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ST43 - Corporalidade, consumo, mercado

Coordenadoras:     Iara Beleli (Pagu/ UNICAMP)
                               Karla Bessa (UFU)
                               Ângela Maria de Souza (UFSC / UNIVALI)

Resumo

O mercado, em sentido amplo e diverso, é a interface das práticas de consumo que, muito além da posse de bens, estabelece modos de ser e viver. O fluxo massivo de objetos, produtos, matérias-primas em circulação veloz na virada deste milênio mobiliza toda uma trama cultural que também se redimensiona, tanto no âmbito local quanto global, (re)fazendo ou diluindo fronteiras, territórios geopolíticos e simbólicos. No âmbito da cultura, as tramas que envolvem gênero, sexualidade e estetização do eu são entrecortadas pelo mercado, configurando assim uma ponta do iceberg para um estudo sobre a subjetividade e, sobretudo, a vida urbana contemporânea. Pensar a relação cultura/consumo e o papel desempenhado pelo consumo nas atuais sociedades, principalmente grandes centros urbanos, é fundamental para compreender os múltiplos usos das subjetividades que se formam e tomam forma neste contexto. A corporalidade é o fio que perpassa e entrelaça essa trama, que parte da organização do mercado para configurar a constituição de subjetividades. A centralidade aqui conferida ao corpo tem como finalidade instigar uma reflexão sobre as diversas maneiras nas quais o corpo humano e suas marcas de gênero, étnico-raciais, classe, geração instituem e são instituídas no plano simbólico e material das relações que se dão no, e a partir do mercado. Neste sentido, propomos um debate interdisciplinar sobre os estudos que tomam os media como os locus de exposição e acesso aos bens mercadológicos a partir de uma perspectiva de análise que considere a relação entre corporalidade e gênero na construção da subjetividade.


Trabalhos

Andréa Osório - UFRJ
Marcas de alteridade: consumo feminino e masculino de tatuagens
Pesquisa de campo efetuada em dois estúdios de tatuagem cariocas indicou uma predominância numérica de mulheres como público da prática. Esta predominância se reflete, nos estúdios, na produção de toda uma gama de “desenhos femininos” e, eventualmente, na preparação de salas especiais para as mulheres, de forma a preservar regiões consideradas impróprias para o olhar outro que não o do tatuador. A partir da observação etnográfica, percebeu-se que, enquanto elas tatuam nuca, pés e a região das costas, os homens preferem os braços. A necessidade de diferenciação é constantemente observada por clientes de ambos os sexos: os limites impostos constituem a formação de uma identidade de gênero que não deve ser transgredida. As experiências femininas no ato de ser tatuada também tornam-se distintas: expressa-se a dor entre elas sem maiores restrições, enquanto dos homens espera-se apenas o silêncio da indiferença. Conclui-se que a tatuagem opera como um signo que confere maior ou menor feminilidade/masculinidade a homens e mulheres, tanto quanto o próprio processo de se suportar a dor. Outra diferença diz respeito ao controle do corpos femininos, operado fundamentalmente pela família, o que enseja uma reflexão sobre a tatuagem como processo de afirmação de uma autonomia pessoal. Muitas vezes, as mulheres jovens ou maduras lutam contra a restrição familiar para adquirirem a sonhada marca, ao passo que este controle não foi observado entre os homens, indicando que o usufruto autônomo do próprio corpo é distinto entre os gêneros.
