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ST16 - Sexualidades, corporalidades e transgêneros: narrativas fora da ordem

Coordenadoras:     Berenice Bento (UnB)
                               Larissa Pelúcio (UFSCar)
                               Marcos Benedetti (UFRGS)

Resumo

Recentemente começamos a observar, ainda de forma tímida, o interesse das Ciências Socais em compreender as configurações identitárias das/os  travestis, das/os transexuais e dos transgêneros. Estas pesquisas associam-se, de  forma geral, à abordagens que dialogam com os estudos de gênero e das  sexualidades dissidentes, o que tem propiciado um deslocamento de leituras patologizantes  presentes em estudos anteriores. Esse novo campo temático se filia a uma abordagem construtivista e/ou queer  no que  se refere à sexualidade, gênero e corporalidade, propondo uma nova gramática capaz de possibilitar uma reflexão sobre os múltiplos arranjos históricos, culturais e sociais que se articulam  para produzir identidades "normais" e as que são postas às margens. O objetivo do GT "Sexualidades, Corporalidades e Transgêneros: narrativas  fora da ordem" é constituir-se em um espaço de interlocução sobre os gêneros que se organizam fora do binarismo masculino/feminino,  mostrando o caráter performático das identidades dos gêneros. Interessa-nos pensar os desdobramentos que tal caráter performático propiciam nas sexualidades e  nas práticas de reescrituras corporais. As intervenções médicas e tecnológicas sobre o corpo (tidas como monopólio legítimo da medicina oficial), a inserção social das travestis e  transexuais, as cirurgias de transgenitalização, a violência sexual que atinge esses grupos, os impactos da Aids sobre o imaginário corporal e sexual, a prostituição, o turismo sexual, são algumas das possibilidades de recortes temáticos que  pretendemos aprofundar no GT.


Trabalhos

Adrianna Figueiredo - UFPE
Você já ouviu falar na dor da beleza? Experiências, corpo e afetividades na identidade transgênero
O presente trabalho visa uma reflexão sobre o processo de construção identitária da categoria Transgênero, mais especificamente as travestis residentes no NE, através da visão da experiência do vivido, sobre como as práticas e técnicas de modificações corporais são sentidas, interpretadas e significadas em um grupo que traça primordialmente a construção de sua identidade nesse remodelamento tanto de seus habitus quanto de seus corpos. Este processo de corporificação ou corporalidade, como já proposto por alguns autores, vai além da inscrição do feminino sobre corpos masculinos, mas se constitui como um complexo de negociações identitárias que envolve instâncias tanto ligadas aos campos das relações sociais mais abrangentes, das relações afetivo-emocionais como também no tocante aos desejos e motivações pessoais, onde a ambigüidade aparece como cerne desta construção.
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Anne Christine Damásio - UFRN
Deslizando entre corpos: um estudo etnográfico sobre travestis e drag queens
O trabalho em questão se inscreve enquanto possibilidade etnográfica de pensar o travesti e a drag queen, apontando a fugacidade dos corpos e apresentado-os em toda a carga de fluidez inscrita nas sexualidades contemporâneas. Como possibilidade de trazer à tona corpos resignificados em suas fronteiras e subjetividade. Corpo/invólucro, primeira demonstração da transitoriedade que acaba por dissolver a rigidez da equação tantas vezes afirmada entre “corpo-sexo-gênero-desejo”. Nossos personagens revelam claramente a instabilidade do gênero, o caráter fabricado do mesmo, os usos e contornos possíveis dos corpos. Subvertendo as injunções normativas e revelando os mecanismos culturais de montagem dos gêneros, numa busca pelo feminino que extrapola o mero mimetismo e transcende a lógica linear atrelada a aparente unidade do sujeito.
