Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 



ST14 - Articulando gênero e geração aos estudos de saúde e sexualidade

Coordenadoras:     Marion Teodósio Quadros (UFPE)
                               Luis Felipe Rios (UFPE)
                               Mónica Franch (UFRJ /UFPB)

Resumo

O ST tem por objetivo articular gênero, sexualidade e saúde a recortes de geração. Os desdobramentos dos estudos de gênero, sexualidade e saúde têm colocado em evidência variações nas populações estudadas de acordo com a geração. Inicialmente, os estudos sobre saúde estavam mais concentrados na vida reprodutiva e naturalizavam o ciclo de vida do indivíduo. Os estudos de gênero foram importantes para focalizar a dimensão cultural tanto do ciclo de vida quanto dos valores que regem as concepções de saúde. A Aids, por sua vez, evidenciou questões relativas à prevenção em saúde, cujos resultados apontam variação de concepções de risco e prevenção, de acordo com gênero, classe e geração. Investigações realizadas no campo da saúde coletiva colocaram em evidência o aumento das doenças sexualmente transmissíveis entre jovens, atualmente desdobrando-se para uma preocupação com faixas etárias mais velhas. Mulheres com mais de 50 anos, por exemplo, estão representando um segmento de expansão da epidemia, embora as pesquisas neste campo apenas tenham sido iniciadas. A sexualidade infantil, igualmente, pouco tem sido abordada nos estudos em ciências sociais. O retorno de infecções sexualmente transmissíveis que eram consideradas controladas, como a sífilis,  ampliou o interesse sobre o tema da saúde. Outros recortes, como geração e etnia, emergiram ressaltando variações culturais e de comportamento no modo como as pessoas se relacionam com a saúde. Se, inicialmente, a questão de gênero foi importante para evidenciar novos matizes de análise da saúde e da sexualidade, a interface com geração apresenta-se hoje como uma via promissora para a melhor compreensão das questões relacionadas a esses campos. O ST pretende aglutinar trabalhos acadêmicos ou não que permitam pensar as temáticas em questão – gênero, geração, saúde (em seu sentido amplo) e sexualidade –, e que eventualmente possam também servir de subsídio para as políticas públicas nessas áreas.


Trabalhos

Alessandra Sampaio Chacham, Mônica Bara Maia, Malco Braga Camargos - PUC/MG
Autonomia e vulnerabilidade ao HIV/AIDS entre mulheres jovens moradoras de um aglomerado urbano em belo horizonte
Este estudo explora a relação entre autonomia de mulheres jovens, ou seja, o grau de controle que elas têm sobre as diferentes dimensões das suas vidas (sexual, econômica e social) e a vulnerabilidade das mesmas à infecção pelo HIV. Uma pesquisa tipo survey foi realizada usando de uma amostra aleatória de 356 mulheres jovens entre 15 a 24 anos de idade, moradoras de um aglomerado urbano em Belo Horizonte. O estudo encontrou que alguns indicadores de autonomia referentes à sexualidade, mobilidade e acesso a recursos sociais, e a presença de violência doméstica estão significativamente associados ao uso de camisinha, especialmente entre as adolescentes. As jovens com maior grau de autonomia em suas práticas sexuais forma mais prováveis de usar camisinha na primeira relação sexual do que aquelas com parceiro autoritários e violentos. Nossos resultados indicam que relações desiguais de gênero reduzem o grau de controle das mulheres jovens sobre sua vida sexual e reprodutiva, aumentado assim a vulnerabilidade destas à infecção pelo o HIV.
PDF

Ana Maria Gomes, Silvana Colombelli Parra Sanches
Envelhecimento e saúde das profissionais do sexo em Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Ao vincular o tema gênero com o tema saúde na realidade do grupo prostitucional surgem interrogativas: De que forma o modo de vida da profissional do sexo influencia na saúde e no envelhecer? Como elas se vêem? Elas consideram-se saudáveis? A profissional do sexo envelhece precocemente em relação às demais mulheres? Esta pesquisa busca, ao retomar a luta contra o preconceito e pela qualidade de vida de trabalhadoras do sexo, conhecer o processo de envelhecimento e as repercussões na saúde das profissionais do sexo que residem em Campo Grande – Mato Grosso do Sul, a partir de entrevistas com mulheres que possuem 45 anos ou mais e que exerceram ou exercem a atividade prostitucional, buscando elementos na categoria analítica gênero, nos aspectos históricos e culturais que permeiam as trajetórias de vida e nas relações sociais que estabelecem na família, no trabalho e na comunidade.
PDF

