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ST33 - Relações de gênero, feminismo e subjetividades

Coordenadoras:     Mara Lago (UFSC)
                               Elisete Schwade (UFRN)
                               Carmen Susana Tornquist (UDESC)

Resumo

O Simpósio pretende reunir reflexões acerca da subjetividade das autoras/autores nos processos de conhecimento, criação, divulgação e/ou recepção, tendo em vista os marcadores de classe, escolaridade, profissão,etnia, religião, com destaque à dimensão de gênero. Pretende colocar em diálogo pesquisadoras/es, profissionais e estudiosos/as de diferentes campos de saber que têm se debruçado sobre as relações entre subjetividades e identidades e sobre os diferentes pertencimentos sociais e suas influências na produção de suas pesquisas, narrativas e obras (sejam elas textos científicos, produtos culturais, obras de arte, relatos clínicos). Parte-se do pressuposto de que estes trabalhos trazem elementos instigantes não só em termos da constatação das formas como se expressam as subjetividades nas produções e obras (tema clássico do campo dos estudos de gênero), mas sobretudo em termos das peculiaridades de cada campo disciplinar e das formas criativas com as quais tais profissionais tem trabalhado com esta dimensão. Assim, o Simpósio pretende refletir sobre as diferentes formas de incorporação destas subjetividades, estimulando o diálogo interdisciplinar, considerando ser este um dos muitos desafios para a reflexão teórica no campo dos estudos de gênero. Pretende-se incorporar trabalhos de profissionais que estejam produzindo reflexões sobre a temática, tendo em vista o transbordamento das preocupações feministas e/ou de gênero para além das fronteiras da universidade, como é o caso dos campos da arte, da produção cultural e da psicanálise. Serão particularmente bem-vindos trabalhos acerca dos seguintes temas: gênero e trabalho de campo, gênero e ciência, gênero e arte, gênero e psicanálise e experiência e subjetividade.


Trabalhos

Andréa Knabem - UFSC
Mulheres e trajetórias profisisonais em questões de gênero e preconceito
A realidade das mulheres no mercado de trabalho se configura de forma multifacetada. A partir de dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC “Trajetórias profissionais e âncoras de carreira: traçando possíveis relações”, analisei a trajetória profissional de nove trabalhadores com formação superior diversificada, de idades entre 28 (vinte e oito) e 52 cinqüenta e dois) anos, nas cidades de Joinville e Florianópolis enfocando as âncoras de carreira conforme definidas por Edgar Schein (1993). Entre os sujeitos entrevistados 5 (cinco) eram homens e 4 (quatro) mulheres, estas com idades de 35 (trinta e cinco) e 46 (quarenta e seis) anos e experiência profissional entre 14 (quatorze) e 26 (vinte e seis) anos de carreira. Ganharam destaque nas trajetórias profissionais das mulheres entrevistadas, os momentos de escolhas e renúncias em que precisavam equilibrar suas presenças/ausências nos espaços familiares e de trabalho. Foram destacadas também por elas as experiências de preconceito vivenciadas no espaço de trabalho.
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Beatriz Carneiro dos Santos - Université de Paris
Psicanálise e feminismo: encontro entre discursos sobre a identidade sexual"
Como doutoranda da Escola de Pesquisas em Psicanálise da Universidade de Paris VII trabalhando sobre o tema da construção de identidades sexuais/sexuadas, sinto-me duplamente questionada pelo que Judith Butler chama de 'instabilidades fundamentais ligadas às tentativas de teorização do sexual'. De um lado, aprofundo minhas reflexões sobre a desnaturalização da sexualidade, sobre a noção de gênero como performativo e sobre a cultura da melancolia do gênero - temas propostos por Butler em Gender Trouble. De outro, mantenho-me atenta às exigências próprias à pesquisa psicanalítica e a seu uso de conceitos tais como identidade, sexual, sexualidade e gênero -ou seja, atenta ao fato de que qualquer teoria psicanalítica da sexualidade deve deixar lugar para a existência do inconsciente, da sexualidade infantil, das pulsões e das fantasias. A partir desta dupla posição subjetiva de psicóloga em formação psicanalítica e de feminista, proponho uma reflexão sobre as relações entre estes dois discursos no que se refere às questões de gênero e sexualidade. De que maneira a psicanálise -imaginada por Freud como o oposto de uma visão de mundo- pode ou não se reacomodar ao entrar em contato com a teoria 'sempre plenamente política' de Butler? Como a experiência psíquica da construção do corpo, do eu e da sexualidade descrita pela psicanálise encontra novos sentidos no texto de Butler? De que forma estes novos sentidos são lidos e reconhecidos pelos psicanalistas? É como feminista falando de dentro da teoria psicanalítica que pretendo abordar estas questões.
