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ST10 A - Estudos feministas e pós-coloniais

Coordenadoras:     Liane Schneider (UFPB)
                               Simone Pereira Schmidt (UFSC)

Resumo

O presente simpósio pretende reunir pesquisadoras(es) que têm, nas várias áreas de estudo, se debruçado sobre questões que envolvem tanto aspectos relativos a gênero quanto à condição pós-colonial. Dessa forma, as teorias feministas bem como aquelas que se desenvolveram em conseqüência do embate político-teórico que ocorreu em territórios marcados por processos de colonização compõem o foco de discussão desse simpósio. Pretende-se, portanto, discutir as possibilidades de alianças e coalizões entre o local e o global, sob um prisma que enfoque gênero, raça, etnia, classe, sexualidade, etc. Tanto a teoria feminista quanto a pós-colonial desvelaram que o valor estético da literatura hegemônica não se encontrava, de forma dada, no próprio texto, não sendo, portanto, universal. O feminismo vem questionando essa aparente neutralidade do discurso hegemônico que fundamenta estruturas sociais patriarcais com base na desigualdade e na discriminação, enquanto que os estudos pós-coloniais questionam a organização de mundo a partir de perspectivas eurocêntricas, onde o sujeito, preferencialmente branco, masculino e heterossexual seria o paradigma de subjetividade. No presente simpósio é nosso objetivo discutir a literatura, a experiência, enfim, a produção cultural de sujeitos que não se enquadram pacificamente em tais parâmetros hegemônicos de identidade.


