Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 



ST24 A - Gênero e Religião

Coordenadoras:     Maria José F. Rosado Nunes (PUC/SP)
                               Maria Regina Azevedo Lisboa (UFSC/SC)

Resumo

Nos últimos anos, os estudos de gênero têm contribuído de maneira significativa para a introdução de novas abordagens da realidade em todos os campos do conhecimento. Os estudos de religião também têm sido influenciados por essa perspectiva de análise. A inclusão do estudo de gênero nas pesquisas sobre as religiões vem construindo uma importante área de reflexão. Abrem-se, assim, novas possibilidades teórico-metodológicas de abordagem das questões culturais de modo geral e, em particular, dos discursos e práticas religiosas. Existe uma tendência nos meios acadêmicos a restringir o  uso da categoria gênero à investigação dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. A conexão entre questões de gênero, feminismo  e os conteúdos da ciência, entretanto, deve ultrapassar tais limites. Faz-se necessária a abertura de novas frentes de investigação que  dêem conta dos problemas da sociedade contemporânea pela inclusão dessa perspectiva de análise. Propomos o presente Simpósio Temático com o objetivo de criar um espaço de visibilidade e debate entre pesquisadoras/es que realizam investigações numa ótica de gênero em diferentes disciplinas e abordando os mais variados temas. Pretendemos, dessa maneira, contribuir para traçar um panorama das tendências nesta área, seus limites, aberturas e, além disso, incorporar uma consciência crítica de gênero no cotidiano amplo da construção do saber científico.

Trabalhos

Ana Lúcia Galinkin - UnB
Maioridade da menina judia: o retorno de Lilith
Há diferenças significativas na tradição talmúdica entre o que é considerado maioridade para os meninos e para as meninas. A lei talmúdica exclui as mulheres de importantes esferas da vida religiosa e comunitária. Não são elevadas à maioridade através de um rito como acontece com os meninos de treze anos, permanecendo, simbólicamente, em um estado infantil e dependente. O contexto em que o rito de maioridade feminino, o bat mitzvá, foi criado era de profundas mudanças inclusive entre as comunidades judaicas que desejavam se modernizar. Foi o resultado,também, de mudanças na história das mulheres judias e das mulheres ocidentais em geral, quando estas lutavam para conseguir o voto. Rito iniciado pelos reformistas, o bat mitzvá representa uma transgressão da lei rabínica e a conquista feminina de direitosiguais no plano religioso.
PDF

Anete Roese - PUC/MG
A pesquisa da teologia e da psicologia feminista para o cuidado espiritual e psicoterapêutico (feminista)
Mulheres e homens sempre buscaram, e buscam cada vez mais, orientação, ajuda e socorro nas igrejas, através do aconselhamento de cunho religioso e espiritual; bem como, buscam assistência nos consultórios de psicologia. Igrejas e comunidades são espaços de encontro, de relacionamento, de busca de ajuda e de cura. Todos estes espaços de cuidado e orientação sempre tiveram um caráter altamente androcêntrico: as teorias psicológicas e teológicas e suas orientações implícitas e explícitas têm como base e referência valores de um mundo centrado numa cultura de gênero estereotipada. Pergunta-se como a teologia e a psicologia feministas têm analisado esta questão. O que sofrimentos de mulheres têm a ver com o sistema de gênero feminino? Qual é o sofrimento dos homens que resulta de ideologias de gênero? Como grupos de mulheres e de homens no âmbito das igrejas podem encampar um cuidado atento para rumos que significam cura em termos de reordenação de sistemas e estruturas relacionais? O modo feminista de cuidar, desde a psicologia e a teologia, vai problematizar o que se produz nos vínculos sociais; vai nomear sofrimentos desde a interpretação de estruturas de gênero em desequilíbrio social, e vai indicando caminhos de reinvenção de modelos. A teoria feminista enfoca o cuidado desde a perspectiva de gênero e agencia novas propostas hermenêuticas de entendimento e integração da vida relacional. As teorias feministas oferecem uma hermenêutica singular dos conflitos relacionais, crises e sofrimentos humanos que emergem diante de contextos sociais específicos. Teólogas e psicólogas feministas estão convencidas, desde sua atuação acompanhamento de pessoas no âmbito de consultórios e comunidades, que uma grande porcentagem dos sofrimentos psicológico-espirituais que são acolhidos nestes espaços são conseqüência de papéis e modelos de gênero estereotipados impostos a mulheres e homens.
Estas perguntas e questões são aprofundadas pelas teorias de gênero a partir do diálogo entre a psicologia e a teologia feministas.
PDF