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Daise Lilian
Relações de gênero em O Morro dos Ventos Uivantes
Analisando as relações de gênero em O Morro dos Ventos Uivantes (1847) da autora inglesa Emily Bronte sob uma perspectiva feminista, num intercruzamento com uma abordagem psicanalítica, percebe-se que tais relações são construídas através do papel fundamental que a personagem Cathy exerce sob os demais personagens, e cuja carga subjetiva aprisiona a todos em uma eterna luta. A autora subverte o papel da heroina romântica, pois assim como Heathcliff, Cathy sofre com os mesmos questionamentos característicos do Romantismo, ou seja, a divisão entre a razão e a emoção que (des)norteiam seus percursos, bem como o jogo de classes e convenções sociais, responsáveis pela busca constante de ambos pela própria identidade, pela definição de um lugar na sociedade, e pela morte.
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Elisete Schwade - UFRN
Gênero e subjetividade na pesquisa antropológica
Em diferentes direções, nas últimas décadas, vem sendo desenvolvidas reflexões sobre os impactos da discussão de gênero na produção do conhecimento, com destaque para o envolvimento subjetivo no ato da pesquisa, discussão particularmente enfatizada na antropologia. Entretanto, a subjetividade aparece com freqüência como um dado, limitando a uma abordagem aprofundada que permita classificar, interpretar, compreender o que se assinala como envolvimento subjetivo. Considerando situações de interlocução na prática antropológica que vivenciei em processos de pesquisa, nas quais se destacam a articulação com o gênero, pretendo, nesta comunicação, tomar a subjetividade como objeto de atenção, situando categorias que auxiliem na reflexão acerca da subjetividade na prática da pesquisa antropológica – comunhão de interesses, motivação, confiança, empatia, afetividade entre outras.
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Francirosy Ferreira
Porque eu não sou muçulmana - reflexões sobre o trabalho de campo entre os muçulmanos em São Paulo
Esta comunicação traz como questão de fundo pensar sobre o lugar de quem faz a pesquisa e de como a faz em comunidades islâmicas na cidade de São Paulo - Brasil. Desde 1998 venho pesquisando comunidades islâmicas em São Paulo e nesses anos de pesquisa venho percebendo a diferença que é ser mulher (pesquisadora) nesse contexto religioso. Nesse sentido, conto um pouco do que vivenciei em um acampamento islâmico, a fim de que o leitor possa localizar junto com o texto o meu lugar na pesquisa e daí também entender a construção desse percurso intelectual junto a um grupo ainda pouco estudado no Brasil, mas muito estudado por franceses e americanos. A contri-buição maior talvez seja entendê-los dentro de sua “cosmologia” religiosa. Discorro sobre experiências, observações, conversas que mantive com eles, como bem afirma Geertz (2001:45) “devemos encontrar amigos entre os informantes e informantes entre os amigos”. O trabalho de doutorado que venho desenvolvendo a partir da teoria da performance me fez refletir sobre a minha própria performance, o estar lá e o estar aqui, mesmo porque estudando performance permito-me esbarrar nas questões sobre gênero e nas questões religiosas. Cruzar essas fronteiras são instigantes para compreender o caminho traçado. A transformação do ser ou da consciência, como quer Schechner (1995), ajudar na compreensão do meu lugar nessa pesquisa e o lugar do outro. Com a experiência da alteridade (pesquisador e pesquisados) somos transportados – mesmo sendo uma situação temporária, nós nunca voltamos a ser os mesmo. O não- não eu. Isso pressupõe que o pesquisador sai transformado da sua pesquisa de campo.
