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ST13 B - Ruídos na representação da mulher: preconceitos e estereótipos na literatura e em outros discursos

Coordenadoras:     Regina Dalcastagnè (UnB)
                               Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC)

Resumo

Objeto que sempre escapa às tentativas de definição, multifacetado, mutante, contraditório, a “identidade feminina” é construída e desconstruída numa teia de discursos onde não estão ausentes os preconceitos e os estereótipos – quer na posição de opostos, a partir dos quais se estabelecem a crítica e o questionamento, quer como permanências, menos ou mais veladas, que compõem um imaginário ainda atuante e um senso comum que resiste a se desfazer, revelando-se mesmo em discursos com verniz contestatório. O simpósio se propõe discutir a presença de tais estereótipos e preconceitos, bem como da crítica a eles, na representação da mulher, tomando como espaço privilegiado de análise a narrativa brasileira das últimas décadas. O recorte proposto inclui obras produzidas tanto por mulheres quanto por homens, uma vez que o olhar masculino também participa da construção das identidades femininas. A fim de permitir uma perspectiva comparada, o simpósio se abre também para a discussão da representação da mulher em outros discursos, aí englobados não apenas a narrativa estrangeira ou de outras épocas, mas também a poesia, a música, as artes plásticas, o teatro, o cinema, o jornal, a televisão, a publicidade e a política.


Trabalhos

Ana Carina Baron Engerroff - UFSC
TPM é coisa de mulherzinha
Lançada em 2001, a revista TPM (Trip Para Mulher) entrou no mercado editorial assumindo franca oposição às demais revistas femininas publicadas no Brasil e pretendendo dirigir-se a mulheres inteligentes que estavam cansadas de serem “tratadas como idiotas”. Pautadas pela ironia e pelo humor, reportagens desestigmatizavam assuntos e posturas próprios de estereótipos e preconceitos em relação à mulher. Em muitos pontos, de fato, a revista trouxe grandes avanços, principalmente na abordagem sensata, “moderna” e democrática com que tratou temas como a busca pela beleza, o comportamento sexual (incluindo aí a presença de uma colunista lésbica) e o aborto. No entanto, ao buscar certo nicho de mercado e fechar-se no universo de suas editoras e jornalistas, criou um problema: seria a “mulher moderna” então fútil e superficial?
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André Luís Gomes - UnB
Tarsila, Olga e Pagu: nos palcos e nas telas
Em 2002, a dramaturga Maria Adelaide Amaral, a pedido da atriz Ester Góis, conclui a peça teatral Tarsila, escrita após intensa pesquisa, iniciada em 2001; o documentário “Eh Pagu, Eh”, realizado em 2003, resume e recupera a história de Patrícia Galvão e, em 2004, o filme Olga é lançado no Brasil. Coincidentemente no início deste século, o teatro e o cinema são os veículos utilizados para, pelo menos, expandir a popularidade e os “ruídos” que estas três mulheres provocaram no cenário cultural e político brasileiro. Foi justamente esta coincidência que motivou a análise que pretendo desenvolver destas versões fílmicas e teatrais, que reconstroem, com as devidas adequações à respectiva linguagem utilizada, a representação destes perfis femininos que tanto fizeram pela cultura e pela política brasileira.
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Andréa Osório - UFRJ
O corpo como discurso: “desenhos femininos” e a lógica da feminilidade
O corpo feminino tem sido apontado como lócus de representações sobre a feminilidade. Neste sentido, as marcas corporais de feminilidade se apresentam como uma forma de discurso sobre a mulher e o feminino. Estudo desenvolvido acerca dos usos de tatuagens por homens e mulheres na cidade do Rio de Janeiro indicou a manutenção de representações tradicionais de masculinidade e feminilidade a partir dos desenhos tatuados por cada sexo. Estas representações envolvem, para as mulheres, desenhos pequenos, evocando fragilidade, enquanto para os homens reservam-se os desenhos maiores, cuja iconografia envolve animais ferozes e outros símbolos de morte, poder e dominação. Estes desenhos agregam aos corpos que os sustentam um maior valor em termos da identidade de gênero: tornam seus portadores mais másculos ou mais femininos.
