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ST27 - A presença da mulher nos cuidados em saúde

Coordenadoras:     Maria Elizabeth Ribeiro dos Santos (PUC-RIO)
                               Rejane Millions Viana Meneses (UFRN)

Resumo

Nossa proposta visa promover uma discussão sobre a presença da mulher na área da saúde a partir de dois eixos: a presença da mulher na área profissional e a presença da mulher na área de cuidados com doentes crônicos e idosos.
1- no primeiro eixo, poderiam ser apresentados estudos sobre a formação e a situação atual nas carreiras tradicionalmente escolhidas pelas mulheres como enfermagem e serviço social, bem como o acesso da mulher à carreira médica. Acreditamos que seria interessante partilhar a situação de profissionais de diferentes carreiras, assinalando as dificuldades ou conquistas em suas áreas de trabalho.   
2- no segundo eixo, seriam propostas discussões sobre a presença da mulher na área de cuidados não profissionais.É importante lembrar que autores da área da antropologia médica assinalam que, independente da classe social, é freqüente que a mulher seja a primeira pessoa a intervir em casos de mal-estar. Ao mesmo tempo, pesquisadores ligados à Bioética consideram que  um dos grandes fracassos do movimento feminista teria sido a área de cuidados: em que pesem os avanços em outras áreas, o cuidado com doentes crônicos e idosos permanece na mão das mulheres, as quais, muitas vezes, devem abrir mão de projetos pessoais para acompanhar uma criança hospitalizada,um familiar portador de uma doença crônica ou familiares idosos. Estes mesmos autores acrescentam que, a esta questão, vêm se somar a  ausência de medidas que possam apoiar e resguardar a saúde física e mental das cuidadoras.
       Consideramos que estes dois eixos podem mobilizar a participação de profissionais de diferentes áreas, o que permitiria discussões bastante ricas e, eventualmente, o desdobramento destas discussões, através do encaminhamento de algumas propostas.


Trabalhos

Alcione Tavora Kullok, Shielle Soares Cabral, Juliana de Lourdes Ferreira - Centro Universitário de Caratinga
Qualidade de vida: território fronteira entre mãe social e/ou cuidadora
Esta pesquisa buscou avaliar as condições e qualidade de vida da mãe social e dos cuidadoras de uma Casa-Lar vinculada à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Caratinga – MG, com enfoque nos impactos positivos e/ ou negativos em suas atividades diárias.A proposta da Casa-Lar é servir como um referencial de afeto e humanização, nela habitam sete crianças com deficiências múltiplas, que foram encaminhadas por serem órfãos ou sofrerem violência doméstica, sob a guarda de uma mãe social e duas cuidadoras. A mãe social difere de uma mãe adotiva ou biológica por desempenhar uma atividade remunerada e de assistência social que foi regulamentada no país como uma profissão (Lei 7.644, 1987). A pesquisa, de caráter qualitativo, obteve os dados através do Questionário Caregiver Burden Scale (1998) contendo 22 perguntas em cinco domínios: Tensão Geral, Isolamento, Decepção, Envolvimento Emocional e Ambiente; um questionário, baseado nas informações obtidas no Censo Demográfico de 2000 (IBGE) avaliando-se as condições de vida; além de uma entrevista semi-estruturada para complementação das perguntas dos questionários. Existem tarefas das mães sociais e cuidadoras que se interpõem em alguns momentos, porém nesse estudo, o cuidado contínuo é esperado das mães sociais como pode ser percebido nas seguintes falas das cuidadoras:“ Eu to fazendo meu horário, to cumprindo com as minhas obrigações”;“Não misturo a minha vida particular com a minha vida aqui dentro, to aqui dentro para ajudar” que difere da fala da mãe social: “ Eu acho uma responsabilidade muito grande porque são sete pessoas que tomam medicamentos controlados na hora certa”.Os resultados desse estudo se coadunam com diversas discussões que apontam o cuidar como uma prática socialmente construída e imputada como “responsabilidade” ou naturalizada como atributo feminino e uma ausência de uma contrapartida social e pública gerando uma sobrecarga e desconforto para essas mulheres.
