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ST54 - Questões de gênero na literatura e na produção cultural para crianças

Coordenadoras:     Rosa Maria Hessel Silveira (UFRGS/Ulbra)
                               Maria Zilda da Cunha (FFLCH-USP e Universidade Anhembi Morumbi)
                               Peter O’Sagae (FFLCH – USP/Universidade Anhembi Morumbi)

Resumo

A concepção de gênero como uma construção social e cultural contingente ligada ao sexo, que tem servido de álibi para preconceitos e discriminações relativos à orientação sexual e à mulher, constitui o principal ponto de reflexão teórica para o presente simpósio. Considera-se, inicialmente, a relevância da literatura, em especial aquela endereçada a crianças e jovens, quanto ao reforço, a crítica ou os possíveis modelos de identificação oferecidos a seus leitores. Através das representações de homem, de mulher, de menino, de menina, as articulações do texto verbal e os dispositivos visuais da ilustração engendram diferentes situações de espelhamento, distorção ou confronto entre o enredamento da ficção, os condicionantes de nossa tradição histórica, nela expressos, e as ações deliberadas por novas experiências, conceitos e expectativa ética. Por outro lado, a produção cultural para crianças, aí compreendidos vídeos, filmes, revistas, anúncios publicitários, brinquedos, etc., é também um expressivo repositório de estereótipos de gênero e, nesse sentido, merece o escrutínio de suas múltiplas facetas. O presente simpósio, pois, é planejado no sentido de abrigar trabalhos que examinem, com fundamentação teórica adequada e originalidade analítica, produtos instituídos como literatura para crianças e jovens, em qualquer recorte, e outros objetos culturais circulantes, destinados a esse público em crescimento, formação e constante mudança, ao englobar representações de gênero e sexualidade que sirvam de mote para debate de seu potencial discriminatório.


Trabalhos

Ana Carolina Dionísio - UFSC
Demônios e princesas: um estudo sobre as representações de gênero em websites infantis
Apesar do crescimento da oferta de produtos infantis na web, a pesquisa acadêmica não tem acompanhado este desenvolvimento mercadológico. No que diz respeito à relação das crianças com esta mídia, a maioria dos estudos tendem a enfatizar os aspectos pedagógicos dos sites, não vendo-os como parte de um conjunto de instâncias culturais que funcionam como um mecanismo de representação e afirmação de normatividades, inclusive acerca do feminino e do masculino. Este artigo discute as representações de gênero presentes em dez sites brasileiros de entretenimento para crianças, ressaltando como freqüentemente estes materiais reproduzem concepções estereotipadas sobre o que é ser homem ou mulher, menino ou menina; como, por exemplo, a caracterização das personagens masculinas dos sites como bagunceiras e agressivas e a associação do feminino ao espaço doméstico. Problematizamos, então, a questão da participação infantil na construção dos sites, focando nas representações de! gênero: será que as crianças realmente desejam determinadas imagens de meninos e meninas, de homens e mulheres presentes nestes materiais?
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Ana Paula Sefton - UFRGS
Afetos de pai: representações na literatura infanto-juvenil
Este artigo reúne 10 obras da Literatura Infanto-juvenil para análise das representações das identidades masculinas e paternas, com enfoque aos afetos entre pai e filhos/as. Utilizou-se, como suporte teórico, os Estudos de Gênero, os Estudos Culturais, além de aportes pós-estruturalistas. As análises realizadas enfatizam não só as recorrências sobre as representações de afeto paterno, mas também os deslocamentos: observou-se o quanto ‘ideais’ de uma masculinidade hegemônica, baseada na cultura patriarcal, são apresentados como ‘naturais’ aos homens/pais e mulheres/mães; assim como também foram problematizadas as ‘novas’ formas do exercício da paternidade, possibilitando aos pais outras formas de exercício de suas identidades.
