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ST35 - Gênero no texto visual: a (re)produção de significados nas imagens técnicas (fotografia, televisão e cinema)

Coordenadoras:     Luciana Martha Silveira (UFTPR)
                               Ronaldo de Oliveira Corrêa (UFSC)

Resumo

Este Simpósio temático tem por objetivo reunir pesquisadoras e pesquisadores que se debruçam sobre os diferentes campos da (re)produção e reflexão dos significados contidos no texto visual; tendo como eixo de problematização os estudos de gênero, o consumo de produtos culturais e a globalização, intensificada pelas formas de comunicação transnacionais. O texto visual tem sido discutido nas das ciências sociais e humanas, como uma possibilidade metodológica, entre diversas, de interpretar as diferenças culturais. Ao usar as imagens que circulam globalmente, hoje mais intensamente, e que estão habitando o imaginário humano, busca-se interpretar as mudanças na nossa forma de estar no mundo, e apreendê-lo. Ou seja, entender as novas formas de nos inter-relacionarmos com a própria “realidade”, com a “realidade” dos outros e, enfim, com a vida. O estudo sobre as imagens técnicas e seus significados, tem sido controverso desde o clássico Balinese Character (1942). Parte, pela discussão sobre sua ambigüidade com relação a ser um testemunho dos fatos, parte pela sua produção ser intermediada por dispositivos técnico/tecnológicos que interferem desde a sua captação, parte tentando considerar os dois lados ao mesmo tempo e na sua complexidade. No âmbito destas discussões, a utilização do texto visual nos registros de processos, técnicas, costumes, objetos, símbolos, indivíduos e grupos, tornou-se também comum à pesquisa social. Numa perspectiva de gênero como uma construção histórica da idéias de feminino e masculino, ou de feminilidade ou masculinidade, tal qual reflexo, e reiteração, das relações de poder existentes na sociedade, os textos visuais nos ajudam, através da análise de seus conteúdos polissêmicos, (re)interpretar a dinâmica das relações historicamente assimétricas entre as pessoas. Ao assim entender a noção de gênero, é possível evidenciar a imbricação do político e do cultural, na inscrição de significados a respeito da masculinidade e feminilidade, através do tempo e do espaço.


Trabalhos

Adriano Beiras, Alex Simon Lodetti, Pablo Raimundo, Maria Juracy Filgueiras Toneli, Arthur Cabral Grimm - UFSC
Quadrinhos fazendo gênero: discutindo imagens masculinas em HQs norte-americanas
O interesse por histórias em quadrinhos de super-heróis, em nossa cultura, encontra-se muitas vezes relacionado à busca por referências e identificações no processo de constituição dos sujeitos. São aventuras permeadas de ação e fantasia, cujas regras e convenções foram determinadas e desenvolvidas através dos anos. Com o objetivo de realizar uma análise qualitativa de cunho documental e crítico de quadrinhos de super-heróis, selecionamos personagens de histórias em quadrinho norte-americanos, para discutirmos questões relacionadas a masculinidades, corporeidades, gênero, preconceito e mídia. Esta comunicação visa refletir sobre estes aspectos a partir da matriz teórica histórico-cultural e de teorias de gênero. Partindo das categorias de “herói”, “vilão” e “coadjuvante”, definidas a partir da relação do personagem com a mensagem moral de cada história, bem como por seu poder de influência sobre a mesma: “heróis” seriam aqueles que se encontram em acordo com a concepção moral do autor, possuindo poderes para fazê-la valer; “vilões” seriam aqueles que entram em desacordo com esta concepção moral, e possuem poderes para confrontar esta moral; coadjuvantes, por sua vez, independentemente da concepção moral, não possuiriam poder de influência para o curso central da história. Supõe-se que estas categorias remetam a maneiras diferenciadas de se representar masculinidades, de forma a refletir os valores sociais de cada época. A construção destas histórias, certamente, está diretamente ligada à experiência concreta de seres humanos, no caso seus autores e idealizadores, juntamente com a comunidade leitora, refletindo diferentes formas de existir e sendo vividos através da leitura como mediação do real, indo além do tempo e do espaço concreto.
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Anabela Moutinho - Universidade Algarve/Portugal
Hitchcock e Duras: inversão e travestismo - uma proposta de análise
Associa-se vulgarmente Hitchcock a um olhar masculino, mesmo misógino, e Duras a uma visão feminina, mesmo feminista. Seja pelos conteúdos das narrativas, seja pela mise-en-scène, seja pela consideração sobre o (des)amor e papéis de cada um dos sexos nele. Apontaremos as razões desta vulgar associação, contudo atrever-nos-emos a propôr uma outra leitura que não só discutirá os termos da habitual como, especialmente a partir de uma análise razoavelmente detalhada de Vertigo do primeiro e de India Song da segunda, desenvolverá uma outra possibilidade de interpretação dos signos audio/visuais neles contidos. E, porque a abordagem será conduzida pelas questões do olhar e da visão, aprofundaremos a noção de ponto de vista subjectivo existente em ambos, a par da mais geral de fora-de-campo, onde, como tentaremos demonstrar, se assiste a uma inversão das figuras e dos modos. Alargaremos assim, segundo a nossa principal intenção, a discussão em torno da noção de ‘género’ e respectivas convenções.