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Cristina Amich Elías - UNESP
Construção e destruição dos estereótipos de gênero nas series televisivas de ficção
A ficção científica, tradicionalmente dominada pelos varões, como autores da narrativa, como protagonistas quase absolutos das histórias e como consumidores dos produtos, era um discurso que funcionava em círculos e que incrementava progressivamente a idéia subjacente da acessoriedade do feminino num mundo técnico e cientifico. Habitualmente crítica, devido às vantagens de sua estrutura narrativa, com situações sociais, políticas e econômicas, a ficção cientifica tinha esquecido às mulheres, ainda mais, só tinha contribuído a reforçar os estereótipos de gênero. Adaptado o discurso aos cânones televisivos, as perguntas são: as séries de ficção científica aportam uma estrutura narrativa favorecedora ao derrubamento dos estereótipos de gênero?; Ou encontramos-nos ante estratégias discursivas destinadas tanto a atrair ao público feminino quanto a realizar uma representação dos papeis sociais mais adequada com a realidade sócio-cultural atual na que a mulher já não é só dona de casa?
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Fabiane Vicente dos Santos - Fiocruz
Instrução, filantropia e fidelidade: modernidade e definição de signos de distinção
A expansão do extrativismo e a riqueza proporcionada da borracha no final do século XIX tiveram como conseqüência, entre outras coisas, a urbanização de cidades amazônicas como Manaus, o surgimento e a consolidação de elites locais e a transformação das sociedades locais em sua luta pela apropriação dos signos da modernidade. Neste contexto, a mulher teve papel fundamental na distinção social das classes através do estabelecimento de comportamentos e atitudes tidas como desejáveis como a educação, a caridade e a manutenção de casamentos sólidos, dentro da moral burguesa vigente. Os jornais foram instrumentos privilegiados de pregação social, estabelecendo normas de comportamento desejáveis só acessíveis às classes mais altas, o que se configurou num dos primeiros instrumentos de diferenciação social das classes locais. Neste mercado simbólico estava sempre presente a pretensão, tanto do poder público quanto dos segmentos mais conservadores, em regular e normatizar a sexualidade e o comportamento feminino, mesmo que para isso tivessem que alça-los à condição de assunto prioritário no projeto de sociedade que se construía. Como contraponto à liberdade das mulheres do povo, apresentava-se como modelo socialmente aceito a mulher casada, religiosa, promotora da caridade e submissa ao marido. Este estudo buscou analisar os discursos sobre a mulher nos periódicos editados na cidade de Manaus entre 1895-1898 usando como referencial as considerações de Foucault.
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Fernanda Deah Chichorro - UFPR
Representações femininas em as horas nuas
A representação feminina na literatura contemporânea configura-se de diferentes maneiras, seja para apresentar, reforçar ou questionar os papéis que à mulher foram creditados ao longo da história. O romance As horas Nuas, de Lygia Fagundes Teles aparece nesta esteira, representando questões do feminino como determinadas pelos valores do mundo moderno. As personagens femininas ( as que são valorizadas na narrativa) apresentam-se extremamente estereotipadas, fúteis, mal-resolvidas, e pautam sua vida, na maior parte das vezes, pelos conceitos midiáticos dominantes. As relações femininas são estabelecidas ora de maneira superficial e mesquinha, ora de forma invejosa e hostil. O contraponto das personagens femininas é um gato. Ele é o único personagem masculino de relevância e ele quem detém a maior capacidade analítica. O intento deste trabalho é discutir a representação do feminino na história, bem como analisar as diferentes vozes narrativas e observar qual de elas sobressai e fica patente como a voz do romance.
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Gabriella Melo dos Santos - École Normalle Superieure de Lyon
Discutindo beleza e feminilidade? A recepção da campanha publicitária da marca Dove por mulheres francesas no contexto das práticas corporais efetivas
Nossa pesquisa trata das representações do corpo, da beleza e da feminilidade na sociedade francesa através da campanha publicitária da marca Dove. O interessante desta campanha está no uso de um discurso anti-estereótipo que, representando uma tentativa de democratização das concepções de beleza, continua fundado na representação cultural que liga a feminilidade à vaidade e à sensualidade. Nossa questão é, assim, saber como as dez mulheres entrevistadas com situações profissionais e capitais escolares diferentes interpretam e criticam estas mensagens. Tentando chegar ao corpo e às disposições de gênero através da mídia., demos importância nas entrevistas à questão das práticas corporais de embelezamento efetivas destas mulheres e dos processos de socialização que as constituem. As representações são constitutivas destas práticas mas não são suficientes para compreendê-las.
