Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 



ST26 - Parto e Maternidade: profissionalização, assistência, políticas públicas

Coordenadoras:     Maria Lucia Mott (Instituto de Saúde -SSESP)
                               Dagmar Meyer (UFRGS)
                               Ana Paula Vosne Martins (UFPr)

Resumo

O Simpósio "Parto e Maternidade: profissionalização, assistência, políticas públicas "  visa agregar pesquisador@s de diferentes áreas que desejem discutir o tema . Serão bem vindos trabalhos  que articulem uma discussão cultural do parto e da maternidade (ou sua negação) tais como: 

  • processos de significação cultural e política da maternidade e do parto, ao longo do tempo;

  •  processos sócio-culturais de educação para o parto e para o exercício da maternidade e da paternidade; 

  • ressonâncias dos processos de produção da maternidade sobre a conformação da paternidade: diferentes tipos de atendimento ao parto (hospitalar, domiciliar, casa de parto, acompanhantes, etc.);

  • trajetórias  dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao parto;

  •  formação e capacitação de parteiras;

  •  análise de programas governamentais que focalizam o parto e a maternidade; legislação;

  •  propostas e programas elaborados pela sociedade civil (entidades filantrópicas, ongs, etc.) que discutam a gestação, o parto, a maternidade e o cuidado infantil;

  • métodos contraceptivos;

  • aborto e infanticídio.


Trabalhos

Adriana Freire Pereira, Márcia Sandra Caiana de Freitas, Mônica Barros da Nóbrega - UEPB
Gênero e planejamento familiar no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida – Campina Grande - PB
O artigo apresentado é resultado de uma pesquisa realizada junto ao Instituto de Saúde Elpídio de Almeida na cidade de Campina Grande – PB, que teve como objetivo identificar os fatores contribuintes para a gravidez indesejada. A partir da perspectiva de gênero, percebemos que a maioria das usuárias desconhece as ações do programa de planejamento familiar. Isso ocorre pela ausência de informações no ambiente da família ou da escola quando de sua adolescência e não discutem sobre planejamento familiar com seus parceiros. Além disso, uma pequena parcela dessas mulheres não faz uso correto do contraceptivo e que não existe participação dos homens nas ações do programa de planejamento familiar desenvolvido na instituição. Dessa forma, acreditamos que o programa de planejamento familiar não está apresentando resolutividade e eficácia.
PDF

Alessandra Sampaio Chacham - PUC/MG
Médicos, mulheres e cesáreas: a construção do parto normal como “risco” e a medicalização do parto no Brasil
Neste trabalho exploramos alguns dos fatores que levam os médicos a indicarem um número excessivo de cesáreas desnecessárias e um grande número de mulheres que desejam partos normais, a aceitarem cesáreas. A partir do conceito de medicalização, analisamos como a abordagem biomédica dominante legitima a crescente intervenção médica nos processos de gravidez e no parto, quando passa a estabelecer os parâmetros que definem o que é normal e patológico nestes processos. Por meio de entrevistas com 18 obstetras e 60 mulheres que haviam tido filho recentemente, procuramos apreender as percepções e as preferências das mulheres e dos médicos sobre os diferentes tipos de parto. Os resultados sugerem que a percepção do parto normal como arriscado para o bebê e da cesárea como um procedimento isento de riscos, percepção esta que pode ser atribuída ao processo de medicalização do parto, parece exercer contribuição fundamental para que muitos médicos indiquem e as pacientes aceitem uma cesárea, especialmente no setor privado.
PDF

Alexandrina Aparecida Maciel, Marta Lúcia de Oliveira Carvalho, Maria Elisa Wotzasek Cestari, Thelma Malaghutti Sodré, Maria Angélica M. Silva Esser - UEL
Fatores de risco para morbi-mortalidade materna: uma questão de gênero?
A atual assistência ao nascimento é caracterizada pela institucionalização do parto, pelo uso de práticas inadequadas, altas taxas de cesariana e indicadores desfavoráveis de saúde materna. Este modelo tem sido fonte de grande insatisfação por parte de mulheres que dão à luz em hospitais públicos e privados da América Latina e Caribe. Estas mulheres morrem pelas mesmas causas que aquelas dos países industrializados do início do século XX. Este estudo apresenta a história de 785 mulheres atendidas por ocasião de seus partos e identifica a desinformação como determinante da submissão e gravidez não planejada; a baixa renda e as barreiras no acesso ao cuidado como determinantes de riscos à saúde; a falta de humanização e o cuidado intervencionista como determinantes de risco à qualidade de vida destas mulheres.
PDF