Ana Roberta Gomes Oliveira - Instituto Papai
Saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes na rede de atenção básica à saúde do Recife
PDF

Dentre as necessidades específicas da adolescência, a saúde sexual e reprodutiva tem se configurado área privilegiada, uma vez que tais peculiaridades se concretizam em demandas para os serviços de saúde. Neste sentido, buscou-se problematizar como o público adolescente, aprioristicamente considerado saudável, tem suas necessidades atendidas pela Rede de Atenção Básica do Recife. Uma vez que o acesso de adolescentes do sexo masculino às Unidades de Saúde da Família não ocorre na mesma proporção que o das adolescentes do sexo feminino, algumas questões de gênero se impõem. Além de reforçar o fato de que historicamente as políticas de saúde têm se voltado, sobretudo, para as mulheres, essa ausência suscita não apenas reflexões, mas o efetivo investimento dos formuladores e executores de políticas públicas nos rapazes e suas demandas de saúde.

Carla Reiner Monteiro Carvalho, Flávia Motta - UDESC/UFSC e Associação dos Hemofílicos de Santa Catarina
Gênero e sexualidade entre crianças e adolescentes portadores de hemofilia
O presente trabalho aborda aspectos relativos a construção da masculinidade e sexualidade entre crianças e adolescentes portadores de hemofilia. A pesquisa apontou especificidades importantes quanto à construção da identidade de gênero e da sexualidade dos mesmos. A percepção da criança hemofílica, por parte da família e sociedade, como um ser fisicamente frágil, se choca com os ideais de masculinidade através dos quais meninos em geral são socializados em nossa cultura. O paciente hemofílico convive freqüentemente com a dor e com o medo. Entretanto a cultura em que está inserido não costuma tolerar a expressão pública da dor e do medo quando se trata de masculinidades hegemônicas. Muitos pacientes apresentam deformidades e deficiências físicas irreversíveis. Além disso, há a associação entre hemofilia e aids. Essas circunstâncias afetam a sociabilidade e as relações de gênero na vida das crianças e adolescentes hemofílicos.
PDF

Fábio Leandro Stern, Luana Maribele Wedekin
A visão dos futuros terapeutas sobre a homossexualidade em atendimento
Embora a área da saúde baseie-se na Ciência, pesquisas mostraram que alguns terapeutas discriminam homossexuais em atendimento. Sendo o preconceito um paradigma não-científico, a Academia não pode perpetuá-lo. Destarte, fez-se um levantamento de dados objetivando identificar traços de preconceito nos alunos da área da saúde da UNISUL Pedra Branca do 2º semestre de 2005 que possam interferir na assistência a homossexuais. Usou-se o questionário como método de coleta, passando de sala em sala pedindo voluntários até completar 20% de cada turma. Obteve-se 236 questionários válidos. Os dados obtidos mostraram que o número de alunos considerando a homossexualidade patológica é menor nos que leram artigos. Notou-se que o preconceito apresenta-se em igual escala entre homens e mulheres, e se constatou que há professores homofóbicos na Academia.
PDF

Gabriela Bacin, Florencia Gemetro - ISEG
Mujeres y vih. Un acercamiento a las prácticas y representaciones de mujeres viviendo con vih o sida en la ciudad autónoma de Buenos Aires
El avance de las políticas neoliberales en la Argentina de los noventa y, en consecuencia, el progresivo achicamiento del Estado trajo aparejada la exclusión de un gran número de personas del Sistema de Salud. El fenómeno del vih o sida puso en evidencia su fragilidad. Al contexto de desregulación económica, social, cultural y política se sumó la construcción de un proceso emergente en torno a las representaciones del vih o sida. En este contexto, ¿cuáles son las principales representaciones de las mujeres viviendo con vih o sida en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires?, ¿cuáles son las representaciones en torno al estereotipo femenino hegemónico?, ¿cómo influyen esas representaciones en su vida cotidiana?, ¿cómo afectan estas construcciones a las mujeres mayores de treinta años? principales preguntas que nos proponemos abordar.
PDF

