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ST20 - Homossexualidades femininas: subjetividade e política

Coordenadoras:     Miriam Grossi (UFSC)
                               Anna Paula Uziel (UERJ)

Resumo

Nos últimos anos, cresce no Brasil e na América Latina o interesse por estudos sobre homossexualidade, ao mesmo tempo em que há uma proliferação importante de movimentos homossexuais no Brasil, aqui chamados de GLBTTT (gays, lésbicas, bi-sexuais, Travestis, Transexuais, Transgeneros) como forma de incluir múltiplas identidades “não-heterossexuais”. A temática lésbica, que nem sempre teve espaço no campo feminista, passa a ter um espaço importante nesta mobilização, conseguindo recentemente a inclusão de uma representação deste “segmento” de mulheres no Conselho Nacional de Direitos das Mulheres. Nossa proposta visa criar um espaço de reflexão sobre questões envolvendo a homossexualidade feminina na conjugalidade, maternidade, em relações de violência, na luta por reconhecimento de cidadania e de direitos sexuais. Tradicionalmente foram produzidos muitos estudos sobre práticas, identidades e reconhecimentos de homossexualidades masculinas. Desejamos com esta proposta reunir pesquisador@s que têm se dedicado a estudar homossexualidades e experiências de desejo homoerótico feminino, vivências de maternidade e conjugalidade entre mulheres do mesmo sexo, representações da homossexualidade na mídia, na literatura, no cinema e trabalhos sobre mobilizações políticas em torno de reinvindicações lésbico-feministas.


Trabalhos

Ana Maria Pereira, Walter Lima Matias, Eliane Gonçalves - UFAL
Relações familiares: olhares para a cidadania lésbica no município de Maceió
O debate sobre as homossexualidades tem caminhado em crescente escala e ocupado espaço nos debates político e teórico. Como a visibilidade tem sido uma das pautas de reivindicação das lésbicas que estão inseridas no movimento, indagações surgem em torno do resultado real, ou seja, quais as conseqüências desse desvelamento nos diversos espaços sociais? E as relações familiares, como ficam? Quais os sabores e dissabores de assumir a lesbianidade para além das relações afetivas, ou seja, assumi-la também enquanto uma bandeira política? Tais indagações nortearam a pesquisa: Relações familiares: olhares para a cidadania lésbica no município de Maceió, a qual os objetivos consistem em analisar como a representação social da identidade lésbica é construída, bem como identificar as diferenças e semelhanças de tal representação entre mulheres que assumem a lesbianidade publicamente e mulheres que não desvelaram sua identidade sexual no âmbito familiar.
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Carlos Eduardo Figari - Universidad de Buenos Aires
Experiencias de mujeres lesbianas en Argentina en la decada de 1960
Son prácticamente inexistentes, en el campo académico, los estudios históricos – y en términos generales – sobre las lesbianas en la Argentina. Nuestro objetivo es reconstruir las experiencias, identificaciones e interpelaciones por las cuales las mujeres se reconocían como lesbianas en la Argentina a partir de la década del ‘60. El trabajo a presentar es un estudio crítico, que desde la sociología histórica intenta describir trayectorias, rutinas, formas de reconocimiento, relaciones, afectos y sociabilidad erótica entre mujeres. Los primeros resultados apuntan a describir las diversas experiencias e identidades lesbianas en diversos puntos de la Argentina especialmente en la década del ´60.
