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ST12 - Modos de ser femininos, relações de gênero e sociabilidades no Brasil

Coordenadoras:     Maria Odila Leite da Silva Dias (PUC/SP)
                               Denise Bernuzzi de Sant'Anna (PUC/SP) 
                               Roselane Neckel (UFSC)

Resumo

Explorar as peculiaridades das mudanças nas relações familiares e na vida sexual das mulheres e a forma como suas vidas foram transformadas pela urbanização,conduzindo a novas formas de inserção no espaço público e o fortalecimento da cultura do espaço íntimo. O processo de aburguesamento das classes sociais urbanas no Brasil foi marcado de formas diferentes de outros paises, pois na sociedade brasileira se fizeram pesar as heranças da escravidão e uma concentração excessiva de poder nas classes mais altas. Nos periódicos predominaram sempre as tendências normativas e conservadoras da modernização, em tom didático e moralizador ao passo que estratégias sociais informais tais como a resistência contra a formalização do casamento ou a predominância das mulheres como provedoras das famílias foram fenômenos amplamente difundidos nos centros urbanos, dificultando a seu modo os papéis normativos da família conjugal burguesa e as transformações nos costumes sexuais. Através das imagens e discursos pedagógicos, criados segundo interesses econômicos, padrões morais e argumentos científicos, pretendemos cruzar outras histórias paralelas aos modelos de ser femininos “modernos” intensamente divulgados no Brasil desde o final do século XIX.


Trabalhos

Ana Carolina Eiras Coelho Soares
Femininos regulados, masculinos veiculados: um estudo histórico do Código Civil e da imprensa no início do século XX
Este trabalho faz parte de minhas reflexões iniciais de meu projeto de doutorado, que busca compreender como os conceitos sobre “casamento”, “família”, “pátrio poder”, “condição legal feminina”, aparecem no código civil de 1916 e foram caracterizados como comportamentos socialmente desejáveis pelos homens e mulheres na imprensa feminina - especificamente na Revista Feminina publicada em São Paulo e na Revista Fon-Fon do Rio de Janeiro - através de uma análise comparativa das fontes. O questionamento de ambas as fontes tem como ponto de partida as diferentes percepções sobre as liberdades atribuídas por uns e conferidas por outros às mulheres nas primeiras décadas do século XX, tanto no discurso impresso como no discurso legal.
Desta forma, desenvolvo este estudo pontuando semelhanças e antagonismos entre dois discursos: o aspecto legal do código civil, que regula e regulamenta os efetivos direitos e deveres sociais do homem e da mulher, e o da imprensa, com suas construções de feminilidade e masculinidade específicas.
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Ana Paula Cavalcanti Simioni - USP
Arte e gênero em tempos modernistas: o caso de Regina Gomide Graz
A apresentação abordará os resultados parciais de uma pesquisa ainda em desenvolvimento sobre a trajetória de Regina Gomide Graz, uma artista modernista pioneira na renovação das artes decorativas no Brasil, dedicada, especialmente, a um domínio pouco estudado e, em sua época, considerado “menor” : as artes têxteis. Constitui uma questão central a compreensão do espaço, concreto e simbólico, ocupado pelas artes decorativas dentro do campo mais geral, determinação essa marcada pela lógica do gênero. Sabe-se que tradicionalmente as artes aplicadas foram vistas com certo descaso pela história da arte e, dessa feita, foram negligenciadas pelos historiadores por lhe atribuírem uma importância secundária, ou até mesmo dubitável. Em grande parte tal visão se atrela à dimensão do gênero que perpassa esse tipo de produção: as artes decorativas e, muito especialmente as têxteis eram consideradas como “naturalmente femininas” e, portanto, diferentes e desiguais quando comparadas às modalidades eminentemente “masculinas” como a arquitetra, a pintura de história e a escultura. O caso da Regina Graz é particularmente interessante na medida em que permite a compreensão da situação das artistas mulheres dentro do Modernismo brasileiro.Ainda que de um modo mais sutil de que em períodos anteriores, os mecanismos que engendraram posições diversas segundo os gêneros continuaram a existir. Neste caso, é preciso atentar para a sua disposição dentro da tríade composta por seu irmão, Antonio Gomide e seu marido, John Graz; os três importantes artistas-decoradores que produziram conjuntamente entre os anos 20, 30 e 40. É muito notável que os dois artistas homens tenham suas trajetórias já bem conhecidas enquanto que Regina tenha sido fruto de um longo esquecimento. A hipótese é a de que havia uma divisão do trabalho a partir uma lógica de gênero cabendo aos homens as produções mais “elevadas” e “duráveis” – como a criação de móveis, luminárias, painéis e afrescos- ao passo que às mulheres (Regina e sua irmã Beatriz Gomide Witecy) cabiam as almofadas e cortinas, ou seja, trabalhos percebidos como mais “delicados”e comumente associados às prendas do lar e ao reino do feminino e, portanto, menos “relevantes”.
