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ST18 - A questão racial no Brasil e as relações de gênero

Coordenadoras:     Benjamin Xavier de Paula (UFU)
                               Pedro Geraldo Tosi (UNESP)
                               Elizangela Lelis da Cunha (UFSCar)

Resumo

O Simpósio articula dois temas que tem adquirido centralidade nos debates na área de Ciências Humanas e Sociais: raça e gênero, nesta perspectiva, busca congregar trabalhos de pesquisas e experiências fruto de projetos acadêmicos que versem sobre a temática, propiciando debates de alto nível sobre tema. Este Simpósio Temático busca debater entre outros temas as relações entre juventude, raça e gênero; os padrões e representações da mulher na sociedade e no mercado de trabalho; as relações sociais envolvendo as relações de gênero e raça que se desenvolvem nas esferas da sociedade, particularmente no mundo da produção e na família; os processos de discriminação em função da opção sexual e da cor da pelo dos indivíduos no mercado de trabalho; e os estereótipos depreciativos atribuídos aos negros, as mulheres, aos homossexuais outras “minorias” presentes nas estruturas sociais.


Trabalhos

Ana Claudia Farranha - OIT/Brasil
Gênero e raça: elementos de uma articulação possível
Este trabalho tem por finalidade relatar alguns dos aspectos identificados na experiência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Escritório do Brasil. Trata-se de uma análise sobre a implementação da área gênero e raça, no Escritório do Brasil, a partir de 02 projetos sobre o tema: o GRPE (Programa de Fortalecimento Institucional para Igualdade de Gênero, Raça, Erradicação da Pobreza e Geração de Emprego) e o Projeto Igualdade Racial. Meu objetivo é apresentar as principais linhas de atuação, identificando em que medida essas variáveis se conectam e produzem impactos nas políticas públicas. Pretendo, assim, analisar as perspectivas que possibilitaram trabalhar as variáveis gênero e raça, a partir desta experiência, e que lições se pode aprender dessa articulação.
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Ana Lúcia da Silva - UEM/FAFIMAN
A população negra na sociedade brasileira a partir do ensino de história: mulher, negritude e cidadania
O povo brasileiro é a expressão da diversidade étnico-racial, devido ao encontro entre diferentes povos na América portuguesa: os indígenas, os europeus “colonizadores” – os portugueses, os africanos e outros imigrantes. Desde os tempos coloniais na sociedade brasileira, quando os povos africanos foram trazidos para a América, à população negra foi reservado o trabalho escravo. Porém, mesmo após a abolição oficial da escravidão, em 13 de maio de 1888, os ex-escravos e afro-descendentes tiveram que lutar pela cidadania, pois saíram de um período de mais de trezentos anos de escravidão sem nenhum direito. Desta maneira, objetiva-se tecer algumas reflexões sobre a situação da população negra em nosso país a partir do ensino de História do Brasil, dando visibilidade à condição da mulher negra na sociedade. PALAVRAS-CHAVE: História do Brasil; ensino de história; população negra; mulher negra.
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Andréia Isabel Giacomozzi - UFSC
Vulnerabilização de afro-descendentes ao HIV/AIDS
O objetivo deste trabalho é fazer uma reflexão sobre as vulnerabilidades específicas dos afro-descendentes em relação a contaminação pelo HIV/aids, pois de acordo com o Boletim epidemiológico de janeiro/junho de 2005, os casos de aids vêm aumentando entre a população mais pobre, onde a população negra encontra-se em maior proporção. Nota-se também o crescimento da proporção de óbitos por aids nas categorias de raça/cor “preta” e “parda”, em ambos os sexos, entre 1998 e 2004. A pobreza aumenta a vulnerabilidade social das pessoas à infecção pelo HIV. Doenças tradicionalmente ligadas à pobreza como desnutrição, verminoses, tuberculose, alcoolismo etc., são mais incidentes na população negra e não por razões étnicas. A questão, portanto não é de uma 'natureza racial', mas de fato de preconceitos de gênero, raça e classe, que neste caso estão imbricados.