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Anselmo Peres Alós - UFRGS
Reminiscências de um malandro travestido: redescobrindo memórias de Madame Satã
Memórias de Madame Satã, narrativa de Sylvian Paezzo elaborada a partir dos relatos de Francisco da Silva, o Madame Satã, foi publicado em 1972. O gesto de leitura aqui proposto é o de ler Memórias de Madame Satã não como documento antropológico strictu sensu ou como uma “biografia autorizada”, uma vez que nenhuma dessas abordagens dá conta de importantes elementos da enunciação narrativa e da constituição da identidade textual do texto. Dada a amplitude do texto, que mistura fatos históricos, depoimento autobiográfico e ficção, propõe-se uma articulação dos estudos em torno da novela de testimonio latino-americana (gênero textual que dilui os limites entre a escrita documental e a ficcional) como chave-de-leitura para a compreensão deste importante texto, o qual não foi ainda reconhecido pela crítica brasileira sequer como um artefato literário.
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Berenice Bento - UnB
Corpos e próteses: dos limites discursivos do dimorfismo
Os estudos queer propiciaram uma ruptura com o construtivista que analisa o corpo como algo inerte à espera os carimbos identificatórios da cultura. Os discursos hegemônicos têm efeitos protéticos: fazem, fabricam os corpos em corpos-homens e corpos-mulheres. Respaldada nas reflexões de teóricos queer, apontarei que a dicotomia entre natureza e cultura perde o sentido quando concluímos que todos somos pós-cirurgiados, que não há corpos livres de investimentos discursivos. Nesse sentido, as reivindicações d@s transexuais e travestis sinalizam para 1) os limites da ideologia do dimorfismo. A reiteração esquizofrênica de que somos determinados pelos hormônios que correm em nossos corpos, encontra na existência de “corpos que escapam” seus próprios limites. 2) a (re)fabricação dos corpos transexuais e travestis deve ser observada como intervenções reparadoras de uma assignação "original" que foi calcada na estética dos órgãos genitais.
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Cássio Eduardo Rodrigues Serafim, Marluce Pereira da Silva - UFRN/UFRJ
A inserção da travesti no quotidiano social: o uso do banheiro público
Num supermercado de Natal (RN), ao entrar no “Banheiro feminino”, uma travesti foi abordada por um segurança que tentou impedi-la, sob o argumento de que aquele banheiro era para mulheres. Mesmo assim, ela entrou, justificando que era o “Banheiro feminino” e que ela era feminina. Pensar sobre o banheiro a ser usado por uma travesti implica pensar duas questões postas pelas teorias contemporâneas sobre identidades e, em especial, sobre gênero, as quais, além de problematizar as várias identidades sociais, também indagam sobre o que é ser mulher e o que é ser feminino na contemporaneidade. Dialogamos com autores e autoras como Butler (2003), Hall (2004), Scott (1994; 1995), entre outros. Ao discutir esses pontos, pretendemos não apenas refletir sobre o uso de um ou outro tipo de banheiro pela travesti, mas, sobretudo, sobre a sua inserção no quotidiano social.
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Edwar de Alencar Castelo Branco
Ele é o homem. Eu sou apenas uma mulher: corpo, gênero e sexualidade entre as vanguardas tropicalistas
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Evelyn Raquel Carvalho - UFPR
“Eu quero viver de dia”- Uma análise da inserção das transgêneros no mercado de trabalho
Qual o espaço disponível no mercado de trabalho para as transgêneros? Considerando o perfil banalizado e estigmatizado desse grupo, analisamos o contexto profissional das travestis e transexuais em Curitiba. Estabelecemos como objetivo perceber como se dá a entrada e permanência no universo do trabalho, e suas implicações psicológicas e sociais. Apontamos com base na legislação as garantias previstas para todo/a e qualquer cidadão/ã, em contraponto com relatos coletados que indicaram os avanços e perspectivas dos movimentos de luta das transgêneros pela entrada e permanência no mercado de trabalho, frente às limitações impingidas pela sociedade.
