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ST10 B - Estudos feministas e pós-coloniais

Coordenadoras:     Liane Schneider (UFPB)
                               Simone Pereira Schmidt (UFSC)

Resumo

O presente simpósio pretende reunir pesquisadoras(es) que têm, nas várias áreas de estudo, se debruçado sobre questões que envolvem tanto aspectos relativos a gênero quanto à condição pós-colonial. Dessa forma, as teorias feministas bem como aquelas que se desenvolveram em conseqüência do embate político-teórico que ocorreu em territórios marcados por processos de colonização compõem o foco de discussão desse simpósio. Pretende-se, portanto, discutir as possibilidades de alianças e coalizões entre o local e o global, sob um prisma que enfoque gênero, raça, etnia, classe, sexualidade, etc. Tanto a teoria feminista quanto a pós-colonial desvelaram que o valor estético da literatura hegemônica não se encontrava, de forma dada, no próprio texto, não sendo, portanto, universal. O feminismo vem questionando essa aparente neutralidade do discurso hegemônico que fundamenta estruturas sociais patriarcais com base na desigualdade e na discriminação, enquanto que os estudos pós-coloniais questionam a organização de mundo a partir de perspectivas eurocêntricas, onde o sujeito, preferencialmente branco, masculino e heterossexual seria o paradigma de subjetividade. No presente simpósio é nosso objetivo discutir a literatura, a experiência, enfim, a produção cultural de sujeitos que não se enquadram pacificamente em tais parâmetros hegemônicos de identidade.