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Ângela Márcia Damasceno Teixeira - UESC
As damas dos contos de fadas e seus príncipes (quase) encantados
Neste artigo abordaremos a relação de algumas das maiores damas dos contos de fadas e seus respectivos príncipes encantados, após a famosa frase : "e viveram felizes para sempre". Para tanto, analisaremos a obra "O fantástico mistério de Feiurinha" do escritor Pedro Bandeira . Na obra supracitada, após o casamento, os príncipes perderam o lugar de grandes heróis, engordaram, vivem caçando e não mais participam das antigas aventuras. Enquanto isso, as damas vivem uma grande aventura em busca de Feiurinha que havia desaparecido. Pois é ,caro leitor, os tempos mudaram e os contos de fadas também. Vem comigo nessa viagem ao mundo encantado da literatura infantil.
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Cristina Loff Knapp - UCS
A questão do gênero e os contos de fadas indianos
A presente comunicação tem por objetivo apresentar uma breve reflexão sobre a representação feminina nos contos de fadas indianos. Sabe-se que estas narrativas têm caráter oral e são transmitidas de geração em geração, além disso, possuem a mesma estruturação narrativa e também a caracterização das personagens, que geralmente, são consideradas personagens tipos. Os contos de fadas indianos têm relevância em ser estudados porque demonstram o modo de ver, pensar e agir, de um determinado povo enfocando uma determinada cultura. Dessa forma, nossa intenção será analisar a constituição de uma identidade feminina a partir da representação da mulher presente nesses contos.
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Eliane Santana Dias Debus - UFSC/UNISUL
As vozes das meninas e mulheres africanas e afro-brasileiras na literatura de Rogério Andrade Barbosa e Joel Rufino dos Santos
O presente ensaio tem como foco de leitura os títulos de literatura infantil de Rogério Andrade Barbosa e Joel Rufino dos Santos, autores que (re)contam narrativas da literatura oral africana e das literaturas afro-brasileiras, analisando a representação feminina, isto é, como as personagens meninas e mulheres negras são apresentadas ao leitor, e a importância dessas narrativas para a construção de uma identidade étnica. No caso de Rogério, foram tomados para estudo Contos ao redor da fogueira (Agir, 1990), DUULA, a mulher canibal (DCL, 2000) e O filho do vento (DCL, 2001), que se circunscrevem no repertório de tradição africana. De Joel Rufino dos Santos, escolheram-se Rainha Quiximbim (Ática, 1986) e Gosto de África (Global, 2005), que trazem lendas negras tanto de lá (África) como daqui (Brasil) e personagens históricas negras como Luísa Mahin, mãe de Luís Gama, que ficaram esquecidas pela história oficial. Ao apresentar às crianças brasileiras histórias de diferentes pov!os, neste caso a tradição oral africana, e dos nossos negros, haverá melhor compreensão da diversidade e pluralidade cultural que nos cerca, desconstruindo-se assim preconceitos e discriminações, e desenvolvendo-se uma atitude de respeito para com o Outro.
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Fabiana Dupont, Eliane Lourdes da Silva Moro, Lizandra Brasil Estabel - UFRGS
O gênero nos contos de fadas tradicionais e modernos: a outra história de (Rapunzel) e Sapatinhos Vermelhos
Apresenta a análise dos contos de fadas: Rapunzel e Os Sapatinhos Vermelhos. A partir da leitura dos contos originais, contos de fadas tradicionais, as autoras analisaram duas obras correlatas, consideradas contos modernos em nível de literatura infanto-juvenil. Nas obras: “A Outra História de Rapunzel” e “Os Sapatinhos Vermelhos”, recontadas pela autora Paula Mastroberti, foram analisadas as personagens, femininas e masculinas e o papel que representam nas narrativas da sociedade dos cenários dos contos tradicionais e modernos. Segundo Louro, “nos textos antigos é possível perceber, explicitamente, o quanto o corpo ‘fala’ sobre a alma, o quanto ele está implicado e envolvido na sua construção”. “Linguagem, crenças, fantasias, códigos sociais, desejos inconscientes, atributos biológicos constituem a sexualidade, em combinações e articulações complexas. Tal como o gênero, a raça ou a classe, a sexualidade também precisa ser compreendida no âmbito da história e da cultura”. A união de texto e imagens, leva-nos ao mundo encantado das fadas e ao interior de nós mesmos. É um retorno à infância, à adolescência, aos nossos mitos e crenças e às diferenças de gênero.
