Apresentação
 
Organização
 
Programação
 
Simpósios e Pôsteres
 
Autores
 



ST32 - Gênero, teoria e literatura: intersecções multiculturais

Coordenadoras:     Paulo César Silva de Oliveira - Universidade Iguaçu/RJ
                               Márcia Lisbôa (UFF)
                               Douglas Rodrigues da Conceição - Universidade Metodista de São Paulo

Resumo

Este Simpósio tem como objetivos estabelecer conexões multidisciplinares acerca das questões de gênero e preconceito, no âmbito da ciência da literatura, dos estudos comparados, dos estudos culturais e das ciências da religião. Sob a ótica principal da literatura escrita por mulheres, queremos promover um núcleo de debates em que os temas da exclusão, inclusão, transgressão, religiosidade e preconceito formem uma rede de questionamentos capaz de: estabelecer o lugar da crítica feminista nos estudos culturais e literários, hoje; estudar de que forma a produção literária recente estabelece, na temática da mulher, elementos de transgressão em relação à ordem patriarcal; mostrar como a questão da religião é porosa e perpassa a produção literária e teórica atual; estimular o debate e as interseções multidisciplinares visando a estabelecer um campo de saber não-ortodoxo, que opere nas lacunas e fronteiras do pensamento; mapear a produção literária brasileira recente e que tenha a problemática de gênero como tema e preocupação central; compreender o estado das pesquisas em torno das questões de gênero na crítica acadêmica contemporânea. Deste modo, o Simpósio procura ser fiel a seu título, propondo, na discussão crítica, a construção de formas de saber oriundas do contato / embate de disciplinas diversas, que no campo das idéias possam estabelecer novos rumos e questionamentos aos estudos culturais, nos quais as questões do preconceito e gênero estão abrigadas e, certamente, são de extrema relevância para se pensar a contemporaneidade.


Trabalhos

Anna Beatriz da Silveira Paula
Margens silenciosas: a expressão da mulher indiana
O presente trabalho tem como objetivos apontar a importância da autoria feminina para a literatura indiana de língua inglesa contemporânea. É nossa intenção mostrar que além de ser uma renovação dessa literatura, antes divulgada por autores como Salman Rushdie e Upamanyu Chaterjee, o trabalho dessas autoras também representa uma ampliação do reconhecimento da escrita dialetal daquele país. Para isso, enfocaremos o romance O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy, premiado com o Booker Prize. Nele destacaremos como essa autora local constrói um foco narrativo inovador, enveredando pelas profundas questões internas de seu país: as castas, as religiões e a condição da mulher no espaço privado e público. Nesse sentido, a Índia não é revista em seu movimento histórico, mas numa dimensão humana do ser mulher e do ser marginal, sustentando no pano de fundo as questões do pós-colonialismo e da pós-modernidade.
PDF

Beatriz Bajo Y Rebollar
Gotas de sangue de uma estátua urgente: uma análise mística e porosa de Água Viva, de Clarice Lispector
Gotas de sangue de uma estátua urgente investiga a obra Água viva, de Clarice Lispector,’ na medida em que aceita sua escrita como uma afirmação do presente. O trabalho se costura pelo viés da linguagem e todas as suas potencialidades, desde a individuação como registro de nova presença, em tempo e espaço; passando pela capacidade de socialização até a fusão entre sujeito e objeto, para atingir o silêncio, que é a impossibilidade de representação do real. Nesta ocasião, a escritura transcende e alcança total liberdade expressiva, fissurando os enquadramentos do que vinha sendo feito pela literatura brasileira. Buscando o intervalo entre o silêncio e a palavra (entre-lugar) – onde tece enovelados do que se passa atrás do que está atrás do pensamento – encharcado de instante-já está o presente, prolongado indefinidamente.
PDF

Cláudio do Carmo Gonçalves - Faculdade Salgado de Oliveira
Do lugar pra fora – o trânsito na poética de Marta Medeiros
Este trabalho pretende abordar a poética recente de Marta Medeiros, especialmente no tocante a quatro de suas obras: “Strip tease”, “Meia-noite e um quarto”, Persona non grata; “Cara lavada”, cujos deslocamentos se mostram visíveis, emudecendo uma tradição textual sublinhada pela retórica conformada e saltando não para um diálogo, mas sim para uma fundação.
PDF

