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ST22 - Gênero, Ciência e Tecnologia

Coordenadoras:     Marília Gomes de Carvalho (UTFPR)
                               Maria Rosa Lombardi - Fundação Carlos Chagas

Resumo

Este simpósio temático tem por objetivo reunir pesquisador@s que investigam, sob a perspectiva de gênero, questões relacionadas com a produção, circulação e consumo de ciência e tecnologia nos mais diferentes campos, ou seja, dos laboratórios “científicos” às práticas do conhecimento tecnológico popular. Pesquisas vêm alertando para a pouca participação, ou visibilidade das mulheres no campo das ciências "duras" – dentre elas as engenharias, a física, a genética, a computação, e outras. O campo da ciência e da tecnologia tem se constituído como majoritariamente masculino, onde a existência e participação das mulheres são encobertas e desvalorizadas. Por outro lado, as mulheres e homens que desenvolvem práticas populares – como a medicina tradicional, o parto, as manipulações simbólicas de cura, também são foco do preconceito por parte do campo científico. Estas mulheres e homens que produzem, fazem circular e consomem conhecimentos técnicos e tecnológicos em regiões e camadas sociais aonde o repertório de conhecimento legitimado como científico muitas vezes não chega, são, muitas vezes, estigmatizad@s como usuári@s de práticas ilícitas. Este simpósio temático pretende discutir sobre a produção, circulação e consumo de ciência e tecnologia, com pesquisador@s que buscam, em suas investigações, entender como se constitui o campo da ciência e tecnologia enquanto um campo de forças, muitas vezes antagônicas, entre homens e mulheres e entre saberes científicos e tácitos, criando hierarquias e preconceitos de gênero que demarcam lugares, saberes e tempos.


Trabalhos

Ana Paula Soares Carvalho
As mulheres no campo científico: uma discussão acerca da dominação masculina
O campo científico não pode ser considerado um campo neutro. Há nele uma disputas pela conquista da legitimidade de se falar e agir. Pode-se afirmar que as mulheres entram nesta disputa em desvantagem, ao passo que a Academia é ainda hoje dominada por homens. Partindo dessas considerações, a intenção deste trabalho é discutir a questão da dominação masculina no campo científico. A partir dos textos A Dominação Masculina e O Campo Científico, de Pierre Bourdieu, e do texto A Feminista como Outro, de Susan Bordo, tenta-se mostrar que a dominação masculina opera no campo científico ao reservar às mulheres um lugar de marginalidade. Um exemplo marcante deste fato é a consideração de que os estudos feministas são relevantes apenas para a compreensão das relações entre os gêneros, e não como uma contribuição para uma melhor apreensão das relações sociais no geral.
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Auri Donato da Costa Cunha - UEPB/UNIP/EMATER/PB
Relações de gênero uso de tecnologias e qualificação da mão-de-obra na fruticultura
A pesquisa em foco realizada em áreas irrigadas, no sertão paraibano, constatou que a fruticultura é um dos ramos da agricultura, gerador de emprego e renda, e que há um número, relevante de mulheres, trabalhando como assalariadas neste setor. A mão – de- obra feminina é utilizada principalmente na colheita, seleção e embalagem das frutas, tarefas que exige, sensibilidade para visualizar as frutas adequadas ás exigências dos mercados interno e externo, atributo naturalizado e conferido, á mulher. Também, está mão – de obra é utilizada, em atividades realizadas de forma sazonal. Daí, a importância conferida á mulher para o desenvolvimento econômico da fruticultura, seu trabalho é eventual, não é legalmente reconhecido, não havendo também o interesse de investir na sua qualificação . Por conseguinte, considerando as características tidas como “naturais”, as mulheres continuam a ser largamente excluídas da capacitação que objetiva incorporar as novas tecnologias de base ecológica, como também as referentes a irrigação, entre outras.
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Benedito Guilherme Falcão Farias, Marilia Gomes de Carvalho - UTFP
Mulheres engenheiras – mudanças na relação de gênero na academia e no trabalho
Este artigo é uma breve retrospectiva histórica, para investigar como começou a engenharia, na França e em Portugal, no século XVIII; e, para conhecer como chegaram ao Brasil os primeiros cursos de engenharia, no Rio de Janeiro, no século XIX, depois em São Paulo e seu início em Curitiba. Além disto, estudar o processo de inclusão das mulheres nas engenharias, sua participação no mundo tecnológico e suas relações no mercado de trabalho. Constata-se que os cursos de engenharias começaram dentro do ambiente militar, com objetivos específicos de construir fortificações sólidas e econômicas e engenhos bélicos. Além de estradas, pontes e portos para fins militares. Observam-se as dificuldades das mulheres de serem aceitas e se adaptarem como estudantes e profissionais neste universo masculino.