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Andréa Bittencourt de Souza - ULBRA
Billy Elliot: representações de gênero e sexualidade ensinando um modo de ser bailarino
Este artigo procura analisar de que forma representações de gênero e sexualidade associadas à dança produzem efeitos na constituição do masculino, a partir das cenas do filme Billy Elliot (2000). Compreendo aqui, o filme como um texto cultural que desencadeou as questões de pesquisa da dissertação de mestrado que venho desenvolvendo. O viés que me permite olhar e refletir sobre esta temática é a dos Estudos Culturais articulado a uma perspectiva do Gênero e Sexualidade pós-estruturalista. Na perspectiva aqui adotada, o gênero é considerado um constructo social e lingüístico, produto e efeito das relações de poder (MEYER, 2003; LOURO, 2001; 2004). Isso implica dizer que a inscrição do gênero masculino nos corpos é feita no contexto da cultura e com as marcas desta. O protagonista do filme é Billy (Jamie Bell), um menino de onze anos que abandona as luvas de boxe para aprender sobre o mundo da Dança e do balé clássico. Billy se distancia de uma representação de masculinidade dominante naquela localidade, além de vislumbrar um universo distante daquele dos mineradores de carvão com a possibilidade de se tornar um bailarino. A dança, nas cenas do filme, é representada como uma atividade feminina ou ainda, de homossexuais. Um menino, ao realizar algo considerado feminino (o balé) perturba a aparente “ordem natural das coisas”. Billy precisou superar/transpor uma extensa (e poderosa) barreira de gênero e sexualidade para chegar a ser um bailarino/dançarino. Ao se posicionar como bailarino, assume também os riscos e ambigüidades desta identidade. É interessante acrescentar que tais representações parecem circular em outros contextos e que são produtivas. Posso presumir a partir das análises do filme Billy Elliot, que o mesmo, procura contrapor/desconstruir uma representação de bailarino homossexual, ao marcar, constantemente, a heterossexualidade do menino. Por outro lado, reforça a “norma” da sexualidade.
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Anna Lúcia Santos da Cunha - UnB
Visibilidades perigosas: identidades masculinas em um cinema pornô
O mercado erótico-pornográfico – envolvido na produção e reprodução, social e subjetiva, de valores e significados – apresenta-se como meio fecundo para a análise de concepções de gênero que orientam o entendimento do sexo, a estimulação dos corpos e a vivência do prazer. A partir da pesquisa etnográfica de um cinema pornô de Brasília, são investigadas concepções de masculinidade fortemente vigentes, nas quais o obsceno tanto aparece como transgressão a interditos sexuais quanto como afirmação de mitos do campo simbólico. Se por um lado o sexo é apresentado no espaço público, em grandes dimensões e em concordância com os critérios da hiper-visibilidade e do zoom anatômico, por outro se observa um forte quadro regulatório, no qual a afirmação do masculino busca insistentemente renunciar a tudo aquilo que se enquadre nos registros da homossexualidade.
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Cláudia Fazzolari - USP
Da estratégia ficcional/da poética visual para o gênero feminino na contemporaneidade: Carmen Calvo, Rosângela Rennó, Rosana Paulino e Ana Prada
O objeto de estudo deste texto parte da recuperação de estratégias ficcionais para a composição e administração de sintomas de gênero – conceito apresentado como categoria relacional que conjuga a construção histórico-social de manifestação das diferenças – em poéticas visuais, que, ao admitir o desencontro e a denúncia pós-setorial de trajetórias da produção contemporânea, estabelecida por mulheres artistas, subverte o itinerário de invisibilidade de tais testemunhos. Carmen Calvo, Rosângela Rennó, Rosana Paulino e Ana Prada, mulheres artistas em atividade, trabalharam comprometidamente, e de forma intensa, em suas poéticas, a denúncia de modelos hegemônicos. O estudo, aqui proposto, percorre os lugares da crítica de arte e busca redefinir a permanência de projetos expositivos institucionalizados, em contato com o espaço, rarefeito pelo debate sobre sintomas de gênero.
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Dolores (Lola) Aronovich Aguero
Os eunucos e as mulherzinhas: personagens coadjuvantes gays nos “chick flicks”
Hoje em dia, a maioria dos “chick flicks” – termo pejorativo para designar “filmes para mulherzinhas” – possui pelo menos um personagem gay, uma tendência que se consolidou após o sucesso de “O Casamento de Meu Melhor Amigo” (1997). Geralmente ele é o melhor amigo da heroína, como no caso de “A Sogra” (2005), e, como tal, se comporta feito um eunuco, sem jamais oferecer qualquer ameaça à protagonista ou ao público heterossexual (e homofóbico?) do cinema comercial. Às vezes o personagem gay até tem um namorado, como em “Doce Novembro” (2001) e “Procura-se um Amor que Goste de Cachorros” (2005), e nesta situação costumamos ser presenteados não com um, mas com dois eunucos, já que inexiste contato físico entre o casal. Este trabalho visa explorar o estereótipo do personagem gay e também a ideologia por trás dos “chick flicks”.