Débora Moreno - Faculdade Salgado de Oliveira
A morte do outro em Fazes-me falta, de Inês Pedrosa
Este trabalho pretende investigar as singularidades das faltas, o transitório e o permanente expressos na separação e na morte. O lugar da morte do outro, o sentido da falta na manifestação lírica, bem como a relação baseada na possibilidade da imprecisão. Fazes-me falta desmente sutilmente a desagregação, revelando um outro espaço ocupado pela alteridade.
PDF

Douglas Rodrigues da Conceição - Universidade Iguaçu
Religião e erotismo na poesia de Adélia Prado
A obra poética de Adélia Prado é permeada por uma dimensão que põe em cena o religioso e o erótico. As desconfianças que nos lançavam para o campo do religioso-erótico na obra adeliana tornaram-se mais claras em fevereiro de 2005, durante uma entrevista que realizamos em seu apartamento, em Belo Horizonte. Disse Adélia: “Penso todos os dias em sexo, na morte e em Deus”. Esta mesma declaração de Adélia explode de sua poesia como eu-poético feminino que capta a realidade a partir do tangível e do imanente. Distanciando-nos das concepções que elevam o religioso e o erótico a uma dimensão transcendente, esta comunicação pretende apresentar como esses dois elementos (o erótico e o religioso), na poesia adeliana, participam das regiões da imanência.
PDF

Edvânia Medeiros da Silva
Relações de gênero em Much Ado About Nothing, de William Shakespeare"
O presente trabalho aborda as relações de gênero na literatura, mais especificamente na comédia shakespeareana Much Ado About Nothing. Ele está baseado nas teorias de Marilyn French que analisou as obras de Shakespeare sob a perspectiva de gênero, de acordo com as suas idéias sobre os princípios de gênero. Shakespeare soube muito bem, abordar as diferenças entre os dois gêneros, sem subestimar o feminino, historicamente considerado inferior. Ele trata as relações de gênero de uma forma original, em uma linguagem que denuncia a hipocrisia e injustiça a que estão historicamente submetidas as mulheres. Neste trabalho abordamos as características gerais da comédia shakespeareana; fazemos uma discussão do conceito de gênero e, analisamos a comédia Much Ado About Nothing de acordo com os princípios de gênero de French.
PDF

Fernanda Müller
Do viajante à imigrante: o relato de viagem feminino
Relatos de viagem sempre foram, historicamente, narrativas masculinas sobre feitos heróicos de peregrinos, marujos, viajantes e colonizadores. Com o advento da Modernidade, no entanto, a mulher começa a tomar acento nas caravelas e nos navios, nas carroças e no lombo dos cavalos, nos trens e nos carros. Essa tomada de posição, contudo, não se limita a protagonização de cenas que antes eram narradas por homens, mas ao fato de passarem a ocupar também o lugar de quem redige os textos. Tal é o caso do romance Amrik, de Ana Miranda, no qual a autora dá voz a uma personagem que protagoniza um relato de viagem bastante particular. Explorando o importante filão literário da imigração, ela aponta, na perspectiva feminina, quais foram os papéis oferecidos a homens e mulheres árabes que desembarcaram no Brasil do século XIX, com ênfase para a representação social da mulher oriental enquanto sedutora, sensual e exótica.
PDF

Ivan Sousa Rocha - UFPR
As duas Mrs. Dalloway: o romance de Virginia Woolf e sua versão para o cinema
O presente trabalho propõe-se a uma análise da transposição do romance Mrs. Dalloway (1925), da escritora inglesa Virginia Woolf, para o filme de mesmo nome (1997), dirigido pela holandesa Marleen Gorris. O que se procura não é uma comparação, para se concluir sobre qual das duas obras seria “melhor”, e sim perceber, dadas as diferenças entre as linguagens, se a transposição da obra literária para o cinema foi bem sucedida. Nesse sentido, o trabalho pretende mostrar a maneira como as duas obras tratam da subjetividade dos personagens, bem como seus temas principais. Em um primeiro momento, serão tratados alguns temas concernentes à adaptação, do ponto de vista teórico. Em seguida será tratado o romance (enfocando-se suas características mais relevantes) e por fim o filme (com ênfase igualmente em suas características principais).
PDF

