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ST55 - Migrações do passado e do presente: uma análise cruzando gênero, etnicidade e preconceitos

Coordenadoras:     Ethel V. Kominsky (UNESP- Marília)
                               Gláucia de Oliveira Assis (UDESC)
                               Sidney Sidney Antonio da Silva ( NEPO/UNICAMP)

Resumo

O fenômeno migratório tem sido abordado a partir de vários enfoques teóricos e de forma interdisciplinar nas ciências sociais, fato que constitui uma riqueza, uma vez que a realidade social é multifacetada e sempre passível de diferentes análises. No  entanto, até meados da década de 1980, a experiência das mulheres imigrantes permanecia subsumida na categoria migrante e suas experiências eram descritas como aquelas que acompanham maridos e filhos. Neste sentido, esta proposta de trabalho pretende-se analisar os “tradicionais” e “novos” fluxos migratórios para e do Brasil, a partir de uma perspectiva que analise as semelhanças e diferenças nas questões de gênero, etnia e preconceitos que marcaram os fluxos do passado, e continuam, de uma forma ou outra, presentes entre os novos migrantes, porém, com novos significados. Nessa perspectiva, esse grupo está aberto a trabalhos que procurem problematizar as migrações do e para o Brasil  buscando articular as dimensões de gênero, classe e etnia procurando compreender os processos de mudanças sociais e culturais presentes em cada grupo de migrantes, nos mais diferentes contextos. Este grupo de trabalho pretende, portanto, constituir um espaço de debate interdisciplinar entre antropólogos, sociólogos, historiadores, entre outros, pois, segundo Sayad (2000), a migração é “fenômeno social total”, envolvendo processos sociais, econômicos, culturais, religiosos, políticos, entre outros.


Trabalhos

Adriana Capuano de Oliveira
Mulheres imigrantes no sul da Flórida: um estudo de caso revelando diferenças
O trabalho que pretende ser apresentado diz respeito à questão feminina dentro da imigração de brasileiros para a região do Sul da Flórida (mais especificamente para a cidade de Miami) nos EUA. Aborda a vertente das mulheres no projeto de inserção dessa comunidade dentro da sociedade abrangente que, no caso aqui, pode ser entendida como a sociedade latino-americana, e não somente a norte-americana. Busca permear as diferenças de estratégias de inserção que percorrem os meandros de vida dessa população, como a busca de regularização através de casamentos e a maior facilidade de inclusão em alguns nichos do mercado de trabalho. Paralelamente, desenvolve uma análise referente ao papel dessa mesma mulher na manutenção de laços identitários e culturais com uma segunda geração de brasileiros nascida em terra estrangeira.
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Breno Cypriano - UFMG
Mulheres em Busca de Refúgios: as atuações do Alto-Comissariado das Nações Unidas, no mundo e no Brasil, sob o enfoque de gênero
A presença feminina e de crianças equivale a ¾ do universo populacional dos refugiados. Grande parte das mulheres são vítimas de abusos sexuais, enfrentam dificuldades de acesso ao mercado de trabalho no território em que foram inseridas e são vítimas de violência doméstica, gerada pela instabilidade e insatisfação do homem com a situação atual e anterior ao refúgio. A preocupação com a mulher pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados é um dos fatores que abordo por meio da revisão da literatura existente e da minha avaliação-crítica ao projeto “Resettlement of Women-at-Risk in Brazil”, adotado pela organização no Brasil.