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Edison Luiz Devos Barlem, Bárbara Tarouco da Silva, Adriana Dora da Fonseca, Vera Lúcia de Oliveira Gomes
A influência dos programas infantis na formação da identidade de gênero
Objetivou-se analisar o conteúdo das mensagens contidas nos programas infantis de TV e sua possível influência na formação da identidade de gênero. Foram escolhidas três emissoras de grande influência no cenário nacional, gravando-se 60 minutos de programação em fitas VHS. Selecionou-se os momentos de animação de auditório, comerciais e desenhos animados. Para cada um foram analisados dez minutos. Procurou-se apreender as dimensões verbal e visual, atentando-se para gestos, ações, falas, vestimentas e postura dos personagens. Verificou-se que há apelo à sensualidade, incentivo a disputa entre meninos e meninas bem como estimulo à violência e ao consumismo direcionado pelo gênero. Não há menção à família. Evidencia-se a necessidade de pais e mães discutirem com as crianças as mensagens veiculadas na TV.
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Edméia Ribeiro
Las mujeres españolas, portuguesas y americanas: imaginário político e gênero nas litografias costumbristas espanholas do século XIX
Pretendo contribuir com as discussões desse simpósio apresentando algumas reflexões acerca do imaginário político espanhol no final do século XIX, através de representações de mulheres na América Latina, Espanha e Portugal. A fonte utilizada é a coleção costumbrista de litogravuras coloridas que tematiza o feminino, produzida na Espanha entre os anos 1870 e 1876. Entendo que o caráter imagético desta fonte – moderno, para o período, mas ao mesmo tempo memorialista – aponta para um sentido educativo, por um lado e, por outro, a imagem, de uma forma geral, significa arte e técnica, sensibilidade de quem a produz mas carrega consigo também um objetivo, ou seja, um lado funcional. A imagem também se inscreve na sensibilidade do momento, pois responde às demandas do período em que foi produzida. Expressa um imaginário de um tempo e espaço, em um tempo e espaço.
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Flávia Cópio Esteves - UFF
Gênero e poder: as dimensões políticas do cotidiano no cinema de Ana Carolina (Mar de Rosas, das Tripas Coração e Sonho de Valsa, 1977-1986)
Este trabalho enfoca a trilogia concebida e dirigida pela cineasta brasileira Ana Carolina, buscando perceber como, rompendo a dicotomia entre subjetividade e política, são postas em cena relações cotidianas e experiências subjetivas que compõem um espaço de análise do poder em suas múltiplas nuances. Seja na trama de relações de poder vivenciadas na
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Flávia de Mattos Motta, Tiê Fernandes Pereira - UFSC
O sexo das letras: gênero e desenho gráfico popular em Florianópolis
O Design gráfico tal como o entendemos atualmente é por definição ligado a uma metodologia acadêmica “globalizada”. Entretanto, existe um “design gráfico popular”, local, não acadêmico, não globalizado, conhecido na bibliografia especializada como “design gráfico vernacular”, elaborado fora das noções de projeto acadêmicas. São cartazes, faixas, letreiros, etc, feitos de forma aparentemente improvisada e intuitiva por profissionais sem formação universitária. Concebidos e executados segundo lógicas e estéticas incompatíveis com as acadêmicas, surpreendem por sua eficácia do ponto de vista comunicativo. Uma etnografia desse tipo de desenho gráfico em Florianópolis aponta as representações de gênero presentes nessas mídias, nas quais cores, formas das letras e representação gráfica de certos objetos veiculam significados de masculinidade e feminilidade.
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Georgia Maria Ferro Benetti - UFSC
A arte no museu virtual da menstruação: corpo, gênero e subjetividade
Neste trabalho proponho analisar, no "Museu Virtual da Menstruação" (www.mum.org.br) de Harry Finley, as fotos de obras de arte produzidas em torno do tema. Através da leitura do texto das imagens da arte sobre a menstruação, busco refletir sobre os sentidos que emergem nas imagens, em relação ao seu potencial desestabilizador das interpretações essencialistas e fundacionalistas de corpo. Interpretações estas, subjacentes à adoção de uma noção bissexuada de corpo, a partir da qual o reconhecimento de especificidades orgânicas "femininas" alimentou a construção da desqualificação intelectual e social das mulheres em diferentes cenários e momentos da vida política, cultural e mesmo acadêmica.
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Gerda Margit Schütz Foerste - UFES
A imagem e identidade: um estudo sobre a construção da visibilidade de negros e mulheres em imagens artísticas e na mídia
O trabalho localiza-se entre os estudos multiculturais que têm buscado, nas imagens, formas de resgatar discursos silenciados ao longo da história (mason, 2001, kellner,1995 e 2003). Identifica uma tendência contemporânea de análise de imagens que aponta a necessidade de abordar o contexto da produção, a partir das fronteiras culturais e de uma visão interdisciplinar. Realiza pesquisa sobre a cultura visual veiculada em revistas. Através de entrevistas e análise de imagens busca compreender como imagens constroem e veiculam o conceito de identidade em e para segmentos sociais, representando negros e mulheres, entre outros. Um paradoxo pode ser identificado a partir da análise de imagens em novos espaços de comunicação e expressão: por um lado veiculam informação e dão visibilidade às minorias, por outro, reforçam práticas de consumo.
