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ST45 - Envelhecimento, representaçoes sociais, saúde e cidadania: perspectivas de gênero

Coordenadoras:     Guita Grin Debert (UNICAMP)
                               Flávia de Mattos Motta (UFSC)
                               Andréa Alves Moraes (UFRJ)

Resumo

O processo de  envelhecimento populacional é uma realidade em virtualmente todos os países e é considerado um dos maiores desafios sociais do século XXI. A questão das diferenças de sexo/gênero está presente na demografia da população idosa e não se limita à superioridade numérica do percentual feminino dessa população. As representações sociais de gênero se expressam e atingem de forma peculiar várias categorias etárias e muito especialmente as populações idosas. As iniquidades de gênero assumem contornos peculiares em se tratando das populações idosas, manifestas nas representações, saúde e cidadania. Tais iniquidades de gênero que atingem a população idosa, são agravadas quando combinadas a outros fatores de exclusão, como classe, raça e escolaridade. Não obstante, o envelhecimento permanece praticamente invisível nas teorias feministas e nos estudos de gênero. O interesse desta proposta é romper com essa invisibilidade e pensar nas formas através das quais as diferenças idade/gerações podem sofisticar a análise das diferenças sexo/gênero. Propomos uma agenda de discussão que aborda a interface genero/envelhecimento em relação as seguintes linhas de pesquisa:
-   Saúde e qualidade de vida; políticas públicas voltadas para as necessidades de indivíduos e sociedades que envelhecem; vulnerabilidade, meio ambiente e promoção da saúde. 

