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ST40 - Os feminismos latino-americanos e suas múltiplas temporalidades no século XX

Coordenadoras:     Joana Maria Pedro (UFSC)
                               Graciela Sapriza (Universidad de la República/Uruguay)

Resumo

Levando em conta os múltiplos momentos do feminismo na história, sabemos que nem a “Primeira”, nem a “Segunda Onda” do feminismo foi vivida, da mesma forma em todos os lugares. A Primeira Onda, centrada na conquista de direitos políticos, representou para as mulheres da América Latina, épocas muito diversificadas de movimentos de reivindicação e de conquista do direito ao voto, à educação e aos direitos civis. A “Segunda Onda” do feminismo, iniciada após a Segunda-Guerra Mundial, trouxe novas reivindicações de direitos, deu prioridade às lutas pelo direito ao corpo, ao prazer, e contra o patriarcado. Neste momento, uma das palavras de ordem era: “o privado é político”. E, embora já se pudesse encontrar muita movimentação nos Estados Unidos e na Europa desde o final da década de sessenta, na América latina apresentou outras temporalidades. Neste período, grande parte dos países da América Latina, estava vivendo com governos ditatoriais que, se não impediram completamente, certamente dificultaram reuniões e manifestações. A questão seria, então observar os diversos cenários do feminismo e a maneira como os discursos se articularam, nos embates com os governos autoritários e com os “aliados” da esquerda. Este Simpósio Temático pretende reunir pesquisadoras/es que estejam focalizando os diversos feminismos que se desenvolveram na América Latina, no século XX. Pretende discutir as múltiplas temporalidades, as divergências, as movimentações, as transformações, as redes de solidariedade e a divulgação. Enfim, observar como foi possível desenvolver os múltiplos feminismos em meio ás ditaduras e às transições democráticas, às crises de paradigmas teóricos, à queda de grandes relatos. Enfim, como disse Joan Scott, em meio às confusões epistemológicas do século passado.


Trabalhos

Adriana Fraga Vieira - UFSC
Prostitutas no judiciário: o discurso do saber jurídico sobre o mundo da prostituição em Criciúma/SC (1940-1970)
Este trabalho busca identificar o significado da prostituição no pensamento e no discurso dos agentes responsáveis pela estrutura de punição da sociedade, bem como o papel que esse discurso teve no processo de segregação e normatização da prostituição em Criciúma. O recorte temporal refere-se a um período de grandes mudanças sociais e econômicas, momento em que a cidade vive o auge da extração do carvão, do crescimento demográfico acelerado e do surgimento de práticas que iam contra o ideal de moralidade pública desejadas pelos poderes constituídos. Em nome da lei, os agentes do poder judiciário, julgavam mulheres cuja credibilidade dos depoimentos já estava dada a priori, pois uma vez na berlinda dos tribunais elas acumulavam vários estigmas: o de ser pobre, o de ser mulher e o de ser pública.
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Ana Gabriela Macedo
Reflexões em torno da elaboração do dicionário da crítica feminista
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Ana Rita Fonteles Duarte - UFSC
A descoberta do feminismo pelas militantes do MFPA no Ceará
O Movimento Femenino pela Anistia (MFPA) , fundado em 1975, no Brasil, foi de extrema importancia para a organização da campanha de luta pela abertura e pela aprovação da lei de anistia. Essa é, porém, apenas uma de suas facetas. Para centenas de mulheres espalhadas pelo Brasil afora, o MFPA foi também a primeira oportunidade de contato com uma ação política organizada e novos modelos de comportamento e sociabilidade. O feminismo foi um deles. Introduzido pelo contato com mulheres exiladas ou militantes de partidos políticos, o feminismo fez parte de discussões dos MFPA´s, ora trazendo rupturas, ora conseguindo arrastar militantes fervorosas que até hoje lutam pelos direitos da mulher. No Ceará, não foi diferente. A disputa entre “familiares” e “políticas”, dentro do Movimento, encontrará no feminismo um de seus mais importantes vetores.