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Gema Galgani Silveira Leite Esmeraldo
Diálogos sobre produção de subjetividades com Foucault, Deleuze, Guattari e insubordinações de mulheres rurais assentadas
Podemos dialogar com a categoria da subjetividade pela via da psicanálise, através de Freud e de Lacan e também, dentre outras vias, através de estudos filosóficos realizados por Foucault, Deleuze e Guattari. Neste trabalho elejo realizar um diálogo com os três filósofos citados para experimentar fissuras no pensamento clássico acadêmico, para ultrapassar fronteiras e penetrar em fluxos que jorram insubordinações. Realizo estudos com mulheres rurais assentadas no estado do Ceará e problematizo com Foucault, os modos como as mesmas se tornam sujeitos, como se constroem seus processos de subjetivação. Com Deleuze e Guattari trago o pensamento da segmentaridade para pensar sobre as forças molares da sociedade que buscam construir modelações e as forças moleculares, elementos do desejo, da liberdade, da produção do novo e das fissuras aos modelos instituídos.
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Giovana Dalmás
Por que mulher não faz filosofia?
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Giovana Ilka Jacinto Salvaro, Raquel Jaqueline F. Testoni
Gênero, maternidade e subjetividades
Este texto trata da constituição de subjetividades femininas nas e pelas interfaces gênero, maternidade e trabalho. Refere-se ao esforço das autoras de analisar tal temática em contextos urbano e rural, inspiradas em pesquisas de mestrado que realizaram junto ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina, na linha de pesquisa Práticas Sociais e Constituição do Sujeito - Núcleo de Pesquisa Modos de Vida, Família e Relações de Gênero. Nessa perspectiva, busca apresentar uma discussão, tendo como base informações produzidas nas referidas pesquisas e reflexões posteriores, as quais possibilitarem observar semelhantes e diferenças no que se refere à constituição das subjetividades femininas nestes contextos.
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Luciana Gruppelli Loponte - UNISC
Gênero, artes visuais e docência
Este trabalho pretende abordar a relação entre gênero, artes visuais e docência, destacando a importância do tema e a sua quase ausência nas pesquisas sobre arte e educação no Brasil. Neste sentido, o objetivo do trabalho é situar a discussão a partir das publicações existentes, além de lançar novas questões e apresentar autores que possam alimentar novas pesquisas na área. Com um foco especial para a formação docente em arte, o trabalho apresenta algumas abordagens e problematizações possíveis que podem nos fazer olhar a partir de outros pontos de vista para a docência em arte: o mito da genialidade artística e a “professora criativa” e arte e imagens de mulheres. Algumas destas questões foram desenvolvidas para a tese de Doutorado em Educação “Docência artista: arte, estética de si e subjetividades femininas”, concluída em 2005, na UFRGS.
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Mara Rúbia Sant´Anna, Juliana Faleiros Johnson - UDESC
Caricaturas, signos de identidade feminina
A produção de caricaturas foi intensa e expressiva na imprensa nacional por muitas décadas no início do século XX. Estudos a partir deste material foram realizados sob diferentes aspectos. Nossa proposta é de aproveitar estas mesmas fontes, contudo, com um olhar diferenciado: firmando-nos na teoria da recepção estética, buscamos reconhecer os signos adotados para representar a identidade nacional imaginada, especialmente aqueles vinculados à aparência corporal feminina. Este filtro de seleção foi escolhido tendo em vista a compreensão que as aparências são a possibilidade de interação entre os sujeitos e do próprio sujeito consigo. Desta feita, o que os caricaturistas selecionavam para representar a mulher tanto consagraram aqueles signos como representação de um grupo, quanto faziam determinadas mulheres reconhecerem-se como tal e reafirmarem-se. Selecionamos uma amostra de caricaturas publicadas entre 1920 e 1930, identificamos os signos repetidos afeitos à aparência corporal e analisamos os significados construídos, visando relacionar estes com a representação do feminino e a associação daqueles à uma identidade nacional.
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Margareth Diniz
Gênero, subjetividade e relação com o saber
Esse trabalho pretende discutir o método clínico na investigação da relação com o saber de sujeitos professores e professoras, da RME de BH, bem como sobre a minha própria relação com o saber como pesquisadora e formadora. Ao narrar o processo de construção da tese pretendi evidenciar que a relação com o saber é permeada por elementos inconscientes fantasmáticos, que não devem ser desprezados, ao se realizar uma pesquisa científica ou a formação docente. O que pretendo enunciar neste trabalho é que um conhecimento produzido é sempre perpassado por fantasias de ordem inconsciente. Ainda que seja complexo, para contar com estes elementos tanto no ato de investigar, quanto na tarefa de ensinar, é necessário buscar operadores que nos permitam lidar com eles, pois, a produção de conhecimentos não se faz sem eles.
