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ST37 - Gênero, segurança alimentar e meio ambiente

Coordenadoras:     Lígia Albuquerque de Melo (Fundação Joaquim Nabuco)
                               Izaura Rufino Fischer (Fundação Joaquim Nabuco)
                               Dra. Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão (UFRPE)

Resumo

O Grupo temático proposto tem como objetivo contribuir para ampliar o debate sobre gênero, segurança alimentar e conservação ambiental. Trata-se de um tema ainda pouco explorado no meio acadêmico e nas organizações da sociedade civil. A segurança alimentar compreende a garantia do direito ao acesso ao alimento. Sua abrangência se confirma na disponibilidade, no acesso, na estabilidade e na qualidade dos alimentos, de forma a proporcionar à população uma vida saudável. A segurança alimentar se estabelece nos âmbitos: doméstico, comunitário, nacional e internacional quase sempre atrelada a múltiplas atribuições das mulheres, com ou sem o devido reconhecimento social. Nesse processo, as mulheres desempenham papéis de importância central uma vez que participam da citada abrangência da segurança alimentar, estando presente no provimento das necessidades, precisamente na obtenção, na preparação e na partição dos alimentos entre os membros da família. Seu papel de maior relevância se objetiva, porém, na agricultura de sobrevivência, ao produzir mais de 50% do volume de alimento mundial, adotando cultivo reconhecido na conservação do meio ambiente. Geralmente, as mulheres agricultoras assumem tal papel sem o auxílio do Estado que deve assegurar à população o direito civil referente a segurança alimentar, respeitando as especificidades da cultura de cada povo. Neste grupo serão privilegiados trabalhos que contemplem: gênero, eqüidade social e meio ambiente; mulher trabalhadora rural, conservação do meio ambiente e geração de renda; gênero, fome e meio ambiente; gênero, reforma agrária e meio ambiente; gênero, pobreza e meio ambiente; gênero, agricultura familiar e meio ambiente; gênero, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. Espera-se contar com a participação de acadêmicas (os), pesquisadoras (es), técnicas (os) governamentais e militantes de organizações de base. O trabalho do Grupo Temático será composto por apresentações orais e pôsteres.


Trabalhos

Aline Drews - UFSC
Agricultoras e agricultores familiares vivenciando os desafios e as conquistas da transição para a agricultura orgânica
Neste estudo buscou-se investigar as transformações nos modos de vida e trabalho de agricultoras e agricultores familiares que se apropriaram do sistema produtivo orgânico. Para isto foram realizadas observações e entrevistas nas casas e locais de trabalho de seis agricultores e seis agricultoras residentes na localidade de Vargem do Braço, Santo Amaro da Imperatriz/SC. A análise da história da transição para o cultivo orgânico e da constituição de uma associação de produtoras e produtores indicou tanto mudanças quanto permanências nas relações sociais de gênero e geração. A participação e as motivações diferenciadas dos agricultores e das agricultoras de diferentes gerações no processo de organização das novas atividades, assim como na ocupação dos seus diferentes espaços, destacou-se ao longo desta pesquisa.
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Ana Clara Costa de Lima, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão - UFRPE
Artesanato numa perspectiva de inclusão social e preservação ambiental
Atualmente vivenciamos mudanças na trama econômico-cultural engendrada pela globalização e pelo avanço tecnológico. O número de excluídos tem aumentado, o empobrecimento e a marginalização favorecem o risco de convulsão social. É neste cenário que encontramos a força feminina preocupada em garantir as necessidades básicas dos seus tais como: moradia, vestuário, educação e alimentação. A participação da mulher em atividades produtivas de contexto popular é cada vez mais freqüente, onde se desenvolvem atividades, possibilitando redes de solidariedade, que favorecem a reprodução da unidade doméstica e a proteção do local onde vive a família, a preservação ambiental. O desenvolvimento local é entendido como um processo de inclusão social que mobiliza pessoas e instituições buscando a transformação da economia e da sociedade, criando oportunidades de trabalho e de renda buscando superar dificuldades para favorecer a melhoria das condições de vida da população local. A perspectiva de desenvolvimento local tem promovido uma ação de inclusão social com as mulheres de uma comunidade litorânea do Município de Sirinhaém, denominada A Ver-o-Mar no litoral sul do estado de Pernambuco. O meio ambiente ainda razoavelmente preservado da comunidade não impede que as mulheres invistam na produção artesanal e na produção da passa de caju no período da safra do fruto. Poupando um pouco a pesca dos mariscos cada vez mais escassos.