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Caroline Schweitzer de Oliveira - UDESC
Assumir-se lésbica: desafios e enfrentamentos
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa, junto a mulheres lésbicas, sobre os desafios e os enfrentamentos do processo de se assumir lésbica, ou seja, qual a conseqüência da publicização/visibilidade do amor entre mulheres numa sociedade hegemonicamente heterossexual e patriarcal. O estudo, de cunho descritivo quali-quantitativo, foi realizado em Florianópolis-SC, através de uma pesquisa divulgada na Internet em um site local direcionado para Lésbicas, sendo a coleta de dados realizada através da aplicação de um questionário com questões norteadoras referentes ao processo de assumir a identidade lésbica. A análise dos dados das 63 respondentes compreendeu três principais capítulos: A Sexualidade e suas Expressões: A lesbianidade no contexto heterossexista; A Educação Sexual Compreensiva e Abordagem da Orientação e Expressão do Desejo Afetivo e Sexual; Os Desafios e Enfrentamentos de assumir-se Lésbica na fala de Mulheres Lésbicas. As respostas mostram que é complexo viver sem o reconhecimento, aceitação social e proteção legal. Que assumir-se implica uma vida de lutas, com dificuldades, medos, rejeições e aceitações parciais. Demonstram ainda a importância da realização de estudos sobre a questão da Lesbianidade, não só para visibilizar a temática, mas principalmente, para visibilizar as lésbicas, que não fizeram a opção de ser, mas sim de viver e expressar o seu desejo sexual e afetivo – assumindo ou não - sua orientação sexual.
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Jimena Furlani - UDESC
“Mulheres só fazem amor com homens?” – (des)construindo a homossexualidade feminina na educação sexual
O que nos dizem as políticas públicas à educação que propõem o respeito à diversidade sexual e de gênero? Respeitar a diversidade é promover a inclusão curricular? Incluir o que? Partindo da perspectiva pós-estruturalista de análise, dos Estudos Culturais e Feministas, utilizo o conceito de “representação” e discuto os significados conferidos à homossexualidade, enfatizando o relacionamento entre mulheres. Entendendo que os significados são culturalmente estabelecidos e que representações são provisórias apresento algumas possibilidades de “desconstrução” dessas representações. Manifesto o caráter político de uma Educação Sexual questionando: Que efeitos tais significados promovem nas políticas identitárias? Como tais significados marcam as diferenças como desigualdades? Como, didaticamente, na Escola, é possível, (des)construir positivamente uma identidade sexual e de gênero?
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João Bôsco Hora Góis, Regina Coeli Benedito - UFF
Organização política de lésbicas negras: um estudo de caso
A emergência de um movimento lésbico no Brasil não é exatamente recente. Apesar disso, tal emergência ainda não tem sido objeto privilegiado de investigação acadêmica. Atenção ainda menor tem sido dada à questão da organização das lésbicas negras o que possivelmente expressa, dentre outras coisas, a pouca importância atribuída à questão racial na análise das formações identitárias homossexuais. Neste trabalho, buscamos contribuir para a superação dessa lacuna através da análise das bases ideológicas e organizacionais de uma organização de lésbicas negras. O estudo tentou captar as características da organização, o pensamento dos seus agentes e as perspectivas que acalentam sobre um feminismo lésbico negro.
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Karen Silvia Debértolis - UNOPAR/UEL/UNICAMP
“Desejo proibido”: a questão lésbica e as tecnologias da reprodução no cinema
O trabalho pretende discutir as questões relacionadas ao impacto das novas tecnologias de reprodução na sociedade centrando-se na análise das redefinições das relações de parentescos e também da homoparentalidade a partir da análise do filme “If these walls could talk 2”, traduzido para o português como “Desejo Proibido”, uma produção do canal a cabo HBO. As discussões em torno dos novos processos de concepção, possível através dos avanços tecnológicos da medicina, têm enfeixado não apenas reflexões voltadas para o âmbito da subjetividade, mas também para questões legais e políticas que dizem respeito às lésbicas. O debate teórico parte de reflexões e análises de autoras como Marilyn Strathern e Judith Butler tendo como pano de fundo a narrativa do filme.