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Claci Ines Schneider - UFSC
Reflejos de la cultura río platense en la pieza teatral de Florencio Sánchez, Mi hijo el doctor
La cultura Río Platense, representada por la figura del gaucho, destaca al mundo masculino, transmitiendo una idea de legitimación del cuerpo del macho, sometido o usado como arma en las tantas batallas sangrientas del pasado. Mientras eso la figura de la mujer es prácticamente inexistente, cuando aparece es solo para servir al hombre como esposa, como ama de casa o con sus obligaciones de madre, lo que se percibe en la obra de Sánchez. En los relatos históricos nunca se hizo referencia a las dificultades que las mujeres de esta época tuvieron que enfrentar, como vivir sumisas a los hombres sin tener derecho a voluntad, sueños, tan poco a la dignidad. Mi Hijo el Doctor nos muestra, en las figuras de los dos principales personajes femeninos, la realidad de las mujeres de esa época tal como realmente ocurría, salvo por algunas actitudes desesperadas de ellas, que las hicieron dar un salto en el tiempo, lo que analizaré en mi trabajo.
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Cláudia Andrade Vieira - UNEB/UFBA
Feminismo e seus múltiplos significados: entre discursos e práticas de mulheres em Salvador.
“Afinal, o que é ser feminista?” Esta questão encontrou espaço privilegiado na imprensa baiana, sobretudo nos anos 1930. Periódicos locais realizavam enquetes com militantes, permitindo assim que elas esclarecessem o público leitor por que se auto-afirmavam feministas. O objetivo primeiro desta comunicação não é desenvolver uma discussão teórica sobre o termo, mas, recuperar os sentidos que tinham o conceito de feminismo nas primeiras décadas do século XX, tomando como ponto de partida a crítica das categorias fixas. Para tanto, analisamos os discursos e ações práticas das próprias feministas que atuaram na filial baiana da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Os depoimentos indicam a maneira como elas se apropriaram e reelaboraram os discursos produzidos com o intuito de normatizar a sociedade e, especialmente, o comportamento feminino.
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Cláudia Regina Nichnig - UFSC
Os movimentos feministas e as mudanças no direito de família
Os movimentos feministas no Brasil ressurgem no país, na denominada segunda onda do feminismo, diante de um governo ditatorial. O objetivo é observar os movimentos e os discursos feministas que aparecem no debate jurídico em torno da elaboração da lei do Divórcio e da Constituição Federal, presentes nos jornais feministas. Analisar as profundas modificações no Direito de Família ocorridas nas décadas de 1970 e 1980 através do debate existente nos movimentos feministas, como por exemplo, com a introdução do divórcio e a igualdade formal entre os gêneros. Apesar do período turbulento de nossa história, grandes vitórias podem ser observadas no campo jurídico, a partir dos movimentos feministas.
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Dário Fausto Santos Júnior
Ecos da ausência: crítica ao estudo de gênero na antropologia do sertão de Minas Gerais
Os estudos da cultura dos viventes do sertão de Minas Gerais expressam sensivelmente uma falta de preocupação com as relações culturais de gênero. Enquanto problemas de etnicidade, territorialidade e formação econômica são enfatizados, tem-se ignorado, com ordinária ocorrência, o estudo sistemático do poder nas relações de gênero entre estas populações camponesas, no sentido de um método que enfatize um olhar "micropolítico" sobre o processo. Este trabalho é uma tentativa de compor elementos teóricos que esbocem algumas considerações sobre as relações de gênero e poder especificamente entre estes grupos.
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Eva Lucia Gavron - UFSC
Ditadura militar e a construção do sujeito “agressor sexual”
Durante o contexto da Ditadura Militar no Brasil os jornais da cidade de Florianópolis se referiram direta ou indiretamente a questão relativa à violência sexual ou ao estupro. A leitura dos periódicos permitiu apontar a construção discursiva de três sujeitos indesejáveis, o “tarado”, o “delinqüente” e o “maníaco”, ficando implícito que os envolvidos nos crimes sexuais eram classificados conforme seu poder de periculosidade, pobreza e perversidade. Os jornais da cidade de Florianópolis enfatizaram uma crescente onda de violência, inclusive de violência sexual. Este discurso procurará apontar a miséria como uma das justificativas para compreender o aumento da criminalidade, sendo portanto, responsável pela proliferação desse delito. Este comunicação pretende discutir o estereótipo construído do agressor sexual e sua intrínseca relação com a pobreza e a miséria.
