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ST07 B - Gênero e sexualidade nas práticas escolares

Coordenadoras:     Paula Regina Costa Ribeiro (FURG)
                               Cristiani Bereta da Silva (UDESC)
                               Guiomar Freitas Soares (FURG)

Resumo

Este Simpósio pretende oportunizar espaços de discussões e reflexões relativas as questões de gênero e sexualidade nas práticas escolares na Educação Básica pensadas, aqui, como construções culturais, sociais e políticas. Nossos estudos estão fundamentados em posicionamentos que utilizam o conceito de gênero como uma construção sócio-histórica das distinções/diferenciações baseadas no sexo. O que vale dizer que a masculinidade e a feminilidade, ao contrário do que algumas correntes defendem, não são constituídas propriamente pelas características biológicas, mas são o produto de tudo o que se diz ou se representa dessas características. Isso não significa uma negação da biologia dos corpos, mas tomar em consideração as construções culturais historicamente produzidas a partir das características de natureza biológica dos corpos, neste caso em relação às características dos sexos. Portanto, o nosso agir, como homens e mulheres, encontra-se implicado no processo de socialização em que fomos e estamos inseridos. Os gêneros se fazem e se refazem, continuamente, ao longo da existência. A escola, enquanto espaço de práticas pedagógicas constituidoras de mecanismos que criam e recriam formas diversas de relações de poder, precisa debater sobre relações de gênero e sexualidade. Acreditamos que é urgente a necessidade de estudos e reflexões sobre estes temas, sobretudo  calcados no princípio de que os corpos são significados na e pela cultura, e por ela continuamente ressignificados e que a escola constitui-se com uma dimensão importante dessas produções.


Trabalhos

Cecy Maria Martins Marimon Gonçalves - PUCRS
Fazendo docinhos e dividindo o bolo: o feminino na matemática escolar
Este estudo investigou as representações de gênero presentes em alguns livros didáticos de Matemática, distribuídos pelo MEC nos anos de 1999 a 2004 e no planejamento pedagógico de uma professora de escola pública no município de Alegrete/RS, buscando os processos de formação de subjetividades masculinas e femininas. Apóia-se em referencial teórico pós-estruturalista e, ao invés de buscar um “poder invisível” que estereotipa e menospreza, convida a olhar para essas representações como produto da ação humana em sociedade, procurando descobrir como alguns saberes adquiriram esse “status de inquestionáveis”. Ao compreender a heteronormatividade hegemônica que rege a sociedade como produção discursiva, histórica e cultural, problematiza-se a ação das pedagogias escolares e a atuação de professores e professoras. 
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Damiana Ballerini - UFRGS
Vivências e significados de escola para mulheres na educação de jovens e adultos (EJA)
A pesquisa analisa o que tem tornado as aprendizagens de alunas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) significativas, quando as educandas demandam a educação profissional. Através da análise dos depoimentos, busca-se compreender como elas estão pensando e vivenciando a escola, seus desejos e suas expectativas a respeito do aprender. Busca-se entender os significados atribuídos ao “ser mulher” e como a escola está ressignificando suas vidas, problematizando as situações relatadas e as desafiando a reelaborar os significados sobre a escola, “trampolim” para o mundo do trabalho. Utiliza-se a análise do discurso e de conteúdo para compreender a escola como um local de interação, de encontros, onde suas trajetórias escolares se confundem com suas histórias de vida, como mulheres, alunas, mães, esposas e que papéis as mulheres vêem assumindo na sociedade.  
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Daniela Bunn, Rosemeri Réus, Sandra Letícia Gonçalves
Estranhamento: a sexualidade na literatura/Bocage no contexto escolar
Este trabalho apresenta as atividades desenvolvidas durante a Prática de Ensino de Português II, pelas alunas Rosemeri Reus e Sandra Letícia Gonçalves, na etapa final do Curso de Graduação Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas – da Universidade Federal de Santa Catarina. Sob a orientação da Professora Daniela Bunn, o estágio foi executado na 1ª série do Ensino Médio na Escola de Educação Básica Getúlio Vargas. O trabalho foi realizado a partir do eixo-temático Cultura / Estranhamento – uma viagem pela linguagem no qual se trabalhou aspectos relacionados à cultura, linguagem e História da Literatura. Dentre os textos trabalhados, os poemas de Bocage e de Arnaldo Antunes geraram estranhamento por parte dos alunos, olhares baixos, faces rubras. O intuito desta comunicação é analisar a recepção dos poemas (que tratam da sexualidade) no meio escolar - a aceitação e a rejeição, além de mostrar como a escola realmente “precisa debater sobre relações de gênero e sexualidade”, prática afastada do cotidiano do alunos.  