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Cândida Zanetti, Renata Menasche - UERGS/UFRGS
Segurança alimentar, substantivo feminino: mulheres agricultoras e autoconsumo
É sabido que a produção de alimentos voltada ao consumo das famílias rurais cumpre importante papel em suas estratégias de reprodução social. Entretanto, estando à margem dos processos mercantis e realizada predominantemente sob responsabilidade de mulheres agricultoras, a produção destinada ao autoconsumo é comumente pouco valorizada frente aos produtos destinados à comercialização. A partir de uma abordagem que privilegia a análise das percepções e práticas de agricultores e agricultoras em relação à alimentação e à produção de alimentos e levando em conta os papéis de gênero socialmente construídos na agricultura familiar, este estudo se propõe a evidenciar o lugar das mulheres agricultoras na promoção da segurança alimentar das famílias rurais observadas. Os dados analisados foram coletados a partir de entrevistas e observação participante, realizadas na localidade de Jacarezinho (Encantado, RS), em 2005.
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César de Mendonça Pereira, Maria de Fátima Oliveira, Maria José Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão
Desenvolvimento sustentável: o meio ambiente na perspectiva das mulheres de A-Ver-o-Mar, Sirinhaém/PE
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Dalva Maria da Mota - EMBRAPA
O extrativismo da mangaba numa perspectiva de gênero
Um dos temas recorrentes nos estudos sobre as populações tradicionais extrativistas é o papel das mulheres, reconhecidamente, detentoras de saberes fundamentais à conservação da biodiversidade, mas crescentemente vulneráveis à pressão exógena (especulação imobiliária, turismo, etc) e a ação dos homens e mulheres “intermediários” que, frente à valorização dos produtos, disputam o controle dos recursos e da comercialização. Nesse contexto, o objetivo do artigo é analisar o papel das mulheres no uso e conservação das áreas remanescentes de mangabeiras, assim como, às relações subjacentes a esse no município de Barra dos Coqueiros/SE num momento de valorização da mangaba no mercado de frutas frescas.
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Élcia de Torres Bandeira - UFRPE
Alimentação, saúde e construção da cidadania das mulheres no agreste de Pernambuco: o caso de Gravatá
Um grupo de trinta mulheres vem interagindo socialmente em Gravatá, agreste de Pernambuco, através do Projeto Vida Verde, em busca de ações cidadãs que lhes permitam identificarem-se e construírem elos com a coletividade, extrapolando assim os estreitos limites do lar, aos quais estiveram aprisionadas ao longo de suas existências. Semanalmente, o grupo se reúne para discutir procedimentos de saúde preventiva incluindo o equilíbrio físico e psicológico que se procura atingir através de aulas práticas de higiene, alimentação alternativa, fitoterapia, hatha yoga, reconhecimento e cuidados com o corpo, além de atividades lúdicas que visam ao relaxamento das tensões cotidianas e a produção artesanal. Estas atividades coletivas com a comunidade feminina do Jucá intermediadas pelo Instituto João Evangelista, entidade civil de natureza privada, sem fins lucrativos, têm favorecido o dagnóstico e a solução de problemas cotidianos, agravados pela pobreza em que vivem as mulheres atendidas pelo programa e pelo meio físico do semi-árido nordestino. Procurando minimizar carências nutricionais de mulheres e crianças, este projeto tem estimulado a saúde pela natureza e a alimentação alternativa.
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Eliane Bryon, Hersilia M. Cadengue, Vitória Gehlen, Mariomar Almeida - UFPE
Equidade social e meio ambiente: estudo de caso em Potozi
O estudo empírico, realizado no assentamento rural de Potozi do município do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco – Brasil assistido pelo Centro das Mulheres do Cabo, teve como um dos objetivos a necessidade de ressaltar a participação das mulheres nas atividades agrícolas com equidade, não só para autonomia feminina, mas para o desenvolvimento sustentável. Foram realizados questionários e entrevistas junto ao corpo técnico do Projeto Gênero e Desenvolvimento Local Sustentável, do CMC, além de observação das reuniões ordinárias e coletivas dos assentados. Concluindo que um projeto de geração de renda, que contribua com a autonomia feminina e conservação do meio ambiente, mesmo que beneficie a todos, os homens tendem mostra-se inseguros e a prejudicar o projeto, e assim, o progresso local.
