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ST19 - Violência do estado e formas de participação feminina na resistência; Mulheres na clandestinidade, nos partidos políticos, na luta armada, no exílio, na tortura

Coordenadoras:     Eleonora Menicucci de Oliveira
                               Olívia Rangel Joffily

Resumo

Dando voz a essas mulheres, pretende-se contribuir para o resgate de seu desempenho como sujeitos e agentes da resistência em situações de conflito como guerras e ditaduras, à exemplo da resistência feminina à ditadura militar brasileira. Não se trata, tão-somente, da construção de outra versão dos fatos. É praticamente impossível resgatar, em termos quantitativos, a participação feminina na resistência ao estado da exceção no Brasil Acredita-se que as mulheres representavam entre 20% e 25% dos militantes e do total de presos políticos, e 10% dos cerca de 400 mortos e desaparecidos políticos. As mulheres tiveram papel importante na luta armada, tanto no campo quanto na cidade. Em número significativo, estiveram à frente de ações da guerrilha urbana, como seqüestro de diplomatas e assalto a bancos. Dezenas participaram da experiência guerrilheira do Araguaia, no sul do Pará, onde se destacaram no comando de batalhões e nos embates com o Exército. Um número incontável de mulheres, talvez milhares, participou de forma ainda mais invisível da resistência, apoiando filhos, pais, irmãos, netos e amigos, oferecendo suas casas como ‘aparelho’, trabalhando na infra-estrutura, cozinhando, lavando e passando, operando como estafetas, doando dinheiro e bens e, sobretudo, oferecendo abrigo e alento aos que viviam na clandestinidade. Como será este processo em outros países? Como as mulheres se organizaram e como enfrentaram os estereótipos de gênero?


Trabalhos

Adriana Rodrigues
Violência de estado contra o movimento dos trabalhadores rurais sem terra: a significação feminina da violência sofrida
Esta comunicação objetiva trazer a narrativa de mulheres sem terra acerca das violências sofridas durante a maior onda de repressão organizada contra o MST no Paraná, executada pelo aparato militar do Estado, entre os anos de 1999 e 2001. As ações principais dessas violências foram operações de reintegração de posse, que transformaram acampamentos em praças de guerra, onde a polícia militar desenvolvia um modus operandi que em sua execução violava uma série de direitos humanos. Convivi com essas mulheres e suas famílias durante aproximadamente um ano desenvolvendo trabalho como psicóloga. Posteriormente retomei essas vivências como pesquisadora do mestrado em psicologia na UFSC, cuja conclusão ocorreu em 03/2006. As significações atribuídas a estas experiências de violência bem como os instrumentos utilizados para com ela lidar, constituem o eixo central desta comunicação.
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Amanda Perez Montanes - UNIVALLI/UFSC
Repressão e desterro narrativas do exílio no cone sul escritas por mulheres
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Eunice Santos
Eneida de Moraes: tons e semitons do exílio
O estudo proposto focaliza os episódios das fases de exílio da jornalista e escritora paraense Eneida de Moraes, a qual, seduzida pelas idéias socialistas, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB) engajando-se no ativismo revolucionário dos anos 30 – opção que lhe custou inúmeras prisões, torturas e clandestinidade. Objetivando-se reconfigurar essa trajetória de militância política da referida escritora, enquanto mulher que afrontou o poder constituído, foi analisado um corpus textual relativo às suas crônicas memorialistas, publicadas entre 1950-1962, fundamentando-se a abordagem em testemunhos orais e escritos, bibliografia pertinente e documentos sigilosos oriundos do Tribunal de Segurança Nacional.
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Hilda Beatriz Garrido - Universidad Nacional de Tucumn, Argentina, Facultad de Filosofa y Letras, Centro de Estudios Histricos Interdisciplinarios Sobre las Mujeres CEHIM
Las mujeres en las organizaciones armadas de los 70. Los montoneros
El eje de la reflexión que nos proponemos desarrollar se centra en la utilidad teórica y práctica que el concepto género ofrece al campo de la reflexión política. Dentro de este marco, nos proponemos una relectura de algunas cuestiones vinculadas a la presencia de mujeres dentro de la organización político-militar peronista Montoneros, para intentar aproximarnos a la comprensión de su accionar en los años ´70, desde una perspectiva interpretativa propositiva y productiva a la discusión teórica política. Los debates que giran en tono a la violencia que se vivió en la Argentina en esa década, suponen intentos para develar creencias, valores, ideologías, memorias, formas de sociabilidad, que se orientan a dar explicaciones acerca de la historia reciente. Vamos a emplear conceptos y categorías que nos van permitir una aproximación al problema que planteamos, tales como poder, masculinidad, memoria, estigma, participación y justicia social, violencia política, entre otros. En cuanto a la metodología que empleamos en nuestra investigación, las técnicas más adecuadas son aquellas que nos permiten llegar a los fenómenos desde un punto de vista cualitativo "como los relatos de vida, las trayectorias biográficas y las entrevistas en profundidad que posibilitan la recuperación, a través de la palabra, de la memoria individual y colectiva, mediante el "retorno de lo biográfico".
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Natalia de Souza Bastos - UFF
O circulo de mulheres brasileiras em Paris: a experiência feminista no exílio
Para muitas militantes de esquerda os primeiros contatos com o movimento feminista e seus debates aconteceram no exílio, destacando-se a atuação do grupo feminista estruturado em Paris por exiladas brasileiras, o Círculo de Mulheres Brasileiras. Ao chegarem à Europa, essas mulheres se depararam com um expressivo movimento social que mobilizava milhares de mulheres que saíam às ruas empunhando bandeiras, questionando valores e discutindo nos bares, nas esquinas, universidades e mesas de jantar as questões específicas referentes à situação das mulheres, como violência, condições de trabalho e sexualidade. Acompanhando toda a mobilização feminista neste período, um grupo de mulheres ligadas ou próximas às organizações de esquerda rompe com a idéia de que o fim da opressão à mulher viria com o socialismo, e estruturam um grupo em que a temática central era a especificidade da luta feminista. O objetivo deste trabalho é analisar o Círculo de Mulheres Brasileiras como espaço de inserção e atuação política das brasileiras exiladas no movimento feminista, relacionando a sua estruturação com o processo de transformação política dos grupos brasileiros de esquerda no exílio. Para tanto, utilizo documentos produzidos pelo Círculo que se encontram na Blibliothéque Marguerite Durand, em Paris, especializada em documentação sobre mulheres e feminismo; além dos depoimentos orais com participantes deste grupo.
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Tamara Vidaurrzaga Arnguiz - Universidad de Chile
Mujeres miristas: desentravando las tensiones identitarias en medio de la resistencia a Pinochet
El artículo esta construido en base a relatos de vida de tres mujeres pertenecientes al mir (movimiento de izquierda revolucionario) durante la dictadura de pinochet. Las tres vivieron tortura, exilio,  carcel, clandestinidad y escuela de guerrilla en cuba. Nos interesa cómo transgredieron el sistema sexo género, y cómo vivieron e intentaron resolver –individual y colectivamente- las tensiones identitarias entre sus militancias y el ser mujeres y más tarde feministas, generando con ello molestias en su entorno político, así como en los organismos de represion de la dictadura, quienes las sancionaron por esta doble transgresión en la que incurrieron.
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