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ST09 - Homens, gênero e feminismo

Coordenadoras:     Benedito Medrado (UFPE)
                               Maria Juracy Filgueiras Toneli (UFSC)
                               Jorge Lyra (PAPAI)

Resumo

Essa sessão temática tem como propósito discutir as articulações e impasses entre as teorias de gênero e a ação política feminista, tendo como foco principal a participação dos homens  e inserção do debate sobre masculinidades nesse cenário. Tem-se como ponto de partida as discussões consolidadas nas grandes conferências internacionais, dentre as quais as realizadas no Cairo e em Beijin nos anos 1990, que estimulam em suas plataformas a inclusão dos homens, seja por suas implicações na promoção da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, seja pelo entendimento de que a luta pela eqüidade de gênero não pode prescindir das discussões sobre (e com) os homens. Paralelamente, a partir da década de 1980, os estudos sobre masculinidades ganharam corpo no cenário acadêmico, especialmente aqueles orientados por uma analítica de gênero. A produção latino-americana, incluindo a brasileira, atesta o crescimento do interesse pelo tema em suas várias vertentes. Por outro lado, os movimentos sociais, particularmente os feministas, ainda se vêem às voltas com a discussão sobre a participação dos homens. A ambigüidade aparece aqui na dualidade entre a importância dessa incorporação e o temor da perda da força política e da lógica identitária importante para a mobilização das mulheres. Pensando nesses jogos de força e na necessidade de se revisitar a produção acadêmica e dos movimentos é que se propõe essa sessão temática. A expectativa é que agregue trabalhos que permitam a discussão sistematizada dessas questões, contribuindo para a elaboração de um “estado da arte” nesse campo.


Trabalhos

Christina Gladys de Mingareli Nogueira, Mónica Franch - UFPB
O homem em família: contribuições dos arranjos familiares aos estudos de masculinidade
O lugar dos homens desempregados nas famílias da classe popular de João Pessoa-Paraíba, é o foco deste trabalho. Através da visão dos homens e dos seus filhos jovens, busquei observar este “novo” arranjo familiar: Se de fato ou até que ponto homens não provedores continuam exercendo ou, pelo contrário, perdem sua posição de autoridade no grupo familiar? Como é vivida a masculinidade não provedora? Como é vivenciada a relação pai-filho nestas famílias? Este trabalho dialoga basicamente com a literatura sobre família nas classes populares, gênero/ masculinidade e geração.O que torna-se relevante acrescentar e que mesmo estes homens não sendo mais os provedores, há outros valores que fazem com que sua presença seja mantida e desejada no ambiente familiar. Parece também estar acontecendo mudanças de postura, levando estes homens a assumirem outras funções muitas vezes tidas como femininas, especialmente no contato com os filhos.
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Danilo de Assis Clímaco - UFSC
Homens generificando-se
Este trabalho é fruto de uma pesquisa que está sendo levada a cabo simultaneamente no Peru e no Brasil e que busca indagar, através de entrevistas a homens que trabalham no campo do gênero, pelas motivações que eles mesmos julgam como fundamentais para a escolha por tal campo de trabalho. Compreendemos que a masculinidade é construída pela inferiorizarão da e pela oposição ao feminino e que, por isto, a aproximação de homens ao feminismo é em si uma transgressão, o que não impede que ocorra – a revelia da consciência ou não – uma apropriação por estes mesmos homens de um espaço construído e ganhado pelas mulheres. O texto buscará, desta maneira, pensar as possibilidades e os perigos do trabalho dos homens no campo dos feminismos e do gênero. Como ocorre freqüentemente nos feminismos, este texto é também uma busca por uma ética pessoal, por uma maneira de guiar-nos no mundo, neste caso, uma maneira baseada na assunção da interdependência entre os seres humanos – ao contrário da ética masculina, que procura negar tal interdependência a través de uma coerção da alteridade em um projeto ególatra - e na afirmação da possibilidade de um mundo sem hierarquias de gênero.
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Edilane Bertelli - UNOCHAPECÓ
Os não ditos e os vividos: trajetórias masculinas numa “profissão feminina”
Há profissões e ocupações cujas relações de gênero expressam, nitidamente, as divisões e hierarquias no mundo do trabalho. Algumas delas associam-se ao masculino, enquanto outras, ao feminino. O Serviço Social é uma das profissões socialmente representada como feminina e, considerada apropriada às mulheres. Analisando trajetórias de homens que cursaram o curso de Serviço Social, entre fins da década de 1930 e 1950, buscamos problematizar a “imagem feminina” de que se revestiu, historicamente, a profissão de assistente social. A partir da posição de que “gênero” (como lugar e categoria analítica), constitui e atravessa as relações e instituições sociais; que demarca fronteiras, disputas e tensões entre os campos profissionais e, não menos, entre os sujeitos no interior de um mesmo campo, permitiram-nos re-construir algumas configurações “de gênero” e de “masculinidades”, específicas deste campo profissional, nesse período em que deitou suas raízes no contexto paulista e brasileiro.