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Éderson Costa dos  Santos
Parâmetros “corporais” nacionais – representações de corpos nos PCNs: uma análise cultural
A partir da perspectiva pós-estruturalista e de uma aproximação com os Estudos Culturais, este estudo analisa o Tema Transversal de Orientação Sexual dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs - documento que serve de fio condutor para todo o processo de escolarização formal do Brasil), discutindo as representações de corpos articulados as categorias de gênero e sexualidade. Esta pesquisa se configura sob o olhar de uma análise cultural que coloca no centro das discussões as noções de poder, saber e sujeito. Ao longo das análises surgiram duas representações de corpos, no qual denominei de “corpo biológico” e “corpo seguro”. Ambas foram recorrentes ao longo dos estudos e servem de balizamento para as problematizações que seguem no decorrer da pesquisa. O “corpo biológico” está calcado nos discursos essencialistas que fomentam a noção de um corpo naturalmente dado pelas suas configurações anatômicas, desconsiderando os aspectos sócio-culturais na produção de subjetividades. Enquanto que a representação de “corpo seguro” está anunciada nas relações de poder e risco, ou seja, na produção de poder e conformação dos corpos na contemporaneidade, produzindo olhares de regulação e esquadrinhamento nas formas de se viver à sexualidade. O trilho principal dessa pesquisa foi de buscar entender e problematizar as diferentes representações de corpos que os PCNs produzem, veiculam, contestam ou ajudam a manter, no contexto escolar brasileiro contemporâneo. De forma mais específica, procurei delimitar os modos pelos quais gênero e sexualidade se articulam nestas representações de corpo para defini-lo de determinados jeitos e não de outros e quais discursos se articulam nestas representações, com que efeitos e para quem?  
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Elaine Cardia Laviola
Reações de educadoras de creche diante de manifestações de sexualidade infantil
Apresentação de estudo realizado com 86 educadoras de creche sobre suas reações frente ao que consideravam como manifestações da sexualidade de meninos e meninas de 2 a 3 anos de idade. Pensando no cotidiano da creche e na diversidade de toques, odores, valores e representações sobre a sexualidade que se manifestam, mais do que por palavras, por meio de posturas e gestos,  nem sempre controlados pela racionalidade, foram ouvidas educadoras que relataram apresentar diferentes reações, mais em função do tipo de manifestação do que do sexo da criança ou do local onde ocorriam.
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Eliseu Riscarolli, Karlene Borges Cirqueira
Sexualidade e gênero nas escolas do Bico do Papagaio
É sabido que desde a oficialização da LDB 9394/96 e dos PCN as questões ligadas a diversos temas foram cunhadas como “temas transversais”, entre eles a sexualidade. Discutir ou trabalhar este tema ou as questões relacionadas à sexualidade na escola, tem se constituído num grande desafio, primeiro porque a formação recebida pelos professores esta muito aquém dos anseios da geração que freqüenta a escola; segundo porque a escola, em seu currículo, quando se propõe a realizar alguma atividade cujo objetivo é ampliar a reflexão sobre a sexualidade, cai no tradicional impasse de relacionar este tema com as questões pequenas de macho/fêmea sob a ótima do cristianismo e com isso desconsidera quase que completamente as interfaces ligadas ao gênero e a complexa teia que envolve a sexualidade que vão alem da heterosexualidade. Estas observações têm sido percebidas nas escolas do Bico do Papagaio e os dados são frutos de uma coleta realizada com estudantes de escolas publicas – 8ª serie e 2º ano do ensino médio – da cidade de Tocantinópolis, sendo, portanto, seus resultados uma primeira aproximação acerca de como a escola e seus professores tem se ocupado com esta temática e quais os recursos e estratégias que ela utiliza ao abordar a questão da sexualidade e às vezes a de gênero nas suas atividades curriculares anuais. Também tem por objetivo descobrir o que os jovens e adolescentes pensam sobre sua sexualidade.