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Georgina Martins - UFRJ
O menino que brincava de ser
O texto literário infantil como refúgio e munição para enfrentar a dor e as delícias das escolhas que fazemos em nossa trajetória
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Gizelle Kaminski Corso, Josiele Kaminski Corso - UNESP/Assis/UFSC
A construção do sujeito por meio d’os incríveis artefatos da produção cinematográfica
Considerando a enorme penetração que os artefatos culturais têm para o público infanto-juvenil, funcionando como uma espécie de transição e transmissão de conhecimentos e valores, vemos nas produções cinematográficas, mais especificamente no filme Os Incríveis, produzido em uma parceria da Walt Disney e Pixar, uma enorme fonte de pesquisa e análise no sentido de produzir identidades. A escolha do objeto de estudo justifica-se devido à produtora Walt Disney ter se tornado um sinônimo e referência de desenhos e filmes infantis, nos quais são (re)produzidos valores por meio das personagens que repassam modos de conduta, hábitos, ideais físicos, entre outros. Nesse sentido, a família de super-heróis “aposentados” (Os Incríveis) vem a ser um poderoso manancial de investigação na construção de sujeito, nas concepções de homem, mulher, menino e menina, apresentados no filme. Por meio da combinação som/imagem tem-se uma gama de estereótipos de gênero os quais, por meio do entretenimento, produz-se uma visão particular da construção social da criança.
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Iara Conceição Bitencourt Neves, Eliane Lourdes da Silva Moro, Lizandra Brasil Estabel - UFRGS
Era uma vez... O encantamento da leitura e a magia da biblioteca: um estudo de caso sobre as narrativas e as diferenças de gênero
Este artigo apresenta o projeto “Era Uma Vez . . . o Encantamento da Leitura e a Magia da Biblioteca” abrangendo cinco núcleos: a comunidade da Vila Jardim Planetário, as crianças hospitalizadas na Pediatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre/RS (HCPA), as crianças da creche Comunitária Amigo Germano e as comunidades das Bibliotecas Comunitárias Asa Branca e Jardim dos Coqueiros. O cerne principal do Projeto é a promoção da leitura, a formação de leitores, o resgate da memória da comunidade local, o exercício da cidadania e a inclusão. Conforme Guacira Louro (1997, 1999, 2003) entende-se gênero como uma construção social determinada pela sua contingência, ou seja: as representações possíveis do que é feminino e masculino passam a ser vistas como dependendo das condições históricas e culturais de determinado momento. Nesta perspectiva realizou-se um estudo nas comunidades onde o Projeto foi desenvolvido, abordando as preferências de leituras das crianças e adolescentes, os seus gostos e escolhas, sendo estes meninos e meninas, e as diferenças e características de cada um dos gêneros relacionadas as narrativas lidas.
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Iara Tatiana Bonin - UFRGS
Aprendendo sobre masculinidade e feminilidade no embalo da rede do papa-capim
Este trabalho tem como “porta de entrada” as Histórias em Quadrinhos protagonizadas pelo personagem Papa-Capim, um menino indígena criado por Maurício de Sousa. Nos quadros destas narrativas seqüenciais, proponho problematizar discursos sobre masculinidade e feminilidade. As histórias do Papa-Capim, situadas num contexto de vida indígena, participam de um amplo conjunto de práticas que nos ensinam sobre quem são/ como devem ser estes outros e, neste mesmo movimento, subjetivam e informam sobre como nós somos/devemos ser. Estas narrativas, endereçadas especialmente para crianças, colaboram para construir e distinguir sujeitos femininos e masculinos, naturalizando lugares sociais.
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Janaína Souza Neuls, Fernanda Fornari Vidal - UFRGS
Contos de fadas modernos: ensinando modos de ser homem e mulher
Na perspectiva dos Estudos Culturais, sob os enfoques pós-moderno e pós-estruturalista, tendo como objeto de análise livros de literatura infantil, temos por objetivo analisar as representações de feminilidade e masculinidade, presentes nas histórias que chamamos de “contos de fadas modernos”, isto é, aquelas que recontam, fazem uma releitura, de alguma forma, dos contos de fadas clássicos. Essas histórias têm por característica incluir novos personagens no enredo, subverter estereótipos de personagens tradicionais ou apresentar um final diferente. No uso escolar-pedagógico dessas histórias, produzem-se verdades, subjetivam-se as crianças, ensina-se o que é certo e o que é errado, o que é bom e é ruim, o que é justo e desonesto, reforçando estes entre outros binarismos. Além disso, também nos ensinam modos de ser menino, menina, homem, mulher.
