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ST24 B - Gênero e Religião

Coordenadoras:     Maria José F. Rosado Nunes (PUC/SP)
                               Maria Regina Azevedo Lisboa (UFSC/SC)

Resumo

Nos últimos anos, os estudos de gênero têm contribuído de maneira significativa para a introdução de novas abordagens da realidade em todos os campos do conhecimento. Os estudos de religião também têm sido influenciados por essa perspectiva de análise. A inclusão do estudo de gênero nas pesquisas sobre as religiões vem construindo uma importante área de reflexão. Abrem-se, assim, novas possibilidades teórico-metodológicas de abordagem das questões culturais de modo geral e, em particular, dos discursos e práticas religiosas. Existe uma tendência nos meios acadêmicos a restringir o  uso da categoria gênero à investigação dos papéis desempenhados por homens e mulheres na sociedade. A conexão entre questões de gênero, feminismo  e os conteúdos da ciência, entretanto, deve ultrapassar tais limites. Faz-se necessária a abertura de novas frentes de investigação que  dêem conta dos problemas da sociedade contemporânea pela inclusão dessa perspectiva de análise. Propomos o presente Simpósio Temático com o objetivo de criar um espaço de visibilidade e debate entre pesquisadoras/es que realizam investigações numa ótica de gênero em diferentes disciplinas e abordando os mais variados temas. Pretendemos, dessa maneira, contribuir para traçar um panorama das tendências nesta área, seus limites, aberturas e, além disso, incorporar uma consciência crítica de gênero no cotidiano amplo da construção do saber científico.

Trabalhos

Adilson Rogerio do Amaral - PUC/SP
As mulheres e a umbanda: o sacerdócio do anonimato
O que pretendo abordar neste texto é a discriminação sofrida pelas sacerdotisas de Umbanda, tanto pela sociedade em geral, quanto pela própria academia. Para tal, traço um paralelo entre o tratamento dado às sacerdotisas do Candomblé e as sacerdotisas de Umbanda, por estes dois seguimentos. Dividi em três itens a discussão, o primeiro item o qual denominei de Onde nasce a Impureza, faço uma busca histórico-filosófica desta visão de impureza atribuída as mulheres. No segundo, A mulher e a Umbanda, levanto o perfil das sacerdotisas de Umbanda no interior de São Paulo. O terceiro item A construção da diferença, traço um paralelo entre os cargos de sacerdotisas do candomblé e a Umbanda e as conclusões.
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Adriana Kuhn - EST/RS
A sexualidade na história da Igreja
A sexualidade, em especial o que diz respeito à questão dos direitos reprodutivos das mulheres, é um tema que encontrou pouco espaço de discussão no âmbito eclesial. Isso não significa que ele não tenha sido de uma ou de outra forma comunicado, pois o próprio silêncio é uma forma de dizer o valor que é dado para esse assunto. Por outro lado, percebemos que o tema é também abordado a partir do viés da proibição. Herdamos, especialmente do cristianismo, textos, histórias e tradições que serviram e continuam servindo, muitas vezes, para justificar e sustentar o controle e violência dos corpos femininos. O trabalho tem por objetivos aprofundar a reflexão histórico-sistemática sobre a sexualidade e direitos reprodutivos, e provocar com a discussão sobre o tema a desconstrução de conceitos e o questionamento dos sistemas de vigilância dos corpos. Além disso, buscar nas histórias de luta das próprias mulheres caminhos para a superação da violência e controle dos corpos das mulheres dentro das igrejas.
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Ana Lívia Vieira Rodrigues - UFBA
As religiosas nas comunidades eclesiais de base: meros apêndices dos padres?
