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ST31 - Gênero, etno-conhecimento e meio ambiente

Coordenadoras:     Marcos Fábio Freire Montysuma (UFSC)
                               Temis Gomes Parente (UFT)

Resumo

Este simpósio temático visa reunir trabalhos preocupados com as interações com o meio ambiente numa perspectiva de gênero, buscando perceber a produção e disseminação do etno-conhecimento constituído nas culturas das populações situadas nos diversos ecossistemas e entrever suas aplicações e usos na vida cotidiana; focalizar suas interfaces nas relações com os movimentos sociais ambientais e sindicais, nas formulações preservacionistas e ecológicas. Ao problematizar as relações de gênero neste contexto, procuraremos também analisar as relações entre os sujeitos masculinos e femininos e suas afetividades frente às suas práticas políticas e sociais em interação com o ambiente.


Trabalhos

Cezar Karpinski
Mulheres e homens diante das águas: experiência, subjetividade e memória em Salto Caxias
A proposta desta comunicação é estabelecer um diálogo entre os conceitos teóricos de subjetividade, experiência e memória com as práticas de uma população circundante ao reservatório da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias (Região Oeste e Sudoeste do Paraná, na década de 1990). No estudo em tela, procuramos perceber as diversas formas estabelecidas por homens e mulheres na construção de novas territorialidades após a inundação das terras pelas águas que destruíram espaços de sociabilidades e projetos de vida. Neste sentido, as questões do gênero atuantes nas interações com o meio ambiente se fazem instigantes, pois os processos culturais da constituição/construção dos sujeitos parecem cotejar as percepções que têm do meio ambiente, refletindo modos como atuam no cotidiano.
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Clitia Helena Backx Martins
Mulheres na reciclagem: questões de gênero e percepções sócio-ambientais
Neste artigo, enfocam-se aspectos relativos à participação e percepções de mulheres catadoras na atividade de separação e pré-beneficiamento de resíduos sólidos recicláveis, em galpões de reciclagem situados na Região Metropolitana de Porto Alegre, nos quais as mulheres correspondem a 67% do total dos trabalhadores. Quanto às motivações e expectativas em relação à atividade que desempenham, observa-se que, em média, as mulheres permanecem em maior número e por mais tempo do que os homens, no trabalho dentro dos galpões. Entre os fatores apontados em relação à motivação para o trabalho na reciclagem, as respostas entre trabalhadoras e trabalhadores mostram diferenças: enquanto para as mulheres o principal fator se refere à relevância em trabalhar com o meio ambiente (44% das respostas), no caso dos homens, esse mesmo fator foi apontado por apenas 24% dos trabalhadores do sexo masculino.
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Daiana Brito Martins
Campesinato e relações de gênero em uma comunidade rural da Amazônia
A Amazônia é um cenário que aglomera uma multiplicidade de atividades, atores sociais e experiências de vida surpreendentes, de lutas e conquistas de espaço para uma sobrevivência digna, principalmente no meio rural. Suas comunidades sobrevivem, em sua maioria, dos recursos naturais oferecidos pela floresta num processo de agregação de valor. Interessada em conhecer melhor essa realidade do povo amazonida, pesquisamos a comunidade rural Pancada do Camaipi, localizada no Sul do Estado do Amapá, hoje assentamento da reforma agrária, anteriormente fora uma região tradicionalmente extrativista da castanha-do-brasil e do látex. Trazidos de outras localidades, principalmente do interior do Pará, estes homens e mulheres foram com o passar dos anos fixando-se na região, fazendo surgir essa comunidade ribeirinha.
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Eliana de Barros Monteiro
O que pra mim o rio é
Este trabalho é fruto de algumas vivências por entre o T.I. Truká, situado no sertão pernambucano, em que ressaltamos a riqueza das influências das mulheres Truká nos diversos sistemas de integração cultural deste povo. A partir do rio São Francisco, símbolo da cultura de resistência de tantas populações indígenas que por ele passaram e se estabeleceram, podemos compreender como se constituem estas influências, expressas na relação cotidiana destas mulheres com os sistemas organizativos de suas famílias, com o dia a dia de trabalho, na participação de mobilizações políticas, na formação pedagógica sobre a importância do rio, etc. Guiando essas narrativas em vídeo, o presente trabalho visa contribuir com a reflexão sobre a identidade do povo Truká, através de suas relações de gênero, pautadas na sua histórica relação de interdependência com o São Francisco.
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Emma Cademartori Siliprandi
Ecofeminismos: mulher, natureza e outros tipos de opressão
O artigo faz um balanço crítico das contribuições do Ecofeminismo para a discussão da questão ambiental, situando-o em relação às correntes ambientalistas ecocentristas, por um lado; e em relação às correntes feministas igualitaristas, por outro. Examina o Ecofeminismo em suas diversas correntes (clássica, ou precursora; espiritualista; e construtivista), apresentando as suas principias representantes e as críticas a essas vertentes teóricas. Propõem-se questões para pensar possíveis interfaces entre os movimentos ecológicos e feministas, a partir da análise das matrizes de pensamento dessas correntes.
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Flávia Rodrigues dos Santos
A relação entre desenvolvimento do turismo e percepção ambiental das mulheres que vivem no entorno do Parque Estadual do Jalapão, TO