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Betina Stefanello Lima - UnB
O drible da dor: entre super-mulheres e inteligências descorporificadas
Este trabalho apresenta uma breve reflexão sobre algumas representações sociais de pesquisadoras quanto à ciência e a quem atua no campo científico a partir de teorias de gênero. Por intermédio dessas representações, tais pesquisadoras não percebem os mecanismos discriminatórios em um ambiente eminentemente masculino. Essas representações permitem o drible da dor e estão estruturadas em um sistema simbólico mais amplo: o da ciência meritocrática e o da invisibilidade das pesquisadoras no campo científico. Assim, identifico duas representações centrais: 1) exceções à “regra”: cientistas enquanto super-mulheres; 2) quem faz ciência: a inteligência descorporificada. A formulação desta reflexão foi elaborada a partir da análise de dez entrevistas com pesquisadoras de diversas áreas e observação participante no II IUPAP - Women in Physics.
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Claudia Musa Fay
Mulheres na cabine de comando: vencendo preconceitos e ocupando espaços masculinos
As discussões sobre as questões femininas e a busca da inserção destas vozes como atores sociais, embora bastante recentes, têm gerado inúmeras abordagens relativas à importância do papel da mulher e sua contribuição para a sociedade. Nesta perspectiva, o debate sobre a formação e o exercício profissional, por ora delegado às mulheres, suscita ampla investigação do ponto de vista da construção da sua identidade forjada na participação feminina nas disputas de trabalho e poder. Portanto, a investigação se propõe analisar a inserção das mulheres no campo da ciência e tecnologia, universo dominado por homens, e as imbricadas relações de poder instituídas pela sociedade que ainda impedem ou desestimulam a participação da mulher nas diversas áreas das ciências, privilegiando o estudo daquelas que optaram pelo curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS desde o ano de sua criação, em 1993, até 2005.
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Débora Valeria Schneider - Universidad Nacional de Quilmes
Mujeres en la ciencia: prácticas científicas y culturas disciplinarias. Un análisis de la inequidad de género en la ciencia argentina
Este trabajo se propone abordar desde una metodología microsociológica aspectos cualitativos escasamente analizados, de forma de indagar en los elementos que configuran la asimetría de género en la ciencia argentina. Se espera conocer cuáles son y cómo actúan e interactúan las dimensiones sociales, cognitivas e institucionales del campo científico y la relación de estas respecto de la configuración de la desigual participación del género femenino actual. El objeto de investigación del trabajo en cuestión son los laboratorios de disciplinas exactas y naturales argentinos (tres en total, de biología, de química y de física respectivamente). El enfoque de nivel micro de los estudios de laboratorio permite indagar respecto de las interacciones sociales y cognitivas que dan lugar a la producción del conocimiento científico.
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Isabel Georges - USP
As relações aos saberes: o caso das engenheiras e das tele-atendentes
Essa análise pretende comparar as relações aos saberes (formais e informais) de mulheres em duas ocupações contrastadas: o caso das engenheiras, numa profissão prestigiosa tradicionalmente masculina, recentemente aberta aos mulheres, e necessitando um terceiro grau completo para ingressar na profissão; o caso das tele-atendentes, as operadoras do setor de tele-marketing, ocupação maioritariamente feminina, mas também masculina (1/3 de homens). Trata-se de uma ocupação aberta às camadas sociais mais populares, mas exigindo um segundo grau completo. Num contexto geral do aumento do nível de escolaridade das mulheres, inclusive no Brasil, quais são as chances de acesso de mulheres aos saberes formais e do seu benefício, segundo a sua origem social? Mais particularmente, pretendemos analisar as lógicas individuais e familiares, incluindo o uso de saberes informais, para possibilitar esse acesso.