Os estudos sobre as comunidades eclesiais de base – cebs – são indicativos da situação de desigualdade da mulher dentro da igreja católica. São elas que fundam e animam novas comunidades de base em todo o brasil, porém são vistas geralmente como substitutas dos padres. O relacionamento entre as freiras e a hierarquia é muitas vezes conflituoso, marcado pelo clericalismo, cabendo quase sempre aos padres a última palavra. Em caso de um conflito que seja necessário a substituição do sacerdote ou da religiosa, pela tradição de só ter homens nos espaços de poder da instituição, a comunidade vota a favor do padre ou prefere o silêncio. Porém, isso não significa que as freira não tenham grande prestígio e simpatia do povo. O medo da perda da unidade é um fator também decisivo em momentos de tensão, onde a hierarquia é quem dita as regras, mesmo quando as decisões são tomadas em conjunto, como é comum nas cebs.
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Aparecida Vandréia Silvério Dias - UFG
A fundação da Casa de Goiânia: um novo caminho para o Instituto das Irmãs Catequistas de Nossa Senhora da Visitação
O Instituto das Irmãs Catequistas foi fundado pela irmã Yolanda (então dona Yolanda) e por frei Conall O’Leary, em 1962, como pia-união, onde se tinha a intenção de vivenciar os votos (pobreza, castidade e obediência) realizando obras de catequese na zona urbana e rural da cidade de catalão. Em 1964 o grupo foi reconhecido como instituto religioso pelo arcebispo de Goiânia, dom Fernando G. dos santos. No presente trabalho pretendo discutir a fundação de uma casa das irmãs catequistas na cidade de goiânia, em goiás, em meados da década de 1970, e suas conseqüências na vida das irmãs. Terei como fonte de pesquisa os documentos do arquivo do instituto, como cartas, relatórios de despesas do instituto das irmãs e da casa de Goiânia e fontes orais.
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Caetana Maria Damasceno, Tatiane dos Santos Duarte - UFRRJ
"Nós do gênero": Agências femininas em rituais de politização pentecostal
Este trabalho trata da análise dos papéis desempenhados por algumas mulheres, durante o “tempo da política” (PALMEIRA & HEREDIA, 1997), de 2004, em um município da Baixada Fluminense/RJ e, posteriormente, durante o ano de 2005 – marcado pelas tarefas de re-estruturação do poder local, em função da eleição de novo prefeito e novos vereadores. Procederemos, então, à descrição etnográfica de situações sociais, envolvendo diferentes atores vinculados às religiões pentecostais – tanto no "tempo da política" quanto depois dele – para, em seguida, puxar alguns fios que permitam repensar o lugar das chamadas relações de gênero no universo da política, em conexão com o da religião. No plano teórico, interessa-nos repensar aquelas relações a partir da interseção das noções de Pureza e Perigo proposta por Mary Douglas (1976) e da “natureza imaginária do gênero” proposta por Mariza Corrêa (2003).
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Carlos José Borges Silveira - FURG
Sexualidade e gênero na revista Mundo Jovem
Nesse trabalho, tenho como propósito analisar os discursos referentes à sexualidade e aos gêneros nos textos da Revista Mundo Jovem, no período de 1993 a 2006. Nesse estudo, estou entendo a sexualidade, as identidades de gênero e sexuais não como registros apenas biológicos, e sim como construções que vêm sendo modificadas através do processo histórico-cultural. Nesse sentido, existe uma multiplicidade na construção do ser em diferentes contextos como: etnias, tradições passadas por gerações, desigualdade de classes sociais e crença religiosa. Na análise das revistas pude perceber que os assuntos ficaram centrados na questão do aborto, das doenças sexualmente transmissíveis, da prostituição, do emprego para homens e mulheres, da mídia, buscando desta forma oferecer suporte para os jovens com relação a essas temáticas.
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Clarice Bianchezzi - UDESC
Religiosas dissidentes: memórias de tensões na Igreja Católica de Florianópolis (1968-1978)
A Igreja Católica pós Vaticano II e Medellín, abre muitos espaços para a atuação dos religiosos.Uma delas é nas periferias, onde a pobreza impera e o abandono é tanto da instituição católica quanto do governo. Um grupo de religiosas da Congregação das Irmãs da Divina Providência, em Florianópolis, ousa pensar num trabalho que contemple os incentivos desses dois documentos da Igreja, trazendo para sua ação pastoral a linha da educação libertadora indo ao encontro dos pobres onde eles vivem: nas favelas. O conflito torna-se inevitável com a ala conservadora dessa Congregação, e se arrasta de 1968 a 1978, quando esse grupo se desliga da Congregação das Irmãs da Divina Providência e funda a Fraternidade Esperança.