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Kátia Bárbara da Silva Santos - UFPA
Imitando o sexo dos anjos, mulheres em conjugalidade
Ao iniciar minha pesquisa meu propósito era investigar a conjugalidade entre mulheres lésbicas advindas de classes populares “negras” em Belém/Pará freqüentadoras de um bar chamado Refugio dos anjos, utilizariam ou representariam analogias do modelo do casal heterossexual através dos “papeis” “masculinos” e “femininos”. Com o desenvolvimento da pesquisa e o questionamento da heterossexualidade como origem e a homossexualidade como cópia, novas configurações nortearam meu trabalho, passo a questionar esse “ser” lésbica como uma mímica heterossexualidade compulsória. A questão agora é compreender se a conjugalidade de mulheres subverte ou atualiza a heterossexualidade compulsória.
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Kátia Santos
Um campo demarcado pelo olhar da binaridade
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Lenise Santana Borges
Visibilidade lésbica na tv: comentários a partir da novela Senhora do Destino
Ao olharmos historicamente a construção da lesbianidade na mídia podemos perceber um deslocamento na forma de apresentá-la: de um lugar sem importância, de uma quase inexistência, para um lugar de crescente produção discursiva. Esse é um fato aparentemente do âmbito privado, que tem se tornado cada vez mais alvo de interesse público e de visibilização. O objetivo desta comunicação é apresentar algumas reflexões sobre a mídia como um ator social importante na construção e circulação de repertórios sobre a lesbianidade no mundo contemporâneo. Com esse intuito, tomo para análise uma das produções da mídia televisiva, a novela “senhora do destino”. Todas essas mudanças na forma de abordar homossexualidade levam a crer em uma maior aceitação da sexualidade homossexual, reforçando o fenômeno da “visibilidade gay/lésbica”. Este trabalho abre a possibilidade de se pensar algumas questões: que formas de lesbianidade a mídia está produzindo e circulando? Como são as narrativas na novela (quem fala, de onde fala, com quem fala?) Como pensar essas novas normalizações? Qual é o lugar daqueles/as que não se enquadram nesta nova moral? Quem são os novos “anormais” que estão sendo produzidos?
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Maura Lúcia Santos de Olim, Aline Oliveira Machado - Faculdade Pio Décimo/SE
Agressividade e passionaidade na relação homoerótica femina
Este trabalho tem por objetivo esclarecer como é desenvolvida a agressividade e a passionalidade nos relacionamentos homoeróticos femininos entre casais que vivem juntas conjugalmente há mais de dois anos, na cidade de Aracaju. Para tanto foram entrevistados 10 casais de mulheres, sendo incidente mulheres entre 21 a 54 anos com nível superior de escolaridade. A agressividade foi definida nos termos de três tipos de violência: física, verbal e psicológica, sendo que a psicológica foi expressa no sentido do comprometimento da auto-estima em função de atitudes egoístas e impositivas, gerando a perda do respeito mútuo. Os motivos que levaram ao comportamento agressivo estão diretamente ligados, por um lado, à quebra de valores morais, tais como: amor próprio, verdade, tolerância e respeito, e por outro lado, à desordens, na hierarquia de gênero, calcada no modelo monogâmico e patriarcal provocadas pelo ciúme e traição.
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Michelle Alcantara de Camargo - UEM
As prostitutas do baixo meretrício: reflexões sobre identidade e sexualidade
Esta comunicação tem por objetivo apresentar os resultados da pesquisa que resultou primeiramente em nível de Iniciação Científica, na área de história e posteriormente em Monografia de graduação, na área de antropologia, e que pretendeu analisar os depoimentos das prostitutas do baixo meretrício no município de Maringá-PR, com vistas a captar em suas narrativas, aquilo que elas constituem como representações sobre si construídas através da sexualidade, o que possibilitou conhecer as práticas sexuais no universo da prostituição. Dentre os resultados obtidos, o estudo indicou a existência de práticas homoeróticas entre prostitutas e clientes mulheres, aspecto pouco abordado nas pesquisas sobre o assunto e sobre o qual me deterei na exposição.