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Maria Bernardete Ramos Flores, Priscilla Aparecida Goulart, Priscilla Garcia Prates - UFSC
“Quero encostar o dedo no sonho”: em busca da Pagu surrealista
Pagu/Patrícia Galvão, rebelde da vida e das artes. Feminista existencial, desancou o feminismo pequeno-burguês, em nome do materialismo histórico. Educada em Freud, reclama uma sensualidade livre da moral de classe e do represamento da libido. Inconformista, acolhe a ação do Partido, na luta pela liberdade dos trabalhadores e por um mundo de verdade e de justiça. Ligada ao movimento antropogágico, sua linguagem artística – verbal-visual –arranca das entranhas a reflexão de uma sensibilidade afetada pelo mundo que a rodeia. Se o Surrealismo, estética engajada na luta pela transformação revolucionária da sociedade, teve no marxismo e no freudismo o itinerário de seu programa, talvez se possa afirmar que a radicalidade da vida de Pagu fora irrigada pela proximidade e afinidade com seus companheiros surrealistas.
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Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante
As intersecções gênero e sertão em perspectiva
Ao pressupor uma representação de sertão, que parte das construções já cristalizadas, como refe-rência a lugar isolado, indomado e esvaziado do poder público, propõe-se a partir das histórias de vidas das mulheres sertanejas, outras possibilidades de representações do sertão, numa leitura que reivindica a categoria gênero como suporte de interpretação das relações de poder que se estabe-lecem no espaço da vida doméstica e das relações de trabalho de mulheres que experienciaram este pertencimento ao sertão do Brasil Central, na primeira metade do século XX. Perspectiva de abor-dagem que remete ao campo das sensibilidades e do reconhecimento dos sujeitos históricos pelo campo da subjetividade
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Maria Lucia Vannuchi
Gênero, trabalho e subjetividade na produção calçadista de Franca (SP)
Este trabalho pretende refletir sobre aspectos da subjetividade de trabalhadoras, a partir de um estudo de caso, realizado em uma das maiores e mais antigas fábricas de calçados de franca, interior paulista. Ancora-se no referencial de Bourdieu que contribui para elucidar, nas relações de gênero, os mecanismos de dominação masculina que, gerada em instâncias objetivas, reproduz-se através da subjetivação. As palavras das sapateiras entrevistadas revelam o processo de internalização de princípios androcêntricos; permitem verificar a presença, nelas,  da “learned helplessness”, ou “impotência aprendida” - ajustamento das esperanças às possibilidades.
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Maria Verónica Moreira
Una mujer en campo masculino y la identificación de género en el proceso de producción del conocimiento antropologico
El propósito de la ponencia es considerar las experiencias del trabajo de campo antropológico realizado con un sector de hinchas de fútbol, llevado a cabo en un club social y deportivo de la zona sur del Gran Buenos Aires. Partiendo de la noción acerca de la investigación etnográfica como un proceso y un producto de la relación entre el investigador y los actores sociales, se considerarán diferentes momentos y situaciones acontecidas en el marco de la interacción social como una vía para reflexionar sobre la incidencia que pudo haber tenido la etnógrafa en el proceso de conocimiento. A saber, cómo las características de la investigadora, fundamentalmente la condición de género, pudieron afectar indirecta o inadvertidamente el proceso de investigación, la mirada sobre los hechos observados y la interpretación de los datos recogidos.
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Marisa de Souza Naspolini - UDESC
Identidade feminina e subjetividade na construção cênica da atriz-dançarina
Esta comunicação pretende discorrer e refletir sobre processos compositivos da cena teatral, pautados na utilização de material pessoal (imagens, memórias, sensações, registros) coletados através de práticas que reforçam aspectos identitários e subjetivos como elementos de criação. O relato faz parte de uma pesquisa de mestrado que dialoga com a obra poética de Ana Cristina César, ressaltando aspectos ligados à identidade feminina e ao tom confessional, autobiográfico, presente em sua literatura.