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Flavia Fernandes de Oliveira, Cátia Pereira Duarte
Discurso dos professores e professoras de educação fisica sobre o relacionamento de meninos e meninas
As relações de gênero no espaço escolar podem reproduzir estereótipos, preconceitos, resistências e até mesmo novos valores e atitudes que irão enaltecer as visões dominantes sobre as relações dos homens e das mulheres, presentes na sociedade. Este estudo tem como objetivo interpretar o discurso dos professores de educação física quanto o relacionamento de meninos e meninas, meninas e meninas e meninos e meninos, durante as aulas de educação física e também identificar através das falas deles quais os conflitos mais comuns nas aulas deles. A pesquisa é de abordagem qualitativa, onde esta sendo entrevistado um grupo de vinte professores de educação física sendo que dez do sexo feminino e dez do sexo masculino, que dão aulas de educação física mista em escolas da rede publica do município do Rio de Janeiro.
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Francis Madlener de Lima, Nilo Silva Pereira Netto, Ricardo Marinelli Martins - UFPR
Possibilidades de problematização acerca do gênero e da diversidade sexual nas práticas escolares em educação física a partir do filme Billy Elliot 
A utilização de filmes como ferramenta pedagógica traz inúmeras possibilidades de discussão em uma aula, sendo assim, buscou-se através deste trabalho, apontar de que forma o filme Billy Elliot pode auxiliar na discussão acerca de questões que permeiam a Educação Física enquanto área do conhecimento e disciplina escolar que trata diretamente das questões ligadas aos corpos. Dentro deste espaço pedagógico surgem várias situações que merecem atenção e problematização de professores/as e alunos/as no que tange às questões de gênero e diversidade sexual, essas presentes conflituosamente no filme, nas manifestações da cultura corporal: dança e boxe. A partir dessa situação é que foram elencadas as possibilidades reflexivas com a utilização dessa obra nas intervenções em Educação Física.
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Frederico Assis Cardoso - UNA/BH/MG e FEMM/SETE LAGOAS/MG
A identidade de professores homens na docência com crianças: homens fora de lugar?
Resultado de investigação que analisou o processo de (re-)construção da identidade de professores homens que trabalham com crianças na Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte/MG, o texto utiliza conceitos do campo dos estudos culturais procurando compreender e problematizar os significados do gênero na escola. Em específico, responder a questões relativas aos professores homens: quem são eles? Como (re-)constroem sua identidade masculina, atuando em uma profissão socialmente definida como feminina? Em que medida a masculinidade atribui sentidos ao seu trabalho? Para isso, privilegiou-se uma metodologia qualitativa com uso de entrevistas, questionários, observações e registros de campo. O argumento desenvolvido é o de que a identidade dos professores homens é construída em relações de poder, em processos permanentes de conflito de acomodação e resistência em relação à norma masculina. 
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Guiomar Freitas Soares
A formação continuada: discursos sobre a inserção das questões relacionadas à sexualidade nos anos iniciais
Este projeto tem por objetivo discutir alguns temas relacionados à educação sexual, com professores das séries iniciais de escolas do Ensino Fundamental. Temas esses, que gravitam em torno de questões como: em qual série ou em que idade se deve “falar” sobre situações vinculadas à sexualidade, como o corpo, as identidades de gênero e sexuais, o desejo, o prazer, por exemplo, e, se esses temas fazem parte dos conteúdos escolares. Questão essa, bastante polêmica, na medida em que, enquanto alguns consideram essas discussões estimuladoras para o exercício precoce da sexualidade das crianças, outros, ao contrário, percebem-nas muito importantes, pois problematizam as representações de masculino e feminino, o cuidado de si, as identidades sexuais, dentre outras proposições.  
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Ines Olivera Rodríguez - UFSC
Oportunidades educativas e sistemas de género
En el caserío Chaquira, en la costa norte peruana, tanto madres como padres desean que sus hijas e hijos lleguen lo más lejos posible en términos de educación formal. Prueba de ello, es que en la escuela primaria local, el número de niñas y niños matriculados es parejo como lo es el número de jóvenes varones y mujeres que terminan la secundaria. Un análisis rápido de estos datos podría indicar que en Chaquira hay equidad de género en cuanto a acceso a educación; pero un análisis detenido muestra que no es así. Si bien hay un avance en la equidad de acceso, existen todavía trabas culturales que se relacionan con lo que se espera de las mujeres y de los hombres fuera de la escuela. De este modo la socialización diferenciada de niños y niñas marcaría oportunidades educativas también diferenciadas. Pretendo remarcar que las causas de inequidad no se encuentran siempre en las decisiones de los padres, sino en las opciones de los y las mismas jóvenes, una vez que han interiorizado lo que se espera de ellos dados los sistemas de género locales.  