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Graciela Sapriza - Universidad de La Republica
Sobre el “difícil matrimonio”. Una indagatoria sobre feminismos e izquierdas en épocas crueles
“Se hicieron feministas porque fracasó la revolución” concluyó un estudiante de mi curso sobre pasado reciente en Uruguay. Me interesa partir de esta paradoja para revisar las posiciones de las mujeres de izquierda radical frente a la subordinación de genero, antes de la dictadura cívico militar (1973-1985) y los cambios en concepciones y prácticas que produjo la represión (tomando en cuenta las vivencias de la cárcel y las resistencias cotidianas del “insilio”). La transición a la democracia(1984-85) puso a luz un fuerte movimiento feminista. La pregunta es sobre cuanto contribuyó el terrorismo de estado y la represión a toda forma de participación política, en brindar un escenario posible para el desarrollo de esta “segunda ola” de feminismo.
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Graziela Rinaldi da Rosa
Pensando o feminismo de Nísia Floresta: contribuições de uma filósofa e educadora pouco conhecida
Esse trabalho tem como objetivo principal valorizar o pensamento de uma mulher e conhecer um pouco da história de vida e as idéias de Nísia Floresta, já que é um desafio para nós pesquisadoras nas questões de gênero e feminismos. Mulher, que contribuiu para reflexões políticas, educacionais e filosóficas de países europeus e o nosso, contribuindo também para divulgar a verdadeira imagem do Brasil nos países onde viveu. Nísia Floresta Brasileira Augusta era o pseudônimo adotado por Dionísia de Faria Rocha, nascida no Rio Grande do Norte, na localidade de Parari, que hoje recebe seu nome. Viajou para a Europa onde foi apreciada por Augusto Comte e o escritor português Alexandre Herculano. Lecionou, fundou escola de moças, fora do padrão da época e publicou Direitos das mulheres e injustiça dos homens, entre outras obras.
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Joana Maria Pedro - UFSC
Nós mulheres e nosotras – rede feminista dos anos 70 e 80
Observando-se os periódicos feministas nos anos 70 e 80, é possível verificar a quantidade significativa dos que possuem nomes como “Nós Mulheres”, “Nosotras”, “Noi Donne”, publicados em países como Roma, Chile, México, Espanha, Brasil e França. A análise destes periódicos aponta-nos para a existência de uma rede de contatos feministas internacional, para práticas de grupos de reflexão, composto somente por mulheres, para a troca de informações, mas, ao mesmo tempo, para as diferenças de perspectivas, muitas vezes vinculadas ao contexto de cada país. Nesta comunicação, pretendo comparar estes periódicos apontando para a circulação das idéias, a citação de textos fundantes do feminismo, as lutas coletivas, os encontros internacionais, enfim, as múltiplas articulações. E, por outro lado, perceber as diferenças e as disputas, muitas vezes baseadas nos contextos específicos dos diversos grupos que publicavam estes periódicos.
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Joana Vieira Borges
O segundo sexo no Brasil: uma história da leitura
Publicado em 1949 na França, O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, passou a ser uma das obras pioneiras dos estudos sobre as mulheres e das relações de gênero, tornando-se referência para os feminismos, principalmente a partir dos anos 70. Ao refletir sobre a condição das mulheres na sociedade, Simone de Beauvoir compreendeu que a “figura feminina” e as posturas que lhes são atribuídas nada mais são do que construções do social produzidas historicamente. Partindo de uma história da leitura de O Segundo Sexo, informada pelas obras das feministas brasileiras, este trabalho busca refletir sobre as possíveis ressonâncias que a obra de Simone de Beauvoir teria produzido no feminismo nacional. Nesse sentido, elaborar uma história de O Segundo Sexo no Brasil é um dos caminhos possíveis para demonstrar a maneira como esta obra foi lida, em que circunstâncias, e quais os impactos que teria produzido na constituição do movimento feminista.