Giannina do Espírito-Santo, Ludmila Mourão - UGF/Centro Universitário Celso Lisboa
A saúde e a rotina de trabalho das professoras de educação física que atuam em academias do Rio de Janeiro
O objetivo do estudo foi relacionar a rotina de trabalho à saúde das professoras de Educação Física que atuam em academias. Pautou-se numa abordagem qualitativa e foram entrevistadas sete professoras. A instabilidade no emprego, gerada pela falta de vínculo formal de trabalho e pela forma de remuneração por hora/aula levam-nas a grande carga de trabalho semanal, gerando comportamentos de risco a saúde. As professoras mesmo tendo informações sobre a importância de ter hábitos de vida saudáveis, não conseguem colocar em prática seus saberes e subordinam-se a uma relação espoliante de trabalho. A saúde, para as entrevistadas, ficou pautada no viés biológico, objetivadas no tempo e ancoradas no trabalho, na medida em que, para elas, o tempo foi determinante de suas ações em prol da saúde e o trabalho foi o principal responsável pela organização do tempo.
PDF

Josefina Brown, Maria Cecília Tamburrino, Mario Pecheny - Instituto de Investigaciones Gino Germani-UBA-CONICET
La ciudadanización de la salud. La noción de autonomía en el caso de la salud sexual y reproductiva
En salud sexual y reproductiva los temas relativos a la autonomía (información, consentimiento, confidencialidad, competencia, toma de decisiones, etc.) son cruciales, personales y a veces muy problemáticos. Nuestro interés es indagar sobre distintas concepciones acerca del “ser una paciente”, en tanto pone en juego cuestiones políticas y sociales de primer orden, por ejemplo las que tienen que ver con las formas de la autonomía y las relaciones sociales de subordinación. Y cuestiones que tienen que ver con la construcción social del cuerpo, la individuación y la ciudadanía. En este trabajo exploramos empírica y conceptualmente algunos tipos ideales de paciente, en función de su autonomía como individuo capaz de juicio y acción, y como sujeto de derechos y responsabilidades. A su vez, el análisis de diversas situaciones – algunas de ellas, consideradas límite (como el caso del aborto) – nos permiten problematizar qué se entiende por “sujetos autónomos” en el ámbito de la salud-enfermedad, concretamente en salud sexual y reproductiva.Para nuestro estudio empírico, hemos seleccionado de un proyecto de investigación mayor , sólo los casos correspondientes a salud sexual-reproductiva, en torno a los cuales hemos realizado una serie de entrevistas semi-estructuradas. Aquí expondremos los primeros resultados del análisis que por un lado problematizan la noción de autonomía ; y por otro, permiten operacionalizar la tipología de paciente definido en función de la autonomía de la que, habiamos partido (sujeto pasivo, consumidor/usuario, e interlocutor-ciudadano).
PDF

Luciana Melo de Souza Leão - Instituto Papai
Gênero e geração na atenção básica de saúde
No bojo das necessidades específicas dos adolescentes, as questões relativas à saúde sexual e saúde reprodutiva assumem grande relevância. Entretanto, elas não podem ser desprendidas do olhar de gênero. Comumente os agravos e comportamento vulnerável se expressam de maneira diferente no adolescente do sexo masculino e feminino. Nesse sentido, esse estudo visou a leitura das relações de gênero nas práticas e ações de saúde em duas Unidades Básicas de Saúde do município de Recife/PE. Como resultado podemos apontar que as demandas dos homens e das mulheres jovens estão perpassadas por modelos que atribuem papéis e expectativas diferenciadas, a partir da categoria gênero.
PDF

Lucineide Santos Silva, Mirian Santos Paiva, Jaqueline Carneiro
AIDS e masculinidade entre idosos
Este estudo tem como objetivo identificar aspectos da masculinidade incorporados às representações sociais de homens idosos para a aids. A pesquisa é qualitativa, realizada com 17 idosos aposentados. Os dados foram coletados através de entrevista semi-estruturada, sendo tratados com base na análise de conteúdo temática. Os resultados evidenciaram que apesar dos sujeitos considerarem as relações sexuais com mulheres jovens como sendo uma prática arriscada, se submetem a este risco por terem uma libido exagerada ou por não deverem recusar uma mulher. Todos os entrevistados reconhecem a importância do condom, embora nem todos façam uso, sobretudo, para não por em risco sua reputação sexual ou por não possuir habilidades para colocá-lo. A infidelidade masculina é caracterizada como estratégia de comprovar a masculinidade e virilidade.
PDF

Luís Felipe Rios do Nascimento - UFPE
Jovens com práticas homossexuais em psicoterapia: possibilidades para a construção da justiça erótica a partir da clínica psicológica
O trabalho apresenta uma abordagem exploratória sobre as respostas dos psicólogos clínicos às demandas relacionadas às homossexualidades, focada no relato de jovens sobre os atendimentos aos quais foram submetidos. Os dados são frutos de pesquisa etnográfica desenvolvida no Rio de Janeiro, envolvendo observações em espaços de homossociabilidade e entrevistas com enfoque biográfico com jovens com práticas homossexuais. Como principais resultados, oferece um panorama da situação das crianças e adolescentes com práticas homossexuais frente à homofobia e os desdobramentos em termos de saúde mental; além disso, esboça uma tipologia das formas de atendimento psicológico, que pode servir como uma hipótese orientadora para futuras investigações. Também aponta para a necessidade de uma participação mais ativa dos psicólogos na construção da categoria “Direitos Sexuais” e na promoção da justiça erótica.
PDF

