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ST49 - A construção dos corpos: violência material e simbólica

Coordenadoras:     Cristina M. T. Stevens (UnB)
                               Cintia Schwantes (UFPel)

Resumo

O debate hoje se adensa de modo promissor  sobre a  construção do próprio sexo biológico, que tem sido considerado, no binômio sexo/gênero como um princípio não problematizado. Desde os anos 1980, entretanto, os feminismos vem apontando, como o fez Nicole Claude Mathieu , para os processos de diferenciação dos sexos, o que abriu as perspectivas para se pensar os pressupostos da própria binariedade dos sexos, até então inquestionável. A problematização  que se desenha é, portanto, ligada à modelagem dos corpos em corpos sexuados, em corpos normatizados, em corpos construídos feminino/masculino, através de inúmeras formas de violência, material e simbólica. Material na injunção à norma sob penas diversas, da morte à exclusão; simbólica nos sentidos e papéis atribuídos aos corpos sexuados, delimitando espaços em campos de poder. Seria o corpo uma superfície pré-discursiva, pré-existente, que sofre as coerções, as disciplinas, a modelagem social? Seria o corpo esta carne despojada, vestida pelas fibras culturais que lhe conferem forma? Ou seria o corpo construído em história, em relações múltiplas , em magmas de significações sociais impensáveis em nossas grades de interpretação do mundo?  O que nos interessa é perfurar os horizontes epistemológicos que enclausuram o pensamento e nos retiram as condições de imaginação para repensar o mundo. Nos grilhões do binário percebemos a violência da construção dos corpos, o traçado dos destinos biológicos, a trilha unívoca da percepção do mundo. O debate, afinal, expressa o dinamismo da análise, o desejo de transformação. Metodologia: as manhãs seriam dedicadas à exposições individuais em mesas redondas e as tardes, seria organizada uma rodada de discussões em torno de temas a serem indicados previamente, entre as feministas inscritas neste simpósio.


Trabalhos

Alexsandra Maria Ferreira da Silva - UnB
Margareth Atwood: quebrando o círculo
O foco desta comunicação é o terceiro romance de Margareth Atwood, Madame Oráculo. Atwood, apropriando-se de elementos narrativos recorrentes na ficção gótica não clássica, mostra um corpo aprisionado, um Castelo em que a protagonista tenta se libertar à medida que toma consciência de si mesma. Nesta leitura, proponho uma reflexão do corpo feminino: problemas causados pelo patriarcalismo e como uma consciência feminista pode resistir à representação de paradigma feminino.
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Aline Godois de Castro Tavares - UNICAMP
Imagens da zona: a construção de identidades pelo movimento organizado de profissionais do sexo
Este trabalho é fruto de uma pesquisa de mestrado em andamento desde o início de 2006 que visa analisar o processo de construção de imagens e identidades da “prostituta” pelo Movimento Organizado de Trabalhadoras do Sexo na década de 80 do século XX. Nesta apresentação irei abordar algumas das características desta “construção de si” feita por este segmento e analisar a disputa de poder existente dentro desta construção discursiva, ou seja, procurando entender com quais correntes discursivas esse movimento organizado está dialogando e como que, dentro do tempo presente, está sendo criada uma imagem paradoxal da mulher prostituta.
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Ana Carolina Arruda de Toledo Murgel - UNICAMP
Entre Capitus, Gabrielas, Tigresas e Carolinas: o olhar feminino na canção popular brasileira contemporânea
A proposta do trabalho é analisar alguns exemplos da produção feminina na música popular brasileira contemporânea, a partir de uma observação da poeta e feminista Alice Ruiz, em artigo do início dos anos 1980, de que, por a História ter sido escrita pelos homens, as mulheres seriam o que os escritores e compositores do sexo masculino diziam que elas eram: Capitus, Gabrielas, Carolinas e Tigresas. Foram várias as imagens femininas construídas por poetas e letristas e incorporadas como “ideal feminino”. Alice propunha que uma nova ótica deveria ser criada sobre as mulheres por elas mesmas. Pergunto, vinte e cinco anos depois desse artigo, o que terá mudado nessa construção? O que as mulheres dizem sobre si, no âmbito da canção popular? O que busco discutir é a forma como as compositoras trabalham em suas letras o corpo feminino e como se dá a representação do sujeito e das subjetividades femininas pelas mulheres compositoras.
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Ana Liési Thurler - UnB
A construção de corpos sexuados e a resistência das mulheres: Juana Inés de la Cruz e Frida Kahlo
Os processos de construção corporal sexuada têm buscado condicionar as mulheres para a aprendizagem da dessimetria. A sexualização dos corpos não se dá pela anatomia, mas pelo enquadramento em uma ordem social androcêntrica e heterossexual. As práticas discursivas refletem e produzem corpos e modalidades de ser-no-mundo, para mulheres e homens. Desejo destacar a não-linearidade desse processo que tem encontrado a resistência persistente das mulheres. O trabalho apresentará dois casos latinoamericanos emblemáticos dessa resistência: Juana Inés de la Cruz (1651-1695) e Frida Kahlo (1907-1953). O trabalho pretende contribuir para a instauração de rupturas com padrões epistemológicos fundados em díades e univocidades, ao valorizar, na produção de conhecimento transformador, a experiência de vida das mulheres e a história social e cultural.