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Clécia Rufino de Santana, Hulda Helena Coraciara Stadtler - UFRPE
Gênero, saúde e desenvolvimento local: analisando o PSF de Tejucupapo/ Goiana/PE
Hoje falamos de um grande compromisso para com o “desenvolvimento local”, assim buscamos saídas para a questão da fome, da saúde, do desemprego, da educação, ou seja, para os problemas da exclusão social. Com a amplitude do conceito de saúde admitido atualmente, que não se resume apenas à cura de doenças, a proposta do Programa de Saúde da Família desenvolvida pelo Ministério da Saúde pode ser percebida como uma proposta de política pública voltada para o desenvolvimento local, pois busca a melhoria da qualidade de vida da população através da participação da comunidade. A Agente Comunitária de Saúde se constitui em profissional ativo para mobilizar e melhorar a capacidade da população de cuidar de sua saúde. Nessa perspectiva, o presente trabalho tem por objetivo analisar como as agentes de saúde se apropriam da identidade ideal de agente proposta pelo PSF e sobre que condições se dá a recepção e a formação de um agente multiplicador.
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Clélia Albino Simpson - UFRN
A história do corpo feminino no início da colonização brasileira: deusas, madonas ou feiticeiras?
O propósito desta pesquisa é resgatar as concepções existentes sobre o corpo feminino relacionando-as com o processo saúde doença e o cuidar, e tentando ainda entender a inferioridade da profissão de cuidadora. O período escolhido compreende os anos de 1500 a 1822, denominados como colonial. Para tal, foi realizado um estudo descritivo com uma abordagem qualitativa, empregando a metodologia baseada nas concepções da História Nova, segundo Le Goff. A amostra se deu por duas obras: Ao Sul do Corpo e a História das Mulheres Brasileiras da historiadora Mary Del Priore. A coleta foi realizada em cima destas fontes bibliográficas e o instrumento usado foi a forma de fichamento. Considerando que os fundamentos da sociedade colonial eram o de delimitar o papel da mulher, normatizar seus corpos e almas, esvaziá-las de qualquer saber ou poder ameaçador e domesticá-la dentro da família, compreende-se que estas personagens eram oprimidas, sofridas, dominadas, solitárias e humilhadas, física, emocional e sexualmente. Neste resgate, entende-se a importância da história do corpo com suas crenças, valores e que a cultura permeia todo o existir humano, que o cuidar está intimamente, relacionada com a história das mulheres, e muitos destes valores escritos perduram até hoje em nossa sociedade.
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Daniana Pompeo, Jussara Mendes Lipinski
Coleta do exame preventivo sob uma perspectiva de gênero
Percebe-se a dificuldade de inserção do enfermeiro nos programas de saúde da mulher. O presente estudo quanti-qualitativo teve como objetivos: conhecer a percepção das mulheres frente à coleta do exame citopatológico e identificar os fatores que tem levado as mulheres a optar pela coleta do exame com um ou outro profissional. Os dados foram coletados em duas etapas, que nos possibilitaram destacar: a opção pela médica ou enfermeira, a opção pela enfermeira; e a opção pelo médico ou médica. Estas observações nos remetem a reflexão quanto às questões de gênero, saber e poder envolvidas na realização do exame preventivo, que podem estar interferindo na inserção do enfermeiro nestes programas. Faz-se necessário esclarecer a comunidade as competências das enfermeiras para que possamos ter nossa profissão reconhecida em sua autonomia, independência e excelência.
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Denise Streit Morsch - Secretaria Municipal de Saúde/RJ
Mulheres/mães em UTI neonatal – novos conhecimentos e melhores intervenções
Acompanhar seus bebês recém-nascidos de risco em internação intensiva neonatal, traz estranhas e diferentes novidades para as mulheres/mães, envolvendo especialmente avaliação de suas competências. A isto se acrescentam idéias e imagens pré-concebidas quanto ao desempenho da função materna, trazendo uma sobrecarga não só pelas expectativas internas da própria mulher mas especialmente de seu entorno, seja familiar, social ou mesmo das equipes de cuidado. Estas observações têm conduzido diferentes estudos e formulação de novos conceitos como a maternagem ampliada, o funcionamento e a importância da preocupação materna e médica primária, bem como o significado que vem alcançando a metodologia canguru na percepção materna de sua competência. Ampliar nossa discussão nestes temas é o que propomos neste fórum de discussão.