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Nádia Elisa Meinerz - UFRGS
Táticas do feminino: visibilidade e invisibilidade nas relações homoeróticas entre mulheres
pertencentes a segmentos médios na cidade de Porto Alegre

O artigo resulta de um estudo etnográfico acerca da constituição da parceria homoerótica entre mulheres provenientes de camadas médias em Porto Alegre. Os dados foram coletados através de observação participante em espaços de sociabilidade vinculados ou não ao público GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e trans-gêneros) e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com mulheres pertencentes a quatro diferentes redes de relações. A análise dos dados enfatiza duas formas diferentes de enunciação dos relacionamentos homoeróticos: a) a ênfase na visibilidade como estratégia política e b) a posição de não deixar a orientação erótica estampada na cara como tática de invisibilidade. Enfocando a preocupação com uma enunciação não pública das relações homoeróticas o trabalho discute o a configuração de gênero que sustenta a possibilidade de invisibilidade da homossexualidade feminina. Nesse sentido, analiso as diferentes formas através das quais as mulheres dão visibilidade às suas relações sexuais e afetivas com outras mulheres, bem como os seus efeitos de significado em termos da repetição e subversão das expectativas de coerência entre sexo, gênero e orientação erótica.
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Priscila Marília Martins
A construção da lesbianidade no romance histórico as mulheres de mantilha: ressonâncias da linguagem masculinista na narrativa de Joaquim Manuel de Macedo — século XIX
Ao pensar os discursos — ainda que tomados em sua variedade, como modalidades constituintes de uma linguagem que se mostra falocêntrica — acerca da sexualidade, é que esta discussão se constrói. É, contudo, por meio da narrativa de Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) — As Mulheres de Mantilha (publicado entre 1870-71, mas ambientado entre 1863-67) —, que se propõe a audição dos ecos dessa realidade. Ao introduzir em nossa história literária a temática do amor vivido entre duas mulheres, amor que só se viabiliza na narrativa pelo travestismo que sofre, Macedo reproduz, em seu romance histórico, as convenções que enredam o homem comum — preconceitos vigentes sobre a vida política, econômica e, principalmente, social. Este trabalho pretende discutir como esta narrativa, do século XIX, notadamente tecida por esta linguagem masculinista, constrói a identidade e a relação das personagens que vivenciam o amor-que-não-ousa-dizer-o-nome.
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Rosangela de Araujo Lima - UFPB
Identidades sexuais: das certezas modernas às incertezas pós-modernas
Este artigo propôe a desconstrução das identidades sexuais (hetero, homo, bi) por considerar pertinentes e coerentes os Postulados da Teoria Queer, os quais a partir de uma radicalização do feminismo pós-estruturalista, questionam essa taxionomia e enfocam não a diferença sexual marginal, mas a hegemônica normatividade das práticas heteroeróticas que se encontram no centro. O propósito desta discussão é apontar a lógica binária decartiana que apreende sujeitos em identidades sexuais cristalizadas.
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Salete Maria da Silva - URCA
As lésbicas vão à justiça: aspectos jus-políticos da construção da cidadania homossexual feminina a partir de questões judiciais no Brasil
Sabe-se que a invisibilidade homossexual no Brasil foi reforçada, por longos anos, pelas três esferas de Poder: executiva, legislativa e judiciária. Todavia, os dias hodiernos estão a mostrar a intervenção cada vez maior do movimento homossexual brasileiro no âmbito dos Poderes Executivos e Legislativo, seja pugnando pela proteção legal, seja reivindicando políticas públicas. No que respeita ao Poder Judiciário, temos que este silêncio perdurou por longo tempo, já que o direito no Brasil, até hoje, ignora as homossexualidades. No que tange a homossexualidades femininas, o Direito e o Judiciário, por longa data e de forma deliberada, sempre escamotearam a verdade ou desvirtuaram as questões onde esta temática esteve presente. Em face das novas circunstâncias e da construção da luta pela visibilidade lésbica, nas últimas décadas não se pode mais negar a existência de processos envolvendo reivindicações de direitos como maternidade, guarda de filhos, reconhecimento de uniões estáveis, indenizações por danos morais, dentre outros, ou seja, agora, “as lésbicas vão à Justiça!” O presente trabalho, portanto, se destina a analisar a presença de ações judiciais envolvendo protagonistas homossexuais femininas e os aspectos jurídicos políticos da construção de sua cidadania, tudo a partir da ótica foucaultiana dos micro poderes e dos estudos acerca da interpretação do principio da igualdade jurídica desenvolvidos por Roger Raupp Rios.
