolar, apesar de em queda, ainda é um problema atual e tem conseqüências direta em questões sociais e econômicas; muitas delas já amplamente discutidas. No entanto, um ponto que apesar de relevante, não tem sido abordado diz respeito à discriminação que sofrem muitos(as) alunos(as) homossexuais. Tem-se observado que, muitas das travestis que chegam ao mercado informal de trabalho ou à prostituição, tiveram este como única alternativa e possibilidade de "enquadramento" social. Tal processo ocorre devido à impossibilidade de concluírem seus estudos, pois são "expulsas" da escola em decorrência muitas vezes de ataques vexatórios por parte de colegas de turma e também de professores. Neste contexto, há uma necessidade crescente de alargar esta discussão a fim de tornar a escola um espaço de inclusão e não de exclusão, onde as diferenças sejam respeitadas e os preconceitos dizimados. 
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Eloiza Oliveira, Márcio Caetano, Mary Rangel - UERJ
Identidade sexual: uma diversidade a ser considerada na escola e na sociedade
Este estudo é recorrente ao estilo de ensaio, desenvolvendo-se, portanto, através de análises fundamentadas e argumentação que, com um modo mais livre e aberto de encaminhamento, problematizam algumas questões relativas à identidade de gênero e sua compreensão. Assim, desenvolveram-se, de modo fundamentado, reflexões necessárias, num momento em que os parâmetros curriculares nacionais enfatizam o acolhimento à pluralidade e o respeito às diferenças. Observa-se, então, que ainda persistem visões estreitas e os que não se enquadram em parâmetros de “normalidade” sofrem e introjetam, pelas representações sociais de suas diferenças, estigmas que os discriminam. Quando se trata de identidade de gênero na sociedade e na escola, é necessário, portanto, que se amplie o alcance da visão e se reduza o preconceito.  
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Érica Renata de Souza - PUC/Campinas
Gênero, orientação sexual e pluralidade cultural: repensando os PCNs e o trabalho docente
A “orientação sexual” e a “pluralidade cultural” são apresentadas como temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais, abrindo espaço para que o caráter de construção social da sexualidade seja contemplado. Considerando que os eixos norteadores dos programas de orientação sexual englobam o corpo como matriz da sexualidade e as relações de gênero, uma ampla discussão pode ser desenvolvida por parte de teóricos e professores. Se analisarmos estes conceitos à luz das teorias feministas, que criticam a matriz heterossexual como um esquema de reprodução de estereótipos que associam gênero e sexualidade num modelo único e socialmente aceito, podemos desconstruir, com nossos alunos, o que até agora conhecem como “verdades” sobre as sexualidades, mostrando-lhes a escola como um espaço democrático e de respeito às diferenças. 
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Fernando Leocino da Silva - UFSC
Construindo uma nova masculinidade: a cultura escolar do ginásio diocesano na educação secundária da Serra Catarinense
O estabelecimento de uma escola de ensino secundária masculina em Lages (SC) nos anos de 1930 é marcado por um contexto ligado à decadência econômica das grandes fazendas do planalto catarinense. Neste cenário, o Ginásio Diocesano, é configurado como espaço de legitimação das famílias abastadas da serra e, tinha na construção do “capital social” e “cultural” do aluno um compromisso com a educação do “habitus” masculino burguês de lançar sólidas bases para a constituição do homem de “distinção” para o espaço público. Este trabalho tem como objetivo analisar a cultura escolar empreendida por esta escola religiosa no intuito de naturalizar uma masculinidade a partir da seleção e organização das atividades escolares e de sua relação com o corpo social discente. Para isto tem-se a ajuda das pesquisas de Pierre Bourdieu, Dominique Julia, André Petitat, Ivon Goodson, entre outros. 
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Gisele Maria Costa Souza - UFRJ
As relações de gênero e atividades lúdicas no contexto escolar em Lisboa
Este trabalho é parte da tese de doutorado em Motricidade Infantil na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa defendida em 2006. No presente seminário, o objetivo é discutir a diferença e semelhança de estereótipo de gênero percebida por crianças de 5 a 7 anos nos jogos livres de área externa e nas atividades internas de sala de aula em escolas de Lisboa. O instrumento utilizado para essa análise foi baseado no Physical Activity Stereotyping Index (Ignico, 1989). Pode-se salientar que, em relação às atividades na área externa, há uma tendência para o estereótipo masculino e, nas atividades internas, predomina uma igualdade, ou seja, as atividades são percebidas como apropriadas tanto ao gênero masculino quanto ao gênero feminino. 