Célia Santana Silva - UEFS
Identidade feminina no contexto pentecostal da Assembléia de Deus
As reflexões são feitas a partir do resultado de uma pesquisa realizada em Recife-Pernambuco, com algumas mulheres pentecostais da Assembléia de Deus, em dois bairros de distintas condições sócio-econômica: a Torre, bairro de classe média e a Várzea, um bairro popular, com o objetivo de analisar o processo de reelaboração da identidade feminina nesse contexto pentecostal. Essa diferenciação teve grande influência na análise, pois, a partir do nível de renda, escolaridade e situação conjugal, e tempo de conversão ao discurso pentecostal, pudemos perceber que a identidade não é estática nem homogênea. Mas que se constitui no processo de vida cotidiana, sendo elaborada através dos conflitos, disputas e negociações presentes em cada história de vida. Portanto, as atitudes, comportamentos, discursos e estratégias utilizadas por essas mulheres, para manutenção e reelaboração da sua identidade nos convidam a lançar um novo olhar tanto sobre as relações de gênero, quanto aos efeitos causados pelo pentecostalismo à sociedade em geral.
PDF

Diana Nogueira de Oliveira Lima - UFRJ
“Uma vida melhor para a família”: notas sobre a masculinidade em um escritório evangélico
O estímulo a uma vida mundana em abundância e à iniciativa “empresarial” como estratégia para o seu alcance são centrais na fórmula pastoral da Igreja Universal do Reino de Deus. Neste trabalho, parto de elementos etnográficos obtidos em um escritório de venda de seguros do Rio de Janeiro integrado por fiéis da IURD – homens e mulheres - oriundos das classes populares e das narrativas masculinas sobre “atitude” para pensar sobre as concepções de família e masculinidade implicadas na cosmologia da “prosperidade”.
PDF

Edelu Kawahala - UNESC
Nos ventos de Oyá, no axé das iabás: o feminino nas religiões de matriz africana
A religiões de matriz africanas configuram-se como um importante espaço na constituição de sujeitos genereficados na sociedade brasileira. A partir da compreensão de gênero com uma construção social e do feminino enquanto diversidade de possíveis, buscou-se levantar a diversidade de constituições
do feminino nos orixás. Para tanto utilizou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica e de internet, além de entrevistas e observações participantes em terreiros, nos quais procurou perceber-se qual as
características de cada orixá feminino. Como resultados parciais percebemos que muitas vezes esta representação do feminino irá transgredir o modelo convencional do ser mulher, da mãe, da esposa fiel, da fragil. Portanto ser de Iemanjá, Nanã, Oya, Oxum, Obá e Ewa...trará imensa possibilidades na
constituição destes sujeitos generificados.

Grazielle Tagliamento, Giselli Mânica, Janaína Rocha Furtado - UFSC
Entre o sagrado e o profano - o homem e a mulher: uma análise de discurso dos textos bíblicos
Alguns textos produzem grande impacto nas práticas de uma sociedade, por instituírem “verdades” que afetam toda uma população, como por exemplo, os textos bíblicos. A analise aqui apresentada tem como foco a relação homem-mulher nestes textos, levando em conta os momentos em que surge, em que interstícios discursivos, quais são suas regras de formação. A análise destes discursos demonstra que mesmo com a distância temporal existente entre a escritura dos livros bíblicos, em todos os livros, a mulher possui o atributo de submissão e o homem o de ser o cabeça da família, da mulher. É possível verificar que em todos os discursos o pecado sustenta a submissão da mulher ao homem, sustenta o governo dos homens sob as mulheres, como forma de vigiá-las, além de sustentar o trabalho, o provimento da família pelo homem como forma de pagar por seu pecado.
PDF