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Nadia Regina Loureiro de Barros Lima
Gênero e psicanálise: um diálogo possível? Uma reflexão sobre a Interdisciplinaridade a partir da experiência do GAPlúpus
Buscando tecer uma reflexão sobre a possibilidade dialógica entre campos de saberes- Gênero, Psicanálise e Psicossomática- nos fundamentamos no paradigma da complexidade,que privilegia a relação interdisciplinar, no processo de apreensão do real e produção do conhecimento.Nessa busca,tendo como foco o processo de construção subjetiva,particularmente da identidade de gênero,propomos identificar, nessa relação dialógica, barreiras epistemológicas e políticas,bem como mecanismos possíveis de desconstrução das mesmas. Como experiência prática dessa proposta teórica, apresentamos o GapLúpus (Grupo de pessoas portadoras de Lúpus), resultado da articulação entre campos de saberes e práticas interinstitucionais – Universidade/Ensino, Pesquisa e Extensão X sociedade civil e política.
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Olivia Candeia Lima Rocha - UFPI
Escritas desejantes: deslocamentos de fronteiras
Tendo como base as questões postas pelas ondas feministas, identificou-se a atuação de um feminismo literário em poesias e crônicas de autoria feminina no Piauí no período de 1875 à contemporaneidade. As mulheres desejavam ampliar sua participação social e obter reconhecimento intelectual, subjetivando formas de realização para além do casamento e da maternidade. O acesso à instrução era considerado como meio para atingir esses objetivos, de forma que essa reivindicação foi privilegiada em detrimento da organização de um movimento sufragista. Os anseios femininos modificaram-se, fazendo com que o feminismo redirecionasse suas questões, observando-se a partir da década de 1970, uma poética de ruptura com o silêncio sobre a sexualidade e de afirmação da autonomia feminina em confronto com uma cultura patriarcal que as concebia como propriedade masculina.
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Rita de Cássia Flores Muller, Mara Lago - UFSC
Lugares da fala, lugares da falta: a constituição de gênero como locus de (in) satisfação
A falta como potência do desejo - fundante dos sujeitos do inconsciente (Lacan, 1973) - é uma recorrente noção lacaniana e vem revisitada, no espaço desta comunicação, por infantes interlocutores de 4 a 6 anos. Meninos e meninas que performatizando (Butler, 2003) o ser masculino e o ser feminino (burlando a possibilidade gramatical do: respectivamente) falam da circulação de suas faltas, em um proposital trocadilho - como aquele levistraussiano de 1982. Se a circulação sugere movimento, este perpassa a aceitação de que, fadados à in-satisfação que somos, nos re-engendramos, nos vestimos à moda deste Grande Outro (A cultura) em uma tentativa um tanto quanto singular, porém não passiva. Algumas convidadas para esta discussão são Mitchell (1979), Scott (1991). Olivier (1986) e Irigaray (1993), no diálogo sempre pulsional entre os estudos de gênero e a psicanálise de Freud e Lacan.
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Rossana Dutra Tasso
A identidade feminina produzida no meio acadêmico: uma abordagem discursiva
Sabemos que a identidade de gênero é um produto histórico-social, estando, portanto, determinada por fatores e circunstâncias que antecedem o sujeito e que a ele se sobrepõem silenciosamente. A partir dessa afirmação, proponho-me a discutir o processo de construção do feminino, observando-o através da análise de redações acerca do tema “ser mulher”, escritas por alunas universitárias de cinco diferentes cursos (Medicina, Ciências Econômicas, Engenharia Civil, Licenciatura em Artes Visuais e Pedagogia – Educação Infantil, da Fundação Universidade Federal do Rio Grande). O intuito é apontar os atravessamentos e ratificar o descentramento e a falta como processos que engendram o discurso e, por conseguinte, a identidade feminina. Tomo por fundamentação teórica central os pressupostos da Análise do Discurso Francesa, iniciada por Michel Pêcheux.
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Tito Sena - UFSC
Mulheres e gênero: os discursos sobre : sexualidade feminina e os acontecimentos do pós-guerra
O século XX foi um século de natalidade e de longevidade, onde a população sextuplicou em relação ao século XIX. Especificamente no perído pós-guerra, houve uma proliferação de discursos sobre casamento, concepção e práticas sexuais. Após Sigmund Freud e Margareth Mead, coube a Alfred Kinsey, o mérito de colocar o comportamento sexual na pauta de discussões, com seus relatórios, em 1948 (masculino) e em 1953 (feminino). Acontecimentos como a participação ativa da mulher na II Guerra Mundial seja nas fábricas, em hospitais, e mesmo em postos militares, e as preocupações com o planejamento familiar promoveram um redirecionamento discursivo para questões femininas, com fortes implicações nas relações de gênero. Podemos afirmar que os anos entre 1945 e 1960 gestaram a segunda onda do feminismo.
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