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Guiomar Freitas Soares, Paula Regina da Costa Ribeiro - FURG
A produção de significados de gênero: um estudo com acadêmicas de licenciatura
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Ivanilsa de Oliveira Silva, Vera Helena Ferraz de Siqueira - UFRJ
Sexualidade, gravidez e gênero: construção identitária em uma escola pública
Partindo do pressuposto de que as identidades de gênero e sexualidade são construídas histórica e culturalmente, portanto flexíveis, e que a escola constitui uma instância crucial para sua construção, temos por objeto de análise as mediações feitas pelos/as docentes na construção identitária de alunos/as no que concerne à questão de sexualidade, gravidez e gênero. O contexto do estudo será a Escola Estadual Presidente Dutra, em Seropédica-RJ, caracterizada por alta incidência de gravidez em adolescentes. Coerentemente com o objeto de estudo utilizaremos uma abordagem qualitativa, fazendo uso de observações e entrevistas semi-estruturadas. Acreditamos que o trabalho contribuirá para a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN na escola, no que diz respeito à educação sexual. 
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Jane Felipe de Souza - UFRGS
Representações de amor romântico: implicações para a educação sexual na escola
O presente trabalho, a partir da abordagem teórica dos Estudos Feministas e dos Estudos Culturais, numa perspectiva pós-estruturalista de análise, pretende discutir as representações de amor romântico e suas interfaces na construção de gênero e da sexualidade. O modo como os sujeitos escolhem suas parcerias afetivo-sexuais, as conjugalidades estabelecidas a partir de então, bem como os comportamentos daí advindos – sentimentos de posse, ciúme, pactos de fidelidade, concepções de amor eterno, etc - merecem ser examinados com atenção, pois envolvem questões históricas e culturais, nem sempre percebidas como tais. Especialmente após o advento da AIDS, a sexualidade nas escolas tem sido discutida quase sempre pelo viés do medo – da doença, da morte - e de um certo pânico moral, cujo principal objetivo é a prevenção. 
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João Sérgio M. Salgado, Maria Helena Fávero - UnB
Professores e professoras da minha vida: as representações sociais de gênero do magistério
Este trabalho se insere na linha de pesquisa que estuda a construção do gênero articulando aspectos subjetivos, desenvolvimentais e cognitivos dos processos semióticos com o seu fundamento histórico, institucional e ideológico. Foi proposta a questão – “Na sua vida escolar, entre professores e professoras, qual ou quais lhe marcaram mais, eles ou elas? Porque?” – a 25 universitários, a 18 professores do ensino fundamental e a 29 pais de alunos. A análise das respostas mostra que 63,6% dos universitários e 28,5% das universitárias, 78,5% das professoras e 50% dos professores, 66,6% das mães e 40% dos pais, apontaram as professoras, justificando pelas características femininas: carinhosa, compreensiva, maternal. A justificativa para apontar o professor relaciona-se às características masculinas: competência, organização, dinamismo, autoridade. 
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Joice Araújo Esperança, Cleuza M. S. Dias
Interações entre as culturas de infância e a cultura da mídia no espaço escolar: desenhos animados e seriados infantis ensinando papéis de gênero
Este estudo versa sobre os resultados preliminares de uma investigação interessada em compreender as interações entre as culturas de infância e a cultura da mídia no espaço escolar. A proposta seguiu a abordagem qualitativa de pesquisa. Na primeira etapa do estudo foram realizadas observações em uma classe de alfabetização. A análise dos dados permitiu refletir acerca da apropriação dos temas de desenhos animados nas brincadeiras. As diferenças marcantes entre as brincadeiras de meninas e de meninos, inspiradas nos conteúdos dos desenhos animados mostram o quanto essas produções apresentam uma tendência sexista, com papéis de gênero bem delimitados. Assim, do mesmo modo que os desenhos animados reforçam estereótipos acerca das meninas e de seus papéis, também fornecem elementos para meninos construírem noções sobre masculinidade.