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Gleiser Mateus Ferreira Valério - UnB
“Elas eram muitos cavalos” – análise da representação feminina na obra Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato
Simone de Beauvoir introduz sua obra O segundo sexo dizendo não querer mais comentar sobre as mulheres, um assunto por demais citado e discutido, contudo os preconceitos persistem e as lutas de ensaístas e ativistas do feminismo ainda não se apresentam suficientes para a mudança da realidade visto que os preconceitos persistem. O trabalho tem por objetivo discutir, através de dados numéricos extraídos da obra Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, as questões sobre mulher e sua representação, ou subrepresentaçao, de como os estereótipos clássicos femininos e a dominação do androcentrismo persistem em romances atuais, mesmo que de forma sutil ou praticamente imperceptível, sem ser necessariamente uma atitude intencional do autor, mas reflexo de um ideal construído e mantido no imaginário coletivo, e desta forma dificilmente superável.
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Jimena Furlani - UDESC
Representações da mulher e do feminino na mídia impressa brasileira – desconstruindo significados na educação sexual
Selecionei propagandas de mídias impressas do Brasil (1990-2005). representações dos gêneros e das sexualidades, serviram de corpus de análise e também se constituíram em recursos didático à educação sexual. uso a perspectiva pós-estruturalista de análise, os estudos culturais e feministas. busco caminhos para questões: que representações de mulher, de gênero, de sexualidade são produzidas e/ou veiculadas pelas propagandas? como, e por meio de que mecanismos, diferenças sexuais e de gênero são ali construídas? • Esses artefatos culturais reforçam representações hegemônicas, sugerem certos tipos de conduta e de comportamento (excluindo outros), contribuem, ora para a manutenção, ora para mudança da sociedade; ora para a regulação, ora para subversão das regras sociais.
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Juliana Faleiros Johnson, Mara Rúbia Sant'Anna - UDESC
Caricaturas, signos de identidade feminina
A produção de caricaturas foi intensa e expressiva na imprensa nacional por muitas décadas no início do século XX. Estudos a partir deste material foram realizados sob diferentes aspectos. Nossa proposta é de aproveitar estas mesmas fontes, contudo, com um olhar diferenciado: firmando-nos na teoria da recepção estética, buscamos reconhecer os signos adotados para representar a identidade nacional imaginada, especialmente aqueles vinculados à aparência corporal feminina. Este filtro de seleção foi escolhido tendo em vista a compreensão que as aparências são a possibilidade de interação entre os sujeitos e do próprio sujeito consigo. Desta feita, o que os caricaturistas selecionavam para representar a mulher tanto consagraram aqueles signos como representação de um grupo, quanto faziam determinadas mulheres reconhecerem-se como tal e reafirmarem-se. Selecionamos uma amostra de caricaturas publicadas entre 1920 e 1930, identificamos os signos repetidos afeitos à aparência corporal e analisamos os significados construídos, visando relacionar estes com a representação do feminino e a associação daqueles à uma identidade nacional.
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Liana Aragão - UnB
Clarah Averbuck e Ivana Arruda Leite: novas escritoras, novos olhares?
É possível vislumbrarmos uma representação problematizadora da mulher na literatura contemporânea ou a reincidência em estereótipos permanece? O modo como o escritor Sérgio Sant’Anna trabalha essa questão em seus livros será o elemento norteador do que pretendemos apresentar, tendo em vista que uma representação intencional e compromissada com o debate social é possível. A idéia é partir do livro Um romance de geração, de 1980, que já pincela o problema que nos traz Sant’Anna, e seguir por outros contos e romances do autor. Quando o assunto é representação feminina, como esses textos dialogam entre si e com o contexto social em que estão inseridos é o que vamos desenvolver.
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Luciana Paiva Coronel - Centro Universitário Metodista
Imagens da mulher na obra de Rubens Fonseca
Ao longo de sua produção ficcional, fortemente marcada pelo erotismo e pela centralidade do corpo como campo simbólico do embate entre o masculino e o feminino, Rubem Fonseca constrói imagens variadas da mulher. Nas obras iniciais, nas quais a força erótica não é ainda decisiva no desdobra-mento narrativo, já surge, no entanto, uma voz masculina impregnada de preconceitos e construtora de estereótipos acerca da mulher. Esta voz anônima irá ampliar o seu espaço, tornando-se aos poucos o idioma narrativo mais identificado ao estilo de literatura de Fonseca e o personagem Mandrake, seu mais notório porta-voz.
