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ST41 A - Gênero, memória e narrativas

Coordenadoras:     Janine Gomes da Silva (UNIVILLE /AHJ/Joinville)
                               Cleci Eulália Favaro (UNISINOS São Leopoldo/RS)

Resumo

Com o presente simpósio pretendemos refletir sobre como a intertextualidade entre gênero, memória e narrativas propicia um debate interdisciplinar, estimulando e contribuindo para o desenvolvimento dos estudos de gênero. As memórias de homens e mulheres, presentes nas mais variadas formas de narrar, revelam vivências e experiências singulares. Deter a atenção sobre tais particularidades pode contribuir para análises que pensem a memória como uma das possibilidades de compreender as “marcas de gênero”. Nos debates acerca da memória, são cada vez mais valorizadas as formas masculinas e femininas de viver as experiências individuais. Por intermédio do depoimento, no ato de rememorar, estas “diferenças” se fazem presentes, dado que as memórias são carregadas de marcas, de trajetórias de vida, enquanto revelam também as singularidades e subjetividades das vivências. Especialmente nos textos biográficos e nas escritas autobiográficas, pode emergir uma grande riqueza investigativa, do ponto de vista das interseções entre as relações de gênero e os sujeitos narradores.


Trabalhos

Adriana Carvalho
Memória e oralidade: registrando a história das mulheres
No campo da literatura se tem observado a histórica exclusão das mulheres do cânone literário, especialmente até início do século XX. Este fato está intrinsecamente ligado ao não acesso da mulher ao processo de escrita pela questão de gênero e de classe. Por ser dupla a exclusão, nas memórias da literatura oral feminina encontramos um rico arquivo de manifestações literárias desconhecidas. É exemplo disto a Ratoeira: uma cantiga de roda herdada dos açorianos e praticada até meados do século XX, especialmente no litoral de Santa Catarina, e hoje viva somente na memória de algumas senhoras, como Dona Valdete que recordou quase 200 versos. Não simplesmente passado, este fenômeno da cultura popular é exemplo no campo de reflexões sobre a relação das “culturas populares” com a “cultura de massa” num período de tentativa de “ocidentalização” da cultura.
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Alarcon Agra do Ó - UFCG
Velhices masculinas na literatura memorialística nordestina
Pretendo recuperar algumas das formas pelas quais obras da literatura memorialística nordestina da primeira metade do século XX construíram imagens acerca de experiências masculinas do envelhecimento. Nesta comunicação recupero as trajetórias de alguns personagens daquelas memórias, pensando-as como vidas exemplares justamente pela sua edificação, naquele dispositivo memorialístico específico, como modelos de masculinidade e de velhice. Interessa-me pensar o papel da memória na construção de imagens acerca do ser do homem velho, bem como o seu papel estratégico no oferecimento, aos seus leitores, de códigos legitimados para aquela performance singular.
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Alessandra Amaral Andrade - UFMG
Arte, memória, oralidade: expressões no feminino
Este trabalho tem como objetivo discutir algumas questões presentes em minha pesquisa de mestrado, intitulada “A presença feminina na ‘Escolinha do Parque’: trajetórias de vida e experiências de ex-alunas de Guignard”, em desenvolvimento junto ao Grupo de Estudos e Pesquisas em História da Educação – GEPHE/FaE/UFMG. Tendo como “lugar de observação” a memória de um grupo de mulheres, minha perspectiva é analisar suas incursões no espaço público de Belo Horizonte, em meados do século XX, a partir da participação no “Curso livre de desenho e pintura” ministrado pelo professor e artista fluminense Alberto da Veiga Guignard (1896-1962). Nesse sentido, apreender suas vivências naquele espaço, bem como as sociabilidades ali construídas e, ainda, a influência de tal curso em suas trajetórias, têm sido minhas preocupações principais.
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Alessandra Rosa Carrijo - USP
Mulheres que cuidam: depoimentos orais das alunas da escola de enfermagem Lauriston Job Lane
Pretende-se, com a comunicação deste trabalho, uma reflexão sobre a utilização da História Oral enquanto técnica ou instrumento de coleta de dados, tornando-se relevante, na medida em que os depoimentos recuperam as experiências de mulheres inseridas em uma categoria profissional historicamente identificada como feminina, vale dizer, a Enfermagem. Assim, objetiva-se apresentar como as depoentes vivenciaram a formação e abertura de um espaço profissional voltado quase que exclusivamente para a mulher pois, o modelo de ensino adotado nas primeiras escolas oficiais de enfermagem no Brasil (1923), até o início da década de 1960, excluía a possibilidade da presença masculina, assim como mulheres negras, ainda que existissem escolas não oficias que aceitavam, inclusive, o ingresso de homens. A análise pretendida está centrada na Escola de Enfermagem Lauriston Job Lane do Hospital Samaritano, São Paulo, fundada em 1902, na qual estudaram as depoentes.
