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ST42 - História, gênero e trajetórias biográficas

Coordenadoras:     Ivana Guilherme Simili (UEM)
                               Isabela Candeloro Campoi (UFF)

Resumo

A proposta desse Simpósio temático é articular pesquisas desenvolvidas ou em andamento que privilegiem itinerários de mulheres e/ou biografias. Os enfoques biográficos de mulheres localizados em meados do século XIX, sob a perspectiva do positivismo, eram dados às mulheres notáveis e excepcionais, mostrando a sua capacidade de agir em espaços tidos como masculinos e procurava desfazer a idéia tradicional do feminino. Por volta da segunda metade do século XX, o retorno da biografia no âmbito da história não significou simplesmente a retomada de um gênero deixado de lado pelos historiadores por um longo período, mas insere-se num processo de profundas mudanças das bases teóricas, metodológicas da disciplina histórica, como resultante do repensar de questões clássicas tais como a relação indivíduo/sociedade, a atuação dos sujeitos, as formas de narrativa do conhecimento histórico, dentre outras. Através das impressões individuais, do olhar feminino, da trajetória e/ou da produção de uma mulher em específico, desvenda-se um espaço mais amplo a partir de sua atuação. Neste sentido, novas concepções teóricas ligadas também à história política, podem proporcionar um embasamento em que, a partir do viés singular de uma mulher, sejam analisadas as questões políticas de uma época. Assim, a biografia pode servir como ponto de partida para se atingir o contexto político-social de um período, e, além de averiguar o papel desempenhado por uma mulher em especial, conseqüentemente, pode-se desvendar o papel designado às mulheres em geral, inseridas nesse universo. Por intermédio das pesquisas apresentadas almeja-se contribuir com o debate acerca das possibilidades da abordagem biográfica nos estudos sobre mulheres e relações de gênero. Para o encaminhamento do Simpósio fixamos os eixos temáticos: trajetórias de mulheres, poder e política; mulheres e biografia; relações de gênero e trajetórias biográficas; teorias e métodos biográficos; história, mulheres e biografia.


Trabalhos

André Luis Mitidieri-Pereira - PUC/RS
Uma burca bifurcada: gênero e gender no romance biográfico de Salim Miguel
Nossa proposta consiste no entrecruzamento das reflexões sobre o gênero biográfico com os estudos de gênero (Gender), relacionados à arte, cultura, identidade e política, fundamentalmente assentan-do-se nos trabalhos de Judith Butler (Undiagnosing Gender, 2004); Nelly Richard (Intervenções críti-cas, 2002) e Paul Ricoeur (O si-mesmo como um outro, 1991). Analisamos a obra literária Nur na escuridão, de Salim Miguel (2004), romance biográfico que parece reiterar os espaços tradicional-mente demarcados do feminino. Entre as culturas árabe e brasileira, representadas na narrativa, não se faz a luz que o título anuncia, pois o texto torna-se obscurecido pelo privilégio a narradores mascu-linos e por nódoas de preconceito, a comporem alguns retalhos do véu que encobre o fundamenta-lismo patriarcal e o heterossexismo que regula comunidades tradicionais.
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Benito Bisso Schmidt - UFRGS
Nunca houve uma mulher como Gilda? Memória e gênero na construção de uma mulher excepcional
A comunicação analisa um conjunto de memórias construídas sobre a jornalista gaúcha Gilda Marinho (1900-1984). Essas narrativas, em geral, reproduzem uma série de percepções que parecem derivar da própria imagem pública elaborada por Gilda a seu respeito: a de uma mulher ousada, à frente de seu tempo, excepcional. Na pesquisa, a excepcionalidade não é tomada nem como um atributo natural de Gilda nem como uma categoria analítica adequada para representar suas ações, mas sim como resultado de um complexo trabalho de organização da memória e do esquecimento realizado por seus amigos e conhecidos a partir dos marcos por ela instituídos. Minha hipótese é a de que a suposta excepcionalidade de Gilda serve como um recurso narrativo para dar coerência e sentido às tensões e ambigüidades de sua biografia.