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Ana Patrícia Valença Orlando, Elaine Romero - UNISUAN/UFRJ
Mulheres idosas na natação master: desconstruindo identidades generificadas
As mulheres idosas atuais viveram em épocas de grande repressão e discriminações sociais propiciando-lhes sentimentos de inferioridade e menos valia, culminando na baixa auto-estima, estreitamente vinculada às relações de gênero. Considerando que a prática da atividade física atua como propulsora de auto-satisfação, o objetivo do trabalho foi averiguar de que forma a natação master contribui na desconstrução da identidade social de mulheres idosas melhorando-lhes a auto-estima. A metodologia, de cunho fenomenológico, faz uso de entrevistas, reportadas à análise de discurso. Participaram 19 nadadoras com idade entre 65 e 89 anos. Os dados sinalizaram a significativa contribuição da natação master como meio social facilitador da melhora da auto-estima e da desconstrução social, sendo fundamental para a saúde física e emocional das atletas. A análise pela ótica de gênero, permitiu concluir que essas idosas contrariam preconceitos e estereótipos a elas estabelecidos pela sociedade.
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Carmen Lúcia Soares - UNICAMP
Da menarca ao debate sobre gênero: a educação do corpo feminino na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (RBCE)
A instituição esportiva e mesmo a Educação Física podem ser compreendidas como cidadela masculina, como arena masculina, lugares em que se perpetuam hierarquias de gênero(TERRET, ROGGER, LYOTARD et SAINT–MARTIN, 2005). Essa pesquisa, contudo, não tem qualquer pretensão de escrever uma historia das relações entre a mulher e o esporte ou mesmo das relações entre a mulher e a Educação Física. Seu foco central é a educação do corpo feminino nas paginas da Revista Brasileira de Ciências do Esporte (RBCE). Cabe salientar que a instituição Cientifica Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) e seu principal veículo de divulgação de trabalhos de pesquisa, a RBCE, nascem na década de 70, período marcante para os estudos de gênero e de participação feminina na vida publica. É esse, portanto, o recorte temporal dessa pesquisa.
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Cátia Pereira Duarte - UFJF
A influência dos espaços utilizados nas aulas de educação física na construção dos corpos das crianças da educação infantil
Diante da necessidade de construir um currículo para a educação infantil na escola, questiona-se: Como os espaços físicos utilizados nas aulas de Educação Física poderiam influenciar a construção dos corpos das crianças? E a partir daí: Quais seriam as evidências que mostrariam as relações entre os espaços e o processo de construção dos corpos dos/as alunos/as? Quais seriam as concepções de corpo adotadas pelas professoras que trabalhariam com esta faixa etária? Pretende-se identificar e compreender a influência dos espaços das aulas de Educação Física nas construções dos corpos das crianças e, através de um estudo exploratório de cunho etnográfico, identificar as re-significações dos espaços das aulas de Educação Física para os discentes e os docentes desta disciplina, levantando pistas para pesquisas interdisciplinares.
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Cíntia Schwantes - UnB
O corpo como instância de aprendizado em Martha Quest
O romance Martha Quest, de Dóris Lessing, é o primeiro da série Children of Violence, um Bildungsroman feminino que acompanha o processo de formação de sua protagonista ao longo de quatro décadas. No primeiro volume da série vamos encontrar todos os passos de um romance de formação, e a maneira como Martha, então no final da adolescência e início da idade adulta, se relaciona com seu corpo e como ele é recebido por família, amigos e vizinhos, faz parte de sua formação como mulher. Assim, o corpo é instância de formação. Longe de ser uma tela branca onde se inscrevem significados vários, o corpo de Martha significa por si mesmo. Através dele, podemos acompanhar o tortuoso processo de formação de uma mulher em um país periférico e colonizado.
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Cláudia Maia - UnB/UNIMONTES
O corpo celibatário
No Brasil das primeiras décadas do século XX o celibato feminino parece ter emergido como um problema à instauração e a plena vigência do casamento, da família conjugal, da heterossexualidade e de um modelo imaginário de mulher. Permanecer solteira significava, nesse sentido, uma recusa ao “contrato de casamento” que implicava a subordinação política das mulheres e apropriação de seus corpos para uso exclusivo do marido e da maternidade. Não obstante, as celibatárias tiveram seus corpos objetivados, utilizados na construção de sentidos e transformados em objeto de saber/poder. Este trabalho analisa a construção discursiva do corpo celibatário em discursos que circularam em Minas Gerais (1909-1946) e se imbricaram na construção de gênero e de representações sobre maternidade, abstinência sexual e de corpos femininos como doentes e inúteis.