Trabalhos

Diony Maria Oliveira Soares - UFPel
O dia em que Iansã quebrou o espelho hegemônico: mulheres negras, resistência e identidade nacional
A partir de reflexões sobre a alteridade, em especial a construção hegemônica do papel que deverá ser desempenhado pelo personagem social o Outro, e sobre o biopoder, com olhar privilegiado para o dispositivo “deixar morrer”, este ensaio propõe uma incursão pelos caminhos percorridos pelas mulheres negras brasileiras na resistência e na consolidação de posições de poder, que resultaram, no nosso entendimento, em contribuições ímpares na construção da subjetividade de identidade nacional brasileira. Para tal reflexão, optou-se por uma contra-modernidade do colonizado, como um exercício de resistência atemporal à modernidade e rito de passagem que, por ser simbólico, transita também pela pós-modernidade acolhendo e transmutando-se em hibridismos pós-coloniais. Neste sentido, a última parte do texto destaca, emblematicamente, a ótica do colonizado na contemporaneidade, a partir da exposição e tentativa de análise de parte da obra criativa produzida nos primeiros anos do século 21 pela rapper Gisele Gomes de Souza - NEGA GIZZA, uma brasileira, negra, favelada e artista.
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Elisalva de Fátima Madruga Dantas - UFPB
Vozes-mulheres do ontem e do hoje na literatura angolana
O trabalho tem como objetivo verificar , a partir da análise comparativa de textos poéticos das angolanas alda lara e ana paula tavares os traços de ruptura e de continuidade neles presentes, tendo em vista os diferentes momentos ideológicos e estéticos nos quais se inserem a sua realização.
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Flávia Santos - UFPB
Literatura e identidade: os (des)caminhos e os (des)encontros na trajetória de Ponciá Vicêncio
O objetivo deste trabalho é discutir, a partir do diálogo com os Estudos Culturais e de Gênero, como se dá a representação dos sujeitos marcados pela diáspora, pela escravidão e colonização no romance Ponciá Vicêncio de Conceição Evaristo (2003). Assim, consideraremos, para fins de análise, os efeitos do processo colonial, sua relação com o global e o local, bem como os processos identitários permeados pelos deslocamentos/ estranhamentos que caracterizam a personagem central do texto e sua trajetória em busca de autodefinição, auto-afirmação e de sua ancestralidade afro-descendente. Tal identidade foi invariavelmente inscrita na historiografia da colonização, sendo também marcada pelas relações de poder características do patriarcado. Desse modo, a imagem identitária representada em Evaristo - ao contrário de ser um reflexo de traços étnico-culturais preestabelecidos pela tradição – é construída em bases movediças, conflituosas, produzidas na articulação de diferenças culturais que dão início a novos signos de identidade (BHABHA, 2003: 20).
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Gizêlda Melo do Nascimento - UEL
Retratações da mulher negra na poética das escritoras afro-brasileiras
Sabemos da importância do papel da mulher negra na formação da cultura brasileira em geral; o que significa na maioria das vezes dizer no âmbito do espaço privado. e em literatura, tal papel recebe várias configurações dependendo do lugar do discurso emitido. a presente proposta pretende observar como fica configurada sua presença nos textos das escritoras afro-brasileiras no que concerne a sua atuação e incansáveis tentativas de interferências no espaço público: suas estratégias e habilidade em negociar com tal espaço, procurando saídas menos desalentadoras para os membros de seu grupo.
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Heloísa do Nascimento
Uma escritora africana pede passagem
Diante do panorama da produção literária pós-colonial, ressurge o acalorado debate em torno da questão do cânone. Pesquisadores reavaliam a relevância dos chamados autores canônicos, suscitando um questionamento sobre quais critérios estão em jogo para que um escritor seja incluído naquele seleto grupo. No caso da escritora moçambicana Paulina Chiziane, autora de quatro romances, entrelaçam-se elementos relacionados ao gênero, etnia e religião, trazendo à tona questões bastante atuais no que concerne aos estudos pós-coloniais.
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Izabel Cristina dos Santos Teixeira - Fundação Universidade Federal do Tocantins
Pela pena de Luandino, vozes e ecos de negros e pobres
Este trabalho enfoca um conto do escritor angolano Luandino Vieira, Vavó Xíxi e seu netoZeca Santos. Os personagens – avó e neto – nos são revelados por uma estória ambientada em Luanda, capital da então colônia portuguesa, Angola. O enredo nos possibilita uma reflexão sobre demarcação social como conseqüência de preconceito racial ao ser narrada a vida de ambos. Por serem negros, vivem em dificuldades, submetidos a uma rotina desesperançosa, em um musseque, bairro proletário, localizado na periferia da cidade, sem as mínimas condições de saúde ou mesmo de conforto. Os dois, remanescentes de uma família desagregada pela situação de miséria em que vivem, bem como pela imposição da polícia política de Angola, que persegue um dos membros da família, o pai de Zeca Santos, estão sujeitos a um processo de influência externa, do homem branco, português, cujo contato provoca um efeito em torno de culturas distintas, do colonizador e do colonizado, que se atritam de forma desigual, pois avó e neto, pelo duplo atributo de serem negros e pobres, em meio a carências e conflitos cotidianos, guardam algo de trágico sobre sua própria condição.
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Mailza Rodrigues Toledo e Souza - USP
Hilda Hilst e Paula Tavares: duas poetas, dois percursos, um diálogo
Este trabalho traz uma reflexão acerca dos pontos de contato entre a poesia da autora angola Paula Tavares e a brasileira Hilda Hilst. O recorte para esta reflexão tem como foco a representação literária das imagens do feminino na poesia das duas poetas, em dois lócus enunciativos distintos e uma tessitura poética similar ao (es)inscrever-se como poeta, como voz de mulher e da mulher, uma voz instauradora de identidade: de gênero, de raça, de cultura, de ser social, de gente.
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Maris A. Viana - UFSC
A Costa dos Murmúrios: a voz do outro, a voz da África
Com o romance A costa dos murmúrios, a autora Lídia Jorge através de um discurso reflexivo desconstrói imagens de fatos que relatam parte da história oficial da guerra colonial em Moçambique. A narrativa é conduzida pelo olhar de quem está na periferia, na voz da personagem portuguesa Eva Lopo, que ao falar a voz da África denuncia as atrocidades da ocupação do território africano pelos portugueses. Moçambique foi colônia de Portugal até 1975.
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Rivaldo Pereira dos Santos, Liane Schneider - UFPB
Bom-crioulo e os jogos de poder étnica e sexualmente marcados como ‘desviantes’
Este artigo busca examinar as relações de gênero e poder que perpassam a relação entre Amaro/Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, e Aleixo, o jovem por quem Amaro se apaixona, bem como as relações étnicas inscritas na lógica eurocêntrica do final do século XIX. Para trabalhar tal proposta, estudaremos questões ligadas a gênero, masculinidade, homossexualidade e o conflito advindo das relações de poder e gênero das relações afetivo-sexual entre pessoas do mesmo sexo. Este é o fulcro deste trabalho – a relação homoerótica entre os personagens e os conflitos que pululavam num país escravocrata chamado Brasil.
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Vander Vieira de Resende
Relações de poder em contos africanos contemporâneos
Estudo das representações de gênero em um corpus de dez contos de autoria africana, escritos na década de 1980. Adotou-se a perspectiva dos estudos culturais, através de análise critico-comparativa, tendo como base teórica as reflexões de Stuart Hall, Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Judith Butler, entre outros. A análise das relações de poder revela a sobredeterminação das categorias identitárias, como gênero, classe social, geração e religião. Além disto, as identidades femininas se constroem de forma fragmentada e descentrada, por meio de múltiplas interações, evidenciando níveis diversos de dominação, submissão ou resistência. Uma percepção da diversidade cultural e dos dilemas que o capitalistmo global impõe às sociedades africanas, onde as mulheres se defrontam com a misoginia, o patriarcalismo, a violência, a miséria e a solidão.
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