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ST38 A - Gênero: multiplicidade de representações e práticas sociais

Coordenadoras:     Lidia M. Vianna Possas (UNESP/Marilia)
                               Andrea Borelli (NEM-PUC/SP e UNICSUL)
                               Rachel Soihet (UFF/RJ)

Resumo

Este Simpósio Temático pretende associar reflexões sobre representações e práticas sociais que localizam, na multiplicidade de masculinidades e feminilidades, diferentes formas de exercício de poder.  Para tanto, confirma a perspectiva relacional da categoria gênero, em suas muitas interseções - de classes, de raças/etnias e de gerações - e nas esferas pública e privada. Objetiva, através dela, desenvolver esforços intelectuais úteis ao reconhecimento das desigualdades sociais e de significados de muitas e diferentes experiências dos sujeitos históricos de lugares e tempos diversos.  Visa, deste modo, contribuir com a revisão de paradigmas e com a produção de referências efetivas para a tomada de consciência individual e coletiva de processos sociais ocultos e para uma intervenção política a favor de um mundo mais justo.


Trabalhos

Almerindo Cardoso Simões Junior - UNIRIO
Um gay power à brasileira – construção de identidades homossexuais no jornal Lampião da Esquina
O objetivo deste trabalho é analisar no jornal Lampião da Esquina – um dos primeiros jornais homossexuais impressos no país – a construção das múltiplas identidades homossexuais. Tendo em vista o seu surgimento em um momento único da história do país, observo sua inserção na comunidade homossexual da época. Reconhecido elemento de memória da referida comunidade, ainda hoje lembrado, sua seção de cartas dos leitores é palco do que de mais variado se apresenta em termos de identidades homossexuais do fim dos anos 70 no Brasil. Arena de embates e conflitos, o discurso – elemento de desejo e poder – é a arma desses guerreiros, que expõem idéias, concordam ou discordam do jornal, se inserem no contexto político social do país e assumem-se enquanto cidadãos ativos da vida do Brasil.
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Altair Bonini
Mulheres trabalhadoras de Curitiba das décadas de 60 e 70: entre práticas e representações
Nosso propósito é discutir as relações de gênero e as representações outorgadas às mulheres trabalhadoras em indústrias e no setor terciário, em Curitiba, ao longo dos anos 1960 e 1970. Tais representações são edificadas a partir de papéis ideais e justificadas como vocações naturais das mulheres, em benefício de toda a sociedade. Práticas que legitimam a identidade social, a existência de ocupações consideradas femininas e outras masculinas, muitas vezes respaldadas por instituições que zelam pela continuidade da identidade social, como o Judiciário e o Direito do Trabalho, que ao longo de décadas vêm corroborando a manutenção das diferenças entre homens e mulheres. Nossas fontes privilegiadas são os processos trabalhistas do Tribunal Regional do Trabalho - 9ª Região - Paraná, cuja análise demanda uma revisão das leis trabalhistas atinentes às mulheres.
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Andrea Borelli - UNICSUL/PUC
O casamento: considerações sobre a masculinidade no direito de família 1830-1950
O sistema jurídico apresenta-se à sociedade como impermeável as questões de gênero, etnia e classe. Portanto, o conjunto de regras nele exposto atingiria as pessoas de maneira uniforme e igualitária. Contudo, um olhar mais atento permite verificar práticas hierárquicas e desiguais dentro da sociedade, favorecendo os grupos dominantes por meio de mecanismos que garantem sua supremacia na relação com o dominado. Esta questão é particularmente visível na apropriação jurídica das relações estabelecidas entre homens e mulheres e dos mecanismos utilizados para regrá-las.
Neste sentido, o presente trabalho objetiva discutir a questão do casamento perante a lei, observando o espaço ocupado pelos homens.
