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ST56 - Gênero, feminismo e cultura popular

Coordenadoras:     Edla Eggert - (PPGEdu UNISINOS)
                               Lady Selma Ferreira Albernaz - (UFPE/PPGA)

Resumo

O objetivo deste simpósio é articular gênero, feminismo e cultura popular, considerando dois tipos de estudos: 1) trabalhos que contemplem empiricamente camadas populares, numa interface entre uma cultura de classe popular e relações de gênero; 2) trabalhos que analisem, na perspectiva de gênero e feminismo, bens culturais classificados como cultura popular (festas, rituais, artesanato, etc, contemporâneos ou tradicionais). São muitos os trabalhos realizados com camadas populares, entretanto geralmente apresentados a partir de recortes de reprodução, trabalho doméstico, família etc, ficando em segundo plano o debate sobre a relação entre cultura das classes populares e gênero. Quanto ao outro tema, são raras as investigações com este tipo de interface, mesmo que a produção de cultura popular no Brasil seja intensa, e comumente correlacionada com afirmação de identidades regionais e nacional, assunto importante nos estudos de gênero. Por sua vez, o movimento feminista, em diferentes campanhas internacionais, usou artefatos manuais produzidos coletivamente, sem, contudo, analisar teórica e politicamente as implicações, metodológicas e cognitivas, de reproduzir práticas artesanais consideradas “femininas”. Há escassez de trabalhos publicados e poucos GTs, em eventos nacionais ou locais, que inter-relacionem bens culturais populares, gênero e feminismo, sendo mais recorrente investigações sobre produção artística feminina classificada como erudita. Poderíamos assim estar naturalizando as produções de bens culturais populares e as relações de gênero que elas comportam? Nesse sentido, pretende-se abrir um debate pouco explorado no campo do gênero no Brasil, que possibilite um diálogo entre pesquisadores que querem aprofundar a relação classe, gênero, raça/etnia. Tanto na perspectiva de uma cultura de classe, quanto na de estimular estudos sobre bens culturais populares, cuja estética específica podem iluminar processos atuais e antigos das relações de gênero. Por fim, um simpósio como esse poderia contribuir para desvendar preconceitos investidos sobre estas produções culturais e a relutância acadêmica em abordar este assunto atualmente.


Trabalhos

Aline Lemos da Cunha - UNISINOS
“Às margens” das lagoas lavando suas roupas (e “hidratando” suas almas): ancestralidade e atualidade de mulheres afro-brasileiras e a construção de saberes em espaços não-formais
É comum nos relatos sobre mulheres afro-brasileiras, trabalhadoras em regime de escravidão no séc. XIX, encontrarmos subsídios para compreender a construção de espaços educativos não-formais, onde eram compartilhados saberes. Construiu-se, a partir daí (e até hoje), uma forma de resistência feminina afro-brasileira, baseada em “miudezas”: através de breves falas, no aprimoramento das técnicas de embelezamento, na coleta de ervas e feitura de chás, nas rezas e cantos, na lavagem das roupas dos senhores... enfim, em momentos até mesmo inusitados da vida cotidiana. Neste estudo, serão apresentados, especificamente, alguns indícios de produção de saberes em espaços não-formais, encontrados em relatos de manifestações da cultura afro-brasileira no referido contexto e suas implicações para a atualidade de mulheres afro-brasileiras.
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Aline Porto Quites - UFSC
Uma releitura da Maricota do Boi-de-mamão sob uma ótica feminista
As filhas da Maricota, trabalho do grupo de performance poética Corpo de Letra, da Universidade Federal de Santa Catarina, trata-se de uma releitura da Maricota, figura folclórica do litoral catarinense, que integra o folguedo Boi-de-Mamão. A Maricota é normalmente a única figura feminina nessa brincadeira e é representada por uma boneca muito alta, desengonçada e com braços desproporcionalmente longos. Partindo dessa imagem, o grupo Corpo de Letra desenvolveu uma performance, criando diferentes miniaturas, cada qual com características próprias, representando mulheres com histórias distintas. Essas bonecas receberam falas e textos, obtendo-se, assim, uma leitura feminista da Maricota. A performance foi analisada quanto ao seu processo de criação, sua recepção e quanto às questões de gênero nela presentes.