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Leonice de Lima Mançur Lins
A construção de identidades pela educação: o colégio santíssimo sacramento em alagoinhas-ba (1940-1960)

Esta pesquisa tem como objeto de estudo uma escola religiosa e voltada para o público feminino, o Colégio Santíssimo Sacramento (C.SS.S.), no período de 1940 a 1960, onde buscamos perceber como as alunas, a partir da formação que recebiam, interiorizavam valores e normas morais, absorviam os papéis sociais historicamente destinados ao sexo feminino – dona-de-casa, esposa e mãe – enfim, como através da educação recebida as alunas construíam sua identidade de gênero e se colocavam no mundo tendo como parâmetro o seu sexo. A educação ministrada no C.SS.S. estava em perfeita sintonia com o ser feminino historicamente construído, ou seja, com o que era comumente esperado da mulher das classes média e alta, segundo o modelo estabelecido pela sociedade até então. Os ensinamentos ali transmitidos eram apropriados e voltados à formação da mulher, aos modelos e comportamentos que deveriam seguir, enfim a aluna formada pelo C.SS.S. personificava um modelo de mulher da época: cristã, instruída, resguardada, apta a desempenhar os papéis de esposa, dona-de-casa e mãe, e também o de professora primária.
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Ligia Tureck Melo
O colégio de educação familiar do Paraná: educação e representação da mulher no ensino feminino de 1958 a 1969
Este trabalho, apresentado ao Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal do Paraná, tem por objetivo analisar a educação desenvolvida pelo Colégio de Educação Familiar do Paraná, estabelecimento destinado à formação de moças da sociedade curitibana. Pretende-se compreender a educação desenvolvida por este centro de formação feminina, investigando-se a formação profissional e o cotidiano de uma ação pedagógica que atendia aos discursos da época (décadas de 1950 e 1960) quanto ao papel feminino. Através de uma proposta de ensino caracterizada pela prática de prendas domésticas e da formação de professoras (magistério), este colégio foi um importante centro de formação feminina e marco da sociedade curitibana em sua época. Será analisado, em relação à proposta pedagógica, o tipo de mulher que deveria ser formado por esta instituição.
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Marcelo de Moraes e Silva - UFPR
A homossexualidade no ensino fundamental: entre a heteronormatividade e o “politicamente correto”
A Diretriz Curricular de Educação Física, no município de Araucária - PR, focaliza como eixo central os diversos aspectos que compõem a corporalidade do sujeito. Nesse sentido, apresento os primeiros resultados obtidos sobre a temática da sexualidade, especificamente as representações dos (as) alunos (as) sobre a homossexualidade. Partindo da idéia de que a escola é um lócus central na constituição das identidades detectei a presença de variadas práticas discursivas sobre a temática, desde atitudes fortemente marcadas pela heteronormatividade até as consideradas “politicamente corretas”. Desta forma, acredito ser central para a Educação Física discutir o corpo, a sexualidade e suas diversas formas de expressão para que a escola possa ser um espaço não de reprodução de esteriótipos e sim de produção de novas subjetividades.
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Márcia Regina Xavier Marques, Paula Regina Costa Ribeiro - UFRGS/FURG
Representações de corpos femininos e masculinos nos livros didáticos dos  anos iniciais do ensino fundamental 
Este trabalho tem como propósito investigar como os corpos masculinos e femininos são representados nos livros didáticos de Ciências dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Neste estudo, entendemos os corpos e os gêneros como produções históricas e culturais, ou seja, eles são significados pelas culturas e continuamente alterados, são históricos e inconstantes, suas necessidades e desejos mudam. Entretanto na análise dos livros percebi que os corpos são assexuados, fragmentados – com vísceras à mostra, sem rosto, sem mãos nem pés, e dissociados do ambiente em que vivem. As meninas são representadas vestindo saias e cabelos arrumados, brincando com bonecas e realizando poucas atividades físicas, enquanto que os meninos são mostrados desempenhando atividades que exigem força, habilidade e esportes radicais.