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Elenice Pastore, Luisa Dalla Rosa - Universidade de Passo Fundo
As relações de gênero entre os trabalhadores da área da saúde
Este estudo objetiva analisar e compreender as relações de gênero entre os trabalhadores e gestores do setor da saúde de um hospital de caráter regional no município de Passo Fundo, RS, identificando assimetrias de gênero existentes nas práticas profissionais . A abordagem da origem da divisão sexual do trabalho em diferentes atividades desenvolvidas é estabelecida aqui como ponto de partida focalizando na área da saúde e principalmente no ambiente institucionalizado do Hospital, pois analisamos o porquê da atribuição ao público feminino da prática do “cuidar” como um processo “naturalizado”, articulando, dessa forma, uma investigação empírica e uma abordagem teórica para explicar possíveis origens biológicas e culturais apresentados neste processo. Além disso, as relações estabelecidas nas práticas do trabalho na área da saúde apresentam uma concepção de oposição entre o tratar (saber e fazer médico) e do cuidar (saber e fazer de enfermagem). Percebe-se nesta relação um processo de antagonismo, que de certa forma foi “naturalizado”, provocando inquietações e necessidades de investigação sobre a existência de hierarquia e dominação nestas relações. Nossos resultados apresentam a permanência da feminização no trabalho da saúde, principalmente das áreas da enfermagem, bem como uma crescente flexibilização nas relações de trabalho.
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Eunice Almeida da Silva; Cássia dos Santos F. Arruda; Jaqueline Rabelo Silva; Marilene Pereira Cintra
A mulher negra com escolaridade superior: dificuldades encontradas para inserção no trabalho na área da saúde
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Ivana de Cassia Baptista dos Santos, Jorge L. Pereira, Alcione Távora Kullok
Práticas e representações sociais acerca da velhice e do cuidar entre cuidadores de idosos dependentes residentes na zona rural do município de Santa Rita de Minas-MG
Este paper é parte de uma dissertação de mestrado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa na área de saúde. A família contemporânea está sofrendo modificações, reduzindo a disponibilidade de cuidadores domiciliares. A ausência de uma contrapartida social e pública que ofereça redes de segurança e atenção gera um déficit de cuidado com impactos especiais sobre as mulheres, seja no campo ou na cidade. Por causas predominantemente culturais, o papel da mulher cuidadora ainda é uma atribuição esperada pela sociedade. Por outro lado, a invisibilidade do envelhecimento rural com dependência e masculinização é expressiva. Neste contexto, o que significa cuidar? Quem cuida desses idosos rurais? Quais representações simbólicas orientam as práticas que se estabelecem entre o cuidador e o idoso? Essas são questões norteadoras do nosso trabalho.
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João Baptista Soares de Faria Lago
A duplicidade entre o matriarcal e o patriarcal em enfermagem
No Brasil, a formação em enfermagem implica de um lado num saber e fazer doméstico, familiar e matriarcal. De outro lado um aprendizado formal no qual é valorizado um assistir - mas não necessariamente um cuidar - a partir de um modelo cientificista patriarcal, pautado pela distância corporal e afetiva em relação aos pacientes, bem como pela valorização de funções administrativas. Na profissão, ocorre uma desvalorização do saber e fazer matriarcais, devido à desvalorização de qualquer trabalho manual no Brasil mas, também, por se tratar de um modo de cuidar associado tradicionalmente ao feminino - intensificando assim uma estigmatização ainda maior às que, em enfermagem, optam por cuidar dos pacientes, ao invés de exercerem apenas funções administrativas.
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Lina Faria - UNICAMP
Educadoras sanitárias e enfermeiras de saúde pública: “as mensageiras do sanitarismo social”
Este é um estudo sobre a história das educadoras sanitárias e das enfermeiras de saúde pública na primeira metade do século 20, em São Paulo. Tem por objetivo mostrar o desafio, às mulheres, de demarcar um território de decisões e atuação que não fosse simples “poder delegável” pela profissão médica. A sociologia histórica (no tocante às relações entre instituições, poder e identidades profissionais) proporcionou um instrumental teórico e metodológico para o presente trabalho. Entre as conclusões, destacamos a importância do surgimento de um novo campo profissional, relacionado à educação sanitária e à enfermagem de saúde pública. Procuramos aqui discutir a noção de autonomia profissional como relacionada às formas especiais de organização do campo e de controle do conhecimento científico pelos membros da “comunidade de visitadoras”, fossem educadoras ou enfermeiras.
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Madge Porto - UFPE
Mulheres que cuidam de mulheres e as políticas de enfrentamento a violência contra a mulher
As políticas públicas definidas pelo governo federal para o enfrentamento da violência contra mulher destacam a importância das ações em rede e demandam para as cuidadoras algumas atitudes e ações tais como: compreensão das relações de gênero; abordagem integral da situação de violência; conhecimento e manejo dos aspectos cíclicos do processo de violência; e a promoção de uma escuta não julgadora. Nesse contexto uma questão se apresenta: qual a preparação teórica, técnica e, principalmente, emocional das mulheres que cuidam de mulheres em situação de violência?