Ana Cristina Ostermann, Caroline Rodrigues da Silva
Contribuições dos estudos de fala em interação para a compreensão dos atendimentos à saúde da mulher
Este trabalho busca uma interlocução entre a Lingüística Aplicada e outras áreas das Ciências Sociais e Humanas interessadas no estudo das relações de gênero na área da saúde da mulher. Nessa comunicação, pretendo apresentar as contribuições teórico-analíticas da Análise da Conversa (SACKS 1992; WOOFFITT 2005) para os estudos sobre a relação entre profissionais da saúde e pacientes mulheres. A Análise da Conversa caracteriza-se por buscar compreender os métodos utilizados pelos atores sociais enquanto desempenham seus diferentes papéis. Os dados utilizados são sempre naturalísticos, isto é, não são criados quaisquer instrumentos de coleta de dados, tais como questionários, entrevistas ou intervenções. Em minha comunicação, enfatizarei, em particular, os trabalhos recentes de feministas e sociólogos/as da medicina que têm investigado as relações de poder envolvidas nas interações entre profissionais da saúde e pacientes mulheres, a partir da análise da fala em interação (WEST 1998; WILKINSON 2003).
PDF

Ana Elizabeth Lole dos Santos
Práticas privadas da esfera pública
Este trabalho examina relações de gênero nas práticas e representações sociais que organizam e generificam ações de políticas ou programas ligados à saúde reprodutiva. Tendo por foco a não paternidade, expõe observações centradas nas demandas de vasectomia manifestadas em salas de planejamento familiar do Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP/UFF), Niterói/RJ. Destaca referências conceituais que têm feminilizado o PAISM, lugar dessas ações, e discriminado os homens, numa abordagem qualitativa, com base em história oral. Entrevistas feitas com homens vasectomizados, trouxeram informações sobre experiência pessoal e coletiva de esterilização masculina, confirmando que acesso a esses direitos estão associados às transformações de condutas e novas sociabilidades masculinas e femininas.
PDF

Ana Laura Godinho Lima
A maternidade entre a natureza e a ciência: um estudo histórico de manuais de puericultura: 1918-1968
O trabalho que será apresentado dá conta dos resultados parciais de uma pesquisa que pretende elucidar as seguintes questões: Como os pediatras procuraram orientar as mulheres a respeito da gestação, do parto e dos cuidados com os seus bebês? Como se procurou tornar acessíveis às mães os conhecimentos científicos sobre a maternidade e a higiene infantil? Que recomendações eram feitas a respeito da higiene pré-natal? A investigação incide sobre 20 manuais de puericultura pubicados no Brasil entre 1918 – quando foram reunidas em um livro as lições de higiene infantil proferidas no Instituto de Proteção e Assistência à Infância pelo Dr. Moncorvo Filho – e 1968, ano em que surgiu a revista de puericultura Pais e Filhos. A análise baseia-se em textos de Michel Foucault sobre a “governamentalidade” e a “bio-política”.
PDF

Ana Paula Vosne Martins - UFPR
Um ideal de perfeição: imagens da maternidade nos manuais médicos de aconselhamento e na publicidade
Esta comunicação tem como objetivo discutir o que chamo de pedagogia materna, ou seja, normatizações e representações da maternidade produzidas pelo conhecimento médico-científico desde o século XIX e que se consolidam no século XX pela divulgação dos preceitos da puericultura através das políticas públicas, da propaganda e da publicidade na mídia. Para tanto analiso três autores de manuais de aconselhamento médico que escreveram entre as décadas de 1930 e 1940 e imagens publicitárias de produtos da indústria de alimentação e de higiene infantil divulgadas na revista O Cruzeiro.
PDF

