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ST51 - Gênero, corpo e diversidade sexual (sexualidades)

Coordenadoras:     Anna Paula Vencato (UFRJ)
                               Laura Moutinho (UERJ/CLAM/IMS/UERJ)
                               Regina Facchini (UNICAMP)

Resumo

Ao longo das últimas décadas várias pesquisadoras e pesquisadores vêm se dedicando ao estudo da produção de feminilidades e masculinidades em situações diversas. Neste contexto, o intercruzamento entre raça, sexualidade, gênero e os cuidados com a saúde precisam ser qualificados e analisados. Não se trata, assim, de se operar somente com uma soma de “prejuízos” ou apenas com um acúmulo de sujeições combinadas. Faz-se necessário, portanto, colocar em diálogo os trabalhos produzidos dentro de determinadas temáticas que apontam para o entrecruzamento entre estas categorias, o qual coloca alguns sujeitos num lugar de desvantagem social ao mesmo tempo em que legitima a outros. Desta forma, a proposta deste Simpósio Temático “Gênero, Corpo e Diversidade Sexual (Sexualidades)” é, centrando-se no aspecto plural, simbólico e relacional das feminilidades e masculinidades, e colocando também em cena os estudos contemporâneos sobre sexualidade, corpo e preconceitos, propor uma agenda de discussão articulando alguns dos eixos desse debate, tais como: 1) práticas e representações relativas às feminilidades, masculinidades, sexualidades, corporalidades e a raça; 2) reprodução e sexualidade;  3) direitos humanos, políticas públicas, cidadania e interseccionalidades; 4) cálculos relativos à prevenção e impactos das DST/Aids; 5) os desafios teóricos e políticos atuais em torno de gênero, raça, corpo e sexualidade.


Trabalhos

Ailton da Silva Santos - UFBA
Práticas educativas/comunicativas e sentidos atribuídos ao risco de contrair HIV/AIDS entre travestis profissionais do sexo: a experiência da associação de travestis de Salvador/atras
Desde o advento da AIDS na década de 80, muitas ONG têm desenvolvido ações de prevenção através de práticas de Educação e Comunicação em Saúde. Estas atividades são, na maioria das vezes, quase inteiramente financiadas pelo Ministério da Saúde sem que haja uma avaliação sistemática das mesmas. O estudo em andamento pretende conhecer e analisar os impactos das práticas educativas/comunicativas realizadas por uma ONG na percepção do risco de contrair HIV de travestis profissionais do sexo. Utiliza para isto, uma abordagem qualitativa e, como perspectiva teórica, a antropologia interpretativa de Clifford Geertz, a partir do conceito semiótico de cultura por ele cunhado. Busca, através de entrevistas semi-estruturadas e observações diretas focais, apreender os sentidos e significados atribuídos pelas travestis ao risco de contrair HIV e ao processo saúde-doença-cuidado.
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Alane Michelini Moura, Sandra Maria da Mata Azeredo - UFMG
A sexualidade e a dupla moral em casais heterossexuais soropositivos para o HIV/AIDS
Este trabalho tem por objetivo estudar as mudanças afetivo-sexuais de casais heterossexuais a partir do diagnóstico de HIV/Aids, numa perspectiva de gênero. No que se refere à metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa em que os sujeitos participantes são cinco casais cujos pré-requisitos são que pelo menos um dos membros seja soropositivo para o HIV/Aids e que estejam morando juntos no momento da coleta dos dados. Os instrumentos utilizados são as entrevistas semi-estruturadas com cada casal e dois grupos focais sendo um com os homens e outro com as mulheres. Para a compreensão teórica e análise dos dados nos apoiamos principalmente na teoria feminista e nos trabalhos de Michel Foucault sobre a análise do discurso e a correlação entre sexualidade-discurso-poder. Com os resultados da pesquisa, vários temas polêmicos são complexificados e considerados fundamentais para a criação de futuras estratégias de prevenção e políticas públicas.