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Amanda Perez Montanes - UNIVALLI/UFSC
Repressão e desterro narrativas do exílio no cone sul escritas por mulheres
A analise das manifestações histórico sociais do exílio na literatura latino-americana do Cone Sul no período das ditaduras dos anos 70s, é um assunto que propicia múltiplas reflexões e uestionamentos sobre a condição humana em tempos de terror. Dentro desse amplio universo, as narrativas do exílio escritas por mulheres contribuem para dar continuidade a um compromisso com a história recente de seus países, em que a preservação da memória sobre as décadas autoritárias das ditaduras militares ainda é uma tarefa atual. Diante desse desafio, um corpus de escritoras contemporâneas pertencentes a países do Cone Sul, tem contribuído de maneira muito combativa para a preservação dessa memória. Marta Traba, Tununa Mercado, Luisa Valenzuela, Cristina Peri Rossi, entre outras, são escritoras cuja literatura brotou da situação repressiva e, principalmente, da imposição do exílio que se tornou a condição criativa para uma geração inteira de escritores e mecanismo, em alguns casos, de denuncia da barbárie produzida pelo regime ditatorial. Hoje, quando a memória oficial foi apagando pouco a pouco os sinais da criminalidade exercida pela ditadura, só restam os protestos dos familiares das vítimas e as narrativas e memórias do exílio como testemunho dessa atroz realidade; é nos textos dessas escritoras onde ficaram registradas as lembranças de uma memória de ofensas e ultrajes que se nega a desaparecer. Seqüestro, solidão, tortura, extermínio são fraturas da subjetividade vividas na ditadura pelos desaparecidos e revividas no exílio por alguns dos que conseguiram fugir ou foram expulsos. São nexos do corpo e a palavra tentando narrar o indizível de uma experiência limite: a tortura, ou, tentando refletir desde uma vida danificada pelo trauma, a dura vivência de um exilado fora de seu lugar de origem.
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Ancelmo Schorner - UFSC
Experiências (com)partilhadas: os “fios” da vida: mulheres migrantes no Morro da Pedra, em Jaraguá do Sul - 1980-2000
Este trabalho procura discutir as experiências (com)partilhadas por mulheres migrantes em Jaraguá do Sul, mais especificamente a importância para elas de terem suas histórias contadas e ouvidas. Se de um lado a migração emerge como um dos temas mais importantes para a história oral, por outro muito pouca atenção tem sido dada à importância da entrevista para essas pessoas, notadamente as mulheres. Assim, o que significou para elas a possibilidade de falar de si, de sua história? Partimos da idéia de que a migração resulta em história (co)movedoras, ou seja, a experiência migratória abarca velhos e novos mundos e continua por toda a vida do migrante e pelas gerações subseqüêntes. Neste caso, ainda, estamos interessados em estudar como essas mulheres vivenciaram (e vivenciam) a discriminação e o preconceito, próprios deste processo, haja vista que o migrante representa sempre o “outro”, o “desconhecido”, o “diferente”, e, portanto, o perigo.
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Arselle de Andrade da Fontoura, Janine Gomes da Silva - UNIVILLE
Dores físicas e psicológicas, narrativas sobre violência
A temática da violência, especialmente da chamada violência doméstica, vem sendo pesquisada na cidade de Joinville/SC, por intermédio do projeto de pesquisa intitulado “Narrativas sobre violência: histórias e memórias de mulheres (Joinville – 1991/2004)”, financiado pelo FAP/UNIVILLE. A pesquisa tem como objetivo problematizar as histórias de mulheres em situação de violência na cidade de Joinville, sobretudo, a partir de memórias femininas. Ao trabalhar com a intertextualidade entre gênero memória pretendemos contribuir com a historiografia local problematizando, principalmente por intermédio da metodologia da história oral, como as mulheres que vivem em situação de violência (re)elaboram e (re)sentem as “dores físicas e psicológicas”.