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Irles Maria Araujo Braz, Elaine Romero - UFRJ
Relações de gênero entre crianças de 4ª série: uma construção permeando as atividades em sala de aula e na educação física escolar
Este estudo analisa o processo de construção das relações de gênero entre alunos(as) da 4ª série de uma escola municipal da Cidade do Rio de Janeiro, mediante atividades realizadas em sala de aula e nas aulas de Educação Física. A metodologia foi de cunho etnográfico, com amostra de 20 crianças de ambos os sexos. Os instrumentos consistiram de observação, diário de campo e entrevistas cujos dados reportaram-se à Análise de Discurso. Os resultados permitem inferir que deve haver maior preocupação de estudiosos e professores com as relações de gênero nas atividades escolares, especialmente no espaço aberto da Educação Física, pois este propicia a liberdade de ação dos(as) alunos(as) e a conseqüente expressão de seu raciocínio lógico-crítico, pelo entendimento e exercício das regras e pela vivência plena de sua corporeidade e motricidade.
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Jacqueline I. Machado Brigagão, Roselaine Gonçalves - USP
As noções de gênero e feminismo presentes no repertório de um grupo de estudantes
Este trabalho tem por objetivo discutir a importância da incorporação das discussões acerca da noção de gênero no campo da educação.A discussão esta pautada em um estudo explora-tório que buscou identificar as diferentes noções de gênero e de feminismo presentes no re-pertório de jovens ingressantes no curso de Obstetrícia da USP Leste.O estudo consistiu na análise quali-quantitativa de um questionário aberto respondido por cinqüenta estudantes. Os resultados preliminares indicam que 100% das(os) participantes tem um conhecimento superficial sobre o movimento feminista, e, é interessante notar que em 5% das respostas apareceram preconceitos e resistências em relação ao feminismo.A análise qualitativa, demonstra a necessidade de incluir na agenda das políticas públicas a luta pela incorporação da discussão transversal de gênero nos diferentes níveis de ensino. 
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Janaína Souza Neuls, Mariângela Momo
Gênero e consumo: a escola é o palco
Assim como, ao longo do tempo, o corpo vai adquirindo marcas como as de fertilidade, velhice, intervenções cirúrgicas, dentre outras, nele também se inscrevem marcas de gênero. Desse modo, a constituição dos gêneros não é linear, nem apresenta uma regularidade, assim como não é finalizada ou completada em um dado momento, é construída social e historicamente. Assim, este estudo analisa alguns artefatos (mochilas, pulseiras, celulares, roupas, etc.) que circulam em escolas municipais de Porto Alegre/RS, considerando que muitos deles “compõem” os corpos dos alunos e analisando a forma como inscrevem marcas de gênero, pois entendemos que o que vai para a escola é a “onda”, a moda do momento; o que as crianças levam para as escolas é o que consideram publicamente valioso, facilmente reconhecido e desejado, o que assim foi constituído pela mídia.  
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Josenildo Soares Bezerra
Gênero e escola
A problemática e as questões relacionadas ao gênero é, e continuará sendo muito discutida por sua pluralidade de entendimentos e seus elementos culturais. Ao pensar em discutir a escola e o gênero, trago não uma abordagem biologizante e dual, pois isto já está posto. Meu viés de análise é construtivista, ou mesmo cultural, onde nós, seres sociais, vamos nos moldando e sendo moldados pelas instituições. Quero aqui propor, uma análise do pensar crítico e relacional do “ser” que faz parte desse universo chamado “escola”. Penso ser na escola, o lugar onde se deve fazer elaborações e re-elaborações a respeito do cidadão e das problemáticas socias; porém muitas vezes nessa ocasião, a escola “fecha os olhos” pára não complicar ou problematizar.