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Heloísa Helena de Santis - UNIMAR/UNIVEM
A responsabilidade da publicidade na (des)construção da imagem da mulher
Os direitos femininos têm sido marcados por rápidas e evolutivas conquistas. Leis, tratados, convenções, acordos nacionais e internacionais manifestam o repúdio ao tratamento diferenciado, preconceituoso e discriminatório que marcou a história da mulher na sociedade e que não mais são concebíveis diante da realidade de conquista de direitos que se instalou na sociedade moderna. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 determina que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Apesar dessas garantias legais, o que ainda se observa é, em muitos casos, o desrespeito aos direitos das mulheres, em relação à liberdade e dignidade, em campanhas publicitárias, que, objetivando o lucro, constroem uma imagem moralmente distorcida por meio de estereótipos criados pela mídia. Esse comportamento também fere os códigos de ética e de regulamentação dos agentes publicitários, pois contrariam seus preceitos. Ao criarem propagandas que veiculam imagens preocupadas em valorizar o produto, em detrimento do respeito à condição humana da mulher, esses profissionais acabam, mesmo que de forma velada, incitando a violência física, moral, social, entre outras, contra o gênero feminino. E acabam, também, por fazer permanecer o conceito de que a mulher é um objeto passivo do desejo de posse e dominação do homem, tornando-se, na propaganda, o subproduto do produto a ser vendido.
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Hermes Renato Hildebrand - UNICAMP
A arte eletrônica e as imagens pornográficas
Novas dimensões das representações gráficas e infográficas estão sendo experimentadas na fronteira entre o que é tecnológico e o que é biológico. Aspectos estéticos, éticos e lógicos dos signos, no mundo contemporâneo, acompanham as transformações econômicas, sociais, políticas, psicológicas e tecnológicas das últimas décadas. Tudo se abre às mais diversas possibilidades de significação, as aparências são levadas ao extremo, os signos mostram-se e, uma infinidade de possibilidades, assim como todas as marcas, desde aquelas utilizadas pela propaganda até as corporais, cada vez mais definem a identidade de um sujeito exposto. Florescem as representações apoiadas na exterioridade e na visibilidade. Os corpos visceralmente expostos são associados às interfaces tecnológicas que transformam tudo em objeto de design, em espetáculo visíveis através dos recursos midiáticos e performáticos. As imagens, agora observadas através de seus códigos binários são diagramas e, assim, tornam-se pornográficas. Aqui, o objetivo é apresentar uma das poéticas da contemporaneidade. A poética da explicitação. Aquela que tudo apresenta. Uma poética pornográfica para a arte eletrônica. As imagens digitais tornam-se pornográficas porque mostram sua interioridade apresentando algo além e fora delas. Esta poética apresenta-se através das sintaxes dos meios gerando uma infinidade de novas significações. O diálogo estabelecido através das formas infográficas potencializa os ambientes criativos permitindo a interação e interatividade entre tudo e todos através dos signos digitais que agora circulam sem barreiras nas redes informatizadas.
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Karina Janz Woitowicz, Sérgio Luiz Gadini - UEPG
Mulheres na mídia e no imaginário - o discurso publicitário na construção de representações femininas
Quais são as imagens das mulheres que marcam o discurso da publicidade? Qual a influência da mídia na constituição de papéis e fórmulas ‘femininas’? De que modo as representações utilizadas pela publicidade constroem um imaginário social em que se definem parâmetros ideais para as mulheres? O presente trabalho busca levantar alguns elementos para responder a estas perguntas a partir da observação de discursos publicitários relacionados às mulheres. Ao reconhecer que a tradicional fórmula casa/ beleza/família - que marcou a presença das mulheres na publicidade feminina ao longo da história - permanece presente na mídia, pretende-se compreender as práticas discursivas como legitimadoras de uma realidade marcada por estereótipos. Neste sentido, entende-se que a publicidade, ao ‘atualizar’ determinadas imagens, contribui para a formação de consensos.
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Kati Eliana Caetano - UFMS/UTP
O papel da fotografia jornalística na (re)produção da personagem-tipo: as mulheres do Islã
Tendo como ponto de partida a idéia de que algumas imagens nos incitam a atos de contemplação, mediados por sentidos e sensações ambivalentes, em que imperam a dúvida, o mistério, o estranhamento, sobretudo pelo fato de que são tangenciais os vínculos que tais fotos mantêm com os textos verbais a que se reportam, este trabalho propõe uma leitura das fotografias de mulheres islâmicas na imprensa nacional. Tomamos, portanto, gênero, em dois sentidos: enquanto uma das modalidades de imagem – a fotografia, no nosso caso sobretudo o fotojornalismo – e na acepção tradicional de designar um dos pólos de sexualidade, no exemplo, o feminino. Não abordamos, porém, aqui, o islâmico feminino em relação ao seu oposto convencional, o islâmico masculino, mas na sua condição de figura presente, e recorrente na contemporaneidade, num espaço normalmente preenchido pelos conteúdos políticos envolvendo os conflitos entre oriente e ocidente, portanto no conjunto e na economia das informações visuais ilustrativas das notícias de primeira página ou seção Mundo. Várias perguntas fundamentam nosso enfoque temático: procuramos saber que mulher, caracterizada como sendo integrante do mundo islâmico, se dá a ver em certas mídias; em que medida sua imagem serve aos propósitos de uma discussão política e quais axiologias parecem sustentar esse regime de visibilidade ocidental de algo que lhe é incompreensível, próprio de um certo tipo de orientalidade. Partimos do princípio de que sua imagem é convocada em favor de formas particulares de visualização, com o propósito de estampar e fazer compartilhar não só os conteúdos cognitivos, mas também “as dimensões afetivas e os eixos de valor” daqueles que operam o tratamento e a afixagem de informações. Assim, a imagem da mulher muçulmana em várias matérias, que não a têm como foco, entra de forma metonímica como fonte de evocações de uma cultura caracterizada por restrições de comportamentos e valores que nos parecem estranhos, aparentemente personificados na mulher solitária e anônima ou na multidão alinhada de mulheres cobertas pelo véu preto, de olhares desviados ou furtivos.