Ana Paula Winters Bosco - UFPR
O departamento estadual da criança e a proteção à maternidade e à infância no Paraná (1947-1960)
A criação do Departamento Nacional da Criança, em 1940, apresentou um esforço em direção à sistematização das políticas nacionais de proteção à maternidade e à infância no Brasil. Tal órgão tornou-se o responsável por estabelecer as diretrizes a serem seguidas, deixando aos Estados e municípios o encargo de sua aplicação e fiscalização. Nesse sentido, acreditamos que a criação de órgãos estaduais de proteção materno-infantil representa um momento significativo da consolidação de um quadro nacional de valorização da maternidade e da infância, razão pela qual nos dedicamos neste trabalho a estudar a criação do Departamento Estadual da Criança, no Estado do Paraná, procurando apreender de que forma governo federal e governo estadual empenharam-se na realização desta tarefa patriótica, qual seja, o cuidado com as mães e seus filhos.
PDF

Antonieta Keiko Kakuda Shimo
As relações de poder no cenário do nascimento: prática rotineira da episiotomia
Objetivando evidenciar a desigualdade de poder existente entre os profissionais da obstetrícia e as mulheres no cenário do nascimento, realizou-se um estudo qualitativo com mulheres submetidas a episiotomia durante o processo de parturição realizado em um Hospital Escola no interior MG. A coleta de dados foi realizada através de entrevista semi-estruturada. Analisando as entrevistas emergiu a concepção de que a prática rotineira da episiotomia representa o poder exercido desses profissionais perante o corpo feminino, destituindo a mulher de poder decisório. Evidenciando que a saúde das mulheres enfrenta situações de interação assimétrica e hierárquica entre desiguais, onde o profissional é considerado o profundo conhecedor do corpo feminino e do nascimento, conseqüen-temente dominante, enquanto a mulher/paciente adquire um papel de submissão e subordinação.
PDF

Ariane Thaise Frello, Marisa da Silva Martins, Roxana Knobel, Telma Elisa Carraro - UFSC
Ouvir a parturiente – uma tarefa (im)possível?
Melhorias na assistência dependem de conhecer a opinião dos usuários sobre a mesma. Uma atenção voltada às necessidades específicas da parturiente pode ajudá-la a ter um o trabalho de parto e parto mais satisfatório. Este trabalho tem como objetivo avaliar e quantificar a literatura disponível sobre a opinião da parturiente e refletir sobre o tema. Como resultados, encontramos que existe uma carência de estudos sobre a opinião da parturiente nos serviços de obstetrícia. Estudos sobre diversas questões exaustivamente estudadas como a via de parto preferencial, a posição da mulher no trabalho de parto e parto, métodos de alívio da dor, uso rotineiro de episiotomia e presença de acompanhante. Raramente pesquisam a opinião da parturiente e/ou sua família. Reforça-se a necessidade de incluir esse aspecto em pesquisas sobre atenção ao parto.
PDF

Charles Tesser, Roxana Knobel - UFSC
Epidemia de cesáreas no Brasil – pensando na formação dos cuidadores
A epidemia de cesáreas no Brasil é preocupante pois aumenta o risco de complicações para a mãe e para a criança. O objetivo é, através de uma revisão de literatura, avaliar fatores relacionados aos profissionais que cuidam da parturiente e que levem a um aumento na taxa de cesáreas. Como resultados, observamos que diversos fatores podem ser forças alimentadoras da epidemia: conveniência, facilidade de agendamento, rapidez, receio de processos, adesão ideológica à cesárea e fatores econômicos. No entanto, pensamos que fatores cognitivos, ligados à habilidade clínica e à formação dos obstetras, podem também aumentar o processo, além de serem conseqüências dele. Assim, nossa hipótese é que os cuidadores das parturientes podem não estar aprendendo mais, ou não saberem mais, conduzir um parto de modo a evitar intervenção cirúrgica desnecessária.
PDF