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Aracely Mehl Gonçalves - UEPJ
Impressões da mulher operária no Brasil: jornal anarquista A Plebe (1917-1927)
Anarquismo e feminismo sempre foram próximos um do outro visto que nos dois movimentos se prega a liberdade, igualdade, uma relação social entre indivíduos sem que exista a hierarquia de um sobre o outro A Anarquia proclama a igualdade da mulher e do homem, reconhece sua independência,
sua total autonomia, inclusive nos atos de amor.Considerando-se que o pensamento anarquista tenha contribuído para uma nova visão da mulher no início do século XX,incitando-as para que defendessem suas liberdades de escolha e tivessem uma maior participação na sociedade, esta pesquisa se propõe a levantar, descrever e analisar o posicionamento dos autores, editores e colaboradores, do jornal anarquista “A Plebe”,no que se refere à mulher e seu papel na sociedade , na cidade de São Paulo nos anos 1917 a 1927.
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Arnaldo Mont’Alvão - UFMG
Tempo, espaço e gênero: percepção e vida prática no cotidiano da capital mineira
Propõe-se aqui uma análise das representações sociais sobre a vida cotidiana na capital mineira, a partir do pressuposto de que há uma percepção diferenciada do tempo e do espaço entre homens e mulheres. A base metodológica do trabalho será a Pesquisa “Múltiplas Temporalidades de Referência” realizada em Belo Horizonte entre 2001 e 2004, pela qual será possível ver de que forma se interligam a divisão de gênero, suas respectivas segmentações sociais e a sensação de bem-estar e controle sobre as atividades cotidianas, através da percepção das dimensões de tempo e espaço. O foco será sobre o survey e os grupos focais que compõem a pesquisa, com o objetivo de contrapor o que é proclamado nas entrevistas e o que é efetivamente realizado no cotidiano – detectado através do survey –, efetuando assim a ligação entre a capacidade de administração do cotidiano e o bem-estar.
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Aureanice de Melo Correia, Gilmar Mascarenhas de Jesus
Feiras, mercados e kitandas: gênero e sociabilidades nos espaços públicos (Rio de Janeiro, 1850-1930)

Caetana de Andrade Martins Pereira
Pedagogias da feminilidade na revista Jornal das moças
O presente trabalho propõe uma análise das imagens dos corpos femininos no semanário Jornal das Moças (mais precisamente no suplemento “Jornal da Mulher”, parte integrante da revista), publicados no ano de 1960. Por considerar as revistas femininas uma importante fonte quando se pretende estudar os espaços de construção da feminilidade, a autora investiga neste semanário discursos que transmitem modelos de comportamento, fotos e textos onde representações “ideais” de aparência e beleza feminina são reiteradas página após página. Dirigido às mulheres e consumido pelas mesmas, percebe-se com uma análise discursiva – e feminista - o caráter pedagógico do Jornal das Moças, que através das imagens veiculadas, ensina como deveriam ser (e parecer) as mulheres, construindo representações de um suposto feminino nos imaginários sociais. A revista acaba, então, por naturalizar “modos de ser mulher” historicamente construídos, atribuindo características demarcadas de diferenciação entre os sexos, e reiterando relações de poder que hierarquizam e binarizam os gêneros (ao materializar nos corpos femininos significações a respeito do lugar que deveriam ocupar no mundo). O interesse, neste trabalho, é o de buscar os sentidos veiculados em suas páginas, que se mostram como verdadeiras pedagogias da feminilidade. A autora aponta como a revista atua como mecanismo de invenção do feminino, contribuindo assim para uma melhor compreensão das práticas de gênero que têm aprisionado as mulheres em determinados modos de ser.