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Aurilu Torrente Lopes, Esmeralda Rizzo, Rosana Schwartz, Nara Martins, Rosana M. P. Barbato, Ines M. Minardi - Mackenzie
Trabalho, vida e experiência cotidiana das Quebradeiras de coco de babaçu do baixo Mearim, Estado do Maranhão
Este projeto de pesquisa pretende desenvolver uma ferramenta de trabalho para as mulheres quebradeiras de coco de babaçu, bem como discutir e questionar a presença das relações de gênero no agroextrativismo e nas propostas de valorização do meio ambiente e do ser humano, realizado da região do Médio Mearim, Estado do Maranhão, por meio da Associação em Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão (ASSEMA). Diante das duras condições de trabalho das mulheres "quebradeiras de babaçu" e do grau de periculosidade envolvidos na tarefa da obtenção do fruto do babaçu, que muitas vezes causa a mutilação de partes do corpo, este projeto de pesquisa pretende compreender as razões culturais que fazem com que estas mulheres preservem o modo como quebram o coco, assim como estudar sua participação na Associação em àrea de Assentamento do Estado do maranhão - Assema.
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Bárbara Maria Santos Caldeira - Universidade Católica de Salvador
Movimentos sociais pela terra, relações de poder e gênero: considerações iniciais sobre as representações culturais na contemporaneidade
O objetivo desse trabalho é identificar e analisar elementos que refletem as relações estabelecidas e a diversidade entre os conceitos formados pelas relações de gênero, educação e a família no cenário de uma história cultural-política marcada pelas propostas socias do MST e a vida comunitária nos acampamentos e assentamentos. A pesquisa se baseia em informações e idéias coletadas a partir da realização de entrevistas com grupos focais no Acampamento “Flor do Bosque”, situado no Município de Messias (AL) e o Assentamento “Sempre Vida”- Município do Conde, (BA). Ainda em andamento, o estudo já aponta indícios acerca dos complicadores presentes nas relações de gênero entre os moradores do acampamento, através da divisão do trabalho, metodologia educacional no processo de alfabetização de jovens e adultos e na própria organização social das famílias.
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Carla dos Santos Mattos - UERJ
A ‘cultura’ funk na periferia: considerações sobre territorialidades, raça e gênero em Jardim Catarina
Atualmente, as composições musicais consagradas nos diversos bailes funk surgem no circuito musical narrando experiências que focalizam a “violência” e “sexo” como dois temas relacionados a experiências cotidianas de gênero. Considerando que a ‘cultura’ funk é um fenômeno que pode constituir significados e formas de interação para muitos jovens da periferia, a presente comunicação objetiva discutir, a través de pesquisa etnográfica, algumas configurações locais de vivência do estilo em relação aos sentidos de raça, gênero e territorialidades. Mostro como esses sentidos foram especificamente articulados enquanto dimensões diversificadoras das experiências produzidas em contextos de segregação social e desigualdade racial na periferia de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
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Cássio Eduardo Rodrigues Serafim, Marluce Pereira da Silva - UFRN
Poderes e identidades: uma análise discursiva de relatos de vida de três mulheres
Foucault (1995) concebe relações de poder como relações de forças praticadas quotidiana e dinamicamente, atravessando – e através de – nossos corpos, comportamentos, discursos, instituições etc. No cerne dessas relações, a resistência é um elemento-chave, pois sem ela o indivíduo apenas obedece. Diante da resistência da mulher, o homem é obrigado a redirecionar as suas estratégias de poder. Quando ele pensa que pode dominá-la, ela resiste, exercendo também poder, um agindo sobre os comportamentos do outro, constituindo os significados identitários de ambos – o que nos remete ao aspecto relacional do gênero (SCOTT, 1992). Neste trabalho, analisamos discursivamente relatos de vida de três mulheres, com o propósito de perceber e analisar práticas discursivas e relações de poder que envolvem e constituem as suas identidades.
