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ST57 - Gênero: trânsitos multidisciplinares

Coordenadoras:    Renata de Felippe - FURG/UFSC
                              

Resumo

Trabalhos

Adelio Sonegheti Junior - UFES
A busca pelo corpo perfeito: ditadura do corpo, violência psicológica e políticas públicas
As mulheres, principais alvos da indústria da moda que objetivam a “juventude eterna”, são as responsáveis pela movimentação de bilhões de dólares anuais para a aquisição de novos “milagres” que prometem rosto e corpo sempre jovens. Criou-se uma ditadura do corpo perfeito, no qual milhões de pessoas se preocupam em demonstrar uma aparência igual ou aproximada àquela demonstrada pela mídia e considerada “perfeita”. Contudo, nem todas as pessoas conseguem seus objetivos e por isso se martirizam. A busca pelo corpo irreparável tornou-se, principalmente para o sexo feminino, uma obsessão que, quando não alcançado, tortura psicologicamente levando milhares de mulheres a praticar sacrifícios, com o objetivo de enquadrar-se no padrão perfeito construído pela sociedade. O fato de não conseguir alcançar o padrão desejado leva a maioria das mulheres a desenvolverem sérios problemas psicológicos, como a depressão, podendo levá-las até mesmo a morte. Mesmo sendo uma ameaça a proteção física do ser humano, não há, no Brasil, nenhum projeto governamental de segurança contra esse tipo de risco psicológico, demonstrando a omissão do Estado perante um de seus deveres, ou seja, a segurança de sua sociedade civil.
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Caren Schultes Borges
Juventude e mal-estar contemporâneo
Pretende-se denunciar a juventude como categoria social excluída de direitos sociais, vítima do desemprego e da desqualificação massivos. Há intencionalidade de se mostrar que mesmo em municípios considerados pelo Atlas da Exclusão Social no Brasil como ilhas de inclusão social, o desenvolvimento econômico não é soberano indicador de redução da pobreza e da desigualdade social. O desemprego e a pobreza não são características exclusivas do norte e nordeste brasileiro, nem das metrópoles. As disparidades intra-regionais são perceptíveis, também, no sul do Brasil. O objetivo é averiguar a atualidade da assertiva freudiana sobre o mal-estar e analisar as particularidades da (in)satisfação entre os jovens segundo status social e gênero, a partir de um estudo de caso com jovens com idade entre 15 e 24 anos residentes em Santa Cruz do Sul.
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Claudio Roberto da Silva - USP
Entre as crenças e as ações: os desafios para a construção da “cultura do respeito” aos direitos de cidadania do segmento GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros)
A comunicação tem o objetivo de apresentar uma breve compreensão sobre como se formou o cenário que fomenta a relação das escolas com a temática da “cultura do respeito” à diversidade humana, tendo como recorte específico o segmento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). A questão colocada se refere à interação entre duas esferas que podem ser observadas com a criação dessa proposta: uma ligada ao sistema institucional pautado pela legitimidade das diretrizes e ações em defesa dos direitos humanos e que devem ser vistas como preocupações da instituição escolar; e a outra que reconhece a influência dos alicerces culturais sobre o que se entende por sexualidade, até então heterossexual e reprodutiva, e que ainda alimentam a dinâmica das relações humanas presentes na escola. A hipótese é que a referida “cultura do respeito” depende da produção de significados que os membros da unidade escolar possuem no tocante à idéia de sexo-gênero e de sexo-orientação sexual. No seio da unidade erscolar, seus membros circulam discursos de natureza diferentes (religiosa ou científica, por exemplo) que lhes permitem formular interpretações dessas identidades e que influenciam suas relações com as diferenças ligadas à orientação sexual. Não é possível pensar a existência de pessoas que herdaram essas diferentes linguagens sem buscarmos a constituição dos locais públicos – como as escolas -, onde circula uma pluralidade de compreensões formuladas acerca deste tema.