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Luciana Wrege Rassier - Université de La Rochelle
Manipular e ser manipulado: as personagens femininas de Raduan Nassar
Uma primeira abordagem dos textos do paulista Raduan Nassar pode levar a crer que a representação das personagens femininas reforçaria uma perspectiva de depreciação das mulheres e de afirmação de uma pretensa superioridade masculina. Assim, o protagonista de Lavoura arcaica manipularia Ana a fim de consumir seu amor incestuoso, enquanto que o protagonista de Um copo de cólera, durante uma disputa feroz, ofenderia e desvalorizaria sua parceira. As personagens femininas dos textos curtos reunidos em Menina a caminho viriam a reforçar a visão de uma mulher subjugada pelo homem. No presente trabalho, proponho ir além dessa primeira leitura e analisar, através do estudo detalhado de indícios textuais, como Raduan Nassar tece uma rede que interliga personagens femininas de diferentes textos e como, no universo nassariano, a interação masculino-feminino corresponde à busca constante de um equilíbrio por natureza precário.
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Maria Brígida de Miranda - UDESC
Mulheres em cena: representações teatrais do feminino
Beyond (So) Frida foi o nome da performance teatral apresentada como parte de meu doutorado em teatro, na La Trobe University (Austrália). O roteiro usou fragmentos de textos e poemas, bem como de quadros da pintora mexicana Frida Kahlo, objetivando discutir o corpo no contexto cultural e político da América Latina, em particular, a visão do corpo feminino em dor e a rejeição, por parte de Frida, de uma identidade de gênero socialmente aceita e bem definida. Nesta comunicação pretendo discutir a partir deste trabalho, dentro dos temas ´preconceitos´ e ´estereótipos´ questões gerais relacionadas a representações do ´feminino´ no teatro: da construção da fisicalidade do ator por métodos de treinamento psico-físico; métodos de interpretação teatral e escolhas na encenação teatral.
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Marilda Lopes Pinheiro Queluz - UFPR
Entre o riso e o estereótipo: as representações da mulher nas revistas de humor
O objetivo deste trabalho é analisar a construção da imagem da mulher moderna do início do século xx, através das representações presentes nas revistas de humor. Com a república, as reformas urbanas, as inovações técnicas e os novos processos gráficos e de impressão, as revistas tornam-se um espaço midiático privilegiado, onde as imagens dão a tônica desse novo horizonte urbano. O humor das charges e caricaturas torna visível o conflito entre as tentativas de emancipação feminina e as tradições da sociedade patriarcal brasileira, num discurso de várias vozes, redimensionando os papéis sociais, pluralizando o olhar sobre o outro. se, por um lado, as charges carregam num traço conservador, por outro, a ironia e a ambigüidade revelam as nuances transitórias da mãe-esposa ideal e da melindrosa.
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Marlucy Alves Paraíso - UFMG
Relações de gênero, endereçamentos e quereres no currículo da mídia educativa
Com base em uma investigação que analisou uma porção dos discursos da mídia educativa brasileira sobre a educação escolar (programas do Canal Futura, campanhas publicitárias sobre a educação e a revista TV Escola), este trabalho analisa as técnicas generificadas com as quais a mídia educativa opera para endereçar um discurso a professoras mulheres. Inspirada na produção de Michel Foucault sobre sujeito e poder e no conceito “modo de endereçamento” de Elizabeth Ellsworth, este estudo mostra o funcionamento desse discurso. Argumenta que existe na mídia educativa um currículo de formação docente que convoca as professoras mulheres para assumirem uma posição de sujeito amoroso, emotivo e dedicado que se doa pelo bem de crianças e jovens, pelo bem da educação e pelo bem do Brasil.
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Mary Lilia Congolino Sinisterra - Universidad de Cali/Colombia
Sexualidades de mujeres negras Universitarias en Cali - Colombia. Un analisis desde el lugar de los esterotipos como forma de racismo.