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Carmo Thum - UFPel/UNISINOS
A tradição do stüpers no sul do Rio Grande do Sul
Esse trabalho analisa uma prática festiva da cultura pomerana no Sul do RS, denominada “stüpers” presente na tradição pomerana rural, no interior do Munícipio de Arroio do Padre. Trata-se de uma celebração da Páscoa muita descontraída a começar pelas roupas rasgadas, remendadas, máscaras com pedaços de pano, capuz, carvão no rosto. A brincadeira envolve cantoria, dança e a prática de usar ramos de árvores para bater às janelas das casas, avisando a chegada do grupo. A pergunta que nos colocamos (o CEPPAD) é: como participa a mulher no “Stüper”, qual sua função nesse folguedo popular? Para tanto participamos do folguedo e realizamos pesquisa baseada em entrevistas e documentos fotográficos junto a uma comunidade pomerana.
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Daniela Bunn - UFSC
Ratoeira bem cantada, manifestação popular
Essa comunicação visa analisar uma forma simbólica de manifestação cultural açoriana de Florianópolis, a Ratoeira. A Ratoeira é um dança de roda embalada por versos de improviso. Antigamente homens também participavam com intuito de conquistar os carinhos das jovens. Atualmente, nas raras apresentações (pois a dança passou de diversão em festas, escola ou colheita para manifestação artística) apenas as mulheres dispõem-se a improvisar alguns versos. O intuito é analisar como esta prática tornou-se basicamente feminina ao longo dos anos, além da forte presença de um eu-masculino por trás dos versos. As informações baseiam-se em entrevistas realizadas na Ilha de Florianópolis com algumas senhoras que praticavam este tipo de dança. Os versos foram analisados e compilados, em sua maioria seguem as mesmas cadências e apresentam uma estrutura básica. Falam de amor, amizade, desafios, intrigas: “ratoeira bem cantada/faz chorar faz padecer/também faz um triste amante/do seu amor esquecer”; “acendei aquela vela/apagai aquela outra/eu sou filho da fortuna/largo duma e pego noutra”.
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Danielle Michelle Moura de Araújo - UFRGS
“O trabalho com barro é coisa pra mulher” as loiceiras do tope em Viçosa do Ceará
Este texto retrata as Loiceiras do Tope, em Viçosa do Ceará, onde analisei a produção artesanal de mulheres que trabalham com barro. Atividade com barro é conhecida historicamente como uma atividade feminina em que atributos como paciência e delicadeza são fundamentais para a produção das peças. Aos homens caberia a extração do barro dos barreiros, assim como a queima das peças, tarefas grosseiras. Durante o período da pesquisa (2004-2005) observei que o trabalho com barro, demanda das artesãs força e resistência, aspectos tidos como masculinos. A categoria reordenamento foi fundamental para pensar como as informantes elaboram conceitos e significados presentes durante a confecção das peças. No caso do artesanato de barro, observei que ao invés de masculinizar as mulheres, há uma feminilização da atividade e dos objetos produzidos, que são tidos como “coisa de mulher”.
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Débora Alves Feitosa - UFBA
“Comigo ninguém pode!” Um modo de compreender as relações de gênero em grupos populares
No meu trabalho de tese tive dificuldade de encontrar nos estudos feministas e de gênero, um discurso que representasse de forma coerente o modo como os grupos populares compreendem e vivenciam as relações de gênero, sem cair na armadilha do juízo de valor. Optei pela descrição de tais relações, revelando a compreensão que tem o grupo com o qual trabalhei e, o modo como vivem as relações de gênero. Percebi ao longo da pesquisa as tensões que atravessavam a relação entre homens e mulheres e com muita freqüência, entre as mulheres. Observei, no entanto, que as relações de gênero não são vividas de forma dramática. Identifiquei a esperteza e as artimanhas como um modo de resistência e de reação às atitudes masculinas. São estas questões que proponho dar seguimento neste Simpósio, onde espero encontrar interlocutores.