O objetivo dessa comunicação é discutir sobre a influência exercida pelo turismo desenvolvido no Parque Estadual do Jalapão, no Estado do Tocantins, nas mulheres que vivem em seu entorno. Enfoca-se os papéis desempenhados pelas mulheres que atuam no receptivo turístico do município de Mateiros e quais as mudanças ou permanências que atingiram o cotidiano dessas mulheres. Além disso o estudo busca compreender, através de suas falas, qual a visão que elas adquiriram com essa atividade no que se refere a conservação da biodiversidade. O método utilizado como principal fonte de consulta foi a fonte oral, tendo sido entrevistadas mulheres que atuam no turismo tanto no âmbito rural quanto urbano.
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Marcos Fábio Freire Montysuma
Gênero e meio ambiente: uma invisibilidade das mulheres na construção da floresta na Amazônia
Buscamos formular algumas percepções acerca das interações de mulheres e homens na floresta amazônica, e do como as mulheres superam invisibilidades constituídas historicamente no processo produtivo, no extrativismo da borracha. Através da História Oral é possível realizar reflexões referentes a determinados aspectos, que podem contribuir para modificar nossas análises quanto à organização do trabalho e da compreensão da floresta, ao considerar em nossos estudos as perspectivas de gênero. Discutiremos as ações humanas no habitat de floresta, percebendo o compartilhamento das experiências dos sujeitos. A idéia que nos remete a essa discussão visa contrapor o entendimento de que a extração do látex e a potencialização dos recursos florestais estiveram sob hegemonia masculina.
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Marina Haizenreder Ertzogue
Quebradeiras de coco no Tocantins: uma história de resistência pela natureza
Nesse texto, realizado a partir de entrevistas com as mulheres extrativistas no Tocantins, abordo as relações de gênero e meio-ambiente, através de depoimentos que enfocam o devassamento da Amazônia Legal, na perspectiva das quebradeiras de coco na região do Bico do Papagaio. O cercamento dos campos, a derrubada e o envenenamento dos palmeirais associado à figura do "catador de coco" a serviço de empresas de refino de óleo vegetal na região, desencadeiam conflitos sociais e econômicos na construção da identidade das populações tradicionais dessa região que dependem do extrativismo. Como alternativa constituiu-se uma rede de solidariedade e resistência liderada pela ASMUBIP (Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco da Região do Bico do Papagaio).
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Naia Oliveira
Grupo mulheres da terra: uma abordagem do ecofeminismo e da alfabetização ecológica
Trata-se do relato da pesquisa-ação com os grupos Mulheres da Terra, no Assentamento Projeto Viamão, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), cujo objetivo foi contribuir para ampliação da consciência sócio-ambiental. A noção do ecofeminismo e a metodologia da alfabetização ecológica foram os eixos condutores, pois nosso foco reunia a questão de gênero e a ambiental, numa perspectiva de formação e desenvolvimento de uma atividade laboral com a possibilidade de geração de renda, através do reaproveitamento de material, como retalho de tecido, garrafas PET e jornais, na confecção de produtos artesanais.
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Regina C. Di Ciommo - UFSCar
Contradições da conservação – algumas questões de gênero nas reservas extrativistas marinhas
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Rodrigo Rossi
Representações sociais, gênero e justiça ambiental: as relações entre as mulheres chefes de família e o Arroio do Padre em Ponta Grossa - PR
O presente estudo analisa as diferentes representações sociais construídas sobre o Arroio do Padre, na Vila Nova, pelas mulheres chefes de família em Ponta Grossa – PR, cuja ocupação para uso residencial da população mostra uma concentração de mulheres chefes de família, com baixo rendimento, que enfrentam, além da precariedade de infra-estrutura e serviços urbanos, as adversidades provocadas pela proximidade ao arroio. Conforme exploração realizada, as representações sociais construídas sobre o arroio são estruturadas de forma diferenciada, conforme o perfil de experiências desenvolvidas. As construções simbólicas que os diferentes grupos de mulheres chefes de família desenvolvem em relação ao Arroio do Padre são elementos constitutivos de suas ações e das relações que elas estabelecem com a sociedade e a natureza da qual fazem parte.
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Temis Gomes Parente
Memória e gênero: narrativas de mulheres desterritorializadas
Esta pesquisa aborda as memórias e narrativas de mulheres desterritorializadas pela Construção da Usina Luis Eduardo Magalhães no rio Tocantins – TO. A nossa pesquisa enfoca especificamente às mulheres que antes moravam no antigo povoado de Pinheirópolis, município de Porto Nacional – TO. O objetivo é analisar as narrativas dessas mulheres e através de suas memórias refletir sobre os papeis de gênero que perpassam nas suas falas. O estado do Tocantins está passando pos significativas transformação, principalmente no que se refere ao meio ambiente devido a construções de grandes Usinas Hidrelétricas, e, as comunidades ribeirinhas são as que foram mais afetadas por estas mudanças. Como metodologia, utilizamos a história oral, por entender que é uma ferramenta que nos permite identificarmos as principais mudanças dessas comunidades que viviam às margens do Tocantins antes da formação do lago.
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