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Flávia do Bonsucesso Teixeira - UNICAMP
Corpos silenciados: memória e esquecimento de si
Esse trabalho é um recorte realizado a partir da pesquisa do doutorado que tem como objetivo investigar as marcas de gênero presentes nos discursos daquel*s que demandam a cirurgia de transgenitalização. A proposta, aqui apresentada, analisa algumas experiências particulares do cotidiano de pessoas que transformaram seus corpos em busca de uma suposta coerência entre sexo/gênero/desejo. Na tentativa de assegurar uma existência legítima, identifico o apagamento das marcas no corpo e na memória como estratégia discursiva para atingir o esquecimento de um passado que ameaça a estabilidade da “nova identidade”.
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Gustavo Espíndola Winck - PUC/RS
Percepções sobre família e rede de apoio social na transexualidade masculina
Através do presente texto pretende-se discorrer acerca de como a rede de apoio social (especialmente a família) é caracterizada e percebida por transexuais masculinos, concomitantemente a considerações acerca dos estudos de gênero e da sexualidade. Para isso, foram realizadas entoi utilizada para categorizar as respostas a partir da transcrição das entrevistas. Através de diversos aspectos relativos à caracterização da família e da rede, discute-se a transexualidade a partir do paradigma social e a partir dos estudos de gênero, propondo-se a apropriação da temática como parte integrante e manifesta do amplo contexto sócio-histórico-cultural no qual estamos todos (as) inseridos(as).
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Igor Torres - UERJ
Travestilidade e Prostituição: Universos em Interseção?
Há em nossa sociedade uma relação forte entre travestis e prostitutas, de modo que a Classificação Brasileira de Ocupações as cita como sinônimos e as publicações no país sobre o tema tomam como objeto apenas travestis profissionais do sexo. Entretanto, no trabalho de campo, conheci travestis enfermeiras, professoras, relações públicas e dois projetos que se propunham a inseri-las em outros trabalhos longe das ruas. Indagando travestis que fazem pista no Rio de Janeiro, nenhuma mostrou intenção de deixar a atividade. A possibilidade de ter sexo; a dificuldade de inserção em outras ocupações; e a visão de que por ser travesti seu lugar é a rua foram motivos relatados. Assim, este trabalho investiga como a aproximação entre esses dois universos foi produzida, como ela se atualiza e o que tem permitido que movimentos de descolamento entre eles sejam possíveis.
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Jamil Cabral Sierra - Faculdade Assis Gurgacz
A mídia travestida... A captura da transexualidade a partir de narrativas “do bem”
Movido (e incomodado!) por uma campanha midiática desenvolvida pelo Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde do Brasil - que reclamava a necessidade de se “curar o preconceito” contra a transexualidade – tento mostrar o(s) movimento(s) dos processos de discursivização e as possíveis representações que retóricas como as de “respeito” e “tolerância” articulam no nosso tempo. Desconfio destes reclames porque vejo neles o desejo de tentar normalizar/capturar a diferença/estranheza das-dos transexuais, a partir de narrativas - pretensiosamente “do bem” - que apelam para as idéias de “solidariedade” e “generosidade”, tão propagadas pela moral cristã e pela heteronormatividade. Inspiro-me, para isso, nos Estudos de Gênero e na Teoria Queer, bem como nas reflexões foucaultianas sobre a noção de discurso, poder e (homo)sexualidades.
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Jesana Batista Pereira, Márcia Santana Tavares, Maura Santos de Olim - UFSCar/Universidade Tiradentes/SE e Faculdade Pio Décimo/SE
“Gostaria de ser livre como as flores e plantas, pois são livres para viver sem medo de errar”
Este trabalho propõe-se refletir sobre a transversalidade de gênero na composição das trajetórias de vida de homens e mulheres, a partir de oficina desenvolvida durante Seminário promovido pela Secretaria Municipal de Saúde de Socorro/SE para usuários e colabradores do Projeto “Belas da Noite”. A oficina buscou aproximar os participantes – profissionais do sexo; usuários do CAPS/Álcool-Drogas; mulheres soropositivas; travestis e agentes de saúde – do processo histórico-cultural que constrói os papéis sociais e sexuais; desenha escolhas; comportamentos; condutas; subjetividades; papéis e identidades que assumem uma naturalização centrada no sexo biológico, reproduzindo a hierarquia de gênero. Para os participantes, ainda que queiram ser vistos e aceitos como são, a dualidade de gênero permanece como construção imagética.