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Leda Maria Caira Gitahy, Nanci Stancki Silva
Divisão sexual do trabalho e segregação feminina na indústria de linha branca
Este artigo discute a divisão sexual do trabalho e argumentos que têm contribuído para a construção de atividades consideradas socialmente como masculinas e femininas. Essa reflexão é feita a partir de uma pesquisa qualitativa realizada, entre 2002 e 2003, em duas grandes empresas de linha branca – caracterizadas pela composição masculina de seus trabalhadores (93%) – e que contou com a participação de 32 mulheres e 151 homens. O trabalho masculino foi identificado, sobretudo, com força física e técnica, sendo a tecnología considerada como parte desse universo. Enquanto a mulher, foi associada com delicadeza e fragilidade, assim como seu trabalho foi considerado como menos técnico. Entre as conseqüências de tais percepções, destacamos a segregação vertical e horizontal do trabalho feminino nas empresas pesquisadas.
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Louise Botelho, Andrea Karla Pereira, Beatriz Vieira, Claudine Schons, Francisco Antônio Pereira Fialho
Percepções sobre o papel da mulher na sociedade
O papel da mulher na sociedade tem migrado nos últimos anos, hoje nas sociedades do conhecimento, as mulheres não estão mais confinadas a suas casas, elas encontram-se ativamente engajadas em varias profissões contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico dos países (Kaur, Begineder, Bawa, Shelly, 1994). Este artigo apresenta as primeiras considerações oriundas da dissertação de mestrado da autora, pertencente ao Programa de Pos Graduação em Engenharia do Conhecimento – UFSC. Onde tem como objetivo principal demonstrar o papel da mulher na sociedade do conhecimento, conhecendo e comparando valores existentes na sociedade e as diferenças de gênero em valores de trabalho. Como metodologia utilizou- se de pesquisa bibliográfica para tecer e buscar padrões para a compreensão do escopo da pesquisa.
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Lucia Maria Praciano Minervino
A mulher como gestora de recursos hídricos: igualdades e desigualdades, uma questão de gênero
Na política de recursos hídricos existe uma estrutura de desigualdades entre homens e mulheres que vem sendo transformada lentamente e de uma forma limitada. A quase ausência feminina na formulação de políticas e uma maior concentração na área de saneamento não invalidam a sua importante participação como mentoras de excelentes trabalhos voltados para a saúde e o bem-estar na busca de uma melhoria da qualidade de vida da população. A mulher tem como forte trunfo a sua capacidade de racionalizar o uso dos recursos hídricos, tanto em termos quantitativos como em termos econômicos haja vista a sua notória supervisão como executiva dentro e fora do lar. Como educadoras inatas que são, têm condições de sobra de tornar um debate sobre a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres um fato real, concreto.
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Magaly Pazello - DAWN Brasil
Tics, gênero e juventude: resultados de uma pesquisa de campo
Análise de alguns resultados, ainda inéditos, da pesquisa de campo realizada no Brasil (2004), para o projeto “Del Dicho al Hecho: TICs, juventude e eqüidade de gênero” (Cátedra UNESCO Mulher, Ciência e Tecnologia/FLACSO Argentina). Esta pesquisa de campo teve como objetivo coletar e analisar as representações de gênero presentes em projetos, que usam as novas tecnologias de informação e comunicação, destinados à juventude. A metodologia incluiu entrevistas em profundidade com a coordenação dos projetos e grupos focais com jovens no Rio de Janeiro e São Paulo. Foram analisadas as representações de gênero, suas imbricações com a tecnologia e as expectativas dos papéis sociais destes jovens no/com o uso da tecnologia, assim como surgem e são sustentadas “hierarquias e preconceitos de gênero que demarcam lugares, saberes e tempos”, conforme sugerido por este simpósio.
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Maria Inês Mafra Goulart, Gioconda Machado Campos, Kelly Cristina Nogueira Souto, Michele Lopes da Silva, Maria de Fátima Cardoso Gomes - UFMG
Diferenças de gênero na participação de estudantes em ciências: escolha ou oportunidade?
Esta pesquisa em andamento pretende mapear a escolha profissional dos adolescentes brasileiros/”MG” e investigar possíveis influências que a escola e a família exercem nesta escolha, em relação às áreas de ciências e tecnologias. O estudo faz parceria com um outro realizado por pesquisadores canadenses e utiliza o referencial teórico-metodológico Eccles Michigan Study of Life Transitions Questionnaire. Pretende, ainda, fornecer uma análise da pouca representatividade das mulheres no mercado de trabalho que envolve conhecimentos em ciências e tecnologias. Os resultados até agora nos mostram que tem crescido a participação das mulheres nos altos níveis de escolarização, mas não há representatividade expressiva dessas jovens nas áreas de ciências e tecnologias. O prosseguimento da pesquisa irá analisar essas escolhas das adolescentes.