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Cristiana Tramonte - UFSC
Gênero e diversidade nas religiões afro-brasileiras na grande Florianópolis
Analisa-se a complexidade do fenômeno da liderança e hegemonia femininas nos terreiros das religiões afro-brasileiras. Ao contrário do catolicismo, no qual o gênero feminino ocupa posição inferior na hierarquia religiosa, entre o povo-de-santo as chefias de centro em sua maioria pertencem às mulheres. Na opinião dos adeptos, existe imensas dificuldades que parecem conspirar para colocar o indivíduo do gênero masculino, especialmente o heterossexual, numa posição secundária ou até mesmo excluí-lo do grupo religioso. Fazendo um corte transversal na história das religiões afro-brasileiras na Grande Florianópolis, pode-se constatar que as mulheres tiveram o predomínio quase absoluto entre as primeiras praticantes identificadas com as raízes espirituais afro-brasileiras e na liderança dos terreiros. Analisa-se a situação de grande marginalização social da mulher no mundo e especificamente no Brasil nas décadas de 40 e 50 do século XX, o que se agravava na então provinciana Florianópolis, que nesta época ficava fora do circuito de influência das transformações de costumes e valores que principiavam a ocorrer nas grandes cidades. A exclusão da mulher agrava-se conforme sua condição étnica e de classe. Ou seja a mulher negra e pobre é ainda mais excluída se comparada a outros grupos étnicos – notadamente os descendentes de europeus – e as integrantes das classes médias e altas. Neste contexto, é grande a dimensão da importância do espaço religioso afro-brasileiro para a condição social da mulher local. Enfoca-se o caso da pioneira Mãe Malvina, mulher jovem, negra e pobre que tornou-se, através da influência religiosa, uma figura pública de reconhecimento e poder inquestionáveis, reverenciada e considerada por boa parte da sociedade local. O trabalho analisa ainda a relação com os homossexuais nos terreiros de religião afro-brasileira enfocando ainda o caso específico de Painho. um personagem estereotipado consagrado na mídia nos anos 80.
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Daniela de Oliveira Rezende - UFPR
As formações discursivas na constituição dos sujeitos das comunidades eclesiais de base: um olhar sob a perspectiva de gênero
O presente estudo problematiza a experiência das mulheres, comparadas geracionalmente, quanto às suas representações em relação ao poder e ao “ser mulher” nas comunidades eclesiais (ceb’s) de curitiba-pr. A investigação parte do pressuposto de que a inserção das mulheres nas ceb’s, enquanto projeto de igreja, voltado para a transformação social possibilitou, por um lado, a emergência de uma consciência cidadã e de uma estrutura de reconhecimento da primeira geração dessas mulheres, porém com pouca ou nula assimilação das influências das teologias feministas e de construções relativas a genêro. Já num segundo momento da trajetória das comunidades, com a descontinuidade de discursos favoráveis às ceb’s por parte da igreja, e imersas numa distinta realidade política e social, tais comunidades redefinem suas práticas e incorporam novas formações discursivas que orientam um novo tipo de assujeitamento e possibilidade de representação outra da mulher.
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Joice Meire Rodrigues - UNEC
“Civilizar era preciso” - a educação feminina no Colégio Nossa Senhora do Carmo (1938)
Até o final do século XVIII, a educação para as meninas era proibida e desnecessária. No entanto, após um longo histórico de exclusão, com o advento de colégios específicos em educação feminina, as moças deixaram seus lares e afastaram-se do olhar vigilante de seus pais para viverem em colégios internos. Estes estabelecimentos tiveram como objetivo “civilizar” a mulher através da educação e da prática cristã, contribuindo amplamente para que a ordem moral se estabelecesse. Pretendo destacar as origens e características do modelo educativo religioso, importado da França, adotado por colégios sul-americanos como parte uma estratégia de transmissão de valores, crenças, tradições e privilégios de classe. Destacando a importância destas instituições religiosas, que marcaram determinadas épocas, contribuindo para o acesso da mulher no espaço público.