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Ana Mallimaci Barral, Aluminé Moreno - Universidad de Buenos Aires
Cuando la diversidad es desigualdad. Notas sobre el análisis de las relaciones de opresión
Este trabajo propone un diálogo entre dos investigaciones acerca de la situación de grupos sociales oprimidos en la Argentina actual que se concentran respectivamente en los/las migrantes bolivianos/as y los/las disidentes sexuales. Como investigadoras sociales nos enfrentamos a la necesidad de elaborar dimensiones aptas para abordar las relaciones sociales opresivas a partir de las intersecciones entre etnia, nacionalidad, género, sexualidad, clase social, edad y religión. Para ello se requiere una perspectiva que de cuenta del carácter complejo, multívoco y dinámico de las experiencias de subordinación. A fin de indagar la situación de los grupos estudiados analizaremos las posibilidades de las nociones de estigma (Goffman, 2003 [1963]; respetabilidad (Young, 1990 y Bourgois, 1996); visibilidad, invisibilidad e hipervisibilidad; imperialismo cultural y aversión (Young, 1990 y Goffman 2003 [1963] y la identificación de algunos grupos sociales con el cuerpo (Gatens, 1996; Grosz, 1994).
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Ana Maria Monte Coelho Frota - UFC
A expressão da homossexualidade em homens e mulheres de Fortaleza
Esta pesquisa tem como objetivo compreender, a partir de uma perspectiva fenomenológica, a expressão da homossexualidade em homens e mulheres da classe média da cidade de Fortaleza. Pretendemos compreender e refletir, a partindo de um referencial teórico pós-estruturalista, as principais dificuldades e conflitos vivenciados por nossos colaboradores na vivência diária das suas relações sociais e afetivas. Trabalhamos com depoimentos que servirão para estabelecer um diálogo com o que se tem dito he pensado sobre o tema. O recorte da auto aceitação ou auto-rejeição da subjetividade homoerótica é levado em conta nas análises dos depoimentos.
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Camilo Albuquerque de Braz - UNICAMP
Macho versus macho: um olhar antropológico sobre práticas homoeróticas entre homens em São Paulo
Este artigo procura sistematizar algumas indagações a respeito de minha pesquisa de Doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Partindo da idéia de que as recentes reivindicações “à família” e à legalização do “casamento gay” por parte de homossexuais são exemplos de um processo de “normalização” e vêm reacendendo o debate sobre os limites da sexualidade e o sentido da transgressão para o erotismo, minha proposta é tomar como foco de investigação práticas homoeróticas específicas, realizadas entre homens na cidade de São Paulo em espaços de sexo casual, grupal e/ou anônimo, envolvendo muitas vezes elementos fetichistas e/ou sadomasoquistas. Alguns dados de campo preliminares referentes aos adeptos ou entusiastas do “leather” e aos espaços destinados ao exercício de práticas sado-masoquistas e/ou fetichistas entre homens na cidade, coletados sobretudo na Internet, permitem perceber a presença de discursos valorativos da masculinidade e a apropriação do que chamo provisoriamente de “hiper-masculinidade” entre esses sujeitos. Aponto neste trabalho que somente a partir de uma análise interseccional será possível construir uma interpretação antropológica da possível rearticulação de convenções sociais de sexo, gênero, corporalidade e sexualidade nesse universo.
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Daniela Riva Knauth, Ana Maria Ferreira Borges Teixeira, Andréa Fachel Leal, Fernando Seffner - UFRGS
Modos de construção da masculinidade e vulnerabilidade à aids: um estudo entre caminhoneiros que circulam no Rio Grande do Sul
Como parte de uma pesquisa de monitoramento e avaliação de políticas de saúde, com apoio financeiro do CCR/PROSARE, estamos investigando o modo com que à atuação de ONGS do campo da aids pode ser um dos fatores determinantes da utilização e aprimoramento de serviços de saúde. Em particular, realizamos esta reflexão tomando como base um conjunto de projetos desenvolvidos por ONGS do Rio Grande do Sul, no período de 2000 a 2005, nos locais de circulação de uma população específica, os caminhoneiros. O estudo incluiu a coleta de dados através de entrevistas face-a-face em profundidade (40 entrevistas), bem como a realização de um survey (n>850, amostra calculada com base em observação da circulação média de caminhoneiros em cada um dos locais, aplicação em andamento) em postos de gasolina em Rio Grande, Porto Alegre, Canoas e Gravataí, e no posto alfandegário do Chuí, locais onde as ONGS desenvolveram os projetos de prevenção à aids no período em análise. Os dados já coletados e analisados permitem significativas contribuições na compreensão das complexas relações entre os modos de construção das masculinidades entre os caminhoneiros e sua vulnerabilidade à aids. Em particular, destacamos que o caminhoneiro está no centro de uma intrincada rede de relações de trabalho, num universo essencialmente masculino, e que envolve, dentre outros atores, intensas negociações com os despachantes de carga, os policiais, os donos e funcionários de transportadora, os donos e funcionários de postos de gasolina, os mecânicos, os borracheiros, os eletricistas, os fiscais aduaneiros, os técnicos dos serviços de rastreamento de veículos, etc. Os caminhoneiros reafirmam uma moral hegemônica - casamento, monogamia, heterossexualidade - embora reconheçam que nos locais que freqüentam há a presença importante de profissionais do sexo, e que eventualmente, ou no passado, já fazem ou fizeram uso destes serviços, ou que grande parte dos colegas fazem. A compreensão dos processos de construção de modelos hegemônicos e subordinados de masculinidade nessa complexa rede de relações constitui conhecimento fundamental para o encaminhamento de ações de educação em saúde. Não é possível tomar o caminhoneiro como uma figura isolada e autônoma como em geral está descrito nos projetos de ONGS e nas diretrizes dos programas de prevenção à aids.
