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ST21 - Práticas corporais e esportivas

Coordenadoras:     Silvana Goellner (UFRGS)
                               Miriam Adelman (UFPR)

Resumo

As discussões em torno do gênero e esporte nos últimos anos tem conquistado espaços em diferentes áreas, em especial às vinculadas a ciências sociais e humanas. Dada a tradição médica e militar da Educação Física brasileira havia, até pouco tempo, uma localização das reflexões sobre o esporte no campo das ciências biológicas; hoje em dia,  è , sim, um campo em expansão... De forma parecida, há cada vez mais atenção dada, nas ciências humanas, a centralidade das “práticas corporais”  na formação de subjetividades e identidades coletivas, embora nem sempre salientada sua dimensão de gênero. É claro, nem todas as práticas corporais são esportivas – os casos da dança, o circo, a capoeira, o ioga e o hip hop são apenas alguns que  emergem como objetos interessantes de estudo, que têm características que os diferenciam das atividades esportivas propriamente ditas. (De fato, o termo esporte tornou-se quase onipresente em função de um movimento que se inicia nos anos 60 e se intensifica nos 70 o qual denominamos de "esportivização da ed,. Física" pois vários elementos da cultura corporal passam a ser valorizados a partir da sua "esportivização", ou seja, incorporam na sua prática cotidiana os códigos do esporte de alto rendimento.) A proposta deste GT é de criar um fórum de discussão sobre construções, representações e relações de gênero no campo das práticas corporais e esportivas.  Procura-se reunir trabalhos que pesquisam e/ou teorizam sobre estas – exemplificando suas dimensões culturais e identitárias, de relações e  hierarquias de poder (de gênero, mas também de raça e classe) que as constituem ou que elas podem contribuir para contestar,  e a fascinante questão das possibilidades que estas práticas podem (ou não) representar para a transgressão da (hetero) normatividade social e a ordem de gênero binário que ainda prevalece.  Estas pesquisas podem  ajudar a revelar os mecanismos específicos através dos quais as práticas esportivas e corporais produzem e transformam os sentidos do feminino e do masculino,  e as formas em que atuam para construir, e/ou pôr em xeque, noções sobre o que pode/deve fazer uma mulher, ou um homem (ou: meninos e meninas,)  Podem jogar luz sobre a história e sobre as tendências atuais deste  espaço de conflitos e lutas sociais e simbólicas significativos. Nos eventos de Ciências Humanas de maior destaque no país, como os da ABA e da ANPOCS, vem funcionando, nos últimos anos, grupos de trabalho sobre corpo e esporte, mas nem sempre dando grande centralidade as questões de gênero que são profundamente implicadas nas práticas corporais das sociedades contemporâneas. Dada a grande expansão desta área de pesquisa, assim  como a necessidade de estimular maior reconhecimento do caráter profundamente “generificada”  das práticas que compreende, a   proposta do nosso GT – de importância fundamental, por enfocar , desde uma perspectiva de gênero, um campo no qual os sujeitos contemporâneos se investem e  onde desenvolvem-se instituições sociais específicas – se insere também na agenda das tarefas centrais dos Estudos de Gênero e a Teoria Feminista no país, que há várias décadas trabalham em prol da produção de pesquisas  de uma área específica, assim como do enriquecimento da teoria social contemporânea, a partir destas contribuições...   


Trabalhos

Alexandre Fernandez Vaz, Beatriz Staimbach Albino - UFSC
“Mulher, como deves ser”: prescrições para a mulher moderna no jornal Dia e Noite
O trabalho investigou dispositivos de embelezamento feminino nas décadas de 1940 em Florianópolis presentes na Página Feminina do jornal Dia e Noite. Os resultados se organizam em três eixos: 1. Corpo – a beleza se territorializa em partes anatômicas específicas – mãos, rosto, voz, entre outras – sendo a ginástica e os cosméticos as principais armas; 2. Maternidade –apresentado como uma característica naturalmente feminina; 3. Comportamento – as condutas sociais adequadas para ser uma mulher moderna, romântica e próxima à natureza. As prescrições são incessantemente repetidas, legitimadas pelo discurso da ciência e reforçadas pelas imagens apresentadas e omitidas. Um incentivo à responsabilidade individual nos cuidados corporais se combina, paradoxalmente, com o modelo patriarcal.