Cláudia Amaral dos Santos
Maternidades, paternidades e infâncias na mídia impressa contemporânea
Na contemporaneidade, temos sido interpelados/as por variados discursos que prescrevem formas ou de ser mães “modernas”, sem deixarmos de estarmos atentas às crianças, ou pais mais envolvidos na educação das crianças. É dentro desse panorama que objetivo analisar os discursos sobre maternidade, paternidade e família, postas em circulação na mídia impressa, focalizando a revista Veja e o jornal Zero Hora, especificamente, os suplementos Meu Filho e ZH Donna. Nas matérias analisadas, as chamadas motherns são mulheres de classe média e alta, urbanas, que trabalham e estudam e que admitem que a maternidade não é tudo. Atrelados a essa nova identidade materna estão os fatherns, ou seja, pais que se envolvem na educação das crianças. Tais transformações na subjetividade respondem a urgências históricas específicas e devem estar continuamente sob questionamento.
PDF

Dagmar Estermann Meyer - UFRGS
Maternidades desviantes: “de risco” ou vulneráveis?
A grande mídia tem noticiado, com freqüência, histórias sobre maternidades: mães heroínas que reiteram o modelo hegemônico e, sobretudo, mães “desnaturadas” que escapam dele. E a ciência se esmera para produzir instrumentos que permitam re-conhecer, cada vez mais precocemente, elementos e características que identifiquem mulheres que passam a ser nomeadas e manejadas como “mães de risco”. Que sentidos essa nomeação carrega e que práticas ela sustenta? Com que implicações elas têm? Esse trabalho pretende discutir os conceitos de risco e de vulnerabilidade tomando como referência sua utilização na área da saúde, para argumentar que o quadro conceitual da vulnerabilidade é potencialmente útil para repensar os modos pelos quais áreas como a Educação e a Saúde têm organizado as práticas direcionadas à educação e ao atendimento de mulheres que se tornam mães.
PDF

Dulcinéia Luccas Sakamoto, Edileusa da Silva, Íris Fenner Bertani, Regina Maura Rezende, Regina Célia M. Freitas Silva - UNESP/Centro Universitário Barão de Mauá
Sexualidade feminina em debate
Este trabalho procura relatar mesmo que de forma incipiente, a experiência vivenciada por membros e participantes do núcleo de Estudos e Pesquisas “Saúde, Qualidade de Vida e Relações de Trabalho” – QUAVISSS, através de aplicação de instrumental para o desvendar da real situação da saúde pública no município de Franca. Este estudo poderá alargar a compreensão do funcionamento dos sistemas de saúde bem como trazer subsídios para a elaboração de novos programas na área, o que beneficiaria a população usuária em suas reais necessidades. Trata-se de uma pesquisa quantitativa que buscou conhecer não somente dados estatísticos, bem como a concepção de saúde das mulheres entrevistadas. Foi utilizado como instrumento de coleta de dados o questionário denominado WHOQOL - Abreviado, desenvolvido para o Programa de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde de Genebra, validado no Brasil. Buscou-se especificamente abordar aspectos referentes à satisfação pessoal e sexual de mulheres, bem como a qualidade de vida.
PDF

Fabiana de Amorim Marcello
O dispositivo da maternidade e a produção cultural de práticas de maternização
O objetivo deste trabalho é caracterizar as formas pelas quais um dispositivo da maternidade é hoje operacionalizado na mídia impressa. Articulo esta discussão a partir do conceito foucaltiano de “dispositivo”, e de suas três características principais: 1) responder a uma urgência história; 2) constituir-se como um conceito multilinear; 3) estar apoiado a outros dispositivos que lhe são contemporâneos. A partir de uma análise enunciativa, mostro como o dispositivo da maternidade – que teve seu surgimento a partir de condições de possibilidade datadas do final do século XVII –, está voltado para a produção de uma experiência materna. Finalizo a discussão mostrando como o dispositivo em questão está alicerçado a outros dispositivos de nossa época (no caso, ao dispositivo pedagógico da mídia, ao da infantilidade e ao da sexualidade).
PDF

