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ST23 - Gênero, raça/etnia e escolarização

Coordenadoras:     Alceu Ravanello Ferraro (UNILASALLE, Canoas/RS)
                               Fulvia Rosemberg (PUC-SP e Fundação Carlos Chagas)
                               Marilia Pinto de Carvalho (USP)

Resumo

O simpósio pretende abordar como as desigualdades de gênero, articuladas às de raça / etnia e de classe social, estão presentes no sistema escolar brasileiro, entendido este de maneira abrangente, ou seja, da creche à educação de jovens e adultos e ao ensino superior. Privilegiando uma abordagem sócio-histórica, pretende-se analisar e discutir tanto as políticas educacionais e os dados estatísticos macro-sociais disponíveis, quanto o cotidiano nas escolas e salas de aula, tendo como foco alunos e alunas ou educadores e educadoras, assim como os resultados da escolarização, tais como a alfabetização, o letramento, os níveis e diplomas acadêmicos alcançados, a inserção no mercado de trabalho e a formação de professores e professoras. Serão privilegiados textos que apresentem resultados de pesquisa e buscar-se-á a maior representatividade regional e temática possível, inclusive no que se refere às articulações das relações de gênero com as desigualdades raciais e étnicas, que poderão abranger questões referentes tanto à população negra quanto às populações indígenas e outras minorias. O que se pretende é, de um lado, potencializar a abordagem da relação entre gênero e escolarização, desafiando as pesquisadoras e os pesquisadores à inclusão das variáveis raça/etnia e classes sociais no tratamento dessa relação, e, de outro, articular enfoques interdisciplinares ou multidisciplinares, que possam melhor dar conta, em nível macro e micro-social,  não só das desigualdades educacionais presentes, como também da gênese e trajetória dessas mesmas desigualdades.


Trabalhos

Aline Lemos da Cunha - UNISINOS
“Eu ainda penso em voltar...”: leituras de escola a partir de lembranças do processo de escolarização de mulheres afro-brasileiras
Trago reflexões sobre as vivências escolares de três mulheres afro-brasileiras, que participaram como sujeitas de pesquisa de minha Dissertação de Mestrado em Educação na UFPel. Elas descreveram as expectativas familiares frente à escola, as relações estabelecidas com professores e colegas neste espaço, o sentido do conhecimento e as formas de discriminação dentro da instituição escolar, as quais, sob o meu olhar enquanto pesquisadora e corroborado pelos depoimentos destas mulheres, se tornam cada vez mais sutis, tendo em vista que elas próprias, ora reconhecem como segregação, ora apresentam-se como culpadas pela interrupção de seu processo de escolarização, exclusivamente. Hoje, mesmo que estas mulheres não freqüentem ambientes formais de ensino e aprendizagem, constroem conhecimento no interior de um salão de beleza de Cultura Afro em Rio Grande - RS.
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Ana Amélia de Paula Laborne - UFMG
Mobilidade educacional: um estudo à partir de trajetórias educacionais de mulheres negras
Esse trabalho se apoia nas teoria que analisam as relações sociais no Brasil como espaço racializado e marcado pelas discriminações de gênero. Existe, nesse contexto, uma série de desigualdades estruturais que dificultam a realização educacional das mulheres negras. Pretendemos, nessa investigação, entender quais são algumas barreiras colocadas para esse grupo e quais os mecanis-mos dos quais elas lançaram mão para vencer esses obstáculos na conclusão de seus cursos superiores, pensando em uma situação de mobilidade educacional. A partir da análise de entrevistas, pretendemos sinalizar a possibilidade da intervenção do Estado na elaboração e implementação de políticas públicas que possam apontar para uma real igualdade de oportunidades na esfera pública para esse grupo, no que diz respeito a sua realização educacional.
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Ana Lúcia Guimarães
Diferentes mulheres, diferentes socializações: educação, família e relacionamentos, o que pensam as universitárias
Esse trabalho busca entender a inserção das mulheres no Ensino Superior a partir do crescimento do nível educacional das mulheres no Brasil. Por que hoje mais mulheres buscam o Ensino Superior no Brasil? Para responder tais questionamentos, foram analisadas as trajetórias de vida de 70 alunas regularmente matriculadas nos sete cursos de graduação das Faculdades Integradas Anderson (FIA) e 70 alunas dos mesmos cursos da Universidade Pública (UP) - Rio de Janeiro. A partir dessa análise, identificamos projetos de vida de mulheres de diferentes recortes sócio-econômicos, que ao ingressarem e buscarem concluir o Ensino Superior, nos permitem refletir como as questões da educação, família e casamento contribuem para a construção da identidade feminina em contextos contemporâneos.