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Celeuta Batista Alves, Tânia Maria T. Nakamura - UFU/UNIPLAC
A implementação da lei 10639/03 na cidade de Bom Despacho-MG
Esta comunicação é o relato dos resultados parciais de uma pesquisa desenvolvida desde o primeiro semestre de 2005 na cidade de Bom Despacho-MG, com vistas a acompanhar a implementação da Lei 10.639/2003 nas escolas públicas estaduais daquele município. O foco do nosso estudo está centrado em um grupo de pessoas que desenvolvem um projeto de pesquisa cujo objetivo é preservar, estudar e recuperar uma língua resultante do sincretismo de várias línguas africanas, usada no passado como veículo de resistência pelos escravos e “falada” ainda hoje em um bairro periférico daquela cidade, onde é denominada GIRA DA TABATINGA. O trabalho teve por orientação metodológica, a pesquisa bibliográfica e documental, além da investigação junto aos professores, que foi feita através de um questionário, escrito.
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Corina Ilda, Priscila Alvarenga, Pedro Barbosa, Danilo Nunes de Carvalho - UFU
O movimento negro no Brasil e as lutas pelas políticas públicas de promoção da igualdade racial
O presente artigo pretende apresentar o Movimente Negro no Brasil diante das Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial e seus conflitos históricos com a sociedade brasileira entre os anos de 1970 até 2005, data de realização de II Marcha contra o Racismo, pela Igualdade e a Vida. No que se refere aos objetivos substantivos destacaremos as variações existentes no modo de organização política da comunidade negra brasileira, exemplificando os padrões de produção da organização política e as correlações entre as várias formas de organização política da comunidade negra no Brasil com as Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial, aprovadas pelas legislaturas constitucionais.
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Cristina Mary Ribeiro Perón, Benjamin Xavier de Paula - UFU
Mulher negra e falcêmica no contexto da sociedade
Nosso trabalho busca abrir caminhos de diálogos a respeito da mulher negra com doença falciforme, conhecidas no mundo cientifico por falcêmicas herdeiras de uma anormalidade genética. O maior grau de incidência e prevalência dessa doença é verificada em maiores proporções na população negra e afro-descendente, que no caso das mulheres ganha maiores proporções, ao associar-se ao precário o atendimento da rede básica de saúde e as condições sociais das falcêmicas em idade reprodutiva, adolescentes, mães solteiras e negras, sobrevivendo em condições subumanas na periferia, tal como ao preconceito, na sociedade em relação á raça somada ao pouco conhecimento sobre a doença falciforme, contribui significativamente para aumentar a taxa de mortalidade e do aborto entre estas mulheres. Nesta comunicação buscamos debater a relevância deste estudo, sobre a mulher negra e falcêmica no contexto da sociedade.
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Cristina Mary Ribeiro Peron, Benjamin Xavier de Paula - UFU
O projeto racismo e educação: desafios para a formação docente
O trabalho versa sobre a experiência vivenciada junto ao projeto de extensão universitária “Racismo e Educação: desafios para a formação docente”, no desenvolvimento de ações didático pedagógicas que buscam intervir junto ao processo de formação continuada dos docentes da rede pública de ensino da cidade de Uberlândia, na perspectiva de compreensão do racismo enquanto categoria conceitual e enquanto prática social vivenciada no cotidiano escolar, no universo das instituições educativas e na estrutura da sociedade brasileira. O projeto visa implementar instrumentos de efetivação do disposto na Lei Federal nº 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e insere no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.