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Edilene de Souza Pinto, Cristiana Diniz Pedrosa, José Carlos de Melo e Silva, Fernando José Chalegre e Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão
Desenvolvimento local: geração de renda a partir do artesanato e do turismo na comunidade de A-Ver-o-Mar, Sirinhaém/PE
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Epitácio Gueiros, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão, Luciene Martins, Marcílio José, Danilo Rosa -
Geração de renda a partir do artesanato e do turismo na comunidade de A-Ver-O-Mar, Sirinhaém/PE
O trabalho de Teve como objetivo o acompanhamento das dificuldades de comunicação entre membros de uma associação de mulheres de A Ver-o-Mar.Foi utilizada metodologia participativa e observou-se que a baixa participação da comunidade nos projetos da associação, assim como, uma fragilidade visível na formulação de parcerias com instituições que possam contribuir com apoio técnico fortalecendo suas metas e objetos.A liderança feminina aparece como um ponto importante na compreensão desses processos, visto que, um trabalho eficiente da liderança desenvolvendo corretamente seu papel político, pode facilitar tanto a organização interna da associação como o crescimento externo junto às instituições públicas e privadas que possam auxiliar tanto com apoio técnico como a abertura de mercado consumidor para a produção local. Contudo, essa perspectiva implica em alguns desafios face ao baixo nível educacional dos moradores e a superação de comportamentos adquiridos em muitos anos de políticas paternalistas promovidas pelo Estado, como foi registrado no diagnóstico participativo realizado na comunidade.
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Etienne Amorim Albino da Silva, Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão
A participação das mulheres na associação da comunidade de Aver-O-Mar e o desenvolvimento local
O objetivo principal desta pesquisa foi de analisar as conseqüências da participação social das mulheres da comunidade Aver-o-mar nas redes de relações que embasam o desenvolvimento local. Especificamente buscamos analisar o empoderamento do capital social nas tomadas de decisão; tentando identificar os fatores que estão impedindo o desenvolvimento local desta comunidade. Os dados foram colhidos a partir de: diagnóstico rápido participativo-DRP–; Visitas de observações, e aplicação de questionários semi - estruturados. A partir da perspectiva de participação social, enquanto mecanismo de envolvimento dos cidadãos desta comunidade notamos que os indivíduos deixam de ser expectadores e passam a ser os atores de todo o processo de desenvolvimento. Afinal: O que está dificultando ou impedindo esta comunidade a se desenvolver?
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Fabiane Vicente dos Santos - FIOCRUZ
Hábitos de consumo das famílias indígenas habitantes de áreas urbanas
Partindo de uma solicitação de lideranças do movimento de mulheres indígenas da Federação das Organizações Indígenas do alto Rio Negro – FOIRN e de duas associações indígenas de base urbanas, preocupadas com o que consideravam uma mudança nos hábitos de consumo das famílias indígenas habitantes da área urbana que passam a consumir grande volume de produtos industrializados na dieta, a pesquisa que começa a ser desenvolvida por pesquisadoras do Centro de Pesquisa Leônidas & Maria Deane, Fiocruz Amazônia tem como objetivo analisar em que medida se dá esta mudança – partindo da hipótese de que ela ocorre – e os fatores envolvidos na relação transformação social x consumo alimentar num contexto multiétnico, utilizando uma abordagem que congrega o campo da antropologia da alimentação como ferramenta para estudo da transformação social entre povos indígenas, buscando dar conta da heterogeneidade de sentidos envolvidos nesta relação, onde as noções de “tradicional” e “moderno” ganham configurações novas e desafiadoras.
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Fernando José Chalegre e Silva - FASNE
Turismo sustentável e jovens rurais: uma abordagem sobre a participação das jovens locais para uma possível estratégia de geração de renda
A primeira Oficina de Diagnóstico Rápido Participativo - DRP com enfoque na geração de renda direcionada para o turismo contou com a participação de 12 mulheres da comunidade de A-Ver-O-Mar, município de Sirinhaém/PE. O artigo foi elaborado a partir do diagnóstico sobre os vários fatores que confirmam a vocação turística da comunidade. A baixa circulação de ônibus para pic-nic, a inexistência de esgotos na praia e no mangue, o artesanato, a força de trabalho e o envolvimento das jovens locais, junto com a beleza natural, fortalecem tal vocação. Com um potencial para se trabalhar o turismo sustentável, responsável e ecológico, faz-se necessário uma profunda reflexão sobre o papel das jovens no turismo e também identificar as potencialidades dessas mulheres, possíveis protagonistas das mudanças sociais.