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Josiane Becker de Oliveira Ramos - UFPR
A (des)construção dos diferentes papéis femininos na literatura infantil de Clarice Lispector
A literatura infantil nasce com o intuito de moralizar e adultizar as crianças. Muitas/os autoras/es reproduzem em suas obras os estereótipos presentes na sociedade. A mulher, por exemplo, é sempre representada como boa dona casa, boa mãe e boa esposa, como se não tivesse assumido outros papéis além desses. Diferentemente disto, Clarice Lispector desconstrói esta imagem em seus enredos infantis, pois escreve com a finalidade de problematizar a realidade vivida pelas crianças. Por meio de seus personagens - bichos, a autora questiona os diferentes papéis que a mulher assume na sociedade atual. Através da literatura o/a leitor/a experimenta mundos novos, sem precisar vivenciá-los de fato. Portanto, faz-se necessário que as/os professoras/es percebam nas obras literárias a possibilidade de levar a criança a construir sua relação com o mundo de tal maneira que ultrapasse preconceitos já enraizados na cultura adulta.
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Leandro Passos - UNESP/Araraquara
Irmãos Grimm vs. Marina Colasanti: a postura moderna da figura feminina
Em certos casos, a literatura voltada para crianças e jovens subverte o modelo institucionalizado, quais sejam, os contos de fadas, populares e maravilhosos - narrativas que possuíam um perfil moralizante e pedagógico. Essas formas simples de narrativa, no sentido de Jolles (1976), eram utilizadas como instrumento para “apresentar e discutir os métodos educacionais e os comportamentos instituídos em modelos calcados sobre as práticas da sociedade da corte e dos meios burgueses...” (ABRAMOWICZ, 1998, p. 94-95). Para Abramowicz (1998, p. 88), “os contos devem ser retomados sob uma nova perspectiva, para sua subversão”. A escritora Marina Colasanti, no conto “Perdida estava a meta da morfose” (1986), retoma o conto de Grimm “Príncipe sapo ou Henrique de ferro”: neste, a princesa obedece ao pai que pede a ela que mantenha a sua palavra diante do acordo feito com o sapo; naquele, a moça decepciona-se com a metamorfose do sapo em um belo rapaz. Ora, tendo em vista que o resgate do passado, na modernidade, muitas vezes, ocorre de forma paródica, também é possível constatar que essa “absorção” do antigo pelo novo sugere uma certa crítica, a saber, a postura do ser feminino não passivo na contemporaneidade. Neste trabalho, além do propor uma releitura do conto de Grimm no de Colasanti, pretende-se relacioná-los com os textos pictóricos “The frog Prince” de Lynch (fig. I), e “The frog Prince” de Parrish (fig. II), nos quais a garota encontra-se na cama com o sapo (fig. I), e estão dispostos frente a frente o sapo (grotesco) e o príncipe (belo). Para tanto, serão levados em conta os posicionamentos teóricos de Jolles (1976); Bettelheim (1980); Abramowicz (1998); Granville (2004) dentre outros.
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Luciane Danielli Barragan
O papel da mulher na literatura infantil: ela, menina, mãe e avó
O presente trabalho tem por objetivo analisar o papel da mulher em três aspectos, ela representada como menina, mãe e avó na sociedade contemporânea. Observando-se as transformações e mudanças ocorridas em seus papeis social nas últimas décadas do século XX.
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Luciane Hagemeyer - UFPR
Meninos que brincam de ser
Em nossa sociedade, a condição da heterossexualidade é atribuída já na infância e dada como um valor normativo de condutas e modos de expressão. Na realidade, pais e educadores acabam optando pelo silêncio diante das questões que envolvem a sexualidade, principalmente no universo infantil, fazendo com que o tabu em torno do tema acentue-se ainda mais, ocasionando novas formas de exclusão social. Contrapondo pensamentos dominantes, redutores e simplificadores, O Menino que Brincava de Ser , de Georgina Martins, mostra-se como uma "narrativa de liberdade", que contém elementos fundamentais para o debate dessas questões, mostrando como podem e devem ser introduzidas ainda na infância.