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Betânia de O. Laterza Ribeiro, Elizabeth Farias da Silva - UEMG/UFSC
Alzira Alves Vilella ( 1893 – 1925 ): uma trajetória silenciosa do feminino na construção da res pública na Escola Laica
Apresentamos com a biografia da professora Alzira Alves Vilella, enfatizada na identidade profissional, parcela da cultura escolar republicana no interior do Brasil em sua gênesis. Priorizamos documentos onde constam os planos de aulas, correspondências oficiais e fichas de chamadas da professora. Esta comunicação surge como a concretização de um dos eixos da pesquisa denominada: “Primórdios da escola pública republicana do Triângulo Mineiro”. Nos dizeres escritos da professora analisamos o discurso contextualizado. Na conclusão emerge uma figura com representação social e papel extemporâneos.
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Cintia Vieira Souto - MP/RS
Anita Garibaldi: heroína, mas virtuosa
Anita Garibaldi é uma das poucas brasileiras que, antes do século XX, participou de episódios políticos e militares da História do Brasil. Ao lado do italiano Giuseppe Garibaldi, atuou em batalhas decisivas da Revolução Farroupilha. Mas nem sempre foi assim. Até o final do século XIX, pouco se falava de Anita e do próprio Garibaldi. O que aconteceu no início do século XX que mudou esse panorama? As grandes levas de italianos que vieram para o Brasil produziram uma classe média e uma elite ítalo-brasileira. Era necessária a cooptação desse novo grupo. Daí a valorização da família mista, simbolizada pelo casal Giuseppe e Anita. Nessa época, começam os malabarismos dos historiadores para ocultar o fato de Anita ter a abandonado o marido para acompanhar Garibaldi. Para ser considerada heroína Anita deveria ser virtuosa. O presente estudo tem por objetivo acompanhar a biografia de Anita Garibaldi na historiografia, analisando os diferentes propósitos a que essa biografia serviu e ainda serve.
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Cristina Maria Rosa, Fabiane Andrades da Porciúncula - UFPel
Memória de uma professora: a alfabetização na zona rural
Registrar e analisar a história de vida de uma professora que alfabetizou crianças durante vinte e dois anos foi o interesse primordial da pesquisa. Adotar como fonte de investigação relatos orais ou autobiográficos através da memória (ANDRÈ, 1995 e BOSI, 1994) é fundamental para quem deseja conhecer, do ponto de vista do imaginário social (CASTORIADIS, 1982 e FERREIRA, 1992) as configurações de papéis (representações sociais de ser professora) e os significados da escola na vida e nas escolhas profissionais (CHARLOT, 2000, LAHIRE, 1997). Inserida na pesquisa “Aquisição da escrita e letramento: a linguagem e suas representações nas relações de e pertencimento à escola” (CNPq CNPq 480865/2004-3) seus resultados integram o Banco de Textos do Grupo “Escrita: Produção e Recepção” (CNPq).
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Elizabeth Angela dos Santos - UNESP
Histórias de vida, gênero e profissão docente: as representações sociais das alunas egressas do curso de pedagogia da FCT – UNESP
O presente estudo busca aprofundar reflexões sobre formação docente, refletindo sobre o ponto de vista histórico/sociológico analisando as questões relativas a feminização do trabalho docente e suas relações com a identidade de gênero desta categoria profissional. Para a consecução dos objetivos propostos optamos pelo uso da metodologia baseada nas histórias de vida, através de autobiografias das ex-alunas do Curso de Pedagogia da FCT/UNESP. Para a compreensão do trabalho docente é de extrema relevância compreender como esta profissão, ao longo do tempo, tornou-se um trabalho feminino, sendo este um ponto norteador para a redefinição da profissionalidade e solidificação da carreira docente, apontando para novos rumos quanto ao seu status profissional, sua situação social e, até mesmo, suas condições de trabalho.
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Isabela Candeloro Campoi - UFF
A trajetória biográfica de Adalgisa Nery: contribuições para a formação da jornalista e deputada
Inaugurada em novembro de 1954, a coluna diária Retrato sem retoque publicada no Jornal Última hora era assinada pela escritora Adalgisa Nery. Como um espaço de discussão política a sua atuação diária no jornalismo carioca promoveu seu enlace com a política, elegendo-se deputada do legislativo estadual da guanabara (1960-1969). Essa comunicação pretende verificar aspectos da trajetória biográfica de Adlagisa Nery que contribuíram para a formação da sua postura política, identificada principalmente com o nacionalismo getulista. Da mesma forma, no que tange às relações de gênero, seus casamentos tiveram papel singular na sua biografia.