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Eduardo Carrascosa - UERJ
Desinteresse nu
A proposta anuncia uma discussão teórica sobre os princípios de universalidade que podem ser atribuídos aos ideiais e práticas do naturismo em suas variadas modalidades. Quando a nudez comunal é defendida por um grupo como demonstração de respeito à natureza e ao outro, temos neste fenômeno a possibilidade de investigar, por um lado, os mecanismos e contradições existentes em atos “desinteressados” economicamente e, por outro, através da descriação dos preceitos naturistas, acessar a base do processo identitário na sociedade contemporânea, em que o indivíduo procura se identificar – tornar-se idêntico – a outros ao mesmo tempo identificando-se, destinguindo-se.
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Felipe Bruno Martins Fernandes - FURG/RS
A produção e manutenção das identidades ativistas gays no interior do movimento homossexual no Brasil contemporâneo
Neste estudo procuro compreender como se dá a produção e a manutenção das identidades de ativistas homossexuais no Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais. O movimento homossexual é assinalado como um dos "novos movimentos sociais", que surgem na década de 60 com sistema de aglutinação identitário, e esse possui o objetivo de defender e garantir direitos relacionados à livre orientação sexual. Na realização da pesquisa utilizarei a história oral, que permitirá contar não somente a história do CELLOS/MG, mas a história da produção e manutenção da identidade de ativista desse grupo. Serão estabelecidas algumas conexões com os Estudos Culturais, nas suas vertentes pós-estruturalistas, bem como, com algumas proposições de Foucault.
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Fernando José Taques - UFSC
Movimentos sociais e ONGs: a questão no movimento GLBT
Um dos grandes debates teóricos da atualidade na Sociologia refere-se a Movimentos Sociais e as ONGs (Organizações Não-Governamentais). Para alguns teóricos, Movimentos Sociais são bastante distintos de ONGs, não havendo relações mais próximas entre ambas. Este trabalho tem o objetivo de analisar a questão e, através de um estudo teórico e de campo, explicar como isso se desenvolve em determinados setores do Movimento GLBT, mostrando que a questão de limites e fronteiras não são tão facilmente verificáveis, apresentando um outro olhar, muito mais amplo, abrigando múltiplas possibilidades de ação.
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Isadora Lins França - UNICAMP
Nem GLS, nem HT: transcendendo o ‘gueto’?
Neste artigo, resultado de parte da pesquisa realizada durante o mestrado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo, procuro delinear alguns desenvolvimentos do mercado de consumo direcionado a homossexuais em São Paulo, próprios da década de 1990, configurando um circuito de estabelecimentos que, em termos nativos, é muitas vezes qualificado como “gueto”. Passo a explorar, então, a presença, contígua ao “gueto” ou ao “circuito GLS”, de estabelecimentos que se classificam a partir de uma vaga idéia de diversidade sexual, demonstrando uma demanda por espaços que não se diferenciariam por meio dos marcadores relacionados às identidades sexuais de homo, ou heterossexual, sem que isso seja um modo de indicar uma destinação exclusiva a heterossexuais. Almejando “transcender o gueto”, os freqüentadores dessa cena, caracterizados como “modernos”, esmeram-se por criar espaços de sociabilidade mais propensos à integração entre pessoas de diferentes identidades sexuais e “romper estereótipos” relacionados a orientação sexual. No decorrer do trabalho, procuro examinar, a partir de observação etnográfica e fontes documentais, como essa inclinação a negar uma presumida fixidez das identidades sexuais, e sua associação a determinados espaços, vem acompanhada de marcadores de diferenciação social relacionados a estilo de vida, classe, raça e geração. Dessa maneira, busco explorar como no interior do circuito mais “descolado”, embora seja possível perceber um deslocamento da dicotomia hetero versus homossexualidade, também se constroem outras hierarquias e se operam outras classificações.