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Jorge Leite Júnior - PUC/SP
“O Melhor dos Dois Mundos” – Sexualidade, Entretenimento e Pornografia com Travestis
Este trabalho reflete sobre a representação audiovisual da sexualidade envolvendo travestis. No campo da pornografia, um ramo específico - o sexo "bizarro" - representa não apenas a faceta extrema de tal mercado, mas também a mais intensa afinidade com as origens da espetacularização do ser humano nas origens da cultura do entretenimento: os "freak shows" ou shows de aberrações humanas. neste tipo de evento um dos mais antigos personagens é justamente aquele que une características físicas de ambos os sexos em um só corpo. dentro desta linha de espetacularização da sexualidade, as atuais travestis representam uma larga fatia desta produção, talvez, justamente por encarnarem dentro de uma visão normativa sobre corpos e prazeres, a versão pornográfica dos antigos “freaks” ambissexuais.
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Juliana Frota da Justa Coelho - UFCE
“Justo quando a lagarta achava que o mundo tinha acabado, ela virou uma borboleta”: uma compreensão fenomenológica da travestilidade, a partir de narrativas
Este trabalho busca compreender fenomenologicamente a travestilidade, a partir de narrativas. Para tanto, faz-se necessário discutir como os conceitos de gênero e sexualidade foram e são construídos na sociedade ocidental, a fim de que se compreenda o surgimento das sexualidades ditas “desviantes”. Segue-se uma discussão sobre a travestilidade, suas diferentes definições de acordo com determinadas literaturas, bem como a importância do processo da “montagem” na construção de suas identidades. Segue-se uma compreensão das narrativas de duas travestis, estabelecendo-se um diálogo entre as experiências das depoentes e as discussões teóricas realizadas. Finalizando, teço considerações acerca do que pude aprender ao interrogar o fenômeno da travestilidade, apresentando reflexões, indagações e novas possibilidades de compreensão das vivências de Tina e Daletty.
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Justina Franchi Gallina - UFSC
(Por) Quê corpo importa? uma alteridade queer no cinema independente norte-americano
O cinema é um meio de comunicação de massas que contém uma pedagogia cultural, ou seja, trabalha com linguagens através das quais significados sociais são construídos e (re)produzidos. A “coerência” das identidades de gênero e as convenções sociais impostas pelas normas institucionais são reforçadas ou postas em questão nos filmes que tratam os conflitos em relação ao corpo e a maneira como nos relacionamos com ele. Entendendo o filme como um acontecimento e como uma forma de realidade, procuraremos analisar a relevância das normas socio-culturais na “aceitação” ou “repulsa” de uma das formas de identificação queer, o transexual. Para isso, utilizaremos como fonte o filme Transamerica (2005), do diretor independente norte-americano, Duncan Tucker.
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Larissa Pelúcio - UFSCar
Soropositividade, pressão e depressão: da vida nervosa das travestis vivendo com HIV/AIDS
A partir de etnografia entre travesti agentes de prevenção que atuam junto ao projeto Tudo de Bom, alocado na Área Temática de Prevenção da Secretaria de Saúde de São Paulo, discute-se a lógica preventiva e sobre o processo saúde/doença que orientam técnicas do Projeto e aquela da qual se valem as travestis agentes bem como aquelas que são abordadas por elas durante o trabalho de intervenção feito nas noites paulistanas. Propõe-se que essas lógicas se tocam em alguns pontos e se afastam consideravelmente em outros, sobretudo os relativos às interpretações sobre o corpo, o "cuidar-se", a o"risco", sexualidade e saúde, o que passa pela idéia de "nervoso". Defende-se que há por parte das técnicas e dos formuladores de políticas públicas uma forte dicotomização espacial entre "posto" (unidades de saúde) e "pistas" (áreas de prostituição) impedindo uma visão integral da realidade do grupo almejado pelo Projeto.
