Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 



ST30 - Gênero e etnicidade  nos processos identitários: reconfigurações da “cultura” e do “político” na contemporaneidade

Coordenadoras:     Margarete Fagundes Nunes UFSC/ Feevale-Novo Hamburgo/RS 
                               Ruth Sabat - (UFRGS)
                               Dircenara dos Santos Sanger UFRGS /Faculdade da Serra Gaúcha

Resumo

O mundo contemporâneo tem engendrado formas de subjetivação muito complexas, pois ao mesmo tempo em que abre espaço para uma certa “transnacionalização” das políticas de identidade,   provoca uma retomada dos  aspectos locais  sustentadores  de um discurso e de uma prática de demarcação das diferenças. Vislumbram-se novas representações culturais em torno das  identidades de raça/etnia e gênero;  as ações afirmativas estimulam novas retóricas sobre o entrelaçamento das políticas de  “gênero e etnicidade”, assumindo feições muitos particulares em contextos históricos específicos; problematizam-se os sujeitos individuais e coletivos e seus processos de sociabilidade e socialidade; os discursos e as práticas que sustentam as reivindicações culturais e políticas fundamentadas no entrecruzamento dos conceitos de gênero e etnicidade suscitam  muitas das  reflexões e dos questionamentos oriundos de diversas áreas do conhecimento; noções como as de cidadania, democracia, nação e representação política, mesclam-se às reflexões  sobre  diversidade racial/étnica e de gênero. O Simpósio Temático “Gênero e Etnicidade nos Processos Identitários: reconfigurações da 'cultura' e do 'político' na contemporaneidade” pretende reunir trabalhos que tenham como cerne  essas reflexões. Assumindo uma postura interdisciplinar, o respectivo simpósio temático tem a intenção de aglutinar leituras distintas sobre os arranjos de gênero e etnicidade tanto nos contextos locais quanto nos processos transnacionais.            


Trabalhos

Ana Paula Comin de Carvalho - UFRGS
O protagonismo feminino nos processos de Reivindicação de regularização de terras de comunidades remanescentes de Quilombos no Rio Grande do Sul
Tomando como universo empírico os processos de reivindicação de regularização de terras de duas comunidades remanescentes de quilombos do Rio Grande do Sul, Família Silva em Porto Alegre e Manoel Barbosa em Gravataí, procuro refletir sobre o protagonismo feminino observado nessas situações. Não são somente as relações étnicas que estão sendo reconfiguradas nesses contextos de atuação política na luta pela terra, mas também as relações de gênero. As mulheres negras passam a ocupar um lugar de destaque nas suas próprias comunidades e junto às instituições públicas com as quais interagem em função de suas reivindicações. As implicações recíprocas das categorias de gênero e etnicidade observados nesses processos políticos da contemporaneidade revelam a importância dessas dimensões na constituição das identidades sociais desses sujeitos.
PDF

Carla Nichele Serafim - UFSC
Gênero e etnicidade: estudo com descendentes de italianos no município de Urussanga
Realizo uma pesquisa etnográfica em um município colonizado por imigrantes italianos. Urussanga está localizada a 185 Km ao sul de Florianópolis, SC. Em 1978, com a comemoração do centenário da imigração italiana no município, foi iniciado o trabalho de recuperação da identidade italiana em Urussanga. Foram criadas Associações Italianas no Município, organizadas festas municipais (Festa do Vinho e a Festa Ritorno Alle Origine), sendo esta última voltada para os costumes e tradições dos descendentes de italianos. Urussanga é co-irmã de Longaroni, cidade italiana. A retirada da dupla cidadania permitiu a migração de alguns descendentes para a Itália. Investigo os diferentes sentidos que homens e mulheres atribuem a sua etnia de origem e se existem mudanças nos sentidos atribuídos à sua origem étnica em diferentes gerações e classes sociais de descendentes de italianos.
PDF

César de Miranda e Lemos - UFRJ
Vozes de uma emancipação: a mulher indígena como protagonista
O presente trabalho possui conexões com a pesquisa que desenvolvo no Doutorado. Visa expor as dimensões de uma invisibilidade, e de seus esteriótipos, nas narrativas construídas a respeito da participação de mulheres indígenas nas relações de contato com a sociedade envolvente. Tomando como fio condutor dessa reflexão a trajetória de duas lideranças indígenas e, num estilo prosopo-gráfico, a historicidade dessas trajetórias nos tempos contemporâneo e presente para uma leitura do sentido emancipatório dessas vozes protagonistas.
PDF

Dieuwertje (Dyi) Huijg, Mafoane Odara - Universidade de Amsterdã
Relações raciais e gênero: a invisibilidade da branquitude nos estudos acadêmicos sobre o tema
Este trabalho se propõe a apresentar a construção da identidade e posição social branca nas relações de gênero dentro dos estudos acadêmicos. Assim como gênero, raça também se apresenta como uma categoria relacional. Isto quer dizer, que as raças se definem na relação com o outro. Mas no caso da branquitude, definida como uma construção social de um lugar de privilégio que acarretam implicações sociais, econômicas e políticas, esse, muitas vezes, é invisibilizado na história dos povos do mundo. Para combater as desigualdades raciais e o racismo nossa sociedade, essa construção de identidade e de pertencimento do grupo racial branco são necessários. Para tal propomos identificar o lugar branco, e reconhecê-lo racialmente; problematizar a branquitude e o privilégio branco no contexto brasileiro, e em específico, na academia.
PDF