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Débora Suelle Marcelino de Miranda - UEPB
A participação da mulher no cangaço
O presente ensaio teórico, discorre sobre a propagação do cangaço pelos sertões nordestinos, dando ênfase à participação da mulher neste, registrada a partir da terceira década do século XX, sobretudo
ao papel exercido por Maria Bonita tida como a inspiração para a inserção da mulher no Cangaço. Buscamos analisar os fatores que contribuíram para a inclusão feminina no cangaço, e as possíveis
contribuições das mulheres a esse movimento, bem como as modificações por estas provocadas nas características dos bandos, como por exemplo, à diminuição das práticas de violência, a retração do nomadismo entre outras. A partir daí, propomo-nos a analisar as implicações desta participação na construção de uma formação cultural da imagem da mulher nordestina para todo o país e para o mundo. Por último esse estudo visa contribuir para o esclarecimento de mitos e equívocos que perduram até os dias atuais, fazendo eclodir preconceitos e discriminações em relação à mulher do Nordeste.
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Edla Eggert - UNISINOS
Tramando outros conhecimentos: artesanato e debate temático
Esse texto apresenta o estágio atual das leituras feitas de uma pesquisa na ação coletiva da produção de uma peça artesanal, colagem sobre tecidos, que desenvolve a temática da violência contra as mulheres. Um grupo de nove mulheres de uma Organização Não Governamental de São Leopoldo/RS analisa coletivamente a proposta metodológica de fazer um empreendimento na dimensão pedagógica entre o ato de confeccionar [ação artesanal] e o ato de conversar sobre o tema da violência contra mulheres [ação de reflexão]. Como vai se dando essa dinâmica? O que desencadeia? Esse tipo de questionamento vem fazendo parte do processo de pesquisa. Nesse exercício articulam-se conhecimentos da Educação Popular com leituras dos estudos feministas. Há uma mistura de descobertas e criações que podem ser feitas na ação pedagógica do cotidiano de pessoas que ensinam e aprendem simultaneamente.
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Graziela Rinaldi da Rosa - UNISINOS
Filosofia no feminino: valorização de saberes femininos e populares
Buscando construir uma filosofia no feminino, com uma identidade latino-americana, encontramos em algumas leituras de obras, raramente encontradas em nossas bibliotecas de escolas e universidades, saberes filosóficos que valorizam as culturas populares. Escritos que falam, no campo da filosofia, daquilo que a filosofia não costuma falar e nem sequer ouvir...saberes que criticam o método cartesiano e colocam outras questões no debate científico. Assim, o presente trabalho tem como objetivo, mostrar o que algumas filósofas, especialmente latino-americanas vêm contribuindo para a valorização da cultura popular em seus trabalhos, como e se essas questões aparecem em obras de filósofas e ainda, que aproximações elas fazem entre feminismo e a filosofia, já que podemos dizer que há uma filosofia no feminino, e essa é construída baseada em experiências cotidianas que, valorizam saberes que não possuíam valor para a maioria.
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Hugo Menenezes Neto - UFPE
“Damas e cavalheiros” – as relações de gênero nas quadrilhas juninas do Recife
Neste trabalho exponho minhas impressões de campo e analiso questões que tangem as relações de gênero nas quadrilhas juninas da cidade do Recife, tais como: A divisão sexista das atividades de construção do espetáculo e também na idéia a priori de como devem ser uma “dama” e um “cavalheiro” na manifestação; A reafirmação dos preconceitos contra a mulher, presente no casamento junino; A questão das “caricatas”, uma nova personagem interpretada por homens travestidos de mulher, que dança e atua durante todo o espetáculo, mexendo com a subjetividade da construção dos papéis sociais e sexuais de homens e mulheres. Além da reflexão acerca do grande número de homossexuais, a aceitação e respeitabilidade destes por parte do seu próprio “pedaço”, pela comunidade em que está inserido e pela sociedade.
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Lady Selma Ferreira Albernaz - UFPE
Algumas dimensões de gênero no bumba meu boi maranhense: reafirmação da “mulata brasileira”?