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Angela Maria de Souza - UFSC
A globalização do movimento hip hop: estabelecendo relações de consumo e gênero
As sociedades ocidentais industrializadas estabelecem relações de consumo que as diferenciam. Nestas, a chamada globalização, a compressão do tempo/espaço e o avanço tecnológico fazem circular uma quantidade infinita de produtos e serviços que possibilitam a elaboração de formas de estar-no-mundo. Assim, o presente artigo objetiva pensar alguns parâmetros que estabelecem as relações de produção/consumo a partir do Movimento Hip Hop, principalmente a partir de sua música o RAP, a qual constrói uma forma de expressar situações vividas pela população negra no contexto urbano a partir da elaboração de uma estética que reflete um cenário de desigualdades sócio-raciais. Estética esta que remete a um cenário “masculino”. Mas, como elaboram este “discurso” estético considerado “masculino”? O Movimento Hip Hop amplia a circulação simbólica de bens no mercado, estabelecendo relações de produção/consumo, e com ela formas específicas de relações de gênero.
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Beatriz Staimbach Albino, Alexandre Fernandez Vaz - UFSC
Corpo, controle e produção da saúde e do embelezamento: um estudo sobre a revista Boa forma
As revistas para o corpo são porta-vozes do consumo de técnicas e produtos que prometem sucesso, saúde, juventude e felicidade, vinculados às técnicas de embelezamento. Esta pesquisa analisa a constituição de um certo dever ser feminino nas prescrições da revista Boa Forma. Analisa principalmente os editoriais e seções e reportagens sobre os cuidados com o corpo, especialmente o que se refere às dietas e séries de exercícios, tomando como fonte principal as edições de verão e as que para ele preparam (set/fev, 2001-2006). Os resultados mostram um esquema que repete as técnicas corporais prescritas e se expressa na linguagem bélica (“destruir gorduras”), na antropomorfização dos alimentos (“amigos” e “inimigos”) e nas promessas cientificistas (quilos ou centímetros em tempo determinado).
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Cláudia da Silva Pereira - UFRJ
Os wannabees: adolescência, feminilidade e controle social na Internet
Gíria corrente na Internet, a expressão wannabe, neste trabalho, designa um tipo de adolescente que deseja de distinguir através da participação em comunidades virtuais ou da exibição de páginas pessoais, construindo uma auto-imagem que, sem a legitimidade de seus pares, gera preconceitos e sanções sociais, que vão desde repreensões até a expulsão por parte do grupo. Acompanhando diários virtuais (blogs) e comunidades do Orkut durante seis meses, o objetivo deste estudo é analisar os processos de distinção e controle social na Internet entre os “góticos”, tribo urbana que se auto-define, entre diversos atributos, como detentora de uma dada “sensibilidade feminina”, e as “pró-anas”, comunidade estritamente virtual que procura defender as práticas da anorexia. Conceitos como “estilo de vida” e “estado de espírito” são re-significados, contribuindo para representações de corpo e feminilidade entre adolescentes.
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Denise Castilhos de Araujo - FEEVALE
Verão sem vergonha Dove – expondo novo corpo para o mercado consumir
A publicidade que tem como público-alvo a mulher, tem exercido grande influência na construção do imaginário feminino no que diz respeito às características estéticas e físicas que o corpo feminino deva apresentar. Por outro lado, algumas empresas têm sugerido rupturas com os paradigmas de beleza atuais. Este artigo pretende discutir como a “Campanha Verão sem vergonha”, da empresa Dove tem construído, através de suas peças publicitárias novas regras estéticas, e, de que maneira tais modificações podem exercer o consumo desses produtos.
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Ediliane Araújo
Corporeidade e metáforas
Estudos recentes sugerem que a metáfora não deva ser considerada apenas um recurso da imaginação poética ou um ornamento retórico, pois está presente em nossa vida cotidiana, não somente na linguagem, mas no pensamento e nas ações. Nesse sentido, tomando por base a revista Capricho, nossa pesquisa focaliza a pertinência das metáforas zoomórficas (analogias implícitas com animais) encontradas em diversos de seus exemplares, buscando comprovar que, qualificações metafóricas de tal natureza, são vivenciadas corporeamente, mesmo que não sejam percebidas de forma direta.