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Jeane Felix da Silva
Gênero e educação: um diálogo possível
A escola é um lugar propício para a promoção da igualdade de gênero. O desenvolvimento de iniciativas que visem a inclusão dessa temática de forma problematizada, considerando a diversidade no contexto escolar é fundamental para provocar transformações nesse espaço. Pautar a discussão/reflexão dessas temáticas no campo da educação brasileira é a proposta desse texto que, terá como desenho metodológico, uma breve análise das políticas públicas que abordam a temática gênero no campo da educação e que estratégias são utilizadas para que essas políticas públicas possam, de fato, contribuir para provocar mudança no cotidiano das escolas.

Lucena Dall'Alba - UFRGS
Sexualidade: narrativas autobiográficas de educadoras/res
Ao longo dos processos educativos escolares diversas imposições culturais vão produzindo corpos generificados que vão se adequando aos critérios higiênicos, morais e estéticos vigentes. Esta pesquisa problematiza os modos de aprender sobre corpo/sexualidade no cotidiano das práticas pedagógicas escolares. Quais significados e sentidos sobre sexualidade foram produzidos em práticas pedagógicas vividas por educadores/as durante a infância e juventude? Quais práticas funcionaram na constituição de educadores/as como sujeitos sexuados? Que saberes institucionalizados, legitimados, autorizados, “científicos” constituíram modos de subjetivação destes/as educadores/as? Quais as implicações dos significados e sentidos atribuídos à sexualidade, por estes profissionais, na sua prática pedagógica atual?
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Luciane da Luz, Nivia Feller - FURB
Gênero e educação nas classes de aceleração da rede municipal de Gaspar/SC
Esta pesquisa foi realizada de março à dezembro de 2003. Teve como objetivo promover a discussão sobre a temática “Gênero e Sexualidade”. Os métodos desenvolvidos foram: história de vida e oral, debate através de grupos focais, questionários estruturados, representações teatrais, observação passiva e ativa e registro dos encontros, em caderno de campo. Durante a realização das atividades observamos as diferenças dos papéis sexuais desempenhados pelos educandos/as, onde de um lado temos eles: fortes, viris e poderosos e de outro, elas: frageis, delicadas e bonitas. As auto-imagens retratadas por eles/as reproduziam aquelas valorizadas em nossa sociedade e difundidas pela mídia (modelos, atrizes, jogadores de futebol). Pouco/as representaram-se como adolescentes provenientes de familia de baixa renda e moradores de uma cidade de pequeno porte. 
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Marcelo Moraes e Silva, Emilia de Vantel Hercules, Viviane Teixeira Silveira - UFPR
Professores (as) de educação física e gênero: algumas considerações
No transcorrer do processo histórico ocorreu uma construção de conceitos hegemônicos referentes à feminilidade e masculinidade, questões que afetaram as práticas educacionais, principalmente numa disciplina chamada Educação Física. Conteúdo que nasceu em meio a discursos biológicos que objetivavam manter a higiene, a saúde e a ordem. Para relacionar estas questões ao processo de formação de professores (as) de Educação Física trabalhou-se com relatórios realizados para a disciplina de Prática de Ensino de Educação Física e uma aula realizada para uma turma de especialização em Educação Física escolar. Nesse sentido, entende-se que as discussões de gênero devem ser inseridas no processo de formação de professores (as) para que se possa desconstruir os discursos que afirmam que as “diferenças” sexuais são naturais e biológicas.  
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Maria de Fátima da Cunha
Imagens de gênero e sexualidade nos temas transversais dos PCNs
No volume 10 dos temas transversais dos pcns, intitulado “pluralidade cultural e orientação sexual”, aborda-se a necessidade de se trabalhar com questões ligadas à sexualidade e ao gênero. Afirma-se a urgência de se discutir sexualidade sobre sexualidade e sobre a descontrução de estereótipos tradicionais ligados ao masculino e ao feminino. Entretanto, as imagens ali contidas e que não são trabalhadas no texto escrito  e que têm, aparentemente, uma intenção apenas “ilustrativa” parecem indicar um outro discurso  que aponta para um desconforto da sociedade e dos sujeitos envolvidos na prática escolar ao tratar destes temas.  Esse é o objetivo desta comunicação.  