La investigación hace referencia  a los de juicios de valor discriminatorios acerca de la sexualidad de las mujeres negras, toda vez que para  ellas se han construido una serie denominaciones  de carácter esencialista,  que valoran su  sexualidad, entorno a aspectos como el desenfreno, el ímpetu, la fogosidad y el “calor sexual”. Todos estos calificativos que ponen en cuestión sus capacidades de autorregulación, las características sexuales propias, la racionalidad y la subjetividad misma. El estudio de carácter empírico, realizado con base a trayectorias  de vida sexual, parte de la reflexión  de algunos discursos desarrollados en los contextos de la esclavización, que han sido vehiculizados a través del lenguaje y de los imaginarios colectivos y que se manifiestan como formas de discriminación y racismo, a partir del establecimiento de relaciones intra e interraciales en la vida cotemporánea.
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Mérli Leal Silva - IPA Metodista
Programas femininos em televisão: perspectivas multiculturais
Este paper busca analisar o discurso televisivo dos programas exibidos para o público feminino na tv aberta brasileira, considerando a configuração social das relações de gênero, as questões de poder e linguagem da televisão enquanto mídia de massa e as perspectivas multiculturalistas que existem para tornar este discurso menos segregador e mais integrador, formador de cidadania, igualdade e liberdade para homens e mulheres.
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Neuza M. F. Guareschi, Patricia Flores de Medeiros - PUC/RS
De quem estamos cuidando? Problematizando as políticas públicas de saúde da mulher
A saúde das mulheres tem suscitado um crescente interesse no campo social, o que pode ser observado pela criação de políticas tanto a nível internacional como nacional. No caso do nosso país, essas políticas são propostas e desenvolvidas pelo Ministério da Saúde através do Sistema Único de Saúde – SUS. Este Simpósio propõe discutir questões voltadas para as políticas da atenção integral à saúde das mulheres, as quais têm sido tomadas como prioridade governamental. Fato este marcado pela criação para o período de 2004-2007(Brasil), pela formulação um documento com princípios e diretrizes para subsidiar as ações na atenção à saúde da mulher. Assim a “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes” - PNAISM - tem por objetivos reduzir a morbimortalidade por causas preveníveis e evitáveis, além de fomentar a implementação de ações que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres. Como princípios norteadores da proposta estão a integralidade e a promoção da saúde, com ênfase nas questões de gênero, buscando consolidar avanços acerca das políticas de saúde da mulher. O campo da saúde da mulher edifica uma série de regulamentos e modulações que estabelecem o modo como o ser humano deve se relacionar consigo mesmo e com o mundo. São essas práticas que vão constituindo o discurso que fala das mulheres e ao mesmo tempo as constitui enquanto sujeitos. Portanto, deter-se sobre essas práticas possibilita compreender a rede diferenciada de poderes e saberes que produzem esses sujeitos. Elas servem de ferramentas para a problematização da produção de marcadores identitários que envolvem relações de poder/saber que os criam e os sustém: descrever, classificar, identificar e estabelecer jeitos de ser mulher – definindo corpos, comportamentos, ou seja, modos de viver. No caso das mulheres, a saúde torna-se um marcador cultural e social que edifica classificações, normatizações, codificações que, por conta disso, produzem marcas identitárias pelas quais as mulheres passam a se reconhecer e ser reconhecidas. A partir disso, propomos discutir: Como esta sendo articulada essa política que torna possível um programa de atenção integral à saúde da mulher? De que forma está sendo proposto um sujeito-mulher nas Políticas Públicas de saúde? Para tanto, indica-se como ferramenta teórica os conceitos de Foucault, os Estudos Feministas e Culturais.
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Patrícia Rossi de Oliveira - UFSC
Memória e poder: lembranças de um tempo que não passou
As sociedades latino-americanas que experimentaram a “mão forte” de governos autoritários passam agora por um processo de readaptação à democracia e de reavaliação do papel da memória. Neste artigo, analisa-se uma obra que aborda o período da ditadura militar no Brasil, sob a ótica de uma dona-de-casa. Desse modo, em A voz submersa, de Salim Miguel, recordar é o ponto central, o que estimula a discussão de inferências literárias e políticas, abordando temas relativos ao gênero, ao espaço e à intersecção do real e do ficcional.