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Claudia Andréa Mayorga Borges - PUC/MG
Identidade, migração e gênero: o caso de mulheres brasileiras e prostitutas em Madrid
O presente trabalho apresenta resultados de pesquisa realizada junto a mulheres, brasileiras, prostitutas, migrantes, em Madrid. O objetivo geral consistiu em analisar como mulheres brasileiras que migram para a Europa para trabalharem como prostitutas estão construindo e reconstruindo suas identidades, com ênfase em suas estratégias de resistência aos sistemas de sexo-gênero-raça. Para tanto, realizamos um percurso teórico que consistiu em análise das teorias críticas acerca da identidade; análise dos fenômenos da feminização da pobreza e dos fluxos migratórios e sua relação com o fenômenos da globalização e do tráfico de mulheres. Como metodologia da pesquisa, optou-se por um enfoque qualitativo a partir da realização de entrevistas semi-estruturadas e análise de conteúdo das falas de 6 mulheres brasileiras que exercem prostituição na cidade de Madrid/ Espanha. Os resultados encontrados revelam como a construção da identidade de mulheres brasileiras, migrantes na Espanha está marcada por um processo de sexualização da diferença que vem acompanhada de um processo de racialização da sexualidade. Isto é, existem representações correntes que remetem a uma naturalização e corporificação das práticas sexuais pelas mulheres brasileiras e do terceiro mundo, bem como das mulheres não brancas. Contudo, elas não se apresentam como meras vítimas dessas representações e concepções e constroem estratégias identitárias de resistência frente a essa situação. Concluímos assim, que embora o patriarcado e os processos de globalização estejam se fortalecendo mutuamente na contemporaneidade, as mulheres também têm buscado formas de resistir, prática essa que se concretiza nas formas de construção e reconstrução de suas próprias identidades.
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Cláudia Voigt Espinola - UFSC
Gênero e etnia no processo de “arabização” da comunidade árabe-muçulmana em Florianópolis
A etnografia da comunidade de imigrantes árabes (libaneses e palestinos) de religião muçulmana em Florianópolis, evidenciou um processo de identificação étnica construído pelo grupo, a partir de sua visibilidade no panorama da cidade, após os atentados de 11 de setembro. Esse processo aqui chamado de “arabização”, trouxe à luz uma elemento fundamental: o papel predominante das mulheres do grupo. Portanto, os vários cenários de afirmação identitária, como a dimensão religiosa, familiar e a participação política são analisados no trabalho, a partir das dimensões de gênero e etnia que se articulam de forma característica no grupo estudado.
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Cristina Mehrtens - University of Massachusetts Dartmouth
Sonhos Ilegais: A trajetória das brasileiras na região de New Bedford, Massachusetts, Estados Unidos.
Este trabalho se relaciona ao estudo da imigração brasileira nos Estados Unidos através da análise das práticas sociais dos imigrantes brasileiros e da relevância das questões de identidade e gênero imersas no processo de troca transnacional embebido nestas práticas. Esta troca ocorre dentro de um quadro urbano característico e particular, onde se acentuam os problemas de transporte e de habitação. Em um primeiro momento, este estudo sucintamente delineia o perfil socioeconômico da região dentro da realidade da Nova Inglaterra e da realidade norte-americana a fim de salientar a especificidade da área da grande New Bedford, Massachusetts. Dento deste perfil, insere-se uma gama de estudos recentes que privilegiam a imigração brasileira explorando dentre outros aspectos, as questões de gênero, população, identidade panétnicas, e exclusão social. Finalmente, objetivando inserir os esforços das mulheres imigrantes no processo de construção de identidade social, este estudo foca na relevância do dinâmico processo de negociação de inclusão social das brasileiras com os diferentes grupos com que dividem este espaço: o nativo, o tradicional imigrante europeu e os novos imigrantes latinos e africanos. A fonte primária deste trabalho resultou de consulta junto a diferentes organizações sem fins lucrativos da área, de entrevistas realizadas com estudantes brasileiros das faculdades locais, e com imigrantes latinos residentes na cidade de New Bedford.
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Ethel V. Kosminsky, Yara Ngomane - UNESP/Marília
Relações de gênero e de geração em grupos imigratórios no Brasil: um estudo comparativo
O presente trabalho compara as relações de gênero e de geração entre cinco grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil no período que vai de 1902 a 1962. Essas datas referem-se ao período compreendido pelas obras analisadas. A primeira reporta-se à chegada de imigrantes italianos, enquanto a segunda se associa ao contingente coreano. Além desses grupos, são também tratadas as relações de gênero nos grupos português, japonês e espanhol. As conclusões preliminares mostram que os grupos imigrantes têm em comum, dentro da família, uma certa ordem a ser seguida. Somente quando os filhos obedecem aos pais, a mulher ao marido, o mais novo ao mais velho é que coreanos, japoneses, italianos, espanhóis e portugueses consideram essa ordem observada. É nas regiões urbanas onde a estrutura familiar se altera mais facilmente, sob o impacto das forças de urbanização e industrialização, que verifica-se um abandono do padrão tradicional da família de origem. Quanto mais cedo ocorre o processo de assimilação mais os filhos tenderão a se mostrar distantes de seus pais, havendo muitas vezes um confronto entre gerações, uma luta na qual normas e valores tradicionais opõem-se ao processo de acomodação social da sociedade inclusiva.
