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ST08 - O mundo infanto-juvenil e as relações de gênero: olhares ampliados

Coordenadoras:     Ivonete Pereira (UFPR) / (UNIOESTE) (PR)
                               Patrice Schuch Universidade Federal de Santa Maria (RS)
                               Silvia Maria Fávero Arend (UDESC)

Resumo

Desde o final do século XIX, o universo infantil passou a ser objeto de estudo de diversas áreas do conhecimento. Esse processo, norteado em grande parte pelo ideário da gestão da população e da sociedade disciplinar, possibilitou a emergência de um conjunto de discursos sobre o sujeito criança tais como a Pediatria, a Psicologia Infantil, a Pedagogia, o Direito do “Menor”, a História da Infância entre outros. O mundo dos jovens e, posteriormente, dos adolescentes somente após a década de 1930 tornou-se alvo de investigações realizadas também pelos pesquisadores das diversas áreas do conhecimento. As reflexões relativas à sociedade disciplinar e as referentes à chamada sociedade de consumo impulsionaram em grande medida essas pesquisas. A recente incorporação dos referenciais teóricos acerca das relações de gênero (especialmente se cotejados com as categorias classe social e etnia), que desnaturalizam as noções de feminino e masculino, assim como expõem as relações de poder subjacente nessas representações sociais, provocaram impactos nesse campo no Brasil e em outros paises. Nesse mini-simpósio acolheremos trabalhos que versem sobre essas temáticas presentes sobretudo no âmbito das políticas sociais, no campo jurídico e no da educação.


Trabalhos

Adriane Mallmann Eede Hartwig - UNOESTE
A repercussão dos anos de chumbo às crianças, percebida nas músicas produzidas nos anos 1960/70
Esta comunicação é parte minha pesquisa mestrado, realizado na UNIOESTE/PR, cujo objetivo é a análise da música produzida nos anos 1960/70 como fonte de conhecimento historiográfico.Estas produções musicais são carregadas de signos consistindo assim num rico material de pesquisa, já que são a expressão das experiências de sujeitos que vivenciaram os chamados “anos de chumbo” no Brasil. Nesse sentido, pretende-se abordar algumas questões bastante pertinentes como as muitas situações vividas por sujeitos, como por exemplo, perceber como muitas crianças presenciaram todo aquele ambiente, que tipo de repercussão essa situação social teve em seu cotidiano sendo transformado repentinamente, já que muitos tiveram seus pais arrancados de seu convívio. Assim, essa problemática, e várias outras, podem ser analisadas a partir das composições musicais da época, cujos autores, intencionalmente ou não, procuraram retratá-las através de sua arte.
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Alcileide Cabral do Nascimento - Universidade Federal Rural de Pernabuco
Gênero e raça: as estratégias de disciplinarização de crianças e jovens enjeitados no recife (1800-1832)
Nas primeiras décadas do século XIX no Recife a assistência às crianças e jovens abandonados tornou-se um problema social que envolvia os órfãos pobres e os segmentos da população marginalizados. Os novos discursos esboçavam uma ética cada vez mais laicizada e que requalificava a noção de trabalho, de pobreza e de ócio, esteio do surgimento da noção de infância perigosa que pautou as diferentes estratégias de disciplinarização dos enjeitados, marcada pelas percepções de gênero fundada numa cultura misógina, e pelo estigma de cor, racista e preconceituoso. Esse trabalho aborda as estratégias de controle e de inserção social dessas crianças e jovens sem-família para os quais estava interditada a ascensão social às altas profissões, ao mesmo tempo em que se reproduziam os mecanismos de discriminação social, de gênero e racial.
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Alessandra Olivato, Daniela Carrara - USP
“Pensando o gênero nas escolas”: um diagnóstico de gênero em americana – SP
Por ocasião da Semana da Mulher de Americana (SP) de 2006, realizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), foi desenvolvida uma pesquisa-piloto intitulada “Pensado o gênero nas escolas”. O objetivo geral foi captar percepções e representações de gênero desde o ensino fundamental I (1ª a 4ª séries) até o ensino médio. Assim, enquanto entre alunos/as de primeira à quarta série buscou-se uma percepção de gênero intra-familiar, com os demais instigou-se uma percepção mais geral, com a proposta de uma redação sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, bem como sobre a idéia de que “não se nasce mulher, mas se torna mulher”, e o seu complementar. O resultado mostrou-se bastante satisfatório quanto à diversidade da percepção discente, apontando tanto para representações simbólicas tradicionais e desiguais de gênero, quanto para percepções de mudanças – estas mais complexas.