  1. Exclusões, desigualdades, direitos e cidadania.

  2. Cultura, feminismo e tecnologias do rejuvenecimento.

  3. Representações sociais.

  4. Família e curso de vida.

  5. Sociabilidades, sexualidades e afetividades.

  6. Maus tratos, abuso e violencia interpessoal e institucional.


Trabalhos

Ana Lúcia de Miranda Martins - UnB/UNIEURO
Mulher e envelhecimento: resignificando identidades
Este trabalho integra o projeto de pesquisa desenvolvido pela Coordenação do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Unieuro. Integrando docentes e discentes dos cursos da área saúde com a população de idosos, o projeto intitulado “Atividade na Melhor Idade” tem como objetivo a promoção da saúde e da qualidade de vida do idoso. Nesse contexto, foi desenvolvido um trabalho psicológico preventivo a partir da implantação de um grupo de apoio e promoção da saúde mental da mulher idosa. Portanto, este artigo trata-se de um relato de experiência que tem como objetivo apresentar os resultados da pesquisa-intervenção que se voltou para a investigação do processo de re-significação da identidade feminina diante do envelhecimento. A partir da perspectiva de gênero, enfocou-se a análise das falas das participantes do grupo sobre o ser mulher e experenciar o envelhecimento. Por fim, são feitas sugestões sobre o trabalho psicológico no grupo de apoio como espaço reflexivo onde as mulheres idosas podem articular e reinterpretar o passado no presente.
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Ana Maria Marques - UFSC/UNIVALI
Bazares, bailes e festas – mulheres mostram que (não) tem idade
O sentido ambíguo do título aponta para mulheres, de diferentes classes sociais e idades, que dedicaram tempo à filantropia, a ensinar e aprender, a proporcionar divertimento e se divertir, a produzir utilizando seus dotes de “prendas” para angariar fundos e/ou mostrar suas habilidades... Através de alguns depoimentos, de recortes de jornais e de literatura é possível dar visibilidade a essas mulheres que, de uma maneira muitas vezes considerada como menor ou de bastidores dos espetáculos inaugurados pelos homens, construíram uma história do envelhecimento, de si e dos seus convivas, na Santa Catarina das últimas três décadas do século XX. São elas: voluntárias, assistentes, religiosas, internas em instituições ou participantes de associações para idosos. Ricas, de classe média ou pobres, elas representações de envelhecimento.
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Andréa Moraes Alves - UFRJ
Algumas reflexões sobre sexo, idade e cor
Este trabalho discute as relações entre as classificações etárias e as classificações étnicas e de gênero. Essas interações nos ajudam a refletir sobre alguns desafios contemporâneos da pesquisa sobre envelhecimento. A preocupação principal do trabalho é a de formular alguns questionamentos sobre a forma como o envelhecimento vem sendo trabalhado nas pesquisas em ciências sociais, mostrando que a articulação com as investigações sobre etnia e gênero pode ser valiosa para avançar nos estudos e derrubar alguns mitos que ainda cercam a velhice em nossa sociedade.
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Cristina Vianna Moreira dos Santos, Gláucia Ribeiro Starling Diniz - UCG/UNIP
Gênero e saúde mental no climatério
As crenças em torno do envelhecimento feminino sugerem que a partir do período em que as mulheres entram no climatério, elas sofrem um declínio progressivo em traços valorizados socialmente, tais como beleza, força, produtividade e valor como sujeito social. É necessário apontar que mulheres no climatério tendem a ser mais medicalizadas com ansiolíticos, sedativos, antipsicóticos e antidepressivos do que mulheres em outras faixas etárias e homens nesta mesma etapa de vida. Este trabalho pretende discutir a promoção da saúde mental de mulheres no climatério. No contexto de um projeto voltado para a saúde mental de mulheres na meia-idade, a valorização da experiência de vida, o fortalecimento da auto-estima e a autovalorização são vistos como dimensões fundamentais na prática psicológica em uma perspectiva feminista.
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Francine de Souza Vieira, Mara Rúbia Sant'Ana
Moda feminina na terceira idade
A presente comunicação discutirá o sujeito idoso a partir de seu perfil como usuário ou não do vestuário de moda, compreendendo nesta abordagem que o que se veste funciona como elemento de construção de sua identidade com o grupo etário. Esta pesquisa foi produzida a partir de entrevistas com senhoras participantes de grupos de 3a. idade de Florianópolis e de estudo das ofertas disponíveis no comércio local. Contudo, mais que quantificar a proposta investigatória foi a de compreender como a escolha do que vestir e a relação com o novo e original que o produto de moda oferece foram operacionalizados por pessoas que tem a experiência da velhice numa sociedade que cada vez mais a busca ressignificar. Desta forma, entre as diferentes maneiras de analisar quem são os idosos do século XXI, optamos por pensá-los a partir de seus gostos vestimentares, de sua relação com o conceito de moda e seu papel na economia do setor têxtil.
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Giovana Abegg, Luiz Carlos Barbosa Rodrigues, Maria da Graça Soler Rodrigues - FURG/Universidade de Pato Branco
A sexualidade na terceira idade sob o olhar dos participantes do grupo de idosos Papimar
As mudanças ocasionadas pela terceira idade produzem perturbações no equilíbrio e requerem adaptações, pois, o surgimento de novas situações e experiências marcam significativamente a vida do idoso, trazendo sentimentos como a desvalorização. Muitas vezes a sociedade contribui para que o idoso tenha este sentimento, pois, os idosos sempre foram imaginados como aqueles que estão se despedindo da vida: aposentou-se do seu trabalho, de sua função, aposentou-se da vida. Este preconceito de concepção da sociedade acaba por privar os idosos de varias coisas como a sexualidade e o lazer (SANTOS, 2003). O sexo na terceira idade esta envolto em preconceitos, delírios de grandeza, complexos e frustações, mas a terceira idade não é necessariamente uma barreira para uma vida sexual normal. Procurou-se com este estudo delinear a sexualidade na terceira idade sob o olhar dos participantes do Grupo de Idosos Papimar do município de Mariópolis-PR.
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Jaqueline Ap. M. Zarbato Schmitt - UNISUL
Agora sou livre, tenho autonomia”: histórias de vida de mulheres viúvas em Florianópolis
Neste texto será apresentada a pesquisa com mulheres viúvas que participam de grupos de convivência. Nesses grupos, a maioria das participantes são mulheres, que utilizam o tempo em que estão juntas para realizar várias atividades lúdicas, de dança, entre outras. Percebe-se nas narrativas das mulheres viúvas que somente após a viuvez conseguiram ter mais autonomia, escolhendo suas atividades preferidas. Deste modo, a pesquisa busca analisar a construção da relação conjugal como algo que subjuga a autonomia da mulher, e a construção da identidade após a perda do companheiro. De modo que, os estereótipos em relação ao relacionamento a dois, a “liberdade” ganham novas conotações sociais.