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Cristina M.T. Stevens - UnB
O corpo da mãe: uma ausência presente na literatura
A partir de uma perspectiva psicanalítica, buscamos entender a ausência da mãe na ficção, bem como a utilização da temática da maternidade de forma desafiadora por escritoras inglesas contemporâneas. Essa produção ficcional confronta a construção cultural patriarcal da maternidade e recusa a biologia da maternidade como definidora, desvantajosa e discriminadora para a mulher; expõe as fragilidades do paradigma edipiano e aponta para outras economias psicológicas e narrativas que buscam entender a matrofobia, a mariologia, a somatofobia. O objetivo seria contribuir, através da literatura, para uma perspectiva feminista sobre as implicações biológicas e as construções sócio-culturais da experiência da maternidade.
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Diva do Couto Gontijo Muniz - UnB
O segredo de Brokeback Mountain: uma história de aprisionamentos
Qual o “segredo” de Brokeback Mountain? Uma “história de amor e amizade entre dois vaqueiros”? Um filme que expõe “as pulsões homoeróticas, sempre latentes, em universos viris, como o do Western”? A história de uma dupla que “tentando salvar o espaço de sua indeterminação, não consegue lidar com as inevitáveis categorias que lhes impõem o tempo e o espaço cotidiano”? Uma história da força do sentimento amoroso e de suas possibilidades emancipatórias? O apelo à homossexualidade para reafirmar as dificuldades das personagens/pessoas em lidar com a diferença e buscar encobrir e/ou eliminar o diferente nos “outros”? Uma história de aprisionamentos, de encerramento das personagens/pessoas em diferentes grades disciplinares. Dentre as várias possibilidades interpretativas que o polêmico texto/filme de Ang Lee oferece, elegi as duas últimas na
leitura que fiz de sua narrativa e que proponho discutir no presente simpósio.
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Elen de Sousa Gonzaga - UnB
A demonização do corpo feminino e sua ressignificação
Ao demonstrar que a ficção é historicamente condicionada e que a História é um construto discursivo, a metaficção historiográfica desafia e subverte os conceitos do que é História e do que é Literatura. Através desse revisitar o passado, surge a reflexão crítica sobre condutas, critérios, valores e práticas realizadas no passado. A metaficção historiográfica também resgata e reelabora representações do feminino que foram estereotipadas pela Literatura e pela História tradicionais. Uma dessas imagens, a da feiticeira, é trabalhada nos romances metaficcionais As Sete Gerações (1989), de Eva Figes, e Impassioned Clay (1999), de Stevie Davies. Nesses romances, a violência material e simbólica sofrida pelas mulheres rotuladas como hereges e feiticeiras é questionada à luz do conhecimento presente.
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Eleonora Menicucci de Oliveira - UNIFESP
Corpos marcados: O aborto inseguro no Brasil
Este trabalho apresentará alguns resultados preliminares de um estudo financiado pelo CNPq e Fapesp, desenvolvido em três hospitais públicos de referência na Cidade de São Paulo.Buscamos conhecer e compreender a assistência prestada às mulheres em situação de aborto provocado a partir de entrevistas com as próprias mulheres e com os diferentes profissionais que as assistem.Também estamos trabalhando com a dimensão da violência que o ato de abortar tem sido para as mulheres e como elas se colocam após decidirem abortar.Quais são as marcas e cicatrizes que ficam nessas mulheres e quais as transformações na subjetividade dessas mulheres a partir da decisão que tomam ao romperem com o silêncio e com as normas disciplinares do bio poder social e sexual.
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Florípedes do Carmo Coalho Borges - UnB
O corpo-para-si e o corpo-para-o-outro: o constructo da maternidade na ficção de Lya Luft.
No âmbito dos estudos feministas, o olhar pós-moderno revela que a maternidade, o corpo materno não se inclui no cerne dos estudos acadêmicos. Por ser a temática tão intimamente ligada ao universo feminino, a teorização existente começou a ser desenvolvida pela autoridade universal androcêntrica cujos textos didáticos e científicos sempre descreveram o corpo da mulher como o lugar adequado à reprodução das espécies, confundindo essa função com a própria condição de “ser mulher”.
Partindo de um discurso remanescente na cultura popular acerca da inevitabilidade da maternidade na vida das mulheres, este trabalho visa a refletir sobre o corpo materno como limite de identidade e opressão das personagens ficcionais de Lya Luft.
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Guacira Lopes Louro - UFRGS
O “estranhamento” queer
Provocativo e polêmico, o queer, como movimento e teoria, vem sendo ensaiado e contestado, internacionalmente e no Brasil. Mais do que uma fórmula síntese para designar sujeitos e práticas sexuais “desviantes” a expressão caracteriza, fundamentalmente, uma perspectiva de oposição e de contestação. Contrapondo-se, fundamentalmente, à heteronormatividade compulsória da sociedade, o queer também põe em questão os processos de normatização levados a efeito por grupos identitários de gênero, sexualidade e raça historicamente submetidos, o que permite compreendê-lo como um movimento pós-identitário. O queer celebra a diferença que não quer ser “tolerada” ou “assimilada”. Minha proposta, nesta mesa redonda, é discutir algumas possibilidades e limites dessa perspectiva, entendendo-a como uma disposição anti-normalizadora de viver, pensar e conhecer.