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Justina Franchi Gallina - UFSC
Pipocas nas mãos, sexualidades nas telas: alteridades ininteligíveis em filmes de Pedro Almodóvar
A cultura das imagens ajuda a tecer a trama da vida cotidiana. Os filmes, como um dos artefatos que dominam a indústria cultural, oferecem materiais para discutirmos como as representações de sexo, gênero, desejo e sexualidade reforçam o controle e a estabilidade dos corpos, fazendo-nos questionar não só a inteligibilidade de gênero quanto seu caráter ficcional e performático. No intuito de debater a contingência da coerência entre corpo, sexo e gênero na sociedade ocidental moderna, colocaremos os holofotes sobre alguns personagens dos filmes do diretor Pedro Almodóvar que, por subverterem a lógica binária dos sexos/gêneros, são severamente punidos com a insígnia do abjeto, do estranho, da diferença. De que forma o processo de constituição e representação de diferenças induz, informa ou significa essas “alteridades” e quais são suas implicações e desdobramentos?
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Laura Zambrini
Travestismo e identidad
El objetivo general es indagar la construcción de la identidad travesti a partir de la indumentaria y la transformación de la apariencia corporal. Esto implica, pensar la relación cuerpo/vestir como una relación social, por ello, en nuestra investigación el travestismo es considerado una práctica cultural. De allí se infiere que dicha relación, cuerpo/indumentaria es uno de los campos de lucha elegidos por las personas de condición travesti para la conformación de su identidad. Esto conlleva la desestabilización de las categorías de géneros binarias de lo “femenino” y lo “masculino” en virtud de una identidad social diferenciada. El enfoque teórico metodológico es de índole cualitativo y el diseño de investigación es exploratorio. Se realizaron 10 entrevistas en profundidad a personas que realizan prácticas travestis, entre 25 y 35 años, habitantes de la Ciudad de Buenos Aires. Como primeras aproximaciones surgidas de la fase inicial del trabajo de campo empírico, podemos señalar que la conformación de la identidad travesti es un proceso complejo, en un permanente diálogo y tensión con la sociedad en torno a la interpretación de qué es lo femenino y qué es lo masculino. En los casos estudiados, vislumbramos una especie de “rito de pasaje” mediante el cual las personas entrevistadas han intentado esconder sus rasgos físicos masculinos, exaltando cualidades socialmente establecidas como femeninas (vestidos, maquillaje, siliconas, gestualidades, etc). Esto implica la resignificación constante de su identidad siendo la transformación de la apariencia externa (uso de indumentarias, por ejemplo) un primer paso para atravesar este proceso.
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Liliane Brum Ribeiro - UFSC
“O diferencial do homem e da mulher é o seio. Bumbum todos têm”: corpo, gênero e subjetividade na experiência da cirurgia plástica estética
A proposta é discutir os processos e regimes de subjetivação de gênero presentes nas narrativas de mulheres de classe média, residentes em Florianópolis, SC, que realizam cirurgias plásticas estéticas. Partindo da premissa de que não existem corpos isentos de gênero, como discutem vários autores, evidencio alguns valores que fundamentam a idéia de ‘feminino’ presente na atual cultura das cirurgias estéticas e a existência de um discurso ontologizante da diferença, que atravessa suas representações e auto-representações de gênero. Por outro lado, os discursos médicos e medicalizados que envolvem as cirurgias estéticas enaltecem e dão forma à diferença entre feminino e o masculino como algo inato, que pode ser perdido, re-construído ou melhorado. A noção de transformação, que emerge das narrativas, revela que o corpo não é visto como acabado: ele é um processo, um devir: “quem começa a fazer plástica não para mais”.