Fernanda Bittencourt Ribeiro
Maternidades à margem – gravidez e nascimentos no âmbito de uma instituição de proteção à infância
Este trabalho resulta de uma pesquisa etnográfica realizada durante dois anos junto a uma instituição de proteção à infância na França. Este serviço está situado numa ilha (d´Yeu) e destina-se a famílias ditas monoparentais (sobretudo mãe e filhos) cujas crianças foram designadas em perigo. Algumas mulheres (já mães) chegam grávidas ao serviço e outras engravidam durante a estadia. Os discursos e práticas em torno da gravidez, sua continuidade ou interrupção, permitem-nos abordá-la como uma situação particular nas quais mulheres « sob suspeita », num contexto de vigilância do exercício da maternidade, afirmam-se, como « boas mães ». O momento do parto apresenta-se como uma oportunidade excepcional na qual reassumem o controle da situação e podem reconhecer, no olhar e apoio recebido, alguma coisa de valorizante relacionado à maternidade.
PDF

Heloisa Regina Souza - UNOESC
A casa como lugar de nascimento: uma reflexão antropológica sobre a “revitalização” contemporânea do parto domiciliar na cidade de Florianópolis
A proposta deste trabalho é discutir, a partir de dados etnográficos, algumas características dos ritos de nascimento domiciliar que vêm se configurando atualmente em Florianópolis. São pequenas redes urbanas de atores sociais - pertencentes, pricipalmente, à camadas médias adeptas de sistemas terapêuticos “alternativos” – que se organizam em função do nascimento de seus filhos. Ao se posicionarem criticamente com relação ao modelo “clássico” de atendimento hospitalar, somam suas vozes àquelas do movimento pela humanização do parto e do nascimento. Contudo, os adeptos do parto domiciliar não deixam de cultivar especificidades próprias quanto aos cuidados que devem cercar a gestação e o parto, e quanto aos sentidos que devem ser atribuídos a estes eventos, principalmente em função de sua relação com o misiticismo e com a religiosidade.
PDF

Ivete Lourdes Dutra - UCS
A polissemia dos termos: parto natural, normal e humanizado
O presente trabalho é parte da dissertação - Parto Natural, Normal e Humanizado: a polissemia dos termos e seus efeitos sobre a atenção ao parto. Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, e inscreve-se na intersecção dos estudos culturais e de gênero com um recorte em saúde reprodutiva. Discute e analisa as concepções de parto natural, normal e humanizado, tomando como referência o Programa de Humanização do Parto e do Nascimento preconizado pelo Ministério da Saúde e os conteúdos das falas de profissionais da medicina e da enfermagem que atuavam em um hospital-escola no interior do Rio Grande do Sul. A análise realizada evidenciou convergências, ambigüidades, sobreposições e conflitos, indicando concepções polissêmicas entre os três termos e também no interior de cada um deles.
PDF

Letícia Prezzi Fernandes, Carin Klein - UFRGS
“A gestante não é dona do bebê!” Paternidades veiculadas no programa primeira infância melhor/RS
Esta pesquisa busca problematizar alguns dos modos pelos quais a maternidade e a paternidade vêm sendo posicionadas no âmbito do programa Primeira Infância Melhor/RS (PIM). Assim, examino o Guia da Gestante distribuído pelo PIM, sob a ótica da análise cultural, ancorando-a nos Estudos de Gênero pós-estruturalistas. Dessa forma, entendo o PIM como espaço educativo, onde se ensina e se aprende formas de viver a maternidade e a paternidade. O pai é chamado pelo guia a ser o ponto de apoio para a mãe, porém sua relação com a criança deve ser mediada pela mãe. O guia flexibiliza a exigência da presença paterna, porém não legitima outras formas de organização familiar. As análises construídas aqui são articuladas ao conjunto de estudos sobre a “politização contemporânea do feminino e da maternidade”.
PDF

Lucia Helena Rodrigues Costa
Representações do parto e nascimento de mulheres artesãs do norte de Minas e Vale do Jequitinhonha
PDF

Maria Claudia Dal’Igna - UFRGS
“A criança que é estimulada em casa, ela vai; a criança que não é tende a ficar, às vezes, um pouco mais para trás”: relações entre desempenho escolar, gênero e família
O artigo desdobra-se de uma pesquisa desenvolvida com um grupo de professoras de séries iniciais da rede pública de ensino da cidade de São Leopoldo/RS. Na articulação dos campos dos Estudos de Gênero, Estudos Culturais e Pós-Estruturalismo, investiguei os significados atribuídos ao desempenho escolar, aquilo que chamei de conteúdo da noção de desempenho escolar. O exercício de análise me permitiu mapear alguns dos elementos constitutivos dessa noção: conhecimento, comportamento e família. Neste texto, analiso alguns fragmentos de discursos que permitem às professoras associar família com desenvolvimento infantil e este último com aprendizagem, posicionando a família como responsável pelo fracasso/sucesso escolar das crianças. Exploro, ainda, um deslizamento do termo família para o termo mãe. Por fim, discuto o investimento da escola na educação das famílias (mães).
PDF