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Gabriella Melo dos Santos - University of Massachusetts Dartmouth
A brasileira e suas representações: como as brasileiras na França percebem e reagem às representações que lhes são associadas
Nesta pesquisa, tentou-se responder à duas questões principais: 1) quais são as representações da mulher brasileira na França, e 2) quais relações as brasileiras que moram na França entretêem com estas representações, tanto nos processos de identificação quanto nas práticas. Para isso foi feita, inicialmente, uma análise de materiais da imprensa francesa tratando do Brasil ou das brasileiras e em seguida, entrevistas aprofundadas com dez brasileiras de perfis heterogêneos e habitantes da cidade de Lyon. De uma forma resumida, as representações da brasileira são sobretudo ligadas ao corpo e às práticas corporais. A homogeneidade destas representações contrasta, no entanto, com a heterogeneidade das percepções, reações, apreciações e utilisações que são feitas destas representações pelas mulheres entrevistadas. Para compreendê-las, precisaram ser levados em conta uma grande variedade de propriedades sociais das entrevistadas e dos seus interlocutores, assim que o contexto das interações.
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Giralda Seyferth
Imigração e etnicidade: A mulher imigrante e a simbólica da identidade de grupo.
Neste trabalho pretendo analisar alguns discursos que articulam mulher e etnicidade, bem como narrativas femininas sobre a experiência da imigração, reportados à Colonização européia e seu corolário civilizatório. O modelo analítico da etnicidade é útil para pensar relações sociais marcadas por divisões dicotômicas cujo referencial maior é um processo de povoamento de longa duração e a formação de um sistema cultural de base camponesa com repercussões urbanas.
No campo das relações interétnicas, tal como aparece no contexto da imigração e colonização no sul do Brasil, existem representações sobre o papel das mulheres na conformação do pertencimento comunitário ou étnico, que apelam às práticas cotidianas e a tradição cultural comum articulada ao processo migratório. Nesse sentido, a mulher imigrante serve como parâmetro para distinções sociais carregadas de símbolos identitários que operam como indicadores de uma comunidade moral compartilhada por indivíduos/ famílias de mesma ‘origem’ étnica. Às mães, pela relevância que tem nos processos de socialização, atribui-se a tarefa de guardiãs dos valores culturais de uma imaginada comunidade de iguais. Assim, serão enfatizadas algumas questões de gênero presentes em um universo discursivo que cria e recria identidades culturais a partir de referências ao passado da imigração, habitus e vida cotidiana
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Gláucia de Oliveira Assis, Sueli Siqueira - UNICAMP
Entre o Brasil e os EUA: gênero, etnicidade e preconceito na novela América
Nesse início de século XXI a crescente emigração de brasileiros/as para o exterior revelou uma nova face do Brasil, a de país de emigração. No momento em que a comunidade brasileira se amplia nos EUA e que há uma maior rigor nas fronteiras norte-americanas, a migração de brasileiros/as tornou-se tema da novela das 20h, ocupando o horário nobre do canal de maior audiência no país. Este trabalho pretende analisar as representações de gênero que são construídas para homens e mulheres no percurso entre o sonho americano e a vida cotidiana no Brasil. Na novela “América” a maneira como homens e mulheres migrantes e seus familiares foram representados reforçam estereótipos de gênero presentes na sociedade brasileira e na sociedade americana, mas também apontam para novas construções de gênero no contexto da migração, quando, por exemplo, enfatizam as trajetórias de mulheres emigrantes. Ao analisar essas representações buscamos pretendemos demonstrar como se entrecruzam gênero, raça e classe social, procurando comparar tais representações com as vivências dos migrantes brasileiros nos EUA.