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Maria Carolina da Silva - UFMG
O currículo de Harry Potter: ensinando sobre gênero a jovens e crianças
Analiso neste trabalho como o currículo cultural de Harry Potter (uma série composta por seis livros, considerada um grande sucesso editorial) ensina aos/às seus/suas leitores/as posições de gênero. Centro minha atenção nas representações de gênero de professores/as e alunos/as que a série faz circular. Entendo representação tal como essa é significada pela vertente pós-estruturalista dos estudos culturais: como formadora da realidade que está aparentemente nomeando. Assim, considero que ao representar professores e professoras quase da mesma forma, e ao atribuir determinadas características aos alunos (como heroísmo e liderança) e às alunas (como inteligência e esforço) os livros apresentam aos/às seus/suas leitores/as modos de ser e estar adequadas conforme o seu gênero.
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Marta Campos de Quadros, Janaine Tristacci - UFRGS/UPF
Hogwarts: bruxas, bruxos e trouxas – identidades de gênero e escola em Harry Potter
Capturadas pelas discussões em torno da saga de Harry Potter (HP), o jovem bruxo inglês criado J.K. Rowling, passamos a problematizar alguns elementos que nos inquietaram com relação aos produtos culturais dirigidos a jovens e crianças gerados a partir destas narrativas. Tomamos Hogwarts, constituída cenário/ personagem na vida de HP, como foco central de questionamento: ela roubar a cena e apontar caminhos para o futuro da escola. Leva jovens leitores a se organizarem coletivamente e converterem suas escolas em locais de encontro para discutir, recontar e reescrever as histórias de HP na forma de fanfics ou, ainda, formarem comunidades virtuais no Orkut, que discutem a escola. Mas o filme HP e o Cálice de Fogo gerou novas problematizações: a visibilização da adolescência e a fabricação das identidades de gênero desde as modificações das relações cotidianas na escola. Neste sentido, passamos a buscar compreender as representações de gênero inscritas nas narrativas de Rowling e como se tornam visíveis no âmbito do cotidiano da escola. Este artigo aborda os primeiros achados da pesquisa.Nos detemos, inicialmente, nos quatro filmes já produzidos – HP e a pedra filosofal; HP e a câmara secreta, HP e o prisioneiro de Azkaban e HP e o cálice de fogo –, tomando-os como textos culturais que ampliam os espaços do pedagógicos no contexto da cultura contemporânea.
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Patrícia Avanci - UNICAMP
Retratos de mulher na literatura infantil
Embora as questões relativas à sexualidade e ao gênero estejam sendo mais reconhecidas nos estudos acadêmicos e nas várias esferas sociais, tem-se observado a escassez de pesquisas que tratem da construção das identidades de gênero na infância. Este trabalho tem como objetivo revelar os resultados de pesquisa realizada em uma instituição de educação infantil da rede pública municipal de Campinas-SP, que encontrou nas obras de literatura infantil brasileira contemporânea dados que revelam uma tendência não somente de transmitir valores e comportamentos estereotipados, mas, principalmente, de silenciar e negar nestas obras as vozes femininas. Um dos dados mais intrigantes é que a maioria das obras analisadas foram escritas e/ou ilustradas por mulheres, assim como são mulheres, as professoras que escolhem as obras que ficarão a disposição das crianças nas pré-escolas.
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Patrícia Kátia da Costa Pina - UESC
Representações de leitoras na obra infanto-juvenil lobateana: Emília e Narizinho
Estudo das personagens Emília e Narizinho, presentes na obra infanto-juvenil lobateana, enquanto provocadoras do imaginário das meninas leitoras, enquanto geradoras de uma fome de leitura. Investigação das relações entre a literatura e o leitor, através do contato deste com personagens que simbolizam atitudes e comportamentos imitáveis ou não e que podem funcionar como ponte entre a experiência da escrita e a apropriação desta.
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Rita Cristine Basso Soares Severo, Marta Campos de Quadros - UFRGS/UPF
Era uma vez... Onde estão as princesas e os príncipes que estavam aqui?