Maria das Dores Cardoso Frazão
As representações sociais acerca da maternidade
Este trabalho é parte da pesquisa: as representações sociais acerca da maternidade. Surgiu a partir da leitura da obra O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, especialmente o capítulo intitulado A Mãe, no qual a autora discute a ideologia da maternidade como vocação natural, porquanto, todo o seu organismo se acha voltado para a perpetuação da espécie. A gravidez é vivida de maneira muito diferente segundo as relações que a mulher mantém com a mãe, o marido e consigo. Portanto, é preciso considerar que a maternidade não basta para satisfazer uma mulher: há muitas mulheres que são infelizes e insatisfeitas. Outro preconceito a desmistificar é dizer que o filho encontra uma felicidade segura nos braços maternos. “Não há mãe desnaturada, posto que o amor materno nada tem de natural”.
PDF

Maria das Graças Silva Nascimento Silva - UFRO
Mulheres ribeirinhas: vida, saúde e cidadania
A pesquisa descreve e interpreta as falas das mulheres, que em algum momento de suas vidas, utilizaram os serviços das parteiras ribeirinhas. E apresenta também, a diversidade do espaço ribeirinho, discute a repercussão da ausência dos serviços de Saúde direcionados ás Mulheres. Escassos por não oferecer às mulheres o atendimento básico, há ausência de profissionais especializados, de locais adequados para o atendimento e principalmente, não há a promoção da saúde. É por essa postura que podemos entender a existência de 51% das mulheres pesquisadas que nunca fizeram o exame preventivo de câncer cérvico uterino, e ainda, 59% dessas mulheres nunca fizeram preventivo de câncer de mama. O trabalho traz como contribuição o resgate do saber das mulheres ribeirinhas e ressalta a importância deste, para ser incorporado ás políticas públicas de Saúde.
PDF

Maria Juracy Aires - UTFPR
A ciência e a experiência do atendimento ao parto
Esse trabalho pretende expor dados obtidos em pesquisa de mestrado junto ao Programa de Pós-graduação em Tecnologia na UTFPR - Universidade Federal Tecnológica do Paraná, investigando-se a tecnologia utilizada pelas parteiras tradicionais no atendimento ao parto domiciliar. Nos relatos das parteiras se privilegia, sobretudo, as informações acerca dos procedimentos técnicos e dos artefatos utilizados, assim como a forma de transmissão e apropriação deste conhecimento. Aponta-se para a existência na sociedade atual, de uma hierarquização do conhecimento científico sobre o conhecimento tácito. Provoca-se uma reflexão sobre a possível troca entre as duas categorias de conhecimento, e a conseqüente melhoria no atendimento às gestantes e parturientes, que poderia advir desta parceira.
PDF

Maria Lucia Mott - SSESP
Parteiras italianas em São Paulo (1892-1922)
Entre as três últimas décadas do século XIX e as duas primeiras do século XX, o estado de São Paulo recebeu milhares de imigrantes, sobretudo italianos, para desempenhar trabalhos na lavoura. Apesar deste ser o destino da maioria dos recém-chegados, diferentes categorias de trabalhadores de saúde se transfeririam para o Brasil, destacando-se entre eles as parteiras. O objetivo da apresentação é analisar o perfil das parteiras italianas, tendo como principal fonte, os registros profissionais, preservados pelo Centro de Memória da Saúde (Instituto de Saúde/SESSP). A documentação permite discutir questões significativas sobre formação, inserção profissional e mercado de trabalho no referido período, estabelecendo um importante diálogo não só com a história das práticas em torno do nascimento, como também da imigração.
PDF