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Claiton Marcio da Silva - UFT
Representações e práticas sociais: um olhar sobre a extensão rural no Brasil (1946-1961)
Os trabalhos de Extensão Rural no Brasil, visando introduzir técnicas e tecnologias “modernas” aos agricultores brasileiros, iniciaram em 1948 a partir das ações da AIA (American International Association), uma agência fundada por Nelson Rockefeller. Entre as décadas de 1940 e 1960, principalmente, a Extensão Rural procurou organizar o mundo social dos agricultores(as) a partir de concepções diferenciadas: a lavoura, por exemplo, foi representada enquanto espaço masculino e o trabalho doméstico, enquanto feminino. Neste sentido, toda uma política de “formação” de agricultores(as) esteve orientada por estes princípios de desigualdades sociais, onde, por exemplo, as mulheres responsáveis pela difusão dos conhecimentos “modernos” (as “extensionistas”) foram proibidas, em alguns estados, inclusive de casar. Porém, entendendo gênero numa perspectiva relacional, muitas táticas cotidianas de resistência contribuíram para o rompimento destas práticas: inversão de papéis, outras formas de organização social, etc., que reorientaram as ações da Extensão Rural a partir da década de 1970.
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Evangelia Aravanis - ULBRA/Canoas
‘Ao homem, a madeira e os metais; à mulher, a família e os tecidos’: um estudo das lógicas de gênero que norteiam a organização do trabalho fabril no Rio Grande do Sul da 1ª República
O texto visa expor e analisar, tomando como base as práticas sociais do período, as lógicas que norteiam a forma de distribuição da mão de obra feminina e masculina no parque industrial do Rio Grande do Sul no período da República Velha. Dá-se destaque, na análise, às relações de poder que norteiam esta forma de organização do trabalho fabril e que revelam tanto os novos espaços e funções ocupadas pelos gêneros no período como continuidades em relação aos seus papéis sociais. Analisa-se, outrossim, como tal disposição generada do mercado de trabalho fabril resultava na exigência de corpos específicos para os gêneros, em uma somatização das relações de poder. O texto visa, em resumo, contribuir a partir de uma análise temporal-espacial específica para as discussões travadas pelos estudos que tematizam as relações entre “classe”, “gênero” e “trabalho”.
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Gisela Colaço Geradi - UNICAMP
Mulheres difíceis: prostitutas, trabalhadores e agentes policiais em São Paulo, 1890-1910
A proposta da pesquisa é enfatizar as experiências de prostitutas, agentes policiais, cáftens e trabalhadores que compartilhavam espaços e ações entre eles, a vizinhança e a própria polícia em são Paulo entre 1890 e 1910. Para isso, utilizo a documentação disposta no Arquivo do Estado, no Fundo Processos Policiais, bem como relatórios de chefe de polícia e memorialistas. O desafio metodológico e teórico que pretendo na pesquisa e tentar aproximar-se da vida de indivíduos de maneira relacional, perguntar através do gênero por sujeitos, diversidades e possibilidades de vivências e articulações, que não reduzam a um discurso ou fenômeno. Nesse sentido, cruzar a perspectiva de gênero com história social, questões raciais, constituem ferramentas indispensáveis e impossíveis de serem desprezadas, pois, o projeto trás à tona sujeitos que se encontram inseridos dentro desses debates, como parte da classe trabalhadora brasileira do período em questão.
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Hildete Pereira de Melo - UFF
Amélias brasileiras! Trabalhadoras rurais e donas-de-casa
O objetivo deste artigo é discutir a problemática de gênero no mundo rural tendo como fio norteador o tema da invisibilidade do trabalho feminino. A problemática da invisibilidade fica explicita pelo elevado número de pessoas do sexo feminino caracterizado como trabalhadoras sem remuneração no meio rural, em comparação com os demais setores da economia. A pesquisa utiliza tabulações especiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do ano de 2003 para analisar o trabalho assalariado e as atividades de autoconsumo ou de base familiar que são os indicadores utilizados para dar conta dessa questão. Para isso construiu dois cálculos distintos para analisar a população ocupada rural: um que engloba todas (os) trabalhadoras (es) e outro – freqüentemente mais utilizado – que isolam o conjunto das trabalhadoras em atividade de autoconsumo. Conclui que no mundo rural as relações sociais não foram contaminadas pelo novo papel feminino, com o mesmo impacto do que acontece no meio urbano.