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Silvia Gomide - UnB
Representações das identidades lésbicas na novela Senhora do Destino
A novela Senhora do Destino - veiculada pela Rede Globo de Televisão em 2005 - teve entre seus personagens um casal formado por duas mulheres. Eleonora e Jenifer (Mylla Christie e Bárbara Borges) se apaixonaram, namoraram, casaram e adotaram um filho durante os oito meses de duração da ficção seriada, que atingiu picos de 45 milhões de espectadores. Este trabalho faz uma análise de conteúdo das principais imagens e diálogos das personagens, assim como das reações de um grupo de telespectadores que se associaram em uma comunidade na Internet para comentar o romance do casal de lésbicas.
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Simone Becker - UFSC
“Maternidade(s) lésbica(s)”: uma categoria produtiva para se pensar a desnaturalização da maternidade nos estudos de gênero e de sexualidade?
Com o presente paper objetivo refletir como as produções teóricas no campo dos estudos de gênero e da sexualidade, acabam por naturalizar a discussão da maternidade, seja ela vivida por mulheres homossexuais, seja por heterossexuais. Afinal de contas, se a paternidade é incerta, a maternidade é certa e indiscutível. Para tanto, num primeiro momento basta recorrermos às produções antropo-lógicas acerca da paternidade com o advento das discussões sobre DNA e homoparentalidade. Dessa forma, com o surgimento em determinados contextos militantes e acadêmicos da categoria “mater-nidade(s) lésbica(s)”, bem como da emergência de disputas judiciais brasileiras envolvendo mulheres ditas homossexuais que pleiteiam a guarda de seus filhos (sociais e/ou biológicos), pergunto-me: quais são as especificidades que norteiam a categoria “maternidade(s) lésbica(s)” em relação às demais maternidades, sobretudo no terreno público, político e normatizador do Direito? Quiçá esta categoria surja com o propósito de “sexualizar” a maternidade antes mesmo de adjetivá-la e, então, sob tal perspectiva contribua para a produção de outros instrumentais políticos e teóricos utilizados ora no contexto da militância, ora no acadêmico.
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Sissi Malta Neves - REDES/RS
O universo feminino no sociodrama público Brasil sem Homofobia
Cada vez mais as redes sociais parecem construir subjetividades, multiplicando-se nos movimentos da sociedade civil organizada, seja pelo seu dispositivo afetivo e político, seja pela identificação dos sujeitos no processo grupal. Apesar de nos últimos anos, na América Latina, aumentarem
iniciativas visando a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, mediante Organizações Não Governamentais GLBTTT, o desrespeito a eles não diminuiu. A Homofobia representando o medo de ser homossexual ou de estar emocionalmente ligado a alguém do mesmo sexo é uma das formas de violência presente nos contextos institucional e social. A dominação do "esperado socialmente" atinge as sexualidades em sua gênese e expressão, repercutindo nas práticas educativas cristalizadoras de identidades de gênero polarizadas em suas diferenças. É crucial a reflexão dos mecanismos proibitivos de novos modos de vida em que a ousadia faz-se corpo. Pesquisadores e pesquisadoras de gênero ainda pouco exploraram o imaginário de lésbicas quanto a percepção de seus cotidianos, ou a representação de mulheres quanto ao universo da homossexualidade feminina. A pressão emocional vivida na dupla condição de minorias, como mulheres e lésbicas sob extrema tensão, parece exigir estudos minuciosos. Acreditamos no papel social da investigação científica para além da relevância da produção acadêmica como agente formador de consciências. É urgente o desenvolvimento de ações inovadoras no âmbito da pesquisa de gênero. O Sociodrama Público Brasil Sem Homofobia realizado pela REDES - Clínica e Pesquisa em Psicologia Social e Psicodrama, desde 2004, é uma intervenção comunitária que buscou a responsabilidade social de cada participante frente a violência sofrida pelos homossexuais. A partir da conscientização do próprio preconceito e o da sociedade diante da diversidade sexual, o grupo
vivencia dramaticamente cenas da Homofobia. Analisou-se as manifestações das mulheres nesses Sociodramas nos contextos da rua, seminários de direitos GLBTT, universidades e Fórum Social Mundial.