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Danielle Lameirinhas Carvalhar - UFMG
Gênero e educação no Brasil: tendências das publicações dos últimos anos
A partir de várias leituras sobre a temática, foi possível constatar que o texto da Scott “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”, traduzido para o português em 1990 e revisado e republicado em 1995, produziu uma mudança nos estudos sobre gênero e educação no Brasil. Porém, ainda não tínhamos clareza sobre o que se foi pesquisado neste campo desde então. O que passou a ser priorizado nos estudos sobre gênero e educação no Brasil? O que foi constatado? Que articulações teóricas passaram a ser feitas nesse campo de estudos? Diante dessas interrogações que fazia ao conhecer melhor a produção desse campo, considerei importante sistematizar o que vem sendo discutido e produzido sobre gênero e educação no Brasil. Resolvi, então, fazer deste tema o objeto de estudo da minha monografia de conclusão do curso de pedagogia, que tem como pergunta central: o que se tem produzido e publicado no Brasil sobre “gênero e educação” no período do 1990 a 2004? A escolha do período inicial, 1990, se justifica pela importância que o texto da Scott tem nas produções desse campo. Busquei, portanto, por meio de uma pesquisa bibliográfica mapear a situação em que as pesquisas dessa temática se encontram. O levantamento realizado possibilitou destacar quando, onde e quem produz pesquisas sobre essa temática. Os resultados encontrados mostram que o tratamento dado a este tema pelos estudos têm sido reduzido e disperso durante o período investigado. Apesar disso, esses estudos apresentam alguns avanços em relação às décadas anteriores. Argumentam sobre a utilidade da categoria gênero para análise das relações desiguais presentes na educação de meninos e meninas (relacionada com raça/etnia, classe social, entre outras). Conclui-se apresentando as continuidades e descontinuidades entre as produções. Por fim, apresentam-se as lacunas no campo e temas para estudos posteriores.
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Edilene Machado Pereira - NAPUC
Os obstáculos enfrentados pela mulher negra na busca da ascensão social
Apesar do conceito de discriminação constituir um dos pontos centrais dos estudos no campo das relações raciais e de gênero, observa-se que esses estudos na quase totalidade versam a respeito da não expressividade dos negros no mercado de trabalho. Fazendo uma reflexão mais atenta do contexto político sócio-econômico brasileiro atual, percebe-se, uma nova realidade quanto à inserção da população negra especializada, principalmente da mulher negra, no mercado de trabalho. Assim, torna-se relevante abrir o debate em torno das formas de apropriação dos mecanismos usados por essa nova classe na sociedade brasileira. De modo que ele possa contribuir para a continua transformação da realidade das mulheres negras, dando visibilidades positivas às mesmas, aumentando a auto-estima das já inseridas como as que irão inserir-se utilizando para isso a via educacional.
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Felícia Silva Picanço - UERJ
Mobilidade e realização de êxito no Brasil: impactos da cor e escolarização entre homens e mulheres
Os estudos sobre as desigualdades revelam que as mulheres são mais escolarizadas que os homens e os negros menos escolarizados que os brancos. Os estudos sobre estratificação e mobilidade tradicionalmente oferecem uma abordagem na qual o gênero e cor são elementos que se perdem. Ao longo das últimas décadas tornou-se inevitável não apenas problematizar o tratamento da estratificação e mobilidade a partir dos homens, como também se criou uma agenda de pesquisa teórica e empírica para a abordagem de gênero e cor nessa área. O Brasil, embora tenha grande produção sobre gênero e trabalho, apresenta pouco investimento na discussão de gênero, cor, estrutura da estratificação e mobilidade. Diante dessa lacuna, desenvolvi uma tese de doutorado sobre a mobilidade sócio-ocupacional e a realização de êxito no mercado de trabalho brasileiro segundo gênero. Para tanto analisei os impactos da cor, escolaridade e origem social nesse processo. É o resultado desse estudo que proponho apresentar no simpósio.