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Gláucia Ribeiro Starling Diniz - UnB
Gênero, migração e saúde mental
A migração é um fenômeno complexo e multidimensional. Sua compreensão exige um esforço interdisciplinar. Assim, pensamos ser fundamental um olhar, a partir do ponto de vista psicológico, sobre esse processo. O interesse por analisar a migração a partir de uma perspectiva feminina surgiu no contexto de um projeto de pesquisa-intervenção cujo foco inicial era a saúde mental de mulheres no climatério. À medida que nos demos conta que a maioria das participantes do projeto era migrante, essa questão tornou-se um dos temas pesquisados. Atenção especial foi dada aos motivos que desencadearam o processo e o impacto dessa mudança na vida das mulheres e de seus familiares. Buscamos nesse trabalho ressaltar a riqueza da experiência da migrante, através de fragmentos de histórias de vida de mulheres nordestinas radicadas no Distrito Federal.
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Jussara Maria Della Flora - UFP
Ser mulher: trabalhadeira, parideira e companheira no oeste catarinense
A presente abordagem revela a trajetória de vida de mulheres colonizadoras da região Oeste de Santa Catarina entre os anos de 1940 a 1985. Em cenário agrário e conflitivo, registra experiências vividas através da narrativa de suas práticas sócio-produtivas. Analisa como funcionavam os mecanismos de dominação simbólica, estrutural, econômica e sexual. Entendendo que as mulheres eram preparadas desde cedo para serem trabalhadeiras, parideiras e companheiras. O estudo registra o processo de submissão e exploração sofrido pelas mulheres coloniais em todas as fases de sua vida, em todas as partes dos seus corpos. O Trabalho concentrou a atenção na figura feminina, seja a partir de perspectivas isoladas, pensando e refletindo sobre suas experiências, seja no seu círculo familiar e em seu ambiente social.
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Leonardo Cavalcanti
O protagonismo empresarial imigrante a partir de uma perspectiva de gênero: o caso das brasileiras nas cidades de Madri e Barcelona
Baseada no trabalho de campo antropológico, no marco da pesquisa de pós-doutorado, sobre as atividades comerciais dos migrantes latino-americanos nas cidades de Barcelona e Madri, a presente proposta de comunicação se propõe a pensar e fazer pensar em torno ao empresariado imigrante a partir de uma perspectiva de gênero. Dentro dos diversos coletivos nacionais originários da América Latina, muitas são as brasileiras, residentes em Madri e Barcelona, que escolhem o empreendedorismo como uma possibilidade de mobilidade social e como uma alternativa aos setores de empregos tradicionais reservados às mulheres imigrantes, como: a limpeza, o cuidado de crianças e pessoas maiores, os serviços de garçonetes e cozinheiras em bares e restaurantes ou a prostituição. Em outras palavras, as atividades empresariais das brasileiras em ambas cidades espanholas, constituem uma alternativa ao mercado de trabalho secundário e a determinadas atividades que favorecem as relações de exploração laboral e de desigualdade de gênero. Desse modo, o presente texto busca refletir sobre diversos aspectos relacionados com o recente protagonismo comercial/empresarial das imigrantes brasileiras na Espanha, sobretudo nas questões relacionadas com as estratégias de mobilidade social, em ambas sociedades da migração: de origem e de destino. Como também, no tocante ao papel que joga o empresariado imigrante na própria (re)construção social da categoria “imigrante” na Espanha.
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Loreley Garcia
Entremundos- histórias de mulheres transnacionais.
Neste trabalho apresento depoimentos de brasileiras emigrantes usando a técnica da Historia de vida. Elas narram suas trajetórias e experiências como estrangeiras. O objetivo é discutir os deslocamentos no mundo globalizado à luz do conceito de migração transnacional e, especificamente a migração feminina como fator capaz de redimensionar o fenômeno migratório. O referencial teórico assenta-se, sobretudo, em autoras como Dália Kandiotti, Pessar e Mahler e Saskia Sassen; discuto a validade de um método que resgata o particular para tecer o entendimento de um fenômeno cada vez mais universal.