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Ines Claudete Burg
As mulheres agricultoras na produção agroecológica e na comercialização em feiras no sudoeste paranaense
As mulheres agricultoras são as principais responsáveis pela preservação dos policultivos e a criação de pequenos animais, ou seja da biodiversidade, base para a agroecologia e garantia de segurança alimentar para as famílias e a sociedade em geral. A agroecologia ao considerar todos os compo-nentes do sistema produtivo, pode contribuir para dar visisbilidade ás mulheres e provocar mudanças nas relações de gênero. No entanto, nas conexões apontadas entre a agroecologia e as mulheres, a não incorporação das questões colocadas pelo feminismo, pode estar dando visibilidade às mulheres sem contudo problematizar a divisão sexual do trabalho presente na agricultura familiar.
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Irenilda de Souza Lima - UFRPE
Uma prática de extensão rural para o desenvolvimento local com mulheres em A-Ver-o-Mar, Sirinhaen Pernambuco
Este trabalho analisou uma atividade de extensão rural com mulheres da comunidade de Aver o Mar, Serinhaén, Pernambuco. Estas atividades são parte do projeto Gamela coordenado pela UFRPE e especificamente este estudo teve como objetivo realizar uma prática educativa para a organização,
participação e empoderamento das mulheres. Partiu-se da vocação do grupo para costura e o objeto pesquisado focalizou uma oficina de pachtwork, realizada com quinze mulheres em dois dias. Foram mobilizadas pessoas e instituições para a subsidiar o grupo de mulheres na promoção do desenvol-vimento local. O estudo avaliou de que maneira uma prática interativa fortalece as relações coletivas, despertando para novas possibilidades, no sentido de mudanças no local.
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Izaura R. Fischer - Fundação Joaquim Nabuco
Conservação ambiental e segurança alimentar: um hábito milenar das mulheres
A conservação do ambiente e a segurança alimentar são encargos de responsabilidade de todos que formam a população do planeta, independentemente do sexo. No entanto, essa atividade tende a ser realizada mais fortemente pelas mulheres. Fundamentado em dados bibliográficos, este trabalho tem o objetivo de analisar a condição de “invisíveis”, do ponto de vista da participação e das decisões, que as mulheres efetivam essas atribuições. Com ou sem a presença do suposto provedor masculino, as mulheres encontram-se diretamente envolvidas com a questão alimentar seja no processo de produção, no consumo ou na distribuição do alimento. Ao se colocarem como voluntárias da conservação ambiental e do processo alimentar, na contradição, a mulher põe em xeque o pressuposto milenar de que os homens são guardiões da segurança alimentar da família.
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Juliana Silveira, Debora Barauna, Silvana Fehn Bastianello, Ana Paula Testa Pezzin, Denise Abatti Kasper Silva
O perfil da mulher rural num grupo de geracao de trabalho e renda
O estudo dos comportamentos de gênero aplicados a comunidades rurais, em especial num grupo de artesanato de Joinville, que se constitui de mulheres trabalhadoras rurais, se faz necessário para uma melhor compreensão de suas particularidades e discordâncias para o trabalho de um projeto de extensão universitária: desenvolver produtos artesanais com as perdas das agroindústrias locais juntamente com aparas de papel provenientes de setores administrativos da Universidade da Região de Joinville. Gerar renda e inserir conceitos sobre conscientização ambiental são algumas das principais metas do projeto, e para este artigo, traçar um perfil psicológico, social e econômico destas mulheres rurais através de questionários, entrevistas e didáticas. Verificando também, as relações com os familiares, com o trabalho, com a comunidade, com o meio ambiente e com a sociedade urbana.
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Lígia Albuquerque de Melo - Fundação Joaquim Nabuco
Contribuição da mulher trabalhadora rural: do meio ambiente a segurança alimentar
A mulher agricultora familiar contribui para conservação do ambiente agrícola e para geração da produção de alimentos. O objetivo do estudo foi o de analisar as alternativas encontradas pela mulher agricultora do Nordeste no desenvolvimento das atividades relacionadas ao uso dos recursos naturais, conservando o ambiente em que vive. Na realização do estudo foram utilizados dados primários, secundários e leituras bibliográficas. A mulher agricultora na realização das atividades adota alternativas em defesa do ambiente como adubos orgânicos, preservação de plantas e o plantio de outras para repor aquelas extraídas para o fabrico de carvão. Embora participe da preservação e conservação do meio ambiente, a mulher agricultora está ausente do processo de formulação de políticas e nas tomadas de decisões sobre a reabilitação, conservação e preservação dos recursos naturais.