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Heleieth Iara Bongiovani Saffioti - UNESP
A ontogênese do gênero
Há uma celeuma em torno da seleção de um dos conceitos para designar as relações homens/mulheres: gênero ou patriarcado. Cada parte tem seus argumentos. Meu trabalho advoga o uso dos dois. Gênero, compreendido como existente em toda e qualquer sociedade, consiste na criação social de imagens do feminino e do masculino, sem as quais seria impossível socializar bebês para se conduzirem como mulheres ou como homens, para não mencionar as demais variações do exercício da sexualidade. Patriarcado é um conceito mais restrito, servindo para caracterizar relações hierarquizadas, mulheres ocupando a posição de subalternas. No combate ao essencialismo biológico, muitas feministas caíram no essencialismo social. compreendendo o ser humano como totalidade, não me parece possível defender, consistentemente, qualquer um dos essencialismos. Lendo história, construí uma proposta, cujo núcleo consiste em exigir dos cientistas sociais a busca e análise das mediações sociais entre sexo e gênero. Ou seja, feita a ontogênese do gênero, cabe realizar a filogênese da mesma categoria histórica, no mínimo, desde o momento para o qual há registros ou evidências científicas. vale dizer, buscar mediações sociais para compreender e explicar a construção da ordem patriarcal de gênero.
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Isis Moura Tavares, Marília Gomes de Carvalho - UTFPR
Nem homens nem anjos: o papel social dos castratti na história
A intenção desse trabalho é analisar as relações entre gênero, música e tecnologia, preferencialmente no que se refere à relação entre a tecnologia vocal e o papel social dos castratti, homens castrados na infância para manter sua voz aguda mesmo após a puberdade, que tiveram um papel importantíssimo na história da música ocidental, principalmente no barroco italiano, vivenciando sua corporeidade e socialização a partir de um corpo/sexo mutilado. Diversas relações de poder envolviam a vida desses meninos levando-os à submissão, à Marginalização e, ao mesmo tempo, a um status de ídolos, pois durante o período barroco a voz aguda, anatomicamente pertencente às mulheres, era extremamente valorizada, mas apenas os homens podiam cantar publicamente.
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Laura Ordóñez Vargas - UnB
A construção dos corpos femininos dos encarcerados: negação e contenção perversa da feminilidade
Com base em uma pesquisa realizada durante o ano passado em uma instituição total feminina, na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), neste trabalho me proponho a refletir sobre o exercício da violência sistemática e institucionalizada e sobre a atuação do poder em uma das suas formas mais exacerbadas, os quais pautam o universo prisional e produzem e modelam os corpos femininos dos sujeitos encarcerados. Pretendo analisar a prisão como espaço paradigmático das mais diversas práticas e formas de poder e de violência (institucional, material, moral, simbólica e psicológica), construtor e modelador dos corpos femininos dos sujeitos institucionalizados. Mostrarei como esses corpos, em um estado de contenção perversa, se constroem a partir da tensa coexistência entre poder, violência, submissão, resistência e sobrevivência que caracterizam o cativeiro.
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Líria Ângela Andrioli - UNIJUÍ
O corpo e a mulher na história da filosofia: uma leitura a partir de Merleau-Ponty centrada na atual discussão sobre corporeidade
O presente trabalho tem por objetivo contextualizar as discussões atuais sobre gênero, relacionando-as com o movimento feminista. Pretende-se identificar as desigualdades historicamente existentes entre homens e mulheres, mostrando, sobretudo, como isso se configurou na história da filosofia, com ênfase ao desprezo do corpo e à marginalidade da mulher. A maioria dos filósofos assimilava a mulher ao corpo e o homem à razão, dando a entender que corpo e razão são partes distintas do ser humano, atribuindo conceitos de fraqueza à mulher e de força ao homem. Maurice Merleau-Ponty procura, através da teoria da corporeidade, superar a dicotomia existente entre alma e corpo, criando condições favoráveis para a valorização do corpo e, por conseqüência, também da mulher.
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Luana Saturnino Tvardovskas - UNICAMP
Corpo e gênero em Rosângela Rennó
Objetivo apresentar a produção da artista visual Rosângela Rennó, possuindo como recorte a investigação sobre as problemáticas do corpo e do gênero. Incidindo sobre temas como o casamento, a morte e a instituição penal brasileira, as obras de Rosângela Rennó questionam os modos de conformação das identidades através do ato de fotografar e podemos melhor compreendê-las através da desconstrução formulada pela critica feminista atual, evidenciando como o gênero é um dos modos de construção dramática e contingente de sentido. Poeticamente, Rennó captura as formas de representação constantemente tidas como naturais e as reverte, apresentando suas densidades e complexidades. Esse esgotamento vem acompanhado de um plano intenso, muito belo, forjado por uma artista que parece ser capaz de enfrentar os vazios das representações e de formular novas perspectivas para o diálogo entre as subjetividades, masculinas, femininas...