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Lúcia Emiko Yamamoto - Tohoku University
Mobilidade ocupacional no contexto das migrações internacionais – o caso das brasileiras no Japão
A migração é geralmente vista como uma forma das famílias migrantes melhorarem as suas condições sociais e econômicas. Visando a maximização dos benefícios e a minimização dos riscos que a migração traz, a família toma a decisão de alguns de seus membros ou de todos os seus membros migrarem. Neste contexto, as mulheres que migram sofrem muito mais o controle familiar do que os homens. Enfocando a migração feminina no contexto da mobilidade da força de trabalho, estudos indicam que a inserção da mão-de-obra migrante e feminina no mercado de trabalho remunerado é uma resposta à instabilidade ocupacional que seus maridos enfrentam no mercado de trabalho local. Dessa forma, a colocação de seus maridos na economia local está diretamente relacionada à função econômica que essas mulheres exercem na família, sendo impossível desvincular o seu papel econômico ao de seus maridos.A demanda pela mão-de-obra feminina e masculina migrante varia de acordo com as necessidades da economia local, que se utiliza delas de forma diferente.
Baseado nessas pesquisas, o presente estudo tenta responder às seguintes questões: qual a relação entre as estratégias familiares e a mobilidade ocupacional feminina? De que forma as estratégias familiares influenciam a mobilidade ocupacional feminina? De que forma as ideologias relacionadas ao gênero e existentes nas redes sociais estariam influenciando na mobilidade ocupacional feminina? As mulheres migrantes com um melhor background educacional e profissional conseguiriam colocações iguais ou próximas às que ocupavam antes da migração?
Neste estudo a mobilidade ocupacional feminina é analisada no contexto da inserção destas mulheres no mercado de trabalho feminino. As entrevistadas vivem na província de Gunma, região com grande concentração de famílias brasileiras. São enfocados dois nichos ocupacionais predominantemente femininos – o das tradutoras, que atuam nas escolas públicas japonesas e o das operárias na indústria alimentícia.
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Márcia Dalledone Siqueira - UFPR
Revivendo a colônia: o papel da mulher imigrante sírio-libanesa no Brasil.
A imigração sírio-libanesa ocorreu no final do século XIX no Brasil e no Paraná, esse processo se deu em uma conjuntura político-econômica de estímulo ao povoamento e à colonização, atestando um convívio de multiplicidade étnica e cultural. Desde o princípio buscavam sua inserção no meio urbano, cujo convívio foi marcado pela presença de suas tradições e lembranças. Buscaram reviver a colônia na nova terra, isto está presente na fala dos representantes da comunidade sírio-libanesa paranaense. Nesse particular chama atenção do pesquisador o papel desempenhado pela mulher sírio-libanesa, sua posição efetiva na família, sobretudo ao preservar as tradições. Contribuindo diretamente para a formação da identidade e da memória de um grupo social específico, sem deixar de lado a perspectiva da integração com a nova sociedade que os acolheu.
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Maria Catarina Chitolina Zanini - UFSM
Nós e “as antigas”- italianidade, gênero e família
Esta proposta visa problematizar o intercruzamento das categorias de gênero, etnia, família e classe através de pesquisa etnográfica realizada entre descendentes de imigrantes italianos na região central do Rio Grande do Sul (de 1997 a 2001 e retomada em 2006). O universo feminino narrado como o “das antigas” faz parte do processo de construção das memórias locais e é demarcador de linhas de pertencimento étnico também. Refletir sobre como se dá a seleção dos elementos adscritivos contidos nesta demarcação é uma forma de repensar historicamente o universo feminino das descendentes de imigrantes italianas, seja nos domínios da privacidade (e da intimidade) ou nos domínios públicos. Em termos antropológicos, significa, igualmente, conhecer e reconhecer as categorias pelas quais se autodefinem como “mulheres italianas”.