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Marcia Regina Paz Alves - UFRPE
Gênero e assistência técnica:a percepçaõ de técnicos/as sobre as mulheres rurais e seu trabalho
No trabalho analisamos a atuação de técnicos/as de assistência técnica e Extensão rural, focalizando sua percepção acerca das relações de gênero neste contexto, particularmente sua visão sobre as mulheres rurais e sua atuação junto a estas.O trabalho baseia-se em entrevistas com técnicos/as de diversas formações e idades, e observação participante do seu trabalho no segundo semestre de 2005.Os resultados indicam que a prática desta atividade ainda mantém características da extensão rural clássica no que se refere à percepção do trabalho com mulheres, pois ainda se naturaliza o masculino e o feminino e não se estimula a participação das mulheres nos espaços públicos e decisórios. Os/as técnicos/as direcionam suas ações para os homens, entendendo que desta forma trabalham com as famílias, afirmam que não trabalham com as mulheres por que estas não participam e porque só trabalham com a produção, descaracterizando desta forma a atividade feminina como produtiva.
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Maria de Fátima Massena de Melo, Martha Maria Vasconcelos de Lima Matos - UFRP/NEGA
Gênero na Pesca e Economia Familiar: subordinação e subvalorização
Discutimos o papel das pescadoras nas dimensões da preservação do meio ambiente e nas relações estabelecidas entre a casa e o mundo do trabalho analisando até que ponto o gênero interfere nestas dimensões. Experiência com pescadoras, em Goiana-PE, discutindo gênero x cidadania e orientação sobre orçamento doméstico mostrou preocupações com: a sobrevivência da família através da pesca, preservação do meio ambiente e dos cajueiros, fonte de renda com produção de doces. Utilizando cópia de nota de R$ 100,00 solicitamos que listassem o que comprariam. Priorizam compra de alimentos para a família, pagamento de luz, água, compra de gás, remédio para o marido, calçados para filhos/as, telhas e porta para casa. O gênero aparece através da preocupação com o meio ambiente, como meio de sobrevivência da família, e na prioridade da compra de itens relacionados à reprodução.
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Maria do Rosário de Fátima Andrade Leitão - UFRPE
Gênero, artesanato e desenvolvimento social
O artigo cuja temática abarca gênero e inclusão social, se refere à reflexão sobre as relações sociais que envolvem um conjunto de mulheres organizadas numa produção artesanal na comunidade A Ver-o-Mar, localizada em Sirinhaém, no litoral sul de Pernambuco. Para a elaboração desse trabalho foram realizadas visitas técnicas de observação, entrevistas, questionários e dinâmicas que objetivam estimular e debater sobre a consciência cidadã e a melhoria da auto-estima dessas mulheres. Constatou-se no processo de fundamentação do grupo produtivo que as dificuldades envolvem redes de relações que incluem dominação, cooperação, reciprocidade, conflito, participação e exclusão, predominando individualismo e competitividade. A partir dos resultados alcançados, o passo tem sido na direção do empoderamento da consciência cidadã nas desigualdades de gênero e no aprimoramento da capacidade produtiva para que as mulheres se sintam sujeito e não objeto nas relações sociais.
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Maria Elizabete Pereira dos Santos, Ivna Borges da Costa - UFRPE
Gênero, pescadoras e meio ambiente: o acordar para a consciência ambiental
O I Encontro Regional das Pescadoras do Litoral e Sertão Pernambucano, teve como proposta levantar as dificuldades e preocupações vivenciadas pelas pescadoras nas atividades pesqueiras. Através de metodologia investigativa, buscamos resposta(s) para a questão: “a escassez de recursos naturais do semi-árido, provocam maiores preocupações com o meio ambiente nas pescadoras desta região, quando comparadas às do litoral?” Os resultados organizados em termos de prioridade, não apresentaram diferença quanto ao grau de preocupação com o meio ambiente, pois a consciência da preservação ambiental vem da necessidade de sobrevivência, e a preocupação central relaciona-se à perda dos espaços de produção, sem uma visão sobre o meio ambiente constituída numa rede de relações sócio-político-cultural, ecológica e ambiental.