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Kelly Cristina Teixeira - UFJF
A república das mulheres no reino de deus: divórcio, modernização e religião em Juiz de Fora (1890-1916)
Esta comunicação busca apresentar uma análise das contradições entre as propostas de um estado laico com a proclamação da república de 1889, observando-se as separações conjugais e a interferência de preceitos católicos na configuração destas. Abordaremos o decreto-lei 181 de 24 de janeiro de 1890 que estabeleceu o casamento civil no país, priorizando os artigos que tratam sobre o divórcio mensa et horo; as propostas de divórcio a vínculo e seu debate na esfera política, religiosa e social. Bem como aposição da mulher diante destes fatos e seus argumentos ao iniciar uma ação de divórcio na cidade de juiz de fora.
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Lígia Bellini - UFBA
Espiritualidade, autoridade e vida conventual feminina em Portugal no antigo regime
A comunicação discute aspectos da espiritualidade cristã e da vida conventual feminina em Portugal, a partir de escritos de e sobre religiosas dos séculos XVII e XVIII, em especial memórias de mosteiros do ramo franciscano e apresentações comentadas dos seus regulamentos. São abordados, entre outros temas, elementos da rotina monástica, as possibilidades e os rigores vivenciados pelas mulheres que optassem pelo ingresso no convento, mecanismos pelos quais as religiosas podiam adquirir autoridade no mundo masculinizado do catolicismo, assim como a coexistência entre a via mística e uma tendência ascética.
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Luciano Koji Abe, Priscila Lopes da Silva, Maria José Rosado-Nunes - PUC/SP
Direitos das Mulheres e Ideário Católico
Trata-se da apresentação de uma pesquisa cujo objeto é a questão das relações do Catolicismo com os valores da democracia moderna. Analisa-se especialmente a afirmação da autonomia individual e das liberdades democráticas, que estão na base das reivindicações das mulheres desde o século XIX. A hipótese que orienta esse estudo é a de que os limites da Igreja católica para a incorporação desses valores podem explicar, ainda que parcialmente, sua dificuldade para assimilar a invocação dos direitos das mulheres de maneira mais ampla. A pesquisa busca tanto identificar a capacidade de assimilação e os limites do Catolicismo para a incorporação do ideário democrático expresso nas reformulações do conceito de direitos, como também analisar a trajetória e a assimilação do ideário feminista em relação, especificamente, à questão dos direitos. O texto apresentará o resultado da análise dos livros utilizados nos Cursos de Verão organizados por um centro de pastoral localizado em São Paulo – CESEP. São 18 livros, publicados a cada ano, entre 1988 e 2005. A análise desse material tem como objetivo ampliar a discussão teórica sobre as relações complexas entre religião, democracia e direitos das mulheres, tomando o Catolicismo brasileiro contemporâneo como campo de estudo.
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Luzmila Quezada Barreto - EST/RS
A vivencia da corporeidade no culto pentecostal; estudo de caso da igreja Deus é amor
Toda experiência do sagrado se vive através da experiência corporal. Não existe culto onde o corpo e as expressões corporais estejam separadas, mas são as igrejas como instituição os espaços normativos disciplinadores que controlam, culpabilizam os corpos; devido a uma racionalidade dualista que qualifica como pecaminoso ao corpo. Isso cria um discurso ambíguo e contraditório, porque à vez que podem dar sentido e ser um potencial para o empoderamento das mulheres que foram violentadas, exploradas, que estão doentes e sozinhas, a sua vez cria um sentimento de culpa e victimização. Isto faz que se viva uma individualidade dividida, onde se privilegia o espírito de forma espiritualizante e se sacrifique o corpo.