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Ana Maria Rabelo Gomes, Isis Aline Valle Teixeira
Letramento e relações de gênero entre os Xakriabá
O texto apresenta diferentes aspectos que marcam a especificidade da identidade de gênero entre os Xakriabá, a partir da análise do contexto escolar e cultural-religioso. Os Xakriabá vivem numa terra indígena localizada em São João das Missões, norte de Minas Gerais e totalizam cerca de 7000 habitantes, em 26 aldeias. Serão apresentados resultados de três pesquisas, integradas em um esforço de compreensão do processo de escolarização e apropriação da escrita no contexto sócio-cultural Xakriabá. Discute-se como os rituais religiosos constituem mecanismos de apropriação das formas de organização da sociedade e analisa-se a organização das interações escolares e dos rituais a partir da divisão por gêneros. As descrições são confrontadas com dados sobre a escolaridade das mulheres, acentuadamente maior que a dos homens, discutindo suas possíveis causas e implicações.
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Cátia Weber - UFSC
Professoras Xokleng: identidade étnica na perspectiva intercultural e de gênero
O texto apresenta resultados parciais de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida para a dissertação de mestrado da autora e toma como foco de análise as professoras Xokleng da Terra Indígena Ibirama, no estado de Santa Catarina, numa perspectiva intercultural e de gênero. Trata-se de uma reflexão a partir dos relatos orais destas professoras referentes à sua formação profissional em nível superior, no Centro Educacional Leonardo Da Vince (Uniasselvi) em Indaial (SC), onde estão matriculadas em cursos de Licenciatura. Busca-se lançar um olhar sobre as desigualdades de gênero e etnia que se associam às dificuldades financeiras no percurso de sua formação profissional, procurando compreender a construção de uma identidade étnica em um processo de relações interculturais e de gênero.
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Cláudia Vianna, Sandra Unbehaum - USP
Políticas educacionais e superação das discriminações de gênero: o caso do PNE
Esta apresentação parte de pesquisa mais ampla (Latin American Public Policies in Education from Gender Perspective) e examina, sob a ótica das relações de gênero, o Plano Nacional de Educação, aprovado pelo MEC em 2001 e hoje revisado pelo atual governo. Apontamos três ponderações quanto ao gênero: 1) As relações de gênero ficam subsumidas ao discurso geral sobre direitos; 2) Os antagonismos de gênero presentes na organização do ensino e do cotidiano escolar não são explorados; 3) É urgente problematizar a paridade numérica entre os sexos, introduzir o recorte de gênero e mostrar que a desigualdade de gênero não está somente no acesso ao ensino fundamental, mas nas trajetórias e relações escolares. Ao tratar do acesso de meninas e meninos nesse nível de ensino, o PNE não se detém sobre as conseqüências diferenciadas quanto à permanência de meninas e meninos.
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Cristiane Soares, Hildete Pereira de Melo - IBGE
O acesso de homens e mulheres à educação formal e as desigualdades de gênero e cor/raça
Este artigo tem como objetivo traçar um retrato da educação brasileira entre 1993 e 2003, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Foram mensurados indicadores educacionais básicos que evidenciam o acesso desigual à educação entre homens e mulheres, brancos e negros, assim como pobres e ricos. Os indicadores analisados foram: taxa de analfabetismo, taxa de distorção idade-série, média de anos de estudo, acesso à educação infantil, ensino fundamental, médio e superior, distribuição da população com nível superior e distribuição dos matriculados no ensino superior por sexo e curso freqüentado. Em suma, este estudo não discute acerca das políticas afirmativas, mas chama a atenção que a ausência de políticas discricionárias ou focalizadas foi incapaz de reduzir as desigualdades de gênero e de raça.
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Daniela Finco - UNICAMP
Relações sociais de gênero, práticas educativas e “transgressões” de meninas e meninos na educação infantil
Este trabalho discute as interações sociais de crianças sob a ótica das relações de gênero no ambiente coletivo da Educação Infantil. Enfoca vivências de meninos e meninas que ao transgredirem os comportamentos considerados apropriados para seu sexo, causam angústias, dúvidas e inseguranças nas(os) professora(es) de Educação Infantil. Aponta para o refinamento da metodologia de investigação das relações de gênero na infância e destaca observações das brincadeiras atreladas à oralidade das crianças e às práticas educativas das professoras. Neste momento em que o Brasil organiza seu sistema de educação buscando a construção de currículos, a formação de profissionais e a qualidade de seu atendimento, este trabalho busca repensar a maneira como as(os) profissionais da Educação Infantil trabalham as questões das relações de gênero na infância.