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Débora Dziabas Pereira - Universidad de Alcalá
Autobiografía espiritual de Ana de San Agustín (1606-1609)
Escritura tipicamente religiosa e feminina, o fenômeno da autobiografia espiritual nasce na Idade Moderna. Sua prática não obedece a critérios predeterminados, mas possui alguns elementos comuns: narrativa de acontecimentos da vida exterior e manifestação exaltada dos sentimentos mais íntimos da vida interior. Procedente, em grande maioria, da ordem religiosa das Carmelitas Descalças, as freiras autobiógrafas compunham suas vidas e experiências religiosas em virtude da ordem de seus confessores espirituais. O objetivo deste trabalho é analisar o caso da freira Ana de San Agustín (1555-1624) que narrou suas autobiografias em 1606 e 1609, onde descreveu o que realmente a preocupava: suas visões e experiências místicas que até o momento não havia contado a ninguém. Os dados que comenta sobre sua vida são poucos, desordenados, enigmáticos e complexos. A freira oferece uma imagem de si mesma que cumpre com os preceitos da sociedade em que vivia. Se refere com bastante ênfase às experiências e pensamentos mais íntimos, acontecimentos importantes que envolvem sua religiosidade, os milagres, as visões que teve do céu e do inferno, seus momentos de êxtases, de auto flagelação, a vida cotidiana no convento, a amizade com Teresa de Jesus, suas reflexões filosóficas, a aparição de santos e etc. Madre Antonia de Jesus foi quem escreveu o que ditava a freira autobiógrafa, pois, como ela mesma explica, todas as vezes que começava a compor com sua letra o demônio ateava fogo nos papéis. Percebe-se nessa justificativa que ela mesma sofria constantes "dúvidas", "medo", "incertezas" e certamente muita "insegurança" para escrever. Por que tantas vezes o demônio ateou fogo em seus papéis? O que escreveu nesses que ninguém mais pudesse ler? A freira foi mau vista por seus superiores que, temiam possíveis complicações nefastas e, portanto, tentaram controlar sua conduta de visionária.
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Elias Estevão Goulart, Priscila F. Perazzo, Vilma Lemos - IMES
Memórias de professoras: três narrativas sobre a formação profissional de mulheres do Grande ABC(1950 a 1970)
Pretende-se analisar a narrativa de três professoras da região do ABC, que se formaram entre 1950 a 1970, no curso Normal (formação de professoras), em Santo André (SP). Por narrarem suas histórias de vida, foi possível perceber como a profissão de professora teve diferentes significados para cada uma delas. Relataram diferentes condições sociais e históricas que determinaram, a cada uma, o processo de formação profissional. Narram, ainda, suas experiências profissionais inseridas na trajetória de suas vidas tanto profissionais, como na condição de mulheres, mães, donas de casa e cidadãs desde a década de 1950 até a atualidade, no sentido de que as lembranças das depoentes, com suas modalidades específicas de imaginar, reproduzir e renovar o imaginário, recompõem diferentes trajetórias de mulheres numa mesma localidade (Grande ABC/SP).
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Flavia Carvalho
A historia do surfe feminino no Rio de Janeiro dos anos 60
O presente trabalho busca resgatar e mapear parte da história do surfe feminino no Brasil com um recorte na década de 60. Utilizar-se-á fontes documentais e orais das narrativas de Fernanda Guerra uma das pioneiras desta prática esportiva. O estudo torna-se relevante pois pretende oferecer pistas sobre a inserção da mulher no surfe brasileiro. Adotamos a metodologia da história oral, que segundo Freitas (2002, p 51), privilegia "a voz dos indivíduos" que viveram e fizeram parte da história. Preten-de-se dar visibilidade à trajetória de uma das protagonistas do surfe feminino, pois acredita-mos que suas experiências e o seu cotidiano como surfista devem ajudar a construir parte da história e podem ser compartilhados com a oficial, sendo esta uma forma de entender o papel da mulher como parte constitutiva do surfe brasileiro.
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Karine Simoni - UFSC
Gênero e memória: uma leitura da colonização italiana no oeste catarinense
O presente trabalho pretende apresentar narrativas de descendentes de imigrantes de italianos que se estabeleceram no Oeste catarinense a partir da segunda metade do século XX sob a perspectiva dos estudos de gênero. Através das memórias registradas segundo a metodologia da História Oral, busca-se refletir sobre as experiências vividas pelos migrantes, analisando as correspondências e contradições na delimitação dos papéis feminino/ masculino durante o processo de colonização ítalo-descendente no Oeste de Santa Catarina.