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Alexandre Fernandez Vaz, Fabiana Cristina Turelli
Rituais, masculinidade e representações de dor em caratecas
O esporte pode ser entendido como um conjunto de dispositivos pedagógicos que organizam o corpo simultaneamente no sentido da restrição e da potência. As lutas são parte importante desse quadro ao serem esportivizadas. O trabalho buscou, por meio de uma etnografia, entender mecanismos que legitimam uma pedagogia da dor e do sofrimento no reforço incontido de masculinidade em um dojô de caratê. Os resultados foram organizados em quatro categorias: dor, sofrimento e sacrifícios; trotes e outros rituais; configurações da violência; o feminino como presa. As conclusões apontam para a recorrência de práticas dolorosas e sacrificantes; uma submissão à violência e sua aplicação padronizada; uma masculinidade que leva a uma visão de mulher como presa paralela ao dojô e um item a compor as relações de exploração.
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Ana Maria Capitanio - USP
Mulher, gênero e esporte: a análise da autopercepção das desigualdades
O presente estudo objetivou verificar como mulheres, atletas e ex-atletas, percebiam-se em relação aos gêneros, expectativas, reconhecimentos, preconceitos e desigualdades sociais no meio esportivo; e discutir sobre as percepções de gêneros, desigualdades e preconceitos como aspectos construídos socialmente e transferidos ao esporte. O grupo estudado foi composto por atletas Olímpicas: seis atletas e duas ex-atletas brasileiras das seguintes modalidades: judô, natação, futebol de campo, handebol e voleibol. O Instrumento utilizado foi a entrevista semi-estruturada. As respostas foram categorizadas a partir do conteúdo verbal, isto é, como se sentiam, percebiam e pensavam em relação as autopercepções de gêneros, aos limites do sistema binário masculino e feminino, as desigualdades e expectativas sociais, ao reconhecimento financeiro e de status. Os resultados revelaram a predominância da categoria Desigualdades de Gêneros nas respostas e a categoria Igualdades de Gêneros esteve mais presente nas modalidades de voleibol e natação. A categoria Cobranças foi percebida tanto para homens como para mulheres. No voleibol, que possui uma tradicional atribuição de gênero como ‘mais feminina’, as atletas discursaram diferentemente daquelas que estão em meios esportivos característicos e tradicionalmente ‘mais masculinos’ (futebol de campo, handebol, judô). Todas perceberam o meio esportivo como sendo ainda discriminador e dominantemente masculino. Principalmente, nas modalidades como futebol de campo, handebol e judô as atletas perceberam tratamento desigual em relação às equipes compostas por homens. Elas demonstraram conscientes em relação aos menores salários, sobre a pouca importância dada pela mídia para competições e campeonatos e também eram conscientes de que os cargos de poder, nas instituições esportivas, na grande maioria, pertenciam aos homens, até a data das entrevistas. Essa pesquisa procurou demonstrar a importância do contexto esportivo no estudo das desigualdades de gêneros e no campo da luta dos direitos da mulher.
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Arlei Sander Damo - Universidade de Santa Cruz do Sul
As dramatizações de gênero numa configuração futebolística
Muitos meninos jogam futebol imaginando-se ronaldinhos, mas também jogam para se fazerem homens, atualizando um arbitrário cultural socialmente legitimado. Argumenta-se, neste trabalho, que o futebol é incorporado como um dispositivo de engendramento - no sentido de feitio ético e estético - de uma dada perspectiva de masculinidade. Tomando como cenário uma configuração concreta, os meninos e meninas da Rua Leão XIII, na Cidade Baixa, bairro de classe média-baixa próximo ao centro de Porto Alegre, realizei uma incursão etnográfica cuja atenção esteve centrada na trajetória de uma menina no interior de grupo no qual preponderavam meninos. Esta discussão é parte da tese em antropologia social, “Do dom à profissão: uma etnografia do futebol de espetáculo a partir da formação de jogadores no Brasil e na França”, defendida em 2005.
