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ST47 - Gênero, Religião e Poder

Coordenadoras:     Eliane Moura da Silva (Unicamp)
                               Marili Bassini (Unicamp)

Resumo

A questão da presença e participação de mulheres como criadoras e líderes de movimentos religiosos é um dos pontos de discussão sobre a relação Gênero e Religião. Pesquisas recentes demonstram que nas grandes religiões institucionalizadas, as lideranças femininas acabam sempre marginalizadas. Esta marginalização determina as opções das lideranças das mulheres, o acesso educacional e as relações com as estruturas institucionais. Em religiões e cultura altamente masculinizadas e patriarcais, as mulheres podem ser vista como incapazes de atingir os objetivos religiosos máximos, sendo negado a elas o exercício das lideranças nas formas rotineiras e institucionalizadas das religiões. O objetivo deste simpósio temática é discutir as relações entre gênero, teologias e poder nas instituições religiosas."


Trabalhos

Alderléa Lino Braz de Macêdo - UEPB
A mulher e seu poder na Igreja Católica
A partir de nossas experiências vivenciadas no âmbito da Igreja Católica, percebemos que a mulher tem seu espaço limitado a alguns funções supostamente inferiorizadas em relação ao homem, nas posições sacerdotais.É diante deste abuso de poder tradicional que inferioriza a vocação social e eclesial das mulheres, que temos como objetivo ampliar a investigação na relação de gênero existente no âmbito da Igreja Católica no que se refere aos papeis de poder da mulher evidenciando seu ponto máximo de execução de cargos e suas limitações. Propomos-nos em colaborar no estudo desta realidade,a partir dos debates realizados no grupo de pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba Flor e Flor, ao qual fazemos parte.
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Ana Claudia Figueroa - Metodista/RS
Poder feminino Kanamari no ritual do Kohanan
O ritual do kohanan é uma festa entre os kanamari que tem função de fomentar o espírito colaborativo em uma das estações do ano, estratégico na constituição dos sistemas de manutenção alimentar das aldeias kanamari. O papel feminino, a sua função social, neste ritual é objeto de investigação do trabalho a ser apresentado.
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Camila Alves Machado Sampaio - UERJ
A cabeça e o pescoço: constituição do masculino e do feminino entre lideranças evangélicas
Em uma favela da cidade do Rio de Janeiro em que a maior parte dos moradores é composta por adeptos de religiões pentecostais e neo-pentecostais, as lideranças evangélicas destacam-se por sua atuação e influência cotidiana. Sob um primeiro olhar, nota-se uma tradicional divisão de papéis de gênero, em que o lugar social destinado aos líderes masculinos relaciona-se ao âmbito do público e às lideranças femininas o destaque está em uma lógica complementar no plano familiar e mais intimista. Entretanto, as relações estabelecidas a cada dia, as negociações e arranjos sociais são mais sofisticados e criam outras categorias de definição do masculino e feminino para essa população. A observação participante e a realização de entrevistas têm fornecido instrumentos para a análise da dinâmica dessas relações de gênero que definem diretrizes para a atuação na vida em família, em comunidade e na política.
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Cândida Martins Pinto, Fabrícia Cavichioli
A mulher e o ofício eclesiástico: um assunto abordado numa aula de português para hispanofalantes
O objetivo desta comunicação é mostrar uma aula de leitura de português para hispanofalantes, ministrada no Laboratório Português Língua Estrangeira (UFSM – RS). Essa aula teve como finalidade enfocar o gênero feminino em relação às práticas religiosas, ou seja, a exclusão da mulher do ofício eclesiástico. Esse texto mostra que a “tradição” de não ordenar mulheres sacerdotes não faz parte da verdadeira Tradição da Igreja Católica porque se deve a preconceitos muito enraizados e persistentes. Assim, mostrar-se-á um processo de construção de uma unidade de ensino de leitura e a relação entre gênero e cultura. Dessa forma, a apresentação será embasada nos fundamentos de Aebersold e Field (1997), que discutem a teoria da leitura a partir de três momentos: fase de pré-leitura, de leitura propriamente dita e fase de pós-leitura.
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Caroline Jaques Cubas - UFSC
Por baixo dos panos: inserção social e vida religiosa na Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição (1960-1990)