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Elizabeth Nunes Maciel, Elenice Pastore - UPF
Trabalho feminino informal e a indústria da beleza
Este estudo tem por objetivo analisar tripé “mulher, informalidade e indústria da beleza” na sociedade contemporânea, discutindo aspectos referente ao trabalho informal na comercialização de cosméticos, destacando sua importância para as trabalhadoras e para o capital, apontando contradições e problemas dessa atividade. Refletimos também sobre a indústria da beleza e sua intrincada relação com o mundo feminino na esfera subjetiva, bem como no mundo do trabalho. A pesquisa de campo foi desenvolvida na cidade de Passo Fundo-RS, envolvendo revendedoras de produtos cosméticos da empresa AVON. É no universo das transformações do mundo do trabalho que a informalidade e o trabalho feminino se constituem, ganham espaço e crescem espantosamente. São as mulheres que se submetem a estas atividades para complementar a renda do grupo familiar e põem em prática para isso as chamadas “habilidades femininas”= atributos pessoais credenciados pela dimensão de gênero, atualmente muito bem aceitos pelo mercado. É neste cenário que se desenvolve a décadas, o trabalho “invisível” das mulheres que alimentam e movimentam a indústria de cosméticos.
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Fabiana Jordão Martinez - UNICAMP
Corpos, sujeitos e simulacros: uma breve analise da industria de modelos
Este /paper/ pretende explorar a dinâmica de construção do modelo profissional, levando em consideração que na indústria de modelos, os sujeitos são apropriados, classificados, valorizados e circulam análoga e intrinsecamente à lógica da produção e circulação de mercadorias. Modelo profissional é uma categoria muito ampla a serviço da (re)produção de imagens e representações sobre serviços e bens, referendada historicamente por aparatos institucionais do consumo (a publicidade e a moda), inscrita e construída em uma /tecnologia de gênero/, cujo foco era o /corpo e o comportamento feminino/. Pretende-se explorar os processos de corporalidade e de constituição de subjetividades desta categoria, atentando para os recortes de gênero, bem como para o principio organizador das subjetividades deste campo: a dicotomia entre vida vivida e vida representada.
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Guilherme Gonzales
A censura da corporalidade
O status conferido aos bens de consumo traduz não somente desejos, mas revela grupos sociais e sua relação com a sociedade de consumo. A comunicação, percebendo esta tradução, se apropria dos elementos particulares de cada grupo a fim de alcançar seus objetivos de mercado. Pretendemos discutir como a comunicação aborda a (homos)sexualidade e a relação do alvo, da sociedade e do poder público com a mensagem publicitária. O polêmico beijo gay da campanha dos lubrificantes Affair, nos dá uma dimensão dos desafios que a comunicação enfrenta em relação a políticas de corpo pouco definidas. A censura da corporalidade (homos)sexual, ilustrada pelo case da Affair em São Paulo, indica que o consumo e o mercado ainda podem ser regulado por políticas morais se o que estiver em pauta for as sexualidades fora de ordem.
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Iara Beleli - Pagu/UNICAMP
Intercectando categorias: raça e gênero na propaganda
O chamado às diferenças na propaganda extrapola as utilidades dos produtos em si, propondo identificações dos consumidores com as mensagens veiculadas. Este ensaio propõe uma reflexão sobre as “inclusões” (e ausências) de marcas raciais na publicidade brasileira, no sentido de apreender como operam e o que revelam. A questão central é se, e como, a recente abertura de espaços, neste setor de serviços, para corpos marcados pela “cor” acentua ou não as marcas da diferença e se esse novo cenário alude à modificação dos lugares de ação dos sujeitos. Além disso, se as marcas de gênero são fundamentais para a distinção de públicos-alvos, pergunto em que medida a inserção de marcas raciais modifica a veiculação de imagens antes marcadas predominantemente por gênero.