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Mariuze Dunajski Mendes - UTFPR
Gênero e tecnologia: representações na produção artesanal com fibras em Curitiba
A tecnologia entendida como uma ação social que se expressa no cotidiano das pessoas, nas dimensões materiais e simbólicas, tem no artesanato uma das principais fontes de manifestação. O presente artigo busca refletir sobre as aproximações entre gênero, tecnologia e artesanato, pensando no momento em que o setor artesanal com fibras em Curitiba passou a modernizar-se e esta prática se tornou a principal fonte de renda da comunidade. Neste novo modelo, advindo da sociedade capitalista, é imputado ao homem o papel instrumental de provedor da família, sendo as máquinas e ferramentas consideradas exclusivas de um universo masculino, havendo, então, uma aparente exclusão mulher do processo. Nas análises pretendemos considerar a diversidade de olhares envolvendo as questões de gênero no processo artesanal local e refletir sobre as representações sociais envolvidas.
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Sandra Moncada Hernández
Evaluación de la productividad científica de las mujeres del instituto de fisiología celular (UNAM): propuesta para considerar nuevos indicadores
La UNESCO (1999) establece la necesidad de generar datos para reconocer y abordar el problema de la participación de las mujeres en investigación y desarrollo (ID) y en ciencia y tecnología (CT). ¿Pero estas evaluaciones reflejan la realidad del trabajo científico de las mujeres? En este trabajo se analizan los productos finales de la investigación; a través de diversos indicadores de productividad científica y tecnológica reportados en la literatura, así como el trabajo académico que no es sujeto de medición cuantitativa, con el objetivo de reconocer y proponer otros indicadores que valoren su aportación en la generación del conocimiento, para de esta forma inferir en las evaluaciones institucionales y se refleje directamente en los apoyos y estímulos otorgados que son, por mucho; desiguales a sus pares hombres.
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Silvana Maria Bitencourt - UFSC/CESUSC
Engenharia e mulheres: um diálogo entre a cultura da engenharia e relações de gênero no Centro Tecnológico da UFSC
Este estudo teve como objetivo principal analisar como tem sido compreendida a cultura da engenharia da UFSC e suas implicações com as relações de gêneros construídas no espaço onde a formação da (o) engenheira (o) se processa, neste caso a universidade. Buscou –se compreender as motivações, as dificuldades, as perspectivas e as táticas construídas por estas poucas estudantes para lidarem com sua condição de gênero neste campo de disputa eminentemente masculino. A metodologia utilizada para se realizar a pesquisa compreendeu entrevistas semidiretivas, trabalho de campo e observação participante. A análise parte das evidências históricas e empíricas de um tipo ideal de engenheiro que a sociedade tem produzido/reproduzido e as suas limitações frente às possibilidades de mudanças que este modelo tende a acarretar na vida da estudante.
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Taysa Schiocchet
Bioética: dimensões biopolíticas e perspectivas normativas sob um enfoque de gênero
O desenvolvimento tecnocientífico produziu-nos descobertas desafiadoras, que provocam perplexi-dades morais em virtude de tecnologias produtoras de resultados desconhecidos. O presente estudo examina os principais impactos causados pelas descobertas biotecnológicas nos âmbitos ético e jurídico, buscando identificar as suas repercussões no âmbito da proteção jurídica do ser humano em suas esferas individual e coletiva, no presente e no futuro. Para tanto, a análise debruça-se sobre algumas questões e categorias como a racionalização do conhecimento, o reducionismo biológico, a natureza biopolítica da sociedade contemporânea e os problemas relacionados com a autonomia pessoal e a responsabilidade, sob uma perspectiva de gênero.
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Tatiana de Souza - GETEC/TFPR
Maria Lacerda de Moura e a educação das mulheres para a liberdade
Maria Lacerda de Moura (1887 - 1945) atuou como pedagoga, jornalista e conferencista, criticando corajosamente – dentro de uma perspectiva libertária e individualista – arraigados preconceitos religiosos e científicos de sua época acerca do papel feminino “naturalmente” subalterno. A opressão patriarcal atuante em todas camadas sociais, manteve-se determinante na nova estruturação geral das relações de poder da incipiente sociedade capitalista brasileira urbano-industrial do começo do século XX. O resgate do pioneirismo de Moura contribui significativamente para a defesa do amplo acesso das mulheres à educação científica, humanista e tecnológica como instrumento legítimo de luta por uma atuação profissional e intelectual engajada contra todo tipo de opressão decorrente de relações sociais altamente excludentes e violentas.
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