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Angelita Alice Jaeger - UFSM
Mulher tem que ser prendada, educada e bonita
Nesta investigação objetivamos analisar as representações de gênero Que constroem os corpos de meninas de 8 a 12 anos de uma Escola Lar da cidade de Santa Maria, RS. Com abordagem etnográfica, a pesquisa foi realizada nos anos de 2004 e 2005, utilizando a observação participante e entrevistas semi-estruturadas. Constatamos que a escola, a família e a televisão são as fontes de onde emergem representações que interpelam as meninas, constituindo-as em sujeitos de discursos que circulam em torno da afirmação "mulher tem que ser prendada, educada e bonita". A convergência dessas representações apontam para a construção do gênero que privilegia a dedicação aos trabalhos domésticos, a submissão as normas da escola/sociedade e o investimento em cuidados com o corpo e a beleza. Nesse sentido, as meninas atualizam algumas representações elaboradas em gerações anteriores.
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Animari Pereira Scheuer Teixeira - UDESC
Maternidade sob júdice e suas implicações sobre o universo infanto-juvenil
Quais são os fatores que ajudam a criar padrões e códigos éticos em nome da maternidade dita adequada? entendendo a complexidade do tema, buscou-se por mulheres cuja maternidade passou por um processo de destituição do poder familiar. A partir da análise de textos judiciais do juizado da infância e juventude da comarca de joinville, do período de 1999 a 2002, e da historiografia, levantou-se o perfil dessas mulheres. Este trabalho visa estimular a reflexão sobre os dilemas da maternidade nos grupos populares e suas implicações sobre o universo infanto-juvenil.
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Antonia Marlene Vilaca Telles - UNIOESTE
Pesquisa sobre o universo infanto-juvenil e a instituição protestante
A presente comunicação visa discutir as relações que permeiam o universo infantil inserido no meio religioso especificamente no Protestantismo. A pesquisa investiga a existência ou não, de negligência ou ignorância à criança pela instituição religiosa protestante. O estudo é realizado na Igreja Batista Protestante, mais especificamente em suas ramificações: a Igreja Batista Pioneira e a Igreja Batista Independente, ambas localizadas na cidade de Marechal Cândido Rondon. O interesse pelo tema nasceu de minha experiência enquanto professora de Escola Bíblica Dominical nestas instituições. Durante esse período pude perceber que há resistência por parte das lideranças religiosas quanto ao desenvolvimento de atividades e muitas vezes negligencia ao atendimento às crianças.
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Bárbara Radovanski Galvão - PUC/SP
Concepções paternas sobre criança pequena
O NEGRI (Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Idade) integra a linha 2 (aportes da psicologia social à compreensão de problemas sociais) do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da PUC/SP e procura articular a compreensão da desigualdade de gênero, raça e idade. Apresentarei uma pesquisa de mestrado, em andamento no NEGRI, que problematiza a paternidade no contexto da educação infantil. A dissertação se propõe a estudar as concepções de pais/homens sobre criança(s) pequena(s) que freqüenta(m) creche.
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Cristiane Maria Schnack, Ana Cristina Ostermann
O essencial é invisível aos olhos (?): conferindo visibilidade à fala-em-interação nas pesquisas acadêmicas que buscam compreender a construção das identidades de gênero
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Daniel Alves Boeira
Do olhar policial ao trabalhador nacional: os patronatos agrícolas e a ressocialização da delinquência juvenil no Brasil
Esta pesquisa tem por objetivo analisar as experiências vivenciadas pelos jovens na década de 1910 no Patronato Agrícola de Anitápolis, localizado em Santa Catarina. Parte dos jovens considerados delinqüentes da capital federal e de outras grandes cidades do país eram enviados pelo poder público para os patronatos agrícolas. nestas instituições, que se constituíam um misto de escola e de reformatório, procurava-se ressocializar este contingente populacional tendo em vista uma ética para o trabalho.
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Davi F. Schreiner
Espaços educativos e participação política. As mulheres no fazer-se do MST
A participação das mulheres na formação de movimentos sociais rurais, que não obstante afirmem uma Democracia de Base, tem sido negligenciada e, ou ocultada na fala de lideranças e de estudiosos dos conflitos fundiários. Todavia, esta participação vem tecendo a ampliação dos espaços educativos e de ação política no processo da luta pela terra, promovendo mudanças nos comportamentos e nas identidades eleboradas na relação com o outro, nas relações desiguais e conflituosas do fazer-se dos sujeitos e na organização da vida cotidiana em acampamentos e assentamentos rurais. Assim, o estudo analisa o engendramento destes espaços no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Paraná, a partir do fazer-se da ação política participativa individual e coletiva das mulheres.