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Edna de Oliveira Telles - USP
Relações de gênero na escola: continuidades e mudanças
O trabalho a ser apresentado é o resultado de minha pesquisa de mestrado cujo objetivo era investigar quais os significados de gênero presentes nas relações entre as crianças e destas com as pessoas adultas da escola (professores/as e demais funcionários/as) nos diversos tempos escolares, como esses significados apareciam, se reproduziam estereótipos, se havia mudanças e transformações e de que forma. A análise de todo o material coletado nesse processo, em que as crianças foram vistas como personagens centrais e tiveram valorizadas suas experiências e opiniões, mostra como se produzem e reproduzem estereótipos de gênero pautados nas relações de poder na escola. Demonstra, no entanto, que esse poder não é unilateral, que as crianças opõem-se a eles, contestando-os e desenvolvendo formas de oposição.
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Eliane Teresinha Peres, Patrícia Daniela Maciel - UFPEL
Mulheres, trabalho e educação: professoras do ensino privado em pelotas no século XIX (1875-1889)
Focalizamos, neste trabalho, através de 160 anúncios de jornais pelotenses, aspectos da trajetória e do perfil de professoras dos “collegios femininos” e das aulas privadas e ‘domésticas’, procurando mostrar como o ensino significou uma forma de resistência das mulheres aos padrões vigentes e representou uma conquista efetiva em termos de mercado de trabalho feminino. Pelotas, pela sua riqueza econômica e cultural, advinda principalmente da indústria do charque, atraiu muitas mulheres – algumas delas vindas de países europeus e platinos – que encontraram terreno fértil na cidade para instalar escolas femininas e/ou para oferecer suas habilidades para a educação das meninas. Os anúncios dos jornais indicam que muitas delas criaram colégios femininos e outras dedicaram-se ao ensino a domicílio ou em suas próprias casas ou lugares de moradias, como as pensões, por exemplo.
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Erica Piovam de Ulhôa Cintra - UFPR
Mulheres na área comercial. A formação de contadoras e contabilistas em colégio católico feminino (Curitiba, meados do XX)
As mulheres sempre trabalharam, inclusive fora do espaço doméstico. No Brasil, com as mudanças sociais, técnicas e econômicas ocorridas entre o final do séc. XIX e parte do Novecentos, o mundo do trabalho para as mulheres, e não somente para as pobres e operárias, se transformou e expandiu. Mulheres de muitas origens sociais começaram a ocupação de trabalhos até então considerados masculinos. O trabalho na área comercial é um exemplo. Em 1943, religiosas atentas às mudanças que se apresentavam no país dão origem, em Curitiba, à Escola Técnica de Comércio São José, e ofertam estudos comerciais para jovens mulheres em um ambiente há muito ocupado pelos homens: o comércio. Até o ano de 1955, são formadas 244 contadoras e contabilistas, e 36 auxiliares de escritório, aptas para o trabalho comercial em escritórios, no comércio e no serviço público. Este trabalho assinala a trajetória desta escola e a formação destas mulheres, em meados do XX.
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Fátima Machado Chaves
Relações de trabalho escolar: gênero, racismo e processos de saúde-doença
Investigamos como as desigualdades sócio-econômicas, na transversalidade de gênero e raça, contribuem para o processo saúde/doença de funcionárias, responsáveis pela limpeza e pela merenda em escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro. Em geral, mulheres negras e pobres, ex-empregadas domésticas, vivenciando condições de trabalho extremamente precarizadas, contam com as competências adquiridas no universo feminino para realizar suas tarefas. A dupla ou até tripla jornada de trabalho interfere em suas vidas, potencializando adoecimentos, devido às responsabilidades, à ausência de descanso ou lazer e à repetição, nas escolas, de suas atividades “domésticas”, desvalorizadas e estigmatizadas desde a escravidão, em maior grau, para as mulheres negras e pobres. Sofreram o “racismo brasileiro” de forma circunstancial e interacional, nunca institucionalizado, enfrentando-o com estratégias: negar, ignorar, fingir ou valorizar a cultura negra.