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Carlos José Martins - UNESP
Corpo, sexo e gênero no esporte olímpico
Este trabalho tem como meta refletir sobre as concepções e prescrições de corpo, de gênero e de sexo presentes no campo do esporte olímpico. Tal reflexão se fará a partir do estudo de alguns casos polêmicos que se tornaram públicos e da recente adoção pelo Comitê Olímpico Internacional de medidas autorizando a participação de atletas transexuais em seus jogos a partir das olimpíadas de Atenas 2004. Esta pesquisa pretende investigar, quais são as novas configurações dos corpos, dos gêneros e dos sexos na nossa atualidade a partir das relações de força que os investem e das estratégias que os modelam. Para tanto, toma o campo do esporte olímpico como exemplo agudo do que se passa em graus diferenciados em outros espaços do campo social.
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Claudio Ricardo Freitas Nunes - UFRGS
Entre as cordas do ringue – as construções de masculinidade na prática das artes marciais combinadas
O presente trabalho foi desenvolvido em academias de lutas na cidade de Porto Alegre, locais da prática de mixed martial arts (vale-tudo). Nessa pesquisa, foi percebido o rigoroso e intenso treinamento físico e os diversos investimentos (anabolizantes, suplementos alimentares) a que os praticantes, adultos jovens - do sexo masculino de 18 a 30 anos - submetem seus corpos durante os processos de treinamentos, culminando com uma apresentação performática. No M.M.A., atributos masculinos como virilidade, força, resistência física são cotidianamente construídos e o corpo ”macho” é meticulosamente preparado e amplamente valorizado.
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Édison Gastaldo - UNISINOS
Gênero e discurso entre torcedores de futebol: uma perspectiva etnográfica
Este texto visa a discutir aspectos metodológicos e resultados de um estudo etnográfico realizado em bares da região metropolitana de Porto Alegre, onde se assiste coletivamente a jogos de futebol, problematizando a complexa relação entre a apropriação social deste esporte na cultura brasileira, suas manifestações na linguagem dos participantes e, em particular, o modo pelo qual a interação entre os participantes da situação pesquisada sustenta uma lógica de sociabilidade competitiva, a que denomino "relações jocosas futebolísticas". Cabe destacar, neste sentido, o papel de gênero masculino fortemente marcado na situação pesquisada, que, entre pares adjacentes de desafios/réplicas, chistes e apostas, configura-se um ambiente de manifestação de sociabilidade masculina, operado a partir das lógicas do futebol.
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Gabriela Conceição de Souza - UGF
A história do judô feminino brasileiro contada pelas atletas: da quebra da proibição em 1979 à participação oficial na Olimpíada de Barcelona em 1992
Este trabalho tem como objetivo narrar a história do judô feminino brasileiro, do período de proibição até sua oficialização em jogos olímpicos, compreendidos entre os anos de 1979 a 1992. Através da Historia Oral (FREITAS, 2002) contamos com a colaboração de nove judocas, narrando desde as repercussões do Decreto Lei 3.199, de 1975, que impedia a prática feminina em esportes ditos viris, até a revogação da mesma, bem como analisando suas participações em eventos nacionais e internacionais, considerando aspectos socioculturais e psicossociais da época, tanto quanto o histórico de preconceitos acerca dos esportes de luta. Desvenda-se, então, como ocorreu o processo de reconhecimento desta modalidade, através da revogação de leis impeditivas e da persistência das atletas em participarem de torneios internacionais
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Helena Altmann - UNICAMP
Construções e desconstruções de gênero e de sexualidade através do esporte
Inúmeras formas de classificação e de diferenciação de gênero e de sexualidade são colocadas em ação na sociedade. Os esportes são exemplo. Algumas modalidades são socialmente consideradas mais femininas, enquanto outras, masculinas. Por outro lado, um mesmo esporte pode ser classificado de modo distinto dependendo do modo como é praticado. Romper com fronteiras classificatórias implica, não raro, deparar-se com preconceitos, como ocorre com meninos que não jogam futebol e têm sua orientação sexual questionada. No entanto, mudanças históricas mostram que polaridades de gênero e de sexualidade são socialmente construídas e, portanto, passíveis de problematização e desconstrução. O objetivo desse trabalho é refletir sobre como, através do esporte, é possível construir e desconstruir padrões de gênero e de sexualidade.