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Horácio Rodrigo Batista Silveira - UFJF
O discurso civilizatório da igreja em Juiz de Fora a partir das relações de gênero
Este trabalho busca compreender as diferentes representações veiculadas nos órgãos difusores da doutrina católica em Juiz de Fora, no período da República Velha, sobre os gêneros, e o discurso normativo e moralizante que os envolvia. Segue uma linha de estudos que procura compreender o papel de determinadas instituições na padronização de condutas e comportamentos sociais e no controle do espaço público urbano em formação. Entender quais espaços e funções específicas de cada gênero, como deveria se comportar socialmente, e porque a Igreja utiliza este discurso coercitivo-moralizador neste momento. A Igreja Católica está vivenciando, tanto em Juiz de Fora como nos principais centros urbanos brasileiros, o período de Romanização e Reforma Ultramontana e o posterior período de Restauração. Tratava-se de normatizar as condutas do clero e dos fiéis de acordo com a doutrina eclesiástica proveniente de Roma e firmar seu espaço institucional. É nítida sua atuação no combate idéias modernas “desmoralizantes” e ‘desagregadoras” da família provenientes dos Estados Unidos através de manifestações culturais como o cinema, a moda, a dança, os romances perniciosos. Isto tendo como cenário a cidade de Juiz de Fora, que nas primeiras décadas do século XX apresentava um considerado desenvolvimento industrial e urbano e uma intensa vida cultural, palco perfeito para a atuação dessas idéias. Ao longo da década de 1920, a Igreja procura estreitar suas reações com o Estado, buscando firmar seu papel de instituição reguladora da sociedade no plano da esfera pública. Assume uma posição política nacionalista e patriótica, que objetiva apoiar o Estado em suas ações sociais e chama para si a função de criar uma ordem política e social fundamentada nos princípios morais e cristãos, ao mesmo tempo que reforça seu poder institucional.
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Josemeire Aires Pereira - UFMG
Memória coletiva e relações de gênero nas histórias de vida de mulheres moradoras de uma comunidade de favela
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a construção da memória coletiva do Aglomerado Santa Lúcia, em Belo Horizonte, a partir da análise das histórias de vida de 21 moradoras. A categorias gênero e representação serão tomadas como eixos analíticos. Por meio delas busco investigar as relações que se estabelecem a partir das experiências de vida das mulheres e a constituição da identidade coletiva. O trabalho busca comprender o esforço dos moradores por constituir uma memória do lugar privilegiando o olhar feminino. Qual é o significado desta opção? Quais as relações de poder implícitas nesta experiência? Como operam as relações de gênero neste contexto? São questões que norteiam o trabalho. Uma possibilidade de construção de sentido, neste caso, apresenta-se na reflexão acerca das representações como um dos elementos constituíntes da realidade.
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Juliana Nicolau Santana
Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social do feminino
Este trabalho se propõe a discutir a construção social do feminismo, o diferencial, a geração e reprodução das relações de gênero no trabalho e no labor domésticos, entendidos respectivamente como o trabalho exercido para o próprio grupo familiar e o desempenhado para terceiros, mediante alguma forma de remuneração. A partir dessa discussão trataremos como a estrutura é gerada e reproduzida e pauta as escolhas e os modos de ver o mundo dos indivíduos, em sua vida cotidiana. Entendemos que a análise desses aspectos torna-se importante num momento em que se debate as oportunidades e a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho. Muitas delas ocupando altos cargos e profissões até então vistas como masculinas. Mas, observa-se que essa dinâmica pouca altera as relações de gênero enquanto relações sociais que são, principalmente, na esfera privada.