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Ivana Guilherme Simili - UEM
A construção de uma personagem: a trajetória da primeira-dama Darcy Vargas (1930-1945)
Apoiada em documentos escritos e imagéticos e com base nas reflexões provenientes dos estudos biográficos e de gênero, acompanho e relaciono o percurso de Darcy Vargas ao de Getúlio Vargas. Mostro os modos pelos quais o casamento e a convivência com a política, proporcionaram a construção de uma trajetória para a personagem marcada por formas de participação na política, culminando num percurso com uma face marcante: uma primeira-dama ligada à política assistencial, que teve um importante momento e marco nos anos de 1942-1945, período em que presidiu a Legião Brasileira de Assistência, a primeira instituição pública de assistência social.
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Johana Barreneche Corrales
Desplazamientos internos, la subjetividad de la política
A partir de la historia de Fernanda, colombiana refugiada en Brasil, intento comprender desde la ciencia política y el psicoanálisis, las dinámicas subjetivas que afectan movilizaciones políticas de carácter colectivo. Delante de la guerra muchas mujeres se organizan y cumplen funciones fundamentales en los procesos de resolución, sin embargo, en situaciones generadas por violencia extrema, su capacidad de acción colectiva disminuye considerablemente dada la desconfianza propia de la dinámica del conflicto, seguida por la imposibilidad de reunión puesto que las prioridades apuntan a la consecución del sustento familiar. Esta es la hipótesis de la que parte ésta reflexión centrada en el conflicto armado colombiano, razón principal del desplazamiento forzado interno de más de 3 millones de personas y del éxodo masivo de miles de colombianos a diferentes países entre ellos Brasil.
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Kátia Maria Kasper - UFPR
Corporeidades, saberes e vidas fora da norma: trajetórias de atrizes palhaças
Nossa investigação volta-se para o que escapa ao controle em uma sociedade, passando do biopoder (Foucault) à biopotência (Lazzarato). Pensamos trajetórias de atrizes palhaças como modos singulares de construção de si, envolvendo aspectos afetivos, culturais, históricos, sociais e políticos. Entre arte e vida, o que nos dizem atrizes de teatro que atuam como clown, reinventando uma arte historicamente realizada quase que exclusivamente por homens? Cada palhaça opera com uma lógica própria, envolvendo modos de agir, pensar, sentir singulares. Nessas explorações, que são também experimentações vitais, conforme podemos ver em seus depoimentos, a construção do corpo da palhaça tem um papel fundamental. Justamente corpos que brincam e denunciam os padrões vigentes. As palhaças podem ser poderosas aliadas na construção de outros modos de existência.
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Luciana Andrade de Almeida - UFC
Trajetória de uma pioneira: a escrita feminina de Francisca Clotilde (1862-1935)
Francisca Clotilde (1862-1935) fez parte do movimento de cearenses precursoras da escrita feminina em um tempo em que o ato de escrever, em si, implicava transgressão. A pesquisa se ancora no estudo biográfico da escritora e observa evidências pessoais que perpassam sua vida e produção intelectual em jornais – como A Quinzena e a folha operária O Combate –, em seu principal romance – A Divorciada, de 1902 – e no periódico literário A Estrella, editado em Baturité e Aracati por ela e sua filha, Antonieta Clotilde, entre 1906 e 1921. Ela teria participado da libertação de escravos em cidades do interior, figurou em clubes literários masculinos e produziu sonetos, contos, traduções, críticas literárias, propagandas. A diversidade e os níveis de tensão presentes em sua vida e escrita revelam os muitos interesses que a mobilizaram e as várias contribuições que legou.
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Maria de Fátima do Nascimento - UFPA
Algumas anotações sobre a poética de Olga Savary
Propomos com este trabalho destacar algumas características da poética de Olga Savary, poeta paraense, que publicou seu primeiro livro de poesia, “Espelho Provisório”, em 1970, recebendo da Câmara Brasileira do Livro, em 1971, o Prêmio Jabuti de Autor Revelação. Ainda na década de 70, período da ditadura militar no Brasil, Savary publicou Sumidouro em 1977 e Altaonda em 1979, obras que confirmam “a maturidade da poeta pela sua depuração verbal”. Nesse período, em que a maioria dos poetas propõe uma arte “engajada”, Savary opta por um outro caminho, conforme ressalta o crítico Felipe Fortuna: “ao estrear numa década violenta da história política do país, Olga Savary atravessou-a com a delicadeza da linha-d’água no papel, sem permitir a poesia engajada: ela é, de fato, poeta dos elementos, das formas naturais, das pequenas elegias”.