Maria Simone Vione Schwengber
Da medicina à educação física: a fabricação da gestante cuidadosa
O trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado, em andamento, que tem como objetivo problematizar alguns dos conhecimentos e práticas de saúde, re-produzidos e veiculados pela mídia, entendendo-os como instâncias que educam corpos grávidos. A pesquisa inscreve-se nos campos dos estudos de gênero, dos estudos culturais e da sociologia da saúde que se inspiram nas teorizações pós-estruturalistas, em especial Michel Foucault. Examino, a Revista Pais e Filhos, no período de 1968 a 2004, utilizando-se das estratégias metodológicas da desconstrução e da análise de discurso. Nesta apresentação exploro, de forma mais pontual, alguns dos modos pelos quais os discursos de promoção saúde (da medicina à educação física) investem sobre o corpo grávido na direção de constituí-lo como um “corpo-ambiente” saudável. Argumento que este processo educativo pode ser compreendido como sendo uma dimensão importante de um processo contemporâneo mais amplo que vimos chamando, em nosso grupo de pesquisa (GEERGE-UFRGS), de “politização do feminino e da maternidade”.
PDF

Maria Soledad Zárate Campos - Universidad Alberto Hurtado
La asistencia del parto: medicalización y transacción, Santiago de Chile, 1920-1960
En Santiago de Chile, la cobertura del parto hospitalario alcanzaba más del 60% de los nacidos vivos y el control prenatal antes del sexto mes de embarazo era efectivo en más del 50% de las mujeres que accedían a las políticas médico-estatales en 1950. Dichas cifras eran resultado de las políticas estatales sanitarias dirigidas a las madres trabajadoras e indigentes, fundadas en la década de 1920. La relación entre las madres y el Estado chileno en la historia sanitaria ha sido entendida como un ejemplo de instrumentalización estatal de las primeras o un ejemplo de la historia de los derechos de un grupo social determinado. Esta ponencia se propone explorar una interpretación distinta: el vínculo entre madres y Estado asistencial se sustentaría en una relación transaccional. A cambio de beneficios concretos, las futuras madres aceptaron la medicalización del ciclo maternal en sus diversas dimensiones.
PDF

Marizete Argolo Teixeira, Mirian Santos Paiva - UESB
A influência das questões de gênero no processo de amamentação
A prática da amamentação natural é influenciada pelos condicionantes sociais, econômicos, políticos e culturais, podendo levar ao desmame precoce da criança e o sentimento de culpa na mulher. Este estudo é uma pesquisa bibliográfica exploratória com o objetivo de refletir sobre a influência de gênero no processo de amamentação. É preciso considerar a mulher que amamenta sujeito de sua ação na escolha e não sujeito de obrigação neste processo. Falar em amamentação e gênero não é apenas teorizar a questão da diferença sexual, mas enfatizar o caráter social e cultural incorporados nas relações entre homens e mulheres. É necessário desenvolver estudos que abordem esta temática, possibilitando um repensar nos papéis construídos para homens e mulheres, numa visão que considere o compartilhar de responsabilidades entre a mulher que amamenta e seu companheiro.
PDF

Odaléa Maria Brüggemann, Mary Ângela Parpinelli, Maria José Duarte Osis - UFSC
O apoio à mulher no nascimento por acompanhante de sua escolha: abordagem quantitativa e qualitativa
Trata-se de uma pesquisa com abordagem quantitativa (ensaio clínico controlado randomizado) e qualitativa - de natureza exploratória. O objetivo foi avaliar a influência do apoio durante o trabalho de parto e parto, pelo acompanhante escolhido pela parturiente, na sua satisfação e sobre os resultados maternos, perinatais e aleitamento materno; bem como conhecer a percepção dos profissionais de saúde e dos acompanhantes sobre essa experiência. As parturientes do grupo de intervenção (com acompanhante) ficaram mais satisfeitas com o trabalho de parto e parto (p<0,0001) do que as do grupo-controle. A ocorrência de líquido meconial foi menor no grupo de intervenção (RR 0,51; IC95%: 0,28-0,94). Os profissionais reconheceram que o apoio influenciou positivamente na participação da parturiente e no desenrolar do nascimento. Os acompanhantes sentiram-se muito satisfeitos com a experiência.
PDF