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Lorena Tabachi Amado, Pedro Henrique Delocco Alves - UGF
Discriminação contra os homossexuais: estudo sobre a constitucionalidade da RCD nº
153/04

A presente pesquisa pretende apresentar os resultados de uma investigação a respeito da discriminação sofrida pelos homossexuais em relação à doação de sangue, segundo a perspectiva das ciências jurídicas. O tema aqui se volta para a restrição feita pela Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) n153, de 14 de junho de 2004 do Ministério da Saúde que, no seu item B.5.2.7.2, sob o título “situações de risco acrescido”; específica: encontram-se neste quadro os “homens que tiveram relações sexuais com outros homens (HSH) e ou parceiros sexuais destes”, os quais serão inabilitados por um ano como doadores de sangue, sendo que a mesma resolução determina que todos os candidatos à doação de sangue passarão por testes de laboratórios . Não poderíamos deixar de relatar a contradição observada na leitura do jornal: “Brasil um país de Todos” do Governo Federal de dezembro de 2005, página 07, ao informar a existência do serviço de prevenção e combate à homofobia, relatando que os homossexuais recebem o apoio do governo, com o objetivo de orientá-los como agir em caso de discriminação e ao mesmo tempo discriminando-os ao sancionar a RDC 153/04. O objetivo do presente estudo é discutir a questão pela qual os homossexuais não podem doar sangue, tendo em vista o preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que afirma ser a nossa sociedade ‘”pluralista e sem preconceito”. Temos como intuito discutir a inconstitucionalidade da RDC n153, com apoio no artigo 3, incisos I e IV. Finalmente, essa discussão será orientada pela análise da ratio que norteia a referida resolução, face à ponderação de dois princípios em conflito: a preservação da vida e a saúde.
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Lucía Ariza - Universidad Nacional de General San Martín
La experiencia de la infertilidad en mujeres que optan por tratamientos de reproducción asistida: ¿fracaso de género o triunfo inexorable?
Esta ponencia presentará una interpretación de los valores y representaciones atribuidos a la experiencia de la infertilidad tal como fue relatada por un grupo de 20 mujeres que optaron por tratamientos de reproducción asistida frente a la esterilidad propia o del compañero. El análisis es de tipo cualitativo y se basa en entrevistas en profundidad. Desde una perspectiva constructivista, se entiende por infertilidad no un status médicamente diagnosticado, sino una realidad cultural, social y psíquica experimentada por las personas que la atraviesan. Esta afirmación se sustenta, entre otras cosas, en la idea de que no hay infertilidad sin un deseo preexistente de hijos, puesto que sin esta motivación incluso la disciplina médica es impotente para diagnosticar la esterilidad. A su vez, la existencia de una discapacidad fisiológica no determina por sí misma la experiencia que una persona tendrá de la infertilidad, puesto que ésta está socialmente condicionada. El concepto de infertilidad que se utilizará excede por lo tanto la definición médica. A partir de este enfoque, una de las categorías que más impacta en el análisis teórico de la experiencia de la infertilidad, es el concepto de género. Diversos estudios han mostrado que hombres y mujeres no construyen subjetivamente la infertilidad de la misma manera. Para el género femenino en su versión hegemónica, la maternidad constituye una clave central de su realización “plena”. Ser infértil involuntariamente significa fracasar –al menos parcialmente- en la identificación de género femenino. Sin embargo, cabe preguntarse si este “fracaso”, al motivar la decisión a favor de técnicas de reproducción invasivas y con altos costos para su salud sexual y emocional, no confirma el reconocimiento simbólico preexistente de las mujeres qua madres y produce el triunfo inexorable de una ideología de género.
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Marcelo Tavares Natividade - UFRJ
Notas sobre uma controvérsia: os evangélicos e a cura da homossexualidade
Em 2004, a tramitação de um projeto de lei na ALERJ chamou a atenção da opinião pública ao prever ‘apoio’ a iniciativas religiosas voltadas à recuperação de homossexuais. O evento gerou a reação de movimentos sociais, intelectuais e ONGs, que repudiaram a homofobia dos evangélicos. Esta comunicação versa sobre a controvérsia que se desenvolve no cenário brasileiro a partir da atuação de grupos religiosos que difundem a mensagem relativa à possibilidade de cura da homossexualidade. Tendo como pano de fundo uma discussão sobre as complexas relações entre religião e sociedade, identifico que atores participam dessa polêmica, como se alinham/ se enfrentam, que valores estão subjacentes à suas falas. O material etnográfico é composto por reportagens divulgadas pela imprensa religiosa e secular entre 1999 e 2005, literatura evangélica, falas proferidas em eventos e cultos, material normativo dos grupos religiosos, entrevistas e outros documentos.