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Rosana Cássia Kamita - UFSC
Luz e sombra: relações de gênero no cinema
A proposta deste trabalho é estudar o papel da mulher no cinema. A chamada sétima arte tem apresentado a mulher como sujeito e objeto, repetindo códigos ou instaurando novas perspectivas de abordagem. Pensar criticamente o cinema implica reconhecer o impacto social desse meio de comunicação e compreender as nuanças da linguagem cinematográfica e sua capacidade de evidenciar ou mesmo criar padrões de conduta que marcam limites sociais ou estimulam transgressões ao status quo. Questões (im) pertinentes se destacam, como as que se referem aos protagonistas dos filmes, a identificação do espectador, as imagens cinematográficas da figura feminina, as emoções despertadas pelo cinema. Para subsidiar os temas propostos aqui para análise, será necessário recorrer à teoria fílmica a partir de uma perspectiva de gênero, assim como ao feminismo.
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Sheila Abadia Rocha Carvalho, Richard Miskolci - UFSCar
A ‘tal’ e a ‘qual’: representações da mulher na literatura brasileira
A proposta desse trabalho é discutir quais as mudanças e permanências que a identidade feminina apresentou na literatura brasileira, associando, desta forma, as categorias raça, sexualidade, gênero, corpo, nação e classe social. Com os resultados da pesquisa “A Identidade da Mulata em O Cortiço e Gabriela, Cravo e Canela”, projeto este financiado pelo CNPQ, é possível delinear e depreender os caminhos e descaminhos que enredam duas identidades típicas: a “mulata”, tradicionalmente tida como o símbolo da nacionalidade tropical brasileira, “receptora” da miscigenação racial e sexualizada, com o seu oposto, a mulher “branca”, destinada ao casamento, maternidade e deserotizada. Procuro assim, estabelecer um parâmetro de comparação com o discurso identitário sobre a “mulher brasileira” atual.
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Tânia Regina de Oliveira Ramos - UFSC
“As que não falam, esbarram”
O corpo da escritora, no centro da obra, é o objeto de nossa leitura. O anonimato, os pseudônimos, o estranhamento, entrevistas, vozes escritas, certas performances, estratégias narrativas, personagens ficcionais, levam a pensar em uma possível construção biográfica do que é ser escritora, ou se há um estereótipo “escritora”. Ao falar de si, do que fazem, como fazem, na ficção ou na vida real, ao representarem seus personagens, as escritoras, função mais do que subjetivação, procuram ou encontram espaços para falar de como escrevem, se apresentam ou representam, a si e aos outros. Depoimentos referenciais serão citados, como base da leitura, mas é no conto sintomaticamente chamado Glória de Guiomar de Grammont, que os estereótipos construídos pelas falas se diluem e a boa ficção se mostra. Ou melhor, a escritura/a escritora se revela.
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Vera Regina Martins Collaço - UDESC
Personagens cômicas femininas: construção a partir do olhar masculino
O Grupo Teatral da União Operária, de Florianópolis, realizou entre 1930 e 1940 um trabalho teatral, voltado para a classe trabalhadora da cidade. Nesta comunicação analiso as personagens femininas, de um conjunto textual cômico encenado por este grupo teatral, com o intuito de abordar o imaginário feminino que adquiriu corpo neste teatro.
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Virgínia Maria Vasconcelos Leal - UnB
Escritoras e mercado editorial: pensando o gênero como "serialidade"
O mercado editorial, enquanto agente do campo literário, dentro do conceito de Pierre Bourdieu, tem sido um local de permanente negociação para identidades não-hegemônicas, como as mulheres. De 1990 a 2004, como demonstrou pesquisa pelo Grupo de Pesquisa de Literatura Contemporânea da Universidade de Brasília, a respeito da personagem da literatura brasileira contemporânea, , em três grandes editoras brasileiras - Companhia das Letras, Rocco e Record - as autoras responderam por menos de 30 % do total dos romances publicados. Independente de seus estilos e temáticas, as escritoras, ao serem legitimadas no campo literário, estão necessariamente movimentando o conceito de gênero, dentro da perspectiva de que ele está em permanente construção e reconstrução também nas práticas artísticas, nos termos de Teresa de Lauretis. Não seria possível pensar escritoras tão díspares como um grupo, com um projeto coletivo, ou um objetivo comum e específico. Mas o gênero "serializa" a todas, como teoriza Iris Young. Pensando o gênero como "serialidade" , de uma forma ou de outra, todas têm que lidar com as marcas de sua identidade como mulheres, pela apropriação ou negação de papéis sociais, pelas negociações a serem feitas para serem publicadas, pelas estratégias de difusão de seus obras, pelos critérios de avaliação da crítica, entre outras.
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