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Lucia Maria Alves Ferreira - UNIRIO
A fala feminina na imprensa do século XIX
Analiso neste trabalho marcas da construção subjetiva da mulher em momentos em que ela fala de si em periódicos do século XIX, quando a imprensa surge no Brasil e passa a constituir-se, ao lado das instâncias tradicionais ─ família, igreja, escola e vizinhança ─ em espaço de formação e expressão da subjetividade. Na reflexão sobre esses processos históricos da produção de sentidos, examino práticas discursivas da imprensa em diferentes momentos do século XIX. Afetada pela memória e pelos discursos, o sujeito-mulher enuncia-se a partir dos lugares sociais que lhe são reservados em gestos de escrita que atuam, como nos lembra Foucault a respeito da correspondência, tanto sobre aquele que, ao escrever, constrói-se enquanto sujeito, quanto, pela leitura e a releitura, sobre o interlocutor.
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Maria Rita de Assis César - UFPR
Gênero, memória e docência: as heterotopias de si e os processos de subjetivação
Esta investigação tomou como objeto a escrita feminina produzida a partir de relatos memorialísticos e autobiográficos de professoras sobre suas trajetórias de formação e experiências de ensino. O universo pesquisado constituiu-se de relatos escritos de professoras do ensino fundamental acerca de suas trajetórias de formação e os desdobramentos destas em suas experiências de docência. A escrita pessoal feminina é aqui compreendida como uma “escrita de si” tal como pensou Michel Foucault. A construção subjetiva ocorre por meio da criação/invenção de uma narrativa memorialística e autobiográfica que propõe questionamentos sobre os conceitos de docência, mais especificamente, de docência feminina, assim como também de autoridade, em especial da autoridade feminina em experiências de ensino.
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Maria Teresa Santos Cunha - UDESC
Os acontecimentos e os dizeres: a escritura de si e as tessituras do vivido em diários femininos/Florianópolis- 1964/1974
“Mas o que sinto, escrevo.Cumpro a sina.Inauguro linguagens. Fundo reinos... Mulher é desdobrável. Eu sou”. (Adélia Prado:Bagagem)
Registros da existência íntima conservados pela escrita, os diários estão associados a certas práticas cotidianas da ‘existência feminina’. Neste trabalho serão analisados 10 cadernos escritos por duas jovens entre 1964/1974 , um material que registra tanto fatos do cotidiano à época como traz significações sobre o momento político, sobre as formas de lazer e o cotidiano vivenciado na cidade de Florianópolis (SC) e no Brasil . Tratados, aqui, como “escrituras ordinárias”, aparecem como práticas sociais que partilham da constituição de um regime de sensibilidades, ou seja, da construção de uma história de mulheres que se inventam/se representam pela escrita no âmbito da intimidade/ da escrita de si.Um exame dos suportes utilizados permite pensar sua pluralidade e polifonia afetiva, evidenciadas em uma estrutura lingüística formatada pela padronização narrativa, pelo uso de frases de efeito e chavões, com recurso ao estilo rebuscado.
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Micheline Ramos de Oliveira - UFSC
Narrativas biográficas: caminhos cruzados e percursos de vida – estudo antropológico das trajetórias sociais e itinerários urbanos entre mulheres moradoras da Favela Matadouro Itajaí/SC
Procuro resgatar as experiências de um grupo de quatro mulheres /mães moradoras da favela Matadouro/Itajaí/SC em face da disseminação de uma cultura do medo no mundo urbano contemporâneo, considerando que o “tempo humano na medida em que é articulado de um modo narrativo, e que a narrativa atinge seu plano significado quando se torna uma condição de existência temporal” (RICOUER, 1983:85). Fiz uso, de narrativas biográficas que se mostraram fundamentais principalmente no tocante a reflexão das informantes sobre as passagens do tempo, que reunia seus deslocamentos na favela, as lembranças que elas tinham de seus territórios e os seus medos atuais. Neste sentido, o uso das narrativas biográficas, permitiu-me compreender as relações entre o medo, as violências, as trajetórias sociais e os itinerários dos grupos populares no contexto da vida citadina num bairro de periferia.
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Pedro Vilarinho Castelo Branco - UFPI
Memórias e identidades masculinas
A proposta do presente trabalho é analisar depoimentos orais de alguns homens que viveram na cidade de teresina entre os anos 50 e 80 do século xx, procurando perceber como eles elaboram nos depoimentos e nos relatos de história de vida, a forma como querem ser ditos e percebidos como homens. Ao empreender a análise dos depoimentos, percebemos como eles fazem questão de enfatizar determinados modelos de masculinidade, onde a vida nos espaços públicos, o envolvimento com o mundo das letras e com a vida boêmia são ditas como elementos construtores das identidades masculinas. São as formas como os homens constroem, nos relatos orais, suas identidades masculinas que pretendemos trabalhar.