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Latuf Isaias Mucci - UFF
Figuração cinematográfica de São Sebastião, mito gay
Santo popular desde priscas eras do Cristianismo, São Sebastião, soldado romano martirizado a 20 de janeiro de 287, sob a perseguição aos cristãos pelo imperador romano Diocleciano, invade, com sensualidade, o imaginário artístico e o mundo homocultural. Versão latina e sacra de Apolo, mito clássico grego, tornou-se, além de patrono dos soldados e dos doentes de peste, o santo-patrono gay. Neste trabalho, toma-se como corpus o filme Sebastiane, falado em latim, do cineasta britânico Derek Jarman, aí perscrutando signos e setas de um dândi andrógino, guerreiro ambíguo, mártir enamorado da morte e encarnação dilacerada do sofrimento exemplar do artista, mormente do esteta que cria sob o código homoerótico.
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Laura R. Rozados - Universidad Nacional de Entre Ríos/Argentina
Modos de visibilidad pública del abuso sexual infantil. Mecanismos de culpabilización/ desculpabilización en las producciones mediáticas
La problemática del abuso sexual infantil, ha adquirido notoriedad pública en los últimos años. Aparentemente, las víctimas han accedido a tener una ‘voz’ social que defiende sus derechos, impulsando el castigo a los victimarios. La supuesta "ola de violencia", puesta en los términos del delito, las recurrentes alusiones a la insuficiencia de la ley, y a las sutiles modalidades de construcción de la impunidad, el clamor por la intervención del Estado a través del castigo y los reclamos permanentes en torno a la inexistencia de una política de seguridad social, constituyen el contexto en el cual se instalan y adquieren visibilidad/ invisibilidad las relaciones abusivas. El abuso sexual como una de las manifestaciones de la violencia, es una situación en la que una persona con mas poder abusa de otra con menos poder. Tiene que ver con el problema del poder y de la fuerza que utiliza ese poder para imponerse sobre el más débil, y obviamente esta condición jerárquica y desigual de poder se da por cuestiones de género, edad, clase social, etnia, etc. El poder subestima los abusos como reales, los concibe como una creación o fantasía del sujeto. Es por eso que a las víctimas no se les cree cuando narran sus experiencias, y se construye alrededor de las mismas la teoría de la seducción y del consentimiento, con lo cual se repone su culpabilidad. Es la construcción de la culpabilidad de la víctima como matriz de sentido, la que aparece en la discursividad social, y en especial en los efectos de la producción mediática. La contracara de este dispositivo de culpabilización de las víctimas, está constituida por el conjunto de recursos retóricos e iconográficos a través de los cuales se desculpabiliza a los responsables del abuso. Nos preguntamos entonces cuáles son estos mecanismos de culpabilización/desculpabilización que aparecen en la trama discursiva de las noticias sobre abuso sexual, cuál es el régimen de signos en el que está inscripta esta dicotomía, y cuáles son los mecanismos a través de los cuales queda intacta la problemática del abuso a pesar de su mostración mediática. La ponencia intentará un recorrido de lectura en un corpus reducido de noticias y de imágenes de prensa correspondientes a dos casos relevantes de abuso sexual infantil en la Argentina: el caso Hoyos y el caso Grassi, ambos ocurridos durante el año 2003, en un intento de análisis preliminar correspondiente al proyecto de investigación “Modos de visibilidad pública del abuso sexual. Tabúes iconográficos en la prensa y la televisión argentina”, que se desarrolla actualmente en la carrera de Comunicación Social de la Universidad Nacional de Entre Ríos.
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Letícia Segurado Côrtes - UFG
A cerimônia do adeus e noivas: o universo feminino transposto em imagens fotográficas, permeado com as questões de gênero
O fazer visual através da percepção de fotografias, com a apropriação de imagens de casamento por Rosângela Rennó no ensaio Cerimônia do Adeus e a produção de imagens de noivas por Cris Bierrenbach, numa associação a questões de gênero frente a questionamentos de intencionalidades dessas produções específicas da representação do universo feminino, a partir de um olhar feminino direcionado pelas artistas. Um velar-revelar da imagem da mulher nessas produções, remetendo a Roland Barthes em A Câmara Clara, ao se procurar analisar nessas imagens, os julgamentos de quem capta a imagem e como se serve para expô-la.