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Luciene Neves Santos
Gênero e sexualidade nas práticas curriculares: uma possibilidade em construção
Esse trabalho é o resultado da análise dos relatórios d@s acadêmic@s do curso de Educação Física da Unemat, campus de Tangará da Serra, produzidos devido a experiência de terem assistido aos Jogos Indígenas, realizados em aldeia da etnia Paresi, em 2005. O objetivo era analisar as conseqüências da atividade para a formação, fazendo um recorte na questão de gênero que a atividade suscitou, pois no referido evento foram disputados esportes tradicionais indígenas e dois deles manifestavam uma marcada diferenciação, sendo um típico de homens e outro típico de mulheres. Verifiquei que, embora a diferença tenha sido muito evidente, esse fato não recebeu tratamento mais acurado por parte d@s acadêmic@s, o que me levou a supor que isso decorreu de uma grande semelhança com a lógica de gênero própria das práticas esportivas da cultura não índia.
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Maria do Carmo Saraiva - UFSC
Imagens de gênero: o ser feminino e masculino que dança
De forma geral as idéias sobre a Dança reafirmam as imagens de gênero e de corporalidade tradicional, que permeiam as convenções sociais e artísticas dos movimentos masculino e feminino. Na análise da dança reafirma-se a inscrição das práticas econômicas, políticas e culturais, no corpo e na dança. Neste texto, procura-se refletir imagens da dança na sua relação com identidades masculina e feminina, com a hierarquia de papeis sexuais, com as representações sociais que se fazem sobre sexo e gênero, na identificação da dança. São imagens que atingem o senso comum sobre a dança e devem ser discutidas na perspectiva da cultura, pois afetam o sentido do que cada sexo pode fazer na atividade física da dança, marcando uma visão polarizada, estereotipada e preconceituosa sobre a dança e sua relação com o gênero.
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Marta Susana Antúnez, Nora Edith Miranda - Instituto de Investigaciones Históricas Eva Perón
Políticas públicas en el deporte. Creencias y estereotipos
Uno de los mayores problemas con que se encuentran las mujeres que abordan alguna práctica deportiva en Argentina son los estereotipos que conducen sus elecciones aquellas reconocidas como femeninas. El Hockey, uno de los deportes que ha crecido como deporte de niñas de clase media es el que recibe mayores apoyos económicos y sociales debido a sus logros. Este desarrollo está fundado en años de trabajo desde las organizaciones deportivas y la inserción en colegios privados y clubes con raíces culturales inglesas. A diferencia, el fútbol y el básquet, los dos deportes más populares, no logran insertarse en estos ámbitos y reciben escaso apoyo para su crecimiento, esto sustentado por estereotipos sociales que los rechaza como deportes para niñas y adolescentes, valorizando una creencia de masculinización por sobre las reales sexualidades. La consecuencia es la expresión de éstos por fuera de cualquier institución y organización y la creciente inserción de mujeres en ámbitos anárquicos. ¿Las clases sociales atraviesan en forma diferente el deporte masculino del femenino? ¿La valoración de “femenino” está relacionada con la popularidad del Deporte? ¿El Estado puede colaborar en el desarrollo y visualización de estos deportes? Desde estas preguntas se intenta hacer una análisis de estos fenómenos deportivos nacionales.
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Milena de Oliveira Russoni, Valéria Nascimento, Fátima Gomes Silva, Young Guimarães Rodrigues, Sissi A. Martins Pereira, Valéria de Souza - FAPERJ/UFRRJ/EFEG
Educação física escolar: aula mista ou separada por sexo?
O presente estudo se propõe a obter opiniões de alunos e professores de Educação Física do ensino fundamental a respeito da organização mista ou separada por sexo das aulas práticas, além de analisar o relacionamento entre meninos e meninas durante as aulas e as possíveis intervenções do (a) professor (a). Participam da pesquisa um membro da direção escolar, um (a) professor (a) de Educação Física e dez alunos por turma do terceiro ciclo do Ensino Fundamental, o que corresponde à 7ª. e 8ª séries, sendo cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino de várias escolas do Ensino Fundamental do município de Seropédica – RJ. A investigação está se desenvolvendo através de um estudo de levantamento, utilizando um roteiro de entrevista, cujas respostas estão sendo analisadas através da análise de conteúdo (FRANCO, 2003).