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Jonas Henrique de Oliveira - UFRJ
Juventude, gênero e violência
O objetivo deste trabalho é apresentar as reprentações e práticas sociais de um grupo de policiais militares sobre jovens de ambos os sexos e de diferentes camadas sociais com os quais estes lidam cotidianamente na cidade do Rio de Janeiro. Este trabalho é fruto de minha dissertação de mestradodefendida em junho de 2005 no Programa de Pós-Graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No mestrado estive particularmente interessado em uma questão sociológica especifica: até que ponto as representações associadas aos jovens de ambos os sexos influenciam nas ações dos policiais militares? Assim, juventude, genêro e violência encontram-se intimamente relacionados na visão de mundo dos policiais. É possível afirmar que os jovens são classificados de acordo com os locais em que residem. Nesta perspectiva, as falas dos policiais ascilam entre jovens do asfalto, meninos de rua, jovens da zona sul, jovens da zona norte. Essas classificações mais gerais abrangem espaços para categorias de acusação como: patricinhas, playboys, traficantes, fedorentos dentre outros. Desse modo, além de os policiais ressignificarem os espaços que transitam, também vinculam as identidades dos jovens aos territórios em que se encontrem. O olhar do policial, construído a partir de uma profunda imersão na “cultura das ruas”, discrimina, seleciona, separa e define o tratamento a ser dispensado aos jovens de ambos os sexos. Assim, muitas vezes se aproveitam de uma posição de prestigio em benefício próprio. Os jovens são vistos como responsáveis pelo futuro da sociedade mais ampla. No entanto, entre os policiais, eles são os grandes responsáveis pelo caos provocado pela violência na cidade do Rio de Janeiro, pois pegam em armas, têm filhos adoidado sem as condições necessárias para criar, roubam e assaltam etc..., ou seja, a juventude é sempre pensada como um “problema social” e, portanto, uma questão de segurança pública.
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José Sávio Leopoldi
Antropologia do desejo masculino: sexualidade, feminilidade e modernidade
A modernização do comportamento feminino na direção de igualdade para com o masculino não tem concorrido para um inegável fortalecimento das relações entre homens e mulheres. A modernizaçãotem implicado a contrução de uma nova feminilidade para a qual o psiquismo e a sexualidade do homem não estão preparados, a despeito de manifestações “politicamente corretas” que , no entanto, não atingem as profundezas do nivel inconsciente dos indivíduos. O desejo masculino, ainda que constitua uma manifestação instintivas da natureza humana, nem por isso está dissociado das instâncias culturais em que se deve inserir o objeto do seu desejo, ou seja, a mulher. Em outras palavras, ainda que a feminilidade tenha raízes na constituição biológica da mulher, em larga medida é o resultado de uma elaborada construção sociocultural. Nossa hipótese é que os tempos modernos estão provocando uma reconfiguração da feminilidade para a qual o psiquismo, a sexualidade, vale dizer, o desejo do homem, está se adaptando de maneira muito mais lenta do que o esperado pelas mulheres modernas. Isso acontece porque tal desejo, associado aos aspectos expressivos do corpo feminino, esteve sempre direcionado para a mulher que desempenhava um papel socialmente secundário em relação ao masculino e sujeitava-se ao poder, não apenas físico, do homem. É o que se constata ao longo do processo evolutivo, com especial destaque para as sociedades de caçadores coletores, que apresenta(va)m uma radical divisão de trabalho entre os sexos. Status e papel social sempre estiveram poderosamente entrelaçados com a feminilidade, de modo que as mudanças relativamente rápidas daqueles atributos estão engendrando um novo paradigma do feminino sem que o desejo masculino esteja acomapnhando o ritmo da mudanças. Isto porque ele ainda se mantém, em larga medida, voltado para um quadro de feminilidade que prioriza caracteristícas que estão sendo vistas como ultrapassadas pelos contingentes feministas da atualidade.