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Monica Siqueira - UFSC
Sou senhora – um estudo antropológico sobre travestis na velhice
A presente proposta de trabalho que basea-se em minha dissertaçao de mestrado, intitulada “Sou senhora – um estudo antropológico sobre travestis na velhice”, apresentada, em 2004 ao PPGAS/UFSC, tem como objetivo apresentar alguns resultados da pesquisa em questão. O foco central de análise foi o de descortinar, a partir do levantamento de suas histórias de vida, alguns significados e implicações do processo de envelhecimento para esses sujeitos. A pesquisa etnográfica foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, entre os meses de fevereiro a abril de 2003. Em termos gerais, concluimos que, ao mesmo tempo, que procuram construir uma representação até certo ponto positiva da velhice, envelhecer pode significar também para esse grupo em questão, atingir um “status superior” perante o grupo mais amplo de travestis e, num sentido mais abrangente, perante a sociedade como um todo, revelado principalmente pelo fato de serem confundidas com senhoras em suas relacões cotidianas.
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Silvia Maria Azevedo dos Santos, Theophilos Rifiotis - UFSC
Masculinidade no envelhecimento.  O caso dos homens idosos no papel de cuidadores familiares
Trata-se de uma reflexão sobre a dimensão de gênero entre casais de pessoas idosas em que um dos cônjuges é portador de síndrome demencial. A análise está baseada numa pesquisa realizada com 12 famílias em São Paulo e Campinas cujo objetivo era investigar o papel de cuidador de idosos portadores de síndromes demenciais no contexto familiar e os significados dessa experiência. Na presente comunicação enfocamos um dos aspectos observados nas famílias pesquisadas que é a forte presença de homens atuando como cuidadores de suas esposas. Pretendemos assim discutir a dimensão do gênero no envelhecimento, enfocando a masculinidade, nos contextos de grande fragilidade e dependência procurando identificar as suas especificidades. Destacamos desde logo que as síndromes demenciais são neurodegenerativas e mais prevalentes entre mulheres, o que se torna particularmente significativo com o aumento da longevidade na nossa sociedade. Os homens idosos estudados fazem parte de uma coorte na qual predomina o trabalho como base identitária, foram socializados como provedores autônomos, e aqueles a quem se deve retribuição e cuidado quando se encontram idosos, doentes ou dependentes, e sabe-se que não foram preparados para serem cuidadores. O lugar de cuidador, mesmo sendo atribuído às mulheres (cuidadoras do marido, dos filhos, dos netos, dos pais e dos doentes), era desempenhado por homens idosos, que assumiam os cuidados das esposas não apenas pela proximidade física, mas como resultante da cumplicidade desenvolvida ao longo do convívio mútuo, dos vínculos afetivos e da compreensão de que esse era seu dever para com a sua esposa. Muitas vezes eles o faziam, também, pela necessidade de ajudarem um ao outro a enfrentarem os problemas de saúde, de carência material e financeira que não os permitia contratar apoio profissional, tampouco queriam solicitar a ajuda de filhos ou amigos, o que os levava a desenvolverem estratégias específicas de atenção e cuidado. Nesse cenário é importante lembrar as demências são no início insidiosas, mas com progressão lenta e gradativa, o implica numa crescente intensidade e complexidade dos cuidados. O supervisionar ou auxiliar no desempenho das atividades básicas e instrumentais da vida diária são ações de cuidado que os maridos conseguiam fazer com certa desenvoltura. Somente quando o quadro era agravado e a dependência da portadora era mais importante ou total que eles necessitaram de ajuda, que na maioria das vezes foi oferecida pelos filhos(as), noras, netos, ou contratada (empregadas domésticas ou cuidadores especializados). Mesmo assim os maridos permaneceram sempre próximos a participantes do cuidado naquilo que eles sabiam ou conseguiam fazer, ainda que fosse apenas fazer companhia para suas esposas quando essas se encontravam internadas. Em conclusão, entendemos a pesquisa demonstra a necessidade de ampliarmos os estudos sobre a especificidade do gênero no envelhecimento especialmente em situação de fragilidade e dependência.
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Simone Vaisman Muniz - UFRJ
Envelhecimento saudável: discursos, condições e contradições
A proposta deste trabalho é tratar da problematização moral em torno da divisão do curso de vida em etapas cronológicas, a saúde e a constituição do “eu” na sociedade ocidental contemporânea. Quais as transformações nas memórias sociais hegemônicas sobre a velhice no campo da saúde? Em que medida esses novos discursos contribuem para a emergência de outras formas de produção de subjetividade? Para discutir essas questões, farei uma análise, baseada na metodologia da Análise Crítica do Discurso, das marcas discursivas presentes em informativos sobre o envelhecimento saudável, como a campanha intitulada "O que é o geriatra?", atribuída à Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG, 2003). Ela ajudará a relacionar espacialmente as estratégias de produção de modelos de envelhecimento e de saúde à construção do “eu”.
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Terezinha Campos - UNIVALI
Envelhecimento e lazer sob a perspectiva das relações de gênero
Esta comunicação baseia-se na dissertação de mestrado “Lazer e Terceira Idade: contributos do Turismo no âmbito do Programa Clube da Melhor Idade” defendida em 2003, no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Universidade Estadual de Campinas. Seu propósito fundamental é pontuar informações oriundas da pesquisa empírica empreendida que destacam algumas reflexões acerca da relação gênero e lazer entre os sujeitos investigados (adultos idosos), segundo suas próprias percepções. Tal contexto elege ainda as variáveis idade, renda e saúde como aspectos importantes da reflexão.
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Vanessa Silva Cardoso
Envelhecimento e diferenças de gênero: postura de casais idosos frente ao processo de envelhecimento
O presente trabalho teve por objetivo caracterizar as concepções e os sentimentos advindos do envelhecimento, de cada um dos cônjuges do casal de idosos. Utilizou-se da abordagem da pesquisa qualitativa, sendo entrevistados onze casais, totalizando vinte e dois participantes. Os instrumento para a coleta de dados foi a entrevista semi-estruturada. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo do tipo categorial-temática. O pensamento sistêmico e a teoria do ciclo vital foram os suportes teóricos que sustentaram a análise dos resultados. Dentre estes se salienta que as diferenças de gênero ficaram evidentes em torno da concepção do envelhecimento e da aposentadoria. Conclui-se que a postura masculina diante do processo de envelhecimento se delineou a partir de sentimentos de aceitação do mesmo e as mulheres apresentaram sentimentos que oscilaram entre a superação do medo e de vitória frente aos obstáculos da vida.
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