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Jacqueline Oliveira Silva - UNISINOS
Tráfico de mulheres: o consumo do corpo na economia global
O tráfico de seres humanos (TSH) movimenta uma complexa rede do crime organizado transnacional, vinculada a exploração sexual. Deixa de ser invisível na agenda nacional, em 2003, com a divulgação de pesquisas que indicam o Brasil entre as rotas de TSH. Nosso trabalho, discute o tráfico de mulheres, crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul, a partir da pesquisa auspiciada pelo Ministério da Justiça e pela Organização das Nações Unidas, em 2005. As fontes de investigação foram jornais, questionários preenchidos por Organizações Governamentais e Não Governamentais, e inquéritos policiais. Os resultados, demonstraram que o TSH é um fenômeno consolidado no RS, potencializado por sua condição de fronteira e pelas características do desenvolvimento econômico e social dos municípios envolvidos.
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Juliana Cavilha Mendes - UFSC
Grupos urbanos na cidade de Florianópolis/SC
Esta pesquisa consiste em uma etnografia de rua na cidade de Florianópolis, cuja investigação pretende traçar as trajetórias sociais e os itinerários dos seguintes grupos urbanos: profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas. O ponto de partida desta reflexão antropológica - orientada pela discussão das sociedades complexas - é pensar sobre as formas de vida social destes grupos nas regiões centrais da cidade, cujas interações pautadas criam uma paisagem urbana local ao delimitar as fronteiras simbólicas entre eles e outros grupos sociais. Neste trabalho, pretendo refletir sobre a organização e a movimentação destes grupos que inseridos na cidade vivem em determinadas regiões morais que desenham territórios de sociabilidades específicos e formas diversificadas de se viver a cidade.
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Karla Adriana Martins Bessa - UFU
Subjetividades na berlinda: imagens, corporalidade queer e cultura de consumo
Os filmes da década de 90, produzidos em função e para difusão dentro do circuito dos festivais gays e lésbicos de filme e vídeo abriram uma perspectiva fértil para pensar as relações entre o consumo de imagens, a produção desejante e a constituição das marcas de gênero. Tudo isso, movimentando ainda um novo circuito mercadológico, uma vez que já nasce como parte de relações de mercado marcadas pela lógica do consumo descartável de bens culturais, voltados para nichos específicos de consumidores. Nesta comunicação, partirei da análise do filme “Part monster” (dir. Fenton Bailey & Randy Barbato, 2000) a fim de colocar em cena, para além da narrativa, o jogo de consumo e autopromoção presente nas festas e orgias noturnas e o estreito vínculo entre estes espaços de sociabilidade, projeção de desejos, estetização de si e as ambigüidades atuantes na constituição das fronteiras entre corpos desejados e corpos abjetos.
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Maria Paula Costa - UNESP/Assis/FAPESP
Uma grande vendedora: uma análise sobre o consumo e os papéis femininos na revista Claudia (1961-1985)
Este trabalho incide sobre parte da história da Revista Claudia, no período de 1961 a 1985, publicada mensalmente pela Editora Abril, tendo como público alvo as mulheres da classe média urbana que possuíam poder aquisitivo para comprar os produtos anunciados em suas páginas. Procuraremos analisar neste seminário temático os sentidos atribuídos ao discurso deste períodico e seus diferentes significados e representações no que tange as relações da mulher com seu corpo, sua sexualidade e suas relações com o intenso consumo estimulado pela revista. Entendemos que tal consumo possuem significados que vão muito além de sua razão utilitária e valor comercial, representam categorias culturais carregados de significados.
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Mariana Costa Falcão Tavares, Maria de Fátima Machado de Albuquerque - UFAL
Gênero e corpo: narrativa de mulheres portadoras de deficiência visual
O trabalho discute a necessidade do estudo da estética e da saúde corporal, a partir de um modelo interdisciplinar que contemple o entendimento da representação social do corpo (plasticidade sócio-cultural), a partir de perspectivas tais como gênero, feminismo e direitos humanos, porque estas perspectivas refletem sobre as estruturas de poder e dinâmica das relações sociais existentes nas sociedades e também sobre o corpo codificado e construído socialmente. Numa tentativa de explorar a materialização dessa plasticidade sócio-cultural, apresentam como caso ilustrativo o depoimento de mulheres portadoras de deficiência visual sobre com estas percebiam o seu corpo. Os resultados expressaram um padrão desejado de corpo com claras marcas do mundo visual e também sinalizaram para os conteúdos internalizados relacionados ao gênero.