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Graziela Serroni Perosa
Processos de escolarização e a instituição de fronteiras sociais
Esta pesquisa interroga os diferentes usos da escola na sociedade brasileira e o seu papel nos processos de diferenciação social. O estudo foi realizado em três escolas confessionais femininas voltadas para atender famílias brancas, de alta renda, residentes na capital paulista por volta de 1950. Apóia-se em uma pesquisa empírica baseada em questionários, entrevistas, observações de tipo etnográfico e análise de documentos escolares. Os resultados evidenciam as modalidades pelas quais a escola contribui para a naturalização das relações sociais de dominação de classe, gênero e raça, reforçando a circunscrição das fronteiras sociais e simbólicas que agregam e segregam os indivíduos de uma dada sociedade.
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João Bôsco Hora Góis - UFF
Ingresso e permanência de afro-descendentes no ensino superior: dilemas, estratégias e perspectivas
Este paper apresenta resultados de um estudo que busca examinar as formas como alunas que se auto-representam como negras se inserem no cotidiano das instituições educacionais, particularmente as universitárias. O estudo assume como correta a afirmação, conforme mostram estudos recentes, de que ultimamente tem havido na sociedade brasileira um avanço no acesso à educação superior para as afro-descendentes. Argumenta, contudo, que esse dado precisa ser examinado à luz dos modos como tal acesso tem se dado e, principalmente, a que custo tais mulheres têm sido capazes de se manter nas universidades. O trabalho também sublinha algumas das estratégias que elas têm utilizado na luta para a obtenção dos seus graus acadêmicos. Para a sua preparação foram utilizados dados qualitativos extraídos de entrevistas e dados quantitativos obtidos no “Censo Étnico-Racial da Universidade Federal Fluminense”.
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Lilian Piorkowsky dos Santos
Garotas indisciplinadas numa escola de ensino médio: um estudo sob o enfoque de gênero
Trata-se de uma pesquisa de mestrado em andamento. Nesta comunicação pretende-se discutir um dos seus objetivos: estudar, no âmbito de uma escola pública de Ensino Médio do município de São Paulo, as práticas e significados produzidos pelos docentes e outro(a)s profissionais da escola, em relação à indisciplina escolar de jovens do sexo feminino. A pesquisa utiliza a metodologia qualitativa com um micro-recorte do social e os seguintes instrumentos de pesquisa: observações nos diferentes espaços da escola, entrevistas semi-estruturadas com diversos profissionais da escola e jovens e análise dos documentos da escola. A partir de análises preliminares, pode-se indicar que, para os profissionais, o desempenho das moças estava relacionado com os seus comportamentos indisciplinados. Pode-se observar também que as moças indisciplinadas fugiam a um determinado modelo de feminilidade aceito pela escola, adquirindo uma grande visibilidade.
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Lisiane Sias Manke
Docência leiga: e assim tornaram-se professoras
O presente trabalho apresenta aspectos da pesquisa que vem sendo realizada no PPGE da FAE/UFPel, que busca investigar e analisar a história de vida de professoras primárias leigas (sem formação pedagógica). A partir da metodologia apresentada pela história oral, foram realizadas treze entrevistas, com professoras que iniciaram a profissão docente sem formações pedagógicas, entre os anos de 1960 a 1970, vinculadas a SME do município de Pelotas/RS. Procura-se discutir o iniciou da carreira profissional dessas mulheres (todas na zona rural) e as razões pelas quais tornaram-se professoras, sem formação pedagógica. Ao analisar estas histórias de vida percebe-se que a profissão foi/é algo de grande destaque em suas vidas, antes de tudo elas são “mulheres professoras”, a profissão as caracteriza fortemente.
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Mani Tebet Azevedo de Marins, Andre Augusto Pereira Brandão - UFF
Diferenciais de acesso à universidade por gênero: o caso da UFF
Este artigo discute o acesso das mulheres ao ensino superior tomando como caso o vestibular de 2005 da UFF. O estudo se baseou em dados quantitativos oriundos do questionário socioeconômico e cultural aplicado aos alunos. Assim, foi possível mapear as características de gênero, socioeconômicas e culturais de homens e mulheres.Nosso objetivo foi contribuir com as análises que procuram identificar os pontos onde são produzidas e reproduzidas as desigualdades de gênero na educação superior. Verificamos que há um número maior de mulheres do que de homens entrando na universidade. Entretanto, buscamos compreender de forma mais precisa quais são as características deste acesso feminino à universidade. As mulheres podem alcançar a educação superior, porém sofrem uma exclusão do interior do campo educacional.