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Ediliane Araújo, Vera Lúcia Pires
A revista Capricho e o masculino
Nas últimas décadas, verifica-se o surgimento acelerado de pesquisas a respeito do poder que a mídia exerce perante as pessoas. A importância que ela possui na compreensão de sentidos é irrefutável, por se tratar de um meio poderoso de criar e proceder a circulação de conteúdos simbólicos. Nesse sentido, nossa pesquisa busca realizar análises sobre a inserção masculina nas abordagens da revista Capricho, ou seja, verificar de que maneiras o sujeito masculino começou a figurar como parte integrante dos processos discursivos de um objeto de leitura característico do sexo ao qual se opõe, intuindo, com isso, fazer com que venham à tona aspectos ligados à produção de saberes e significados sobre o homem.
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Elisângela Isaias, Elisônia Renk, Eliane Aparecida Pinheiro - UNOCHAPECÓ
Decisão judicial no reconhecimento de paternidade: um estudo a partir da experiencia do escritorio sócio-jurídico
O Escritório Sócio-Jurídico (Programa de Extensão Universitária da UNOCHAPECÓ ) atende um número significativo de mães que procuram o Reconhecimento Paterno para seus filhos e, quando não é realizado acordo com os “supostos pais” a Instituição viabiliza o direito à filiação paterna através da Ação de Investigação de Paternidade. A pesquisa tem como objetivo analisar o significado da paternidade atribuída através de decisão judicial, aos usuários atendidos junto ao ESJ de Xaxim. A metodologia adotada prevê a pesquisa bibliográfica, documental e estudo de caso. A relevância deste estudo consiste em aprofundar conhecimentos e propor novas alternativas de intervenção, referindo-se especialmente a subjetividade dos usuários/pais que reconhecem os filhos através de decisão judicial. A pesquisa está em andamento e conta com resultados parciais em análise.
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Fabrício Mendes Fialho - UFMG
Uma crítica ao conceito de masculinidade hegemônica
O conceito de “masculinidade hegemônica”, formulado por R. W. Connell, tornou-se importante referência teórica nos estudos sobre masculinidades. Tal conceito diz respeito àquele grupo masculino cujas representações e práticas constituem a referência socialmente legitimada para a vivência do masculino. Trata-se de uma forma de se pensar em certa “organização social da masculinidade”, como proposto pelo referido autor. Entretanto, ao pensarmos em “masculinidades plurais”, na multiplicação de formas de se vivenciar a masculinidade, cabe uma crítica a tal conceito, uma vez que ele se mostra como um problema teórico para se pensar estas mudanças na esfera do gênero. O adjetivo “hegemônico”, derivado de Gramsci, surge como um sério problema teórico, uma vez que o termo implica constante luta pela posição de preponderância. Se é fato que ainda existe uma forma hegemônica de masculinidade, trata-se de refletirmos se o que as formas emergentes de masculinidade, ao se contraporem a esta forma predominante, buscam ocupar tal posição hegemônica? Ou será que o que pretendem é, sobretudo, reconhecimento como uma forma também legítima e possível de experienciar a masculinidade? Pretendemos, ao recuperar o sentido original de hegemonia, refletir de forma crítica sobre as implicações de tal apropriação teórica aos estudos sobre masculinidades.
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Felipe Areda, Wnderson Flor do Nascimento - UnB
Ser gay e a possibilidade de não ser homem
Audre Lorde propõe uma militância íntegra, uma militância na qual a primeira coisa que se submeteria a um escrutínio, a um apuramento minuciosamente crítico, seria as nossas vidas, nós mesmos/as, expondo nossas relações, até as mais íntimas delas, e colocando-as em questão, politizando-as, agindo sobre elas. Seguindo essa sugestão de Lorde, propomos-nos a pensar as relações homossexuais masculinas e o modo como o meio gay, enquanto cultura, tem se organizado como uma forma de reprodução de um imaginário masculino não criticado - e por isso muitas vezes misógino, homofóbico, violento - e também a contribuição que os estudos feministas podem ter nessa análise. Quem sabe possamos pensar, por estas vias, um novo modo de vida gay, ou seguindo as palavras de Foucault, um novo "tornar-se gay", que, aproximando-se do(s) feminismo(s), lute para se desligar de formas violentas de masculinidade.