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Syane Sheila Costa de Paula Lago - SESPA/GHP/PA
O que os olhos não vê, o corpo sente: prevenção à saúde sexual de mulheres jovens que fazem sexo com mulheres
A sexualidade humana é construída e moldada socialmente a partir de sistemas sócio-culturais contrastantes e hierarquizados. Desde a década de 60, com a revolução sexual, a invenção do anticoncepcional, o divorcio e a inserção da mulher no mercado de trabalho, se deliberou uma reorganização nas relações amorosas, fazendo com que as relações homo-afetivo-sexuais de entre mulheres ganhassem outros contornos. O objetivo deste estudo é conhecer as atitudes preventivas com a saúde sexual de mulheres que fazem sexo com mulheres diante hepatite B e das DSTs/AIDS. A pesquisa de campo foi realizada numa abordagem antropológica, com mulheres entre 18 e 25 anos, a partir de entrevistas semi-estruturadas e gravadas; da participação observante em um Bar GLS em Belém-PA, estando atenta ao comportamento destas mulheres na escolha do par. Poderia se pensar numa licenciosidade descontrolada sem critério de escolha de parceiras, onde os códigos de relacionamentos instantâneos e fugazes como o ficar, são mais constantes do que o namoro ou relacionamentos baseados na fidelidade e no compromisso. Entretanto, diante das vicissitudes da vida social em tempos de uma pandemia da AIDS as mulheres jovens adotam regras e normas que regulam a seleção de suas companheiras, que se traduzem em prevenção à saúde sexual, mas a falta de informação sobre as doenças, as formas de transmissão e de prevenção nos mostram uma lacuna na educação em saúde para estes agravos a saúde.
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Vanilda Maria de Oliveira - UFG
Lésbicas negras em movimentos – a militância de mulheres que publicizam sua lesbianidade e negritude
No movimento feminista, debates relacionados à interseção entre gênero, raça e orientação sexual contribuíram para o surgimento dos feminismos negro e lésbico. Porém, a crescente visibilização política de mulheres que se identificam como lésbicas negras trouxe à tona denúncias de que também estes feminismos têm sido cúmplices de práticas opressivas como a lesbofobia, de um lado, e o racismo, de outro. No movimento lésbico, por sua vez, a criação de redes de lésbicas afro-descententes e a realização do i seminário nacional de lésbicas negras, marcado para junho de 2006, demonstram que respostas interseccionais ao racismo, à misoginia e à lesbofobia ganham força. Discutiremos, portanto, as especificidades da militância de mulheres negras lésbicas.
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Vera Costa, Valdir José Morigi - UFRGS
O papel da internet na construção da cidadania da diversidade
O trabalho pretende mostrar como a internet, constituindo-se num novo espaço público midiatizado, revela-se arena privilegiada ao debate e a organização de uma cidadania de reconhecimento da diversidade num tempo onde a limitação dos direitos civis e sociais pelo gênero é questionada por grupos organizados da sociedade civil. Os movimentos homossexuais femininos denunciam que a universalidade dos direitos civis e sociais aplicados com a desconsideração de sexualidade é marcada pela discriminação. A sexualidade, antes um assunto exclusivo da esfera privada, ao transbordar para a esfera pública, integra o espaço da mídia. O mundo real da homossexualidade feminina utiliza este espaço virtual na busca da visibilidade a sua luta e como instrumento organizativo. Sob este enfoque será apresentado um painel do ciberativismo homossexual feminino no país.
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