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Élcia de Torres Bandeira
Mulheres nas marginais da vida pública e da vida privada no Brasil
Emergem hoje na historiografia brasileira as mulheres marginais, aquelas que não conseguiram conquistar uma cidadania ampliada pela plena realização pessoal e profissional. Este trabalho de pesquisa debruça-se sobre o leito nem sempre sereno de vidas construídas sob a égide da dominação e da exclusão social: mulheres públicas e mulheres privadas da publicidade no século XX. Prostitutas e esposas oprimidas por vezes se encontram no espaço comum da exploração sexual e da marginalização social. Considerar os espaços alternativos de prostituição e as relações que neles se estabelecem propicia uma visão mais aberta de sentimentos reprimidos e de trajetórias compulsórias impostas pelas sociedades machistas, estabelecendo critérios para que a análise histórica contribua para a conquista dos direitos humanos negados a mulheres que não são freqüentemente reconhecidas pela sua identidade pessoal, mas que são inseridas superficialmente em identidades grupais. Estabelecer parâmetros de aproximação com a formação de identidades cidadãs para as mulheres no Brasil se configura como meta deste projeto, facilitando o reconhecimento e a organização de mulheres no Brasil do século XXI. Recuperar sentimentos reprimidos, trajetórias impostas por relações compulsórias, nas quais o poder sexual referendado pelos usos e costumes estabelece linhas limítrofes de ação e interação sociais mediante a análise de documentos escritos, orais e iconográficos contribuirá para a construção de novos conceitos de cidadania e de relações sociais mais justas entre os sexos. Toma-se como norma diretiva a análise qualitativa partindo dos pressupostos da pós-modernidade, sem descurar também a imensa contribuição teórica da nova história no que concerne ao trato com fontes alternativas documentais.
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Elisabeth Juliska Rago - PUC/SP
Mulheres no século XIX: ampliando os poderes femininos em uma sociedade tradicional
Esta comunicação pretende explorar subjetividades femininas diferenciadas enquanto expressões da diversidade de mulheres que vivenciaram diferentes experiências sociais e culturais numa sociedade de raiz escravista, como a Bahia. Para fazer o reconhecimento do terreno das mudanças ocorridas, no caso específico das personagens aqui estudadas, a análise exigirá uma redução na “escala de observação” para tornar visível o movimento de lutas e resistências femininas. As fontes consultadas foram: documentos escritos, livros, artigos de jornais e revistas editadas no último quartel do século XIX e no início do século XX, além de memórias e correspondências legadas por duas mulheres: Francisca Rosa Barreto Praguer e Francisca Praguer Fróes, mãe e filha, ambas nascidas em Cachoeira, região açucareira da Bahia. As trajetórias das duas feministas serão analisadas a partir de um recorte de gênero.
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Fernanda Melo
Mulheres-Mães: a persistência do papel materno no trato com deficientes visuais
O presente trabalho se propõe a discutir questões de gênero provenientes de uma pesquisa de campo, cujo objeto de análise são sujeitos que com perda total de visão tardia. A questão será amparada pelo depoimento de 10 entrevistados (2 mulheres e 8 homens) com idades entre 15 e 54 anos, que se tornaram deficientes visuais depois dos 13 anos de idade. Terá como ponto de partida uma reflexão sobre a violência simbólica que permeia a relação entre gêneros, de BOURDIEU e a construção social da maternidade, de TUBERT. Os depoimentos, colhidos em entrevistas semi-estruturadas de duração variável, se propunham a estudar os períodos de antes, durante e depois do tornar-se deficiente visual. Apesar de inicialmente a pesquisa não abordar questões específicas relativas à Gênero, o papel do comportamento feminino no processo de perda de visão apareceu em destaque em todas as entrevistas realizadas, tornando-se um imperativo de análise. De maneira geral, o que se convencionou como um certo “papel de mãe” mostrou-se predominante nas três fases do tornar-se deficiente visual, até mesmo quando não havia especificamente uma relação mãe-filho em foco. Foi observado que, no grupo estudado, a tarefa de apoiar, acompanhar em visitas médicas e providenciar cuidados constantes ao deficiente visual recai essencialmente sobre as mães. Além das mães, irmãs, primas e amigas do deficiente visual também acabam por assumir um papel de “maternagem” ao oferecer apoio e favores. Até mesmo nas relações amorosas parece haver uma dificuldade feminina em reconhecer o deficiente visual como “homem”, “amante”, pela persistência das atitudes de cuidado e auxílio. Deste modo, haveria uma tendência a um comportamento maternal das mulheres frente a sujeitos com perda total de visão, que aqui pretendo detalhar.