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Luciana Maria Viviani, Geisiele da Silva Marchan - USP
Puericultura e perfis de atuação feminina: dois manuais em análise
Este trabalho refere-se à análise de dois manuais de puericultura publicados a partir da década de 30 do século XX, para verificar as representações de feminilidade e de maternidade aí produzidas, bem como os seus possíveis significados sociais. Um desses manuais, “O livro das mamães”, de autoria de Almeida Jr. e Mario Mursa, foi muito utilizado nas Escolas Normais do estado de São Paulo e o outro, “O livro das mãezinhas”, de Wladimir Piza, foi distribuído gratuitamente às mães e pais que fossem registrar seus filhos nos cartórios paulistas de registro civil. Os materiais citados se constituíram em uma forma de veiculação de preceitos higiênicos e eugênicos na sociedade brasileira da época, tanto no ambiente escolar como em outras esferas sociais. As orientações às mães, aí presentes, traziam saberes produzidos no campo médico, que foram apropriados por educadores, conhecidos como renovadores do ensino, no processo de formação de professoras, tendo em vista amplos projetos de intervenção social de grupos que faziam parte da elite intelectual paulista, provenientes tanto do campo médico como da área educacional. Foram aqui consideradas as concepções de Joan Scott, segundo as quais o gênero é um campo por meio do qual o poder é articulado, para elucidar os caminhos pelos quais esse grupo da elite paulista atuou no campo das relações de gênero para construir e legitimar sua posição social privilegiada. As análises realizadas apontam para a produção de perfis femininos de atuação social, de diferentes contornos conforme a inserção social e étnica das mulheres consideradas. Verificou-se também a produção de perfis femininos e de maternidade quanto às formas de saberes e conhecimentos presumidos como ideais para que as mães pudessem implementar os diversos cuidados infantis indicados nos livros, relacionando-os às formas de atuação sociais mais valorizadas naquele momento histórico.
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Marcilene da Silva, Gláucia Carneiro
O filho de Chucky e o(s) filho(s) da família Silva: sobre “monstros”, adolescentes, escola, mídia e identidade
O texto ora apresentado busca refletir sobre a relação entre juventude/identidade/mídia e educação. A proposta é discutir questões relacionadas às identidades assumidas pelos adolescentes em contraste com alguns processos de representação e formações discursivas que forjam uma tipologia do que significa ser adolescente hoje. A discussão tem como fio condutor o filme “o filho de Chucky”, através do qual busca-se estabelecer “adolescente-monstro” que emerge de algumas vozes contemporâneas que “falam” o jovem (mídia, escola, família, etc.), tais vozes partem do pressuposto que a adolescência é algo natural e universal, não levando em conta os determinantes sociais, culturais e históricos.
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Maria Cristina Cavaleiro
"Parece outro mundo": feminilidades homossexuais e escola
Esse trabalho insere-se no âmbito de pesquisa de doutorado sobre os modos como mulheres jovens modulam sua trajetória de vida e vivenciam suas feminilidades homossexuais no universo escolar. Trata-se, no momento, de um balanço da bibliografia tendo como objetivo a intersecção entre os estudos que abordam as temáticas da juventude, gênero e sexualidade e as pesquisas de opinião públicas realizadas por institutos variados que, ao investigarem o espaço escolar, permitem perceber ocultamentos, violências e discriminações que se entrelaçam na construção da homossexualidade entre as jovens.
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Ondina Pena Pereira, Anette Lobato Maia
Diversidade sexual e novos arranjos conjugais: um estudo sobre instituição amorosa na filmografia lésbica contemporânea
Este artigo parte da suposição de que a diversificação das identidades sexuais no mundo contemporâneo resulta de processos de conquista da autonomia na constituição de si. Contudo, suspeita-se de que todo o movimento de desconstrução da heterossexualidade compulsória e do binarismo masculino/feminino não foi suficiente para romper com a ideologia do par conjugal como forma privilegiada nos arranjos amorosos, elemento importante na normatização dos indivíduos. Pretende-se, então, analisar o discurso dos cinco filmes selecionados para a mostra do 1º Festival da Cultura Lésbica de Brasília em 2005, com o intuito de verificar os limites nos uqais esbarram tais narrativas: constituem-se como pontos de fuga aos agenciamentos do mundo capitalista ou, pelo contrário, deixam-se recapturar nas malhas dos mesmos agenciamentos autoritários?