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Daniela do Carmo - UNICAMP
Uma família da ‘elite negra’ na perspectiva de gênero
Este trabalho tem como objetivo analisar, através da perspectiva de gênero, a história da família Cesarino que, ao distinguir-se da maioria das outras famílias negras, constituiu o que se convencionou chamar “elite negra”. O percurso social desta família oferece bons exemplos e contrapontos para adensarmos a investigação da ascensão sócio-econômica do negro no Brasil. Sobretudo se, ao lado da recuperação histórica e etnográfica, formos capazes de avançar na investigação de um conjunto de problemas sociológicos e antropológicos pertinentes, entre eles a presença feminina na conformação dessa família, desde a segunda metade do século XIX, quando Antonio Maria Cesarino conduziu um colégio feminino em Campinas com a participação ativa de suas irmãs professoras, até o casamento de Cesarino Júnior (advogado/médico/professor universitário da USP e PUC/SP) com a filha de um escultor, imigrante italiano anarquista, em 1926. Cumpre, assim, focalizar as possíveis intersecções entre questão racial, gênero e ascensão social.
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Edileusa Ribeiro do Prado
A (in)visibilidade das mulheres trabalhadoras domésticas
O presente trabalho é resultante da reflexão sobre a realidade vivenciada pelas trabalhadoras domésticas e sua (in)visibilidade social. Metodologicamente, destacou-se a inserção de trabalhadoras domésticas enquanto sujeitos do processo de pesquisa, que, juntamente com acadêmicas realizaram entrevistas com 408 mulheres e posteriormente a reflexão em grupo dos dados coletados. A pesquisa retratou a desvalorização salarial e profissional, a não garantia de seus direitos trabalhistas e previdenciários e a necessidade de organização política desta categoria. A construção histórica do trabalho doméstico no Brasil remete ao trabalho escravo, feito por mulheres escravas e negras exercendo uma função subalterna. A representação social do trabalho doméstico é influenciada pelas relações de gênero, pois a questão do trabalho doméstico, pois, encontra-se relacionada aos modos de ser, pensar e viver que culturalmente identificam este e os sujeitos que o exercem.
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Elanir de Moraes Ribeiro - UERJ
Participação política negra e feminina – mulheres negras nas eleições no Rio de Janeiro (2000 - 2004)
Meu trabalho se propõe verificar se há e/ou qual tem sido a reflexão da mulher negra que se candidata acerca sua condição social neste âmbito político-institucional. E como isto se reflete (ou não) nas suas campanhas eleitorais. E no caso de eleição, no seu mandato, tendo por base as eleições municipais e estaduais no Rio de Janeiro de 2000 a 2004. Entender como se posicionam as mulheres negras neste espaço político-eleitoral, pode apontar se e como estas afrodescendentes estão se articulando para superar dificuldades e desigualdades decorrentes da opressão de gênero e preconceito de cor na sociedade brasileira.
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Elizangela Lelis da Cunha - UFSCar/UNESP
Trabalho feminino e instituição familiar: o papel dos indivíduos na esfera doméstica
Procuramos apresentarem algumas referencias sobre a representação da família em períodos distintos da historia, articulando-a com outras construções teóricas sobre o conceito que esta adquiriu em algumas perspectivas, tal como as metamorfoses pelos quais passou a construção da identidade da instituição familiar isto é, por estas duas vertentes: histórica e teórica; e as representações sociais que a família adquire na sociedade pós-moderna.
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Elizângela Lelis da Cunha, Benjamin Xavier de Paula, Marcos Augusto de Castro Peres - UFU/UFSCar/UNESP/USP
Relações de trabalho e extratégias de exclusão na sociedade contemporânea: raça, gênero e idade
O presente trabalho articula três temas que tem adquirido centralidade nos debates sobre a exclusão social: raça gênero e idade. No primeiro momento trataremos dos desdobramentos do desemprego entre a juventude negra; no segundo o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho, nas relações sociais de produção e na família; por fim trabalharemos a discriminação por idade no mercado de trabalho e as práticas que são causadas por estereótipos negativos sobre a velhice presentes nas culturas organizacionais.