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Maria Zênia Tavares da Silva, Laura Susana Duque-Arrazola
Mulher, política de segurança alimentar e relações de gênero
Entendemos a Segurança Alimentar e Nutricional - SAN como um direito que fortalece a condição de cidadania. Nesta perspectiva, ela diz respeito à articulação de diversas políticas: econômica, agrícola, de abastecimento de alimentos e dos setores da vigilância alimentar e nutricional. Apesar dos avanços conceituais o discurso e medidas governamentais de políticas de SAN reproduzem as desiguais e hierárquicas relações de gênero que estruturam a divisão sexual do trabalho no âmbito doméstico-familiar e público da produção e da política. Nela as mulheres estão presentes como “instrumentos” das mesmas, mas não como sujeitos.e alvo das mesmas. Partindo de um estudo documental, o objetivo do presente trabalho é apreender os componentes de gênero na política de segurança alimentar e nutricional.
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Marialda Moura da Silva
A participação das mulheres no assentamento: a situação da Agrovila Arizona (São Miguel do Gostoso-RN)
As mulheres rurais têm conseguido desenvolver experiências significativas, quanto ao aspecto da preservação ambiental. É o que tem comprovado uma experiência realizada no assentamento Arizona (São Miguel do Gostoso-RN), envolvendo oito mulheres assentadas, demonstrando ser possível inovações através de uma gestão descentralizada, provocando rupturas com a agricultura convencional e buscando saberes aprendidos em outras gerações. Com esse trabalho, buscamos compreender o significado social que tem a participação das mulheres no contexto de organização do assentamento, considerando as diversas atividades por elas assumidas e pela necessidade de analisar as relações de poder, envolvendo práticas discursivas e simbólicas adotadas pelas famílias assentadas, conseqüentemente os efeitos que tem essas práticas no cotidiano e nas relações de gênero estabelecidas no contexto da organização familiar.
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Maria José Monteiro Filha, Sônia Quintela Carneiro, Epitácio Gueiros
Meio Ambiente: monitoramento participativo com mulheres
Apesar do grande potencial turístico da região e da exploração da pesca praticada pela comunidade ser ainda de forma muito artesanal, a expansão da exploração do cultivo do camarão sem o controle dos órgãos de fiscalização, implica em um comprometimento de toda área de mangue próximo a comunidade, ocasionando sérios prejuízos à população. O manguezal é responsável pelo equilíbrio das espécies marinhas, funcionando como berçário. Desta maneira a destruição de extensas áreas de mangue afetarão a pesca praticada pelos homens e a catação de mariscos praticada pelas mulheres. Daí a importância de se desenvolverem trabalhos de ‘re-sensibilização’, que aproxime as pessoas da natureza, da importância dos recursos naturais para a manutenção da vida. Tal trabalho precisa se dar partindo da realidade local, nas famílias, escolas e comunidades. ‘Re-sensibilizada’, tal comunidade começa a buscar alternativas concretas para os seus problemas locais, buscando estabelecer ligações alternativas entre a realidade rural e a urbana; novas alternativas de sustentabilidade, baseadas em uma economia mais solidária, que consiga o equilíbrio e não destruição de outras vidas; procurando desenvolver tecnologias alternativas; reflexões sobre consumo e produção de lixo, com o desenvolvimento de coleta seletiva e formas de reciclagem (sobretudo artesanais). Com o tempo e ações consecutivas, tais grupos se organizam e reivindicam ações políticas de maior impacto. As pequenas observações ambientais locais são pontos de partida para a compreensão dos ecossistemas e das questões mundiais. Isto só ocorrerá com um processo de educação ambiental que não seja compreendida como uma educação voltada somente para as questões ambientais, mas seja uma nova maneira de se pensar o conhecimento, de forma articulada e interdisciplinar, levando em conta não apenas as espécies ameaçadas de extinção, mas os processos econômicos que condenam a uma sobrevida ou mesmo à extinção de grande parte da humanidade. E que seja uma educação ambiental que ajude ao ser humano compreender-se como parte harmônica do universo.