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Miriam Adelman, Lennita Ruggi - UFPR/Universidade de Coimbra
A política das práticas corporais – algumas reflexões teóricas
Perspectivas sociológicas e antropológicas recentes que focalizam a construção social do corpo argumentam que a “materialidade do corpo” e sua construção cultural e simbólica são indissociáveis e devem ser entendidas dentro do contexto das relações de poder – principalmente, as de classe, raça e gênero – de uma ordem social particular. Também podemos ressaltar que, nas sociedades “pós-modernas” contemporâneas, imagem do corpo e práticas corporais tornam-se elementos reconhecidos e vivenciados como fundamentais para os processos de construção identitária; são o locus de numerosas lutas nas quais as identidades - e uma ampla gama de recursos sociais e simbólicos – se disputam e se negociam. Neste trabalho, apresentamos algumas reflexões teóricas sobre estes problemas, juntando debates atuais com evidências de algumas pesquisas empíricas, para sugerir caminhos para se pensar e pesquisar “a política das práticas corporais” hoje.
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Nora Edith Miranda, Marta Susana Antúnez - Area Mujer de la Secretaria de Deporte de la Nación - Argentina
Los Estereotipos de genero en las practicas de actividades fisicas y deportivas
Los estereotipos, asumidos como modelos fijos, socialmente aceptados de cualidades o conductas condicionaran, en lo que al genero respecta, los ideales masculinos y femeninos de cada tiempo y cada sociedad. El deporte como práctica social fue, desde sus orígenes un hacer exclusivamente masculino. La mujer, se fue incorporando a él, con las limitaciones que implica entrar en un campo donde el dominio, el poder y el control está concentrado en los hombres. Desde el juego infantil y los aprendizajes asistemáticos hasta los deportes y los aprendizajes institucionales, se van forjando estas representaciones acerca de lo que es o no "adecuado" para un desarrollo armónico en la niña y el niño. Llegada a la edad adulta ¿cómo inciden los estereotipos de género en la participación de la mujer de actividades físicas y deportivas?
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Pablo Ariel Scharagrodsky - Universidad Nacional de Quilmes/Universidad Nacional de La Plata
Ejercitando los cuerpos masculinos. La gimnasia y los exploradores de Don Bosco en la Argentina de principios de siglo XX
Las escuelas salesianas se instalaron en la Argentina a fin del siglo XIX y no cesaron de crecer hasta nuestros días. Entre sus propuestas educativas la cuestión corporal se constituyó en un problema central. El gobierno del cuerpo y, especialmente, la construcción de cierto tipo de masculinidad fue uno de los ejes centrales de su propuesta. Para construir cuerpos masculinos y viriles se ‘inventaron’, en 1915, los Exploradores de Don Bosco. Dicha experiencia (gimnasia, marchas, paseos, excursiones, etc.) reunió a niños y jóvenes pobres con el fin de modelar sus cuerpos y sus almas construyendo un universo moral y kinético específico. Teniendo en cuenta lo anterior, la siguiente ponencia indaga cómo y porqué el movimiento de los Exploradores de Don Bosco generizó los cuerpos de los niños convirtiéndolos en ‘verdaderos’ hombres y contra quienes lucho en su ‘cruzada masculina’.
Las fuentes a analizar son los documentos, circulares, textos y libros utilizados para formar a los Exploradores de Don Bosco en la Argentina.