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Marli de Araújo Santos - UFAL
A visita íntima no contexto dos direitos humanos: a concepção das reeducandas do estabelecimento prisional feminino Santa Luzia
O presente trabalho registra o resgate histórico das prisões, no que se refere à evolução da pena e, conseqüentemente, o avanço dos direitos humanos e sociais no âmbito do sistema penitenciário. Contextualiza o sistema, quanto a efetivação desses direitos, de acordo com a Lei de Execução Penal – LEP, a partir de uma abordagem sobre o direito à visita íntima, em cumprimento à referida Lei, no Estabelecimento Prisional Feminino Santa Luzia, situado em Maceió, no Estado de Alagoas. O debate contempla o tema cidadania feminina no Brasil, para apoiar a pesquisa exploratória que particulariza o direito à visita intima, na perspectiva das reeducandas, enquanto sujeitos desse processo, com toda sua singularidade e especificidade, bem como exprime seus avanços, retrocessos e possibilidades, no tocante à efetivação da lei que o ampara. Os resultados remetem a apreensão do significado dessa realidade na visão das reeducandas que compõem a população carcerária do referido estabelecimento, bem como oportunizam o entendimento diferenciado dos direitos para a mulher que se encontra em regime de reclusão social.
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Miriam Steffen Vieira - UFRGS
Conflitos raciais e relações de gênero
Etnografias sobre o sistema de justiça têm demonstrado ser este um espaço significativo para o estudo de desigualdades sociais. Como instância formal voltada à resolução de conflitos, o judiciário recepciona “queixas” que têm por base diferenças sociais. Outro aspecto refere-se ao modo de funcionamento do sistema de justiça - estruturado sobre valores que informam desigualdades e discriminações -, gerando denúncias sobre a seletividade do sistema no Brasil. Ao realizar uma etnografia na Delegacia da Mulher de Porto Alegre, especificamente preocupada com concepções sobre “violência sexual”, me deparei com diversas situações envolvendo categorias raciais. Neste paper irei trabalhar com dados envolvendo conflitos afetivo-sexuais e ofensas raciais. Argumento que “raça” aparece como categoria de acusação nessas relações.
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Moisés Alessandro de Souza Lopes - UnB
Casamento gay, não! Parceria civil, sim! Representações sociais da união entre pessoas do mesmo sexo entre homossexuais masculinos que vivem uma situação de conjugalidade
Nos últimos anos, a discussão sobre conjugalidade homossexual no mundo tem assumido destaque e relevância através da aprovação e/ou debate de projetos de reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo. A discussão no Brasil sobre tal reconhecimento assumiu vulto e tomou uma primeira forma com a proposição do Projeto de Parceria Civil Registrada em 1995 na Câmara dos Deputados. Entretanto, seguindo a essa primeira iniciativa ocorreu uma pequena divulgação dos debates em torno deste projeto. Aqui me proponho a trazer a baila as representações sociais sobre tal projeto partindo das falas de homossexuais masculinos que vivem uma situação de conjugalidade em Cuiabá, sem me ater exclusivamente a eles.
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Nádia de Matos Barros, Sandra Mara Garcia, Omar Ribeiro Thomaz, Luiz Henrique Passador - UNICAMP/USP/CEBRAP
Territórios e estilos: articulações entre gênero, ‘raça’, classe e orientação sexual na cidade de São Paulo
A presente proposta, resultante da pesquisa “Relações entre ‘raça’, sexualidade e gênero em diferentes contextos locais e nacionais”, coordenada internacionalmente pelo Cebrap e pelo CLAM/IMS/UERJ, com financiamento da Fundação Ford, é explorar a relação entre gênero, raça/cor, orientação sexual e classe dentro de territórios de relações e trocas afetivo-sexuais na cidade de São Paulo, definidos por determinados estilos. Entendemos territórios como espaços de sociabilidade definidos por situações de encontros e trocas afetivo-sexuais, não necessariamente delimitados por fronteiras geográficas fixas, mas sim pela instalação de dinâmicas, fluxos e subjetividades que propiciam tais encontros. Estes se estabelecem por uma determinada matriz móvel de relações possível de existir em diferentes espaços geográficos na cidade. Além disso, estruturam relações interpessoais, afetivas e sexuais, através da codificação territorial das formas de aproximação e contato entre os sujeitos, organizando discursos, corporalidades e performances. Os estilos territorializados, ou seja, os conjuntos de expressões codificadas de indumentária, atitude/linguagem corporal, vocabulário, preferências estéticas e musicais, etc, formam uma “cultura” identificável por suas fronteiras estilísticas. Esse conjunto de elementos expressivos produz padrões desejantes para as relações afetivo-sexuais, estabelecendo limites de inclusão e exclusão. O gradiente de adequação ao estilo territorial acaba por definir sujeitos mais ou menos desejados – desde sua completa adequação aos códigos (que o torna altamente desejável) até sua total inadequação (que o torna completamente não desejável). Nosso pressuposto é que os territórios e seus estilos organizam e resignificam de forma dinâmica as categorias de gênero, raça/cor, orientação sexual e classe social, construindo performances, corporalidades e discursos que estabelecem padrões de desenvolvimento das relações afetivo-sexuais regidas por essas categorias. Desse processo, emergem processos identitários e de inclusão e exclusão, que desembocam em tipificações, conflitos e preconceitos inter e intra-territoriais.