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Marielda Ferreira Pryjma, Adelaide Miriam Carl Pedroso, Ana Ruth Pinto, Cristiane Verbiski de Andrade, Eliana Giovannoni, Jamile Sallum, Patricia Androukovitch, Samara Ivana Lazzarotto - Faculdade Dom Bosco
Estrutura do corpo feminino: modelo imposto, condição aceita ou impedimento de liberdade?
As preocupações com o modelo do corpo feminino estereotipado nas últimas décadas originaram a proposta de investigação. Compreender a razão que leva a mulher a se submeter aos modelos femininos impostos pela sociedade foi o objetivo do estudo. Foi pressuposto que a mulher perpetua um processo de submissão ao aceitar às imposições feitas ao seu corpo. A metodologia da psicologia sócio-histórica, o uso questionários e entrevistas definiram os procedimentos. Os sujeitos foram definidos considerando como princípio básico estar no ensino superior. As análises preliminares indicaram que as barreiras culturais dificultam a mulher a assumir seu valor enquanto pessoa, relegando a um plano secundário o seu “ser” e que está no âmbito do convívio social o obstáculo para a realização e aceitação do seu corpo. Um agravante no resultado é que àquelas que não atendem os modelos “ideais” de estética impostos, não se consideram femininas.
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Marluce Pereira da Silva, Cássio Eduardo Rodrigues Serafim - UFRN
Gênero, consumo e relações de poder
A pesquisa apresenta uma análise preliminar de um encarte publicitário de uma linha de cosméticos destinada ao público masculino e feminino. Objetiva-se examinar efeitos do poder, em suas configu-rações Biopoder e Biopolítica (FOCAULT, 2003; NEGRI, 2005; AGAMBEN, 2004) nesses textos propa-gandísticos, a partir da utilização de estratégias discursivas que aparecem em enunciados dos anúncios que buscam, sobremaneira, disseminar o consumo como elemento responsável no processo de construção de identidades sociais de gênero (HALL, 2004; BUTLER, 2003). A pós-modernidade ou modernidade líquida (BAUMAN, 2003) não resiste às exclusões, a ponto de incorporar a diversidade, embora se saiba que o espaço da diferença só é legitimado quando cada diferença reconhece a outra como requisito para a sua própria manutenção.
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Martha Celia Ramírez-Gálvez - UNICAMP
Deslocamentos, exclusões e consumo de tecnologias reprodutivas conceptivas
A proliferação de tecnologias reprodutivas conceptivas trouxe o reforço de valores sobre a família consangüínea, num processo de “modernização conservadora”. Com o deslocamento da reprodução da alcova para o laboratório, a concepção deixa de ser um ato privado, de práticas erótico/amorosas para constituir um evento público com participação de terceiros e mediações econômicas e profissionais. Propõe-se discutir a ressignificação da ausência involuntária de filhos, assim como as narrativas divulgadas no país sobre a Reprodução Assistida (RA) que dão sentido aos novos modos de produção da vida. Os dados coletados levaram à necessidade de contextualizar esse campo na inter-relação entre tecno-ciência e capital, na qual o progresso científico é incorporado na figura do tecno-embrião, como empreendimento contemporâneo de mercantilização e consumo biotecnológico. Este campo será colocado em diálogo com a adoção de crianças (por ser esta uma forma tradicional de driblar a ausência involuntária de filhos), com o intuito de explorar os deslocamentos que podem estar associados ao uso de tecnologias para constituição de famílias consangüíneas. Serão comparadas as narrativas sobre a adoção e sobre as tecnologias reprodutivas conceptivas, atentando para os discursos e as adequações entorno do modelo “biológico-natural” de reprodução. Será discutido o lugar das possibilidades de escolha das características dos filhos, oferecidas por cada um destes campos, observando qual o referente para as mesmas.