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Glaura Teixeira Nogueira Lima
Imagens de “aquáticas”, as freqüentadoras da estação balneária de Araxá: anos 1920-1930
Se o cotidiano não apresenta apenas costumes rotineiros, mas sim um campo formado por maneiras especiais de se viver, tensionado permanentemente, as formas com que Araxá viveu em busca de sua afirmação enquanto estação de água também se revelaram múltiplas e ambíguas. A possibilidade de produzir e reproduzir imagens desse período através da fotografia inclui cidadãos e cidadãs como testemunhas de um tempo vivido. Neste caso, as “aquáticas”, mulheres que faziam uso das águas. Um dos caminhos para interpretar essas experiências é investigar sinais, decifrar os códigos da construção da estância balneária. As fotografias passam de um registro de experiências vividas e, depois, fotografadas oficialmente, quando são decodificadas, revistas e repensadas. Os meios para historicizá-las enquanto fonte visual devem partir da forma e do momento da sua produção, passando pela intenção e maneira de divulgá-la, com vistas ao público a que se destina. Por fim, busca alcançar o diálogo entre o documento e as questões nas quais se inserem as imagens.
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Gilmária Salviano Severino
Imagens de “aquáticas”, as freqüentadoras da estação balneária de Araxá: anos 1920-1930
Se o cotidiano não apresenta apenas costumes rotineiros, mas sim um campo formado por maneiras especiais de se viver, tensionado permanentemente, as formas com que Araxá viveu em busca de sua afirmação enquanto estação de água também se revelaram múltiplas e ambíguas. A possibilidade de produzir e reproduzir imagens desse período através da fotografia inclui cidadãos e cidadãs como testemunhas de um tempo vivido. Neste caso, as “aquáticas”, mulheres que faziam uso das águas. Um dos caminhos para interpretar essas experiências é investigar sinais, decifrar os códigos da construção da estância balneária. As fotografias passam de um registro de experiências vividas e, depois, fotografadas oficialmente, quando são decodificadas, revistas e repensadas.
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Juliani Ervilha Barbosa de Castro, Nelson de Sena Filho
A educação real: gênero e poder no Brasil dos oitocentos
Este trabalho pretende discutir, através da educação que tiveram a Imperatriz Dona Leopoldina e a Princesa Isabel, as relações de gênero e poder no Brasil dos oitocentos. O contexto desta educação se dá num Brasil de meados do século 19, que era, uma ilha de letrados num mar de analfabetos. Em 1872 apenas 18,56% da população era alfabetizada, dos quais 23,43% eram homens e 13,43% mulheres. Entre os escravos o analfabetismo era praticamente total. Quanto às mulheres, bastava que soubessem costurar, cozinhar e possuir noções básicas de leitura e matemática. Para se ter uma idéia não havia no Império sequer a permissão legal para que mulheres freqüentassem cursos superiores. Este era o pano de fundo sobre o qual se estudará a educação da Imperatriz e da Princesa. A primeira, que tinha nos estudos um de seus raros prazeres, era versada em botânica, em astronomia, mineralogia, falava várias línguas e possuía uma coleção mineralógica que trouxera da Europa e que seria, mais tarde, herdada por Dom Pedro II. Quanto a princesa, sua educação foi planejada e executada minuciosamente pelo Imperador D. Pedro II, tanto para ela quanto para sua irmã Leopoldina, mas sobretudo para Isabel, a mais velha e possível herdeira do trono, que possuía um regime de estudos de uma severidade impressionante. Elas tinham aulas 6 dias por semana, das 7 h da manhã às 21h30m, com pouquíssimos intervalos para recreação. Além da preocupação sempre constante do Imperador com o ensino das ciências naturais, algo raro anquela época. Portanto, este texto pretende discutir como a educação de duas representantes da corte pode servir de veículo para uma melhor compreensão das relações entre poder e gênero no Brasil dos oitocentos.