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Paulo Rogério da Conceição Neves - USP
Paradigmas do gênero: um primeiro olhar sobre atos de violência praticadas por jovens garotas
O presente trabalho é fruto das primeiras investigações acerca de ações violentas praticada por jovens garotas no ambiente escolar. Tal interesse investigativo surgiu de cena de violência entre jovens acompanhada dentro de uma unidade escolar pública da região metropolitana de São Paulo. Ao final do episódio, a coordenadora pedagógica lavrou a questão da pesquisa: “as meninas de hoje estão piores que os meninos”. O que significa ser pior que os meninos? As jovens são, naturalmente, menos agressivas? Recorrendo à literatura acadêmica sobre violência na escola, sobre relações de gênero e sobre poder, este trabalho procura fazer uma primeira reflexão sobre a implicação de tais conceitos no ambiente escolar e na formação das relações de gênero.
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Renata de Andrade Alves, Cleide Nébias - SENAC/Universidade de São Marcos
A inserção de alunos oriundos do PROUNI em um curso de hotelaria
A formação superior na área de hotelaria é relativamente recente no Brasil, e é possível constatar que a presença das mulheres é percentualmente superior à dos homens. À predominância feminina somam-se também outros dados, referentes à condição social, nível de escolaridade, faixa etária e motivação pela área. Estas informações estão disponibilizadas a partir de pesquisa realizada com alunos ingressantes no processo de vestibular. Porém, desde 2004, quando um Centro Universitário de referência na formação nesta área aderiu ao Programa Universidade para Todos, não há informações sobre o perfil dos alunos oriundos desta forma de ingresso no curso. O estudo, fundamentado na perspectiva sócio-histórica constrói o perfil destes alunos e propõe ações para sua melhor inserção no curso.
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Renata Farias de Felippe - FURG/UFSC
A resistência silenciosa dos corpos: imagens do sacrifício
O trabalho a seguir pretende apontar possibilidades que possam responder ao enigma da entrega espontânea ao sacrifício representada por certas personagens da Literatura e, especialmente, do cinema. Mais do que índices de submissão, pretendemos desenvolver as possibilidades de denúncia e de renúncia no silêncio e na entrega dos corpos à imolação. Nossa reflexão deter-se-á, especificamente, sobre as representações sacrificiais presentes nos filmes De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick; Lvoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho e Fale com ela, de P. Almodóvar.
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Suzana M. Gotardo, Renata D. M. Silva, Zeidi A. Trindade, José Vaz M. Néto, Beatriz B. Tesche, Mônica A. S. G. Scárdua - UFES
Religião, sexualidade e representações de família e gênero em jovens autoras de ato infracional
Este trabalho investiga a relação entre as práticas sexuais, religião e as representações de família e gênero. Participaram desta pesquisa 26 adolescentes do sexo feminino, internas de uma instituição sócio-educativa do Espírito Santo. Aplicou-se um questionário semi-aberto e utilizou-se técnica de análise do discurso no tratamento dos dados. Com relação às práticas sexuais levantou-se o início da vida sexual em média aos 13 anos, 14 usaram preservativo, 11 usaram contraceptivos e 1 teve práticas homossexuais. Nas representações de gênero e família os papéis de homem e mulher foram definidos de maneira conservadora. A maioria das jovens confirmou filiação a alguma igreja cristã; observou-se, entretanto, contradição entre suas práticas sexuais e os princípios morais e de conduta sexual professados pelo cristianismo.