Este trabalho analisa a participação de mulheres nos diferentes “sotaques” do bumba meu boi maranhense, num contexto de afirmação de identidade regional frente à nação. Apresenta um recorte dos dados e resultados de tese, com campo em São Luís-MA. Analisa, interdisciplinarmente, a definição local de cultura popular. Usa teorias de gênero que o inter-relaciona com raça e classe e acrescenta geração, empiricamente relevante. Os resultados indicam aumento do número de mulheres, paralelo à permanência de uma classificação tradicional de gênero dos personagens do bumba boi. Entretanto, mudanças recentes sugerem novas qualidades de gênero, próximas dos estereótipos da “mulher brasileira”, inter-relacionadas com raça, classe e geração, exigidas das mulheres que participam como “índias” em alguns sotaques, criando novas desigualdades de gênero.
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Maria das Graças Vanderlei da Costa - UFPE
Máscara de careta: face de mulher
Dentre os fenômenos que envolvem a Cultura Popular, destacamos a formulação de identidade nas nossas cidades nordestinas, resultante da necessidade de ressaltar características que as traduzam e que resumam suas diferenças frente a outras regiões. Triunfo, cidade do sertão Pernambucano, vivencia este processo. Nela encontramos um folguedo popular, os Caretas, representante de sua cultura. Estes mascarados brincam no Carnaval e apresentam-se em vários momentos do ano para os turistas. Sendo a brincadeira há décadas predominantemente masculina, conta cada vez mais com a inserção feminina, cuja participação suscita questões importantes referentes às relações de gênero. Nosso trabalho destaca pontos sobre a presença feminina no folguedo e aborda elementos que envolvem a Cultura Popular na construção de identidade local.
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Maria de Fátima Massena de Melo - UFRPE
Mulher e consumo: entre o feijão e o sonho
Os "usos" que mulheres de um conjunto habitacional popular, Surubim-PE, representando uma cultura popular, fazem das propostas de um Programa da Caixa Econômica Federal, sofrem influência do consumo e do gênero, mediações "por excelência". A recepção é entendida como processo onde a cultura se manifesta. Pobreza e consumo originam a contingência nos alimentos e vestuário tornando-se relativa na aquisição de produtos de beleza, móveis e eletrodomésticos. Gênero e consumo influenciam a adesão ao programa e a busca da inserção através do consumo de bens que as identifiquem e as façam sentir-se reconhecidas como pertencendo à cultura hegemônica/massiva, no simbólico. O estudo de caso mostrou que as mulheres vivenciam dificuldades e desnivelamento para sobreviver, alimentando aspirações de consumo que não vêm ao encontro das propostas do programa.
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Maristela de Melo Moraes - Instituto PAPAI
Fortalecimento de grupos de homens jovens a partir da cultura popular: encenando a vida e vivendo a cena
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma reflexão sobre a experiência de fortalecimento de grupos de homens jovens de baixa renda, a partir dos princípios do feminismo, realizada pelo instituto papai, que utiliza o teatro como ferramenta de reflexão e auto-reflexão sobre as expressões das masculinidades no cotidiano. A partir do uso das ferramentas vivenciais e de empoderamento que o teatro possibilita, vários homens jovens puderam expressar desejos, idéias e projetos de vida, e ressignificá-los pela encenação das suas vidas e reorientação de roteiros para além do espaço de espetáculo.
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Neusa Maria Bongiovanni Ribeiro - FEEVALE/UNISINOS
As redes informais de comunicação, as mulheres e a cultura popular
O trabalho aborda a discussão sobre a constituição das Redes Informais de Comunicação, com a participação das mulheres, como um elemento presente na cultura popular. Ao se discutir a formulação das redes informais de comunicação que estão na base do processo das relações sociais, e, portanto, presentes na cotidianidade de diferentes grupos humanos, com a participação do olhar feminino, se estabelecem possibilidades de reconfigurações no âmbito da família, da vizinhança, das associações de moradores, da escola, etc., em que o papel das mulheres contempla novas mediações, inclusive para a cultura popular. De outra forma, ao se relacionar com o que a mídia tem apresentado sobre as questões de gênero e cultura popular, tende-se a pensar que há elementos formuladores de formas diferentes de participação social, num mundo em que as questões locais são fortalecedoras das identidades comunitárias.