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Fatima Cecchetto, Simone Monteiro
Trajetórias juvenis, sexualidade e saúde reprodutiva: uma análise sobre intervenção social no Rio de Janeiro
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Gercina Santana Novais - ESEBA/PROEX/UFU
As faces da exclusão/inclusão escolar: retratos do racismo na escola pública
Este comunicado, com base em resultados de um estudo de caso de natureza qualitativa sobre inclusão/exclusão na/da escola, analisa uma das faces desses processos evidenciando a presença do racismo no interior da escola pública. As práticas identificadas no cotidiano escolar revelaram a construção da desigualdade de oportunidade de continuidade e conclusão dos estudos, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, na medida em que, por exemplo, recaia sobre os(as) alunos(as) de cor de pele preta, identificados pelas professoras como pertencentes à raça negra, exigência de acatamento das prescrições ali presentes e menor tolerância a seus atos de insubmissão. Os resultados evidenciaram a necessidade de discutir o racismo no interior da escola, trazendo-o ao primeiro plano nas discussões pedagógicas sobre inclusão / exclusão escolar.
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Jaques Gomes de Jesus - UnB
Assessoria de diversidade e apoio aos cotistas da Universidade de Brasília: convivência e valorização da diversidade na universidade
Gênero é aqui entendido lato sensu. Objetiva-se discutir os processos de discriminação em função de sexo, orientação sexual e da cor da pele através do relato da experiência e soluções encontradas para realização dos trabalhos e projetos da Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas da Universidade de Brasília, criada em março de 2005 com a finalidade de acompanhar a entrada e a permanência dos estudantes oriundos do Sistema de Cotas para Negros no vestibular, além de lidar com questões políticas e técnicas relativas à gestão da diversidade no ambiente acadêmico, no trato com mulheres, pessoas de sexualidade não-hegemônica e indígenas.
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Joselina da Silva
Fala mulher: o diálogo de Maria nascimento no jornal Quilombo (1948- 1950)
Ao lado da reorganização da sociedade democrática, com o fim do Estado Novo, reestruturaram-se também, os jornais da imprensa negra, onde a coletividade se inteirava dos acontecimentos sociais e das realizações políticas. No Rio Janeiro, solidificava-se, entre outros, o jornal O Quilombo que se mostrava preocupado em denunciar as conseqüências do racismo e em publicar reflexões acadêmicas. Nosso intento, neste texto, é analisar o pensamento de Maria L. Nascimento - do Congresso Nacional de Mulheres Negras – na coluna Fala Mulher, no Jornal Quilombo (1948 a 1950). Podemos ver reveladas, ali, um delineamento de raça, classe e gênero. Este texto é parte constante da tese de doutorado intitulada: “UNIÃO DOS HOMENS DE COR (UHC): Uma rede do movimento social negro, após o Estado Novo” (Defendida no PPCIS/UERJ)
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Lorena Almeida Gill, Beatriz Ana Loner
Mulher, carnaval e etnia negra em Pelotas: muito além do samba
A partir de um estudo sobre os clubes carnavalescos negros de Pelotas -RS (1930 a 1990) pretende-se discutir a situação da mulher negra dentro da própria etnia em clubes de operários/ classe média, sujeitos a processos de ascensão social. Nessa pesquisa, trabalhou-se com documentos escritos, atas e jornais, levantando a posição da mulher e os condicionamentos a seu comportamento esperados pela etnia e pela sociedade. Através da história oral, buscamos nos aproximar da visão que a própria mulher tinha desse processo. Houve oportunidade de perceber posições contraditórias, pois ao trabalhar com sócias que ocuparam papel de direção, nos deparamos com mulheres que assumiram muitas das práticas disciplinadoras e inclusive as impunham as mais jovens, mas, ao mesmo tempo, possuíam uma visão bem diferenciada com relação a seu próprio status no clube
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Lorena Francisco de Souza - UFG
Relações de poder, mídia e discriminação: os espaços não ocupados pela mulher negra nas revistas femininas
Este trabalho visa discutir as representações sociais da mulher negra imbuídas nos meios de comunicação de massa, em destaque, nas revistas femininas. Os meios de comunicação estão presentes e influenciam na organização social e na construção da realidade social na contemporaneidade. A mídia apresenta-se assim como elemento da comunicação em massa que influencia o pensamento social ou as representações sociais. o trabalho analisa as representações sociais calcadas no estereótipo referente à mulher negra na sociedade brasileira, bem como a (não)divulgação de sua imagem na mídia de comunicação em massa e acredita que mais do que detectar a referência branca de beleza imposta pela economia de mercado, é imprescindível analisar a estética como um elemento importante para se entender a estrutura social vigente. A partir das relações de poder da mídia, questionamos a imposição de implicações estéticas que fundamentam o pensamento da cultura hegemônica e excludente que trata a diferença de forma verticalizada (INOCÊNCIO, 1999).