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Leonice Domingos dos Santos Cintra Lima - IMESB     
“Realização pessoal e desempenho profissional: sutilezas do cotidiano de mulheres profissionalmente qualificadas do município de Ilha Solteira”
Pesquisa realizada no município de ilha solteira-sp sobre a realidade de mulheres profissionalmente qualificadas, casadas, mães, inseridas no mercado de trabalho, e reconhecidas na sociedade local pela competência profissional. Buscou entender o entrelaçamento da relação formada pelo tripé maternidade, carreira, conjugalidade, tendo o cotidiano como “lócus” formador da identidade e onde ocorrem as interações domésticas e profissionais. Apontou para transformações nos modelos familiares e na sociedade, impulsionados pela presença deste perfil feminino no mercado de trabalho.
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Mara Rúbia de Sant'Anna - UDESC
Elegância e feminilidade- a mulher de Elza Marzullo
No contexto histórico dos anos 50, elegância e feminilidade eram termos complementares, sendo que o ser mulher exigia obrigatoriamente o empenho em adquirir elegância. Logo, constituir-se como mulher, especialmente de determinados grupos sociais, implicava em dominar as artimanhas da elegância, a qual, conquistada, impunha uma corporalidade, gestual e aparência indissociável do ser que, como tal, era dito belo, perfeito e, mesmo, digno. Tal aprendizado se alcançava de diferentes formas, sendo as revistas femininas veículos especializados nessa tarefa. No presente estudo, selecionamos quinze anos da coluna “Elegância e beleza”, assinada por Elza Marzullo e publicada nas páginas da Revista O Cruzeiro, entre 1950 e 1965. Nesta coluna, Elza propunha centenas de práticas de beleza, que realizadas, garantiriam às mulheres sua elegância. Nossa proposta de comunicação é debater como as práticas de beleza, mais do que a aplicação de receitas para melhorar o cabelo e a pele; para praticar ginástica; adotar um regime alimentar ou fazer correta maquilagem, eram práticas de significação da importância social do belo, de subjetivação do gênero e do grupo social, assim como, reforço intimista de transformação da personalidade particular em favor de uma outra esperada. Metodologicamente, recortamos a coluna em quatro eixos de análise: face, corpo, segredos e o vestir, os quais nos serviram para analisar a proposta de feminilidade que a coluna defendia. Para esta comunicação, apresentaremos a análise sobre os dois últimos eixos, tendo em vista que estão nesses a insistência da indissociabilidade entre elegância e feminilidade. Enfim, uma mulher tratada, criada como “naturalmente elegante” é a síntese de feminilidade que Elza Marzullo, ao longo dos quinze anos acompanhados pela pesquisa, desenvolveu em sua coluna da revista O Cruzeiro.
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Márcia Maria da Silva Barreiros Leite - Universidade Estadual de Feira de Sanatana/BA
Imprensa e rede de solidariedade feminina na sociedade baiana dos séculos XIX e XX
Este estudo analisa a inserção das mulheres intelectuais na cultura letrada da antiga província da Bahia. Na condição de escritoras, elas produziram os seus escritos e deram publicidade não só em livros, mas em jornais, revistas e outros periódicos importantes do Estado, criando uma visibilidade no espaço público, construindo novas práticas culturais e de sociabilidades e, por último, reelaborando as identidades de gênero. Timidamente engajadas em nascentes movimentos sociais, elas fizeram da escrita um uso “profissionalmente” possível para aquele contexto – de transição do Império para a Republica -, que também se revelou como sendo de um momento singular para a constituição de redes de ajuda mútua e solidariedades femininas através da palavra escrita.