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Patricia Griep Kern, Carmo Thum - UFPel/UNISINOS
Imagens das rainhas na festa do colono: espaços da mulher pomerana?
Esta análise é fruto de uma investigação voltada ao resgate da memória, com base na história oral e auxilio nas imagens sobre a Festa do Colono na Comunidade Herval, zona rural do município de Canguçu. O revisitar a história da Festa do Colono oportunizou o afloramento da memória histórica, desde os idos de 1948, onde o as questões de gênero se fizeram muito estereotipadas, ficando o feminino relegado ao processo de desfile, como objeto a ser contemplado. Os significados dados pelas Rainhas das Festas nos aproximam da forma de ser e festejar deste grupo, que relegava à mulher o papel de co-adjuvante na promoção da festa. Analisando a participação da mulher, na voz das rainhas, através de relatos orais e imagens buscamos compreender o papel da festa na vida comunitária e o papel da mulher nas mesmas no período de 1948 a 1990.
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Sandra Beatriz Morais da Silveira - UFRGS
A análise sob o ponto de vista das alunas, dos resultados de um projeto pedagógico antidiscriminatório
Neste artigo pretendo apresentar uma reflexão de uma pesquisa realizada com um grupo de trinta e seis lideranças femininas comunitárias, todas participaram de cursos de formação de Promotoras Legais Populares, nas cidades de Canoas e Porto Alegre/RS, entre 1998 a 2000. Neste período foi introduzido no programa do curso, a temática das relações raciais, tanto no aspecto de construção de identidades, quanto dos mecanismos legais de combate ao racismo e as discriminações.Ao assegurar o direito de voz as participantes dos cursos, procuro saber do ponto de vista dessas mulheres, se ocorreu mudança de suas identidades raciais e nas suas participações política, a partir do estudo desta questão. O estudo possibilitou conhecer seus entendimentos e práticas sobre o racismo, e a relação estabelecida entre o curso, denominado de educação informal enquanto projeto pedagógico antidiscriminatório.
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Sonia Missagia Mattos - UFU/UFES
Gênero e arte
Essa comunicação enfoca as peças de cerâmica produzidas pela arte do barro no Vale do Jequitinhonha que são delineadas a partir da experiência de viver a vida no Vale e de ver o mundo aos modos dos habitantes do Vale. Por isso, mais que peças decorativas, ou ilustrativas da cultural daquela região, esses objetos produzidos são símbolos, são documentos que buscam um lugar significativo entre tantos outros documentos sobre o Vale. Sendo que é através deles e das histórias de vida vividas e relatadas pelos artistas do barro que procurei estudar os domínios sociais nos quais as pessoas do Vale lidam com o sistema de significado em geral, em particular o de gênero, interagem com as possibilidades de mudanças e procuram acomodá-las no sistema de símbolos mais amplo de sua comunidade.
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Sônia Regina Romancini - UFMT
Entre o barro e o siriri: um estudo sobre o papel da mulher na cultura popular de São Gonçalo beira rio em Cuiabá-MT
O presente estudo tem como objeto central discutir o papel das mulheres nas relações entre espaço e cultura através de sua participação na produção da cerâmica artesanal e na dança do siriri na comunidade de São Gonçalo Beira Rio, fundada no século XVIII, às margens do rio Cuiabá. A presença dos índios Coxiponé ficou refletida nos traços dos moradores de São Gonçalo, nas rimas e músicas, na cerâmica, no uso de plantas medicinais, na benzedeira, nas danças, dentre outras práticas que evidenciam a importância do papel desempenhado pelas mulheres. Entre os procedimentos adotados destaca-se o levantamento bibliográfico, a realização de entrevistas às artesãs e dançarinas de siriri e o registro fotográfico. Verificou-se que a cerâmica artesanal e a dança do siriri são elementos que contribuem para a identidade da comunidade.
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