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Maria Elisa Almeida Brandt - UFPB
As políticas educacionais brasileiras sob o enfoque de gênero
Pretendo analisar como tem se dado a inserção do recorte de gênero nas políticas educacionais elaboradas no plano federal, na atual gestão. Subsidiariamente, comentarei em que medida as demandas por eqüidade de gênero e por eqüidade étnico-racial se associam nessas políticas. Partirei do comentário de dados estatísticos e literatura na área que apontam algumas demandas prioritárias para uma educação promotora da igualdade étnico-racial e de gênero. Em seguida, descreverei os mecanismos normativos e institucionais de planejamento e implementação de políticas federais que fazem a interface entre educação, relações étnico-raciais e de gênero. Por fim, analisarei algumas políticas na área de formação de professores/as e elaboração de material didático. Nessas duas últimas seções, almejo debater os principais avanços recentes e desafios enfrentados nesse processo.
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Maria Eulina Pessoa de Carvalho - UFPB
Gênero e carreiras universitárias: o que mudou?
A divisão sexual do trabalho e a socialização de gênero geraram a construção de carreiras femininas e masculinas no campo da formação universitária. Como vem se comportando o fenômeno da sexualização/generificação das carreiras ao longo do tempo, sobretudo em face do aumento do acesso das mulheres aos cursos superiores? Alterou-se hoje que as mulheres são a maioria nos cursos superiores brasileiros, e em que medida? Comparam-se dados quantitativos de graduação por sexo e curso na Universidade Federal da Paraíba de 1961 a 2005 e discutem-se permanências e mudanças com base na literatura sobre gênero, educação e trabalho.
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Marlucy Alves Paraíso
Currículo e aprendizagem: relações de gênero e raça na escola
Com base em uma investigação que cartografou (mapa aberto a novos traçados) as experimentações e os fazeres curriculares de três professoras alfabetizadoras de três escolas diferentes de Belo Horizonte, este trabalho analisa o currículo praticado e os resultados da aprendizagem das crianças em processo de alfabetização, olhados com base nas categorias gênero, raça e classe. Analisa os agrupamentos e reagrupamentos feitos nas escolas e os critérios utilizados no processo de avaliação das crianças considerando a articulação entre gênero, raça e condição sócio-econômica. Discute as diferenças que se instauram entre as crianças em processo de alfabetização e mostra que o que está em jogo em um currículo é a constituição de modos de vida, fazendo com que a vida de muitas pessoas dependa do currículo.
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Nádie Christina Ferreira Machado, Mary Jane Soares Carvalho - UFRGS
A cor e o gênero do letramento no Brasil
Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 2002 (PNAD 2002), a pesquisa analisa as intersecções entre o letramento, a cor/raça e as relações de gênero no Brasil. O estudo contempla os níveis de letramento propostos por Ferraro (2002), que utiliza a variável “anos de estudo concluídos com êxito” e os classifica em quatro níveis: o nível 1 engloba pessoas que declararam 1 a 3 anos de estudo completos; no nível 2 aquelas entre 4 e 7 anos; no nível 3 aquelas com 8 a 10 anos e; no nível 4 aquelas com 11 anos e mais. A este modelo, como resultado da pesquisa, propomos acrescentar o nível 0, que corresponde a quem se declarou sem instrução ou com menos de um ano de estudo. Este nível não é sinônimo de analfabetismo, pois havia pessoas que declararam saber ler e escrever. Verificaram-se grandes desigualdades em termos geográficos, de gênero e de raça.
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Raimundo Cassiano Ferraz - UFPB
Gênero, masculinidade e docência: visões de alunos de pedagogia
A concentração de mulheres e homens em áreas do conhecimento e carreiras distintas persiste nos cursos superiores. No curso de Pedagogia da UFPB, que forma docentes para o magistério infantil e das séries iniciais do ensino fundamental, além da EJA, nota-se um pequeno aumento do ingresso de homens nos últimos anos. O que eles estão buscando em termos de formação e exercício profissional? Como vêem o curso e a docência nesses níveis, sobretudo no infantil? Como se posicionam em relação à imagem feminina da Pedagogia? Estas questões, discutidas em grupos focais com alunos de Pedagogia do sexo masculino, servem de contexto de problematização das relações entre gênero, masculinidade e docência.