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Leandro de Oliveira - UERJ
As realizações polimorfas da figura da bicha
Esta comunicação apresenta reflexão elaborada a partir de observação participante que realizei entre os anos de 2004-2005, em boate freqüentada por público masculino não-heterossexual de camadas populares, na periferia da cidade do Rio de Janeiro. Exploro, nesse espaço freqüentado por travestis, gays praticantes do cross-dressing e seus parceiros sexuais, os usos de rótulos generificados no discurso sobre si e sobre o outro, sinalizando para sua força performativa. Discuto como essas categorias se conectam à percepção e avaliação dos estilos performáticos referidos como “jeito de bicha” e “jeito de homem”. Confrontando a descrição de repertórios gestuais aos rótulos que sobre eles incidem, tematizo o peso da performance de gênero sobre a conduta sexual e a identificação, assim como as práticas regulatórias que reiteram assimetrias perduráveis.
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Luciene Gimenez - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Rubens Adorno - Prefeitura do Município de Diadema
Um corpo incircunscrito
Nara, como a maioria das travestis de Diadema, é afro-descendente, oriunda de classe social baixa, migrante, cumpriu pena na FEBEM, onde também viveu o grande e único amor da sua vida. Sem travestir-se, é mais um rapaz de cor parda e pobre com restritas perspectivas de vida, ao travestir-se, seu corpo ganha o poder das formas exuberantes que lhe permitem sonhar com shows e viagens para o exterior. Para Mary Douglas, o corpo é uma estrutura complexa e as margens são regiões investidas de poder, porque dão limites e contenção à estrutura interna. Para Foucault, prazer e poder não se anulam. Considerando estas concepções, o corpo travestido, mais do que uma possibilidade de prazer, ou, uma identidade, sintetiza perigo e poder subvertendo a tentativa de controle sobre os corpos e os sexos, e, invertendo as relações de dominação presentes na conjunção classe/gênero/etnia.
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Marcos Benedetti - UFRGS
As travestis, as transexuais e a história: as dinâmicas identitárias no universo trans no Brasil atual
O trabalho procura compreender os processos de transformação e construção de categorias, valores, práticas e identidades que compõem o universo trans no Brasil atual e as transformações históricas recentes que vêm se desenvolvendo neste campo.
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Margarete Almeida Nepomuceno - UFPB
“O casamento de d’uma moça macho-fêmea com um rapaz fêmea-macho”: o hibridismo das identidades de gênero da literatura de cordel
Este trabalho tem a intenção de discutir as transgressões de identidades de gênero na contemporaneidade, tendo os conceitos de “performatividade” e “devir” como condutores de compreensão dos processos de hibridismo entre o masculino e o feminino, a partir da leitura do cordel “O casamento d`uma moça macho-fêmea com um rapaz fêmea-macho”, de autoria de José Costa Leite. O conceito transgênero é apresentado como possibilidade dos que cruzam as fronteiras fixas de gênero através de uma tecnologia de si, subjetivada através da corporalidade e da fluidez das sexualidades produzidas. A leitura que apresento dos personagens é uma tentativa de observar o território destas “máquinas desejantes” através da teoria queer e dos estudos culturais pós-identitários que continuam a estimular novos des-velamentos e sentidos.
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Maria Alves de Toleno Bruns, Claudiene Santos - USP/Ribeirão Preto
Diversidades sexuais, corpos e desejos em transformação
A globalização e a informatização contribuíram para efetivar o paradigma da incerteza que caracteriza a sociedade do espetáculo, afeta o lugar dos corpos e papéis de gêneros a serem desempenhados e, possibilitam maior visibilidade às “minorias sexuais”. As pesquisas do grupo Sexualidade Vida visam compreender o processo de feminização dos corpos de travestis, transexuais e drags e as demandas pela concretização dos desejos homoafetivos de constituição familiar/envolvimento amoroso. Tais grupos cruzam as fronteiras das “normas regulatórias” de gêneros, levando a outros olhares frente à naturalização da heterossexualidade. Compreender esses modos de ser é se permitir refletir a multiplicidade e a fluidez que constituem as identidades sexuais, papéis e representações de gênero e, também o universo sócio-cultural, palco destas possibilidades de ser no mundo.