Gisele Thiel Della Cruz
Os arranjos do compadrio e a manutenção da identidade étnica alemã (Curitiba – séc. XIX E XX)
Essa comunicação pretende apresentar discussões teóricas sobre o compadrio, sua relação com a manutenção da identidade alemã e o papel desempenhado pela mãe/madrinha nesse processo. A análise consiste em apontar estratégias na organização do compadrio como possíveis arranjos para a manutenção dos laços de parentesco, fortalecimento e/ou sacralização das relações de vizinhança e amizade na conservação da identidade étnica alemã em Curitiba (séc. XIX-XX). A contribuição dos historiadores para o estudo do compadrio talvez consista em encontrar, ao longo do tempo, a existência de padrões de compadrio, mudanças ou permanências, que possibilitem novas indagações sobre preferências da mulher (e sua parentela) nessas escolhas, estruturas familiares ou redes de parentesco, em contextos sociais e culturais específicos.
PDF

Iraildes Caldas Torres - UFAM
O patrimonialismo e as mulheres da Amazônia de ontem
A Amazônia colonial de estrutura indo-européia é responsável pela visão de que a mulher índia é lasciva sexual. Contraditoriamente ao discurso religioso acerca do libelo pecaminoso do corpo da mulher, a Igreja colocar-se-á como intermediária do comércio sexual na sociedade colonial. Este estudo realiza um exame da política de povoamento da Amazônia consubstanciada no Directório (1758) que é o instrumento mais importante da política pombalina. Verificou-se que dentre os cânones de ressocialização constava o casamento entre portugueses e índias possivelmente para atender aos propósitos de fixação do império lusitano na região. Pode-se concluir que essa imagem distorcida da mulher índia como permissiva sexual ainda impõe vergonha e constrangimento às mulheres amazonenses. Trata-se de uma violência moral que atinge as singularidades étnicas e recria o plasma social do exotismo.
PDF

Kaizô Iwakami Beltrão, Sonoe Sugahara, Moema de Poli Teixeira - IBGE
Filho de peixe...: declaração de cor/raça dos filhos de casamentos mistos
Existe uma tradição histórica de miscigenação racial na sociedade brasileira desde os primórdios coloniais. Como se estruturam internamente as famílias brasileiras com respeito a um conceito de hierarquia racial? Nas pesquisas realizadas pelo IBGE onde se pergunta a cor/raça do indivíduo, ainda que as respostas possam ter um grau de subjetividade, parece haver uma certa persistência temporal e as margens de variação, quando mensuradas não ultrapassam 5%. Como se declaram os filhos de casais nos quais os pais são de grupos diferentes de cor/raça? O estudo pretende analisar dados dos censos de 1960, 1980, 1991 e 2000 para identificar um padrão de resposta ao quesito cor/raça nos filhos de casamentos mistos com as diferentes combinações dos grupos de cor/raça dos pais.
PDF

Luísa Grigoletti Dalla Rosa - UPF
O papel das mulheres kaingangs em acampamento indígena no município de Passo Fundo, RS
A existência de um acampamento indígena do município de Passo Fundo em caráter provisório, colocou grupos femininos kaingangs no centro do seguinte contexto: o acampamento deixou de representar apenas uma forma de resistência política e foi sendo modificado para novas relações e possibilidades de inserção comunitária; as atividades de artesanato tiveram um maior espaço neste contexto, sendo que a confecção de cestarias é praticada, em grande medida, pelas mulheres e por elas comercializadas junto de seus filhos. Esta prática realizada tem sido um fator de preservação cultural, pois indivíduos de outras áreas indígenas vem ao município de tempos em tempos somando-se na realização de tais tarefas. Portanto, essa prática cultural tem colocado a possibilidade de obtenção de renda, configurando uma redefinição do papel feminino.
PDF

Luisa Natalia Caruso López - Universidad Nacional de Colombia/Medelín
Mujeres indigenas y movimiento de mujeres en Colombia en medio del conflicto social y armado
La ponencia busca una aproximación a algunos de los debates y transformaciones sociales que en el contexto del conflicto social y armado se han planteado dentro de las relaciones de las mujeres indígenas y el movimiento de mujeres en Colombia. Los movimientos con reivindicaciones culturales y de género, asumiendo estrategias de gran visibilización o focalización local, han logrado -en un ambiente político de predominio de las propuestas militaristas y de exclusión de la diferencia y lo diverso- logros significativos en los últimos tres lustros. Los alcances de estas transformaciones en el plano de las representaciones políticas y de género, así como las paradojas y retos que enfrentan las luchas asumidas por estos movimientos de mujeres, constituyen el eje central de esta ponencia.
PDF