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Quelem Ornel Soares, Vânia Chaigar - UFPel/FURG/UNISINOS
Receba esta cartinha meu amor...memórias de professoras no período de estágio
Este trabalho é um recorte da memória do estágio realizado, nos anos iniciais, numa turma de segunda série, entre os meses de agosto e setembro de 2005, na cidade de Rio Grande, RS. Na diversidade da riqueza dessa experiência e a vivência de seus desafios muitos acontecimentos se destacaram e constituíram-se em reflexões dessa docência. Por exemplo: Uma das atividades proposta aos alunos e alunas (com idades entre 8 a 10 anos) foi saber o interesse por qual carreira gostariam de seguir. Das 33 crianças em sala de aula (20 meninas e 13 meninos) diante das respostas variadas chamou muito nossa atenção o fato de ainda hoje, com todas as discussões e problemas que permeiam o Magistério, 12 meninas naquele momento desejarem seguir a carreira de professora; o mesmo não ocorrendo entre os meninos: apenas 01 tem esse desejo.
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Raffaella Andréa Fernandez - UNESP/Assis
Cartografando uma literatura menor: quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus
A finalidade desse artigo é mostrar como se dá uma constante de tensões produzidas por variações de discursos, que cedem forma à experiência narrativa da “poeta do lixo” Carolina Maria de Jesus em seu diário/romance/reportagem Quarto de despejo. Sua literatura é marcada por uma mistura de estilos deterritorializados, sendo capaz de ativar uma linha de fuga em relação às literaturas canonizadas, nisso consiste a caracterização desse tipo de composição artística comum em países de formações culturais híbridas. Em sua composição, observamos que uma potência rizomática se apresenta na reformulação de elementos discursivos justapostos numa certa “deformidade” estilística para além de livros em registros na tradição de nossas letras.
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Sandra Maria Nascimento Sousa - UFMA
Lembranças da boemia e de desejos proibidos
Nos anos 50 e 60, em são luís, um dos espaços sociais preferidos pelos homens, era a zona do baixo meretrício, que lhes possibilitava ampliar relações com outros homens e realizar fantasias de prazeres eróticos, não imaginados com as mulheres no âmbito da família. Distinguia-se entre mulheres puras e assexuadas e mulheres devassas. Esta dicotomia aparece nas narrativas de homens que frequen-taram a zona e é analisada em nosso estudo sob a perspectiva crítica da construção de modelos político-históricos de relações de gênero.
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Scarleth Yone O’Hara - UFPA
Caleidoscópio amazônico: memorial das mitologias femininas
Baseando-se na mitopoética do imaginário amazônico, este trabalho pretende: a) demonstrar a relevância das histórias orais na constituição do discurso feminino caboclo, focalizando a corrente da tradição oral; b) comprovar que a mitopoética paraense desempenha papel fundamental na construção do imaginário amazônico pelas manifestações simbólicas presentes nas narrativas orais, traduzidas na encantaria e nos processos metamórficos dos mitos femininos, atuando como legitimadores das contradições sociais. O “corpus” do trabalho compõe-se de narrativas orais, recolhidas e transcritas pelo Programa IFNOPAP (O imaginário nas formas narrativas orais populares da Amazônia paraense), analisado em perspectiva histórico-imagético-discursiva, em que a materialidade narrativa é absolutamente particular, revelada em entidades míticas femininas.
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Simone Simões Fassarella - FURG
A vez e a voz das histórias de trabalhadoras da pesca: desafios à (re)construção das relações de gênero
De maneira geral, quando se fala em comunidades pesqueiras, há uma tendência em se focalizar os olhares na figura do pescador, deixando-se de lado as trabalhadoras da pesca que têm um papel relevante no processo de beneficiamento do pescado;trabalho esse quase sempre invisível e desvalorizado no âmbito da pesca. Ao confrontar tal realidade, este estudo que vem sendo desenvolvido numa comunidade pesqueira retrata o cotidiano de algumas mulheres membros de famílias de pescadores artesanais da Vila São Miguel (RS). Com o objetivo de analisar as narrativas das trabalhadoras da pesca, a investigação parte da necessidade de se compreender como se dá o processo de constituição das identidades de gênero no âmbito da pesca, com enfoque nas percepções e alternativas de mudança que trazem em suas histórias de vida em relação às desigualdades de gênero experenciadas no cotidiano.