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Luciane Ribeiro Dias Gonçalves - UNIPAC/UFU
Rompendo o silêncio e a invisibilidade: mulher, negra e educadora
Questões relacionadas à discriminação racial e educação, têm sido objeto de um número crescente de publicações e estudos, favorecendo a busca de alternativas para minimizar a discriminação racial e de gênero nas nossas escolas. Perduram, principalmente em relação às mulheres negras, vários estereótipos que acumulam preconceitos de gênero e racial. As mulheres negras lutam para superar a invisibilidade herdada para todo povo negro no Brasil, tanto quanto a luta pelo direito a educação. Várias são as mulheres negras que ocupam a profissão de educadoras, porém a formação identitária de pertença ainda não está consolidada. A hipótese básica é que com debate sobre a Educação das Relações Étnico-raciais na Formação Inicial e Continuada poder-se-á ter uma proposta de educação com respeito à diversidade de gênero e de raça, ou especificamente, respeito à história da negra educadora brasileira.
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Maria Clareth Gonçalves Reis, Regina Leite Garcia - UFF
Afirmando identidades negras
Este trabalho apresenta alguns resultados da pesquisa, ainda em andamento, que tem como objetivo principal investigar através da narrativa de histórias de vida, processos de construção de identidades de professoras negras que lecionam no ensino superior. Como a pesquisa encontra-se em construção, apresentarei neste texto apenas duas das questões norteadoras desse estudo. A primeira refere-se à maneira como professoras negras compreendem processos de construção de suas identidades raciais. A segunda discute como a educação vivenciada no contexto escolar e não escolar dessas mulheres repercute na constituição de suas identidades e incide no campo educacional onde elas estão inseridas. Para isso, recorri às histórias de vida (Thompson, 1992) dessas mulheres, tentando perceber também elementos mais amplos, pertencentes à coletividade. Assim como Thompson (1992), entendo que “a história de vida é uma técnica que capta o que sucede na encruzilhada da vida individual com o social” (p. 20).
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Maria da Luz Alves Ferreira - UFMG/UNIMONTES/Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros/MG
Ainda precisamos avançar: as desigualdades sociais por raça e genero em montes Claros – MG
O texto versa sobre desigualdades sociais de raça e gênero na cidade de Montes Claros – Minas Gerais. A partir da análise dos dados da pesquisa “Desigualdades sociais, qualidade de vida e participação política: pesquisa por amostragem probabilística da região metropolitana de Belo Horizonte e do município de Montes Claros em comparação internacional”, de variáveis como: ocupação, renda, escolaridade, sexo e raça, pretende-se verificar se em Montes Claros ainda persiste a segregação ocupacional por gênero e raça. Os dados da referida pesquisa apontam que, também na cidade de Montes Claros, tende a refletir a tendência nacional, ou seja, persistem ainda as disparidades por gênero e raça, sobretudo, em relação ao mercado de trabalho, culminando na manutenção e/ou aumento das desigualdades sociais por gênero e raça na cidade supracitada
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Maria das Graças Maciel - USP/UFU
Para além do devaneio romântico na poesia de Gama
A poesia de Luís Gama teve um impacto crítico na sociedade de seu tempo. O escritor satirizou os poetas românticos mostrando a ridícula mulher como intelectual, os poetas afeminados, e uma sociedade romântica egotista. A poesia de Gama foi simplesmente uma risada. No seu Burlesque Bard ele exibe um humor exorbitante. Luís Gama foi um escravo negro fugitivo que escreveu sobre o momento literário e histórico.