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Mônica Soares Siqueira - UFSC
Sexualidades entre senhoras
Essa comunicação tem como base uma das discussões desenvolvidas em minha dissertação de mestrado realizada em 2002, sobre como as travestis na velhice vivenciam e percebem sua sexualidade. Aqui, o ponto de partida foram os relatos de cinco travestis entre 59 e 79 anos residentes na cidade do Rio de Janeiro. Nesse ínterim, este texto foi (re) construído focalizando os relatos de três travestis, a partir de uma análise de seus depoimentos, sob meu ponto de vista, mais significativos. A questão da sexualidade foi compreendida nesse trabalho, como um dos aspectos pertinentes ao processo de construção das subjetividades das informantes, levando-se em conta, suas interseções com as categorias de gênero e geração.
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Nádia Perez Pino - UFSCar
“É menino ou menina?” Corpo e identidade de gênero em pessoas intersex
Nos debates atuais sobre a intersexualidade e seu “tratamento” médico o consenso está longe de ser estabelecido. De um lado temos a urgência social em atribuir a esse corpo portador da genitália ambígua e indefinida um gênero e para isso a medicina é chamada para decidir onde se situa o “verdadeiro do sexo”, recriar e “generificar” a genitália através de cirurgias e tratamentos hormonais. Por outro temos as incertezas e as contestações dessas intervenções oriundas tanto da própria medicina, assim como por parte das pessoas intersex. Sendo assim, visamos discutir nesse trabalho: o caráter de construção da binariedade do sexo; as relações sociais de gênero que perpassam essas práticas médicas; a importância que as identidades de gênero em sua exata correspondência com os órgãos genitais ainda exerce para a classificação dos sujeitos no interior da vida social.
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Paulo Reis dos Santos - UNICAMP
Travestis: corpos ambíguos, gêneros em cheque
Para melhor compreender os processos pedagógicos de alteração do gênero realizado pelas travestis que atuam como profissionais do sexo, este trabalho trata dos procedimentos de mutação do corpo executados por elas. Ser travesti é mais do que simplesmente trocar de roupas. Implica na construção de subjetividades, valores, relações sociais, sexualidades, paixões, conflitos, preconceitos e vontades que se expressam nas relações consigo mesma e com o mundo que a cerca. Segundo Judith Buttler, a construção do gênero atua através de meios excludentes, tanto que alguns sujeitos considerados abjetos não aparecem apropriadamente generificados, questionando-se, inclusive, sua condição de humanidade. Neste sentido, procuro problematizar as discursividades que estão sendo produzidas pelas, para e sobre as travestis.
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Pedro Paulo Gomes Pereira
Tudo sobre minha mãe: gênero, AIDS e cinema
O filme “Tudo Sobre Minha Mãe”, de Almodóvar, é um exemplo de desconstrução do binarismo de gênero. Trata-se duma performance cinematográfica do caráter performático das identidades de gênero. Numa só película o espectador se confronta com intervenções médicas sobre o corpo, sujeitos envolvidos em intensos cuidados de si, práticas de reconstrução corporal, paródias de gênero. No filme, os sujeitos se afastam dos estereótipos homofóbicos típicos do cinema dominante: a bicha desmunhecada, o psicopata gay, a vampira lésbica. Existe um enigma na história, importante para a sua compreensão: quem seria a personagem principal? A resposta a essa pergunta pode evidenciar que Almodóvar compreendia bem a sua época, em que o ânimo social se viu permeado de um temor associado ao extermínio que vem re-significando dimensões importantes da sexualidade.