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Marga Janete Ströher - Escola Superior de Teologia
A religião e seus textos sagrados no processo da produção da violência simbólica
A religião e seus textos sagrados tocam os símbolos, as convicções e a produção de sentidos de vida. Ela atua na produção e na reprodução de sistemas simbólicos que têm influência sobre as relações sociais de gênero e na representação sócio-religiosa do masculino e do feminino. A religião produz e reproduz a violência e também a sacraliza. Assim, funciona como cúmplice no processo de socialização de homens e mulheres e veículo legitimador de relações assimétricas e da naturalização da violência de gênero. Mas a religião serve apenas como cúmplice da violência ou também como potencial ou aliada para sua superação? Nesse trabalho proponho apresentar uma análise desconstrutiva de fórmulas de regulamentação de relações familiares e comunitárias das cartas de Gálatas e Efésios (Novo Testamento), destacando elementos de concepções religiosas que vão influenciar os comportamentos e papéis sociais de gênero.
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Margareth Rago - UNICAMP
Imagens da zona: a construção de identidades pelo movimento organizado de profissionais do sexo
A despeito da profunda deserotização dos corpos que resulta da banalização do sexo e de sua excessiva exposição pública na mídia, na atualidade, um movimento inverso de expressão do desejo sexual se insinua em muitas práticas femininas, das marcas que se inscrevem na produção artística e literária a inúmeras manifestações de comportamento. Se a racionalização capitalista do comércio sexual deserotiza as relações, reforçando e sofisticando o “dispositivo da sexualidade”, capturando as manifestações do desejo, o “desconfinamento do sexo” (Guiddens) assume múltiplas formas da diversidade sexual. As mulheres, que já não são ingênuas nem castas, brincam com o desejo, insinuam e expõem o corpo, desfazem insistentemente as fronteiras do normal e patológico, enquanto as práticas sexuais antes condenáveis são despatologizadas. Entre a captura e a linha de fuga, proponho refletir sobre as mutações na sensibilidade em relação ao sexo, ao corpo e ao erotismo.
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Maria de Lourdes Borges - UFSC
Beleza e cirurgia plástica: violência ou autonomia?
Neste trabalho, eu gostaria de analisar o ideal de beleza feminino e a cirurgia plástica como uma forma de atingi-lo. Pretendo investigar se a cirurgia estética pode ser vista como uma forma de submissão às demandas masculinas e uma violência ao corpo feminino. Na primeira parte, eu mostro que a inteligência, ainda hoje, só é erotizada quando se trata de um atributo masculino, restando à mulher a erotização da beleza. Na segunda parte, analisarei o ideal de beleza contemporâneo e como este é raramente atingido de forma natural. Quando uma mulher submete-se à cirurgia plástica, está sendo submissa às demandas masculinas? Trata-se de uma forma de violência em relação ao corpo feminino? Ou procura apenas promover sua autonomia, modificando seu corpo de acordo com seus próprios valores?
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Maria Célia Orlato Selem - UnB
Lesbiandade e violência: a apropriação das mulheres pela heterossexualidade compulsória
A partir de relatos das militantes da Liga Brasileira de Lésbicas, busco pensar a heterossexualidade compulsória como instituição atravessada por relações de poder e mantida por dinâmicas de violência legitimadas pelas representações fundadas e mantidas pelos discursos classificatórios. Esse contexto pressupõe a apropriação das mulheres enquanto um sexo. A idéia de sexo como materialidade naturalmente imutável legitimaria as categorias homem e mulher como dados anteriores aos signos sociais, isto é, a permanência de materialidades corporais que justificam comportamentos distintos e estanques. Narrar outros sujeitos seria um ponto de fuga na desestabilização do sistema sexo-gênero.
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Maria Clara Pivato Biajoli - UNICAMP
Sara Berenguer e as Mujeres Libres espanholas: como construir suas subjetividades em meio à crise da memória?
Sara Berenguer foi uma entre mais de 20 mil mulheres que militaram no grupo anarquista e feminista espanhol “Mujeres Libres”. Foi também mais uma entre o meio milhão de pessoas que fugiram para a França após o fim da Guerra Civil Espanhola em 1939. Quarenta anos depois destes acontecimentos, Sara escreve sua autobiografia, na qual nos leva de volta para aquelas experiências que marcaram sua vida e sua construção de si mesma, como mulher anarquista que luta pela igualdade entre homens e mulheres. Mas, em meio à crise da memória em nossa sociedade apontada por pensadores como Walter Benjamin e Giorgio Agamben, como fica a questão do passado que influencia na construção de sua subjetividade? E, pensando o fim das narrativas, para que escrever uma autobiografia se não é mais possível transmitir experiências?
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Maria da Luz Olegário - UFCP
A constituição de subjetividades normativas e a violência entre mulheres de prática sexual homoerótica
Os estudos feministas têm se debruçado de maneira eficaz sobre a violência doméstica sofrida por mulheres em seus próprios lares, vítimas, geralmente, de seus companheiros ou ex-companheiros. Os dispositivos legais já apontam caminhos jurídicos para as ocorrências que chegam até à Delegacia Especializada da Mulher. É a partir deste contexto que o trabalho em questão pretende analisar o poder e a violência através de depoimentos de mulheres que vivenciam/vivenciam uma prática sexual homoerótica e também são/foram vítimas de violência por suas companheiras. Estará essa violência relacionada a uma reprodução do modelo heteronormativo ou a questões relacionadas ao poder? A partir da análise do discurso dessas mulheres, pretendemos investigar a constituição de subjetividades entre mulheres agredidas por companheiras.