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Nara Moreira dos Santos - UFG
Visíveis e invisíveis: a afirmação de identidades bissexuais entre jovens universitários goianos
Este é um estudo sobre formas de expressão e significados relativos à sexualidade de alunos e alunas bissexuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), que teve como principal objetivo analisar as representações que orientam a conduta sexual deste grupo específico. A discussão teórica apresentada neste trabalho procura desenvolver algumas concepções consideradas centrais para a compreensão da temática proposta, tais como orientação e identidade sexuais, sistemas classificatórios, representações sociais e políticas identitárias. O levantamento dos dados se deu por meio da aplicação, via entrevista, de trezentos e vinte questionários semi-abertos, que visaram apreender as vivências e percepções dos estudantes no que diz respeito à sexualidade. Um aspecto inicial que deve ser salientado nos resultados é que houve um número maior de mulheres (8% da população sexualmente ativa), quando comparado aos homens (4% desta), que declarou manter práticas bissexuais. Podemos notar que as práticas sexuais e a percepção destas como tais são diferenciadas entre homens e mulheres neste grupo: enquanto as alunas mostram uma tendência tanto a reconhecer quanto a exercitar freqüentemente práticas sexuais que vão além da penetração, os homens parecem valorizá-la – juntamente com a prática passiva do sexo oral – como símbolo de atividade sexual, que está freqüentemente associado a um padrão de virilidade em nossa cultura. Para finalizar, é interessante notarmos como a idéia de uma possível aceitação da promiscuidade sexual – que freqüentemente está associada à bissexualidade – não foi confirmada nas respostas dos estudantes, tendo em vista que a maioria dos entrevistados declarou que a infidelidade não é algo aceitável e que, entre aqueles que mantêm relacionamento atual, mais de 70% declarou não ter tido relação sexual com outras pessoas além do parceiro.
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Rafael Penteado Poerschke, Guilherme Rodrigues Passamani - UFSM
Fronteira platina: a construção de uma identidade (sexual) regional
Este trabalho faz parte de nossa nova pesquisa a ser desenvolvida no Mestrado em Integração Latino-Americana na UFSM. Trata-se do desdobramento da pesquisa de graduação, cujo enfoque foi a homossexualidade masculina em cidades pequenas do interior do Rio Grande do Sul, onde há recorrência do gauchismo. A partir deste trabalho, numa tentativa de diálogo entre a Sociologia, a Antropologia e História, pretendemos um olhar sobre a sexualidade na fronteira platina, ou seja, o espaço fronteiriço que compreende o Rio Grande do Sul, a Argentina e Uruguai, a chamada pampa gaucha. A razão para este enfoque é muito simples, este é o lugar por excelência de um tipo quase que mitificado, o gaúcho. De início marginal, o gaúcho vai transformar-se no referencial deste espaço, consolidando-se como uma identidade regional. Entretanto, a figura do gaúcho alude a certos valores que são bastante exclusivistas, machistas e preconceituosos, logo, não abarca grande parte da população da região, como por exemplo, mulheres, negros e homossexuais. Estas são questões muito relevantes e que exploraremos com mais destaque no trabalho. Para nos ajudar a pensar esta questão, com certeza, será necessário perceber a organização do Estado Platino, fortemente calcado no Positivismo comteano, o que ajuda de maneira significativa, a moldar para os habitantes da região uma figura masculina, forte, viril e heterossexual, olvidando e até, de certa forma, criminalizando as demais identidades construídas e forjadas ao longo dos anos. Em linhas gerais, este trabalho tem a pretensão de ser um olhar mais plural sobre a sexualidade riograndense e platina, plural no sentido de perceber as diferentes sexualidades e promover uma relação dialógica entre elas, à luz da literatura disponível.