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Pablo Hernandez
La masculinidad entre las cuerdas. Marginalidad, boxeo y sexualidad en Santiago del Estero
El objetivo de este trabajo es indagar a cerca de la contruccion de la identidad masculina en el mundo del boxeo en Santiago del Estero. La práctica del boxeo esta ciudad del interior de la República Argentina, es en principio una actividad totalmente amateur practicada básicamente por honmbres de los sectores populares urbanos, de alguna manera por grupos marginales de la sociedad, en algunos casos con asociados al delito. Ern etse sentido la varioable de clase representa un punto de partida importanate para el análisis. Evidentemente los codigos y mandatos culturales en el grupo social analizado difieren de los parametros, prejuicios y mandatos presentes en los hombres de clase media. En el grupo estudiado, las relaciones homosexuales no representan un elemento negativo para la hombria, sino que aportan, en algunos casos, un componente importante para la reafirmación de la misma. Las prácticas homosexuales son vividas con naturalidad pues representan la posibilidad de conseguir bienes materiales que redunbdan ene beneficio de toda la familia. A través de una serie de entrevistas a boxeadores reconstruiremos el conjunto de practicas y representaciones culturales del mundo pugilistico que intervienen ne la configuración de las subjetividades e identidades sexuales y genericas de los hombres del box.
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Renata Zuzzi, Tânia Mara Vieira Sampaio - UNIMEP
Ser atleta: o gênero no universo esportivo
Esta pesquisa concluída no mestrado avaliou além do processo de formação em Educação Física, aspectos como a diferença na premiação para homens e mulheres no universo esportivo. A participação das mulheres no esporte, durante longo período, foi adiada devido às concepções que exaltavam o mito da fragilidade e maternidade feminina. Estes, baseados em um determinismo biológico que considerava o corpo mulher menos forte, ágil e robusto, motivo para proibi-las de participar em diversas modalidades. No intuito de saber o que os/as profissionais da área pensam a esse respeito, realizamos uma entrevista com discentes concluintes do Curso de Educação Física da UNIMEP, utilizando para o aspecto esporte, uma questão do ENADE para o referido curso no ano de 2004. A questão apontava premiação diferenciada segundo o sexo em uma prova de maratona. As respostas foram relevantes para uma análise das relações de gênero na área.

Roberta Carolina Valle da Trindade - UNISUAM
Experiências de vida de mulheres como árbitras de futebol profissional
O futebol de campo na cultura brasileira se configura como espaço de expressão e afirmação do masculino. O papel da arbitragem no jogo é exercer autoridade, fazer valer as regras, determinar os limites e aplicar punições. Inserida neste contexto a presente pesquisa tem como questão a investigar: Quais as condições que interferem no acesso e na atuação profissional de mulheres árbitras de futebol de campo? Os objetivos específicos foram: verificar como ingressaram no espaço esportivo; identificar os fatores que influenciaram o acesso a arbitragem e analisar em que condições se desenvolve a atuação em campo. Utilizamos o conceito de Gênero como categoria relacional de análise (Scott, 1995) e o relato de experiência de vida das atletas, que permite a construção do conhecimento a partir da própria mulher e não sobre a mulher (Robinson, 1993).
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Roberta Gaio, Ana Angélica Góis - UNIMEP/PUC
As ginásticas de ontem e de hoje: um estudo sobre gênero
A origem da Ginástica esta atrelada a busca do corpo forte e musculoso pelos homens. Com o passar dos anos, vários tipos de Ginástica foram surgindo, ora para os homens e ora para as mulheres. Atualmente já se falam em Ginástica para ambos os sexos. Esse trabalho pretende, através da pesquisa bibliográfica, trazer à baila os discursos que ecoam atualmente sobre Ginástica e, relacioná-los com os já existentes, quando da sua origem, interpretando-os a partir do referencial construído sobre as Teorias de gênero.
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Sebastião Josue Votre - UFRJ
Ana Moser e Jacqueline Silva, ícones do vôlei brasileiro: uma encenação de sua trajetória no teatro
Neste texto, traçamos um panorama do vôlei feminino brasileiro, dos últimos vinte anos. Nesse cenário, interpretamos a trajetória e o impacto de Ana Moser e Jacqueline Silva como ícones do esporte, a partir das autobiografias Pelas minhas mãos, da primeira; Vida de vôlei e Jackie do Brasil - autobiografia de uma jogadora não autorizada, da segunda. Recorremos à dramaturgia para visibilizar a carreira de ambas, com foco na superação. Nas breves narrativas e diálogos sintetizamos o cotidiano de suas próprias carreiras, com momentos de êxtase, vitória e expectativa. Focalizamos as dificuldades de entrosamento, as contusões, as resistências e tabus com que se defrontam, na trajetória de sua emancipação física, atlética, intelectual e moral. O trabalho conclui-se com uma avaliação sobre o impacto das suas ações, iniciativas e depoimentos nos projetos sociais vinculados à iniciação esportiva e ao desenvolvimento da cidadania (Stoer), com fatos, idéias e desafios reapresentados em linguagem teatral.