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Deisi das Graças Rizzo Lubenow - UFPR
Gerenciamento populacional: educar é construir escolas
O presente trabalho pretende recuperar os discursos e práticas dos governadores paranaenses entre as décadas de 40 e 50 no que tange ao gerenciamento populacional. A população aparece como sujeito e alvo do governo, que para agir sobre ela lança mão de uma série de saberes que visam sua disciplinarização. A construção de escolas neste período, vem de encontro à necessidade de formar uma nova ordem social e moral. O período analisado, corresponde a uma fase de ocupação de novos territórios, de aumento populacional e de surgimento de novos centros urbanos. A educação aparece como uma das questões centrais nas fontes, a saber: mensagens dos governadores à Assembléia Legislativa. Procuraremos evidenciar o entendimento destes governos no que tange a educação, detectando a existência de práticas voltadas à ela, bem como, seus contornos e intensidade.
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Elaine Cardia Laviola - PUC/SP
Estudando a demanda por modalidades de cuidado/educação para bebês
Estudo em andamento sobre a demanda de mulheres/mães por modalidades de cuidado/educação para bebês. O trabalho insere-se na linha de pesquisa sobre educação infantil do NEGRI – Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Idade -, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da PUC/SP. A pesquisa de doutorado pretende entrevistar mães sobre suas concepções e expectativas sobre, e escolhas por, uma determinada modalidade de cuidado/educação infantil, como deixar o filho na creche ou berçário coletivo; deixar a criança com um parente ou babá; educar e cuidar pessoalmente do bebê em casa.
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Emilene Leite de Sousa - UFMA/Faculdade do Maranhão
Crescendo entre mulheres: a vivência da infância pelas crianças capuxu
Esta pesquisa desenvolveu-se entre o povo Capuxu no sertão da Paraíba e teve como objetivo analisar a vivência da infância nesta comunidade camponesa endogâmica. Para além de aspectos como o ludismo e o trabalho desenvolvidos pelas crianças Capuxu, chamou-me a atenção os dispositivos através dos quais estas são inseridas no seio da família: as relações intergeracionais vivenciadas no âmbito do roçado, a indivisão sexual do trabalho realizado pelas crianças, bem como a presença constante das mesmas junto às mulheres da comunidade. A infância Capuxu traz em si a marca efeminada da comunidade, uma vez que a relação entre crianças e mulheres está na base da infância. O lugar das crianças é o lugar ocupado pelas mulheres. As tarefas são por elas determinadas. Por onde estão as crianças lá estão as mulheres (ou será o contrário?) a observa-las e protege-las. Estes elementos dão cor e forma particular a infância Capuxu.
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Fátima Cecchetto
“Brincando de guerrinha”: a construção da identidade masculina em contextos marcados por conflitos violentos e pela exclusão
Este artigo apresenta dados etnográficos sobre a construção da masculinidade em contextos marcados por conflitos violentos. Partindo de um enfoque antropológico sobre uma brincadeira masculina infantil - a “boquinha”- numa favela carioca, o texto aborda o impacto simbólico e real do crime organizado na subjetividade das crianças especificamente de meninos que interiorizam a simbologia da guerra em suas interações cotidianas. A brincadeira de “boquinha” encena um modelo de sociabilidade cuja lógica é a da guerra e o ethos é o da rivalidade violenta. Não à toa termos como os “homi” (homens) da polícia, os “meninos” (traficantes), os “sujeito-homens”, os “alemães” (os rivais), os “bundões” (os fracos) e os “disposição” (guerreiros), emergem na brincadeira infantil, reproduzindo o idioma de gênero presente no jogo intrincado de inclusões e exclusões que configura a dominação territorial do crime organizado no Rio de Janeiro.