Na contemporaneidade, marcada por sociedades governamentalizadas e por uma cntralidade da cultura da mídia e do consumo, parece cada vez mais difícil se pensar as infâncias e juventudes sem considerar os intensos investimentos feitos através da produção cultural infanto-juvenil pelas grandes corporações da indústria do entretenimento naquilo que podemos identificar como o seu potencial pedagógico. Neste artigo, direcionamos nosso olhar para as produções cinematográficas/audiovisuais infanto-juvenis que na articulação da literatura e do audiovisual têm oferecido aparentes releituras dos chamados contos de fadas, colocando em circulação discursos que parecem subverter tradicionais relações de gênero. Para tanto, analisamos produções como filmes, desenhos de animação e livros com o objetivo de compreender o que muda nas representações de mulheres e homens, princesas e príncipes, e como estes supostos discursos de subversão dos papéis tradicionais de gênero que se propõem a ser as outras narrativas sobre os papéis de mulheres e homens do século XXI.
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Rita de Cássia Flores Muller, Adriano Beiras, Carolina Duarte de Souza, Erikson Kaszubowski, Mara Lago - UFSC
Sobre o que se lê nas entrelinhas: o que mais meninos e meninas podem ler numa história infantil?
As mensagens midiáticas (re) produzem enredos do/no cotidiano. (Re) Criam formas de pensar e agir, a partir de férteis campos de significação com o mundo. Considerando este efeito da mídia na atualidade, diretamente no que tange ao campo das infâncias, propomos nessa comunicação refletir sobre o gênero - e suas flutuações - em materiais impressos, disponíveis a um público infantil. Para tanto, elegemos, no acervo da biblioteca de um colégio em Florianópolis, livros de maior circulação entre meninos e meninas da pré-escola e primeira série do ensino fundamental. Partindo desse material, elaboramos um corpus, então submetido a uma análise de discurso, procurando no material o não-dito com relação principalmente ao gênero. Por fim, procuramos refletir sobre possíveis impactos das questões de gênero nas identificações infantis.
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Simone Olsiesky dos Santos - UFRGS
Leitura da tv: diabólico e sinistro, representação do mal e da infância
O presente artigo é o desdobramento de pesquisa em andamento na qual utilizando o referencial teórico dos Estudos Culturais em Educação articulados com o Campo da psicanálise lacaniana e da Comunicação, investigo o conteúdo curricular e pedagógico da mídia televisiva na contemporaneidade, especificamente nos desenhos animados. Assim, analiso a representação do mal, e da infância relacionando-as com a temática das identidades de gênero no desenho animado Diabólico e Sinistro veiculado em canal de TV aberta (SBT). Entendido enquanto artefato cultural, o currículo da TV, produz conhecimentos através de práticas discursivas próprias, procurarei problematizar algumas questões que emergem desse discurso.
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Suyan Maria Ferreira Pires - UFRGS
Relações amorosas contemporâneas: como elas se apresentam nos livros de literatura infanto-juvenis?
Minha pesquisa busca investigar e analisar as relações amorosas contemporâneas presentes em textos de literatura infanto-juvenil editados a partir da década de 90 do século XX até meados de 2005. Os livros selecionados para tal análise, levam em consideração a data de publicação, autores e editoras variadas na tentativa de escapar das tradicionais análises dos contos clássicos por esses exibirem relações pessoais normatizadas heterossexual, branca, de classe média já tão estudados. Meu objetivo é apresentar uma descrição dos discursos textuais e imagéticos bem como algumas possíveis interpretações e leituras dos mesmos, verificando como e quais identidades são reforçadas e legitimadas a partir das imagens e dos textos, sob a perspectiva dos estudos culturais e das relações de gênero, priorizando as formas como as relações amorosas contemporâneas se apresentam. O que me interessa discutir neste trabalho, não é se as representações impressas são essencialmente v!erdadeiras ou não, como se existisse uma realidade única e uma forma correta de representar as coisas, mas sim, analisar os discursos construídos e multiplicados nas obras literárias, que naturalizam o que é uma construção social e histórica. Penso que pesquisas como esta, que buscam analisar obras trabalhadas/lidas pelos/as professores/as em sala de aula, para as crianças, será de grande valia no sentido de questionar e problematizar os paradigmas e as marcas sociais de nossa cultura.
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