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Maria das Dores Campos Machado, Verônica Gimenez - UFRJ/CEIL Argentina
Mulheres e o catolicismo: uma análise comparativa da participação feminina em grupos religiosos no Brasil e na Argentina
Trata-se de uma análise do engajamento de mulheres católicas das camadas populares em movimentos religiosos no Brasil e na Argentina, com o objetivo de verificar a relação desse segmento social com as estruturas eclesiásticas, a política institucional, as ONGS e os movimentos sociais de caráter feminista. Nesse sentido, observando as particularidades histórico-culturais e econômicas das duas sociedades, realizaremos uma comparação das opiniões e representações das católicas sobre o lugar social das mulheres na tentativa de identificar as principais características das identidades femininas entre os pobres brasileiros e argentinos.
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Maria Gabriela Hita, Miriam Cristina Rabelo - UFBA
Representações religiosas sobre o abuso sexual em crianças e adolescentes
Se apresentarão resultados de pesquisa empírica sobre abuso sexual e religião em dois bairros pobres da cidade de Salvador desenvolvida através de uma pareceria entre a UFBA e o CEDECA (Ong de combate ao abuso sexual contra crianças e adolescentes), que busca compreender como distintos grupos religiosos compreendem o fenômeno do abuso sexual e quais os tipos de estratégias mais eficazes que podem ser desenvolvidas para seu enfrentamento. A partir de resultados de grupos focais e dados de entrevistas, serão analisadas as diferentes concepções que homens e mulheres pentecostais e de religiões afro-brasileiras têm sobre o tema do abuso sexual em geral e sobre os homens que cometem estes atos em particular.    
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Maria Goreth Santos - IBGE/RJ
Representações sobre sexualidade, casamento e família entre os solteiros evangélicos
O objetivo da pesquisa é analisar as representações que os solteiros evangélicos têm sobre sexualidade. O objeto dessa pesquisa são os solteiros evangélicos, homens e mulheres que são uma categoria dentro das Igrejas Evangélicos, cujos comportamentos devem refletir a ética e a moral das doutrinas ensinadas pelos líderes como testemunhos de fé e obediência à Bíblia. Por isso, o principal comportamento vigiado diz respeito à manifestação de sua sexualidade. Sendo a prática sexual pré-nupcial proibida aos evangélicos, o discurso proibitivo e a repressão seriam os principais meios de controle dos jovens solteiros. A pesquisa busca mostrar como os solteiros lidam com essa interferência da instituição em suas vidas privadas. Porque ainda há jovens que aceitam as regras da instituição mesmo tendo que passar por humilhações, como a correção doutrinaria, que pode chegar à exclusão do grupo. Dados preliminares (obtidas através de entrevistas com solteiros de diferentes faixas etárias) vêm mostrando que tem havido bastante mudança no comportamento desse jovens, tanto no que diz respeito ao que pensam sobre as proibições de suas lideranças religiosas, como no diz respeito ao seu relacionamento com a divindade, que vem indicando um novo lugar da Instituição, em suas vidas religiosas.
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Marilane Machado - UFSC
Companheiras na luta pela vida: a pastoral da saúde e a saúde da mulher
A Pastoral da Saúde é um grupo ligado à Igreja Católica do Brasil, está institucionalizado na Pastoral Social, um dos setores que compreende a linha seis - Social e Transformadora - da Conferência Nacional de Bispos do Brasil - CNBB. Este grupo religioso é em sua maioria formado por mulheres e tem como principal objetivo promover ações na área da saúde. Nos primeiros anos da década 90 a Pastoral da Saúde da região de Santa Catarina junto ao o Movimento de Mulheres Agricultoras de Santa Catarina tomaram a iniciativa da elaboração de uma cartilha tratando especialmente da saúde da mulher. Nosso principal objetivo neste artigo é uma análise desta cartilha, problematizando a visão da Pastoral da Saúde em relação à saúde da mulher e levando em consideração os conflitos de idéias que este grupo assume com a sua instituição religiosa de origem.