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Gislaine da Nóbrega Chaves - UFT/UFPB
"A infância e o lúdico no cotidiano do projeto de assentamento 1º de janeiro – TO"
Neste, analisamos a infância e o lúdico no cotidiano do PA 1º de Janeiro – TO. Para tanto, utilizamos os seguintes instrumentos: observação não-participante, diário de campo, conversas informais e quadros demonstrativos sobre o lúdico. As meninas subvertem uma dada ordem formando time de futebol feminino ou misturando-se aos meninos durante o jogo. Boa parte dos meninos pratica a brincadeira de casinha, mas a nega. Há certo avanço por parte deles, quando se permitem ocupar outros lugares. Todavia, em determinadas situações, elas e eles reforçam o clichê. Constatamos, pois, que nessas práticas, há espaço para a transgressão e a normalização, existindo tendência à quebra de paradigmas e reforço do clichê “Brincadeira de menina (o)”. Diante desse contexto, faz-se necessária a adoção de uma educação de gênero nas escolas do PA 1º de Janeiro-TO.
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Helena Dória Lucas de Oliveira - UFRGS
Educação matemática e modos de lidar com dinheiro de meninas e meninos
Neste trabalho, apresento dados preliminares da pesquisa em que analiso como os discursos da Educação Matemática se articulam às práticas diárias de crianças que se escolarizam para engendrar modos de lidar com dinheiro. Ao identificar essa articulação, investigo como se processa a educação financeira para meninas e meninos urbanos. Com o suporte teórico dos estudos de gênero e dos estudos culturais com inspiração pós-estruturalista e da análise de discurso foucaultiana, examino duas coleções de livros didáticos de Matemática para os anos inicias do Ensino Fundamental e diários escritos por crianças de uma turma de 4ª série de uma escola estadual de Porto Alegre. Apresento implicações, continuidades e rupturas das práticas matemáticas escolares nas práticas culturais das infâncias urbanas, que instituem modos contemporâneos e generificados de lidar com dinheiro.
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Ivonete Pereira - UNIOESTE
“Não basta ser mãe, tem que ser higiênica e honesta”
Nas primeiras décadas do século XX, a burguesia brasileira ao buscar um diferenciador para suas origens agrárias, bem como garantir um espaço de destaque e de poder, na pretensa reconfiguração econômica e política do país, assumiu para si o papel de ordenador da sociedade. Esta, através da proposta de projetos modernizadores, da importação de novos saberes, na definição de papéis e através da imposição de condutas, defendia, por meio do discurso e prática médico-jurídica, a existência de um descompasso, principalmente entre as camadas populares, em relação a mãe “ideal” e a mãe “real”. Tal tese implicou na intervenção, por parte de integrantes da sociedade/setores públicos, na relação mãe-filho e, por conseguinte, na organização familiar desse grupo social. Por ser um desdobramento da pesquisa de meu doutorado, delimitei como contexto histórico desta análise a cidade de Florianópolis no período de 1900 a 1930.
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Josemara Neis
Representações feministas presentes na personagem mulher maravilha das HQ’s
O foco do trabalho é a Mulher-Maravilha (Wonder-Woman) que foi criada em 1941 por William Moulton Marston (usando o pseudônimo Charles Moulton), um psicólogo e jornalista simpatizante do feminismo.A pedido do editor Max Gaines, que buscava uma forma de atrair o público feminino para os quadrinhos.O trabalho em si é uma análise das HQ’s da Mulher-Maravilha observando como a heroína se apresenta em defesa dos direitos das mulheres, mas ao mesmo tempo é uma figura sexy, ou seja, é representada como personificação do machismo nas HQ’s, pois a mulher nos quadrinhos sendo a heroína ou não sempre é posta em segundo lugar representando o pensamento de patriarcado, ou seja, os homens têm o papel de líder da casa e a mulher fica na sua sombra e geralmente é levada as ações e não toma decisões diretamente.
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Juliane Di Paula Queiroz Odinino - UFSC
As Super Poderosas e seus super poderes
O trabalho visa refletir sobre a condição da representação das heroínas de desenho animado a partir de uma perspectiva apoiada na questão das agências para inserir as discussões sobre gênero. Interessa compreender a dinâmica de sua consolidação, mapear os elementos com que tal representação se nutre e apontar para o lugar que ocupa no cenário social, atentando para a forma como o público assiste e identifica-se com tais protagonistas, dentro da especificidade do desenho animado. O objetivo é trazer à tona um estudo reflexivo sobre este processo como um todo, tido como circular, tomado pelo olhar relacional e preocupado com a questão das agendas femininas.