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Stela Nazareth Meneghel - UNISINOS
Oficinas de contadores de histórias – uma estratégia para enfrentar a violência de gênero
Oficinas constituem uma prática coletiva pautada em enfoques participativos, que procuram estimular os participantes a construir estratégias de resistência por meio da dialogicidade, da arte e da reflexão crítica. Esta proposta compreende a apresentação de uma pesquisa realizada por meio de oficinas de contadores de histórias, realizada em ONGs que trabalham com gênero, violências e direitos humanos no município de São Leopoldo/RS. Utilizamos a estratégia de ‘contar histórias’ como dispositivo de resistência para enfrentar os sistemas de dominação/exploração baseados em gênero, raça e classe social. O "contar histórias" em oficinas ou grupos pode constituir ferramenta importante em intervenções do campo da saúde mental e coletiva.
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Susan Aparecida de Oliveira
Geografia da destruição em “Conversación Al Sur”. (os lugares de memória em tempos de ditadura)
Conversación al Sur (1984), de Marta Traba, é a narrativa da rememoração de duas mulheres que viveram os horrores da ditadura no Cone Sul. O significado de Sur permite dissolver as fronteiras geo-gráficas entre Montevidéu, Buenos Aires e Santiago do Chile e definir um espaço labiríntico que vai sendo tomado pela destruição e pela política do desaparecimento e do esquecimento. A rememoração das duas mulheres da narrativa de Traba as reconduz aos lugares em que a experiência da des-truição se deu para elas. A descrição dos lugares ocupa o espaço do trauma indefinível na linguagem e explicita as significações do lugar para a memória traumática. Outros simbolismos ocupam os lugares privados e públicos, como a Praça de Maio, que se tornam parte tanto da geografia da destruição como da política da memória da resistência.
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Vilnia Batista de Lira
A trajetória de Lídia Sales: o investimento no papel de liderança e a luta contra o modelo hegemônico familiar
O objetivo é analisar a trajetória de vida de Lídia Sales que durante a década de 80 lutou numa favela carioca, situada na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. O investimento no papel de líder comunitária proporcionou o encontro com o Movimento Feminista e o Movimento Negro característico do contexto de redemocratização política que vivia o país naquele momento histórico. Por meio de peças teatrais de sua própria autoria dramatizava os conflitos comunitários e sensibilizava a participação popular. As lembranças e as impressões da trajetória de vida dessa mulher serão reconstituídas por sua filha, que hoje representa e mobiliza um grupo de mães com filhos em conflito com a lei. O passado é revelado e reinterpretado pela presente dando significados, visibilidade e voz a luta e o sofrimento de uma mulher cuja história ainda não foi escutada. Trabalhou-se na perspectiva de historia oral, utilizando a técnica trajetória de vida. Espera-se com este instrumento de informação coletar dados orais para elaborar uma análise detalhada da fronteira entre a “conduta feminista” e o “discurso conservador” ou “conduta conservadora” e o “discurso feminista”. O trabalho aborda a experiência de uma mulher que mobilizou uma favela carioca, integrou movimentos sociais e influenciou a trajetória política de seus descendentes. Mas por outro lado, uma experiência de vida marcada pela violência contra a mulher e a dominação masculina.
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Virgínia Queiroz Barreto Castellucci - UNEB/UCSAL
Trilhando caminhos de barro: cotidiano de mulheres oleiras no recôncavo baiano
Novas abordagens historiográficas abriram possibilidades para reflexões sobre o espaço de sobrevivência de mulheres pobres oleiras no Recôncavo Baiano. Essas mulheres, em muitos casos sem maridos, criam seus filhos multiplicando oportunidades a partir do que a natureza do lugar oferece. Em suas narrativas descortinam elementos do cotidiano em busca de sobrevivência. Suas histórias se reportam a tradições vivenciadas em suas experiências de vida e de luta, bem como os processos de disputa nas diversas dimensões da vida cotidiana, pensando o cotidiano como lugar de práticas, tradições e hábitos culturais conflitantes. A partir do significado de suas memórias e de como as vivenciam, reconstroem elementos de uma cultura pautada pela linguagem do barro. Assim, partindo da oralidade busco ampliar a compreensão sobre o trabalho e a vida dessas mulheres oleiras.
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