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Maria Elena Bernardes - UNICAMP
“A gloria-dor de voar tendo raízes”
Laura da Fonseca e Silva, poeta e declamadora aclamada nos salões literários do Rio de Janeiro no início do século XX, tem em sua trajetória de vida uma marca pouco comum às suas contemporâneas. No ano de 1909, sua mãe, com três filhos, separa-se de seu pai depois de viverem anos uma vida itinerante, migrando pelos estados do país, onde, em cada cidade, seu pai, “livre-pensador”, abria uma escola. Viveu as contradições do padrão que normatizava as regras que a “mulher honesta” devia seguir: Freqüentava os salões sofisticados, vivenciava os padrões de mulheres da elite, mas durante o dia saía às ruas sozinha para ir ao trabalho e garantir, junto com a mãe, o sustendo da família. Em 1920, casou-se com o comunista Octávio Brandão, “sem padre e sem juiz”. Sua vida muda de rumo, seu nome, agora Laura Brandão. Deixa os salões literários e sua voz passa a ser ouvida nas ruas, comícios e greves operárias, quando, com dignidade, enfrentou a polícia do Estado Novo na defesa de uma sociedade mais justa e fraterna.
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Maristela de Oliveira Reis - UESC
Negras ao ganho: Ilhéus 1889-1937
Na historiografia baiana, os estudos sobre as mulheres negras começaram na década de 90 e não há estudos precedentes que retratam a vida destas mulheres nos fins do século XIX e início do século XX. A discussão em torno do papel que elas exerciam, estava centralizado no aspecto privado, retratando as mulheres de cor branca e que faziam parte da elite da época. Pretendo abordar nesta comunicação a ação das mulheres negras na cidade de Ilhéus, no período de 1889 a 1937; identificar o papel que estas mulheres desempenharam no mundo do trabalho na cidade; discutir as relações de permanências e rupturas no trabalho das negras de tabuleiro; analisar como estas mulheres se articulavam; como eram vistas pela sociedade em um contexto de transformação político-adminis-trativo e social que o Brasil estava passando com a Proclamação da República em 1889 e nos anos subseqüentes, até 1937, na cidade de Ilhéus.
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Natália da Conceição da Silva Barros - UFPE
Práticas cotidianas e construções dos gêneros no Recife dos anos 1920
Conferir historicidade ao que se diz sobre homens e mulheres, cartografando as práticas cotidianas que produziram diferenciação entre os gêneros na década de 1920 no Recife é o enredo central desta narrativa.Como no espaço urbano, na cidade dita moderna foram se configurando novas maneiras de dizer e viver as relações de gênero? Que cotidiano feminino emergiu das páginas dos jornais e revistas? Quem era a mulher moderna para seus contemporâneos? São algumas destas questões que nortearão esta narrativa. Queremos narrar fragmentos de vida na cidade que se modernizava, que era lugar de posicionamento sobre os gêneros. Tentaremos trazer à tona os lugares de produção de subjetividade, de divulgação de modelos para os cidadãos e cidadãs.
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Onice Sansonowicz - UDESC
Entre o recato e a devassidão: imagens acerca da prostituição em Itajaí-SC 1950-1980
A sociedade moderna preconizou através dos diferentes discursos que o espaço a ser ocupado pelas mulheres era o privado, e os valores deveriam ser a moral, o recato, a ordem e a submissão. Amadas ou odiadas, as prostitutas se contrapuseram a esses valores por que transgrediram a ordem e a moralidade pública vigentes. Este trabalho consiste em perceber e examinar as vivências imersas no cotidiano, este entendido como palco onde homens e mulheres experimentaram as tensões, as resistências e as transformações do mundo da prostituição em Itajaí, nos meados do Séc. XX. Serão também, percebidas as representações acerca desse universo, bem como as construções de gênero, as solidariedades, as resistências que se constituíram.
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Paula Faustino Sampaio - UFCG
Das festas há muitas coisas: uma história das sociabilidades femininas nas festas em Cabaceiras - PB (1930-1949)
Foi entre risos, cochichos, olhares e silêncios que trinta e seis mulheres como mais de setenta anos nos contaram vários aspectos de suas vidas nos permitindo produzir uma rica documentação através da qual é possível, num primeiro momento, pensar como as festas surgem nos documentos e, num segundo momento, pensar as sociabilidades femininas nas festas e outras diversões e as festas em si na pacata e rural Cabaceiras-PB entre os anos de 1930 e 1949. É a partir do conceito de uso de Michel de Certeau que supomos que algumas mulheres cabaceirense usaram os espaços das festas de outras formas, burlando sub-repticiamente algumas normas sócio-culturais. Deste modo, é nossa intenção mostrar modos e formas de estar e vivenciar numa festa e em outras diversões. Para tal, lançamos mão do método detetivesco de Carlo Ginzburg numa abordagem da história sócio-cultural que permite novos olhares sobre o passado de mulheres.