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Priscila Gomes Dornelles - UFRGS
‘Distintos destinos’: problematizando as relações de gênero nas aulas separadas entre meninos e meninas na Educação Física escolar
O objetivo deste trabalho é analisar a prática da separação de meninos e meninas nas aulas de Educação Física na escola na tentativa de compreender que argumentos são mobilizados pelos docentes da área para sustentar tal procedimento. Para tanto, aproximo-me dos Estudos Culturais, Feministas e de Gênero, particularmente da vertente pós-estruturalista de Michel Foucault, como base teórica para perguntar: que concepções e saberes sobre Educação Física escolar, corpo e gênero são acionados para legitimar e constituir as aulas separadas entre meninos e meninas? Neste momento, estou realizando entrevistas com professores e professoras de Educação Física da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre que trabalham com as aulas separadas na escola. Esta pesquisa será apresentada como proposta de dissertação de mestrado e está em fase de desenvolvimento.
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Raymundo da Costa Olioni
As representações de gênero de professores de séries iniciais
A pesquisa analisa as representações de gênero de profesores que atuam em séries iniciais do ensino fundamental. O estudo se sedimenta em referencial teórico relativo à Análise Crítica do Discurso (ACD) de Norman Fairclough – teoria que avalia o texto, a prática discursiva e a prática sociocultural –, à Gramática Sistêmico-Funcional (GSF) de M. A. K. Halliday e aos estudos sobre gênero. O corpus consiste em análise de entrevistas gravadas em aúdio e transcritas pelo pesquisador com o intuito de se averiguar de que modo os professores, por meio de seu discurso, se representam e se percebem representados. A análise lingüística é baseada na Metafunção Experiencial Hallidayana, ou seja, a oração vista como representação do mundo, com o propósito de se verificar como os participantes ora desempenham a ação, ora são influenciados por esta.  
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Rodrigo Rosistolato - UFRJ
Orientação/educação sexual na escola: um trabalho feminino?
Este trabalho apresenta dados de pesquisa realizada para desenvolvimento de tese de doutorado onde se discute a construção social da orientação/educação sexual na escola. Foram entrevistados 18 profissionais que se dedicam a atividades de orientação/educação sexual. Um dado merece destaque: apenas um dos profissionais é homem. Todos foram indagados sobre os porquês destas atividades serem desenvolvidas majoritariamente por mulheres. Suas respostas expressam um conjunto de significados de gênero que oscilam entre representações modernas e outras tradicionais sobre a feminilidade e a masculinidade. As mesmas classificações são ativadas para justificar a presença maciça de alunas nas aulas de orientação/educação sexual. O trabalho de campo demonstrou que a orientação/educação sexual é oferecida e recebida majoritariamente por mulheres. O texto, portanto, procura discutir as representações de gênero presentes nestas práticas escolares. 
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Rodrigo Tramutolo Navarro
O gênero e a educação física: um olhar sobre as práticas
O presente trabalho tem como objetivo a analise dos processos relacionados à formação da identidade de gênero através das práticas escolares na disciplina de Educação Física. Essa pesquisa investigou onze aulas de Educação Física de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Curitiba-PR, nas quais foram observadas turmas da 4ª série (ou 2º ciclo), do Ensino Fundamental. Fazendo uso do gênero como categoria de análise e, por sua vez, reafirmando o caráter histórico e social das relações de gênero foram observados vários marcadores de gênero que apareceram como elementos corporificados nas relações entre as crianças. Nas observações apareceram tanto em ações que rompiam, quanto aquelas que reproduziam a lógica das matrizes de gênero culturalmente construídas, demonstrando a instabilidade das fronteiras entre os gêneros. 
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Sérgio Lizias Costa de Oliveira Rocha
A (re) produção de identidades de gênero na educação infantil através de práticas lúdicas
Este trabalho parte das primeiras problematizações de um projeto de pesquisa de doutorado sobre a relação entre ludicidade e gênero no contexto da Educação Infantil (EI). Pretendo trabalhar como a atividade lúdica na EI pode estar ancorando estereótipos de masculinidades e feminilidades que influenciam nas construções das identidades de gênero de homem e mulher. A partir daí desenvolvo a discussão sobre a dificuldade da EI em lidar com as transgressões de gênero através de fronteiras rígidas forjadas pelos espaços homossociais da brincadeira de meninos e meninas como resultado de uma cultura patriarcal e “machista”. Nas considerações finais procuro situar o papel da EI, através das práticas lúdicas, na (re) produção de identidades de gênero hegemônicas em detrimento de masculinidades e feminilidades não-hegemônicas, reprimidas ou auto-reprimidas.
