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ST10 C - Estudos feministas e pós-coloniais

Coordenadoras:     Liane Schneider (UFPB)
                               Simone Pereira Schmidt (UFSC)

Resumo

O presente simpósio pretende reunir pesquisadoras(es) que têm, nas várias áreas de estudo, se debruçado sobre questões que envolvem tanto aspectos relativos a gênero quanto à condição pós-colonial. Dessa forma, as teorias feministas bem como aquelas que se desenvolveram em conseqüência do embate político-teórico que ocorreu em territórios marcados por processos de colonização compõem o foco de discussão desse simpósio. Pretende-se, portanto, discutir as possibilidades de alianças e coalizões entre o local e o global, sob um prisma que enfoque gênero, raça, etnia, classe, sexualidade, etc. Tanto a teoria feminista quanto a pós-colonial desvelaram que o valor estético da literatura hegemônica não se encontrava, de forma dada, no próprio texto, não sendo, portanto, universal. O feminismo vem questionando essa aparente neutralidade do discurso hegemônico que fundamenta estruturas sociais patriarcais com base na desigualdade e na discriminação, enquanto que os estudos pós-coloniais questionam a organização de mundo a partir de perspectivas eurocêntricas, onde o sujeito, preferencialmente branco, masculino e heterossexual seria o paradigma de subjetividade. No presente simpósio é nosso objetivo discutir a literatura, a experiência, enfim, a produção cultural de sujeitos que não se enquadram pacificamente em tais parâmetros hegemônicos de identidade.