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Sheila Massutti, Vera Lucia Pereira Brauner
A inserção da mulher no esporte
O objetivo deste trabalho é refletir sobre o papel da mulher e o significado das representações associadas a ela, no âmbito da Educação Física e do esporte, tendo em vista as discussões históricas sobre a questão de gênero e sua importância na formação da sociedade, bem como identificar e discutir trajetória da participação feminina nos primórdios de sua inserção no cenário esportivo até a atualidade. As narrativas dos entrevistados, todos ex-atletas, referem que a inserção e a crescente participação da mulher brasileira nas práticas corporais e no esporte se deu através da superação do estigma associado a ela pela ideologia patriarcal, sendo que a concessão e o incentivo à prática de atividade físico-desportiva tornaram-se possíveis, sobretudo para mulheres da elite, com o apoio e influência da família.
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Simone Cecília Fernandes - UNICAMP
Esporte, corpo e gênero: reflexões sobre suas articulações a partir de uma etnografia escolar
O texto que pretendo apresentar se fundamenta nos estudos de mestrado que realizo na Faculdade de Educação Física da Unicamp, sob o título de “Os sentidos de gênero nas aulas de educação física escolar em Campinas”. Buscarei uma discussão que evidencie as articulações entre esporte, corpo e gênero que produzem alguns pressupostos para a prática esportiva e corporal em nossa sociedade. Entre eles, destacamos a idéia de que o corpo tem, em sua materialidade, diferenças que justificam práticas separadas entre homens e mulheres. O que pretendemos problematizar é que este olhar sobre o corpo é um entendimento que permeia a atualidade, uma noção construída (ou performática) que produz uma inteligibilidade corporal hegemônica. Buscaremos trazer a tona os significados dessa construção e seus efeitos de poder em nossa socialidade.
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Silvana Vilodre Goellner - UFRGS
Na pátria das chuteiras as mulheres não têm vez
Fundamentada na abordagem teórico-metodológica da história cultural e dos estudos de gênero, este artigo discute a mulher e o futebol no Brasil. Objetiva evidenciar que há muito tempo as mulheres protagonizam histórias no futebol brasileiro ainda que tenham pouca visibilidade Para tanto, utilizei como fontes primárias, documentos produzidos no início do século XX, tais como periódicos, matérias jornalísticas e livros. Através da técnica da análise de conteúdo foi possível compreender que a associação entre o esporte e a masculinização da mulher atravessa décadas e, mesmo que em muitas situações as atletas tenham saído das zonas de sombra, ainda hoje são recorrentes algumas representações discursivas que fazem a apologia da beleza e da feminilidade como algo a ser preservado, em especial, naquelas modalidades esportivas consideradas como violentas ou prejudiciais a uma suposta natureza feminina.