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Miriam Piber Campos - ULBRA
A mídia colaborando na constituição dos corpos na contemporaneidade
Este texto se constitui de algumas inquietações que foram surgindo, no momento da construção de minha Dissertação de Mestrado em Educação em andamento. E busca apresentar, partindo do pressuposto de que a mídia ocupa uma posição central nos debates contemporâneos, as possíveis aproximações existentes entre essa pedagogia, na constituição dos corpos femininos e masculinos nos dias atuais. Lançando um olhar que, numa perspectiva dos Estudos Culturais e dos Estudos de gênero, faz uma leitura da mídia como uma pedagogia cultural, operando como um currículo paralelo, que ensina modos de ser e agir dos sujeitos. Diante do exposto acima, busco nesse texto ver como os sujeitos fazem parte de uma rede de discursos e aprendizagens, que se relacionam a inúmeras instâncias e práticas culturais que, de algum modo, inscrevem por intermédio da mídia, muitos modos de cuidar, ter e agir dos corpos.
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Neusa Maria Sens Bloemer, Rosemeri Bernardes de Souza - UNIVALI
As percepções corporais das trabalhadoras do pescado em empresas do município de Navegantes (SC)
A inserção da mulher no mercado de trabalho vem sendo discutida por diversos estudos, embora não se tenha dado a importância merecida para as seqüelas corporais adquiridas no processo de trabalho. As mulheres que trabalham nas atividades do pescado no município de Navegantes (SC) percebem que seus corpos sofrem desgastes provenientes das atividades que executam, mas, pouco ou nada podem fazer para minimizar tais deficiências dadas as suas condições socioeconômicas. O trabalho traz para o debate as relações entre corpo, saúde e condições de trabalho conferindo o que pensam estas trabalhadoras sobre o seu próprio corpo.Concluiu-se que a exigência de grande produtividade, aliada às péssimas condições (insalubridade, ruídos, etc) provocam desgastes corporais irrecuperáveis em seus corpos. Constatou-se, ainda que, o poder público da região não fiscaliza o local em que ocorrem tais atividades laborais.
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Nucia Alexandra Silva de Oliveira - UFSC
A beleza que se compra... O gênero que se constrói. Uma análise a partir de anúncios publicitários de produtos de beleza para homens e mulheres
Este trabalho parte da constatação de que homens e mulheres são alvos de discursos mediáticos que utilizam os padrões de beleza para construir e reforçar as diferenças de gênero. Tais discursos genereficados a respeito da beleza podem ser encontrados em diversos espaços e também em diferentes instrumentos, entre eles, os anúncios publicitários. Estes, não apenas vendem produtos, mas idéias e valores do que é, ou não, verdadeiramente, masculino ou feminino. Pretende-se aqui, portanto, apontar e discutir como textos e imagens de anúncios publicitários têm sido elementos importantes na construção e na manutenção das diferenças que hierarquizam homens e mulheres. Cabe destacar que os anúncios analisados foram retirados de revistas publicadas entre os anos de 1950 e 1990. Entre elas estão: O Cruzeiro, Nova, Claudia, EleEla e Playboy.