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Marcela de Almeida Otterson - UFSC
Inocentes ou selvagens? A mulher do final do século XIX, em dois diferentes contextos - 1983 e 2005
O que à primeira vista nos parece simples, apenas uma história de amor vivida no fim do século XIX e contada nas grandes telas, se desdobra em questões mais complexas: como o cinema nos retrata, através de um relacionamento amoroso, a mulher daquela época? A figura feminina e seu papel na sociedade no final de 1800, início de 1900, continuam os mesmos, independente do momento em que são transformados em filme? Esta comunicação é uma leitura dos filmes Inocência, de Walter Lima Jr., e A Selva, de Leonel Vieira, apresentando e realizando uma comparação entre o que foi dito com palavras ou com a ausência delas ao espectador em diferentes épocas (1983 e 2005, respectivamente) sobre a mulher do final do século XIX, início do século XX. Através dele é possível perceber se as características apresentadas como sendo naturais à figura feminina irão se modificar dependendo não apenas do período histórico no qual a mulher se encontrava inserida, como também do momento em que ela está sendo retratada no cinema.
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Maria Juracy Aires - UTFPR
Imagem de mãe versus imagem de mulher
Neste trabalho pretende-se expor considerações acerca de imagens veiculadas pela fotografia, pintura ou outro suporte artístico, que aludem o fenômeno da maternidade. Utilizando a metodologia do texto visual como recurso de análise e interpretação, busca-se apontar os possíveis amálgamas sugeridos em tais representações. A vinculação, por exemplo, da imagem da mãe à santa, presente na tradição cristã e comumente mostrada nas obras de arte, entre outros, pode culminar em determinações culturais que geram preconceitos e repercutem nas decisões e comportamentos da mulher com relação a esta fase de sua vida.
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Mariana Inés Conde - UBA
“Yo quería ser artista de cine”: el cine argentino de la época de oro (1933-1955) y sus consumidoras
Estoy realizando un trabajo que tiene dos facetas totalmente distintas: por un lado, un análisis semiótico-cultural de las películas del cine argentino de la época de oro (1933-1955). Y, por el otro, una serie de entrevistas a algunas de sus consumidoras (tengo cuatro entrevistadas), que en principio habrían sido de clases populares (en función de su relación con el trabajo y, especialmente, de su relación con la experiencia de la explotación). Mi trabajo se inició con la hipótesis de que el cine funcionó como instrumento de enculturación (la máquina cultural de sarlo) a principios del siglo xx. Y luego se especificó en que el cine sirvió como lugar de aprendizaje de la modernización, que inició en buenos aires en los años ‘30. Lugar de aprendizaje para todos aquellos que no la vivían (migrantes internos e inmigrantes). Y para todas aquellas para quienes el cambio fue más radical, especialmente por su ingreso masivo al mundo del trabajo: las mujeres. En esta exposición me gustaría hablar sobre las cruces y las tensiones que fui encontrando en los dos tipos de discursos: los cinematográficos y los biográficos.
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Marinês Ribeiro dos Santos - UTFPR
O diálogo entre texto e imagem no anúncio publicitário: uma leitura sobre a representação do feminino em uma propaganda da Woksvagen nos anos 1950
Este artigo tem como objetivo discutir as relações de mútua influência entre os diferentes significantes co-existentes nas imagens publicitárias, explorando principalmente o cruzamento entre texto e imagem no processo de construção de significados. Para tanto, proponho a leitura de uma imagem publicitária da Wolksvagen, publicada na revista Casa & Jardim nos anos 1950, com fundamentação em alguns conceitos da semiótica peirceana e no modelo de análise de imagem apresentado por Martine Joly. A escolha desta imagem se justifica na medida em que permite perceber que o significado global da imagem depende fundamentalmente da circularidade entre texto e imagem, num diálogo através do qual emerge uma situação de assimetria nas relações de gênero, o que não se faz perceptível se tomamos esses dois tipos de significantes isoladamente.
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Maristela Mitsuko Ono - UTFPR/UFPR
Gênero no texto visual cinematográfico: a (re)produção de significados, na perspectiva do uso de eletrodomésticos
O cinema, enquanto texto visual, tanto pode reproduzir, como transformar e criar representações de gênero na sociedade. Meio audiovisual, polissêmico e sinestésico, possibilita reflexões e influencia a composição de pensamentos, valores e práticas de indivíduos e grupos sociais, a partir de discursos tecidos com maior ou menor grau de “transparência” (XAVIER, 2005) e realismo. Entende-se, ainda, que tais representações e significados emergem em contextos diversos e da cultura dos indivíduos, cuja natureza é essencialmente multidimensional, dinâmica e plural (GEERTZ, 1989; ONO, 2004). Sob este prisma e a partir de uma abordagem interpretativa, propõe-se, com o presente artigo, uma discussão acerca da (re)produção de significados de gênero no texto visual cinematográfico, com base em estudos de casos sobre o uso de eletrodomésticos em filmografia da segunda metade do século XX, período em se intensificou notavelmente a produção e o consumo de tais artefatos na sociedade. Os resultados da pesquisa evidenciam a persistência de discursos que (re)produzem associações do uso de eletrodomésticos predominantemente às “mulheres”, apesar das significativas transformações que já houve, no que tange à sua participação em atividades econômicas, sociais e políticas.