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Lucia Helena Rodrigues Costa, Gilvânia Dantas Lopes Moreira
O significado do dia internacional da mulher: representações na educação fundamental e ensino médio
Este estudo buscou analisar o significado do Dia Internacional da Mulher e suas representações a partir do olhar dos (as) alunos (as) do ensino fundamental numa instituição privada, e de uma de ensino médio em uma instituição pública, em Montes Claros-MG. As fontes utilizadas para análise foram cartazes confeccionados para comemoração do Dia Internacional da Mulher (ensino fundamental) e redações produzidas a partir de um texto proposto pela professora (ensino médio). Os resultados demonstraram: que a mulher continua vinculada ao estereótipo de mãe protetora; as questões relacionadas à sua trajetória histórica e aos seus direitos não são mencionadas; as representações de mulheres vinculadas mais à beleza e à perfeição física são uma constante e, o percurso da mulher no contexto histórico-cultural como conquistas, privações, preconceitos e violências não foram contemplados pelos/as alunos/as.
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Luciana de Bem Pacheco - FURB
Gênero e brincadeiras: atribuição de significados no contexto da educação infantil
O presente trabalho é um projeto de dissertação que versa sobre Gênero e brincadeiras: atribuição de significados do contexto da educação infantil, que busca investigar como professoras/es e alunas/os atuam no desenvolvimento das posições de gênero em situações que envolvam o brincar. Para tanto, foram realizados vídeo gravações do cotidiano de uma turma de educação infantil, composta por crianças de dois a quatro anos de idade. De tais gravações, foram escolhidos dois episódios que demonstram falas, gestos e as escolhas que meninas e meninos fazem de suas brincadeiras, dos/das companheiros/as que podem fazer parte daquelas, como também a intervenção da professora neste contexto. As análises foram feitas à luz da teoria histórico-cultural que tem em Vygotski seu grande representante e dos teóricos de gênero tais como Joan Scott, Maria da Conceição Nogueira e Guacira Louro.
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Mara Marlene Schwingel
Reflexões sobre o preconceito racial a mulher negra trabalhadora em Marechal Cândido Rondon
A presença da mulher tem sido significativa ao longo do processo de formação histórico da sociedade brasileira. Ela vem participando ativamente nas lutas para sua inserção no mercado de trabalho, bem como para sua independência, em uma sociedade machista e preconceituosa. Analisando a inserção da mulher negra, neste mercado de trabalho, podemos notar que vivemos num contexto munido pelo mito da democracia racial, a qual esconde os conflitos raciais existente ja que a presença dela é “aceitável”, contudo seu cotidiano é permeado por atitudes de preconceito e discriminação. A marginalidade e a pobreza reforçam ainda mais essa situação, tornando sua luta muito mais acirrada e exigindo, por parte dos setores públicos e de sociedades civis organizadas, propostas e efetivação de políticas públicas voltadas à questão.
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Marcia Wickert
Violência, mulher e religião
Esta pesquisa, ainda em fase inicial, diz respeito à opressão e a violência praticada contra as mulheres entre os séculos XV e XVII na Europa – durante a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício - Tais mulheres, depois de julgadas e condenadas como bruxas e/ ou feiticeiras, eram humilhadas, torturadas e, em sua grande maioria, executadas. Esta comunicação visa criar o debate em torno do papel negativo que as mulheres representavam na sociedade da época já que, vistas como essencialmente má, eram consideradas ameaça.
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Maria Carolina Vecchio
Etnografia das representações de “proteção” e “perigo” em uma vila popular de Porto Alegre
O Estado brasileiro tem se colocado no lugar de definidor legal e ideológico das formas de cuidado e proteção à “infância pobre”. A substituição do sistema de “enclausuramento protetivo” e “educativo”, pelo modelo de “família nuclear” trouxe uma série de paradoxos. Se isto representou um avanço, também demonstrou que este modelo idealizado não corresponde à realidade de inúmeras famílias de baixa renda, grande parte delas chefiada por mulheres sozinhas. Na prática, outras configurações familiares também implicam outras formas de agenciar medidas protetivas com relação aos filhos. Estas práticas de proteção têm sido frequentemente mal interpretadas ou mesmo ignoradas pelos agentes das políticas de assistência, na sua maioria mulheres. Este estudo visa contribuir para uma maior aproximação entre tais universos.
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Maro Schweder - UDESC
A legislação menorista para o trabalho na era vargas e as relações de gênero
Nesta pesquisa, através da análise da legislação menorista para o trabalho, emitida em nível federal e pelo juizado de menoes da comarca de florianópolis, durante a Era Vargas, procura-se conhecer os discursos relativos às atividades laborais que passam a ser consideradas legítimas e não legítimas para crianças e jovens de ambos os sexos. Observa-se que as representações sociais de maculino e feminino, presentes na norma familiar burguesa, aparecem como norteadoras de discursos acerca da divisão sexual do trabalho infanto-juvenil no período.