Isabel Aparecida Felix - UMESP
A função desmistificadora da hermenêutica feminista da suspeita
A hermenêutica feminista da bíblia faz uso de diversos passos hermenêuticos em sua arte de interpretar. Neste texto queremos abordar de maneira especial a hermenêutica da suspeita, utilizada pela hermenêutica feminista crítica da libertação. Questionar, desmistificar e desmascarar as funções ideológicas das estruturas multifacetadas e multiplicativas da opressão e dominação inscritas nos textos bíblicos, em nossas vidas e nas diversas e diferentes interpretações, é um dos principais objetivos desta hermenêutica feminista. Esta interpretação crítica feminista não defende a autoridade bíblica, mas busca gerar discursos críticos que possam proclamar a autoridade teológica também das experiências de lutas por mais vida de todas as pessoas. Pois para a hermenêutica feminista da bíblia, interpretar implica sair das relações de dominação, submissão e exclusão, e caminhar em direção a construção de espaços democráticos, inclusivos, abertos a todas as pessoas independentes de sexo, raça, etnia, classe social e  idade, no compromisso com a justiça. Essa mudança de paradigma nos dá uma noção diferente de autoridade e verdades bíblicas. PDF

José Eustáquio Diniz Alves - ENCE/IBGE
A dinâmica das filiações religiosas no rio de janeiro 1991-2000: um recorte por educação, cor, geração e gênero
O objetivo deste artigo é analisar a dinâmica das filiações religiosas no Rio de Janeiro entre 1991 e 2000, segundo os dados dos censos demográficos, dando ênfase aos recortes de educação, cor, geração e gênero. Os dados mostram que o estado do Rio de Janeiro está na ponta das transformações religiosas que ocorrem no país, sendo que os evangélicos, em especial os pentecostais, constituem a corrente religiosa que mais cresceu na cidade e no Estado do RJ, nos anos 90. O artigo mostra que, existem diferenças de cor, educação, geração e gênero, entre as principais correntes religiosas, o que inclui os “sem-religião”. A compreensão das características demográficas dos diversos grupos religiosos é fundamental para o entendimento da dinâmica das religiões e seu processo de diversificação, assim como para se ter uma idéia das perspectivas para o início do século XXI.
PDF

Luciane Cristina de Oliveira Almeida - UNESP
Virgem e/ou mãe – premissas carismáticas
A Renovação Carismática Católica (RCC) surge da preocupação de docentes e discentes, de uma universidade americana, com a escassez das manifestações do Espírito Santo na modernidade, além do abrandamento das normas eclesiásticas, após o Concílio Vaticano II. Esse movimento de reação é fundando sob normas morais de conduta, resgatando um catolicismo que parecia enterrado. Os(as) carismáticos(as) são marcados pelo antes quando impuros, e pelo depois de conhecerem o Espírito Santo, da Renovação de suas vidas. Porém, para distingui-los(as) dos(as) outros(as) pentecostais, a RCC adotou o ícone feminino: Maria - a virgem e mãe de Cristo, um exemplo de conduta a ser seguido pelas mulheres carismáticas. Graças a isso, as mulheres carismáticas vêem-se submetidas às regras da sociedade patriarcal, devem seguir o exemplo santo de Maria, serem castas e dedicarem suas vidas às tarefas divinas ou constituírem uma família sob as bênçãos divinas, para assim, poderem exercer a sublime missão de serem mães e darem continuidade ao projeto do criador. Porém em ambas as opções, elas não podem se importar em terem suas vidas transcuradas, tendo a visibilidade de suas ações restrita às atividades privadas, deixando apenas ‘virtudes’, como contenção, descrição, doçura, passividade, submissão, pudor e silêncio, transparecerem na vida pública. Portanto, o objetivo desta comunicação será demonstrar a construção das relações de gênero dentro do universo carismático, porém evidenciando as normas de conduta moral as quais as mulheres são submetidas.
PDF