Maria Estela Barbosa da Rocha, Paula Regina Costa Ribeiro
Adolescentes com HIV/AIDS: discutindo gênero, saúde e sexualidade
O presente estudo busca investigar como se dão as relações e interações dos adolescentes com HIV/AIDS na escola e em outras instâncias sociais. O trabalho segue uma linha de pesquisa qualitativa com ênfase nas abordagens (auto)biográficas, no caso específico deste estudo a história oral. Na pesquisa está previsto a coleta de depoimentos orais de quatro adolescentes (duas meninas e dois meninos) portadores de HIV/AIDS, bem como familiares, direção da escola, professores/professoras e médicos/médicas. Como a pesquisa esta em andamento, neste momento, estou acompanhando dois adolescentes, uma menina e um menino, onde podemos observar a rede de discursos que estão imersos esses adolescentes, como: da religião, da morte, da família, da sexualidade, da saúde, da escola e dos amigos.
PDF

Maria Ignez Costa Moreira
Jovens avós e mães adolescentes
As relações entre as mães-adolescentes e as jovens-avós, foram objeto de pesquisa realizada com mulheres com diferentes graus de escolaridade, em Belo Horizonte, como parte dos estudos de doutoramento em Psicologia Social. As narrativas foram analisadas através das categorias de gênero e geração. A primeira evidencia as relações de poder e os sentidos para a maternidade construídos entre gerações de mulheres. A segunda, o movimento de transformação e resistência dos legados geracionais. Embora as adolescentes tivessem informação e acesso aos métodos contraceptivos, não fizeram uso regular deles. Recusaram o exercício de domínio sobre a reprodução praticado por suas mães e, dessa forma, acabam por interromper a realização do ideal da mulher moderna signo da geração de suas mães.
PDF

Marion Teodósio de Quadros - UFPE
Uso de camisinha e percepção de risco entre homens da periferia recifense - as diferenças entre conhecimento e prática
Os estudos sobre uso da camisinha relacionados à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e AIDS evidenciam as práticas sexuais e o corpo erótico como os temas importantes para a prevenção. Por outro lado, poucos estudos relacionam homens e contracepção. A proposta desse trabalho é realizar uma análise qualitativa a partir de 141 questionários e 24 entrevistas, com homens de 18 a 36 anos, residentes de um bairro da periferia recifense que está entre os oito bairros com maior número de casos de AIDS notificados da cidade. O uso da camisinha é focalizado, possibilitando refletir sobre reprodução e sexualidade de maneira relacional. Mudanças ou diferenciações na percepção dos homens acerca dos motivos que os levam a usar ou não a camisinha são especialmente percebidas de acordo com a faixa etária, a formação da família de procriação, a procura de parceiras sexuais e a classificação que fazem das parceiras a partir de certos requisitos de confiança. A preocupação com a prevenção e a contracepção, bem como o conhecimento o método, só se revertem em práticas de uso da camisinha em determinados contextos.
PDF

Rodrigo Rosistolato
Adolescência, sexualidade e saúde: intersecções entre as representações e as práticas dos professores que desenvolvem projetos de orientação/educação sexual na escola
Este trabalho pretende discutir as relações entre adolescência, sexualidade e saúde a partir da visão de professores de ensino fundamental do município do Rio de Janeiro. Trata-se dos resultados de pesquisa realizada para desenvolvimento de tese de doutorado onde se discute a construção social da orientação/educação sexual na escola. Foram entrevistados 18 profissionais que desenvolvem atividades de orientação/educação sexual na escola. A partir de seus relatos percebe-se um conjunto de representações sobre as relações da adolescência com a sexualidade, da mesma forma que é possível analisar as maneiras pelas quais estas representações se transformam em práticas sociais a partir do momento em que os professores vão orientar/educar os adolescentes para a vivência da sexualidade. Em seus discursos, associam a vivência da sexualidade na adolescência à saúde individual, ao mesmo tempo em que a percebem como um dos principais problemas para adolescência por causa dos perigos – DST/AIDS e gravidez indesejada – que ela pode proporcionar.
PDF