Patricia Schwarz - Universidad de Buenos Aires
Las lesbianas frente al dilema de la maternidad
Lo que buscamos en este trabajo es explorar el espacio de la maternidad como práctica y como imperativo en la subjetividad y en las experiencias de las mujeres lesbianas de clase media de la Ciudad de Buenos Aires. La intención es rastrear cómo estas experiencias y subjetividades se relacionan con la construcción y percepción de su identidad como mujeres. En nuestra cultura la identidad está fuertemente condicionada por la orientación sexual, es por esto que también relevamos cómo viven su orientación y cómo impacta en sus proyectos y vivencias respecto de la maternidad. Se realizaron 14 entrevistas a mujeres de entre 20 y 40 años, considerando que es el rango etáreo en el que con mayor frecuencia se toman decisiones respecto a la maternidad.
PDF

Rosalice Lopes - Centro Universitário de Santo André
Prisioneiras de uma mesma história: o amor materno atrás das grades
O estudo concluído em 2004 enfoca o amor materno em mães presas da Penitenciária Feminina do Tatuapé – São Paulo, no período de 2001 a 2003. A partir dos relatos de 30 mães entrevistadas e com referência nas áreas de Psicologia, Direito, Sociologia, História e Filosofia, identificou-se que o discurso sobre o amor materno é uma construção social de gênero com matizes de inteligibilidade específicos. Independente da forma como o amor materno é descrito, ou mesmo como ele foi vivido – ou não - na experiência concreta com seus filhos, a pesquisa aponta a forma particular que as políticas públicas no campo da Execução Penal, tem promovido um afastamento dessas mães e seus filhos, o qual pode ser considerado uma pena adicional sem dúvida extremamente danosa à manutenção do vínculo amoroso. A pesquisa aponta algumas alternativas para a questão.
PDF

Sandra da Silva Careli - UFRGS
Crime e interdição social: aborto, infanticídio e incesto no Rio Grande do Sul na passagem do século XIX para o XX
O trabalho reflete sobre as representações organizadas pela imprensa e pelo poder judiciário no Rio Grande do Sul no que se refere as situações do cotidiano social que combinavam ao incesto os crimes de aborto e infanticídio. Refletindo sobre as práticas sociais e as políticas de normatização da sociedade, busca-se analisar os atores sociais envolvidos e suas redes de atuação, bem como os mecanismos instucionais de controle social e sua eficácia.
PDF

Soraya Fleischer - UFRGS
Aulas, camisetas, bolsas e certificados. Ou o que as parteiras de melgaço têm a dizer sobre treinamentos
Os treinamentos de parteiras sempre foram um foco da saúde pública brasileira e têm sido particularmente revitalizados desde os anos 1980 e 1990. Na região de Melgaço, PA, por exemplo, mais de 500 parteiras receberam aulas, kits de material, camisetas e certificados nos 27 cursos realizados desde 1998. A sistematização desses cursos é esparsa e bastante limitada aos documentos oficiais. Assim, no presente artigo, com base em dados etnográficos colhidos entre 2004 e 2005, pretendo discutir as seguintes questões: Como as 22 parteiras de Melgaço receberam e significaram esses cursos? Os cursos lhes facilitaram acesso às pacientes, famílias e sistema de saúde? Os cursos criaram disputas ou inspiraram as parteiras a criar mecanismos de cooperação e barganha coletiva? Capital simbólico e social foram itens mais valorizados do que as técnicas obstétricas propriamente ditas?
PDF

Vivian da Silva Paulitsch - UNICAMP
A mãe e a morte- o infanticidio retratado na obra de Pedro Weingartner (Porto Alegre – RS, Brasil, 1853-1929)
Nas artes dos séculos XIX e XX, encontramos representações que evocam aborto e infanticídio em diversas tentativas de compreensões nas quais não encontramos respostas, mas sim inquietações. Através desta comunicação, o objetivo será de mostrar através de obras de dois artistas – Pedro Weingartner (Infanticídio) com o quadro "La Faiseuse d'Anges" (Porto Alegre – RS, Brasil, 1853-1929), datado de 1908, Roma – e a obra de Frida Kahlo (Aborto), além de seus contemporâneos e como eles articulam a ligação entre morte-maternal e criação.
PDF