Trabalhos

Danielle de Luna e Silva - UnB
Gênero, etnia e pós-colonialismo em Ninguém para me acompanhar, de Nadine Gordimer
A escritora sul-africana Nadine Gordimer, em Ninguém para me acompanhar, de 1994, retrata a difícil vida no interregno de uma advogada branca que defende os direitos dos negros à terra. É nosso objetivo, com esse artigo, analisar os cruzamentos entre gênero e etnia presentes na obra. Além disso, argumentaremos que aqui a mulher branca, pertencente a uma minoria que detém uma série de privilégios em seu país e que, ao mesmo tempo, defende um grupo social historicamente marginalizado - os negros – sente-se duplamente isolada. Primeiro, por ser branca em um país predominantemente negro que acabara de derrubar o regime de apartheid, e, segundo, por fazer parte de um outro grupo ainda mais restrito dentro da minoria branca – o de brancos atuantes na defesa da causa da igualdade racial. Essa sensação de não-pertencimento e de unhomeliness (termo usado por Homi Bhabha em O local da Cultura) é uma característica presente tanto nos textos pós-coloniais quanto nos de autoria feminina. É nossa intenção, portanto, apontar de que forma as representações de gênero e etnia se articulam dentro deste texto pós-colonial escrito por Nadine Gordimer.
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Flávia Maia Guimarães
O vôo de identidades culturais em espaços fronteiriços
O objetivo deste trabalho, a partir de uma perspectiva das Relações de Gênero e dos Estudos Culturais, é o estudo considerando a inter-relação do local e do global, do pós-colonial e os efeitos produzidos em termos de subjetivação e des/construção da Identidade cultural refletidas e refratadas em mulheres e homens que vivem em situação de deslocamento/estranhamento sócio-geográfico no universo ficcional criado por Mia Couto em sua obra O último vôo do flamingo (2005).
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Jair Zandoná - UFSC
Espaços do exílio: (re)construções do sujeito em A costa dos murmúrios
Neste estudo, pretendo investigar em uma perspectiva pós-colonialista os aspectos de gênero e raça e como a experiência do exílio [re]constrói os sujeitos. Para tanto, parto do romance A costa dos murmúrios, de Lígia Jorge, a fim de vislumbrar como em plena guerra colonial dos anos 60 e 70 são representadas as experiências de gênero, raça e exílio, bem como esse marco histórico [de]marcou as personagens vinte anos após a guerra, vista por Eva Lopo.
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Jane T. Brodbeck - ULBRA
Identidades femininas em transformação: uma leitura de Geographies of Home
O romance de Loida Maritza Perez, Geographies of Home, trata da migração diaspórica de uma família da República Dominica para o Brooklin. O título sintetiza os questionamentos abordados pela autora, trazendo à discussão conceitos que compreendem os estudos pós-coloniais, mais especificamente a noção de espaço como pertencimento. Ao mesmo tempo, as personagens do romance, apesar dos anos de permanência nos Estados Unidos, apresentam atitudes e comportamentos que conduzem a situações de permanente conflito familiar. Proponho uma leitura da desintegração da identidade das personagens femininas resultante da emigração, criando-se uma cisão que implica em mudança de papéis culturais e de gênero. Dessa forma, a vida no Brooklin provoca seqüelas devastadoras como o suicídio, a loucura e a violência. O fato de estarem localizadas num espaço de entre lugar, por serem imigrantes, as coloca numa situação de não pertencimento frente à sociedade americana. A discriminação de que são vitimas conduz a desconstrução de conceitos essencializados em relação a sua identidade, determinando a necessidade de criação de novas construções identitárias como forma de sobrevivência ao meio hostil.
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José Ernesto de Vargas - UFSC
Memória e exílio em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto
O objetivo de meu estudo é, em concordância com a proposta da disciplina, verificar no romance de Mia Couto, Um rio chamando tempo, uma casa chamada terra, a questão da memória enquanto lugar de exílio e fronteira entre o presente pós-colonial e o passado das antigas tradições africanas. Fronteira esta que divide as muitas vidas e mortes da cultura negra no espaço afro-português, território de conflito entre as duas raças. Para tanto, utilizarei como referencial teórico Edward Said (Reflexões sobre o exílio), Arlindo Barbeitos (A 'raça' ou a ilusão de uma identidade definitiva), e outros.
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Liliana Gallo - UFSC
Portugal, entre Próspero e Caliban - quando se está na diáspora mesmo estando na própria terra
Em mais de quarenta anos dedicados à escrita, a escritora portuguesa Maria Velho da Costa vem, através de suas personagens, apresentando a experiência de ser mulher em Portugal desde fins do século XIX até o presente. Neste trabalho apresento uma leitura de seu último romance, intitulado Irene ou o contrato social (2000), onde é possível ver retratada a questão multicultural no Portugal pós-colonial, precisamente na cidade de Lisboa, através de três personagens, cada um deles diaspórico à sua maneira, e que estão a tecer as negociações que sua própria condição diaspórica lhes pede para ser na sociedade. Bhabha considera que a representação da identidade torna presente algo que está ausente: é a representação de um tempo que está sempre em outro lugar. No romance, há um tempo que, além de ser marcado pelos ensaios da peça de teatro de Shakespeare A Tempestade, que tem como personagens, entre outros, Próspero e Caliban, determina um entre-lugar. Próspero, trocadilho de prosperidade, e Caliban, de canibal, estariam aqui emprestados para assinalar uma realidade que não é nova, a de se sentir fora e dentro da Europa, a de ser Próspero e Caliban ao mesmo tempo, a de não conseguir visualizar uma saída do entre-lugar.
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Márcio André Senem - UFSC
A inserção da mulher na literatura pós-colonial
Segundo Virginia Woolf, se toda mulher pudesse dispor de recursos para manter -se e não precisasse abdicar da sua liberdade para casar e criar filhos, poderia ter o tempo disponível, como o homem, para criar e ser ouvida também. Em todas as áreas do conhecimento encontramos poucas representantes do sexo feminino que tenham conseguido expressar suas verdades. Recentemente, temos acesso a uma produção intelectual que procura interpretar os bens culturais com base nos princípios do feminismo e do pós-colonialismo. A literatura pós-colonial tem tentado fazer ouvir várias vozes, o que é importante para derrubarmos barreiras sexistas, elitistas e mudarmos o quadro global. Obras como A árvore das palavras, da portuguesa Teolinda Gersão, expressa esta busca pela igualdade e pela desmarginalização das mulheres africanas, colonizadas durante séculos e inferiorizadas pela sua própria cultura. Entender a relação dos sujeitos pós-coloniais com os seus e com os diferentes, dentro de sua própria cultura e nação, é importante para delimitarmos quais são ainda as
barreiras que encontramos e para tomada de consciência de novas culturas.
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Sandra Job - UFSC
As marcas do exílio em Terra sonâmbula de Mia Couto
Pretendo analisar o exílio vivido pelas personagens em Terra sonâmbula, de Mia Couto, mostrando, através do discurso e ação da narrativa, como e por que o mesmo acontece com personagens que vivem na sua terra natal.
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Thomas Bonnici - UEM
Para uma tipologia da representação feminina na literatura pós-colonial em inglês
Analisa-se a personagem feminina principal em cada um dos romances pós-coloniais Crossing the River (1993), de Caryl Phillips; Fruit of the Lemon (1999) e Small Island (2004), de Andrea Levy; Disgrace (1999), de J.M. Coetzee; The Pickup (2001), de Nadine Gordimer; e Purple Hibiscus (2003), de Chimamanda Adichie. O objetivo dessa pesquisa é verificar se, no contexto do status quo do feminismo contemporâneo, há traços comuns e diferenças significativas na representação da mulher feita por autores, oriundos de várias comunidades pós-coloniais, que se destacam na literatura pós-colonial escrita em inglês. A metodologia segue os parâmetros, envolvendo poder, voz, agência, alteridade e resistência, desenvolvidos por Ashcroft, Bhabha, Said, Spivak, Todorov e outros. Apesar de grandes avanços, constatam-se os resíduos da herança colonial, o patriarcalismo endêmico nas sociedades africanas e caribenhas, as diásporas contemporâneas e as nuanças oriundas da globalização e da tentativa de supressão do multiculturalismo, os quais os autores pós-coloniais insistem em salientar.
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