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Nathalia Cunha Polese, Luciane Maria Pastore, Elenice Pastore - UPS/RS
O papel da mulher na agricultura diversificada e agroecológica: influências e mudanças nas relações de gênero
Este trabalho tem por objetivo, analisar o papel da mulher no desenvolvimento da agricultura diversificada e agroecológica, nos empreendimentos familiares do meio rural de Passo Fundo e região, identificando as relações de gênero estabelecidas a partir das mudanças ocorridas nos processos produtivos e mercantis das últimas duas décadas. Apresenta-se ainda uma análise sobre os processos sócio culturais que giram em torno do universo do trabalho, das relações familiares, dos processos comerciais, no que tange a participação de mulheres e homens nestes espaços, onde (re)constroem-se relações de gênero. O trabalho estrutura-se a partir de uma contextualização das relações sociais de gênero estabelecidas no meio rural, onde se desenvolve a agricultura familiar essencialmente tradicional, com valores sócio-culturais bastante conservadores. Analisa-se ainda as relações sociais de gênero desenvolvidas a partir das novas estratégias de desenvolvimento da agricultura, com enfoque na agrodiversidade e agroecologia que articulam produção para o auto-consumo e excedente para comercialização direta ao consumidor, especialmente desenvolvidas em feiras de produtores.
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Odalys Medina Hernández - UCF/Cuba
Las prácticas socioculturales: masculinidad y diversidad en sistemas de relaciones. el perché. estudio de casos
La presente investigación tiene como objetivo el estudio de las prácticas socioculturales en el sistema de relaciones, espacio- vivienda en la comunidad el Perché y su utilidad institucional y social. Se realiza una caracterización de la influencia medioambiental y social (se detallan los aprendizajes y reproducciones de roles desde la masculinidad) de la comunidad El Perché que interviene en la construcción de sus relaciones interpersonales y espaciales, se identifica el sistema de relaciones espacio-vivienda a partir de sus prácticas socioculturales y se determinan, desde la interpretación, los rasgos que tipifican la diversidad o pluralidad de las prácticas socioculturales que conforman la identidad de esta comunidad. Se demostró que los estudios de espacio vivienda constituyen una forma de expresión esencial de las cotidianidades y evidencian las relaciones y prácticas culturales en un contexto y relación propia singularizado por el binomio hombre-naturaleza y en especial el marino.
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Tarcísio dos Santos Quinamo - FUNDAJ
Aspectos ambientais e relações de gênero na pesca artesanal no complexo estuarino-costeiro de Itamaracá, Pernambuco
O trabalho aborda a atividade pesqueira desenvolvida por cerca de 3,3 mil homens e mulheres do município de Itapissuma, na região do Complexo Estuarino-Costeiro de Itamaracá, em Pernambuco, Brasil. Essa atividade responde por cerca de um quarto da produção pesqueira realizada na costa do Estado, assumindo importância fundamental no fornecimento de alimentos e geração de emprego para as famílias desses profissionais. Todavia sofre com as pressões do crescimento populacional, da expansão urbana e de atividades econômicas, que compreendem a indústria química, cultura canavieira, turismo e carcinicultura. Poluição hídrica, destruição de manguezais, movimentação de lanchas na área estuarina e pesca predatória são os principais problemas ambientais que ameaçam a pesca e os ecossistemas que lhe dão sustentação. Pescadores e pescadeiras produzem tanto para o mercado como também para o consumo familiar, sendo que os homens tendem a se especializarem na pesca de peixes e camarões, mais voltada para o mercado, e as mulheres na de siris e moluscos, com grande peso na alimentação familiar.
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Thais Fernanda Leite Madeira - UFSCar
Relatos e imagens dos pescadores(as) do alto- médio rio São Francisco: um estudo sobre as relações de gênero e meio ambiente
Esse trabalho se propõe fazer um estudo sobre gênero e meio ambiente no rio. De um lado tem-se um ambiente em risco - o rio que morre. De outro, um grupo de famílias de pescadores que se organizam para sobreviver a partir dos recursos desse meio. Nessa organização, diferenciam-se os papéis do homem e da mulher. É dentro dessa perspectiva, que a partir do levantamento sócio-econômico dessa população e suas estratégias de sobrevivência, das práticas laborais e a representação de meio ambiente, tentaremos compreender as relações de gênero e as visões de meio ambiente que se estabelecem no seio das comunidades de pescadores (as) do Rio São Francisco. A amostra da pesquisa compreende homens e mulheres pescadores de diferentes gerações que habitam ao longo do trecho mineiro do alto-médio Rio São Francisco. A memória e as imagens fotográficas são utilizadas como recurso metodológico, pois contextualizam o problema e ampliam o olhar do pesquisador.
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