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Joselina da Silva
Feministas negras entre 1945 e 1964: o protagonismo do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina
Grandes eventos marcaram a segunda metade dos anos quarenta e foram influenciadores diretos da constituição do movimento social negro brasileiro. É neste cenário que o nome de várias mulheres toma lugar de destaque. Este paper procurar analisar, parte do pensamento de três expressivas lideranças negras e suas demandas que se realizaram na intercessão entre o gênero e a raça, no pós II Guerra Mundial: Maria L. Nascimento do Congresso Nacional de Mulheres Negras (RJ, 1950); Nair Theodora Araújo da Associação Cultural do Negro (SP, 1948) e Antonieta de Barros, deputada estadual negra (Florianópolis,1951). Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito da tese de doutorado intitulada União dos Homens de Cor (UHC) : Movimento negro após o Estado Novo” (Defendida em setembro de 2005 no PPCIS/ UERJ)
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Karina Janz Woitowicz - UEPG/UFSC
Traços do feminismo na imprensa alternativa: as lutas das mulheres nos jornais opinião, movimento e repórter nos anos 1970 no Brasil
No final dos anos 1970, no Brasil, a tematização de lutas específicas das mulheres torna-se constante na imprensa alternativa. As feministas, além de possuírem suas próprias publicações, buscavam espaço na mídia de oposição à ditadura militar para dar visibilidade às reivindicações em torno da opressão das mulheres nos campos político, econômico e social. O presente trabalho busca identificar nos jornais Movimento, Opinião e Repórter, publicados nos anos 1970, importantes temáticas feministas que encontram eco em suas páginas, sob os mais diversos olhares. A partir do confronto de idéias estabelecido pelos jornais, pretende-se observar algumas imagens das mulheres no referido período histórico, de modo a compreender o processo de aceitação (ou não) dos ideais do movimento em um contexto marcado por lutas e rupturas envolvendo a consolidação do feminismo no Brasil.
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Luciana Rosar Fornazari Klanovicz - UFSC
Erotismo na redemocratização – tempos sem censura?
O processo de redemocratização brasileira da década de 80 é marcado pela intensa discussão sobre conceitos como democracia, liberdade de expressão e de imprensa, ou ainda de direitos de foro público e privado. Este texto mostra a relação entre o fim da censura e os rearranjos da opinião pública sobre o tema, e, para tanto, são analisadas as notícias publicadas por meio da revista Veja, de circulação nacional. Percebe-se, portanto, de que forma o debate se desenrola nos setores artísticos e empresarias das redes de televisão, assim como de que maneira o público vai se posicionando nos novos tempos “sem” censura. As fontes apontam para um insistente discurso conservador sobre o tema, mesmo que correntes libertárias e democráticas, dos desejos mais íntimos e queridos pelos movimentos sociais e por parte da classe artística, nos falem o contrário.
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Maise Caroline Zucco - UFSC
Mulheres e feminismo em Florianópolis (1975-1988)
Sob diversas perspectivas a bibliografia disponível sobre os vários feminismos e grupos de mulheres que estiveram atuando no Brasil a partir de 1975 nos encaminha para a história do movimento com uma produção que, em sua grande maioria, trata do país de uma forma geral. Uma parcela considerável desta produção bibliográfica não discorrer sobre as especificidades das diversas localidades brasileiras, atribuindo um caráter generalizante de “movimento feminista brasileiro” às mobilizações e grupos formados nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Tendo em vista a importância atribuída a determinados centros, este trabalho tem como proposta perceber a relação do movimento feminista e de mulheres, que esteve atuando em Florianópolis entre os anos de 1975 a 1988, com determinadas capitais brasileiras.
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Maria Cristina de Oliveira Athayde
Corpos e prazeres: sexualidade e feminismo nas obras de Marta Suplicy
Pretendo pensar, perceber e analisar como Marta Suplicy problematizava as questões da sexualidade em termos de feminilidades e masculinidades, lembrando que dentro do contexto histórico no qual estava inserida a autora, pouco se extrapolava além da binaridade sexualidade heterossexual – a sexualidade sadia – e sexualidade homossexual – sexualidade periférica-. Como acompanhantes de jornada: Michel Foucault que com a História da Sexualidade I: a vontade de saber me oportunizou compreender como foram produzidos os discursos de verdade e conseqüentemente gerando uma vontade de saber, assim como a disputa de poder gerando os deslocamentos de verdade. André Béjin foi fundamental para a compreensão conceitual e histórica da sexologia.