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Gary Barker - Instituto Promundo
Homens e políticas de saúde: o que fazer para engajá-los?
Este trabalho procura discutir os impasses e as transformações nos processos de engajar os homens nas políticas públicas de saúde. Os cuidados com a saúde sempre foram considerados assuntos femininos. A socialização masculina impõe ao homem uma maior resistência física e o exclui dos cuidados com seu próprio corpo. Igualmente excludentes são os serviços de saúde, raramente preparados para acolherem as demandas masculinas. A partir de dados de pesquisas anteriores realizadas pelo Instituto Promundo e de uma análise dos principais marcos conceituais utilizados para engajar homens jovens do todo o mundo, será estimulado um debate sobre como identificar as vulnerabilidades masculinas sem esquecer as diferenças globais, tratando homens e mulheres como sujeitos complexos em suas estruturas sociais.
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Jorge Lyra, Benedito Medrado, Luciana Souza Leão, Alexandre Franca, Roberto Éfrem Júnior - Instituto Papai - UFPE
Homens e serviços de saúde: um diálogo ainda distante
Esta pesquisa faz parte de um projeto mais amplo cujo objeto de estudo é a inserção dos homens em serviços públicos de saúde sexual e reprodutiva. Esse campo de atenção à saúde geralmente tende a não considerar a população masculina no oferecimento de suas ações e serviços, afastando-os ainda mais desse possível espaço de cuidado. Assim, o objetivo desse estudo foi investigar as barreiras assinaladas por homens em buscar assistência e orientação nos serviços de saúde, mais particularmente aqueles referentes ao planejamento familiar; participação no pré-natal e parto e prevenção às DST/Aids. Foram realizados grupos focais com homens de diferentes faixas etárias, residentes em comunidades de baixa renda da cidade de Recife. Como resultado preliminar, identificamos que os homens afirmam se distanciar da arena da saúde sexual e reprodutiva, entre outras coisas: 1) por julgá-la “coisa das mulher”; 2) pelo espaço de tempo ocupado pelo trabalho e 3) pela falta de atração dos serviços próximos ao seu alcance. Pretende-se expolorar algumas implicações dessas barreiras para uma efetiva política de gênero em saúde.
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José Antonio Novaes da Silva - UFPB
Articulado conceitos: a importância da categoria gênero e da etnia na construção de masculinidades
Partindo-se da perspectiva de que as masculinidades são aprendidas culturalmente, entre os anos de 2001 e 2004, dois grupos de homens jovens foram acompanhados discutindo-se com eles, por meio de oficinas educativas, temas relativos a: raça, etnia, saúde reprodutiva e normas de gênero. O primeiro grupo era formado por homens jovens de uma área remanescente de quilombo chamada de Caiana dos Crioulos, o segundo de uma comunidade de pescadores da cidade de Lucena; ambas as localidades estão localizadas na Paraíba. Para esses jovens, o ser homem se resumia unicamente a uma questão biológica. No início dos trabalhos, os jovens dos dois grupos não se reconheciam etnicamente e consideravam a fragilidade com uma característica feminina sendo a masculina gostar de mulher. Com o transcorrer das oficinas um número maior de jovens passou a se identificar etnicamente “surgindo” os negros, indígenas e brancos. Um fato importante foi que a diminuição do uso de violência e de expressões que depreciassem a condição feminina foi mais significativa entre estes jovens. As oficinas educativas auxiliaram na “descoberta” de um “eu” interno dotado de uma cor, o que contribui para o início de construção de normas de gênero mais eqüitativas.
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José Luiz Ferreira - UFCG
A chegada e a permanência de homens no magistério infantil em escolas da zona rural
Partindo-se da perspectiva de que as masculinidades são aprendidas culturalmente, entre os anos de 2001 e 2004, dois grupos de homens jovens foram acompanhados discutindo-se com eles, por meio de oficinas educativas, temas relativos a: raça, etnia, saúde reprodutiva e normas de gênero. O primeiro grupo era formado por homens jovens de uma área remanescente de quilombo chamada de Caiana dos Crioulos, o segundo de uma comunidade de pescadores da cidade de Lucena; ambas as localidades estão localizadas na Paraíba. Para esses jovens, o ser homem se resumia unicamente a uma questão biológica. No início dos trabalhos, os jovens dos dois grupos não se reconheciam etnicamente e consideravam a fragilidade com uma característica feminina sendo a masculina gostar de mulher. Com o transcorrer das oficinas um número maior de jovens passou a se identificar etnicamente “surgindo” os negros, indígenas e brancos. Um fato importante foi que a diminuição do uso de violência e de expressões que depreciassem a condição feminina foi mais significativa entre estes jovens. As oficinas educativas auxiliaram na “descoberta” de um “eu” interno dotado de uma cor, o que contribui para o início de construção de normas de gênero mais eqüitativas.