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Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro - UnB
Imagens disciplinares e a produção de corpos de escravas e amas-de-leite
Na Corte Imperial do século XIX, as imagens da sociedade foram retratadas sob diferentes olhares em aquarelas, litografias, pinturas e fotografias. Nelas, corpos femininos negros aparecem em trajes, posturas, gestos e situações peculiares, que identificam escravas nutrizes. Transitando nas ruas ou posando nos ateliês, corpos de amas-de-leite são peças significativas e integram um alfabeto iconográfico construído para dar a ler aquela sociedade escravocrata e suas assimetrias socais em algumas de suas demarcações de sexo-gênero, raça, condição civil. Pretendo analisar algumas dessas imagens disciplinares, buscando reler a construção identitária daqueles corpos femininos - mercadorias e propriedades - e pensar sobre alguns dos sentidos que tais imagens ao mesmo tempo encerram e despejam no discurso social.
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Maria Fernanda Vilela de Magalhães - UNICAMP/UEL
Classificações científicas da obesidade
O projeto Classificações Científicas da Obesidade foi criado a partir das tabelas utilizadas por médicos que classificam, normatizam e disciplinam os corpos das mulheres gordas e tem como objetivo questionar os padrões estéticos na contemporaneidade. As fotografias de mulheres nuas foram ampliadas em tamanho natural e compõem uma instalação que mostra os tipos classificados e questiona estas normas e padrões impostos como modelo de consumo ao corpo da mulher. As fotografias foram montadas em um suporte leve e recortadas retirando de cada imagem a massa corpórea e mostrando somente os contornos destes corpos, criando assim uma relação entre cheio e vazio, leve e pesado. Os corpos pendurados giram levemente sobre seu eixo, ocupando assim o seu espaço com leveza e suavidade, buscando uma mudança nos discursos atrelados ao corpo das mulheres gordas.
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Maria Meire de Carvalho - UnB/UEG
Imagens  de “vivandeiras”:  atos de linguagens e práticas simbólicas
Analisar as práticas simbólicas e os sentidos atribuídos as vivandeiras, requer atentar para os campos das linguagens e da cultura com o intuito de desestabilizar os discursos que versaram sobre a atuação de mulheres em campos de guerra, uma vez que elas foram representadas como mulheres “transviadas, desprovidas de qualquer pudor” -, vivandeiras que acompanhavam as tropas em marcha. A expressão “vivandeiras”, representa uma tipologia política própria, termo desclassificatório que silenciou a atuação de mulheres em marchas bélicas, neutralizando-as na memória histórica. Afinal: o que significava ser vivandeira? Que estratégias estão engendradas nas condições de “mulher vivandeira”, “mulher combatente”, “mulher comerciante de víveres, “mulher comerciante de seu próprio corpo”? Como seus corpos se inscrevem no jogo complexo das relações sociais, simbólicas e sexuais?
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Marie-France  J. L. Dépêche - UnB
Reações hiperbólicas da violência da linguagem: leitura feminista da máscara cultural”
O poder simbólico da linguagem serve de ponta de lance na submissão das mulheres e à violência imposta a elas pela ideologia do sistema patriarcal. Trabalharemos, principalmente com as línguas latinas, as metáforas sexistas, os provérbios, os ditados e expressões denegrindo o feminino que vemos sendo reiterados, quase que ritualisticamente, para assegurar os "valores" patriarcais tradicionais. As várias tentativas de feminização não conseguiram eliminar o uso do masculino genérico, mesmo por parte das mulheres, o que reforça nossa preocupação com os supostos "ganhos" adquiridos ao longo de cinqüenta anos.
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Marilda Aparecida Ionta - UFV
A artista nômade: cartas de Anita Malfatti  a Mário de Andrade
O propósito deste texto é refletir como a artista plástica paulista Anita Malfatti esculpe a si mesma no espaço intersubjetivo da escrita epistolar e de sua amizade com o escritor modernista Mário de Andrade. Nas linhas da correspondência dessa artista/intelectual brota uma individualidade, contida em um corpo sexuado, com contornos bem diferentes daqueles apresentados pelos discursos da história literária brasileira. Compreendendo as cartas como escrita de si, no sentido apontado por Michel Foucault, este trabalho enfatiza a constituição de uma subjetividade que se constrói no espaço dialógico da troca epistolar. Na correspondência de Anita Malfatti sobressai um eu “forma”, um eu “acontecimento”, um eu “versátil” que se constituiu como ficção em e mediante o ato de escrever.
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Norma Abreu Telles - PUC-SP
As belas e as feras
Os corpos se constituem no cotidiano de um dado grupo em um dado momentos; isto supõe investimentos, intervenções, processos contínuos e permanentes. Ao corpo das mulheres, nos últimos séculos, vários discursos se impuseram. Mas artistas existiram que esboçaram alternativas. Assim, algumas das que tiveram contato com o primeiro grupo Surrealista e acabaram re-orientando alguns daqueles princípios, como a obsessão com a sexualidade, para torná-los uma interrogação sobre a feminilidade (Chadwick). Esta comunicação fará uma leitura de um conto, de Leonora Carrington, que narra o corpo em metamorfose de uma debutante relutante e de um quadro da mesma artista dialogando com uma pintura de Remedios Varo e observando como se moveram para a construção de um corpo subversivo e de um ente feminino que se encarrega de si mesmo.