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Maria Luzia Miranda Álvares
Versões do feminismo na Amazônia brasileira: Orminda e Eneida nos contextos nacional e internacional
Os debates sobre o feminismo em Belém (PA), Região Amazônica, na década de 1920, configuraram o sufragismo, ainda pouco conhecido nessa região. Enlaçadas às facções teóricas da época, as versões de Orminda Ribeiro Bastos e Eneida de Moraes revelam os pressupostos de igualdade inscritos nas discussões de sua geração, dimensionados entre classe e ideologia partidária, numa abordagem antifeminista e anti-sufragista. Esta proposta abordará aspectos transnacionais, nacionais e locais dessa tendência, focalizando desde o feminismo mundial ao capítulo amazônico do sufragismo marcando a extensão paraense, além da versão anti-sufragista de letrados/as. Pesquisaram-se os discursos da imprensa, enquanto veículo das representações sociais e de gênero, emergindo as especificidades do turbilhão noticioso com aportes da multifacetada trajetória de mulheres.
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Maria Salet Ferreira Novellino
As organizações não-governamentais (ONGs) feministas brasileiras
A institucionalização do movimento feminista em ONGs é criticada por algumas feministas pelos compromissos que assume com órgãos financiadores bem como por sua estrutura funcional hierárquica, o que as estaria levando a menos ativismo e mais profissionalismo; além de uma adequação aos objetivos e discursos dos órgãos financiadores. No entanto, esta institucionalização e este profissionalismo permitiu o planejamento e a realização de projetos estáveis voltados para o empoderamento das mulheres. Isto é o que indicam as informações analisadas, neste trabalho, sobre os projetos destas ONGs, sumarizadas a seguir. Há 35 ONGs. Apenas 7 (20%) não recebem apoio financeiro de uma agência internacional de cooperação. As duas primeiras foram criadas em 1980 e a última em 1999. Não há registro de ONG feminista criada após 2000. Elas se concentram no Rio de Janeiro e em São Paulo. A maior parte delas têm como foco políticas públicas para mulheres. Tanto educação e capacitação, quanto direitos humanos das mulheres negras são foco, cada um deles, para 14% das ONGs. O maior número de projetos (14), são os voltados para educação e capacitação; seguido por oito na área de saúde reprodutiva; seis na área de políticas públicas e mais seis voltados para violência doméstica. 'Saúde e direitos reprodutivos', tema de interesse central para o feminismo contemporâneo continua forte, com 11 projetos. Entre os temas que foram surgindo já na épocas das ONGs, sobressaem os projetos em políticas públicas, violência, direitos humanos e representação política. As ONGs são dirigidas, em sua maioria por profissionais de classes média e alta, com alto nível de escolaridade. As duas Agências que mais financiam são Ford e MacArthur. A área de saúde e direitos reprodutivos é a mais contemplada com financiamentos: pela Ford, 2/3 do total, pela MacArthur, 60% do total; e representa 40% do total do financiamento da Europeaid para as ONGs feministas.
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Maristela Moreira Carvalho
Teologia(s) feminista(s) e movimento(s) feminista(s) na América latina e no Brasil: “origens e memória”
A história da Teologia Feminista européia e norte-americana é marcada por diversas temporalidades, sendo o Movimento Feminista constantemente retomado como marco da elaboração teológica realizada pelas mulheres. Nestes locais, o Feminismo acaba por constituir-se como “lugar de origem” - e, consequentemente, de reavivamento e manutenção da memória - da inserção da (s) mulher (es) num espaço até então considerado exclusivamente masculino. A partir de tal constatação, o objetivo desta comunicação é analisar, no contexto latino-americano e brasileiro, a relação entre este saber e o Movimento Feminista. Afinal, a partir do que foi escrito sobre o tema, que relações são feitas, na América Latina e no Brasil, entre Teologia Feminista e Movimento Feminista? Nestes locais, seria o Feminismo o ponto de partida para a história da constituição deste saber?