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Paulo Victor Leite Lopes - UERJ
Novas articulações entre religião e sexualidade: construções e experiências da homossexualidade entre membros de uma Igreja gay
A bibliografia das ciências sociais tem apontado a condenação da homossexualidade como um dos pontos comuns entre as diferentes religiosidades cristãs no campo religioso brasileiro. Contudo, um fenômeno já conhecido nos EUA tem atingido o Brasil. Nos últimos anos temos assistido a criação de igrejas evangélicas que se diferenciam, sobretudo, por uma postura liberal em relação à sexualidade. A aceitação da homossexualidade é parte de um discurso que visa apresentar estas igrejas como “inclusivas”. A proposta desta comunicação é trazer à discussão as representações de gêneros e sexualidades que circulam em um destes grupos localizado no Rio de Janeiro. Estarei interessado, sobretudo, nos nexos entre religião e sexualidade neste universo religioso minoritário. Para tanto, darei ênfase as falas rituais e às entrevistas do tipo história de vida com membros do grupo.
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Regina Soares Jurkewicz - PUC/SP e Católicas pelo Direito de Decidir
Abuso sexual de mulheres por padres no Brasil
Um dos principais problemas que a igreja católica tem enfrentado nos últimos anos, tem sido o abuso sexual cometido por padres. Esta pesquisa aborda, especificamente, a violência sexual cometida por padres contra mulheres. Tem como objetivo oferecer elementos para reflexão e questionamento sobre os procedimentos da hierarquia católica frente às denúncias desse abuso e violência. Analiso entre outros aspectos, as perspectivas legais, as reações de superiores religiosos frente às denúncias, os danos acarretados às denunciantes, as reações de comunidades católicas envolvidas e as perspectivas para romper o silêncio no brasil.
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Rosângela Aparecida Talib - UMESP
Um (im)possível diálogo entre a moral da Igreja Católica Apostólica Romana e a posição ética dos profissionais que atuam nos serviços de aborto legal
Nossa análise busca verificar a possível influência da moral preconizada pela igreja católica romana na implantação de políticas públicas relacionadas aos direitos sexuais e aos direitos reprodutivos, no Brasil. Nosso pressuposto é a de que a moral católica permeia o imaginário da população brasileira, uma vez que foi a religião hegemônica no país por IV séculos e ser ainda a denominação religiosa com o maior número de adeptos (73%), segundo dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último censo de 2000. Centraremos nossa atenção na problemática relação entre a moral preconizada pela religião católica romana e a ética que norteia a atuação dos/as técnicos/as dos serviços públicos de saúde que prestam atendimento as mulheres que decidem interromper a gravidez, amparadas pela lei. A legislação brasileira apresenta permissivos legais para a realização da interrupção da gravidez desde 1940. O Código Penal Brasileiro no artigo 128 dispõe que a interrupção da gravidez é considerada um crime contra a vida e passível de punição considerando apenas duas exceções para sua realização, com o consentimento da gestante e/ou seu representante legal no caso de incapacidade quando a gravidez é resultante de estupro ou quando existe risco de vida para a gestante. Apesar da permissividade legal para o atendimento das mulheres que decidiram voluntariamente interromper a gestação verificamos através de pesquisa de campo a influência dos valores católicos sobre a concepção de vida humana, na atuação dos profissionais de saúde atuam nos serviços de aborto legal no sistema público de saúde. A Igreja Católica afirma que a vida é um Dom divino e assim sendo, só Deus pode interferir no seu transcurso. Baseado no pressuposto da existência de um sujeito de direitos, uma pessoa, desde o momento da concepção a instituição religiosa tem realizado ações que visam interferir na implementação dos serviços de atendimento. A atuação da instituição tem interferido negativamente na qualidade do atendimento oferecido as mulheres brasileiras que contam com apenas 37 serviços em todo país, segundo levantamento realizado.