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Osmundo Pinho - UNICAMP
A integração subordinada: raça e gênero, corpo e consumo na periferia do Rio de Janeiro
Assim como as nações, ou formações sociais, constituem-se na relação problemática e contraditória centro e periferia, grupos sociais também são periferalizados e integrados de modo subordinado às economias dinâmicas do mundo global ou aos espaços nacionais. A integração econômica subor-dinada, efetivada em muitos casos basicamente pela via do consumo e não da produção, é traço característico e marcante de ampla parcela da população brasileira e de largo espectro de contextos sociais, como é o caso do Jardim Catarina, bairro periférico de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Nesta comunicação, apresentaremos resultados de pesquisa etnográfica realizada nesse sítio. Tal investigação tem interrogado os modos objetivos como as práticas e discursos de raça e gênero interagem no ambiente de modernização desigual prevalecente, concorrendo para a reprodução social desigual entre jovens. Nesse ambiente o consumo, como ideologia e prática ativa, desempenha papel fundamental nas narrativas de “si” dos agentes, como esse “consumismo” interage com a pobreza, a raça e o gênero é o que pretendemos discutir.
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Oswaldo Lara, Richard Miskolci - UFSCar
Identidades na revista Vip: uma reflexão sobre os mecanismos midiáticos de subalternização de mulheres e gays
A partir dos resultados da pesquisa Gênero e Mídia – Masculinidades na revista VIP, discutimos como, apesar de situado num contexto mais igualitário, o leitor (jovem e das classes privilegiadas) é posicionado de modo a reiterar a dominação masculina e a heteronormatividade por meio da divisão entre público e privado. A VIP segue um modelo de revista que se apresenta como um guia de compras, característica de uma cultura na qual o consumo se converte em ferramenta de construção da subjetividade. Tal construção tem como foco a auto-estima do homem moderno que, a despeito de qualquer mudança, é representado pela abjeção ao afeminamento e à homossexualidade. Desta forma, a assimetria entre homens e mulheres (e também com relação a gays) é preservada por meio de um imaginário privatizado e apolítico que o próprio formato revista expressa.
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Paula Consoni, Mara Rúbia Sant’Anna
Mulheres tropicais, consumos europeus
O presente estudo analisa a interface cultural entre a experiência vivida no Brasil, entre 1850 e 1890, e os modelos de ser feminino provindos da Europa, com ênfase no consumo do vestuário e na recriação de uma imagem corporal compatível com a desejada. A discussão se ocupará dos objetos consumidos, como estes eram transformados mediante o uso, as estratégias de remodelação do corpo ao modelo europeu e o conjunto desses consumos intervindo na construção da subjetividade feminina das mulheres que o consumiam. As fontes trabalhadas são imagens da época, tanto publicitárias como outras, que abordam o tema e especialmente o trabalho memorialista de Osvaldo Rodrigues Cabral, no que tange ao contexto florianopolitano.
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Rose Mary Gerber - Epagri
"Agora eu quero tudo branco, tá na moda": o consumo no espaço feminino em Ganchos
Este texto aborda algumas reflexões sobre o consumo no espaço feminino em Ganchos, comunidade pesqueira em que trabalhei e vivi durante nove anos, localizada no litoral do Estado de Santa Catarina a, aproximadamente, 50 quilômetros ao Norte da capital, Florianópolis. Com acesso pela BR-101, é conhecida nacional e internacionalmente como reduto da Farra do Boi. Ganchos, embora à primeira vista, e aparentemente, pareça ser um local isolado, há muito convive com questões ligadas ao que se denomina consumo, haja vista ser, na verdade, um porto aberto a constantes entradas e saídas de gente e coisas de fora, de novidades, num exercício continuo de relação entre o local e o global. Neste contexto, o espaço feminino constitui-se, em um lugar privilegiado de exposição para o que se adquire e, portanto, se consume, mostrando o poder de compra de sua dona e permitindo às suas vizinhas uma análise se esta tem o que denominam bom gosto. Desta forma, reflito sobre questões como bom e mau gosto, sobre competições veladas pela aquisição de algum objeto de desejo neste processo acirrado hoje denominado globalização, sobre a casa como lócus de exposição do poder de aquisição de sua dona, além do papel da mídia como referência para as mulheres gancheiras se antenarem e saber o que está na moda. Neste aspecto, apresento algumas percepções acerca de um antagonismo, se posso assim dizer, pois o que se adquire por estar na moda, que tem como uma de suas características ser efêmera, se torna utilizável para sempre, ou pelo menos enquanto durar, assimilando um que de permanente.