Margarete Fagundes Nunes - UFSC/FEEVALE
O local e o global nas políticas de identidade
O trabalho relaciona os conceitos de gênero e etnicidade tendo como referência estudos que focalizam na globalização e suas conseqüências para as políticas de identidade. Nesta direção, examina algumas leituras do Brasil contemporâneo que versam sobre os movimentos sociais – especialmente negro e feminista - e enfatizam o entrelaçamento entre algumas teorias e ações globais e os discursos e práticas locais. A dicotomia local/global tem servido tanto de pretexto à oposição de alguns teóricos às ações afirmativas no Brasil quanto à defesa da narrativa da brasilidade “mestiça”. Pensar as fronteiras entre o local e o global nas políticas identitárias tornou-se condição sine qua non para as atuais pesquisas no interior das ciências sociais e humanas.
PDF

Marjorie Nogueira Chaves - UnB
Políticas de localização: o lugar das mulheres negras nos feminismos
A presente proposta para o referido ST tem por objetivo a discussão da identidade das mulheres negras dentro dos feminismos como construto formado ao longo do tempo, através de mecanismos de subjetivação. O corpo é o lugar envolvido no estabelecimento e na reivindicação de uma identidade sexual, étnica, racial ou religiosa, portanto, um efeito não da genética, mas das relações de poder que nos constitui sujeitos históricos. Uma vez que os conceitos de sexo, raça e etnia são criados – não inerentes ao humano – categoriza os corpos, em termos de pertencimento/discriminação dentro das práticas sociais. As mulheres negras assumem responsabilidade por suas próprias identidades em sua pauta de luta no interior do movimento feminista, resistindo a pressupostos baseados na categoria unificada de “mulher”, abrindo espaços de discussão dentro de sua própria experiência.
PDF

Regina Marques Parente
A criação da identidade negra
O artigo discute os modos como as representações culturais de raça e gênero estão implicadas na criação da masculinidade dos homens negros que participam de um grupo religioso, afro-católico no município de Osório-RS. Ao analisar como se dá essa criação, demonstram-se quais representações culturais de homem negro são desejadas, incentivadas e excluídas do referido grupo e examinam-se as estratégias e os modos pelos quais uma prática pedagógica cultural, presente no grupo, faz operar a afirmação de uma identidade negra. As problematizações examinadas neste artigo estão articuladas à perspectiva teórica dos Estudos Culturais e Estudos Feministas.
PDF

Sílvia Aguiar Carneiro Martins - UFAL
Algumas observações sobre incorporalidade feminina e de gênero entre os Kariri-Xocó
Pretendo discutir incorporalidade feminina (female embodiment) e incorporalidade de gênero (gendered embodiment) entre os Kariri-Xocó (grupo indígena localizado em Porto Real do Colégio, AL). Tendo desenvolvido pesquisa de campo durante nove meses em 2001, investiguei a diferença sexual entre homens e mulheres xamãs, bem como suas concepções sobre a diferença entre o corpo masculino e o corpo feminino. A noção de gênero utilizada focalizou o que está implícito em assumpções lógicas através de discursos sobre o corpo marcado por gênero (gendered body). Também será abordado como se dá a naturalização da heterossexualidade a partir das concepções sobre a corporealidade feminina (etnofisiologia) e fluidos do corpo que, no contexto cultural investigado, estão interrelacionadas aos processos fisiológicos reprodutivos.
PDF

Terezinha Richartz - PUC/SP
Relações de gênero na política: a importância da legislação de cotas para as eleições proporcionais no legislativo paulista
As questões de gênero têm suscitado inúmeras discussões em todas as partes do mundo. No Brasil em específico, a aprovação da Lei nº 9.504, em 1997, instituiu cotas de 30% de mulheres para todas as eleições proporcionais, colocando em cheque o modelo de democracia representativa que exclui das instâncias de representação, praticamente metade da população: as mulheres – sem falar nos negros e pobres. O objetivo desse trabalho é discutir os paradoxos (implantação da cota e a participação efetiva das mulheres no processo decisório) enfrentados pela categoria mulheres para cargos no legislativo em São Paulo, além de apontar para a possibilidade de que as ações positivas possam desencadear mutações nos sistemas de representação levando a pequenas revoluções no modelo democrático.
PDF

Vera Regina Rodrigues da Silva - Faculdade Montserrat/Caxias do Sul
Os negros da Anastacia: uma abordagem antropológica sobre identidade étnica, gênero, cultura e política na trajetória de uma comunidade quilombola
Este trabalho busca, através de uma abordagem antropológica que dialoga com as categorias analíticas de identidade étnica, gênero, cultura e política, inserir-se na ótica de produções científicas que abordam a temática dos territórios quilombolas no Brasil, especialmente no sul do país. Para tanto, se propõe a investigar, a partir do método etnográfico, o processo identitário que engendra as reconfigurações étnicas, culturais e políticas protagonizadas por homens e mulheres que se auto-atribuem uma identidade quilombola. O universo de pesquisa abrange o território do Quilombo da Anastácia, no município de Viamão/RS, o qual sugere nas falas nativas, o referencial constantemente manejado da ancestral fundadora do grupo, Anastácia, como um símbolo de distintividade e pertencimento étnico.
PDF