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Maristela Mitsuko Ono, Elisa Conceição da Silva Rosa - UTFPR
Representação de gênero e etnia em mídias gráficas: produtos cosméticos para mulheres negras
Este artigo pretende ilustrar quais têm sido as representações gráficas de gênero e etnia presentes em embalagens de produtos cosméticos no que e refere ao uso de cores, imagens, tipologias e elementos gráficos de apoio. Para base de análise serão utilizadas as embalagens de produtos destinados a mulheres negras nas linhas de desodorantes e hidratantes.
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Monique Hornhardt, Marilda Lopes Pinheiro Queluz - UTFPR
O perfil feminino na cidade do pecado
A representação da identidade feminina pode ser permeada por discursos contrapostos entre preconceitos e estereótipos. Elementos para leitura de uma construção do feminino no contexto da marginalidade, da criminalidade e da prostituição estão presentes na história de Sin City – A cidade do pecado. A obra que reflete e rediscute o submundo das grandes cidades, apresentada por Robert Rodriguez e por Frank Miller, autor dos quadrinhos nos quais o filme foi baseado, integra três histórias do autor “A Cidade do Pecado”, “A Grande Matança” e “O Assassino Amarelo” nas quais o papel da mulher pode ser lido não apenas através da estrutura dos personagens, mas principalmente através da simbologia associada a eles, permitindo o esboço de um perfil feminino na cidade do pecado.
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Monique Vidal Pires - UnB
Mulheres em profusão: representações de gênero na publicidade brasileira
O trabalho pretende analisar as imagens de mulheres que foram veiculadas nas propagandas dirigidas ao público geral de 1957 a 1997. A partir dessa análise, o trabalho tece um paralelo entre as mudanças sociais pelas quais o Brasil passou e as repercussões nas imagens das mulheres representadas nas propagandas. Como os Feminismos alteraram essas imagens. Como o imaginário e as representações sociais influenciaram as mudanças e permanências das representações de gênero e estereótipos femininos veiculados nas propagandas. E como as propagandas influenciaram os imaginários e as representações sociais sobre as mulheres brasileiras.
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Rafael Siqueira de Guimarães - UNESP/Araraquara
A mulher na perspectiva do cinema iraniano
Neste trabalho, pretendo analisar, na perspectiva do cinema contemporâneo do irã - concebido como uma nova possibilidade em cinematografia, por sua visão humanista de mundo - a representação da mulher, compreendendo seu processo de identidade e sociabilidade. Para isso, foi realizada a análise de quatro diferentes produções: “a maçã”, “o círculo”, “a caminho de kandahar” e “dez”. Utilizo, para uma análise mais específica, o modelo das oposições binárias, que consiste em encontrar as forças opostas encontradas na estrutura das narrativas. Essas oposições podem ser exemplificadas em termos de papéis sociais da mulher iraniana. De um lado, o papel real assumido pela mulher iraniana e, em sua oposição, o papel idealizado pelos autores questionadores dessa sociedade.
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Regina Márcia Gerber - UFSC
O que diz o que é dito nos textos publicitários
Através da análise de textos publicitários impressos direcionados ao público masculino e feminino, veiculados em revistas de distribuição nacional em épocas diversas: décadas de 80, 90 e algumas dos anos de 2000, 2001 e 2002, buscamos mostrar, por um lado, que existe uma relação entre temas como pressuposição, argumentação e ideologia, e por outro, como, através destas relações, se constitui o ser feminino e masculino em nossa sociedade. Considerando que: a) "todo discurso veicula atitudes, crenças, preconceitos do falante/escritor, como também as que ele supõe que o ouvinte/leitor possa ter" (Arruda-Fernandes, 1998:20); b) o texto publicitário é argumentativo e tem como objetivo, além de apresentar um determinado produto, persuadir o leitor em relação a suas qualidades, convencendo-o a adquiri-lo; c) o auditório, ou os destinatários, nesse caso, homens e mulheres, de um texto publicitário é um conjunto de indivíduos conhecido pelo emissor. Este elabora a mensagem daquele considerando um perfil já previamente bem definido de um público-alvo que ele almeja atingir. É sob esta ótica, que acreditamos poder levantar os pressupostos que sustentam os textos publicitários impressos selecionados. Supomos ser possível através deles, verificar as atitudes, visão de mundo, estilo de vida, etc, que o emissor atribui a seu público-alvo. Os resultados revelaram: (1) que, a mulher, é vista como alguém que não entende nada que não seja fácil; (2) que o homem é tratado com alguém que está constantemente plugado; (3) que nesta luta cotidiana entre ideologias, a publicidade funciona como um processador que fragmenta e reduz os discursos de setores dominados para que se tornem um fator de persuasão na sociedade de consumo; (4) que o que é dito, como é dito e para quem é dito permite penetrar nas relações entre linguagem, homem/mulher e mundo, bem como falar de ideologia na linguagem empregada em textos publicitários.