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Sandra Rúbia da Silva
Corporalidade, gênero e consumo de tecnologia: a construção de sentidos do masculino e do feminino na publicidade de empresas de telefonia celular
O consumo de tecnologias de comunicação e informação torna-se cada vez mais onipresente na vida dos indivíduos e influencia a construção de subjetividades: quem sou eu sem meu celular e e-mail? Num cotidiano em que o telefone celular torna-se quase que uma extensão do corpo humano, as relações entre corporalidade, gênero e tecnologia merecem reflexão. Através da análise de imagens presentes na publicidade de empresas de telefonia celular, pretende-se explorar como as marcas de gênero se inscrevem nas representações mercadológicas do corpo. A conclusão aponta para diferentes construções de gênero em relação aos modos de viver o consumo de tecnologia, as quais revelam, no plano simbólico, os fluxos de poder que atravessam o capitalismo.
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Viviane Giusti Balestrin, Marlene Neves Strey - PUC/RS
As contradições do ter e do ser: cartografando modos de subjetivação capitalístico
A cartografia que me proponho desenhar atravessa os discursos do cotidiano – aparecendo e se multiplicando – no momento em que problematiza o modo de subjetivação capitalístico. Assim, perseguindo estas linhas, é que vou procurar discutir a relação constitutiva entre consumo, trabalho e subjetividade, buscando mapear modos de fazer, ser, sentir, subjetivar. Explorar quais são os espaços de criação da diferença e da singularidade, bem como, analisar os processos de se fazer como sujeitos, na produção do gênero e da sexualidade marcados nos corpos, fazem parte do desenvolvimento do estudo. Tem sido um grande desafio falar das diferenças e de suas afirmações sem cairmos na lógica do capitalismo liberal. No momento que passarmos a entender o mundo e cada um de nós como seres múltiplos e heterogêneos, poderemos começar a afirmar e, mesmo reconhecer outras subjetividades, outras formas de ser e estar no mundo. Nesse cenário, há também os corpos desviantes, aqueles que desestabilizam as normas sociais, há aqueles cruzam as fronteiras de gênero e sexuais e, há ainda, aqueles sujeitos que decidem viver na própria fronteira em transgressão permanente, sugerindo uma ampliação nas possibilidades de ser e de viver. Os próprios sujeitos estão empenhados na produção do gênero e da sexualidade em seus corpos e ao ousarem se construir como sujeitos nesses espaços, na resistência e na subversão das normas regulatórias, eles e elas parecem expor, com maior clareza e evidência, como essas normas são feitas e mantidas. Nesta pesquisa será central o discurso do cotidiano sobre o consumo – tanto material, como subjetivo, imaterial – e os processos em que ele se constitui, os fios que se enlaçam, a trama que produz, o emaranhado de relações que o perpassam, enfim, a visibilidade aos enunciados, aos jogos e às próprias dobras envolvidas na cartografia que delineio.
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Viviane Kraieski de Assunção - UFSC
Gênero, alimentação e corpo – uma análise da audiência de programas televisivos de culinária
Este trabalho é resultado de uma etnografia de audiência de programas televisivos de culinária junto a mulheres de camadas média e popular. Estes programas – assim como outros produtos midiáticos – veiculam representações hegemônicas de gênero, associando a cozinha ao universo feminino. Neste artigo, demonstro que esse discurso encontra ressonância em grande parte das telespectadoras pesquisadas. Cozinhar é uma atividade considerada feminina, e está relacionada ao afeto e à dedicação da mulher a seu marido e a seus filhos. São da mãe e/ou esposa as principais decisões acerca do consumo alimentar da família. Essas decisões mostram o consumo de alimentos e produtos mostrados nos programas televisivos e a preocupação de conquistar um corpo idealmente saudável e magro.
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