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Márcia Maria Severo Ferraz
Feminino e masculino, uma relação com curvas perigosas
Neste trabalho, analisam-se as representações sociais na linguagem, considerando-se a visão feminina bem como as diferenças de gênero subordinadas aos processos sociais. Para tanto, verificam-se como as relações de gênero, construídas dentro de uma moldura sociohistórica, ideológica e cultural, são vistas como uma questão de poder. Dessa forma, objetiva-se descrever e analisar o gênero discursivo quadrinhos na revista feminina Cláudia, a fim de se detectar como as ocorrências dos processos considerados femininos procuram envolver e atingir o masculino. Utiliza-se, como metodologia, a comparação por meio da qual se selecionam, na seção Curvas perigosas, as estratégias recorrentes que configuram o gênero em questão. Assim, procuram-se estabelecer relações entre o discurso, o sentido, o sujeito e as suas condições de produção, para se constituir o processo de enunciação. Ao mesmo tempo, consideram-se os conhecimentos possíveis que funcionam para legitimar e sancionar essas análises, buscando-se orientar um grande número de prescrições/ações com as quais se poderia corrigir o percurso das atribuições femininas e/ou masculinas.
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Maria Aparecida Macedo Pascal, Maria Izilda Matos, Beatriz Saeta - Mackenzie
Imigrantes portugueses em são paulo: memória, identidade e cotidiano
Esta pesquisa analisa a presença portuguesa na cidade de São Paulo no período compreendido entre 1890 e 1950. O trabalho questiona as interpretações centradas nas referências expulsão-atração que sustentam a maioria das interpretações sobre o tema da imigração e busca recuperar as experiências desses sujeitos históricos, a visão cultural, incorporando as abordagens de gênero e geracional.. A análise discute as questões historiográficas, a teia de relações cotidianas, a experiência no mundo do trabalho, o problema da identidade, as tensões entre nacionais e estrangeiros, trabalhadores e elite proprietária, bem como os conflitos nos espaços público e privado. Através da história oral buscou-se recuperar as histórias de vida, as trajetórias, os sonhos e expectativas que envolvem o processo da Imigração.
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Maria da Glória Guimarães Correia - UFMA
Bela morena ou linda garota: representações sobre a mulher nos cantares do Bumba-meu-boi
Nas terras do Maranhão, quando chega o mês de junho, repete-se a cada ano um ciclo festivo que começa no dia de Santo Antônio, alcança o ponto máximo dos festejos no dia São Pedro, depois das homenagens devidamente prestadas a São João, “santos folgazões”da corte do céu. Fogueiras então iluminam as noites, que são nesses dias cheias de cores e de sons, pois é quando, por estradas e caminhos, largos e terreiros, canta e dança o bumba-meu-boi, falando de coisas da vida, falando das coisas de amor. Folguedo cujos cantares enchem as noites desde tempos coloniais, na mulher amada encontraram os “cantadores”a grande razão de seu cantar. A proposta do presente trabalho é empreender uma análise das idealizações acerca do feminino presentes em toadas de bumba-meu-boi, compostas por esses poetas do povo, que são os seus autores.
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Maria Fernanda Diogo - UFSC
Práticas sociais excludentes relacionadas à inserção da mulher no mercado de trabalho
Tendo como base a concepção de que o sujeito se constitui de maneira histórico-dialética, busco articular as categorias trabalho e gênero, analisando as práticas sociais perpetradas nas atuais transformações do mercado de trabalho pela ótica da dialética da inclusão/exclusão. A perspectiva histórico-dialética entende o sujeito como social e historicamente determinado, constituído e constituinte de seu contexto. Este é um ponto de vista relacional, considera que as individualidades se constroem sustentadas por determinadas condições materiais na tessitura das relações com as pessoas e com o mundo. Todo sujeito é o seu trabalho, ou seja, a possibilidade de transformar o mundo, de criar, de se fazer subjetividade objetivada. Assim, trabalho é a atividade que define o indivíduo como ser social e torna-se uma importante ferramenta de análise. Diante da transitoriedade de um mercado de trabalho dominado pelo desemprego, subemprego e precarização, inúmeros/as trabalhadores/as foram excluídos/as do círculo produtivo. Sobrepondo-se a este fato, algumas especificidades limitam e desqualificam a inserção feminina no cenário laboral: ainda se observa segregação ocupacional e desvalorização cultural do trabalho feminino, acentuada desigualdade salarial entre os sexos, taxas de desemprego proporcionalmente maiores, dupla jornada de trabalho, discriminações quanto aos direitos sociais e trabalhistas e aumento da presença feminina em ocupações precárias. Torna-se relevante, pois, analisar as transformações ocupacionais também sob o olhar das relações de gênero, reconceituando ‘força de trabalho’ em outras bases. A nova ordem econômica não propiciou igualdade de condições entre os gêneros, ao contrário, reforçou hierarquias, desigualdades e assimetrias. As regras de dominação de gênero são produzidas e reproduzidas historicamente nas várias instâncias sociais, porém os mecanismos de inclusão e exclusão que enredam as trabalhadoras tornaram-se cada vez mais sutis e muitas vezes passam despercebidos. Desnaturalizar estas tramas pode possibilitar às mulheres conquistar poder de ação e representação para questionarem o lugar social que ocupam.