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Patrícia Lessa - UEM
O feminismo-lesbiano e a desconstrução dos corpos naturais em Wittig e Rich
O lesbianismo foi tema central nos estudos, teorias e escritos de Monique Wittig (1935-2003). O lesbianismo é, para autora, o único conceito além das categorias homem e mulher; é um conceito revolucionário. La Contrainte à l’hétérosexualitéet la existence lesbienne’, de Adrienne Rich, escrito em 1981, é um texto com teor semelhante aos escritos de Wittig. Sua discussão parte do pressuposto de que dentro da heterossexualidade compulsória cria-se uma percepção da existência lesbiana. Enquanto as precursoras do movimento feminista dos anos 1960-1970 preocupam-se com a análise dos mecanismos de dominação, as feministas dos anos 1970-1980, a exemplo de Rich e Wittig irão questionar a naturalização da maternidade e a heterossexualidade obrigatória. A lesbiandade é elevada ao estatuto de conceito revolucionário nos escritos de ambas.
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Rita Laura Segato - UnB
Violência, sexualidade e soberania no mandato de gênero sobre o corpo
Examinarei a emergência do "corpo de mulher" no fecho das interlocuções entre os que devem, por mandato, constituir-se como "corpos de homem", assim como o papel e o significado atribuído à sexualidade neste cruzamento discursivo entre pares e entre desiguais. Para isso, utilizarei os dados das minhas pesquisas sobre estupro e sobre os feminicidios de Ciudad Juarez, na Fronteira norte do México.
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Rosangela de Araújo Lima - UFPB
Feminismo no século XXI: construindo pontes na diversidade
Este artigo, baseando-se nos pressupostos teóricos do Feminismo Pós-Estruturalista e da Teoria Queer, analisa a postura do Movimento Feminista Contemporâneo no tocante às suas ações políticas, particularmente no âmbito de sua práxis educativa não-formal, posto que o mesmo delineia-se definindo suas práticas sob uma ótica binária de cunho andocêntrico, a exemplo de temas corriqueiramente priorizados como: Direitos reprodutivos/abortamento/contracepção,violência doméstica heteroerótica, assimetria econômica entre os sexos etc.Este artigo propõe, pois, a desconstrução da lógica binária heteronormativa,instigando o feminismo heteroerótico a uma reflexão crítica acerca de seus ditames teóricos-metodológicos.
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Rosemeri Moreira - UEN/Universidade Estadual do Centro-Oeste
Primeiras policiais militares no Paraná: a construção do corpo da mulher-soldado
A partir de 1977 o Estado do Paraná incluiu mulheres nos quadros efetivos da Polícia Militar – PMPR. Na Diretriz nº 048/77 da PMPR (substituída pela Diretriz nº 076/79) que regulariza a finalidade das mulheres na policia militar, está explícito o discurso do "Anjo-tutelar" baseado no essencialismo feminino, o qual insere na corporação viril a "mulher". A PMPR, utilizando-se de uma concessão idealizadora da imagem do outro, delineia e delimita as fronteiras desse grupo de quarenta e duas mulheres. À disciplinarização do corpo des-historicizado como feminino, acrescenta-se a construção do corpo da mulher-soldado, ambiguamente voltado ao público externo e a caserna: ora enfatizando natureza maternal (cuidar, servir e orientar), o corpo des-erotizado e com carência viril; ora negando esse corpo construído, o que evidencia a construção do então habitus sexuado transformado e um habitus militar sexuado.
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Rosimeri Aquino da Silva - UFRGS
“Nós lidamos com os restos das sociedade”: mulheres, homossexuais, travestis – corpos sob controle e sob saberes institucionais
Através dos conceitos de heteronormatividade, gênero e sexualidade, utilizando estudiososos da vertente feminista/pós-estruturalista, analiso situações de sala de aula de cursos de formação e qualificação, destinados aos servidores da segurança pública do RS. A partir da apresentação de problemas sociais contemporâneos, como a violência física e simbólica, são proferidos saberes (morais, legais e biológicos) sobre os lugares de homens e mulheres. São relatadas situações de extrema violência, direcionadas a determinados grupos sociais. São constituidos discursos sobre a tolerância e a aplicação dos Direitos Humanos às chamadas minorias. Que noções de gênero, de sexualidade, de normalidade, de determinismo biológico, de patologia, de necessidade de controle social se fizeram presentes nesses discursos?