Margareth de Almeida Gonçalves - UFRRJ
Hagiografia e escrita feminina no Brasil oitocentista
Esta comunicação propõe uma reflexão histórica de uma modalidade de narrativa que encontrou no padrão hagiográfico um roteiro de organização da escrita sobre a vida de mulheres religiosas. As memórias e biografias religiosas escritas por mulheres acerca de outras mulheres formam um gênero literário que se difundiu ao longo dos séculos XVI e XVII no mundo luso. Esta apresentação analisa as condições de produção de uma memória de Jacinta de São José, uma religiosa que foi a fundadora de um convento de carmelitas descalças no Rio de Janeiro do século XVIII, através de um manuscrito escrito por uma companheira de clausura, Inácia Catarina. Busca-se discutir os mecanismos de operação de uma escrita que, na tradição do relato hagiográfico, destaca o tema da exemplariedade de vida religiosa enquanto associado às qualidades de virtude e perfeição que organizam o ideal de santidade.
PDF

Maria Cristina Leite Peixoto - UNI/BH
Modelos femininos de santidade católica contemporânea
O trabalho ora apresentado originou-se de tese de doutoramento acerca das propostas contemporâneas de santidade católica, incrementadas a partir do pontificado de João Paulo II (1978-2005). O caso da estudante mineira Isabel Cristina Mrad Campos (1962-1982), proposta à canonização a partir de martírio sofrido, segundo interpretação da Igreja, remete à mais remota tradição cristã e busca constituir-se num modelo para a juventude. Nessa proposta a mulher aparece ainda como foco de controle da sexualidade, apesar da inobservância sistemática dos preceitos católicos em matéria sexual no mundo contemporâneo, dificultador da manutenção das tradições religiosas e que disponibiliza aos indivíduos uma série de referências comportamentais.
PDF

Maria Regina Azevedo Lisbôa - UFSC
Guerreiras e servas na busca do equilíbrio
O texto versa sobre as construções do ‘ser mulher’ que circulam entre lideranças femininas da Assembléia de Deus e a ligação destas construções com a visão de mundo que está presente nesta denominação religiosa, centrada na idéia da existência de uma ‘luta’ sem trégua entre o bem (divino) e o mal (mundano). Uma idéia que estabelece fronteiras bem demarcadas entre ‘nós’ e as ‘outras’, assim como significados específicos sobre os valores de liberdade, igualdade e individualidade presentes no ideário que inaugura a modernidade e que têm relação com o olhar destas mulheres sobre o feminismo. O reconhecimento de que a “cura da alma” é condição para o ‘desenvolvimento espiritual’ e a conseqüente vitória do bem, é outra idéia que tomo como central para a compreensão dos significados de gênero que são engendrados no grupo.
PDF

Nadia Maria Guariza - UFPR
A representação de Maria nas publicações católicas do século XX
No século XX a representação mariana foi recorrente no discurso católico oficial e nas publicações sob sua supervisão. As publicações católicas do início do século tenderam a atribuir um espaço às margens para as mulheres, pois compreendiam o gênero feminino como de natureza inferior e de propensão ao pecado. Neste sentido, a representação de Maria tornou-se um modelo de castidade e de regeneração feminina por intermédio da maternidade. No entanto, a partir do Concílio Vaticano II (1963-1965) a perspectiva da Igreja Católica sobre o feminino modificou-se, conferindo uma interpretação “positiva” sobre a mulher, concomitantemente com a emergência da Teologia feminista. Portanto, a presente comunicação pretende comparar publicações católicas que tratem da representação de Nossa Senhora no período anterior e posterior ao Concílio Vaticano II.
PDF