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Maria Lúcia de Freitas, Benjamin Xavier de Paula - UFU/INSS/CEUCLAR
Juventude negra educação e mercado de trabalho
O presente trabalho é parte do estudo sobre os desdobramentos do desemprego entre a juventude negra em São Paulo, e quais são as suas causas mais profundas, como também suas conseqüências imediatas. Este cenário será protagonizado por jovens negros, vitimados pelo processo de exclusão da sociedade que tem como uma das principais causas e justificativas a falta de escolaridade, esta exclusão educacional em última instância, significa também o que lhes tira a oportunidade de integração a sociedade contemporânea.
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Mariana Xavier de Paula - CIDIP/Movimento dos focolares
As mulheres do bairro do Carmo: ação comunitária e resgate da identidade quilombola
O presente trabalho é fruto da experiência de pesquisa e vivência junto a uma comunidade habitada por descendentes de um quilombo, próximo a cidade de São Roque: a Comunidade do Carmo. Nossas inquietações quanto ao homem e sua integridade, e a contribuição que o campo da saúde pode dar no sentido de consolidar os referenciais expressos pela Organização Mundial de Saúde – OMS: a saúde entendida como “bem estar físico, mental, social e espiritual”, encontramos uma experiência profundamente rica de desenvolvimento sustentável por meio da ação comunitária que, abrange todas as esferas da vida desta comunidade, e cuja dianteira deste processo de resgate da identidade quilombola negada pela sociedade, estão nas mãos das “mulheres do Bairro do Carmo”.
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Michele da Silva Lopes - UFMG
As trajetórias de vidas políticas de mulheres negras, militantes do movimento de mulheres negras: possibilidades de pedagogias de raça e gênero ressignificadas
Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo, que privilegia a articulação entre raça e gênero como dimensões significativas das trajetórias políticas de mulheres negras, militantes do Movimento de Mulheres Negras, em Belo Horizonte. Neste sentido, será necessário compreender o conjunto de elementos e fatores da construção dos processos educativos e afirmativos de ser mulher negra (entendido e apontado, nesta proposta de pesquisa, como pedagogias de raça e gênero) e os dilemas que os mesmos carregam. A pesquisa encontra-se em andamento, apresentando, portanto, resultados parciais e tendo reflexões inicias de análise e investigação.
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Pedro Barbosa - UFU
Políticas públicas, desigualdades raciais e a questão de gênero: o caso da comunidade negra de Uberlândia
O presente trabalho analisa as Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial em Uberlândia/MG e a participação das mulheres nas suas legislaturas (Câmara Municipal de Uberlândia), entre os anos de 1982 a 2006. No que se refere aos objetivos substantivos destacam-se três pontos: a) verificar a variação existente no modo de organização e participação feminina nas questões políticas que envolvem a comunidade negra de Uberlândia; b) comparar as reivindicações voltadas para as Políticas Públicas de gênero e os padrões de produção da organização política; c) por fim, analisar as correlações entre as várias formas de organização política da mulheres da comunidade negra de Uberlândia com as Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial, aprovadas pela Câmara Municipal de Uberlândia.