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Myriam J. Sacchelli
Mulheres nas tramas da justiça
A proposta para o desenvolvimento desta pesquisa foi observar as práticas conflituosas ocorridas em uma localidade composta por grupos sociais heterogêneos num momento de intensa transformação sócio-econômica, entre os anos de 1889/1937. Pretendeu-se privilegiar a experiência de mulheres envolvidas com as situações da criminalidade: isto significa que, buscando captar as diferenças de percepção, tencionamos compreender a partir dos processos-crimes as atitudes que permearam as relações entre os que transgrediram e os que faziam cumprir a lei. De forma que o nosso objetivo foi perceber o sentido das práticas normativas no cotidiano de mulheres pertencentes às camadas populares num contexto histórico matizado pela redefinição da ordem urbana e da disciplina social. Como fontes principais desta pesquisa estão sendo utilizados os autos de defloramento que transcorreram na 1° Vara Criminal da Comarca de Ponta Grossa.
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Nancy Rozenchan - USP
As filhas do leiteiro: a saída do shtetl conforme a obra de Sholem Aleichem
O objetivo desta comunicação é abordar o papel da mulher na obra do escritor de língua iídiche Sholem Aleichem. Situadas às vésperas de um período de mudanças sociais e políticas dramáticas nas vidas dos judeus do leste europeu (de posição social e econômica marginalizada, discriminações, anti-semitismo, pogroms, a partida em busca de melhores condições de existência e de sobrevivência), as personagens femininas de Tevie, o leiteiro – suas filhas – são as representações de um universo moderno. O contraste entre a posição delas e a do pai, figura de um universo ancilosado, será o fulcro desta apresentação.
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Priscila Pereira Faria Vieira, Mônica Varasquim Pedro - USP/CEBRAP
Gênero: diversidade de discursos e práticas sobre trabalho e desemprego
O objetivo do trabalho que propomos para este evento é analisar as representações sociais sobre trabalho e desemprego a partir do estudo de trajetórias de vida de mulheres com filhos (“Mães”). Consideramos que variáveis do tipo: idade, escolaridade, cor e classe, que configuram o mundo social de onde essas mulheres vêm, somadas a fatores como casamento, maternidade e arranjos para a sobrevivência e desenvolvimento da família são de extrema importância para a construção das representações e práticas sociais referidas ao mundo do trabalho e da família. Estudos mostram que mulheres que já tenham tido experiência anterior de trabalho e que passam a procurar emprego após carreira reprodutiva conformam um grupo de risco ao desemprego e inatividade, nisto constitui a pertinência do nosso trabalho.
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Rennê Martins - UFSCar
A presença feminina nas carreiras jurídicas: construções identitárias de advogadas e juízas no âmbito do profissionalismo
O objetivo desse trabalho é analisar a presença feminina nas carreiras jurídicas, especificamente juízas e advogadas. A metodologia, que está sendo utilizada, é a entrevista individual qualitativa. Dessa forma é possível observar que as identidades profissionais se constroem e um contexto histórico de práticas sociais e identitárias específicas, levando-se em conta as relações sociais, de gênero e poder. A identidade não pode ser percebida no binarismo, não é uma caracterísica fixa. Ao contrário, as pessoas são portadoras de múltiplas identidades e possibilidades, é nesse contexto fluido que também aparece a identidade da mulher/profissional. É nesse sentido que o trabalho busca perceber a pluralidade dessas diferenças.