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Silvia de Zordo - Ecoli des Hautes Etudes en Sciences Sociales/Paris
Sexo e gênero em tensão entre o saber-poder médico e os saberes e as práticas quotidianas acerca da contracepção: prejuízos e violência entre a “clínica”, a “casa” e a “rua”
A partir da etnografia coletada durante minha pesquisa de campo em Salvador da Bahia, num centro de planejamento familiar de referência (Ceparh) e numa Maternidade situada na periferia da cidade, essa apresentação vai mostrar como os saberes, as práticas e as experiências contraceptivas das usuárias dos serviços públicos de saúde visitados, se constroem através do confronto difícil, e por vezes violento, entre o saber-poder médico, enraizado no espaço da “clínica”, e os saberes e as práticas quotidianas das pacientes, que se constroem entre a “casa” e a “rua”. Através da discussão de alguns casos etnográficos mostraremos como no espaço da clínica se confrontam discursos, saberes e práticas diferentes marcados por preconceitos específicos de gênero, classe e raça e como emergem jogos de poder e estratégias de resistência peculiares.
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Tânia Mara Campos de Almeida - Universidade Católica de Brasília
Corpos, sofrimentos e medicinas
Já é bastante discutido o poder da medicina na sociedade moderna ocidental na construção dos corpos a partir de um modelo binário dos sexos, que atua como chave de preconceitos e manutenção da ordem. Contudo, pouco se conhece sobre os sofrimentos que este olhar normatizador tem provocado, em especial nas mulheres, assim como pouco se tem falado sobre os projetos pedagógicos inovadores na formação médica abertos à discussão de gênero. Por isto, no contexto da minha pesquisa sobre religiões e cura no Distrito Federal, proponho-me a resgatar algumas dessas vozes inaudíveis, que rejeitam a perspectiva a-histórica e despolitizada dos saberes biomédicos dominantes e se comprometem com transformações ideológico-simbólicas significativas à equidade.
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Tania Navarro Swain - UnB
Para além do sexo, liberdade em construção
“Sexo é vida”, repete incansavelmente uma propaganda na TV. Entre a vida e a morte, o sexo. Entre o ser e o não ser, o sexo. Que cansaço é este face a estas imagens, ruídos, falas, textos, gestos que me invadem a cada segundo,através dos mídia? A ode à sexualidade me causa fadiga, porque sou obrigada a ver mamilos, coxas, pelos, bundas, ouvir suspiros e ruídos cavernosos quando busco distração, riso, encantamento na fantasia? Eis aí o dispositivo da sexualidade, imbricado ao dispositivo amoroso, que atinge seus limites, sua saturação. A injunção ao sexo – seja qual for sua prática – é a ação do poder construindo corpos, identificados por seus orifícios, humores e pelas formas como os utiliza.
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Terezinha Goreti Rodrigues dos Santos - UnB
O corpo na desconstrução da aprendizagem em Clarice Lispector
O trabalho parte da hipótese de o romance Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, de Clarice Lispector, ser um exemplo de Bildungsroman feminino. A protagonista, Lóri, tem como mentor Ulisses, professor de Filosofia, que a orienta no processo de individuação, ao lhe propor um relacionamento baseado na descoberta do Eu como sujeito independente. Lóri, mulher liberada sexualmente, aprendera que ser feminina era cuidar do próprio corpo para se tornar atraente. No entanto, Ulisses lhe sugere um processo de “desaprendizagem” da vida burguesa, por meio de questionamentos, um agir sem máscaras, onde a pessoa sente dores, mas também alegrias. Lóri logra êxito na desconstrução do aprendizado, ao alcançar uma solidão criadora, cujo objetivo é relacionar-se de forma positiva com o outro.
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Valéria Fernandes da Silva - UnB
Gênero e vida consagrada no século XIII: a construção do corpo da religiosa enquanto prática discursiva
O século XIII foi marcado pelo surgimento de várias Ordens Religiosas e por um movimento de regramento da forma de vida daqueles que optavam por uma vida consagrada. Dentro do esforço de controle dos discursos e práticas, a Igreja Católica irá se preocupar especialmente com as mulheres. Em nosso trabalho pretendemos discutir – tendo como exemplo o caso franciscano – a forma como o corpo da religiosa ficou evidência nos discursos que tinham como objetivo apagá-lo, escondê-lo e regrá-lo. Assim, gestos, palavras, olhar, roupas adequadas, tudo passa a ser alvo de uma intensa prática discursiva que, mais do que agir sobre corpos gendrados, tentará criá-los a partir das representações sociais sobre as mulheres, a vida religiosa feminina e seu papel dentro da Igreja. Utilizando como fonte as diversas formas de vida dadas às clarissas, mostraremos, também, como as mulheres resistiram e tentaram remodelar os discursos que lhes eram impostos.Q
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Zeila Navarro Swain
Desconstrução da violência na maternidade: sua relação com a fertilização artificial anônima na ausência de vínculo com a figura masculina
Interesse por pesquisa com mulheres que desejam engravidar buscando a fertilização através de doador anônimo e afastadas do vínculo afetivo/sexual com figura masculina, ou seja, mulheres :solteiras, divorciadas, lésbicas viúvas , idosas. O material de fertilização oferecido por um doador anônimo para uma mulher independente, desvinculada de relações afetivas e/ou sexuais, é bastante diferente do modelo anterior, trazendo hipóteses promissoras e mais ousadas. Remodelar o fator simbólico e também desconstruir os padrões patriarcais ligados à mulher, poderá permitir uma revisão excepcional do binômio mãe/criança, maternidade e cultura, criando novas dimensões existenciais para a vida futura.
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