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Mario de Souza Martins
Desmontagem do étnico nas práticas sociais – relações de poder no Paraná
A articulação entre religião e etnia foi um elemento de grande valia para as relações de poder no sul do Brasil, uma região dominada por imigrantes: segundo weber sentimento e representação dão a unidade social. À classe dominante local não interessava em criar políticas públicas que integrasse o imigrante, mas a manutenção da divisão social e visão de mundo trazida da Europa, desta forma o poder poderia ser exercido sem contestação, não só com relação ao outro, mas também de gênero entre os próprios imigrantes, daí a religião ter um papel fundamental na manutenção das normas e valores sociais.
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Miriam de Oliveira Santos
O papel da mulher na reprodução social da família, um estudo de caso com descendentes de imigrantes europeus
No final do século XIX a grande imigração européia para o Brasil é basicamente uma imigração camponesa. Estes imigrantes chegam com as suas famílias e são alocados em pequenas propriedades no sul do Brasil, chamadas de “colônias”. A base do campesinato, que, aliás, se encontra na própria definição do termo, é o trabalho familiar. Sendo assim o casamento é um evento extremamente importante, que produz não só uma nova família, mas uma nova unidade produtiva. Estamos diante do “pai-patrão” que governa o processo de trabalho em uma família que funciona como unidade produtiva hierarquizada, é um contexto onde a categoria trabalho é utilizada apenas em relação a ele, mulheres e crianças ajudam. Nas colônias fundadas por estes imigrantes europeus (não só no Sul do Brasil, mas também em São Paulo e no Espírito Santos e em menor grau no Rio de Janeiro e em Minas Gerais) o controle dos casamentos era visto como extremamente importante já que deles podiam depender a sobrevivência do grupo (e de seus costumes, tradições, etc.) e ainda a posse da terra. Até a segunda metade do século XX ainda eram comuns os casamentos arranjados, os cálculos matrimoniais que uniam não-herdeiros com herdeiras, e especialmente uma tentativa permanente de casar “para cima”, isto é com alguém situado, economicamente falando, em um espaço social um pouco acima do seu. (havia a preocupação que os casamentos, mesmo os “para cima” não fossem muito desequilibrados). Nesse contexto casamentos fora do grupo são raros e vistos com desconfiança e geralmente só eram realizados quando havia a possibilidade do indivíduo não casar, situação vista como muito pior do que a alternativa de “casar para baixo.” Procuraremos analisar neste artigo alguns destes casamentos examinando especialmente as variáveis gênero e etnia
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Renata Correliano Nardocci - UNESP/Marília
Mulheres brasileiras em Londres: cruzando fronteiras e mudando identidades
Aproximadamente nas três décadas percebe-se um movimento migratório intenso de brasileiros e principalmente brasileiras que resolveram tomar o rumo da Inglaterra, fincar raízes e fazer a vida. Trabalhadora qualificada ou sem qualificação, enfim, quantas diferentes mulheres podem habitar uma mulher enquanto esta se desloca no território da imigração transformando sua condição? Quantas nacionalidades condições étnicas e culturais uma mulher pode construir e suportar? São muitas as condições do feminino e estão em constante construção. Mulheres brasileiras em Londres: cruzando fronteiras e mudando identidades, analisa a situação da mulher na condição do seu deslocamento no território da imigração e reflete sobre os encontros e desencontros culturais porque, assim como são várias as realidades, as mulheres também são muitas.
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Roberta de Alencar Rodrigues, Marlene Neves Strey
Os atravessamentos do gênero no processo de aculturação de universitários(as) estrangeiros(as) latino-americanos(as) no contexto acadêmico
Os estudos de migração, seguindo o legado da história de retratar a vida dos homens como a norma, acabaram por omitir também a presença feminina no fenômeno migratório. Esta investigação, que faz parte de uma dissertação de Mestrado, refere-se à relação das questões de gênero com o processo de aculturação de universitários(as) estrangeiros(as) latino-americanos(as) no contexto acadêmico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, que busca elucidar a ótica dos(as) participantes acerca da influência da variável gênero no seu processo de aculturação. Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturada com 3 mulheres e 3 homens que são universitários(as) estrangeiros(as) latino-americanos(as) e moram no Brasil há pelo menos 6 meses. Partindo dos Estudos de Gênero e Aculturação, buscou-se examinar a experiência desses sujeitos através da Análise do Discurso.