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Rita de Cassia Colaço Rodrigues - UFF
Da reprodução do desvalor & seus antídotos
Este artigo defende a abordagem das homossexualidades conjugada com o gênero e as demais variáveis (classe, posição, etnia, geração etc). Destaca, porém, o fato de que as relações opressivas não se estabelecem em torno das diferenças, mas, sim, através da noção de desvalor que nela é insculpida. Isto impõe observar as figurações presentes no contexto em causa, a fim de desvelar os múltiplos modos através dos quais ela é inscrita. Examinando as oposições estabelecidas entre diversas categorias identitárias fundadas em práticas sexuais, apoio-me em Elias, Birman, Rorty e Arendt para defender a promoção e constante reafirmação de uma ética da solidariedade em bases fraternas, o que implica na aceitação e reconhecimento do humano como intrinsecamente insuficiente e essencialmente social, alargando-se assim as fronteiras do “nós” para além de meros espelhos.
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Silvio de Almeida Carvalho Filho - UERJ
Favela da Rocinha: as relações de gênero nas memórias de velhos (1930-2005)
Analisamos as vivências de gênero nas memórias das velhas e dos velhos moradores da Rocinha, uma das mais famosas favelas cariocas, relacionando-as com os processos de integração, vulnerabilidade e desvinculação social, sistematizados conceitualmente pelos sociólogos Robert Castel e Sarah Escorel. Verificamos como cada indivíduo, idiossincraticamente, experenciou, ao longo de sua trajetória de vida e trabalho, a sua masculinidade e feminilidade, conformando-se, ou não, aos padrões hegemônicos nas relações de gênero, assim como essa experiência interseccionou-se com o habitus das classes subalternas, em sua luta contra a vulnerabilidade social, num espaço estigmatizado. Estivemos, especialmente, preocupado com as interinfluências entre gênero, família, trabalho, redes de solidariedades e sociabilidades.
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Soraia Veloso Cintra
A passos lentos - o percurso das mulheres operárias na indústria de calçados - discriminação ou indiferença?
A presença de mulheres na indústria de calçados no município de franca (sp) é muito relevante e foi escolhida como objeto de estudo. a pesquisa iniciada em 2001 teve o objetivo de colher informações que pudessem apontar as desigualdades entre mulheres e homens no setor de produção da indústria calçadista. nesse sentido, tornava-se importante conhecer a realidade das mulheres em cargos de chefia, sujeitos significativos da pesquisa, como tempo de serviço, funções exercidas, diferenças de cargos e salários, como o casamento e/ou a maternidade influenciavam o seu trabalho, etc. o estudo de gênero que permeou a reflexão indica desequilibro nas relações de trabalho entre mulheres e homens. as diferenças observadas incidem sobre os processos de contratação, no que diz respeito a cargos, salários e planos de carreira, relegando à mulher operária ocupações sexistas.
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Susana Lucas Mangas, Carmen García Colmenares, Fátima Cruz Souza - Universidad de Valladolid/ES
Identidad de género y construcción de las subjetividades femeninas en el medio rural: de la tradición a la transgresión
Empleando la metodología de estudio de casos, hemos realizado 12 entrevistas en profundidad, con mujeres de la Montaña Palentina (Palencia/España) participantes en dos grupos de casos: amas de casas y emprendedoras. Exploramos, a partir del análisis del discurso de las participantes, cómo los nuevos papeles socioeconómicos construidos o asumidos por las mujeres del medio rural vienen influyendo en la construcción de las subjetividades. Observamos que la construcción de las nuevas identidades elegidas se hace sin renunciar a las identidades de género asignadas tradicionalmente. Encontramos mujeres que transgreden las identidades asignadas (Camps, 1998; Gª Colmenares, 2000) y de manera persistente construyen otras identidades elegidas, que implican su compromiso con el entorno, la responsabilidad en el cuidado de la tierra y del patrimonio familiar, tradicionalmente asignados a los varones y emprenden actividades e iniciativas que amplían los roles tradicionales, pero asumiendo a la vez la obediencia a los mandatos de género.
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