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Simone Silva Dorneles - IPA Metodista
O sujeito do discurso - um ensaio sobre religião, educação e gênero
O sujeito do discurso :um ensaio sobre religião, educação e gênero é um exercício de leitura, desde a perspectiva de gênero, do discurso de educação para a cidadania presente no documento Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista, capítulo do Plano para a Vida e a Missão da Igreja, promulgado no XIII Concílio Geral da Igreja Metodista no ano de 1982 no país. Neste trabalho utilizo os referenciais da teologia feminista da libertação e a análise de discurso, enquanto abordagem metodológica para a desconstrução do texto em estudo. E problematizo, a partir da crítica à lógica androcêntrica presente nos discursos e práticas instituídos na sociedade, o discurso educacional da mantenedora religiosa. Discurso confessional construído na década de oitenta no marco da Teologia da Libertação.
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Teresa Vicente-Mosquete - Universidad de Salamanca
Espacio, religion y genero en la construccion de las ciudades
La comunicación presenta los resultados de una investigación sobre la imagen de la mujer en la construcción del espacio urbano a través del estudio de los nombres de calles y el significado que implican para la identidad colectiva de la sociedad urbana en las nueve capitales de provincia de la región de Castilla y León, España. Las ciudades a través del callejero representan la memoria histórica del lugar pues dar nombre, diseñar un monumento o instalar una placa conmemorativa son ritos urbanos que impregnan permanentemente la imagen de la ciudad en sus habitantes. A juzgar por los nombres de calles, monumentos, plazas, las ciudades tienen poco que ver con las mujeres que, sin embargo, las habitan, las recorren, las construyen y las mantienen. En el estudio se ha constatado una desigualdad extrema en nombres de calles de mujeres frente a hombres, y en ellas, un predominio absoluto de nombres religiosos, frente a la mayor variedad de nombres civiles y laicos en las calles dedicadas a hombres en las ciudades.
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Valéria Melki Busin - PUC/SP
Homossexualidade, religião e gênero: a presença de elementos religiosos na construção da auto-imagem das e dos homossexuais
Homens e mulheres homossexuais brasileiros são criados numa sociedade que os exclui e marginaliza. Desde muito cedo, aprendem que homossexuais são doentes, anormais, pecadores. Na puberdade, aqueles que sentem atração por pessoa do mesmo sexo já internalizaram os preconceitos e sentem dificuldades para se aceitar e para serem aceitos, pois têm uma imagem negativa da homossexualidade e, portanto, de si mesmos. Em uma sociedade em que a maioria da população segue alguma religião cristã, deve-se considerar a importância da condenação religiosa da homossexualidade e seus efeitos sobre a auto-imagem de quem segue essa orientação sexual. É importante se ter em conta também as questões de gênero, pois num país sexista como o Brasil, o que se aproxima do feminino é desqualificado, visto como incompetente, frágil, menos importante.
Esse projeto tem por objetivo investigar qual é a influência do pensamento religioso cristão sobre a construção da auto-imagem das e dos homossexuais. Devido ao fato de o ideário cristão valorizar de forma diferente homens e mulheres, investigar-se-á se há diferença dessa influência para homens e para mulheres homossexuais. Para isso, será feito um levantamento do discurso cristão sobre a homossexualidade por meio da análise de discurso de cartas, documentos, declarações das hierarquias religiosas cristãs, dando-se ênfase àqueles que tiveram maior repercussão na mídia. Paralelamente, serão feitos grupos focais com homossexuais para se investigar a imagem que têm de si. Depois, será feito o cruzamento das informações obtidas, analisando se aparecem elementos do discurso religioso na construção da auto-imagem das e dos homossexuais e se esse o pensamento cristão tem “peso” diferente para homens e mulheres. Este é meu projeto de mestrado.Gostaria de colocá-lo em discussão com companheir@s do Simpósio Temático Gênero e Religião para contribuir com a compreensão da problemática intersecção entre homossexualidade e religião e, ainda, receber contribuições para poder aprimorá-lo.
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