Laura da Silveira Paula
A terceira mulher
Nas sociedades ocidentais contemporâneas, uma nova figura social do feminino se manifesta e promove uma ruptura importante na história das mulheres. Essa mulher-sujeito a quem chamamos a terceira mulher está marcada pelo poder de livre disposição de si e pela exigência de re-inventar-se a cada passo, fora de qualquer imperatividade social. mas a mulher-sujeito conjuga descontinuidade e continuidade, determinismo e imprevisibilidade, igualdade e diferença: a terceira mulher conseguiu reconciliar a mulher radicalmente outra e a mulher sempre recomeçada.
PDF

Lúcia Regina Crisóstomo - Universidade Veiga de Almeida
Feminilidade – sua perda e possível reconquista no gênero feminino
Este ensaio pretende discutir o subjetivo-lugar da mulher sob o ponto de vista da reconquista da identidade, explorando alguns textos literários em que se verifica esse movimento. Constatamos que, embora tenhamos começado a re-estabelecer o lugar da mulher no mundo moderno, ainda não fizemos o suficiente. Os valores femininos foram perdidos pela própria mulher que, erroneamente, se identificou com os valores masculinos em busca de sua expressão pessoal. É preciso, pois, transgredir, a mulher precisa desvincular-se do modelo patriarcal, para que possa reencontrar o subjetivo-lugar em que se encontram sua integridade e sua identidade. A expressão feminina se orienta no sentido contrário ao masculino. Este é vivido de forma subjetiva e solar, valorizando o pensar e o agir, enquanto o viver feminino reside no interno e lunar, ressaltando valores como a intuição, o sentimento, a sensibilidade e a criatividade. Buscar esta inteireza e esta grandeza pessoal é o trabalho fecundo que toda mulher deveria realizar. Só esta grande aventura – a aventura de reencontrar-se - a fará plena e realmente MULHER.
PDF

Luciana Borges
Transitando pelas margens: pornografia e erotismo em Clarice Lispector e Hilda Hilst
PDF

Marcia Lisbôa Costa de Oliveira - UFF/Faculdades Estácio de Sá
Reflexões em torno das relações entre gênero e recepção
Discute-se nesse ensaio a hipótese teórica de a leitura literária ser marcada pelo gênero do receptor/a, entretecendo as discussões apresentadas por Jonathan Culler em “Lendo como mulher” às proposições da Estética da Recepção e do Efeito. Considerando o processo de recepção sob o ponto de vista fenomenológico, a obra literária é encarada como virtualidade cujos sentidos se estabelecem na convergência entre texto e leitor/a. Portanto, pode-se conceber que a experiência da mulher leitora, marcada por uma percepção de gênero construída socialmente, constitua horizontes de expectativas diferenciados, os quais gerariam na experiência estética modalidades diversas de identificação). Essa hipótese será examinada numa perspectiva metacrítica, buscando perceber nas análises de textos literários de autoria feminina – conceito que também será discutido - eventuais diferenças entre o discurso dos críticos e o das ensaístas que “lêem como mulheres”.
PDF

Mariléia Gartner
Mulheres contando história de mulheres: o romance histórico brasileiro escrito por mulheres
Romances como Desmundo (1996), de Ana Miranda, Os Rios Turvos (1993), de Luzilá Gonçalves Ferreira e Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz (1997), de Heloisa Maranhão, permitem falar de um novo viés na escrita feminina, uma vez que nessas obras tem-se a busca do sentido da mulher na história, e outros temas antes ignorados pela ficção e pela história. A sexualidade e a maternidade, por exemplo, voltam a serem enfocados, mas desta vez, resultam de construções discursivas de mulheres. Luzilá Gonçalves Ferreira, Ana Miranda e Heloisa Maranhão são mulheres que contam histórias de mulheres e deste modo recontam a história do período colonial brasileiro. Deste modo, a ficção de autoria feminina passa a ser um espaço em que se reescreve a história partindo dos vazios e silêncios que constituem os documentos históricos oficiais, ou escritos pelos homens, pois nos três romances estudados percebe-se que os vazios e silêncios históricos (isso no que diz respeito à história das mulheres), podem ser chamados de ‘desmemória’.
PDF