Nas décadas de 1970 e 1980 as mulheres que atuavam como cuidadoras eram as militantes feministas; hoje, por tratar-se de uma política pública que se amplia e se consolida a cada ano, as cuidadoras não são necessariamente feministas e não avaliam, necessariamente, as relações entre homens e mulheres e as situações de violência utilizando a categoria gênero. Contudo, há uma ação prevista pela política de enfrentamento a violência contra a mulher para o grupo de cuidadoras: a capacitação da equipe. Assim, com base na orientação de apoio às cuidadoras, foi instituída a Roda de Conversa em Psicologia , nome dado aos encontros quinzenais, no período de um ano, com as psicólogas da delegacia da mulher, centro de referência, casa-abrigo, maternidade e do programa Sentinela de um município da Região Norte (com aproximadamente 300 mil habitantes) com o objetivo de se discutir as questões da saúde mental no contexto das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. A cada encontro, as psicólogas/cuidadoras passavam a ter um outro olhar sobre as mulheres que atendiam e sobre si mesmas, como mulheres e trabalhadoras da saúde mental de outras mulheres.
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Maria Elisa Wotzasek Cestari, Marta Lucia de Oliveira Carvalho, Alexandrina Aparecida Maciel, Márcia Maria Fontão Zago - UEL
As questões de gênero nos comportamentos de prevenção do câncer das mulheres
Dentro de um estudo de prevenção de câncer identificamos questões de gênero que interferiam nas ações de cuidado à saúde. Foram entrevistadas nove mulheres usuárias de uma Unidade Básica de saúde do Paraná. O fato do profissional que realiza o exame ginecológico ser homem ou mulher interferiam na adesão as práticas de prevenção. Quando o profissional era homem, foram relatados sentimentos de vergonha e violência. Em relação aos profissionais do sexo feminino (enfermeiras), as usuárias relataram melhor aceitação do exame, entretanto, para algumas desnudar-se frente a um homem seria mais fácil, uma vez que, por estereotipo de gênero, este seria mais profissional do que as enfermeiras, que teriam uma ralação mais próxima, mas afetiva e confundidas neste papel, não teriam uma conduta profissional adequada. Assim, ressaltamos que a inclusão da discussão de gênero nos programas de prevenção é essencial para garantir a adesão das mulheres.
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Marilia Zendron
O impacto da doença grave de um filho sobre o sistema familiar
Este estudo focaliza o impacto da doença de um filho sobre as mães quando o tratamento é feito longe de casa, sendo necessário, portanto, lidar com a doença e com a separação do restante da família. Foram realizadas dez entrevistas semi- estruturadas com mães de crianças internadas numa casa de apoio a crianças com câncer, localizada na cidade do Rio de Janeiro. Os dados foram submetidos à análise de discurso. Os resultados mostraram que este afastamento pode afetar o relacionamento conjugal e o relacionamento com os filhos sadios, ocasionar a doença de outro membro familiar, influenciar na utilização de segredos familiares para lidar com a nova situação e configurar a possibilidade de crises na família, levando, muitas vezes, a uma reorganização familiar disfuncional.
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Rachel Aisengart Menezes, Maria Luiza Heilborn - UERJ    
A mulher e a assistência ao morrer: a construção de uma nova especialidade médica
Este trabalho apresenta um breve histórico do processo de construção de uma nova especialidade médica – os Cuidados Paliativos – voltada à assistência a doentes categorizados como “fora de possibilidades terapêuticas de cura”. A proposta inovadora, que teve origem na Inglaterra e nos Estados Unidos a partir dos anos 1960 e início dos anos 1970, vem se difundindo desde então e foi implementada no Brasil no final da década de 1980. De acordo com os divulgadores dos Cuidados Paliativos, seu sucesso se deve a três médicas, suas musas inspiradoras: Cicely Saunders, Elizabeth Kübler-Ross e Josephine Magno. A nova especialidade se diferencia das outras não somente pelo estudo e acompanhamento do processo do morrer, mas especialmente pela proposta de “assistência espiritual” ao paciente e a seus familiares, que abrange o universo das emoções e sua expressão frente à equipe de saúde. Em observação etnográfica e entrevistas com equipes de unidades paliativas brasileiras, constatou-se que a maior parte dos profissionais de saúde envolvidos no novo projeto é constituída por mulheres. Segundo os entrevistados, os homens que optam por esta modalidade assistencial possuem características geralmente consideradas femininas, como “sensibilidade, paciência e capacidade de doação”. Desde sua implantação no Brasil, a especialidade é objeto de comentários críticos e desqualificantes, como “falta de critérios científicos” ou “especialização em atestado de óbito”. O trabalho discute e analisa a articulação entre a construção da identidade profissional e as representações de gênero presentes entre os profissionais de saúde que, por seu turno, refletem imagens sociais amplamente difundidas sobre os encargos em torno do processo do morrer, religiosidade, expressão das emoções e os papéis desempenhados por mulheres e homens nestas esferas.