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Maryana Cunha Ferrari
Entre a cruz e as delícias prostituição, imaginário e cotidiano em Florianópolis (1960 - 1980)
No final de 1950, aprofunda-se em Florianópolis um processo de higienização, em que o discurso médico e as autoridades sentem a necessidade de tirar do espaço público a imagem decadente das prostitutas. A Vila Palmira apareceu então, como uma boa alternativa para confinar as prostitutas num loteamento, localizado em São José, isolado e de pouco acesso que seria o único prostíbulo da cidade, possibilitando normatizar, vigiar e impor limites a essas mulheres que esquadrinhadas, facilitariam aos poderes públicos estabelecer a tão sonhada organização social.
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Rachel Soihet - UFF
Feminismo ou feminismos? Uma questão no rio de janeiro nos anos 1970/1980.
Evidenciar a existência de múltiplos feminismos, rompendo com uma visão homogeneizadora, acerca dos mesmos, constitui-se em meu objetivo. Assim, proponho-me a desvendar as divergências entre as feministas que compunham o Centro da Mulher Brasileira no Rio de Janeiro, CMB-RJ, onde predomina-vam mulheres de esquerda, notadamente, do Partido Comunista. Em contraposição à tendência prevalecente naquela entidade, voltada, para as lutas gerais da sociedade e da conscientização das mulheres dos segmentos populares, outras se apresentavam. Salientavam a importância de se deba-ter, igualmente, questões como: a desigualdade nas relações de poder nas relações entre homens e mulheres, a sexualidade, o aborto, a violência contra a mulher etc. Examinar as repercussões desses desencontros que ocasionaram a saída de muitas do CMB, assim como posteriores alianças, consiste também em matéria do meu interesse.
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Rebeca Figueredo Valdés
El paradigma de la mujer cubana en la novela radial (cuba 1939-1958)
El trabajo aborda el tratamiento dado a la mujer cubana en los guiones radiales en las décadas del 40 y el 50. Demuestra cómo a pesar de haber obtenido importantes conquistas civiles, se repetían en los medios de comunicación los mismos códigos y estereotipos machistas heredados de siglos anteriores.
A pesar del sólido movimiento feminista que tuvo lugar en Cuba en los años 20 y 30, que lidereó y obtuvo conquistas tales como el derecho al voto y a la ley del divorcio, persisten las concepciones machistas de la mujer sumisa, dependiente del hombre incapaz de análisis y voluntad de cambio.
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Suely Gomes Costa - UFF
Linhas da vida e associativismos feministas. Rio de Janeiro, anos 80 do século XX
Culturas políticas peculiares a movimentos de mulheres, feministas e não feministas, no âmbito dos direitos reprodutivos – concepção e contracepção -, em experiências próprias ao Rio de Janeiro, entre início e fim dos anos 80, permitem retomar discussões historiográficas dos anos 80 sobre o tema “mulheres e associação”. Este trabalho examina sociabilidades e identidades femininas forjadas em torno de agendas de luta e de contribuições aos dispositivos da Constituição de 1988 e às ações programáticas na esfera dos direitos reprodutivos na saúde pública. Projetos e práticas daí advindos, estabelecem rupturas e continuidades com cânones do Programa Materno-Infantil na fundamentação do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) instituído em todo o país, definindo a esfera sexual e reprodutiva como questão pública, sob impactos do processo partidarização dos movimentos sociais e nas circunstâncias de redemocratização do país. A comunicação analisa uma metodologia de reflexão e ação de efeito multiplicador - as linhas da vida -, oficinas de mulheres e lugares de sociabilidades construídos em torno da “sororidade”, fundamento biológico de presumida solidariedade feminina, aglutinando mulheres profissionais ou não da saúde pública, de diferentes raças/etnias, classes, gerações, numa experiência de crescente publicização do privado. Nesse chão histórico, mudam práticas feministas anteriores, enunciam-se referências novas, mas que também realimentam velhos paradigmas sobre identidades masculinas e femininas, reprodução e sexualidade.
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