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Rodrigo Borba - UFRJ
“A Beatriz foi preso!”: a construção da travestividade através do sistema gramatical de gênero entre travestis gaúchas
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Shirley Acioly Monteiro de Lima
Intersexo e identidade: histórias de uma sexualidade construída
A questão da intersexualidade vem sendo amplamente explorada em estudos que buscam entender mecanismos fisiológicos que possam explicar o desvio ao binarismo feminino-masculino. Por representar um grande desconforto social, um não lugar, um não ser feminino ou masculino, a condição de intersexo determina uma busca por uma solução corretiva, representada, em alguns casos, pela correção cirúrgica. Estigmatizadas, as pessoas na condição de intersexo perdem o poder sobre seu corpo, a possibilidade de se reconhecer pelo que são e de decidir sobre quem querem ser. Ao contrário do que se pretende com a redesignação sexual, a correção cirúrgica não é a solução para a questão da construção da identidade destes sujeitos, pois não responde as perguntas sobre qual papel ocupam e querem ocupar na sociedade, quem são e quem querem ser.
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Tatiana Lionço - Secretaria de Gestão Participativa/ Ministério da Saúde/ Comitê Técnico Saúde da População GLTB
A transexualidade entre a transgressão e a inserção social
A diferença sexual humana transborda em relação à norma simbólica heterossexual. A transexualidade veicula a fantasia fundamental da superação do corte da diferença sexual, indicando a não restrição dos processos de subjetivação humanos à lógica que naturaliza o sexo e padroniza as possibilidades expressivas da sexualidade humana. Se há a possibilidade de romper com os limites da condição anátomo-fisiológica dos sexos, através da promoção de alterações somáticas pelas intervenções médico-cirúrgicas, o limite retorna na precariedade do universo simbólico em dar conta da diversidade nas produções humanas, que restam às margens. Cabe a problematização do papel do Estado na garantia da positividade destas produções humanas, recusando a conivência em conferir-lhes um não lugar, às margens, pelo repúdio a expressões transgressivas em relação à norma heterossexual sócio-historicamente consolidada.
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Tatiana Lionço, Bárbara Graner, Andréa Stefanie - Coletivo Nacional de Transsexuais
Movimento GLBT e transexualidade nas políticas públicas de saúde no Brasil: idiossincrasias e sincronismos
O movimento GLBTs luta pelo reconhecimento de possibilidades de subjetivação distintas da norma heterossexual sócio-historicamente construída. Um dos impasses do movimento é a sustentação de uma identidade que garanta reconhecimento e visibilidade a este grupo social, resguardando o respeito e a consideração da sua pluralidade interna. O Movimento GLBTs vem consolidando espaço de interlocução com o Governo Federal, respaldados pelo Programa Brasil sem Homofobia, sendo que o Ministério da Saúde instituiu o Comitê Técnico Saúde da População GLTB. A articulação do movimento social através do Coletivo Nacional de Transexuais teve como efeito a extensão de um assento no CT GLTB para transexuais, além das representações de lideranças dos demais segmentos GLBTs. A garantia do princípio de eqüidade no SUS requer recusar a homogeneização das diferenças.
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Wiliam Siqueira Peres - FCL/UNESP/Assis-SP e Núcleo Londrinense de Redução de Danos - Londrina/PR
Subjetividades das travestis brasileiras: interfaces entre estigmas e construção da cidadania
Nosso trabalho se pauta por histórias de vida de travestis brasileiras militantes que deu origem a nossa tese de doutorado, organizadas a partir de observações etnográficas e entrevistas em profundidade que se pautaram por dados de infância, adolescência e vida atual. Essas histórias permitiram a construção de cartografias existenciais que evidenciaram elementos que recontam as histórias coletivas do movimento organizado das travestis brasileiras, suas reivindicações, desafios e conquistas, solicitando novas possibilidades de diálogos entre os órgãos governamentais e demais setores da sociedade civil, de modo a favorecer o surgimento de novas políticas públicas, assim como, maior empoderamento e respeito para com as diferenças e a defesa do direito a ter direitos como estratégia de emancipação psicossocial e política dessa população.
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