A realização do Concílio Vaticano II, entre 1961-1965, trouxe em sua proposta de renovação a institucionalização da necessidade de inserção social por parte dos religiosos e religiosas, os quais passariam a atuar em outros setores, cujas preocupações fugiam das questões exclusivamente espirituais. Dentro deste contexto, a partir de uma troca epistolar ocorrida ao longo do ano de 1989, analisamos o significado de tais transformações dentro da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Estas cartas, trocadas entre uma postulante da CIIC e um seminarista capuchinho, possibilitam-nos problematizar os sentidos atribuídos à vida religiosa feminina, à inserção social, ao engajamento político e às preocupações em torno do processo da profissionalização das irmãs em outras áreas de atuação, engendrado na década de 1950 pelo projeto nacional desenvolvimentista brasileiro.
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Janaína Marchi - UFSM
Mulher: a cúmplice perfeita de Satã
Uma certa ambigüidade entre os sexos a favor do masculino marcou o pensamento do Ocidente Medieval. Visão essa, resultado de um forte sentimento antifeminista associado, principalmente, a questões referentes ao pecado mortal da luxúria, que, segundo os clérigos, residia única e exclusivamente no corpo feminino. Esse discurso, com base teológica e filosófica, criado e sustentado pelos ascetas cristãos e disseminado pelos mesmos através de sermões, tinha como finalidade a normatização do comportamento e subjugação do corpo feminino. Esse trabalho tem como objetivo resgatar o discurso misógino da Igreja Católica e a construção desse modelo de submissão feminina.
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Juan Guillermo Figueroa Perea
¿Tiene sentido el ejercicio de los derechos sexuales en la tradición católica?
En este texto se pretende problematizar la percepción que se tiene de que la opinión de la iglesia católica en el ámbito de la sexualidad puede captarse simplemente a través de la voz de algunos jerarcas, ignorando las prácticas ampliamente difundidas entre los creyentes y las diferentes interpretaciones teológicas que existen en esta institución. El texto busca visibilizar una serie de lecturas existentes dentro de esta institución, la cual se encuentra muy lejos de tener un modelo normativo único y homogéneo, como a veces pretende mostrarse a través de los discursos oficiales de la misma. Se recuperan varias interpretaciones menos conocidas, tanto por sus importantes coincidencias con el discurso de los derechos humanos como porque tienen legitimidad, de acuerdo a la normatividad de la propia institución. Se parte de la hipótesis de que las enseñanzas sobre sexualidad transmitidas a partir de modelos normativos hegemónicos de esta institución pueden violentar algunos derechos humanos de las personas en el ámbito de su sexualidad, tanto por discriminación como por omisión, pero además que llegan a contradecir las mismas enseñanzas de esta tradición católica y de sus actualizaciones normativas más recientes. Lejos de tratarse de una diferente aproximación ideológica respecto a los códigos seculares vigentes en la sociedad, la hipótesis del texto es que se trata de un ejercicio del poder institucionalizado, al que denominamos ‘negligencia pastoral’. En este texto interesa explorar las nociones de responsabilidades de los intérpretes de la religión católica y de los derechos de quienes se consideran creyentes de la misma. Para ello se analiza la forma en que el empoderamiento de las personas creyentes de esta tradición religiosa, a través de lo que denominamos ‘ciudadanía religiosa’, podría contribuir a reconstruir las condiciones de posibilidad para el ejercicio de sus derechos en el ámbito de la sexualidad.
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Laila Andresa Cavalcante Rosa - UFBA
As juremeiras da Nação Xambá: religião, música e poder
A predominância da liderança feminina é marcante neste culto de origem indígena que foi assimilado ao contexto dos terreiros de candomblé a partir das migrações rurais. A Jurema é considerada de ‘esquerda’, antiga ‘baixa magia’, ‘macumba’ ou ‘catimbó’, similar à concepção medieval de bruxaria, que de certo modo se atribui às mulheres que estão à sua frente. Contudo, embora estejam em destaque no culto, existem muitos ‘não-poderes’ tanto no âmbito ritual como no musical, em que estas se deparam pelo fato de serem mulheres. Este trabalho reflete um pouco sobre essa atuação feminina, seus poderes e ‘não-poderes’ em relação à atuação masculina e também a sua relação com o universo das distintas entidades do sexo feminino que vão de singelas caboclas crianças às mestras de larga experiência amorosa que ‘em vida’ foram prostitutas.
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Mairon Escorsi Valério - UNICAMP
Mulheres de deus: uma reflexão sobre o estereótipo feminino nos murais da libertação da prelazia de São Félix do Araguaia
Este trabalho tem a pretensão de refletir sobre a imagem da mulher nos murais da libertação, pintados por Cerezo Barredo, sacerdote espanhol radicado na América Latina e ligado à teologia da libertação. Estes murais ocupam a centralidade dos espaços nas Igrejas da Prelazia de são Félix do Araguaia e em boa parte deles a mulher é colocada como personagem secundário do fato, acontecimento ou dimensão de sagrado exposto pelas pinturas. A intenção é perceber o estereótipo feminino retratado e buscar entender o que compõe o feminino para a cultura religiosa fomentada pela pastoral da Prelazia dirigida por D. Pedro Casaldáliga, e como isso reflete as relações de poder entre os gêneros, apesar do discurso libertador da mulher dentro da teologia da libertação.