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Maria de Fátima Salum Moreira - UNESP
Tensões e diferenças na sala de aula: práticas docentes, gênero e sexualidade
O trabalho propõe uma análise sobre as questões que envolvem a sexualidade e as relações de gênero durante o processo de educação escolar de aluno(a)s matriculados entre a quinta e oitava séries do ensino fundamental. Isso é feito a partir da investigação das concepções e das práticas de professore(a)s e aluno(a)s, de uma escola pública, perante as manifestações, pelo(a)s jovens, de atitudes socialmente associadas com a homossexualidade. Assim, problematiza-se como se constituem, se legitimam e/ ou se contestam determinadas significações para as diferenças e desigualdades sexuais e de gênero no âmbito das práticas culturais vivenciadas na escola. A parte inicial do trabalho foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas com professore(a)s e também focadas na observação direta de suas práticas em sala de aula. Analisou-se que são diversas as formas com que se manifestam os preconceitos e se reafirmam modelos fixos e binários de sexualidade e de gênero: o riso provocado pela ridicularização é uma das formas mais utilizadas pelos professores, enquanto algumas professoras o fazem através de atitudes caracterizadas por expressões de cuidado e compaixão. Outras, ainda, ao se depararem com seus próprios receios e dúvidas quanto ao modo de lidar com tais questões, manifestaram interesse em se preparar para abordá-las no trabalho educativo escolar junto aos jovens. '
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Norberto Dallabrida, Leticia Cortellazzi Garcia - UDESC
Colégio Coração de Jesus e Ginásio Catarinense: cotejo de culturas escolares generificadas (1935-1945)
O presente trabalho procura fazer uma análise comparativa das práticas vigentes no ensino secundário do Ginásio Catarinense, exclusivamente masculino, e no Ginásio Feminino do Colégio Coração de Jesus, ambos localizados em Florianópolis (Santa Catarina), entre 1935 e 1945. Trata-se de instituições católicas dirigidas, respectivamente, por padres jesuítas e pelas Irmãs da Divida Providência, e voltadas para adolescentes oriundos das elites regionais. A análise intenta cotejar as culturas escolares dos dois colégios com o intuito de perceber a apropriação generificada do currículo oficial, explorando o recorte e organização das “disciplinas-saber” o processo de regulação escolar. Para tanto, este trabalho se apóia em estudos de Michel Foucault, Julia Varela, Guacira Lopes Louro, Joan Scott e Pierre Bourdieu e utiliza documentos escritos, jornais de circulação local, fontes iconográficas, bem como depoimento de alunas e alunos egressos.
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Patrícia Abel Balestrin - UFRGS
Onde “está” a sexualidade? Algumas representações de sexualidade num curso de formação de professoras
Mesmo que explicitamente não haja uma educação sexual sistematizada nas escolas, parece haver pedagogias da sexualidade atravessando todas as práticas educativas. Estas pedagogias estão diretamente relacionadas ao disciplinamento dos corpos e à regulamentação dos comportamentos. Constantemente se processam mecanismos diversos que, de uma forma ou de outra, “ensinam” modos de viver a sexualidade, os prazeres, os desejos, as vontades. Este trabalho pretende analisar representações de sexualidade que circulam num curso de formação de professoras, abrindo possibilidades para repensarmos as formas como vem se trabalhando, ou não, estas questões na escola. Além disso, tais análises podem nos remeter a ampliar o olhar sobre algumas manifestações que, infelizmente, têm sido freqüentes no meio escolar como a homofobia, o sexismo e a misoginia.
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Patrícia Magri Grannúzio
A questão homossexual e as práticas escolares
Este artigo introduz algumas idéias que são desenvolvidas na pesquisa A Questão Homossexual e suas Repercussões na Instituição Escolar, na qual são investigadas e analisadas as maneiras, segundo a percepção de alunos e ex-alunos, integrantes de comunidades virtuais de discussão, que se dá a construção de identidades dos sujeitos homossexuais na escola brasileira de ensino fundamental e médio e suas relações com as práticas pedagógicas. Os grupos pesquisados são formados por pessoas de várias profissões, faixas etárias e gêneros que discutem virtualmente questões sobre a sexualidade humana. Tendo como referencial teórico a concepção histórico-cultural, a análise dos dados colhidos é feita dando-se ênfase à constituição dos sujeitos, tanto a identidade individual quanto a coletiva, à linguagem e discursos que interagem com finalidades diversas, entre elas a de manter ou contestar os preconceitos e discriminações encontrados na escola. Compreendendo que o papel da linguagem, as interações e mediações sociais, os processos de significação e o jogo simbólico são muito importantes no discurso dos associados dos grupos de discussão virtual, os depoimentos são comentados adotando-se como referências as concepções de Vigotski, Bakhtin e Foucault autores que ensinam que a linguagem e o modo como as palavras circulam em nosso cotidiano revelam fundamentalmente nossas concepções, definem nosso modo de lidar com as pessoas. Aquilo que é dito e o modo que é dito define o lugar de cada um no meio social e não pode ser ignorado nem tratado de modo superficial. Os resultados parciais demonstram que a escola tem uma compreensão distorcida da sexualidade humana e que alunos e ex-alunos esperam da escola pública mais que a transmissão de conteúdos e regras.