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Renata Aparecida Paupitz Dranka - UNISUL
Trajetorias que se cruzam
O objetivo deste trabalho é analisar a luz do referencial teórico da Analise do Discurso de linha Francesa os enunciados “à margem” e “farrapos”, ditos por Antonieta de Barros mostrando suas estratégias para esquivar-se dos gestos interpretativos, já marcados e estabilizados, enquanto elaborava outros sentidos, a partir de seu lugar, para legitimar o seu dizer. Antonieta de Barros era mulher, negra, filha de escrava liberta e conseguiu ser jornalista e Deputada Estadual por dois mandatos. Através de pesquisa nos textos e jornais que circulavam na época, (entre 1900 e 1954) em Florianópolis analisei a forma de circulação da imagem da mulher nos periódicos e como Antonieta de Barros se representava e era representada neste imaginário; a sua ascensão política e sua mobilização para a valorização da mulher.
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Rosane Schmitz Fernandes - UDESC
Escola profissional feminina e as relações de genêro: Florianópolis, 1930 - 1960
Trata-se de um estudo sobre a Escola Profissional Feminina de Florianópolis, com enfoque em seus aspectos históricos e nas relações entre classes sociais e gênero. Esta Escola foi fundada na década de 1930, iniciou seus trabalhos oferecendo cursos de corte e costura, flores e chapéus. Voltada para um público exclusivamente feminino, proveniente de camadas populares urbanas e rurais, a Escola resultava de um sistema dualista de ensino, implantado com a Constituição da República de 1891, pautado na afirmação de desigualdades escolares, ou seja, estabelecendo uma educação para as camadas médias e altas (escolas secundárias e superiores) e uma educação para os filhos de trabalhadores pobres (escolas primárias e profissionais). Apresentaremos uma análise da trajetória biográfica de uma ex-aluna entrevistada ilustrando sua inserção social.
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Sonia Maribel Muñoz Croveto - UFSC
Biografemas feminino-religiosos
Peregrinações de uma pária (1838) da escritora franco-peruana Flora Tristan reúne múltiplos biografemas femininos, centrado no seu vínculo ou desvínculo com a religião católica. No tecido textual, as histórias de madres superioras, freiras, ex-freiras e leigas, construídas à maneira de fragmentos, traços fugazes ou anamneses factícias, segundo a definição de biografema de Roland Barthes, misturam-se com a autobiografia da autora, interessada em retratar, paralelamente ao relato de sua viagem ao Peru (1833-1834), as venturas e desventuras das mulheres na América. Daí o esforço por capturar na escrita o universo feminino-religioso e tentar compreender a relação mulher-religião imposta desde o berço. O intuito deste trabalho é fazer um levantamento dessas histórias de mulheres, pertencentes às primeiras décadas do século XIX. De certa maneira, reconstruir as anamneses feminino-religiosas de Flora Tristan.
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Teresa Kleba Lisboa, Rita de Cássia Gonçalves - UFSC
Trajetórias de vida: visibilizando e reconstruindo a história das mulheres
O método biográfico tem como variantes, entre outros, as modalidades: história de vida, relatos orais e trajetórias de vida. Este método tem contribuido para dar visibilidade e reconstruir a história das mulheres que durante muito tempo permaneceram escondidas. As trajetórias de vida tem sido utilizadas por pesquisadores para contemplar um conjunto de experiências, significados, tradições e vivências que se constituem parte integrante da vida humana mas que permanecem desconhecidas. as trajetórias de vida tem se apresentado como uma técnica que possibilita desvelar diferentes conteúdos: se desejo saber que tipo de ocupação remunerada as mulheres, sujeitos de minha pesquisa, já tiveram ao longo de suas vidas, vou pesquisar trajetórias ocupacionais, se desejo saber o itinerário migracional que um determinado grupo percorreu, utilizo trajetórias migracionais, e assim por diante. A técnida da trajetória de vida requer um fio condutor centrado no problema de pesquisa para conduzir a entrevista e o processo de codificação das trajetórias requer objetividade científica
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