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Rosângela Saldanha Pereira, Maria Lúcia Rodrigues Muller - UFMT
A bi-polaridade da inserção de mulheres ensino público superior: estudo das mulheres brancas e afro-descendentes na Universidade Federal de Mato Grosso
Este artigo trata de investigar as características diferenciais e peculiares da trajetória de inserção das mulheres brancas e afro-descendentes no ensino publico superior em Mato Grosso, sob a perspectiva de dois pólos de carreira: o que apresenta traços de continuidade e aquele que reflete mudanças. Especificamente, estaremos buscando responder a duas questões básicas: quem são as mulheres que estão inserindo-se no ensino superior público? Em que tipo de carreira as mulheres brancas e as negras estão se inserindo? A base de dados será o 1º Censo Étnico Racial das Universidades Federais Fluminense e de Mato Grosso, realizado em 2003, durante o período de matrícula em disciplinas
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Rosemeire dos Santos Brito - USP
Trajetórias escolares diferenciadas entre meninos e meninas: as contribuições das categorias gênero e raça
Trata-se de um estudo de caso inspirado na etnografia educacional, discutindo o fracasso sistemático de meninos no Ensino Fundamental. O trabalho dialoga com as primeiras explicações dadas a esse fenômeno na literatura educacional, que tendem a identificar como uma das principais causas do problema a socialização primária. As meninas teriam menos dificuldades no processo de escolarização por serem socializadas, desde a mais tenra infância, para o exercício da passividade e obediência às normas. Já os garotos, seriam educados para serem mais assertivos, motivo pelo qual seriam mais resistentes à disciplina escolar. Os dados coletados permitiram verificar a inexistência desses modelos fixos de masculino e feminino, assim como uma forte articulação entre as categorias gênero e raça na construção de trajetórias de insucesso.
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Sandra dos Santos Andrade
Discursos midiáticos sobre escolarização: articulações de gênero, raça/cor e classe social
No espaço da escola muito é ensinado aos jovens sobre os comportamentos considerados socialmente adequados, sobre as diferenças entre homens e mulheres e estes ensinamentos voltam-se, de modo intenso, para o controle, a vigilância e o governo dos sujeitos e de seus corpos. A mídia contribui, de modo intenso, para a conformação de um determinado tipo de escola e de sujeito, veiculando e re-produzindo discursos sobre a escola. Utilizo aqui o conceito de gênero na perspectiva dos Estudos Culturais, articulados ao enfoque pós-estruturalista de investigação, como categoria analítica para examinar discursos veiculados na mídia de um modo amplo sobre escolarização; a fim de desnaturalizar e problematizar concepções de masculino e feminino cristalizadas no discurso cotidiano. Interessa-me problematizar como – e de que modo – os processos de generificação estão implicados com as situações de exclusão/inclusão do ensino e, além disso, demarcar que estes processos estão, necessariamente, entrelaçados com os marcadores de raça/cor e classe social
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Sonia Beltrame - UFSC
Investigando as relações de gênero nas relações escolares
O texto apresenta parte de um estudo desenvolvido junto a homens e mulheres integrantes de uma turma de educação de jovens e adultos, na periferia urbana de Florianópolis. A proposta metodológica consistiu no acompanhamento, observação das estratégias de organização, assiduidade às aulas, participação nas atividades, realização de estudos em casa e o relacionamento entre os participantes do grupo. As análises evidenciaram as dificuldades enfrentadas pelas mulheres que não dispõem de tempo e condições para estudar fora da sala de aula. Apesar disso, elas têm uma participação mais expressiva em sala, contribuem com os colegas nas atividades propostas pela professora e são mais assíduas nas aulas. Estes e outros dados colhidos receberam um tratamento teórico que privilegia o estudo dos símbolos culturalmente disponíveis na sociedade e suas relações.
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Waldete Tristão Farias Oliveira - Prefeitura do Município de São Paulo
Trajetórias de mulheres negras na educação de crianças pequenas no distrito do Jaraguá, em São Paulo: processos diferenciados de formação e de introdução no mercado de trabalho
Nesta pesquisa apresento seis mulheres negras que atuam em creches no Município de São Paulo, partindo da contradição de que elas ascenderam econômica e socialmente porque exercem função diferente daquelas destinadas ao grupo social do qual elas fazem parte. Considerando que “todas as vidas são interessantes”, utilizei a história oral como uma estratégia para devolver-lhes a palavra. Assim, histórias de vida foram coletadas para compreender como a creche se transformou em um mercado de trabalho possível àquelas mulheres. A pesquisa realizada mostrou que, para o conjunto das educadoras pesquisadas, o ingresso na creche representou mobilidade social ascendente em relação à sua família de origem e que a construção de identidade racial e/ou de gênero ocorre (ocorrem) ao longo da vida por contraste, nas diferentes situações e também por opção política.
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