Neusa Cursino dos Santos Steiner - PUC/SP
A poesia de Adélia Prado: religião, tradição e transgressão
Esta apresentação é parte da dissertação de mestrado“A poesia de Adélia Prado: um poder infernal”, defendida em outubro de 2005, no programa de Ciências da Religião da PUC/SP. O título escolhido agora sugere o recorte que pretendemos dar, dentro do que foi ali colocado. Queremos apontar alguns conflitos aparentes em sua poesia e que constituem o cerne vivo de seu estilo, ao mesmo tempo profundo e instigante. Para tanto, associamos suas imagens poéticas com questões intrínsecas relativas à relação entre as mulheres e a Igreja Católica, bem como as angústias e questionamentos femininos resultantes deste confronto. Buscamos nas imagens de Eva e Maria a representação de mitos católicos que traduziram preconceitos e apontaram caminhos para a vida das mulheres no ocidente cristão. A culpa e a castidade que elas representaram serão observadas na poesia através do erotismo por um lado, e da construção do cotidiano feminino por outro. Adélia Prado, em seus poemas e declarações, se apropria da religião que professa enquanto a profana e reinventa, conferindo assim força e significado a sua vida de mulher e poeta. Desta forma ela dialoga com a igreja, o padre e as beatas de sua cidade natal, afirmando e negando o que representam e, procura traduzir criticamente, os princípios da fé no ambiente familiar em que foi criada sem, no entanto, afastar-se totalmente deles. Finalmente Adélia é uma provocação ao feminismo de sua época, às teorias da igualdade entre homens e mulheres. No entanto, muitas de suas polêmicas afirmações podem hoje ser discutidas sob outro prisma, observando as transformações que o feminismo vem passando nestes últimos anos. Isto confere uma atualidade surpreendente à sua obra, tornando-se uma boa controvérsia para encerrar nossas colocações.
PDF

Olga Consuelo Velez Caro - Universidad Javeriana de Bogotá
A mulher em documentos eclesiais. Desafios para a construção de uma Igreja de todas e todos
A participação da mulher na vida da Igreja é um fato inegável. Porém, como na sociedade civil, a mulher herdou o estereótipo de ser destinada unicamente “à procriação e aos trabalhos domésticos”. Isto tem impedido que, muitas vezes, ela seja considerada “sujeito” da vida eclesial. Este artigo parte desta realidade e apresenta, a partir de alguns documentos do ensino papal (Leon XIII, Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II), a maneira como se tem concebido a mulher e seus papéis na vida social e eclesial. Destacam-se as contribuições dos documentos do Vaticano II, de Medellín e de Puebla na superação de estereótipos em relação à mulher. Estes documentos, na verdade, oferecem um horizonte libertador, que pode contribuir decisivamente para outra concepção do papel da mulher na vida eclesial. Assim mesmo, o gênero, como categoria de analise, contribui numa outra visão da mulher e seu protagonismo na vida eclesial. Desde esta reflexão, propõe-se novas maneiras de ser sujeito eclesial e de trabalhar por uma comunhão na que seja possível novas relações genéricas para um novo rosto eclesial.
PDF

Raquel dos Santos Sousa Lima - UFF
Entre o discurso religioso e a prática: representações e apropriações de homens e mulheres devotos de Santa Rita de Cássia em Viçosa (Minas Gerais)
Pretendemos focalizar as apropriações e representações tecidas por devotos de Santa Rita de Cássia, em relação à história de vida que a Igreja narra sobre a santa. Considerando que a obediência, a submissão e a resignação são enfatizadas nas várias etapas de sua vivência como mulher (filha, noiva, esposa e mãe), investigamos como devotos e devotas se apropriam dos modelos de conduta feminina sugeridos nesta narrativa, e buscamos apreender em que medida eles as traduzem em práticas sociais no cotidiano. Essas reflexões têm sido desenvolvidas na dissertação intitulada “Oh! Que imitem a Santa Rita de Cássia as mulheres de nosso tempo!”: um estudo sobre o discurso católico, as representações e práticas de devotas na cidade de Viçosa, orientada pela professora Dra. Rachel Soihet, no Mestrado em História Social, na Universidade Federal Fluminense.
PDF

Salma Ferraz - UFSC
Maria Madalena perfume de eternidade
" A presente comunicação pretende analisar O conto Amor ao Amor, incluído no livro PErfume de Eternidade - Contos sobre Cristo do autor catarinense Julio de Queirós, publicado em 2006, sob a perspectiva das relações de gênero e religião. Afinal que é esta polêmica mulher - Maria Madalena? Por que esta polêmica ? Quais os esteriótipos usados pela religião cristã para nomear esta mulher? Madalena é um adjetivo de Maria?
PDF