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Silvia Rosado Correia - IADEL/Lisboa
O pensamento tactil e audível na imagem fotográfica
Enunciar e estabelecer uma abordagem teórica, de reflexão, segundo uma perspectiva estética, susceptível de ser considerada como um discurso que “pratica” o acto de pensar a imagem nas margens da filosofia ou num campo pré-filosófico. Será considerada uma cartografia no sentido Deleuziano, libertar as singularidades do trabalho artístico proposto e procurar através do olhar uma “imagem do pensamento sensível”. A pesquisa iniciar-se-á a partir do estudo de algumas noções desenvolvidas por pensadores contemporâneos, nomeadamente José Gil, Gilles Deleuze e Michel Foucault. Partindo deste princípio noções como “desterritorialização”, “sentir”, “espaço interior”, “lucidez” e “pensamento do de-fora” serão articuladas com o pensamento artísco nas obras de Rui Chafes e Samuel Beckett. Nestes trabalhos a expressão visível entre as imagens reside na experiência da passagem, da aproximação e metamorfose que transformam toda a coisa vista num olhar. Algumas obras destes artistas apresentam particularidades ao nível da representação da imagem. A interacção da palavra escrita com o modo de existência da própria imagem, coloca a estética perante as mutações e o registo de um pensamento que prolonga a materialidade da imagem fotográfica e fílmica num espaço virtual e num espaço imaginário. Encontramos assim no trabalho teórico/prático destes artistas uma escrita que se manifesta como uma “imagem do pensamento” no sentido proposto por Gilles Deleuze e une image d’image que se inscreve numa estética da imanência. Desta forma é-nos dado a possibilidade de elaborar um discurso no interior da própria palavra e trabalhar a estética a partir de uma linguagem que pensa sem conceitos, que elabora uma linguagem indirecta e possibilita a construção de um plano imanente pré-filosófico.
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Stephanie Dahn Batista - UFPR
“Desfocado - artes e design sob a perspectiva de gênero” - relatório do projeto de pesquisa nos cursos das artes visuais e design da Universidade Federal do Paraná
Esta proposta tem como objetivo de apresentar o relatório do projeto interdisciplinar “desfocado – artes e design sob a perspectiva de gênero” que foi realizado nos cursos de graduação em Artes Visuais e Design da Universidade Federal do Paraná de Novembro 2004 até Maio 2006 sob minha coordenação. O projeto parte da pergunta, como as relações sociais são reproduzidas pelos artefatos da cultura visual na qual o artista e o designer atuam. O objetivo do projeto é conscientizar os alunos sobre a responsabilidade implicada na (re)produção do texto visual marcado por estereótipos de gênero e relações hierárquicas. O projeto ocorreu em três fases: A primeira fase teórica foi através de leituras com discussões em grupo. A segunda fase foi desenvolvida por meio da pesquisa de campo, que consistiu em entrevistas com artistas e designers de Curitiba, a fim de que cada um expusesse seus entendimentos e reflexões em relação ao gênero. Este material precioso e de grande densidade (vídeo 1h39min) demonstra a pertinência da reflexão em ambas às áreas. Além disso, as falas fragmentadas significam uma construção de um novo discurso. A etapa final do projeto se deu a partir da produção dos trabalhos artísticos e projetos conceituais de design. Esses trabalhos artísticos abordam temas como corpo, identidade e lugar do sujeito. Os trabalhos do design basearam-se em produtos, como óculos, frasco de perfume, gráficos, entre outros. Esses resultados estão presentados na exposição “desfocado – artes e design sob a perspectiva de gênero” no Museu de Arte da UFPR de 11.4.-13.5.2006. Os resultados desta pesquisa teórica e empírica na arte e no design são próprios textos visuais que materializam a reflexão sobre gênero. A palestra sobre o projeto desfocado, com analises dos trabalhos e do vídeo, no simpósio “Gênero e texto visual” busca demonstrar a linha de pesquisa e de seus resultados plásticos como uma possibilidade da análise visual sobre gênero.
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Sumaya Lima
Recomeçar e Tudo Sobre Minha Mãe: uma leitura analógica sobre a imagem feminina e materna representadas no cinema de Roger Michell e Pedro Almodóvar
Neste ensaio, utiliza-se dos conceitos da intradiscursividade e da interdiscursividade, para identificar as possíveis temáticas explícitas e subliminares dos textos. Refere-se ao conceito de Vera Lúcia Pires, cuja definição de intradiscurso “é o fio linear dos elementos lingüísticos do discurso. Interdiscurso é um termo da Análise do Discurso francesa que refere à memória histórica do dizer, que tece todos os discursos. Eles serão, portanto, sempre habitados, ocupados pelas palavras dos outros” (PIRES, 2003, p. 204). É no entendimento desses conceitos e através da leitura desses discursos que são desenvolvidas as intertextualidades e interpretações dos textos.

Tiê Fernandes Pereira
A leitura dos gêneros nas sinalizações gráficas
O Design gráfico tal como o entendemos atualmente é por definição ligado a uma metodologia acadêmica “globalizada”. Entretanto, existe um “design gráfico popular”, local, nao acadêmico, não gobalizado, conhecido na bibliografia especializada como “design gráfico vernacular”, elaborado fora das noções de projeto acadêmicas. São cartazes, faixas, letreiros, etc, feitos de forma aparentemente improvisada e intuitiva por profissionais sem formação universitária. Concebidos e executados segundo lógicas e estéticas incompatíveis com as acadêmicas, surpreendem por sua eficácia do ponto de vista comunicativo. Uma etnografia desse tipo de desenho gráfico em Florianópolis aponta as representações de gênero presentes nessas midias, nas quais cores, formas das letras e representação gráfica de certos objetos veiculam significados de masculinidade e feminilidade.
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