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Simone Andrade Teixeira - UESB
Mulheres universitárias: sexo (in)seguro?
Este estudo aponta a necessidade de uma revisão metodológica e da inclusão da perspectiva de gênero sobre a abordagem da sexualidade e da “educação sexual”, uma vez que esta parece não atender à dimensão subjetivamente significativa e socialmente desafiadora da temática, e que, consequentemente, não conduz ao exercício da sexualidade por cidadãos críticos e emancipados. Tal afirmativa baseia-se na constatação de que as mulheres universitárias investigadas, intelectualmente diferenciadas, não vêm transformando a informação em mudança de atitude em relação à prática do sexo "microbiologicamente" seguro. De um total de 157 mulheres, 67% informaram não usar preservativo em todas as relações sexuais e a adesão ao uso do preservativo diminui quando a relação é monogâmica.         
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Telma Fortes Medeiros - UNIR/RO
O que é de menino? O que é de menina? Uma discussão a partir de gênero e sexualidade nas escolas públicas no município de Porto Velho
Neste trabalho nos propomos a refletir teoricamente sobre a necessidade de se desenvolver, nas escolas, práticas pedagógicas referentes ao entendimento e a conceituação das relações de gênero vinculadas à discussão da sexualidade. Nossa reflexão surgiu a partir de oficinas sobre a temática, desenvolvida pelo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Mulher e Relações de Gênero/UNIR, com as escolas públicas no município de Porto Velho, onde percebemos que a temática, no âmbito destas questões, ainda são ausentes no cotidiano educativo. Dessa forma, após analisar estas questões no espaço escolar, foi necessário ressaltar algumas reflexões teóricas que norteiam acerca de Gênero e sexualidade. Para uma elucidação teórica de nosso trabalho, no que articula gênero e sexualidade, utilizamos as contribuições de LOURO, Guaciara , SCOTT, Joan e FOUCAUT, Michel. 
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Thanise de Martini Ghilardi, Fabiana Feitosa Cavalcante, Joice Simionato Vettorello, Vera Lucia de Oliveira Gomes, Adriana Dora da Fonseca
A visão das professoras da pré-escola na abordagem de gênero e sexualidade
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujo objetivo foi apreender questões referentes à sexualidade e gênero nas falas das professoras de pré-escolas, do Rio Grande/ RS. A coleta de dados foi efetuada por entrevista semi-estruturada. Pela análise de conteúdo temática, emergiram as categorias: percepção acerca do desempenho das crianças; atuação frente a meninas e meninos; educação sexual, responsabilidade de quem? Apreendeu-se que as professoras não percebem diferenças no desempenho de meninos e meninas, no entanto referem que para um mesmo resultado as meninas necessitam de maior esforço. Na organização das filas, algumas ainda separam pelo sexo. Afirmam não programar atividades diferenciadas, mas referem a existência de brincadeiras adequadas a cada sexo. Todas relatam a curiosidade das crianças em relação a observação da sua genitália e da d@s colegas. Apontam a família como a responsável pela educação sexual, sendo a escola complemento. Conclui-se que, mesmo relatando atuar com igualdade preconceitos existem.
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Vera Lúcia de Oliveira Gomes
Tipificações de gênero no processo de cuidar crianças em pré-escolas
Objetivou-se investigar como se constrói o feminino e o masculino ao cuidar crianças em uma pré-escola do Rio Grande/RS. Adotou-se a concepção de habitus de Bourdieu como referencial teórico. Colheu-se os dados por meio de observação e entrevista com as cuidadoras, pois são elas que mais interagem com as crianças. Respeitaram-se os princípios éticos constantes da Resolução 196/96. Pela análise de conteúdo, apreendeu-se que as cuidadoras são solícitas, atenciosas e carinhosas com todas as crianças, mas cuidam, de forma diferenciada, meninos e meninas. Àqueles permitem brincadeiras arriscadas, enquanto que as meninas devem seguir a norma do jogo. As crianças têm interiorizado um padrão de comportamento típico de cada sexo tendo dificuldade, pela própria pressão do grupo, em transgredi-lo.
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