Trabalhos

Alai Garcia Diniz - UFSC
Gênero, diáspora e erotismo no romance La lozana andaluza
Segundo avaliação de um dos críticos espanhóis de maior autoridade no século XIX - Menéndez y Pelayo - La lozana andaluza, publicado em 1528, seria um livro "obsceno, imundo e feio". Talvez por isso mesmo valha a pena conferir essa obra renascentista de Francisco Delicado que foi alijada do cânone espanhol e é quase desconhecida do público brasileiro. Encontrada em Viena só no século XIX por Ferdinand Wolf, a obra é considerada um precursor do romance picaresco. Em meio à expulsão espanhola dos mouros, judeus e ciganos, no fim do século XV, Roma passa a ser o palco da fuga e o espaço em que o erotismo impera. Analiso como se processa o protagonismo popular e feminino na diáspora através de uma presença pícara em âmbito público como única possibilidade de sobrevivência. A desterritorialidade, a heteroglossia e o erotismo mobilizam um enfoque do corpo feminino dominado pelo saber e em busca de poder.
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Anderlane F. de Lima, Nathassia Guedes - UFPB
A representação feminina na literatura estadunidense: uma revisão da produção de uma escritora negra do século XIX
A representação da mulher na literatura ocidental, de um modo geral, e em especial nas literaturas pós-coloniais, sempre tendeu a expor perfis previamente afinados com a cultura dominante, marcadamente masculina e branca. A representação da mulher negra era ainda mais marcada pelo olhar que a percebia como o outro, estereotipando negativamente suas características. Assim, a mulher negra sempre recebeu papéis secundários, como de suporte às personagens brancas. Idealizada dentro de espaços como a cozinha da casa ou no campo, cuidando dos animais, a função doméstica restrita à negra se fundava na escravidão. Com base em tais discussões (feministas e pós-coloniais) sobre a condição da mulher negra e suas representações na literatura no contexto acima exposto, buscaremos traçar a problemática do ser mulher e “de cor”, vivido pela protagonista do romance Our Nig; Or sketches from the life of a free black (de teor autobiográfico) escrito em 1859 por Harriet E. Adams Wilson (1828-1863), ex-escrava estadunidense.
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Cecília Maria Cunha - UFSC
Longe de casa: Rachel de Queiroz e a escrita sobre exílio
Rachel de Queiroz morou parte de sua vida no Rio de Janeiro, espaço onde construiu uma carreia literária de sucesso. No entanto, considerava-se uma sertaneja, “alguém que nunca saiu de lá”. E o Ceará (paisagens, costumes, sabores e saberes) é uma presença constante em seus textos: do romance à crônica. Neste sentido, intento analisar alguns escritos de sua autoria para relacionar a experiência de migração e com a elaboração ficcional.
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Conceição Evaristo - UFF
Conversas de lavadeiras
A obra As filhas das lavadeiras de Maria Helena Vargas da Silveira (2002), misto de história, memória, poesia e fotos traz depoimentos de 20 mulheres, filhas de lavadeiras como a própria autora do livro, enfocando a atuação de mulheres que mesmo em profissões socialmente desvalorizadas, se tornam forças propulsoras de mudanças no seio das famílias negras. E destaca formas organizativas das classes populares possibilitando novos entendimentos da história das mulheres na sociedade brasileira. Na abordagem teórica trago os ensaios de feministas e pesquisadoras afro-brasileiras: “Nossos femininos revisitados” (Luiza Bairros, 1995), “Feminino Plural” (Lídia Avelar Estanislau, 2000), “Enegrecer o feminismo” (Sueli Carneiro, 2003), e “De Ialodês e feministas – reflexões sobre a ação política das mulheres negras na América Latina e Caribe (Jurema Wenerck, 2005)”.
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Maria do Socorro Baptista Barbosa
Historical character/literary persona: pathway of the pocahontas narratives from colonial history to romantic literature
Este trabalho objetiva situar algumas narrativas de Pocahontas dentro da história literária dos EUA, do período colonial a 1855, quando o Romantismo Americano estava no auge. Tais narrativas, algumas consideradas históricas, outras fictícias, tiveram muitas interpretações diferentes no decorrer dos últimos quatro séculos, mostrando como história e literatura estão interligadas em textos literários que lidam com personagens históricas como Pocahontas. Quando um evento histórico se transforma em um evento literário, ele ainda mantém o aspecto histórico, adquirindo uma posição diferente, uma espécie de posição mítica, lendária. Para entender como isso ocorreu com Pocahontas, trabalhamos com as teorias de Hayden White, que diz que uma situação histórica pode ser configurada segundo o desejo do historiador de acentuar certo aspecto, ou dotar certo evento de uma determinada significação.
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Mary Jane Fernandes Franco - UFSC
Veredas de uma viajante: travessias e transgressões em O retrato do rei, de Ana Miranda
O presente estudo tem por objetivo analisar o romance O retrato do rei (1991), de Ana Miranda, a fim de evidenciar que – ao eleger o tema da viagem como elemento estrutural da narrativa e ao conceder voz à Mariana, uma mulher-viajante socialmente marginalizada, cuja desventura a conduz ao interior
da histórica Guerra dos Emboabas, ocorrida no século XVIII – a autora proporciona um encontro entre diferentes culturas, gêneros, classes, etnias e gerações, questionando os preconceitos e as injustiças provenientes de múltiplas relações de dominação, ao mesmo tempo em que promove um diálogo com o passado em sua constante problematização concernente às fronteiras entre ficção e história, oferecendo, por estas vias, um texto que – embora inserido em certa tradição – apresenta significativas transformações tanto de caráter estético quanto ideológico.
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Mauren Przybylski - UFSC
A mulher na literatura moçambicana: uma análise do romance Niketche, de Paulina Chiziane , à luz das teorias feministas
Niketche é narrado em primeira pessoa e conta a história de Rami, mulher extremamente fiel e subserviente que vê no fato de seguir as tradições da sociedade patriarcal o resultado da sua infelicidade. Ao perceber que o marido, antes visto como tal, não é perfeito e possui várias amantes no Moçambique, o propõe que ele assuma a sua condição de polígamo e, assim, muda de forma radical seu destino. O objetivo deste texto é, a partir das discussões da área de Estudos de Gênero, analisar a narrativa à luz das teorias feministas.
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Rosvitha Friesen Blume - UFSC
Escritoras brasileiras contemporâneas em tradução na Alemanha. Relato de uma experiência de ensino
A comunicação pretende relatar a experiência de apresentação de cinco jovens escritoras brasileiras que começaram a publicar nos últimos dez anos, em uma oficina de tradução literária para estudantes alemães de letras-português na Universidade de Leipzig, que realizarei de 24 a 28 de abril deste ano. Os contos escolhidos para este trabalho, além de fazerem parte da literatura de uma ex-colônia européia, são todos de autoria feminina, e de nomes ainda não consagrados pelos cânones oficiais nem brasileiros e nem internacionais, configurando-se, certamente, como uma literatura ‘marginal’ naquele país. Esse gesto de ‘subversão’ representa, a meu ver, um importante gesto político de des-centramento da perspectiva eurocêntrica em que se baseia a literatura canônica da cultura ocidental contemporânea.
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