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Samira Adel Osman - SENAC/SP
O papel da mulher árabe no processo imigratório entre o Brasil e o Líbano
É senso comum o preconceito que ronda o papel das mulheres árabes em sua comunidade de origem, sobretudo da religião muçulmana, no tocante aos estereótipos de submissão e pouca (ou nenhuma) participação na organização familiar desse grupo. No entanto, os estudos voltados para o processo migratório da comunidade líbano-brasileira, incluindo aí as migrações de retorno, por meio da História Oral de vida familiar, tem mostrado uma outra face dessa complexa relação, cuja presença feminina tem ido além do espaço doméstico, com uma atuação bastante contundente na preservação dos valores tradicionais e na adequação aos novos valores adquiridos durante o processo migratório. Estudo, trabalho, casamento são algumas das possibilidades de abordagem que visam superar a visão estereotipada em relação ao grupo das mulheres árabes na imigração, cuja análise é a proposta desta comunicação.
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Sidney Antonio da Silva - UNICAMP
Hispano-americanas em São Paulo: um estudo comparado de relações gênero
A feminilização dos fluxos migratórios é uma questão que vem chamando a atenção de estudiosos de diferentes disciplinas nos mais variados contextos. As razões pelas quais mais mulheres tomam a decisão de migrar são múltiplas: pobreza, violência, buscar melhores condições de vida para suas famílias, buscar melhores oportunidades no mercado de trabalho, conhecer uma nova cultura, estudar, romper com situações que limitam o exercício de sua liberdade etc. No caso das latino-ameicanas no Brasil não poderia ser diferente. Este trabalho propõe-se a fazer um estudo comparado entre três grupos de mulheres de diferentes nacionalidades e culturas, um deles de bolivianas, outro de peruanas e um terceiro de paraguaias. O elemento comum que as une é a condição de trabalhadoras, em sua maioria, no setor das confecções. Nesse sentido, importa perguntar qual é o impacto que a inserção de cada uma delas num outro contexto sócio-cultural produz nas suas visões de mundo, particularmente, com relação à condição de gênero.
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Sylvia Dantas Debiaggi - USP
Gênero, subjetividade e migração: Novo e antigo na busca de uma nova vida.  
O presente trabalho baseia-se na pesquisa de intervenção psicossocial realizada através do trabalho de Orientação e Atendimento Intercultural na Universidade de São Paulo. Esse trabalho é voltado para atendimento psicológico e orientação intercultural de imigrantes, migrantes, brasileiros descendentes de imigrantes, brasileiros retornados do exterior e brasileiros que vão residir no exterior. A intervenção junto ao migrante nos auxilia no estudo, compreensão e análise de categorias psicológicas envolvidas na mudança de país, assim como objetiva oferecer assistência psicológica. Nesse sentido, a intervenção tem um caráter preventivo primário e secundário (Bleger, 1986). Nesse trabalho questões relativas à identidade de gênero, relações de gênero e suas profundas implicações psicológicas são apontadas como fatores cruciais a serem analisados na compreensão do significado para o migrante do contato entre culturas e deslocamento. Baseamo-nos nos estudos de gênero, na psicologia intercultural assim como na teoria psicanalítica. Através de estudos de caso pretendemos ilustrar a relação entre gênero, psicodinâmica e interculturalidade. Em atendimento de preparo para o exterior realizado por psicólogas do Serviço de Orientação Intercutural, uma brasileira buscava na mudança de nação a fuga da situação de abuso sofrida no país, indicando que apesar de cruzar fronteiras nacionais se colocava em situação propícia a repetição do mau trato conforme indicou nossa análise de sua dinâmica interna e trabalho terapêutico com a mesma. Outra brasileira de segunda geração de imigrantes temia que a mudança para o país dos ancestrais significasse assumir um papel feminino conservador segundo os padrões tradicionais vividos pelas gerações anteriores. A constante negociação entre o antigo e a possibilidade do novo emergem no deslocamento e na busca de uma nova vida. Tais casos apontam para as profundas marcas que concepções de gênero e preconceitos exercem sobre o psiquismo humano - ansiedades, mobilização de defesas psíquicas - e a ação, articulando assim gênero, subjetividade e migração.
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