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Raquel de Barros Pinto Miguel - UFSC
“A revista da moça moderna”: relações de gênero e modos de ser femininos estampados nas páginas da revista Capricho (décadas 1950 –1960)
Este trabalho busca apresentar as representações existentes nas páginas da revista Capricho (décadas 1950 – 1960) no que tange às relações de gênero e aos modos de ser femininos. Esta revista, destinada ao público do sexo feminino, traz, na forma de conselhos às suas leitoras; normas, códigos e comportamentos que devem ser seguidos por aquelas que se pretendem “moças modernas”. Tal mensagem é transmitida tanto nos artigos quanto na seção de cartas das leitoras, como também pelos anúncios veiculados por esta revista. O exame do material em questão possibilitou uma contextualização, bem como a reflexão acerca da construção das imagens das mulheres. Imagens estas que não ficaram apenas nos anos 1950 e 1960, podendo-se, atualmente, encontrar traços e reflexos destes modos de ser femininos, mesmo que sob nova roupagem.
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Rosa Ester Rossini
Gênero e preconceitos: o trabalho da mulher na moderna agricultura canavieira paulista (1977-2005)
A constatação da intensificação das relações capitalistas na agricultura, o deslocamento da família operária do campo para a “cidade”, sem no entanto desvinculá-la da atividade agrícola, torna-se parte essencial desta pesquisa realizada na mais importante área canavieira do Estado de São Paulo - Ribeirão Preto. Verificamos como é a sobrevivência dessas famílias onde, ao menos uma mulher na casa, emprega sua força de trabalho na atividade ligada à agricultura canavieira. As mudanças trazidas pela migração pendular ocasionam uma nova estruturação familiar, novas relações de gênero e diferentes engajamentos para mulheres e homens. Em análises quantitativas e qualitativas são abordados temas como, número de pessoas por família, taxa de fecundidade, maior escolarização, aumento do número de trabalhadores por família, acesso à bens de consumo, dentre outros.
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Rosana Medeiros de Oliveira
Para uma estética feminista da existência
A busca dos contatos que acometem os corpos que se fazem femininos têm possibilitado diversas críticas aos processos de construção da feminilidade, de modelização e serialização do fazer-se feminino- esta busca é uma das tarefas que os feminismos têm se atribuído. Pensar os processos de subjetivação é uma busca dos encontros e das potências afetivas que nos compõem. A Mulher, esse personagem (ou fantasia), é identidade, fixidez e cristalização de um devir, de uma multiplicidade virtual. Os feminismos têm guerreado contra a captura pelas máquinas patriarcais e capitalísticas do desejo e das formas de individuação. Nesse sentido, pretendo pensar como o Feminismo (também uma fantasia) pode ajudar a criar uma saúde (e quem sabe uma saúde para o Feminismo), e a construir novas formas de existir, ou seja, pretendo refletir sobre a possibilidade de uma estética feminista da existência.
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Vânia Nara Pereira Vasconcelos - UFBA
"Mulheres perdidas" e "moças honestas": representações sobre as mulheres no interior da Bahia (1960-1990)
Esse estudo se propõe a discutir visões sobre as mulheres numa pequena cidade do interior da Bahia, chamada Serrolândia. A investigação dos padrões de comportamento dessa cidade impostos às mulheres, para que estas fossem bem aceitas socialmente, e das alternativas por elas encontradas para burlar esse controle, demonstra a existência de “poderes” femininos numa sociedade em que os valores machistas eram predominantes. Os resultados do estudo indicam que, dos anos sessenta aos oitenta, ocorreram mudanças na definição dos papéis sociais de gênero, principalmente relativas à questão sexual, como fruto da influência dos movimentos de juventude ocorridos nos anos setenta no Brasil. As fontes utilizadas foram processos judiciais, livros de registro de casamentos, entrevistas orais, cadernos de confidências, cartas de amor e diários.
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