Sônia Cristina Hamid - UnB
Gênero e islamismo: a influência da religião nas construções identitárias de mulheres árabes em Brasília
Entender o processo de construção identitária de mulheres imigrantes e descendentes árabes em Brasília, este foi o principal objetivo do artigo. Para tanto, analisou-se as concepções sobre as relações de gênero, construções de masculinidade e feminilidade e idealizações em relação ao trabalho e estudos. Nesse sentido, constatou-se a influência da religião islâmica nos desejos, concepções e comportamentos dos sujeitos, marcando nitidamente os sexos e contribuindo para construções de gênero diferenciadas. Identificou-se também distinções na maneira de conceber a religião entre imigrantes e descendentes, tendo em vista a relação estabelecida com os brasileiros. Em grande medida, esse trabalho contribui para perceber como o islamismo atua no gênero e é ressignificado por descendentes e imigrantes num contexto ocidental.
PDF

Stênio Soares - Université Lumière Lyon 2
“Os valores androcêntricos e a (re)construção simbólica da Pomba-gira”
A presente comunicação tem como objetivo refletir os valores sociais que são (re)roduzidos no espaço simbólicos das religiões afro-brasileiras, através do culto ao seu feminino sagrado. Valores estes inculcados de uma construção social brasileira aos aspectos de distinção de gênero e sobretudo de discursos que reafirmam a dominação simbólica masculina, nas várias camadas culturais, entre elas a religião. Trataremos, como recorte espacial da nossa experiência etnográfica realizada nos últimos três anos, de alguns terreiros de culto afro-brasileiro da capital paraibana, João Pessoa. Com isso, permitiremos compreender, através de análises socio-antropológicas, os discursos usados pelos religiosos para explicar as características mitológicas da entidade Pomba-gira, sua presença na cosmologia da religião e por consequência o rito que atualiza o mito no seu contexto cultural. Apresentaremos o seguinte esquema para compreensão do objeto: uma breve apresentação histórica sobre a influência da umbanda nos cultos afro-brasileiros de João Pessoa, as noções de etnocenologia presentes em vários autores que compreendem esta religião enquanto “palco” para personagens do imaginário cultural brasileiro, seus aspectos de justaposição e sobreposição de discursos religiosos que permitem a (re)produção de personagens sociais, aos quais encontramos os aspectos simbólicos da construção de gênero e a violência simbólica androcêntrica encontrada na sexualização das carreiras profissionais, nas piadas e provérbios populares paraibanos. Através deste panorama poderemos, por fim, analisar no rito, enquanto mise-en-scène desta cosmologia e retorno ao contexto social tratado, a presença de “personagens femininos”, siganas, professoras, prostitutas, jovens estudantes, donas-de-casa, que transcendem os valores simbólicos classificados como “vulgar”, “tentador”, “impertinente”, etc, até os “modelos ideais” de ser “uma mulher séria”. Trata-se de um convite à reflexão sobre a dominação simbólica masculina presente nas religiões que entre tantas outras características, liderança e forte presença da mulher, feminino sagrado autêntico e respeitado, supreenderam etnólogos quando se permitiam revelar à sociedade o feminino social nos seus mais diversos aspectos.
PDF

Tânia Welter - UFSC
Reflexões sobre o movimento devocional da Ladeira do Pinheiro em Portugal
Esta comunicação visa abordar, a partir de dados empíricos e da literatura, o processo de consagração popular da vidente e camponesa Maria da Conceição em santa viva, Nossa Senhora na Terra, o conflito com a Igreja Católica Romana e a legitimação e instalação da Igreja Católica Ortodoxa no santuário na Ladeira do Pinheiro em Portugal. Este processo iniciou em 1962, quando esta apresentou-se como profeta e mensageira de Deus e dos santos na terra. Esta condição promoveu um movimento de adesão por parte de crentes vindos de toda Europa e América do Norte (entre eles, sacerdotes, padres e bispos) que reconhecem e respeitam-na como mãe (chamada carinhosamente de mãe Maria), conselheira, mediadora, autoridade e se submetem às mensagens divinas e aos rituais criados por ela.
PDF