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Pedro Geraldo Tosi - UNESP/Franca
Ajustando contas com o passado
Pretendemos no presente estudo refletir sobre o debate instaurado no contexto educacional a partir das políticas de ação afirmativa à luz dos crescentes indicadores de exclusão de parcelas consideráveis da juventude negra da sociedade, tais indicadores atestam a falta de perspectiva da juventude negra da cidade de São Paulo e são relevantes para elucidar como se dará o processo de exclusão desses jovens do acesso ao emprego que, em última instância significa também, a perda do direito à cidade e a própria cidadania. Embora reconhecendo o recrudescimento desse fenômeno e sua dimensão internacional, não devemos perder de vista suas características determinantemente locais. Buscaremos trazer elementos para a compreensão do tema proposto de modo a sustentar, na amplitude da temática e na temporalidade dela, argumentos que contribuam para superar apreciações fragmentárias. Se nosso intento é elucidar aspectos da condição subalterna e do velamento de papéis que afro-descendentes estiveram e estão expostos, este deve, necessária e suficientemente, compreender a sociedade brasileira levando-se em conta sua complexidade e sua totalidade para, a partir daí, atribuir sentido às partes.
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Roberta Carolina Valle da Trindade - UNISUAM
Mulheres, negras e atletas - acesso e inclusão no espaço esportivo
O locus da presente pesquisa é o espaço esportivo como campo de observação da situação da mulher negra brasileira. Investigamos, quais os fatores que influenciam o acesso e a inclusão das atletas negras no espaço esportivo e suas interseções com as questões de gênero, raça e classe social. Os objetivos específicos são: verificar como as questões raciais interferem no acesso, identificar como se configuram as questões de gênero e analisar as relações entre a origem sócio econômica e as possibilidades de acesso e inclusão. Utilizamos o conceito de Gênero como categoria de análise (Scott, 1995) e o relato de experiência de vida, que permite a construção do conhecimento a partir da própria mulher e não sobre a mulher (Robinson,1993).A relevância desta pesquisa consiste em destacar as barreiras sócio-econômicas e culturais que estas enfrentam no espaço esportivo
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Solange Simões, Daniel Bruno Biagioni - UFMG/Universidade de Michigan
Padrões de mobilidade social por gênero e raça no Brasil
Este trabalho busca identificar as desigualdades de acesso de oportunidades no mercado de trabalho por parte das mulheres por meio da mobilidade social segundo raça. O objetivo principal é testar as diferenças da mobilidade para mulheres brancas e negras observando a dinâmica da estrutura social (agregados de oportunidades no mercado de trabalho) e o grau de fluidez social (desigualdades de oportunidades no mercado de trabalho). A metodologia empregada são modelos específicos para dados categóricos (log-lineares e regressão logística). O banco de dados utilizado é a PNAD – Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar / IBGE - para 1996. A escolha do banco de dados foi à representatividade nacional e as variáveis necessárias para o estudo.
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Tereza Martins Godinho PUC/SP
Violências sofridas pelas mulheres negras em Goiás, no período escravocrata
A violência por parte da mulher branca, dona de engenho, contra as mulheres negras, escravizadas na região do Brasil Central (A região Centro Oeste do Brasil é chamada também de Brasil central), não atingia apenas o físico, agrupava da violência cognitiva à morte física e psíquica. Assim percebe-se que esse processo de construção social que gera a violência de gênero é construído num tripé: patriarcado, racismo e capitalismo. Mostrando em particular à supremacia do macho branco sobre os demais, às diferenças foram convergindo em desigualdades e todas as formas de violência na relação homem x mulher; mulher x mulher; homem x homem, mulher x homem. A história tem mostrado que a luta contra só um ponto desse tripé, não levou ao resultado esperado.
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Waldemir Rosa
Observando uma masculinidade subalterna: homens negros em uma “democracia racial”
A masculinidade heterossexual negra no Brasil é marcada pela objetificação do corpo negro decorrente do escravismo. Objetificação esta, muitas vezes, cria uma realidade social para o homem negro onde todas as suas manifestações e atos são lidos pela lente da sexualidade. A masculinidade negra necessita ser constantemente verbalizada e encenada, tendo a noção de controle como central, para se constituir como uma possibilidade de negação desta objetificação. O controle realiza-se pela inserção nas “cadeias de ações discriminatórias” que hierarquizam os indivíduos tendo por base os seus critérios de pertencimento racial e de gênero definindo quais as possibilidades que um segmento tem de exercer controle sobre os demais.
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