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Tais Akemi Dellai Oshita, Mônica Valezzi, Patrícia Lessa - UEM
Mulheres musculadoras e a desconstrução de gênero nas práticas desportivas
Os esportes como outros fenômenos sociais são cheios de hierarquias, modalidades como golfe, hipismo e tênis são esportes elitizados enquanto as lutas, o futebol e o halterofilismo foram durante muito tempo, vistos como “populares”, respeitando os diferentes graus de popularidade, pois o futebol tem um lugar de destaque. Sobre alguns esportes recaiu certo preconceito. Quando falamos das mulheres praticantes de lutas, futebol e halterofilismo esse preconceito é muito maior. A construção da feminilidade esculpida na imagem da mulher submissa, frágil e passiva foi trabalhada pela instituição médica e jurídica com o apoio do discurso científico. O histórico das Olimpíadas é um bom exemplo para visualizarmos os entraves à participação feminina nos esportes. Quando Florence Griffith Joyner quebrou o recorde mundial nos 100m feminino, 10,49s, em 1988, muitos especialistas colocaram em dúvida os meios usados para isso, sugerindo uso de substâncias proibidas. Porém, no mesmo ano Carl Lewis, medalha de ouro, foi flagrado pelo Comitê Olímpico e somente em 2003 seu caso foi divulgado na imprensa internacional. Uma clara distinção entre os gêneros é feita e nessa diferença as mulheres levam a pior: falta de investimentos, falta de campeonatos e falta de patrocínios são alguns dos tópicos. Gianolla fala especificamente da desvalorização da musculação feminina, na qual o fitness foi criado numa tentativa de substituir a musculação feminina. As competições femininas de musculação, depois de um longo tempo de evolução, recebem um boicote: a IFBB divulgou que atletas de todas as categorias devem reduzir a sua massa muscular em 20% do estágio individual atual, com a desculpa de perda da feminilidade. Através de levantamento bibliográfico buscamos analisar as representações de corpo presentes nas matérias de divulgação dos campeonatos de fisiculturismo feminino utilizando as teorias feministas como fundamento na discussão da construção da corporeidade e da divisão binária do social.
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Tânia Mara Vieira Sampaio - UNIMEP
Corporeidade e gênero: paradigmas para debate sobre lazer, educação física e esportes
É fundamental que novas questões sejam tratadas no âmbito dos Estudos do Lazer e da Educação Física e dos Esportes, por isso, esta pesquisa interroga esse campo de conhecimento por meio do referencial teórico de gênero. O intuito é o de analisar criticamente os processos normativos de construção do saber, visando a des-naturalização do que é socialmente construído. Identificando possíveis implicações tanto para as relações sociais quanto para os processos educativos e demais esferas de relações de poder, as quais não raras vezes, se mostram assimétricas. No âmbito do Lazer, por exemplo, as mulheres têm sido preteridas ou sua oportunidade adiada, ferindo uma compreensão de Lazer como direito inalienável de todas as pessoas e não apenas como válvula de escape das pressões e obrigações em geral. Análise similar pode ser feita quanto ao esporte ou a Educação Física.
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Thaís Rodrigues de Almeida - UFRGS
Mulheres praticantes de rugby: discutindo gênero a partir de um universo cultural predominantemente masculino
Identificando o Rugby enquanto um esporte, que possui suas origens e prática efetiva atreladas à um contexto cultural onde as masculinidades se destacam, nesta pesquisa analisamos a equipe feminina do Charrua Rugby Clube, objetivando compreender como as mulheres vivenciam o universo cultural do Rugby, e as representações que dele emergem. Por ser um trabalho de cunho qualitativo, estamos utilizando como instrumentos metodológicos a observação participante e entrevistas semi- estruturadas. Na pesquisa desenvolvida até o momento, compreendemos o Rugby enquanto um terreno fértil para que sejam produzidos e difundidos discursos e representações acerca de feminilidades. Para tanto, apoiamos nossa discussão teórica nos estudos culturais e de gênero na perspectiva pós-crítica.
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Viviane Giusti Balestrin, Marcos Daou - PUC/RS e UFRGS
Por que nossos corpos deveriam terminar na pele? Dispositivo corpo-máquina na produção de subjetividade
Através deste artigo buscamos desnaturalizar a questão da materialidade do corpo e seus atravessamentos com a performatividade de gênero. As marcas in-corporadas na contemporaneidade desvelam uma hiper-masculinidade/feminilidade inscrita pelos músculos esculpidos nos exercícios ou produzida por combinações humano-tecnológicas, onde o corpo-máquina potencializa as habilidades e poderes do sujeito. Toda esta relação “vende” e “industrializa” um estilo de vida, um modo de ser e estar, legitimando determinadas identidades sociais e desautorizando outras, produzindo corpos e aparências. A hibridização do corpo através do exercício da estética, nas práticas esportivas e/ou nas experiências tecnológicas está imbricada nas esferas sociais, culturais e espaços-tempos que além de esculpir o corpo modelizam a subjetividade. Utilizaremos estudiosos(as) pós-estruturalistas, feministas, como Foucault, Donna Haraway, Judith Butler entre outros(as) para problematizar as questões referidas.
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