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Regina Maura Rezende
A mulher e o cuidado: retratos de felicidade na atenção a doentes mentais
A doença mental, bem como todos os aspectos que a envolvem sempre tendem a serem remetidos ao caráter de incurabilidade, periculosidade e sofrimento. A família, principalmente nos últimos tempos, dados os novos contornos adquiridos pela saúde em geral, vem assumindo papel preponderante no que se refere ao cuidado da pessoa em processo terapêutico. A mulher, enquanto mãe, esposa e filha desponta como uma personagem em evidência nesse cenário, uma vez que oferta historicamente o cuidado em vários segmentos. Enquanto cuidadora, a mulher passa a desempenhar funções antes atribuídas às instituições fechadas, ofertando ainda um diferencial: o bem cuidar. Buscando lançar luzes a uma realidade ainda escondida nos lares, o presente estudo, buscou através de metodologias como o grupo focal e entrevistas com posterior análise de conteúdo mostrar a presença do cuidado ou ainda de mulheres cuidadoras, não só pela imposição da realidade, mais pela presença nos aspectos ainda não descortinados pelas ciências contemporâneas: a felicidade. A mulher cuidadora protago-nista principal desse estudo relaciona-se não somente pelo caráter imediatista, vinculando ao sofrimento, mais transcende, ofertando verbalmente a presença de prazer e felicidade na “atividade”, ou ato de cuidar. O estudo permitiu encontrar a presença de mulheres que vislumbram a oferta de vida melhor ao outro, bem como na efetiva possibilidade de adentrar em um universo ainda não descortinado e desvendado, ou seja, a possibilidade da existência de cuidar, não só por necessidade, mas por prazer, por crer na melhoria da qualidade de vida da pessoa, do ser humano, não restrito ao particular, mas na sua dimensão ontológica de usufrutuário do direito de pertencimento, de ser feliz.
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Rejane Marie Barbosa Davim, Rosângela de Medeiros Caldas, Ana Maria Rego
Um projeto de extensão que deu certo na humanização ao parto e nascimento realizado pela enfermeira obstétrica em uma maternidade pública de Natal/RN
Este projeto teve seu início desde 1998, da parceria entre o Departamento de Enfermagem e a Maternidade Escola Januário Cicco, ambas da UFRN, em Natal/RN. Tem como objetivo assistir a mulher em trabalho de parto de forma humanizada, utilizando-se para isso estratégias não farmacológicas não invasivas como os exercícios respiratórios, relaxamento muscular, massagem lombar, banho de chuveiro entre outras, juntamente com a relação interpessoal, com a finalidade de aliviar a dor e a ansiedade das parturientes durante o trabalho de parto. Os resultados obtidos nesse projeto são subsídios para uma reflexão aos profissionais que trabalham em centros obstétricos, valorizando o momento do nascimento e o vínculo mãe/filho/acompanhante, como também oportunizando o crescimento profissional, fortalecido pela integração ensino-serviço-comunidade.
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Silvana Schwerz Funghetto, Janice Regina Rangel Porto, Eva Néri Rubin Pedro
Fragmentos de duas histórias de vida: mulheres cuidando de mulheres
Objetivo: Desvelar a importância da escuta e das orientações enquanto ser cuidador-mulher, na promoção da qualidade de vida de uma paciente com câncer de mama. Metodologia: Pesquisa qualitativa, descritiva-exploratória na forma história de vida. Aspectos éticos: Os aspectos éticos foram respeitados de acordo coma resolução 196/96 e com a assinatura do consentimento livre e esclarecido. Resultados: Ao relacionar-me com a mulher portadora de câncer de mama construindo um diálogo intersubjetivo, compartilhei o encontro como um momento existencial, buscando significância dos mesmos.Considerações finais: Perfilhar a existência singular do ser humano em condições de ser doente torna possível o desenvolvimento de suas potencialidades, não unicamente ao ser cuidado, mas também em relação ao ser que cuida.
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