Paulo César Silva de Oliveira - Universidade Iguaçu
Políticas textuais: corpo, narração e transgressão na prosa de Hilda Hilst
Este trabalho é parte de uma pesquisa em literatura comparada sobre gênero, ética, responsa-bilidade e desconstrução na ficção pós-moderna em que procuramos questionar o papel do intelectual e do escritor-intelectual na contemporaneidade. Tomando como base a escrita desconstrutora de Hilda Hilst, analisaremos as várias estratégias de resistência, denúncia e desestruturarão do pensa-mento hegemônico acerca das relações masculino / feminino, bem como do próprio conceito de texto. Deste modo, veremos como a ficção de Hilst recusa os padrões burgueses de uma literatura bem-comportada e do bom gosto, valores esses que, em suas narrativas – objeto de nossa análise – serão preteridos em favor do grotesco, da provocação e do escárnio. Assumindo freqüentemente uma voz masculina, os narradores de Hilst subvertem estatutos cristalizados, se auto-subvertendo, propondo, assim, uma série de questionamentos acerca de identidade, gênero, poder, sexualidade, em que aflora a construção de um estatuto patriarcal, desta vez, desconstruído.
PDF

Regia Agostinho da Silva - UFMA
Entre mulheres, história e literatura: um estudo do imaginário em Emília Freitas  e Francisca Clotilde
Pensar as relações entre gênero, história e literatura é objetivo central desse trabalho. Partindo de dois romances A Rainha do Ignoto, de 1899, de Emília Freitas, e A Divorciada, de 1903, de Francisca Clotilde, pensamos as relações entre a escrita e a pena feminina no final do século XIX e início do XX no Ceará. Nesses dois romances percebemos como as duas mulheres escritoras pensam as relações de gênero, a sociedade e suas próprias experiências como mulheres escritoras em um círculo literário até então dominado pela escrita masculina, que era o cearense na virada do século XIX. Discutir essas questões é também (re) pensar a própria relação entre história, literatura e gênero e como os próprios cânones literário-históricos podem ser redimensionados a partir de um olhar que perceba a atuação da escrita feminina.
PDF

Rosa Maria Laquimia de Souza - UNIFMU/USP
Vivenciando a exclusão em o olho mais azul, de Toni Morrison
Esta comunicação tem por objetivo apresentar o romance O Olho Mais Azul, de autoria da escritora afro-americana Toni Morrison, como uma primeira tentativa de se promover a construção da identidade cultural dos afro-descendentes norte-americanos através da ficção. Para tanto, apresenta um breve retrospecto histórico dos movimentos liderados pela comunidade negra dos Estados Unidos da América nas décadas de 60 e 70 do século XX, demonstrando a forte influência que estes acontecimentos tiveram na produção literária afro-americana, impulsionando e diversificando a criação de romances voltados para as questões de raça e gênero. Com uma análise dos recursos utilizados por Toni Morrison na construção de seu texto, encerra-se a apresentação.
PDF

Sílvia Monnerat - UFRJ
Garotas e garotos em suas leituras
Este trabalho decorre da leitura de obras escritas para adolescentes e se propõe a investigar, nos textos selecionados, a existência (ou não) de diferenças significativas quanto aos papéis desempenhados por meninas e meninos. A pesquisa qualitativa realizada desenvolveu-se a partir de um corpus selecionado na fronteira da literatura informativa juvenil e da auto-ajuda, forma de comunicação privilegiada em nossa cultura escrita para público jovem – com grandes tiragens - e sua escolha deveu-se ao fato que seus conteúdos permitem aos adolescentes estabelecerem um contato com valores e tipos ideais de comportamento que poderão ser assimilados, visto estarem em fase de formação.
PDF

Sonia Monnerat Barbosa - UFF
Entrecruzando questões de gênero e elementos para uma narratologia do medo na literatura infantil
O trabalho em questão dá destaque, no corpus da pesquisa, a um conjunto de textos selecionados com vistas a responder questões sobre a possível existência, no domínio das histórias de medo, de diferenças significativas dos papéis desempenhados, segundo a perspectiva de gênero. A limitação do corpus, que contém publicações de autores nacionais e estrangeiros traduzidos, dentre uma enorme produção identificada, não está em desacordo com a metodologia, de caráter qualitativo, da análise pretendida. A despeito da verificação de que meninos e meninas estão presentes protagonizando histórias desse gênero, um dos objetivos do trabalho foi o de buscar caracterizar possíveis diferenças significativas quanto ao medo vivenciado por personagens femininas e masculinas, seja em relação aos objetos, fatos ou circunstâncias que o provocam, seja quanto ao tipo de reação ao medo experimentado no âmbito de cada intriga.
PDF