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Paulo Henrique Martins, Rita de Lourdes de Lima - UFRN/UFPE
As mulheres no catolicismo
No catolicismo, as mulheres sempre ocuparam o segundo lugar. Contudo, ao longo da história, Maria foi tornando-se uma figura central no Catolicismo. Este trabalhou analisou o imaginário católico-mariano do movimento dos Focolares na vida das mulheres da Ilha de Santa Terezinha (Recife-PE). Partimos da hipótese que a exaltação do mito de Maria, poderia contribuir para a emancipação das mulheres. Realizamos 9 entrevistas e utilizamos outras fontes primárias. Constatamos que existe uma contradição entre a “Maria real” e o “mito Maria”, devido à inserção no mercado de trabalho ou da necessidade de reconstruí-la com outro companheiro. Ao mesmo tempo, existe um processo de identificação entre o “mito Maria” e a “Maria real” através da exaltação da paciência e resignação no dia a dia. As mulheres se encontram entre dois modelos: um, semelhante ao mito Maria, paciente, resignada; outro que, na luta pela sobrevivência, aprende a lutar pela igualdade entre os gêneros e não se adequa mais a este modelo.
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Sandra Duarte de Souza - UMESP
Mulheres em trânsito: descompromisso religioso na sociedade contemporânea
O trabalho insere-se no contexto dos estudos sobre a movimentação religiosa produzida pela Modernidade. Enquanto as instituições religiosas têm demandado um compromisso permanente do “fiel” para com um sistema simbólico particular, o sujeito de fé tem feito suas próprias combinatórias simbólicas, transitando em diversas expressões religiosas e apropriando-se de significantes específicos de acordo com suas necessidades. O trânsito religioso de mulheres é um indicador latente dessa recomposição religiosa. Buscando formas alternativas de representação simbólica, essas mulheres têm produzido suas próprias combinatórias, criando suas próprias representações de Deus. A menor presença de mulheres em situações de poder religioso institucional tem facilitado esse trânsito, devido não estarem necessariamente comprometidas com a manutenção de um modelo tradicional específico. Nosso objetivo é o de identificar e analisar as motivações de mulheres que experimentam o trânsito religioso e que desenvolvem uma religiosidade sem compromissos permanentes com uma instituição específica. Além de pesquisa bibliográfica, realizamos pesquisa de campo no entorno social da Universidade Metodista de São Paulo - UMESP. Dentre os resultados e conclusões, ainda parciais, estabelecemos um quadro com os principais motivadores do trânsito de mulheres e com as várias concepções de sagrado manifestadas pelas entrevistadas, o que revelou a conformação de uma ética menos centralizada nas instituições religiosas, bem como a fragmentação do poder identitário da autoridade religiosa.
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Simone da Silva Costa
Mulheres em defesa da ordem: um estudo do núcleo noelista da Paraíba – (1930-1940)
Com a instalação do governo pós-revolucionário (1930), e juntamente com ele incertezas e ameaças contra o mesmo, a exemplo de movimentos revolucionários e a incidência de idéias comunistas, fizeram com que Estado e Igreja unissem em defesa de uma ordem que de um lado, queria instaurar e do outro que queria manter. Com a mesma preocupação, a Igreja amplia sua ação social no sentido de colaborar com os esforços do governo e começa a apoiar e incentivar núcleos com fins assistencialistas contra o “perigo vermelho”. Dentre esses núcleos, o Noel, vai ser não somente, bem visto pela Igreja como bem aceita a sua fundação, em que as senhoras, colocam em prática suas ações, que possuem o mesmo objetivo controlador. Estudar as noelistas na Paraíba é compreender as suas relações dentro do contexto político, social e religioso da época. Dessa forma, temas como cultura feminina (comportamento), neocristandade, comunismo, assistencialismo e política de controle social perpassam o estudo. Abrangendo mulheres das classes mais elevadas da sociedade, o núcleo se limitava a formar e unir uma elite cristã, preocupada com a formação moral e social do segmento feminino paraibano. O mesmo também pretendia a uma formação intelectual, enquanto movimento católico de cultura e ação. O núcleo tinha como práticas, obras de vocação sacerdotais, de catequese e de assistência social. As práticas noelistas foram não só, bem aceitas pela Igreja Católica, mas, utilizadas como práticas de recristianização da sociedade, assim como movimento de ordem e controle social.
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