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Valentina Homem, Angela Collet
Falando de feminismo! (“feminism: speak up!”)
O projeto nasceu do desejo de estimular diálogos entre o feminismo, ou os feminismos, e o “mundo de fora”. Como transitamos permanentemente entre esse dois mundos, identificamos uma razoável incomunicabilidade entre eles. Para o feminismo, esta incomunicabilidade geralmente implica em preconceito, falta de apoio, dificuldade de renovação. Para o mundo fora, este desconhecimento limita a absorção das idéias criadas e defendidas pelo feminismo - cujo potencial transformador e revolucionário foi fundamental em nossas vidas. Para romper esta incomunicabilidade realizamos dois vídeos. O primeiro busca levar para dentro do mvovimento as percepções que vem de fora: o imaginário das pessoas acerca do feminismo e também críticas às proposições feministas - para tanto foram entrevistadas pessoas de mais de dez paises (o vídeo foi lançado no AWID Fórum 2005, em Bangkok). O segundo vídeo busca uma maior aproximação com o campo feminista, através da documentação da vida, do trabalho, do pensamento de quatro feministas: uma indiana, uma holandesa, uma brasileira e um brasileiro.
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Verone Lane Rodrigues - FEUSP
Sociologia das (cons) ciências silenciadas: uma abordagem da pedagogia da oprimida sob a perspectiva de Paulo Freire
Nosso interesse temático pauta-se em duas concepções/recomendações de Paulo Freire: (i) não ter suas idéias repetidas, mas re-inventadas em cada contexto e (ii) somente os oprimidos – acrescentaríamos "e oprimidas", já re-inventando-o – em se libertando, libertam, também, seus opressores. Além desta intenção de re-invenção específica pretendemos dar uma extensão maior ao segundo eixo pelo fato de que somente as oprimidas, em libertando o lócus da enunciação pedagógica do monopólio masculino, podem perceber e dar a perceber concepções e orientações educacionais necessárias para a construção de uma sociedade democrática e igual para todas e todos. Mas, como isto é possível, se os oprimidos e as oprimidas, na maioria das vezes, “hospedam” seus opressores (as), como dizia Paulo Freire, e passam a se referenciar em suas idéias, valores, projeções, aspirações e ideais? Afinal, como é possível, então, a elaboração e a formulação específicas do pensamento da oprimida? As legitimações sociais das expressões científicas femininas não fariam parte daquela astúcia masculina, consciente ou inconscientemente presente nos processos de cooptação, que silencia formulações “mais perigosas” e ameaçadoras de sua hegemonia na comunidade do conhecimento? “Astúcia” era um termo que Paulo Freire usava para designar os processos e procedimentos dos(as) dominadores(as) sobre os(as) dominados(as), sem o uso da violência física, ou seja, a dominação pela cooptação, pela violência simbólica, pela força do argumento. O pensamento ocidental, cristão, branco e masculino hegemônico opõe liberdade e determinação; o pensamento contra-hegemônico integra a liberdade no processo de reconhecimento (conscientização) da determinação. Aceitar a mulher como sujeito da enunciação científica é a luta da mulher no novo século, isto é, a marcha da libertação da mulher no século XXI passa, obrigatoriamente, em nosso entender, pela luta pela igualdade científica e epistemológica. Os outros locais gnosiológicos, as outras perspectivas epistemológicas, os outros olhares e seus novos enunciados, se quiserem fazer avançar o processo civilizatório, não podem agir da mesma maneira, hegemônica, universalista, exclusivista, como agem a “Ciência”, a “Teoria da Ciência” e a “Pedagogia” “bancárias”. A “Sociologia das (Cons) ciências Silenciadas” e a “Pedagogia dos Oprimidos e Oprimidas” devem substituir as anteriormente mencionadas, na medida em que são processos de enunciação e, não, enunciados, são movimento, e não estruturas, são proposições e não discursos, são anúncio, e não enunciados.
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