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Juliana Perucchi, Alexandre Moreira Laufer, Madelon Leopoldo, Nicole Vieira da Rosa Tontini, Wanessa Caroline Rangel
Preconceito e poder: relações entre uso abusivo de álcool e a (des)legitimação de masculinidades de homens em situação de rua
A proposta deste trabalho é elucidar os mecanismos sociais e culturais que constróem modos de vida e condicionam a visão de mundo por parte destes homens em relação à masculinidade, a si mesmos e aos outros. Uma questão importante para compreendermos os aspectos sociais do alcoolismo em homens em situação de rua está relacionado aos modos de ser do homem, compreendido aqui como modos de produção de uma subjetividade que busca a todo instante o reconhecimento de si mesmo no espaço social onde se estabelecem vínculos de sociabilidade. A desqualificação social do alcoolismo em homens em situação de rua (e desses próprios homens) parece estar relacionada não apenas à (des)valorização de sua "situação de rua", mas sobretudo, às regras do jogo social que (des)legitimam masculinidades e definem certos modos de ser homem que estão menos relacionados ao uso de álcool propriamente, e mais vinvulados ao que a sociedade espera (e exige) dos homens.
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Marco Martínez - Universidad Nacional de Colombia
Víctimas y victimarios frente al buen trato en las relaciones familiares en Bogotá
Esta ponencia abordará la política social del gobierno actual de Bogotá para el tratamiento y prevención de las violencias intrafamiliar y sexual cuyos ejes son la restitución de derechos y la perspectiva de género. Sobre este último en particular, abordaré el tratamiento diferenciado que se hace a hombres y mujeres como victimarios y víctimas respectivamente. Desde allí quiero indicar los presupuestos que tiene el gobierno bogotano sobre los hombres y las mujeres y las implicaciones que ello tiene al momento de aplicar políticas y planes para la prevención, tratamiento y denuncia de los fenómenos de violencia ya mentados.
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Maria Inês Ghilardi Lucena - PUCCAMP
Relações de gênero: a dominação masculina
Quando refletimos sobre as questões de gênero, a dominação masculina vem à tona, pois estamos inseridos em um contexto cujas estruturas sociais e históricas privilegiam os homens, em relação às mulheres. No entanto, hoje, o gênero masculino está passando por um profundo processo de revisão de alguns modelos cristalizados na sociedade e conta com a colaboração dos veículos midiáticos que expõem os novos caminhos a serem trilhados, mostrando-os como já aceitos, embora ainda estejam em fase de transição. A crise de identidade por que passam os homens vai sendo amenizada pela cumplicidade da mídia. Examinamos publicações recentes de veículos impressos que discutem o tema, apontando que a visão androcêntrica do mundo dá lugar à reflexão sobre o papel masculino, na atualidade.
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Maristela Moraes, Benedito Medrado, Ricardo Castro, Fabio Calamy
Gênero e juventude: trabalhando com homens jovens outros sentidos das masculinidades
Este trabalho objetiva apresentar uma reflexão sobre o trabalho de ação-pesquisa que vem sendo desenvolvida com grupos de homens jovens, residentes em comunidades de baixa renda, em Recife. Nosso objeto de pesquisa são os sentidos sobre masculinidades e as possibilidades de ser homem com as quais negociam estes jovens em suas comunidades, tendo por base os princípios do feminismo e a perspectiva de gênero que são frequentemente trabalhados em oficinas temáticas promovidas pelo projeto. Neste processo, evidenciam-se relatos sobre as dificuldades enfrentendadas por esses jovens quando buscam por em prática formas alternativas de ser homem jovem. Destac-se a dificuldade de compreensão das famílias, dos colegas e da comunidade em geral. Esta dificuldade revela conflitos para o processo de ressignificação dessas masculinidades e juventudes, especialmente no que diz respeito ao abandono de posturas e comportamentos violentos. Nas oficinas vivenciais, esses sujeitos expressam desejos, idéias e projetos de vida em contraste com as expectativas e valores das famílias, pares e comunidades que fazem parte. Tal experiência tem gerado reflexões importantes sobre os processos de ressignificação da masculinidade e a construção de outros roteiros de vida, no contexto das relações de gênero.
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