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Paulo Henrique de Queiroz Nogueira - UFMG
Jovens generificados no espaço escolar: zoação como um dos vetores das  relações de gênero
Na escola de ensino fundamental, as questões relativas à sexualidade e ao gênero atravessam o cotidiano da sala de aula. Alunos e alunas disputam o controle e modulação do Frame (enquadre) da sala de aula, denominado na fala nativa de zoação. Meninos zoam entre si e das meninas movidos pela heteronormatividade compulsória. Já meninas zoam entre si e dos meninos como uma ação conjugada a esses mesmos estereótipos. Elas, por um lado, recusam as assimetrias; e, por outro lado, alinham suas condutas ao que se imputa ao feminino com o receio de perder a referência no interior das hierarquias de gênero ordenada pela masculinidade hegemônica. É essa confluência tensionada de interesses o objeto de minha tese de doutorado em que investigo as identidades discentes e juvenis em seu interjogo de reconhecimento/recusa do espaço escolar e sua forma. 
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Rita de Cassia Flores Muller, Adriano Beiras, Mara Lago - UFSC
O ter em oposição ao ser: reflexões sobre masculinidade em um grupo de meninos
A gênese de nossa inquietação – materializada aqui em proposta de comunicação – está em cenas vistas e vividas em meio à experiência etnográfica em uma escola da Ilha de Santa Catarina. Os protagonistas destes enredos são meninos de 4 a 6 anos que, falando da grande descoberta freudiana (a das diferenças anatômicas entre os sexos), (re) apropriam-se dos significados disponíveis culturalmente sobre o ser homem. Significados que transcendem a cela biológica da (mínima) diferença (Kehl, 1998) em oposição às produções de corpos que falam sobre maneiras de ser(em) masculino(s). Neste sentido, as reflexões psicanalíticas sobre o representante real do falo (Freud, 1962) encontram ressonâncias na constituição destes sujeitos que, desde cedo, estão falando de modelos de masculinidade no universo pesquisado.
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Valter Cardoso da Silva - UTFPR
Representações de gênero entre estudantes presos
Este trabalho (parte de uma pesquisa de mestrado, junto à UTFPR) tem por objetivo analisar as representações de gênero presentes na educação de presas e presos. O referencial teórico utilizado parte do conceito de gênero como relação de poder que se estabelece histórica e socialmente, se reportando principalmente a Joan Scott. A análise dos resultados da pesquisa apresenta representações de gênero conservadoras, apontando estereótipos dicotomizados para o masculino e o feminino, ou seja, a partir de oposições entre espaço público e espaço privado, instrumentalidade e expressividade, papel do provedor e papel da mãe. Contudo resta a indagação se esta reprodução social acontece de fato, ou se sua afirmação por parte dos estudantes presos não faria parte de um estratégico discurso de resistência. 
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Vera Lucia Pereira Brauner, Guadalupe Haag - PUC/RS E UNISINOS
Corpo, gênero e sexualidade: com a palavra os adolescentes
O presente trabalho se propõe discutir questões sobre corpo, gênero e sexualidade a partir de uma dinâmica realizada com adolescentes de uma escola municipal, na periferia da cidade de São Leopoldo-RS. O objetivo é contribuir com o pensar sobre este tema, no sentido das possibilidades que ele carrega de desvelar as relações homem/mulher vividas pelos meninos e meninas, além de questionarmos qual o papel da escola nesta discussão. A compreensão das narrativas trazidas pelos adolescentes pode permitir acessar às redes de relações sociais estabelecidas e com isto, compreender algumas situações postas como “naturais”, para assim poder intervir na constituição de uma outra racionalidade em relação ao trato com o corpo, gênero e sexualidade.
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