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Renata Hiller - UBA
La unión civil: instituyentes e instituidos
Sobre la base de una investigación empírica en curso, el presente trabajo pretende analizar cómo en la Argentina los movimientos de las llamadas “minorías sexuales” se han posicionado frente al Estado para demandar derechos ciudadanos, en particular a partir de los reclamos de reconocimiento estatal de las parejas homosexuales. Así, este trabajo describe el proceso de formación de la agenda de las organizaciones GLTTTBI que llevó al diseño, debate y posterior sanción de la Ley de Unión Civil en la Ciudad de Buenos Aires. Planteamos aquí una reflexión acerca del tema de la inclusión ciudadana, de la demanda de reconocimiento de derechos considerados legítimos y sobre cómo estas demandas pueden llegar a redefinir los mismos términos en debate, en nuestro caso: las nociones de conyugalidad y ciudadanía y los vínculos entre ambas.
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Roderlei Nagib Góes - UnB
Com quê direitos? Notas sobre o lugar que [ou qual lugar] se inscreve a orientação sexual no discurso jurídico
Parte da literatura sobre homofobia tem considerado o Brasil o campeão mundial de violência contra os gays. Grosso modo, diversos trabalhos apontam para as grandes dificuldades na investigação de práticas de violência e discriminação aos homossexuais, sobretudo, na efetivação de ações punitivas pelo aparato judiciário. Entretanto, apesar da proibição de discriminação por orientação sexual constar em três constituições estaduais - MT, SE e PA - e em legislações específicas em mais cinco estados (RJ, SC; MG, SP, RS) e no DF, o principio de isonomia, quando confrontado com questões envolvendo a sexualidade, exige respostas juridicamente orientadas. Essa orientação indica, no mínimo, duas direções: a homossexualidade e a discriminação presentes ainda no judiciário brasileiro, sobretudo, na forma pelo qual o olhar lançado pela justiça aos homens e às mulheres encontra-se mediado, entre outras coisas, por representações de gênero que informam padrões de comportamento dados como normais para homens e mulheres.
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Rosângela de Sousa Veras - UFMA
Contracepção feminina medicalizada: escolha ou coerção?
A Sociedade brasileira sofre desde a década de 70 uma brusca redução nas suas Taxas de Fecundidades Totais, isto se deve a mudanças no comportamento reprodutivo da mulher que vem reduzindo cada vez mais o número de filhos. Associado a este fenômeno está o uso de métodos contraceptivos altamente medicalizados, como a esterilização cirúrgica feminina e a pílula contraceptiva. No Maranhão, dentre as mulheres que fazem uso de contraceptivos, 42% estão laqueadas. Questiona-se a alta medicalização da regulação da fecundidade entre as mulheres maranhenses, aponta-se que em nome da “eficácia” de evitar uma gravidez indesejada favorece-se o controle do profissional de saúde acima da autonomia da “paciente”. Fundamenta-se em Foucault, “a medicina estabeleceu-se como um mecanismo de poder legitimado pelo saber”.
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Rosângela Digiovanni - UFPR
Adultério e gênero em narrativas jurídicas
A legislação brasileira não estabelece distinção entre o adultério masculino e o feminino ao definir a infidelidade como justificativa para o término do casamento civil. Entretanto, a análise dos processos jurídicos de separação conjugal litigiosa revela formas bastante discriminatórias de representação da sexualidade. As estratégias discursivas de acusação e defesa, as provas e os recursos judiciais apresentam diferenças significativas quando a narrativa é construída para relatar o adultério feminino e o adultério masculino. O tratamento jurídico assimétrico produz conseqüências bastante diversas para homens e mulheres e determina arranjos familiares muito distintos. Este trabalho propõe uma reflexão sobre as particularidades da construção das desigualdades de gênero em narrativas jurídicas de infidelidade conjugal.
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Tatiana Raquel Reis Silva - UFBA
Prostituição feminina: interação entre sexualidade, corpo, cor e desejo
A prostituição feminina é comumente vista e dita como desviante dos padrões de comportamento e a prostituta como deformadora do papel feminino, uma ameaça aos ideais de mulher-mãe. Atualmente, em pontos de concentração de bares em áreas próximas ao centro de São Luís tem sido comum a realização daquele tipo de prostituição. Com o crescente aumento de turistas, novos problemas amalgamaram-se a antigos. Prostitutas de pele escura têm sido preferidas a outras de cor mais clara. A cor como mobilizadora do desejo erótico apresenta-se com elemente sine qua non para entender tais processos. Assim, este trabalho busca analisar algumas dinâmicas da prostituição feminina em São Luís do Maranhão, considerando-a como discurso e prática construída social e historicamente e que se processa na interação entre corpo e sexualidade, cor, amor e desejo, violência e prazer.
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