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Patrice Schuch - UFRGS
Sobre “o resto do resto”: os “direitos da criança” na encruzilhada entre os “princípios da igualdade” e os princípios da “diferença”
Neste traballho, abordo a implementação de políticas de proteção dos “direitos” das crianças e adolescentes em Porto Alegre no âmbito das políticas sócio-educativas (estudadas em minha tese de doutorado) e nas políticas de abrigamento (pesquisa realizada nos abrigos do município pelo Núcleo de Antropologia e Cidadania). Em ambas as experiências, fica evidente a existência de uma tensão entre os “princípios da igualdade” das definições formais de “direitos” e os “princípios da diferença”, explícitos nas inúmeras práticas de diferenciações entre as crianças e adolescentes (sexo, cor, etnia, etc) para a implementação dos projetos. Como disse um educador de um abrigo municipal em Porto Alegre, “aqui só vem o resto do resto”. Entender o que se define por “resto”, suas práticas de constituição e os efeitos de sua existência pode contribuir para a compreensão da desigualdade social nos seus inúmeros recortes – de gênero, classe etnia, etc - e os dispositivos de sua constituição e possível transformação.
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Rita de Cácia Oenning da Silva - UFSC
Meninos e meninas em “batalha”: breakdance e relações de gênero em comunidades de periferia de Recife
No Brasil, o hip-hop transformou-se num espaço de educação do corpo e da conduta de meninos que têm pouco espaço de visibilidade na sociedade. Um espaço preferencialmente masculino, o breakdance nos últimos anos têm sido reivindicado também por meninas. Numa “batalha” de gênero, meninas moradoras do Arruda, Recife, reivindicam seu espaço de dançarinas, mostrando sua competência perante dançarinos consagrados pelo grupo, ganhando respeito e visibilidade perante os mesmos. A mesma batalha que têm que enfrentar para mostrar sua competência perante os meninos, têm tido conseqüências no campo doméstico e comunitário.. Neste trabalho, pretendo mostrar como a noção de “batalha” têm sido fundamental para modificar noções de competência, de classe e de gênero entre crianças e adolescentes da periferia de Recife.
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Silvia Maria Fávero Arend - UDESC
“O menino é o pai do homem”: programas sociais infanto-juvenis na era Vargas e as relações de gênero
Na década de 1930, infantes pobres de ambos os sexos foram transferidos, sob os auspícios do Poder Judiciário, para famílias de classe média que residiam em Florianópolis. Os guardiões acolhiam os filhos de criação visando obter mão-de-obra para a execução dos serviços domésticos e de atividades comerciais. De maneira geral estas crianças e jovens eram impedidas pelos seus pais/patrões de freqüentar a escola. A partir dos anos de 1940 observamos uma mudança nestes programas sociais norteada em parte pelas representações sociais de masculino e de feminino vigentes na norma familiar burguesa que estava sendo difundida pelos representantes do governo Vargas. A maior parte dos meninos e dos jovens passou a ser enviada para o Abrigo de Menores na expectativa que estes se tornassem, no futuro, os provedores do lar. Nesta instituição asilar esta população masculina tinha acesso ao saber escolar que lhe oportunizava a ascensão social. As meninas e as jovens, por sua vez, continuaram sendo transferidas para os lares da camada média para exercerem ofícios domésticos.
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Solange Carvalho de Souza - FASE/RS
A privação de liberdade e as práticas de letramento
A relação social vivida pelos adolescentes autores de ato infracional em situação de privação de liberdade é mesclada entre a obrigatoriedade da Lei – cumprimento de medida - e a adaptação a um sistema fechado de convívio social. Todo o universo do preso é formado por essa linha comportamental binária: enquanto procuram adaptar-se, ao mesmo tempo tentam resgatar a personalidade para não esquecerem quem são. Nessa busca, a literatura é fonte de consolo e / ou fantasia. A poesia, o romance e aventura são mecanismos de liberdade onde as sugestões do autor são como doses estimulantes para o imaginário do leitor. A carta, principal mecanismo de comunicação além dos portões, serve para contar o dia a dia, fazer pedidos, saber dos amigos mas, principalmente demonstrar sentimentos de amor e remorso pelos atos praticados, enfocando palavras românticas na tentativa de resgatar entre outras coisas, o tempo perdido.
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